Roberto, atenção para narrativas compartilhadas em um grande prazer de continuar hoje no profissional do Nook, assessora especial da Uniso, e agora vai contar nos um pouco a respeito do processo de criação do mestrado em Educação. Nisso, uma palavra então: profissional, de fato. A decisão de criar uma história da educação contava, a gente esperava contar com o apoio da Unicamp, e tivemos esse apoio.
A gente se lembra que fomos para Campinas junto com o professor Wilson Dano e mais outros três. Tivemos um contato, uma boa reunião com o diretor do mestrado em educação da Unicamp, professor Felício, que nos apoiou, prometeu e realmente nos enviou depois duas professoras do mestrado em educação de lá para uma reunião conosco aqui em Sorocaba. Dadas estas, irão informações básicas, a gente então encaminhou o processo à CAPES e realmente a gente conseguiu, um ano depois, no início desse mês, trado lá no câmpus seminário, a universidade então tinha dado um passo importantíssimo.
Posteriormente, outros três mestrados vão ser alcançados, mas isso ao longo do tempo. Criar um mestrado não é questão apenas de decisão da reitoria; tem que haver toda uma massa crítica, tem que haver também exigência muito séria, muito rígida da contratação dos docentes e aquela outra dificuldade de um aluno lado realmente interessado. E condecon, vagas muito limitadas: 15, 20, número limitado porque é um mestrado como doutorado.
Mas ainda são etapas que já fazem não apenas desejos pessoais de mais estudo, as etapas que exigem justificação histórica. Ou seja, no meu entendimento, pelo menos, eu acho que uma dissertação de mestrado, uma tese de doutorado, não é apenas um trabalho de 23 anos que acaba em papel, em papéis, em documentos engavetados depois de aprovados. Eu acho que tem que haver uma reverberação social; tanto estudo, tanto empenho humano, físico, intelectual e também tanto dispêndio financeiro da instituição e do candidato tem de ser sucedido e prolongado e concretizado em eficiência social.
Por isso, esses mestrados, doutorados com os quais a Uniso conta hoje, quatro mestrados em Educação, em Ciências Farmacêuticas, Comunicação e Problemas Ambientais e Tecnológicos, mestrados e doutorados dessas quatro grandes áreas, é uma grande conquista da Universidade de Sorocaba. Ao lado dessas grandes realizações, mestrados e doutorados, eu quero distinguir, no meu tempo de reitoria, que foi de setembro de 94 a 10 de fevereiro de 2010, quinze anos, eu gostaria de lembrar algumas coisas que eu reputo importantes para definir o perfil da Uniso. A primeira grande definição da Uniso é que ela é universidade comunitária.
Este adjetivo precisa de esclarecimentos insistentes. Por quê? Porque a gente escuta falarem em cozinha comunitária, polícia comunitária.
Eu acho objetivos belíssimos. Por uma cozinha, quem não gosta de uma cozinha comunitária? Dá uma ideia de abertura, dá uma ideia de muita gente trabalhando pra fazer a comida e, quem sabe, até para se alimentar daquela corrida dengue ita.
Cozinha comunitária, polícia comunitária. . .
nossa, que simpatia! Polícia amiga! Por isso a próxima, por isso é aberta.
Não polícia com a arma implantada na cara do freguês, mas o bonito desse adjetivo, nesses casos, fica complicado, fica prejudicado quando se fala em universidade comunitária. Parece que o estado dê comunitária, assim, uma casa da mãe Joana, uma casa aberta, é da comunidade. Nossa, que bom!
Finalmente, apareceu quem se lembrou de nós! Ensino gratuito! E não é isso.
A universidade comunitária, então, fica caracterizada pela gravidade. Não pode ser gratuito significar a teorizar pela gravidade. Porque, precisamente, porque era da comunidade.
Se é na comunidade, é de todos nós. Fiéis de todos nós, não só de quem tá dentro da Uniso, mas de quem tá fora, da sociedade toda. Se é de todos nós, ela tem que ser sustentada por todos nós.
E qual a casa, qual a família, a qual a instituição, qual a associação que se sustenta sem dinheiro para o prédio? Não construir só, mas manter água, eletricidade, manutenção, os funcionários. Uma instituição, universidade, hoje, tem a Uniso, 60 e dez cursos de graduação, na dezena de cursos de especialização, quatro mestrados, quatro doutorados e mais de 400, por funcionários.
Muito mais funcionários, acho que chega a 700, mais de 400 professores, os funcionários terceirizados de estacionamento, da limpeza. Tudo isso é um mundo de gente que trabalha para viver, para sobreviver, tem que ser pago. A universidade comunitária, falando mais claro, é uma universidade que cobra mensalidade.
Por quê? Porque não tem ajuda oficial financeira nem do governo federal, nem do governo estadual, nem do governo municipal. Ou seja, ela não é pública.
Por outro lado, ela não é privada, no sentido estrito. Ou seja, ela não é propriedade de um capitalista. Existem universidades que são de um homem, de uma família, e tudo bem!
É uma maneira que essa família, que esse senhor descobriu de ganhar, de ter lucro, sendo um trabalho sério, transparente, é um trabalho super honesto, sem nenhuma crítica. . .
a universidade comunitária não é desse tipo. Não é do governo, nem municipal, nem estadual, nem federal, e não é propriedade privada; é da comunidade e é gerida pela comunidade. Isso que é bonito também, toda essa multidão, os nossos 11 mil alunos hoje, é mais do que uma cidade!
Toda essa multidão de alunos, funcionários, professores e terceirizados, tudo isso tem que ter algum poder de organizar e dirigir essa sociedade. E é aí que aparece, então, o conselho universitário, o conselho universitário que é constituído por gente de dentro e por gente de fora da universidade. Esse conselho universitário tem cidadãos e cidadãs representando a sociedade sorocabana.
Essa é a maior autoridade da universidade! Não é a reitoria. Não, a reitoria é aquele conjunto de 2, 3, 4, 5.
. . o reitor e pró-reitores que são os funcionários mais responsáveis, mas eles cumprem o que o conselho universitário dita.
O conselho se reúne uma vez por mês para estudar, resolver os problemas, as expectativas da universidade. Então. Universidade comunitária, resumindo, é a universidade de propriedade da comunidade e de gestão da comunidade.
Essa foi a grande preocupação de deixar bem claro quem nós somos, e daí a grande divulgação da nossa missão, que hoje está no papel em todas as salas da Uniso. A missão da universidade estaria clara: ser uma história comunitária que, através do ensino, da pesquisa e da extensão, procura formar agentes sociais que se tornem transformadores da sociedade à luz de princípios cristãos. A outra grande preocupação da universidade era para ser, de fato, o estádio da prática da pesquisa.
O ensino — e já falamos de muitos cursos de graduação e de especialização, além de pós-graduação stricto sensu —, mas a universidade tem que praticar a pesquisa. Quando fomos criados, havia alguns professores fazendo pesquisa; agora tinha que haver não só essas pesquisas de decisão pessoal, mas agora as pesquisas institucionais. E elas foram crescendo.
Hoje, a universidade tem uma infraestrutura para pesquisa maravilhosa. Eu acabei de ver, antes de ontem, numa sessão solene, a apresentação de um vídeo maravilhoso, que eu até sugeri que fosse divulgado ao máximo. Um vídeo feito com muito capricho aqui dentro, inclusive com auxílio da tecnologia do momento, o drone, de modo que você tem vistas, digamos, horizontais e outras tiradas lá do alto da cidade universitária, mostrando então o que é essa cidade universitária, que é o campus principal hoje da Uniso.
Eu disse até de público, nessa sessão solene, que esse vídeo mostrou coisas que nem eu conheço da universidade. E isso é afirmado; eu já ouvi do próprio reitor, o professor Profeta, essa declaração explícita: "Nem eu sei tudo que está acontecendo na Uniso. " Os realmente maravilhosos, especialmente no campo da pesquisa, até porque a pesquisa é um processo que se move muito, e não em segredo, mas é muito fechado.
Não é tão sério; é tão exigente que o próprio pesquisador não sai falando do que está fazendo. Às vezes, nem é recomendado que fatos. E, por outro lado, a pesquisa tem um lado aberto, que são os laboratórios.
Se você tiver coragem, tente andar por todos os laboratórios que a Uniso tem. Hoje é quase impossível fazer isso em um único dia; é altamente cansativo também, sem falar que a gente precisa de alguém que vai junto explicando cada instrumento, cada equipamento. Mas é maravilhoso você ver aquele aluno, aquele doutorando, aqueles funcionários voltados a esta ou aquela pesquisa, que têm, não apenas, repito, aquele aspecto de interesse e autorrealização do pesquisador, mas, de novo, o interesse social.
O outro grande eixo da universidade autêntica é a prática das pessoas. É lamentável que, às vezes, nós temos pelo Brasil afora universidades que, não digo que deprimem, mas que esquecem um pouco essa área da extensão. A Uniso não é unida; nasceu comunitária antes de ser oficialmente, porque a extensão, o que é?
É um caminho de mão dupla. A universidade se oferece para ajudar a sociedade, e a sociedade conta para a universidade, entrega para a universidade qual é o problema, qual é a exigência e quais são os valores que a sociedade tem. Aquele bairro com tantos problemas parece que é só negatividade.
E, além do fato de serem 100, 200 mil e 10 mil pessoas, pessoas humanas como qualquer um, ver se está lá dentro existem valores que a gente precisa descobrir. A solidariedade, por exemplo, eu tenho absoluta certeza, existe muito mais forte num bairro isolado e periférico do que num condomínio de alto luxo. Um valor maravilhoso é a solidariedade.
Outro valor que existe muito dentro de um bairro periférico é a receptividade. Para você entrar num condomínio, é uma luta; é uma luta a pé, acho que nem se entrava de carro, precisa apresentar muita coisa, documento disso, daquilo; às vezes, abrir por tomá. Lá nos bairros periféricos, você vai entrando em Sorocaba; eu nunca tive problema nenhum para entrar no Novo Mundo, no Habitetto, na Vila Barão.
É um alto valor, a receptividade. A Uniso tem essa vontade e essa prática de ir aos bairros através dos seus cursos, dos seus alunos, de seus professores e dos seus projetos. Então, a Uniso hoje é uma universidade comunitária que pratica pesquisa, que pratica a extensão e procura ser limpa na prática do ensino.
Dentro de outras características interessantíssimas, da reitoria, um que destaco ainda é a criação, em 1998, do projeto de alfabetização de adultos. Foi criado o projeto com o nome, na época, interessante em algarismos: 100, o número "100 sem analfabetos". Esse programa foi criado com esse nome "sem analfabetos" em 1998, no sentido de fazer com que a universidade, através dos seus professores e alunas, pudesse oferecer núcleos de alfabetização de adultos, de pessoas de 15 anos pra cima que não tiveram oportunidade de se alfabetizar na idade adequada.
Eram muitos os núcleos que foram sendo criados. Tivemos um professor, o inicial coordenador do curso, professor Estudou Sesma, disse "Mú", jovem professor que abriu os primeiros caminhos. Depois, há outro grande achado meu, que foi a professora Beatriz, a Bia, e a filmagem.
Ela até hoje é a coordenadora desse projeto, desse programa maravilhoso. Hoje não é mais "sem analfabetos", mas está integrado, digamos assim, no programa de alfabetização da cidade do país, que é o Proeja, Programa de Educação de Jovens e Adultos. Província, o nosso Província hoje, então, já é uma instituição, diria sim que tem uma história.
Está aqui, a pouco vai chegar ao seu jubileu de prata e ele age não só em Sorocaba, atua em Sorocaba, mas em outros 10 ou 12 municípios vizinhos. E como criar tua, atua através de núcleos com professores, às vezes do próprio lucro, voluntários ou professores da própria universidade e com coordenadores também. Então, nós temos a grande coordenadora, a professora Bia, e depois temos um.
. . Grupo, se não me engano, de cinco coordenadores.
Esses coordenadores são de cinco a seis núcleos, e os núcleos então se espalham em Sorocaba, vários núcleos de software. A porta foi a banda Interpol e, por aí vai, um trabalho muito bonito. Daqui a poucos dias, sábado agora, dia 4, não me lembro bem, mas agora, amanhã, dia 27, domingo, eu estou até convidado.
Vai haver mais uma formatura aqui na cidade universitária, uma atitude que eu reputo muito bonita. Muito feliz em 10 a 15 jovens e adultos alfabetizandos, venho até a cidade universitária no salão nobre receber o seu certificado. Então, teve uma das formaturas em que eles publicaram um livro.
Não, já publicaram vários livros de poesias dos alfabetizados, feitas por eles, e de crônicas escritas entre eles também. Prova máxima de que eles não só se alfabetizaram, mas, dentro da nossa visão política e social de alfabetização, não é apenas fazer com que eles saibam escrever o nome ou ler alguma coisa, mas que eles sejam tratados e se autotraterem como sujeitos históricos na sociedade brasileira, capazes até de escrever um livro. Capazes, sobretudo, de atuar na sociedade.
Aliás, é gente que já está tanto atuando: uma delas é cozinheira; enfim, sabe fazer arroz e feijão. Eu não sei fazer, sim. O outro que se alfabetizou pela Uniso é pedreiro.
Eu não sei levantar uma fileira de tijolos. Então, é gente que não só se alfabetizou no sentido estrito, mas que se tornou cidadão. Outra coisa maravilhosa que a Uniso fez, faz e continua fazendo é apoiar a coleta seletiva de lixo em Sorocaba.
Ótimo! Então, podíamos, daqui a pouco, conversar a respeito disso. Uma pequena pausa, e daqui a pouco continuamos a ouvir essa história magnífica do profissional do Panic.
Até já!