Boa noite então gente o nosso assunto é nosso tema é esse o sacramento do momento presente e é uma reflexão sobre tempo sobre a nossa relação com o tempo e a gente vai passar por uma série de assuntos introdutórios eu vou tentar dar um uma base de conceitos e aí nós vamos discutir como essa nossa relação com tempo e de que forma a fé cristã vai afetar a nossa relação com o tempo esse é um assunto relativamente complicado quem já teve alguma aula alguma vez já discutiu essa questão do tempo já teve oportunidade de discutir
ISO Em algum momento isso é esse assunto é muito interessante e é reconhecidamente um dos assuntos mais difíceis que existem na na filosofia é muito difícil dar uma descrição adequada do tempo seja filosofia ou ou em ciência também mas eu não tenho pretensão aqui de resolver todos os possíveis problemas teóricos e científicos em torno do tempo né a gente vai fazer uma reflexão em parte teológica em parte filosófica Mas focando a nossa relação pessoal questão existencial como que a gente experimenta e como a gente deveria experimentar o tempo eh então a palestra tá baseada eh
em grande parte numa outra palestra com o mesmo título do do Andre fos que é o Obrero do labri da Inglaterra Então quem for no labri depois e tiver condição de ouvir inglês pode Ouvir a palestra também mas a gente fez algumas modificações substanciais aqui eu acho que o Andre não vai ficar bravo com isso a gente conversou a dizer respeito né então nós temos as nossas próprias eh ideias a respeito disso mas gente é uma coisa muito interessante logo no começo da palestra dele é é interessante ele diz que é é muito uma coisa
muito básica mas ao mesmo tempo os ouvintes poderiam se sentir até insultados por isso mas uma coisa fundamental antes da gente discutir a relação do tempo é eles citam uma declaração de Pascal de que é uma coisa simples mas essencial de que os homens são felizes com Deus e infelizes sem Deus é uma coisa muito básica muito Fundamental e toda a nossa discussão a respeito do tempo gira em torno disso o ponto nosso é que se a gente se afasta de Deus a nossa relação com o tempo fica distorcida fica destorcida porque a gente vai
ter que encontrar uma alternativa para Deus e essa alternativa via de regra vai distorcer a nossa relação com o tempo então esse é é o nosso ponto é é a idolatria idria nosso primeiro problema é a idolatria como que ela afeta a nossa relação com o tempo e aí nós vamos passar para de que forma é a relação com Deus pode eh eh redimir a nossa relação com tempo gente em primeiro lugar isso é um aspecto da Visão eh judaico-cristã das coisas nós sempre escolhemos Deus ou um substituto a gente precisa de uma alternativa se
a gente não tem Deus a gente vai botar alguma coisa no lugar Pode ser uma coisa maior menor mas sempre a gente vai tentar preencher aquele espaço que foi desocupado né Por assim dizer a gente vai tentar preencher com com alguma outra coisa é isso é interessante no final de Primeiro João é a última declaração eu gosto dessas declarações na Bíblia que aparecem isoladas tá escrito lá filhinhos guardai dos Ídolos eh isso é interessante eh a idolatria é um perigo constante para para nós a gente vê lá nos 10 mandamentos esse os 10 mandamentos começam
com o anúncio de que Deus é único que a gente não pode ter outros Deus quando Paulo vai descrever a natureza do pecado lá em romanos 1 ele vai dizer que o pecado é essencialmente idolatria né que os homens tinham conhecimento de Deus mas não glorificaram como Deus né E aí fizeram Deuses a eh a imagem de de animais né e seres temporais do do próprio homem então a gente ou tá com Deus a gente vai achar um substituto que a gente vai encontrar da tradição vai receber das pessoas da cultura ou que a gente
vai criar com a nossa mão como tá lá Isaías né a gente vai tomar um pedaço de madeira e vai talhar um Deus ali então a gente pode ter divindades mais sofisticadas pode ser objetos teóricos né pode ser uma construção eh científica mas no final das contas aquilo que a gente usa como que tem valor supremo para nós que tem valor último tem a mesma função da divindade isso é uma coisa importante muita gente acha que tá livre da religião simplesmente porque não se insere numa tradição estabelecida uma tradição religiosa estabelecida Sei lá o hinduísmo
o budismo ou religião local e porque não acredita na existência de divindades então a pessoa fala assim eu tô livre de religião mas religiosidade espiritualidade é muito mais do que você ter acreditar numa divindade ou seguir uma tradição Religiosa e a se você comparar a atitude que uma pessoa religiosa tem com a sua divindade e a atitude que a pessoa não religiosa tem com aquilo que tem valor supremo para ela você vai perceber que a atitude é muito similar Você tem algum tipo de contato de experiência comum não é que o religioso tô dizendo para
aquele que é secular né não é que um religioso tá do outro lado que ele é uma pessoa Complet diferente n nós respiramos usando o nariz a gente enxerga usando os olhos e a gente valora as coisas e a gente dá para algumas coisas valor absoluto então aquilo que o religioso faz de um jeito você que não é religioso vai fazer de outro mas você vai precisar fazer é uma função da natureza humana quer dizer o ponto é que se você não tem uma divindade como Deus você vai ter uma outra coisa que tem essa
função de de criar de dar para você sua identidade você vai usar alguma outra coisa algum ponto de apoio para construir a sua identidade pessoal e para eh encontrar valor né significado aí na vida de um jeito ou de outro você vai você vai fazer isso agora o o ponto é que os Ídolos não funcionam para dar esse sentimento de timidade né de ou de valor Supremo não funciona porque eles são finitos uma coisa bastante óbvia né como você vai atribuir valor supremo para algo que não é Supremo Então se de fato Deus não existisse
mesmo se Deus não existisse nós seríamos Os seres mais miseráveis de toda de todo o universo porque nós temos uma necessidade de atribuir valor Supremo quando não há coisas que tenham ou uma coisa que tenha valor Supremo não existe dier uma espécie de disfunção realmente ente estranhíssimo e gente essa aqui é a namorada do rodol Mas então a gente vai a gente vai tentar atribuir eh valor supremo para alguma coisa isso não vai funcionar né esse é o afirmação Cristã claro que a gente não apresentou aqui um argumento para esclarecer Por que é assim a
gente tá só dizendo Até porque não é o nosso ponto principal discutir o mérito da questão é mas é parte a gente pode discutir depois nas perguntas mas é parte da Visão Cristã das coisas isso que de fato a gente ou vai seguir a Deus ou vai seguir um substituto e os substitutos não funcionam eles não nos convencem interiormente de que eles são eles têm esse valor absoluto no vi porque eles não vão suprir a nossa eh necessidade agora mudando um pouco paraa questão do tempo nós somos seres temporais está no espaço tá no tempo
nós temos corpos né então a gente tá sujeito a a espaço e e e tempo a gente existe dentro dessa dessas dessas dimensões e eh a gente tem uma intuição do tempo mesmo sendo difícil de descrever isso racionalmente a gente tem uma intuição uma experiência de de tempo falando ordinariamente nós temos a nossa experiência pode ser dividida em passado presente e futuro Esso é o óbvio né na nossa experiência do tempo a gente tem termos diferentes para descrever passado presente e futuro agora por que que a gente divide o tempo desse jeito eh nós temos
a gente poderia dizer que a gente tem intuições ou faculdades próprias para lidar com essas dimensões da temporalidade a gente acessa o passado com a memória e o futuro com a imaginação é se você consultar aí a sua experiência interna você vai ver que não é muito difícil de perceber isso através da memória Você se lembra o que aconteceu ontem anteontem através da memória acumulada da de uma cultura Você pode até escrever uma história e você se lembra dos instantes imediatos aí que vieram antes M que sua imagem disso seja e seletiva imperfeita mas você
tem a memória e a gente não tem um acesso do mesmo do mesmo tipo naturalmente ao futuro que a gente tem ao passado passado já se concretizou no futuro Ainda não mas a gente tem a capacidade de imaginar e a gente pode fazer projetos n é uma coisa curiosa ser humano faz nós podemos fazer previsões e acertar nas previsões n então a a ciência por exemplo um exemplo interessante da ciência moderna dessa capacidade de imaginar né porque a gente pode por exemp construir um Model um Esso físico e testar esse modelo com conhecimento que a
gente tem nós sabemos por exemplo que foi proposto aí só para dar um exemplo né sugeriu-se o modelo do universo inflacionário e que existia então um big bang no início que H uma explosão universo foi crescendo e entre as previsões dessa teoria existia de que existiria uma radiação de fundo que seria dessa original e de fato isso Foi confirmado a existência de uma radiação de fundo mais ou menos uniforme no no espaço e que o pessoal por cálculos pode relacionar com com o Big Bang quer dizer isso não significa que a teoria seja totalmente correta
Pode ser que e uma outra teoria Explique a origem dessa radiação de fundo mas o fato é que os homens conseguiram imaginar um modelo de como que o universo funciona e imaginar que se ele funciona desse jeito alguns fenômenos vão se verificar quando tivemos condições de fazer um exame quer dizer não é que a radiação apareceu depois que a imaginação eh foi realizado mas é que o homem conseguiu imaginar aquilo que ainda não estava ao seu alcance quer dizer o conhecimento dess dessa radiação de fundo ainda era futuro então a gente pode imaginar a gente
especula oque fala do da Imaginação como uma sonda do Real porque a gente com a imaginação a gente testa possibilidades que não estão dadas que o nosso sistema atual de pensamento as nossas teorias a experiência passada ainda não deram conta de dizer então a gente imagina cria uma coisa fantástica e de repente através dessa fantasia a gente acessa eh possibilidades que estavam aí Ou estavam vindo e na nossa direção e a gente não não conhecia então nós nós temos condições de de ter uma intuição do Futuro que vem através da Imaginação e a gente tem
uma condição de de se lembrar do passado mas ainda assim a nossa consciência tá a no presente né a nossa consciência o assento da nossa consciência é o momento Presente mesmo quando Nós pensamos no passado ou imaginamos no futuro a gente faz isso quando a gente faz no presente né nesse momento nesse eh nessa situação que a gente tá agora a gente traz o passado para juda da gente e a gente tenta laçar o futuro na imaginação e a a gente quase que sente a aproximação né do do futuro não é difícil para nós imaginar
isso então a gente tem essa experiência mas ela é condensada no presente e como que a gente experimenta o presente o que é dado nesse instante com a percepção né com a a intuição ordinária que é diferente dessas outras luzes Então você você percebe as coisas com com com pensamento com a reflexão com a seu a o seu sistema sensorial né com a visão contato Mas você percebe também de outras formas a gente tem percepção estética né a gente tem percepção social eh Será que eu posso então gente eh quando tiver muito calor a gente
abre um pouquinho então a gente eh eh tem essa a percepção do que é dado agora para nós no presente mas a nossa consciência não é formada só dessa percepção né veja que se a nossa consciência fosse formada só do instante imediato a gente viveria num num começo eterno só seria só isso que a gente teria os instantes estariam isolados entre si na nossa experiência e a gente não experimentaria a duração né quer dizer que uma coisa vem depois da outra você saber que uma coisa vem depois da outra você tem que saber ainda que
a outra passou então de alguma forma a outra coisa ainda está com você ela passou mas você teve um algum elemento daquilo ainda dentro de você então você tem a duração né a coisa passa quer dizer a nossa consciência do tempo é presente mas é a consciência do do atual do passado e das possibilidades futuras agora quer dizer isso é a consciência cheia né que a gente tem a consciência de tempo que a gente tem por isso a gente tem a a a duração Então os filósofos aí há muito tempo vem tentando lidar com essa
experiência do tempo então só para lidar citar dois aqui que a gente vai vai lidar com eles um pouquinho ou com as algumas ideias deles só né Eh anri Berson é relativamente famoso até porque acho que foi no ano passado no ano retrasado eh e teve um programa no no Fantástico de filosofia né eles davam uns capítulos de de filosofia foi bem interessante e até num dos programas eles trataram com o tempo e eles citaram esse filósofo mas ele se tornou famoso por identificar a duração como esse elemento mais essencial do tempo o que que
seria o tempo essencialmente a duração seria a experiência de duração e a a gente por causa da algumas características da cultura moderna Nós criamos a ilusão do instante na visão dele o que que seria um instante porque o tempo seria movimento né o instante seria um congelamento de uma etapa do movimento mas como o movimento continua que o tempo seria esse movimento pra frente isso que a gente congelou não é tempo ou é uma imagem eh irreal como uma uma fotografia né fotografia capta ali um momento da luz mas não não pega a realidade de
Fato né É É uma imagem Então quando você congela um instante você não tá falando do tempo você tá falando de uma série de uma multiplicidade de fenômenos que aconteceram durante o tempo o tempo seria o movimento mas muita gente não aceitou as ideias do do Berson então o Gaston bachel por exemplo que era um outro filósofo francês achava que o tempo é o instante É exatamente esse instante que passou n quer dizer a gente poderia falar do tempo não como uma uma continuidade mas como uma série infinita de instantes que estaria haveria uma descontinuidade
essencial no tempo mas eu não vou tentar resolver esse o problema desse tamanho né quer dizer dá uma solução aí para para o debate mas eh a de forma programática eu diria que eh numa na a partir de uma visão Cristã das coisas nenhuma das duas pode ser absolutamente verdade porque por um lado eh eh existe sim numa numa perspectiva eh Cristã existe duração o tempo não é só um instante é é a presença do do do passado e do Futuro na Ou pelo menos da antecipação do Futuro na nossa experiência eh na nossa experiência
presente até porque é por isso que o passado é tão importante eh no numa visão Cristã das coisas ao mesmo tempo eh a ideia do instante faz sentido porque o se o instante é fundamental Isso significa que o que acontece agora não é só a continuação do que tava vindo mas algo novo pode acontecer agora e e para toda a a imagem cristã da possibilidade a ideia cristã da possibilidade de milagres de que algo novo acontece que existe até uma nova criação né que por exemplo Jesus seja o verbo encarnado quer dizer uma pessoa que
você não pode reduzir ao que estava acontecendo antes do processo histórico ou um movimento eh intrínseco do processo histórico Jesus é o novo é o que você não pode explicar a partir do que vinha antes então numa visão Cristã das coisas existe novidade para ter novidade instante tem que ser importante quer dizer não tô solucionando o problema filosófico mas eu diria que tanto duração como como instante seriam essenciais para nós então nós vamos voltar nisso eh logo na frente mas o fato é que havendo intuição do Futuro na imaginação e e a lembrança do do
passado na memória isso tá concentrado é no é no presente no presente que a gente lembra do passado é no presente que a gente imagina o futuro que a gente a gente percebe as coisas quer dizer De qualquer modo é é o agora é essencial a gente só tem consciência do que a gente é da nossa concretude no agora né você você consegue ter contato com você agora você pode pensar a respeito o que você fez imaginar o que você vai fazer mas o seu contato direto com você mesmo É nesse momento é o agora
que a é o a gente o til fala até a respeito do do eterno agora né O Andre usa Inclusive essa ideia ser normal agora o que que os Ídolos fazem com respeito a isso então esse é o nosso ponto aqui nosso problema o que os Ídolos fazem é distorcer a nossa relação com o tempo tem muitas distorções possíveis da nossa relação com o tempo você pode negar o passado negar o o o futuro e a gente não vai discutir todas as possibilidades agora a distorção fundamental é a seguinte a gente na na na visão
bíblica das coisas existe a temporalidade existe Deus que é eterno né tudo que é criado é temporal tá sujeito a uma ordem Deus é eterno Deus criou todas as coisas sustenta todas as coisas e como o homem foi criado a imagem de Deus a relação essencial do homem é com a eternidade ainda que ele seja temporal né o homem foi feito do pó da terra é temporal Mas ele tem o fôlego também de Deus então o homem ele ele vive no tempo mas a sua relação fundamental é com aquele que é a origem do tempo
é a origem de todas as coisas então o que o ídolo faz essencialmente é romper a idolatria né faz a gente romper essa relação com o eterno e buscar um equivalente dentro do tempo quer dizer algo que não é estável que não é absolutamente estável que que é Deus né então a gente rompe essa relação com a eternidade e cai no tempo cai na temporalidade Tenta achar o equivalente dentro do tempo então esse é o problema fundamental agora quando a gente tenta buscar a saída ou a a fonte para a nossa identidade dentro do tempo
então essa relação fundamental aí essa eh eh esse equilíbrio de de do instante do momento presente e da ao mesmo tempo a experiência da duração quer dizer do de passado presente e o futuro é quebrado esse esse equilíbrio é rompido e esse é o nosso problema fundamental nós vamos ver como que esse rompimento acontece a gente é lançado num coloquei aqui num pêndulo relação pendular aí de tentar arrar o momento presente e ao mesmo tempo se afastar do momento presente isso é o resultado da idolatria a gente rompe a relação com o eterno a gente
tenta achar o fundamento pra nossa vida dentro do tempo então a gente é lançado nessa tensão que a gente tenta encontrar o sentido no tempo mas o tempo escapa então a gente se afasta do tempo e perde a única possibilidade de vivenciar o que a gente é porque a gente é e eh tem oral Então como que isso acontece é o que a gente vai ver agora primeiro lugar como exatamente os Ídolos promovem esse desequilíbrio na nossa relação com o tempo em primeiro lugar o os Ídolos vão distorcer a nossa relação com o Futuro por
uma razão relativamente óbvia como os Ídolos são finitos a gente não pode confiar no no ídolo eh eles não podem garantir a nossa segurança a longo prazo a razão é é é muito simples a gente sabe da finitude dos Ídolos então quando a gente adere a um ídolo para ganhar identidade dele a gente vai experimentar ansiedade ansiedade é o resultado imediato na nossa relação com o futuro da idolatria você confia por exemplo na sua como forma de ganhar sua identidade n no seu sucesso profissional uma coisa mais comum do que isso hoje né é o
sucesso profissional vai ser a minha a vou ganhar aí a minha felicidade a minha identidade só que você sabe muito bem que você não pode garantir isso né E na verdade o seu sucesso profissional caso aconteça também não é suficiente Então o que isso Gere você é a ansiedade é a essa intuição do nada você sabe que ali no próximo na próxima esquina a sua o seu sucesso profissional pode ruir né ir pro espaço ou de repente nem acontecer né você ficar viúvo do seu sucesso profissional sem nunca ter sido e eh então isso gera
a ansiedade como uma condição permanente não é ansiedade não é o medo a respeito de uma coisa ou de outra né quando você localiz a gente fica ansioso às vezes por exemplo você como outro dia eu fui levar a nelisa no fazer minha filha mais velha para fazer o exame de sangue Então imagina aquela tensão né criança de 8 anos vou fazer o exame de sangue de de criança de 9 anos V fazer um exame de sangue e isso é é terrível e ela sentia como se fosse morrer o fim do mundo e eh Tô
não tô não tô chamando Exatamente isso de ansiedade aqui essa ansiedade ade que é mais mais psicológica mais relacionada com o O Ali detalhes do futuro imediato eu tô falando daquela ansiedade existencial né É aquele vazio Aquela aquele medo que é um medo mais entranhado que não é o medo de uma coisa po É explica de uma forma interessante esse esse essa ansiedade existencial é angústia né angst No que eles no na linguagem dos existencialistas e alemães não é não é meramente o medo de alguma coisa O medo é concreto né o medo é concreto
você tem medo do cachorro você tem medo sei lá da sua mulher você você tem medo daquele motorista do ônibus que você conhece mas a ansiedade que se desenvolve quando você tenta fixar oo emis negócio mais profundo porque ela não tem objeto porque porque o objeto dela é o nada é a sua consciência do não ser ali que tá chegando tá perto em volta de você a possibilidade de de tudo ir pro saco então Eh se você adere ao ao ao temporal você vai você Você não tem como lidar com essa ansiedade não tem saída
para você mesmo que você controle todas as contingências possíveis você você você não tem saída para isso porque o não ser tá vindo aí né você Experimenta no tempo porque o o momento que é agora um segundo depois não não é mais então ansiedade é o ídolo vai distorcer sua relação com o passado também porque eh e todo mundo conhece isso muito bem porque a gente bota Nossa confiança em tantas coisas né no relacionamento com uma pessoa no futuro do país no nosso sucesso profissional na sua inteligência e você é Decepcionado incessantemente por essas coisas
porque lá na frente aquilo não te dá satisfação que você esperava ou no final aquilo promove a o prejuízo na sua vida você confiava Tanto para você aquela pessoa que você tava namorando era o máximo aí a pessoa Pisa Na Bola com você te trai acaba com você você tá Ah é a decepção primeira decepção falou não vou tentar de novo né aí trabalha igual um louco né para ver se se tem um sucesso profissional tal aí lá no trabalho você é passado para trás pelo seu melhor amigo lá que contou uma mentira pro o
chefe e o negócio pegou e você se ferrou aí Ultra decepcion aí você vai pra igreja minha vida tá uma pcar vou pra igreja aí vai pra igreja fala agora todos os seus problemas como é que é o o jog se acab se acabaram todos os seus problemas se acabaram aí você chega lá dentro e aquele pastor picareta acaba com você então e uma decepção atrás da outra aí fica começa a virar uma carga né para você lidar com isso porque você tava fundando a sua identidade sistematicamente ali em coisas que não podiam garantir esse
negócio para você isso traz uma sensação de vergonha também muito grande não é vergonha só porque às vez a gente faz coisa errada e tem que ter vergonha né tem que ter vergonha de coisa errada mas existe uma vergonha que é diferente igual aquela o a ansiedade existencial é diferente do Medo existe uma vergonha que também é diferente da dessa vergonha pontual de coisas que são feitas que é a vergonha de você não é vergonha porque você não atingiu um padrão que você sabe que é certo e não tá atingindo é a vergonha de ter
seguido um padrão errado de ter sido enganado por você mesmo e aí a sua mentira que você contou para todo mundo e para você ser exposta publicamente por causa da decepção Então essa vergonha é de matar ela é é mais lá embaixo essa vergonha então Eh se você Funda a sua identidade num num ídolo temporal finito né instável e isso é o que vai acontecer você vai sofrer de ansiedade crônica existencial e você vai sofrer de decepção crônica ao ponto de virar um cínico a não ser claro que você use mecanismos como muita gente faz
mas isso também tem seus próprios resultados para negar só que quando você começa negar a realidade que essas coisas trouxeram decepções né e negar a realidade da Morte você vai se tornar uma pessoa inautêntica uma pessoa superficial porque você não você você mantém a sua saúde mental a custa da evasão da realidade a realidade de que o mundo nos decepciona e a realidade que esse mundo não tem fundamento sustentação nele mesmo que é a ansiedade é o desespero você tem que encarar a realidade quer dizer ou você encara a realidade aí você morre né Nós
vamos ver como ou você foge da realidade para você ter uma vida normal mas você vai se tornar uma pessoa fina uma pessoa sem densidade uma pessoa inautêntica superficial que é o que muita gente faz para sobreviv não encara aidade agora os Ídolos vão distorcer também gente a nossa relação com o presente e esse é o ponto crítico do da coisa toda porque a nossa consciência do passado e a nossa imaginação do futuro é trazida para o presente integrada com a percepção para formar a nossa consciência de duração então a gente sente que o mundo
tá funcionando as coisas estão passando porque a gente imagina o futuro e a gente lembra do passado e a gente junta tudo e aí a gente planeja claro que isso é um processo eh muito automático muito natural mas a gente eh atua no mundo a gente projeta a nossa consciência no mundo quando a gente junta essas coisas porque aí a gente ae como se nós Agimos como seres humanos mesmo né a gente tem memória a gente usa isso para para decidir o que a gente vai fazer agora então isso é fundamental a integração das três
coisas mas é no presente que a coisa acontece a Agora se a consciência do presente como a gente colocou é fundida né com essa memória do passado e a imaginação do futuro se a gente distorcer a nossa imaginação como ansiedade excessiva e a gente ou a gente distorcer a nossa memória do passado com a com a a decepção E a vergonha a nossa experiência o nosso engajamento com o presente vai ser distorcido porque a gente usa isso para viver então isso vai a nossa relação com o presente vai ser distorcida Com certeza então em primeiro
lugar essa prisão da ansiedade esse sentimento de preocupação a respeito das contingências do Futuro que vão se acumulando quanto mais você entende o mundo mais ansioso você pode ficar com as possibilidades né de desastre e de falha né no futuro tanto pra raça humana como um todo como para você individualmente eh você ao mesmo tempo tempo você você se sente tão decepcionado com o passado que você quer só se livrar do passado você não quer mais saber você quer se se livrar daquilo ou isso é o mais comum a memória do sofrimento do passado a
mágoa por causa de tudo que aconteceu com as pessoas com o mundo com Deus começa a determinar tanto o seu presente que você já não consegue tomar suas decisões senão com base nessas experiências e negativas de verg de decepção você começa a ficar paralisado a gente sabe que isso pode atingir níveis patológicos né dizer uma pessoa com Muita ansiedade ela pode ter tanto Pânico que ela não sai de casa por ela não sai de casa porque milhões de coisas terríveis pode acontecer se ela botar o pé para fora de casa então a ansiedade pode paralisar
a ação né você começa a ficar covarde com a vida você per a coragem de agir de enfrentar as coisas a esperança de que o negócio pode dar certo de que existe um futuro de que vale a pena fazer alguma coisa que que preste de repente não vale a pena porque não tem futuro não tem esperança quer dizer ansiedade pode eh você fica tão preso na verdade no futuro ou nessa imaginação destorcida né que a sua ação no presente fica paralisada ou medo né de de agir e ao mesmo tempo a decepção e a mágoa
com com o passado e a a vergonha eh podem te dominar tanto que você não consegue mais vivenciar o presente né você você não consegue mais desfrutar aquele momento eh Então isso é o primeiro efeito né que esse que essa esse aprisionamento ou essa tensão né entre ansiedade excessiva do futuro e ou a decepção com o passado V vão exercer sobre o tempo presente você se deseng do tempo presente Porque você só vive você vive a ansiedade você não vive o que é dado para você agora no presente você vive o sentimento de ansiedade e
esse sentimento governa tudo que você faz ou você vive a mágoa e a decepção do passado você habita nisso você se alimenta disso e você não consegue mais receber o que vem agora Então esse é o primeiro resultado é um desengajamento do do presente e de fato tem uma análise do teólogo chamado Emil bruner alguns aqui devem ter ouvido falar ele tem um texto interessante a respeito de tempo ele diz que no caso do ocidente isso aconteceu a gente tá com essa sensação de que o tempo tá passando e a gente eh começou a contar
o tempo para tentar usar o máximo mas a gente tá sempre preocupado com o futuro e essa preocupação distorcida com o futuro e a tentativa de controlar todas as coisas através da tecnologia faz com que a gente perca a capacidade de simplesmente viver o o presente Por que que a gente não diz que a gente não tem tempo isso acontece mesmo Eu muitas vezes falo não tenho tempo mas isso pode ser mais do que uma afirmação de que você é muito ocupado pode ser mais do que isso uma pessoa pode ser muito ocupada questão é
outra a questão é que você habita no que você tem que fazer você não não vive o agora você não sente o agora você não sente o momento isso é um problema isso é um problema da nossa Cultura a a combinação dessa preocupação em controlar o tempo e ao mesmo tempo em controlar todas as coisas revela o elemento de ansiedade que existe na nossa Cultura a gente tá tão preocupado em em garantir o futuro que o presente não é vivido mais adequadamente por isso que o tempo passa assim né a vida passa minuto por que
que passa tão rápido porque a gente não tá sentindo a duração da coisa a gente não tá sentindo porque a gente foi desengajar do presente tem alguma coisa que tá tirando a gente da experiência do presente por isso que na roça o tempo passa mais devagar do que na cidade por quê Porque tem uma coisa errada tem uma distorção na nossa relação com o tempo então o ídolo ou te prendendo na mágoa no ódio na revolta né na vergonha na decepção ou te aprisionando Na ansiedade no desejo de controlar tudo no medo do futuro ele
te desconecta do presente e aí você não vive mais você porque se você só existe no presente ainda que você relacione com o passado com o futuro se você existe no presente perder sua relação com o presente é morrer acabou porque é no presente que você vivencia o seu eu e todas as coisas agora não é que as pessoas não não sentem esse desengajamento as pessoas sentem aí o próximo passo depois do da distorção né da memória e da Imaginação eh para tentar se livrar desse desengajamento então a gente pode cair no outro erro que
também é característica da nossa cultura de tentar mergulhar totalmente no presente e chutar o pau da barraca por assim dizer quer gente não quer mais saber do futuro e não quer saber do passado o negócio agora é viver o instante né é o Car pedia na interpretação numa interpretação não Cristã né Eh você vai viver o momento viver o distante eu não quero saber do do passado eu não quero saber do futuro eu vou me engajar só que isso não dá certo Por que não dá certo porque o instante só tem sentido consistência na conexão
dele com as possibilidades futuras e com as atualidades passadas a gente não experimenta duração só num instante o que a gente experimenta no instante é a presença do passado que vem nos acompanhando e a possibilidade do Futuro que orienta a nossa ação quando você tenta viver um instante e Chuta o Balde com o passado e com o futuro você não experimenta nada não existe um instante sem a o processo não tem jeito então o que acontece o hedonismo que a gente tem hoje quer dizer um negócio assim eu vou ter o prazer agora ele é
problemático exatamente por isso porque quando você tenta esquecer de tudo e tenta experimentar o o o presente Acontece uma coisa muito engraçada não sei se vocês já perceberam isso a experiência de do Prazer qualquer tipo de prazer pode ser o prazer sexual pode ser o prazer de beber alguma coisa de comer um doce você não consegue pegar é igual um vento assim que é uma coisa que tá passando Mas você não consegue pegar o o prazer que você tem com qualquer coisa é real mas ele não é tão real a consistência da experiência do Prazer
é ele é muito fluido ele é ele é meio gasoso assim é uma coisa que que você se você tentar agarrar ele passa entre os seus dedos é como Tentar segurar água então o hedonismo vai esquecer o resto para tentar viver o presente só só que o presente não é uma coisa que você consegue agarrar não tem jeito de segurar ele então se você já tentou mesmo e desfrutar de prazeres você vai descobrir que os prazeres eh não podem ser desfrutados adequadamente quando você se concentra neles porque não t a consistência eles eles vão passando
assim e daqui a pouco acabou mas Mesmo durante o processo quando você tenta se concentrar no na experiência de prazer Ela desaparece na sua frente como um vapor quer dizer não tô dizendo que ela não seja real mas é que ela não é real suficiente agora depende do tipo de prazer aí que tá o único prazer que é é absolutamente durável é a alegria de você ter um relacionamento com Deus porque esse é interno ele não é esse prazer superficial é um prazer interno e a a experiência de duração dessa desse prazer é muito mais
intensa mas muitíssimo mais intensa então Gente o que que o o hedonismo eh vai produzir né quando você fica tentando se agarrar aí ter uma experiência significativa agora mas sem pensar no passado e sem no sem pensar no futuro Quando você vê que não existe consistência no prazer aí vem o tédio o tédio é o último estágio do processo Porque aí não é mais o desengajamento pela pressão e ou pela tensão exercida pela ansiedade e pela decepção esse nível de desengajamento é mais profundo porque ele é um uma eh uma desilusão com a capacidade do
presente por si só de te satisfazer quer dizer se o futuro é ansiedade o passado é decepção e o presente não é consistente o suficiente a experiência sensorial o prazer e tudo mais então isso é a desilusão final é o desespero final aí é o tédio né você perde a capacidade de sentir o sabor das coisas você não sente mais o gosto da da do doce né do chocolate não tem mais prazer e isso isso é possível eu lembro da de uma declaração no final da vida já do Darvin em que ele comenta que depois
de todos esses estudos dele ele tinha uma visão mecanicista da realidade que ajudou muito na construção da teoria da evolução e por causa também de experiências pessoais da perda da fila e tudo ele ele no final ele descreve a perda da capacidade de ter para prazer e alegria ele gostava muito de ouvir música por exemplo no final da vida ele diz que ele ele ouve ele começou a ouvir aquele sons e ele não não tinha mais prazer nenhum em ouvir a música aquilo parecia uma coisa sem sentido para ele quer dizer isso é uma experiência
intrigante di a música você você a gente sabe o que a gente tem a experiência de ouvir música de tem o prazer o que seria a experiência de você não ter prazer numa coisa que você tinha prazer você sabe que era boa quer dizer nós temos a capacidade ou a talvez não a capacidade mas a possibilidade de perder a percepção que é o presente de perder a percepção da Beleza do bem do prazer no presente pode perder isso então o tédio é o resultado da idolatria no presente que você tenta fixar eh se fixar naquilo
que tá passando e você não consegue o resultado final disso é o que eu chamaria que é o muito comum hoje de hedonismo cínico que que é o hedonismo cínico é a pessoa que Chutou o balde com o futuro eh é muito comum isso como atitude pessoal né a pessoa eh não acredita que o futuro tenha Esperança ela tenta garantir alguma coisa para si mesma mas não é que ela tenha Esperança exatamente ela para se livrar dessa controle da decepção do passado e da ansiedade ela vai se lançar em experiências de prazer uma depois da
outra mas sem nenhuma expectativa de realmente encontrar sentido por isso eu chamei de hedonismo cínico at é aquela pessoa que entre aspas Celebra a vida e zomba das pessoas que pensam que existe sentido zomba das pessoas que acham que tem algum objetivo que o mundo tem algum propósito e que se eh qual seria a palavra correta para isso se orgulham né se orgulham da sua própria miséria né Tem uma expressão que o André usou outro dia é Loser prizer PR Loser Pride quer dizer a pessoa que acha o seguinte é isso mesmo o mundo é
uma porcaria mesmo não tem rumo para nada então eu vou aqui curtindo a minha pinga e outras coisas mas não consegue curtir isso também direito então a pessoa fica cínica e hedonista e ao mesmo tempo agora eu não tô dizendo que que todo mundo já passou por todos os estádios né Você pode ter só ansiedade excessiva ou ou essa angústia ou essa decepção com com o passado ou você pode est ainda nesse n experiência de desengajamento e não ter chegado no cinismo mas o ponto Esse é o ponto chave é que é que se você
procura a sua segurança pessoal em qualquer coisa que seja temporal a sua relação com o tempo vai ser distorcida de alguma forma você vai perder a possibilidade de experimentar a duração do tempo em cada momento quer dizer de curtir o a coisa passando né como que se pode sair dessa situação então é claro aí é o o Evangelho é a solução l