Eu queria começar aqui com a pergunta mais difícil de hoje, com toda a certeza. Kenneth, que muitos chamam de quen exata. Se você fosse colocado numa bancada central da ONU e você tem aqueles 3, 4 minutos para dar a sua visão global, planetária da inteligência artificial neste dia de hoje, 10 de abril, qual é essa visão?
Como você vê a inteligência artificial? Escolhe o ângulo que você quiser, como for. Qual é a inteligência artificial para você hoje?
Vamos lá, Álvaro. Tem uma metáfora que a gente usa que é dois peixes conversando dentro do aquário. Aí um peixe chega pro outro e fala assim: "Cara, o que que você tá achando da água do aquário?
" O outro fala assim: "Água, que que é isso? " Esse recado é para dizer, cara, quando a gente tá no meio de uma revolução, no meio de um turbilhão e que tem um monte de coisa acontecendo, é muito difícil fazer sentido das coisas. Quando a gente olha para trás para tentar entender a história, a gente olha lá paraas guerras grandes que a gente passou, eventos como a pandemia da Covid, que agora a gente tá começando a se situar melhor de onde que ela veio, por onde que ela passou, o impacto que ela gera, é mais fácil entender em retrospectiva do que na hora.
E a gente em novembro de 2022, com a chegada do Chat EPT, usou essa data como marco paraa revolução da inteligência artificial generativa. E nesse momento, cara, uma tecnologia que antes era a, eu, eu chamo hoje de IA clássica, mas que já tava completando aí 70 anos. Ela era uma tecnologia que era usada por pessoas que eram cientistas de dados, pessoas com uma experiência ali nas linguagens de programação e computação ou mesmo na matemática, em áreas mais científicas.
você tinha ela como muito restrita de difícil uso, você tinha que aprender e conhecer muito de matemática e estatística para fazer isso acontecer. Cara, com a IA generativa, a gente tá passando por um momento de democratização, de acesso a essas ferramentas, onde a gente consegue através de um chat GPT, vou vou insistir nele por ser o mais popular, mas com inúmeras outros players. Eu tenho falado hoje em sete players de a generativa que são estado da arte, todos competem em grande pé de igualdade, onde qualquer pessoa tem acesso ao melhor professor sobre determinado assunto, a pessoa que a a uma tecnologia que sabe resolver problemas de saúde, que pode fazer recomendações jurídicas ou ou legais que a pessoa esteja passando, que permite você se aprofundar em discussões e e até debates para realmente mudar a sua ideia, a sua opinião ou a sua percepção sobre as coisas.
Então acho que a gente, se eu tivesse nesse balcão da ONU falando sobre isso, eu ia dizer: "Olha, apesar de parecer que tudo não faz sentido e que aquele mundo que a gente entendia e conhecia tá cada vez mais distante, cada vez mais no passado, a gente só aprendeu uma coisa com as mesmas revoluções lá no passado, que a ignorância é o pior caminho. Ficar longe, se negar a ouvir ou tá perto é a postura de quem fica para trás nas revoluções. Então vamos aproveitar que tá democrático, que tá fácil de usar.
Eu posso conversar com o chat GPT por texto, eu posso conversar com o chat GPT mandando mensagem de áudio, coisa que a gente aqui no Brasil gosta um pouquinho, acho que os britânicos um pouco menos. E a gente pode até agora gravar a tela e falar em vídeo. Então vamos usar isso para chegar perto e entender essa revolução, pra gente fazer parte de quem vai sair por cima nessa história também.
Interessante. Fabrício Conrado, qual é a sua visão ali no balcão da ONU, onde estão todos os países tirando pedido e você é o centro das atenções? Obrigado, Álvaro.
Eu fiz uma uma sessão pros executivos da do do da Venture Build, onde eu onde eu trabalhava até recentemente lá no no Reino Unido, em no verão de 2022. O verão lá é no meio do ano, então era em torno de junho de 2022, foi antes do chat GPT sair. E o eles tinham me pedido e como que a gente pode iluminar a cabeça dos nossos líderes executivos das nossas empresas para entender o que que tá vindo por aí.
Eu puxei uma linha histórica da humanidade de 80. 000 1000 anos atrás, quando o homo sapiens surgiu e o momento em que a gente desenvolveu nossas primeiras ferramentas, cerca de 8. 000 1000 anos atrás, em torno de 8 a 18, tem um, né, não se sabe ao certo, que a gente desenvolveu nossas primeiras ferramentas, a pedra das lascada, depois virou metal, depois virou, mas eram ferramentas que dependiam da força biológica humana e eram limitadas num certo ponto, mas que trouxeram bastante progresso pra gente.
A próxima etapa foi trazer força mecânica para as ferramentas, que foi onde a gente trouxe o motor a vapor, trouxemos aí a eletricidade e tal. A próxima etapa foi trazer informação para as nossas ferramentas, que foi com os computadores, com isso permitiu, cada etapa permitiu que o nosso mundo se tornasse mais complexo e melhor paraa humanidade em geral. Nós estamos em um, talvez o último momento de evolução das nossas ferramentas, onde nós vamos adicionar inteligência para elas.
Então, eu sempre gosto de trazer um panorama histórico bem eh amplo, amplo, né? Para que as pessoas entendam que essa transformação que nós estamos vivendo agora, ela não é nada que nenhum de nós que estamos vivos viu e que é o começo de uma era completamente diferente pra humanidade. Daqui 5 anos, daqui 10 anos, nós vamos olhar para trás.
E o mundo vai est completamente diferente. Assim como eu gostei do exemplo que o Kenet deu no começo da COVID. Ninguém sabia onde é que ele ia terminar.
Era o fim do mundo, era o apocalipse, era. Hoje a gente olha para trás, foi um um pesadelo, foi um sonho ruim, mas nós estamos aqui voltando a viver e viver nossa vida e tudo mais. E e sem menospreisar os números, né?
0,07% da população perdeu a vida com a pandemia de Covid. a gente chegou a ouvir números de que quase 10% da população ia passar, passar. Então, claro, agora olhando em retrospectiva, a gente sabe, houve erros, houve acertos, né?
A origem de como on de onde essa pandemia veio, como ela foi caminhando, evoluindo, decisões com relação usa a máscara, não usa máscara, né? Agora, quando a gente olha, por exemplo, desenvolvimento científico na produção das vacinas e o resultado efetivo da diminuição do impacto dessa condição, cara, é um trabalho que a gente não faria, inclusive sem inteligência artificial, né? Humade é a humanidade saiu melhor, né?
cada cada desafio, cada revolução. Agora, não quer dizer que a gente vai ignorar o fato de que vai ser um período muito convoluto, vai ser um período de eh eu gosto de lembrar do do Shampter, né? Eh, creative destruction, destruição criativa, né?
a gente tem que quebrar um pouco as os mecanismos paradigmas de hoje para que a gente chegue em um novo mundo que vai ser melhor para todo mundo. Então eu acho que o a melhor coisa se fazer no momento é tentar ampliar, abrir a visão pra gente enxergar um panorama mais de longo prazo. E aí o que o Kenet falou, não adianta enfiar a cabeça na areia, é encarar o medo e vamos ver o que vai acontecer e vamos fazer o futuro junto.
Você diria que você é um tecnooimista? Eu sou porque eh eu sempre fui um amante de tecnologia. Eu sempre vi em primeira mão como a tecnologia torna a vida melhor.
Então eu acho que e ao mesmo tempo eu trabalhei muito na área de educação corporativa com edx, com com empresa de tecnologia. Eu acho que a tecnologia é fantástica, as novas tecnologias que a gente traz, mas aí tem outro ponto que a gente pode até expandir mais, que são a tecnologia, ela não vai ser adotada se não estiver o ambiente econômico, correto, macroeconômico que seja que crie o incentivo. E a gente tem o fator limitador, que é a cultura da sociedade que leva um tempo para adotar e aceitar novas tecnologias.
Então é um processo de educação. Eu acho que a tecnologia precisa de muita eh esse olhar muito forte na questão da educação, da adoção das novas tecnologias para que todo mundo possa se beneficiar. E eu acho que aí a generativa ela é muito diferente nesse sentido, porque ela realmente democratiza.
Interessante. E você é um tecnotimista? Eu, Álvaro, eu fiz uma discussão recente, porque estando no MIT, conversando com os pesquisadores, existe uma divisão muito clara dos tecnotimistas e dos tecnessimistas para colocar, né, em contraposição.
Eu me coloco no grupo dos otimistas também com relação, principalmente citei o exemplo da COVID, mas dá para ir voltando em cada etapa histórica e e e pensar um exemplo muito bacana, mas é claro que não dá pra gente ignorar todos os desafios que vêm com essa tecnologia, os desafios futuros, de repente, será que uma ADI não vai assumir o controle e tirar a gente da equação? pode ser uma coisa mais de um cenário de de eh pesadelo, mas também os desafios atuais, né, cara, querendo ou não, os golpes virtuais e digitais do camarada do presídio, que antes fazia, cometia erro ortográfico e a gente suspeitava que era isso, agora vem com o português impecável de Camões, né? Então você de cara tá criando uma ferramenta incrível e poderosa, mas de novo, como toda ferramenta pode ser usada de qualquer maneira por qualquer pessoa.
É democrática, significa que é para todo mundo, né, cara? A gente saiu, eh, o chat GPT em 5 dias atingiu 1 milhão de pessoas. Ao longo de 2024 a gente trabalhou com o número de 200 milhões de usuários toda semana.
2025 a gente tá em 400 milhões de pessoas usando a ferramenta toda semana. Com os estúdios Gibly agora não veio o número novo, mas o Altman, Samman CEO da Openi fez um post dizendo que e eles tinham adicionado, eu acho que em uma hora 1 milhão de 1 milhão de usuários em uma hora. Então, cara, é um nível de acesso à tecnologia que me faz lembrar que no Brasil a gente tinha uma piada ali, aí de 2008, 2009, que era inclusão digital e que a maior ferramenta que promoveu inclusão digital no Brasil foi o Orcut, que todo mundo queria ter uma conta e ter um perfil naquela rede social.