[Música] O pastor Silas Malafaia subiu ao púlpito do templo sede da Assembleia de Deus deitória em Cristo, a igreja dele, com um sorriso de canto de boca. Ele estava prestes a iniciar o ato principal daquela manhã de verão na Penha, zona norte do Rio. Naquele 8 de dezembro de 2024, a igreja realizava seu culto da Santa Ceia, uma data importante no calendário da Assembleia de Deus. Toda a operação envolvendo um culto do Malafa é impressionante. São dezenas de obreiros uniformizados por todos os lados, desde os manobristas dos carros que engarrafam a rua do templo até
os responsáveis por recolher dízimos e ofertas com envelopes e dezenas de maquininhas de cartão. E mais uma vez eu tava lá pessoalmente para conferir. Dá para descer aqui. Sai por esse lado aqui. Alguns desses obreiros são destacados exclusivamente para ficar na porta cumprimentando os fiéis. Por algum motivo, um deles até apertou a minha mão quando eu cheguei, coisa que ele não tava fazendo com as outras pessoas. Querido, bom dia. Bom dia, meu irmão. Tudo bem? O Malafa recebeu uma plateia em êxtase após a apresentação da banda da igreja. Com direito a show de luzes e
visual caprichado, o Pocket Show tinha uma estética de música pop, mas era para reproduzir sucessos gospel, como a música Galileu do Astro Fernandinho. Aquilo ali nem lembrava uma igreja. Jesus, Jesus. Quando as luzes finalmente foram acesas, todos conseguiram ver uma lafaia no centro do palco que é enorme. O pastor vestia roupas modernas. Um blazer preto quadriculado com um lenço branco estrategicamente posicionado no bolso. Por baixo vinha uma camisa branca. O traje completo ainda tinha uma calça jeans escura. É um look que lembra o guarda-roupa de muitos coaches influenciadores por aí. Bom, e mais recentemente até
o de jovens pastores. Mas não é lá muito comum nos contemporâneos de Silas Malafaia, que já tem mais de quatro décadas de carreira no púlpito da igreja. O pastor agradeceu os aplausos da plateia que aguardava ansiosamente para ouvir a palavra de Deus. Aleluia. Mas não era de Deus que o pastor Silas Malafaia queria falar naquela manhã. Olha, não é brincadeira não. O que ele queria falar era de política. Eu não tenho paixão política, eu tenho convicções. Mais especificamente do projeto que idealizou para ser cada vez mais relevante na extrema direita brasileira. E esse projeto envolve
transformar Assembleia de Deus Vitória em Cristo em um celeiro de influenciadores digitais. Uma fábrica de novos. Nicolas Ferreira. Imagina deputado que o Malafa sempre trata como referência de militância cristã na política. Hoje nós temos gente da direita com acesso à mídia, que fala pela direita, que fala, por exemplo, Nicolas é um deputado, mas um cara jovem que começou a se posicionar politicamente e hoje é um deputado federal, mais o mais votado. Então, tô me lembrei aqui do Nicolas. O Malafaia falou isso que você ouviu agora para um grupo de adolescentes um mês antes do culto
da Santa Ceia. Foi no Stronger 2024 o evento que reúne os jovens da igreja dele. O pastor participou de um painel para responder perguntas de algumas dezenas de adolescentes de todo o país que tinham vindo pro evento. Falou de tudo, desde como conheceu a esposa Elizete até das dificuldades financeiras do início da carreira como pastor. Mas o recado que ele queria mesmo passar era de que os adolescentes da igreja tinham que se engajar na militância da extrema direita. O pastor pensou uma forma inusitada de incentivo, um concurso. O objetivo era estimular os adolescentes da igreja
se lançarem como influenciadores digitais. Se você imaginou que a ideia era revelar novos pregadores da palavra de Deus, não podia estar mais enganado. Tá certo isso? O Malafia prometeu dar um notebook de última geração pro autor daquele que julgasse o melhor vídeo curto, mas eu vou deixar o próprio pastor explicar o que tava procurando. Faça, faz um vídeo, um treinamento para você. faz um vídeo. Essas demandas todas, ideologia de gênero, hã, ativismo gay, é tudo aí que você entender. Política, tá? direita, esquerda, o que que uma defende, o que que a outra não defende? O
Malafa dedicou o grande momento do culto da Santa Ceia para anunciar os vencedores desse concurso. Pouco depois, no final do culto desse dia, ele chegou a falar isso aqui. A melhor e a maior frutificação que eu e você podemos produzir é pregar o evangelho, ganhar vidas para Cristo e discipular. [Música] Você ouviu? É como se conquistar uma alma para Deus fosse o maior fruto que um cristão pode semear na vida. Mas os vídeos premiados só usavam a Bíblia com um objetivo, justificar ataques à esquerda. O pastor tinha prometido dar só um prêmio, mas acabou decidindo
presentear três adolescentes e até com dinheiro. Os três primeiros, eu achei que eles foram tão bons, que qualquer um deles podia ser o primeiro, que aí eu eu eu estabeleci o seguinte: o primeiro lugar vai levar um laptop, o segundo vai levar 100 prata e o terceiro 1000 cono. Ninguém ali estava muito preocupado com a exposição desses menores. Os vencedores foram anunciados nos telões. Os vídeos foram exibidos para todos os fiéis, tanto os presentes quanto os que assistiam de casa pela internet. O telão divulgava o nome, a foto, a cidade e até arroba de cada
um dos adolescentes nas redes sociais. E aí vai um resuminho do que eles falaram para ganhar o concurso. Eu já vou te falar três mentiras que o feminismo te conta. Países comunistas como a China, por exemplo, eu aceito a pregação do verdadeiro evangelho. Sabe por quê? Não existe paralelo entre comunismo e cristianismo. Por isso, Jesus não era comunista. Feminismo não é apenas sobre igualdade, empoderamento. Infelizmente, ele tem estudado uma ideologia que tem tentado de qualquer jeito destruir os verdadeiros papéis da família e desvalorizar os papéis de mãe, esposa e dona do lado. Sério? Os vencedores
tinham, respectivamente, 17, 16 e 15 anos no momento da premiação. É irônico para dizer o mínimo saber que adolescentes estão sendo recompensados dentro de uma igreja para produzir conteúdos de extrema direita. Isso é um absurdo, especialmente pelo fato de Silas Malafa ter o hábito de acusar jornalistas, professores e artistas de doutrinação ideológica. Você tem balbúrdia de doutrinação em toda parte? Eu sou o Igor Melo, repórter investigativo do Cele Notícias e nesse episódio eu vou te contar o projeto de poder de Silas Malafaia para se consolidar como o principal ideólogo da extrema direita brasileira e quem
sabe algo mais que isso. Também vou te mostrar como um casamento sacramentou a aliança do Silas Malafa com Jair Bolsonaro e ainda como pastor acumulou poder e influência ao mergulhar de cabeça na extrema direita, ajudando até ditar os rumos do país nos momentos mais dramáticos dos últimos anos. E ainda vou revelar o papel que o Silas Malafa teve enquanto o Bolsonaro tramava um golpe de estado em 2022. Esse é o podcast investigativo no Alvo, um original do ICL. E essa é a nossa primeira temporada, Império [Música] Malafaia. Episódio 4, projeto de [Música] poder. Antes de
mais nada, eu tenho que confessar uma coisa. Eu não esperava me deparar com o concurso quando decidi ir no culto do Malafa. A apuração para esse podcast já tinha chegado na reta final e resolvi que já era a hora de ver o Malafá em ação novamente e pessoalmente no templo da rua Montevidel, na Penha, zona norte do Rio. Isso porque eu já tinha estado em vários outros cultos do pastor, mas sempre quando ele convidava políticos e autoridades, sempre mais fácil. Eu preciso voltar rapidinho no tempo para uma visita do presidente Jair Bolsonaro nessa igreja do
Malafa há duas semanas da eleição de 2022. Oficialmente era para prestigiar o aniversário do Malafa na prática foi um ato de campanha. O Bolsonaro foi saudado aos gritos de mito pelo público da igreja. [Aplausos] Boa noite a todos. Naqueles dias, o meio evangélico já estava em alerta por conta das denúncias de uso de igrejas. a favor do Bolsonaro. Por isso e também pela presença dos jornalistas que o próprio Malafa convidou, o então presidente adotou um tom comedido no discurso e algo raríssimo, mas não deixou de passar recados pensando na eleição. Para mim seria muito mais
fácil estar do outro lado da explanada, mas preferimos ficar ao lado da nossa consciência, da nossa crença e desse povo ao qual eu devo lealdade. Nessa época, a campanha do Bolsonaro tentava implacar a narrativa de que a eleição era uma espécie de disputa espiritual. Eles queriam evocar um pânico moral que costuma ser efetivo com eleitorado evangélico. Ele até escalou a mulher, a Michele, para ficar na linha de frente dessa estratégia, mas no culto do Malafaia foi o próprio Bolsonaro que virou essa chave. Tenho certeza que o bem continuará vencendo o mal. Se o Bolsonaro foi
até cuidadoso para os padrões dele, o discurso do Malafaia foi bem mais direto e teve até pedido de voto, disfarçado de leitura bíblica para driblar a fiscalização eleitoral. O Malafa fez a leitura do trecho que você vai ouvir agora com um sorriso debochado no rosto, como uma criança que faz uma travessura. Eu vou deixar um versículo de saudação aqui que está em Juízes, capítulo 10, versículo 3. Eu tô lendo a Bíblia, hein? E depois dele se levantou Jair, Giladita, e julgou Israel 22 anos. Jair 22, sacou? E para reforçar pro público que era mesmo uma
indicação de apoio ao Bolsonaro, ele ainda rematou: "Tô lendo a Bíblia, tá no livro, minha gente. Foi como se ele dissesse que votar no Bolsonaro tava na Bíblia. Isso não é verdade. A cara do Bolsonaro, que estava ao lado do Malafa nessa hora disse tudo. O presidente teve que se esforçar para não dar uma gargalhada. Tamanha a cara de pau do pastor. O Cláudio Castro, governador do Rio, que também estava no palco, não conseguiu se segurar. deu uma risada com a situação. Esse culto é importante não só pela campanha quase explícita pro Bolsonaro, mas também
porque nele o Malafa resumiu muito bem o projeto de poder que ele tá desenhando. Dá para resumir assim: os evangélicos devem atuar na política para impor os seus valores ao resto da sociedade. Não adianta chorar, nós vamos influenciar sim. Nós somos cidadãos desse país. Se sindicalista influencia, se socialista influencia, se comunista influencia, nós vamos influenciar. Sim, como eu já te contei lá no primeiro episódio, o Malafa já apoiou políticos de todas as vertentes, inclusive da esquerda. Mas não se deixa enganar. Nos posicionamentos eleitorais, ele até pode ser um camaleão, mas nos ideológicos ele sempre foi
o mesmo, um extremista de direita. E é por isso que ele viu no Jair Bolsonaro um bilhete premiado para influenciar de verdade a política nacional. Muito antes do Bolsonaro deixar de ser só um sindicalista de milico e passar a abraçar a chamada pauta conservadora, o Malafa já usava o programa de TV dele como plataforma pro nacionalismo cristão que ele sempre defendeu. Aliás, foi justamente por misturar política com pregação religiosa que ele fez sucesso na TV para começo de conversa. Eu não sou bolsomínio. Eu não sou bolsomínio. Não foi o Malafa que virou bolsonarista. Foi Jair
Bolsonaro que virou Malafaia e se aproximou cada vez mais do que pensa o pastor, vendo que podia colher dividendos eleitorais com essa nova versão. O senhor é católico, né? Católico praticante, não é isso? Pelo que eu sei? Eu não vou muito à igreja, pô. Eu vou mais na na na igreja evangélica da minha esposa. O capitão desbocado que se casou três vezes e confessou usar dinheiro público para comer gente. Esse dinheiro do auxílio moradia eu usar para comer gente. Encarnou a figura do cristão tradicional a partir de 2010. É só a gente comparar o que
o Malafa fala desde os primórdios do programa dele com o que o Bolsonaro só passou a dizer quando já mirava uma candidatura presidencial. A gente conclui o óbvio. O que o Silas Malafa falava décadas atrás foi grande parte da plataforma vitoriosa que elegeu Bolsonaro em 2018. As coincidências são muitas. Tiveram os ataques à Globo. Escuta aqui agora uma lafaia. Eu não posso aceitar, eu não posso compactuar. Quando eu ligo a TV e vejo um símbolo sexual com a sainha pequenininha fazendo programa pra criança. E agora escuta o Bolsonaro. Essa Globo é uma merda da imprensa.
Vocês são uma porcaria de imprensa. Você destrói a família brasileira, destrói a religião brasileira. Vocês não prestam. Tiveram também as manifestações de cunho racista. Escuta aqui o Malafaia primeiro. Que igreja é essa? Vocês vão aceitar que a dona Erundina faça macumbódramo em São Paulo? É dia abódramo. Não é macumbódramo não. E agora o Bolsonaro. Eu fui num quinom em Odorado paulista. Olha o o afrodescendente mais leve lá pesava sete arrobas. Não fazem nada. Eu acho que nem para procreadores serve mais. E ainda as falas homofóbicas tão características dos dois. Eu não posso me conformar e
eu também não posso aceitar quando você muitas vezes liga a TV e vê um homossexual dando conselho pra família. Antigamente o indivíduo que era homossexual andava todo escondido. Ninguém pode descobrir, ninguém pode saber o que eu sou. tinha medo. Hoje em dia, na cara mais deslavada desse mundo, eles são capas de revista, aparecem nos programas de TV, dão até conselho pras donas de casa. Sou homofóbico sim, com muito orgulho. Tem uma observação fundamental aqui. As declarações do Bolsonaro que você ouviu agora ocorreram em um espaço de 8 anos, entre 2013 e 2021. Já do Malafaia
foram dadas em um intervalo de pouco mais de 40 minutos. Todas elas ocorreram na comemoração dos 10 anos do programa dele em 92, aquele mesmo programa que eu citei lá no primeiro episódio, em que ele recebeu a família no palco e citou o Sotero Cunha. Lembra? O próprio Malafa reconhece que naquela época o Bolsonaro tinha uns pensamentos pouco cristãos na régua do pastor. Escuta aqui o que ele falou para minha colega, a Juliana Dalpiva. Mas lá atrás ele chegou a dar entrevista falando que na questão do aborto a decisão era da mulher. Então ele chegou
a falar isso, mas há quantos anos ele falou isso? 30 anos, 25 anos e depois? É isso que eu digo para vocês. O cara amadurece, o cara vai vendo as coisas, vendo o que que tá por trás. Em 92, no programa de comemoração dos 10 anos, o Malafia disse uma frase que olhando para trás agora, talvez seja a melhor forma de definir a motivação dele para atuar na política. Como é que eu posso aceitar o mundo que deturpa os valores na minha Bíblia? Quando estava fazendo seus ataques à população LGBTQ a mais, o Malafa deixou
bem claro que esse é um pensamento acima de tudo político. Ah, ô pastor, é democracia. Democracia é isso. Então, por fora, democracia é eu respeitar o seu direito e você respeitar o meu direito. Aqui estamos tratando de direitos bem diferentes. Os gays que o pastor ataca querem poder existir sem se esconder, exercendo todo tipo de ocupação, inclusive na TV. Já o Malafa quer ter o direito de discriminar. Você acha certo ou errado isso? errado. O Bolsonaro acabou repetindo essa visão de mundo do Malafa muito tempo depois, em 2017, já durante a pré-campanha para presidente. História,
essa historinha de estado laico, não é estado cristão. [Aplausos] E foi justamente a luta pelo direito de discriminar que uniu o Malafa e o Bolsonaro. Os dois se aproximaram quando estavam na mesma trincheira lutando contra o projeto de lei 122, que ficou conhecido como lei antihomofobia. O projeto queria tornar crime a discriminação contra a população LGBTQI a mais. E tanto Malafaia quanto o Bolsonaro travaram uma cruzada pública contra isso. Os dois percorreram os palcos dos principais programas populares da TV brasileira e ficaram muito mais famosos pelas falas polêmicas que disparavam a torto e a direito.
Foi nesse contexto que o Malafai acabou no ratinho, como você ouviu lá no primeiro episódio, e também foi parar no sofá do Super Pop com a Luciana Gimenes, onde, aliás, o Bolsonaro tinha quase um acento cativo. Numa dessas, o Malafay acabou levando uma lapada da apresentadora. A lei para botar na cadeia alguém que mata um gay é a mesma lei que mata um hétero. Isso é conversa. Isso é papo. Se escondem atrás de uma coisa para querer privilégio. Isso é papo. Mas qual o privilégio? A oposição dos dois acabou dando o resultado. O projeto ficou
esquecido no Senado e nunca chegou a vir a lei, tendo sido arquivado de vez em 2015. A homofobia só foi criminalizada anos depois, em 2019, por decisão do STF. O STF determinou que casos de agressões contra o público LGBT sejam enquadrados como o crime de racismo, até que uma norma específica seja aprovada pelo Congresso Nacional. Por oito votos a três, os ministros entenderam que o Congresso não pode deixar de tomar as medidas legislativas que foram determinadas pela Constituição para combater atos de discriminação. A maioria também afirmou que a Corte não está legislando, mas apenas determinando
o cumprimento da Constituição. A luta contra esse avanço civilizatório aproximou o Malafá e o Bolsonaro, mas o que sacramentou de vez essa aliança foi um casamento. O próprio Malafá explicou isso em entrevista pra Juliana. Pastor, e Bolsonaro, como é que o senhor conheceu Bolsonaro? Bolsonaro eu conheci porque a esposa dele frequentava a minha igreja, a da Pen, tá? A Michele. E aí Bolsonaro, ele convivia com ela e tal, gostava de me ouvir. Quando eu pregava na igreja da Barra, ele ia lá para me assistir. E aí um outro na Barra, igreja filial, filial. Ela não,
ela foi na Penha, depois ela passou ir na Barra, quando abrimos a igreja na Barra. E aí isso eles já eram casados? É, já estavam juntto já com já tava com ela. Aí eu fiz o eu oficializei o casamento, que eles não eram casados, quem fez fui eu. Isso aí, olha o que aconteceu. Interessante. Todos os debates na Câmara, nas audiências públicas, Bolsonaro fazia dobradinha comigo. Eu não tinha amizade nenhuma com ele. Nenhuma. As temáticas de Bolsonaro são as temáticas nossas. Como é que ele convidou o senhor para ir celebrar o o casamento dele? Ah,
isso foi numa conversa quando acabou um culto, eu falei: "Rapaz, a mulher sonha em casar na igreja, rapaz, tem que casar o cara". O senhor ajudou convencer. É. Aí, aí ele falou, aí ele falou: "Você faz meu casamento?" Falei: "Faz". Aí marcou o casamento. Foi assim, p ajudou a Michele a conseguir o casamento. É isso aí. É isso mesmo. Ele não queria. Isso, isso mesmo. O casamento religioso do Bolsonaro e da Michele aconteceu em março de 2013 em uma casa de festas requintada no bairro do Alto da Boa Vista, um enclave dentro da floresta da
Tijuca, no Rio de Janeiro. Foi uma cerimônia restrita para cerca de 150 pessoas. O Malafai costuma contar que foi logo antes de ir pro altar que o Bolsonaro revelou para ele o plano de ser candidato a presidente em 2018. O pastor achou que o aliado tava maluco. Deus escolheu as coisas loucas. Depois que celebrou o casamento, o Malafai acabou entrando no círculo de confiança do Bolsonaro. Os dois passaram a jantar juntos na igreja após os cultos e trocavam figurinhas sobre o cenário político. Maluco ou não, o Malafia foi um dos primeiros aliados a realmente se
engajar no projeto presidencial do Bolsonaro. Preste atenção o que eu vou dizer. O bolsonarismo é, de certa forma, a soma de três correntes. A primeira era dos milicos, que o próprio Bolsonaro trouxe pro lado dele. As suas amadas vão sim fazer parte da política nacional. A segunda a gente pode definir como extrema direita ideológica, que acabou sendo aglutinada em torno da figura do Olavo de Carvalho. O que que Olavo é pra gente? É a referência filosófica. E a terceira foram os evangélicos, certamente a mais numerosa das três. Imaginemos as sessões daquele Supremo Tribunal Federal começarem
com uma oração. O Malafa foi um dos principais responsáveis por jogar as igrejas no colo do Bolsonaro. Não deixa de ser simbólica a reação do público do templo sete da Assembleia de Deus Vitória em Cristo? Quando a vitória do Bolsonaro foi oficializada, o próprio Malafa fez o anúncio pros fiéis. Antes disso, eu quero dizer paraa igreja que Jair Bolsonaro é presidente do Brasil. O mais impressionante para mim é que esse era um culto para mulheres que formavam o eleitorado mais resistente ao Bolsonaro, segundo as pesquisas. Mas quando Malafaia fez um anúncio, muitas delas começaram a
pular e se abraçar em uma verdadeira catarse. O Malafaia não conseguiu esconder a alegria com a vitória do Bolsonaro. Nós é brasileiro. Meteu um bandeirão do Brasil no telão da igreja e pediu orações para ajudar o novo presidente a enfrentar um poder. Abre aspas de trevas, de demônios. Fecha aspas. O pastor falou aos fiéis sobre intercessão espiritual e oração, mas viria atuar de uma forma muito mais mundana assim que o amigo vestiu a faixa presidencial. Bastou o Bolsonaro tomar posse pro Malafia começar a ocupar cada vez mais espaço no núcleo duro do Palácio do Planalto.
Logo no começo do governo, o pastor já tinha moral para tentar indicar ministros. Em 2020, quase emplacou o titular da educação, uma das pastas mais importantes da explanada. Como ele próprio revelou em entrevista à revista Veja em abril de 2022, o pastor contou, abre aspas. Em julho de 2020, sugeriu o nome do Anderson Correa, reitor do ITA, pro Ministério da Educação. O então ministro da justiça, André Mendonça, defendia o Milton Ribeiro. Foi pau de uma semana e o André acabou vencendo. Como não era o pai da indicação, o Malafa lavou as mãos nesse caso, o
André Mendonça, então ministro da justiça perdeu pontos e acabaria precisando pedir bênção ao Silas Malafaia pouco tempo depois. Mas isso eu te conto daqui a pouco. Quando a pandemia de Covid-19 estourou e o Brasil passou a viver talvez a maior tragédia da sua história, o Malafa continuou colado com o Bolsonaro, que não tinha lá uma postura muito cristã. Todo mundo lembra que ele debochava das centenas de milhares de vítimas da doença. E daí? Lamento. Quer que faça o quê? Cara, quem fala de eu não sou ciro, tá vendo? Chega de frescura e de mimimi. Vamos
ficar chorando até quando? O pastor se tornou um dos principais conselheiros do presidente em meio àquele caos todo. E quem falou isso não fui eu, não, foi o senador Flávio Bolsonaro em plena CPI da COVID. Agora, se quer ouvir alguém que dá conselho pro presidente da República, vou dar o nome. Chama o pastor Silas Malafia aqui. Esse fala quase diariamente com o presidente e influencia o presidente. A pandemia, aliás, foi o stopim pro Malafia abrir uma guerra contra o STF, em especial com o ministro Alexandre de Moraes. Ditador da toga, Alexandre de Moraes e ditador
Mor da toga, Alexandre de Moraes. Foi o Xandão que deu uma decisão proibindo o governo Bolsonaro de derrubar decisões de estados e municípios com medidas de restrição pro combate do coronavírus. Se o Supremo restabelecer o comando das ações da pandemia para mim, eu tenho pronto aqui o que faria poucas horas depois. Não falo agora, se não vai ser uma polêmica enorme, vai ser uma crítica muito grande quanto a nossa pessoa. Isso interessava diretamente ao Malafa. Mesmo com vírus se espalhando e o número de mortes crescendo cada vez mais, o pastor bateu o pé e decidiu
manter os cultos presenciais na igreja dele, contrariando as autoridades sanitárias que proibiam eventos com aglomeração de pessoas. Vamos deixar de hipocrisia, de conversa, que eu não vou diminuir culto, nem fechar a porta da igreja, porque eu entendo a importância da fé paraa estrutura emocional para combater essa enfermidade. O assunto foi parar nos tribunais e a justiça do Rio proibiu a realização de cultos na Assembleia de Deus deitória em Cristo em abril de 2020. A justiça do Rio proibiu a igreja Assembleia de Deus Vitória em Cristo, liderada pelo pastor Silas Malafaia, de fazer cultos durante a
pandemia do coronavírus em todo o estado. Um dia depois da decisão, o Malafa foi pras redes sociais atacar os governadores do Rio e de São Paulo e acusar a imprensa de fazer alarmismo com a pandemia para minar o governo Bolsonaro. Tô se vitimizando. E fechou o vídeo assim. Pode se preparar aí, ó. Vão passar vergonha os profetas de caos. Não vai ter calamidade de mortes no Brasil. O que vai ter é o que acontece em qualquer pandemia de gripe normal. O número de pessoas que morreram de H1 N1 o ano passado foram na h. A
previsão é não chegar a essa quantidade de OBS no tocante ao coronavírus. Errou. Como você sabe, o Brasil viveu sim uma calamidade nunca antes vista. Mais de 700.000 brasileiros morreram por conta da COVID-19. Escuta o epidemiologista Pedro Ralau da Universidade Federal de Pelotas. Esse é um dado que é estarrecedor, mas todas as vezes ele precisa ser mostrado. O Brasil tem 2,7% da população mundial e desde o começo da pandemia o Brasil concentra praticamente 13% das mortes por COVID no mundo. No dia de ontem, uma de cada três pessoas que morreram por Covid no mundo foi
no Brasil. Portanto, é tranquilo de se afirmar que quatro de cada cinco mortes no Brasil estão em excesso, considerando o tamanho da nossa população. Se nós tivéssemos na média um aluno que tira nota média na prova, nós teríamos poupado 400.000 vidas no Brasil. Em resumo, pesquisas apontam que cerca de 400.000 vidas podiam ter sido poupadas se o Bolsonaro não tivesse boicotado as medidas de combate ao vírus e a vacinação. Mas ele preferiu dar atenção pra gente, tipo uma lafaia do que aos cientistas. Aproximadamente 70% da população vai ser infectada. Não adianta querer correr disso. É
verdade. Vai atingir 70% da população. Infelizmente é realidade chuva. Vem, você vai se molhar. 70% aproximadamente das pessoas serão infectadas. 60% dos brasileiros já foram ou serão infectados? 60 a 70% da população vai ser infectada. Não temos dúvida que eu vai atingir pelo menos 70% da população. Vai atingir no mínimo 70% da população. Você tá atrasando que o víem você porque não adianta que vai pegar 70% vai se contagiar. No mínimo 70% vai pegar. Não tem que fechar nada. A hidroxoquina. Eu não vou tomar vacina. Eu não vou tomar. Eu não vou tomar eficaz essa
máscara essa máscara protege bulufas. Eu tenho que estar d inclusive queeroga sem máscara. Essa condução desastrosa da pandemia fez a popularidade do Bolsonaro despencar e provavelmente custou a reeleição dele. Enquanto o Bolsonaro estava preocupado em fazer motociata e provocar aglomerações andando sem máscara por aí, ele era pressionado pelo Malafá e outros líderes evangélicos por mais espaço no governo. A joia da coroa que esses pastores buscavam era uma cadeira no Supremo Tribunal Federal. O Bolsonaro já vinha prometendo nomear um ministro terrivelmente evangélico desde 2019. poderia indicar dois ministros para o Supremo Tribunal Federal. Um deles será
terrivelmente evangélico. Mas não cumpriu no primeiro nome que indicou, o Nunes Marques. O absurdo vergonhoso da primeira indicação do presidente Bolsonaro para ministro do STF. Teria que ser como dono de Trump, não precisa ser evangélico, mas um terrivelmente da direita. O senhor tá colocando um camarada que atende o centrão, o PT, a esquerda. Ciro Nogueira. Quero destacar esse senador e muita gente sabe porque eu tô falando isso. Corruptos e quem é contra a Lava-Jato. O senhor está aí por uma ação de Deus para combater exatamente isso que o senhor tá favorecendo agora. Os evangélicos acabaram
sendo atendidos em julho de 2021. O indicado foi ninguém menos que o André Mendonça. Mais que um terrivelmente evangélico. Se Deus quiser, nós teremos lá dentro um pastor. Hoje para mim, para todos nós, para os cristãos também é um dia bastante feliz. No dia de ontem, conseguimos enviar para o Supremo Tribunal Federal um homem terrivelmente evangélico, um compromisso nosso de mandar para a Suprema Corte uma pessoa que tem Deus no coração. Depois de um nome do centrão, Bolsonaro queria agora um evangélico. O pastor presbiteriano André Mendonça é o indicado, disse Bolsonaro durante reunião ministerial. A
aprovação do Mendonça no Senado não foi fácil. O Bolsonaro estava em pé de guerra com a casa por conta da CPI da Covid e dizia publicamente que tinha escolhido o Mendonça porque ele era evangélico. O Mendonça ainda teve uma passagem conturbada pelo Ministério da Justiça, marcada por usar o poder do cargo para perseguir críticos do presidente. Ministério da Justiça, um departamento do Ministério da Justiça resolveu investigar a palavra essa 579 pessoas, na maioria profissionais ligados à de segurança que se identificaram ali como um grupo de policiais antifascistas, uma investigação extrajudicial que não tem acompanhamento do
Ministério Público e não tem acompanhamento de nada, é uma espécie de trabalho de espionagem das pessoas. Tudo isso causava constrangimento entre os senadores. Para garantir a nomeação, o Mendonça teve que fazer um beijo à mão com senadores e lideranças políticas que pudessem ajudar. E uma das mãos mais beijadas foi justamente a do Malafa. O pastor topou e se tornou um dos principais padrinhos da aprovação do Mendonça pro STF. O senador Davi Columbre hoje é presidente do Senado, mas naquela época estava no comando da Comissão de Constituição e Justiça. A CCJ é a responsável por pautar
a votação sobre nomes indicados pro STF. Só que o Alcol Columbre, que já era um dos principais beneficiados pelo orçamento secreto, queria mais e usou esse poder para pressionar o governo. Ele sentou em cima da nomeação por meses pra ira do Bolsonaro e do Malafa. O pastor foi pessoalmente conversar com ele para destravar a situação em agosto de 2021. Como a articulação não deu certo, umafaia foi pra briga. Disse que a demora do columbre era uma safadeza. Safadeza. E definiu o senador como inescrupuloso. Nem a aprovação do Mendonça, em dezembro de 2021 baixou a temperatura.
No vídeo em que celebrou a ida do aliado pro STF, o Malafa fez questão de ameaçar a reeleição do alcolumbre. E uma mensagem para Davi Columbre. Trabalhou 5 meses, 5 meses até a última hora para derrubar André Mendonça, inescrupulosamente, vergonhosamente ao columbre. Provérbios 16:18 diz assim: "A soberba precede a ruína. Ano que vem o povo cristão vai te dar uma resposta nas eleições. Que vergonha! blefou o tempo todo. O Malafa até podia ter autoridade espiritual para rogar pragas com fundamento bíblico, mas o alcol Columb tinha à disposição dele algo muito mais poderoso na linguagem da
política, centenas de milhões de reais do orçamento secreto. Ele não só se reelegeu senador pelo Amapá em 2022, como ainda fez boa parte dos prefeitos do estado em 2024 e de quebra conseguiu voltar à presidência do Senado agora em 2025. Mas o empenho do Malafa foi recompensado pelo André Mendonça com um gesto para lá de simbólico. Foi na sede da Assembleia de Deus deitória em Cristo que o primeiro ministro do STF, terrivelmente evangélico fez sua primeira aparição pública. Eu tava lá no dia e me lembro perfeitamente da deferência até exagerada com que o Mendonça tratou
Malafaia. Após o pastor fazer uma oração pelas autoridades do país, o Mendonça bateu no peito dele e fez questão de bajular. O áudio acabou vazando na transmissão do culto. Deus abençoe. Deus abençoe, meu queridão, meu pastorzão. Na hora de dar seu testemunho pra igreja, o Mendonça, que também é pastor, manteve o tom de elogios ao Malafa diante de Deus e diante da igreja, mas agradecer-lhe a amizade, o apoio, as orações, a palavra de incentivo em momentos de dificuldade. Tem sido um aprendizado e um privilégio meu poder conviver mais de perto com o senhor. Meu muito
obrigado. A massageada no ego, deixou até o Malafaia sem graça. O pastor, que acompanhava o discurso do ministro sentado na primeira fileira do templo, apenas sorriu e agradeceu com a cabeça. O Malafrou em 2022 como um dos principais conselheiros do presidente, um dos seus porta-vozes junto ao eleitorado evangélico e tendo no bolso a gratidão de um ministro do STF. Era mais poder do que nunca. Com isso tudo, ele tratou de se engajar de corpo e alma na campanha reeleição do Bolsonaro. Não foi só o culto na Igreja da Penha que eu te contei no início
desse episódio. O pastor fez tudo que estava ao alcance dele até organizar a manifestação. Foi em 7 de setembro de 2022 na praia de Copacabana. A campanha do Bolsonaro aproveitou uma mega mobilização pra comemoração do bicentenário da independência. paga com dinheiro público para bombar o ato. Teve salva de canhões no forte de Copacabana, apresentação da esquadrilha da fumaça e parada naval. Depois o Bolsonaro saiu do espaço reservado paraas autoridades e subiu no trio elétrico alugado pelo Malafa. Tinha tanta gente lá que eu quase morri pisoteado tentando acompanhar o presidente. Não só eu, vários colegas jornalistas
passaram um horror para cobrir aquele ato. Tudo para ouvir o Bolsonaro ao lado do Malafa falar isso aqui. E sabemos que o nosso estado é laico, mas o seu presidente é cristão. A união de evento de governo e campanha eleitoral não passou impune. O TSE condenou o Bolsonaro e o general Braga Neto, o vice dele, por abuso de poder político e econômico naquele dia. Essa é uma das condenações que deixaram Bolsonaro inelegível. Não adiantou o uso da máquina pública naquele dia e nem mesmo fazer blitz para impedir eleitores do Lula de votar. O Bolsonaro se
tornou o primeiro presidente a não conseguir a reeleição. E assim que a derrota veio, o assunto no entorno do presidente virou um só. Dá um golpe de estado para manter ele no poder. Você provavelmente deve estar acompanhando o noticiário sobre a investigação da Polícia Federal a respeito da trama golpista. O Bolsonaro fez uma série de reuniões com chefes das Forças Armadas para discutir a minuta golpista e a PF descobriu até um plano de assassinato do Lula, do Alkim e do Alexandre de Morais que, acredite, se quiser, foi impresso no Palácio do Planalto. E no meio
disso tudo, claro, não podia faltar Silas Malafa. As investigações mostraram que parte importante do plano de golpe era manter a mobilização dos bolsonaristas e não só dos que estavam acampados na porta dos quartais pedindo golpe. Eu cobri no início de novembro de 2022 uma manifestação em frente ao comando militar do leste no Rio de Janeiro. Já naquela época tinha me chamado atenção a mudança de tom em relação aos atos anteriores e também a presença de muitos evangélicos. Bem mais do que eu costumava anotar antes. Uma das cenas mais impressionantes que eu presenciei naquele dia foi
a seguinte: três mulheres evangélicas vestidas de verde amarelo da cabeça aos pés, ajoelhadas em cima de uma bandeira do Brasil clamando a Deus por um golpe. Isso no meio de um temporal na frente do monumento Adque de Caxias, o patrono do exército. Ficou óbvio para mim. venderam para elas que a vitória do Lula era literalmente uma vitória do diabo. Glória, glória, glória, aleluia. Uma guerra do bem contra o mal, porque é uma luta do bem contra o mal. Não é uma luta da esquerda contra a direita, é uma luta do bem contra o mal. Os
planos golpistas se intensificaram no final de novembro. Depois de se reunirem com o general Braga Neto na casa dele, os kids pretos, apelido dado aos militares da tropa de elite do exército, começaram a planejar as ações que levariam ao golpe. No dia 19 de novembro de 2022, o assessor Laavet Felipe Martins se reuniu com o Bolsonaro em pessoa para discutir os termos da minuta que decretaria o golpe. No dia 28 de novembro, os kids pretos fizeram uma reunião para parir um manifesto golpista de oficiais do exército. No dia 29, o influenciador Paulo Figueiredo, neto do
ditador João Figueiredo, leu a carta no ar durante um programa da Jovem Pan. E eu vou ler aqui a carta, se vocês me permitirem, em primeira mão aqui no Pânico. E no dia 30 de novembro foi a vez do Malafa. Ele, que já vinha incitando seus seguidores contra a lisura do processo eleitoral, decidiu pedir abertamente por um golpe militar. Senhor presidente Jair Messias Bolsonaro, o senhor é o presidente legal em exercício? O senhor tem poder de convocar as Forças Armadas para botar ordem na bagunça que esse ditador fez? E se os militares não quiserem te
obedecer? O Código Penal Militar, artigo 5º e o 319 são presos. Presidente Bolsonaro, como é que o senhor vai passar pra história? Omisso, covarde ou alguém que usa o seu poder legal garantido pela constitucional, pela Constituição? Deus tem misericórdia. Deus tem misericórdia do Brasil. Abre os olhos dessas autoridades. Eu tentei muito achar esse vídeo nas redes do Malafa, mas pelo visto o pastor resolveu excluir depois que as investigações sobre o golpe avançaram. Mas ele ainda tá no ar em diversos outros canais e perfis até hoje. Em dezembro de 2022, o planejamento continuou e o Bolsonaro
apresentou duas versões diferentes da minuta do golpe aos comandantes das Forças Armadas. No dia 6 de dezembro, o Bolsonaro recebeu a primeira versão da minuta golpista. Coincidência ou não, naquele mesmo dia, o Malafia foi pras redes sociais falar isso aqui. Só nos resta artigo 142 da Constituição e apelar pro povo e para Deus. É uma vergonha. O artigo 142, você deve saber, era uma justificativa dos bolsonaristas para dar um verniz jurídico ao golpe, distorcendo a Constituição. No dia 7 de dezembro, o Bolsonaro apresentou em Brasília a primeira versão da minuta pros comandantes militares. Do Rio,
o Malafaia voltou à carga em 8 de dezembro. Nós não temos mais no Brasil Câmara de Deputados, Senado, STF, TSE, o devido processo legal. Nós não temos mais. Nós só temos Alexandre de Moraes. Quem vai parar esse ditador tem que se levantar homens de coragem. Artigo 142. nele. Mesmo com a negativa da cúpula do exército, os Kids Preto seguiram com plano de golpe. Eles monitoraram o ministro Alexandre de Morais e conseguiram coptar um policial federal que fazia parte da equipe de segurança do Lula. No dia 15 de dezembro de 2022, a democracia brasileira esteve por
um fio. Um grupo de kids pretos se posicionou em pontos estratégicos de Brasília naquela noite. Eles se identificavam com codinomes tipo Brasil, Gana, Japão. Cada integrante do plano recebendo um codinome de um país e um pouco estilo Casa de Papel. Casa de papel eram cidades, né? Aqueles são países. Mas, né, qualquer semelhança era coincidência. O plano era sequestrar e, provavelmente, assassinar o ministro Alexandre de Moraes. Mensagens do aplicativo Signal obtidas pela Polícia Federal fazem quase um tempo real da ação criminosa. Às 8:42 da noite, o militar de codinome Ghana avisou: "Tô na posição". Dados de
antenas de telefonia revelaram que ele estava próximo da residência funcional do Morais. Os outros militares também se posicionaram conforme o planejado. Só às 8:57 da noite veio a ordem de Alemanha o líder do grupo abortar. De última hora, o golpe foi desmobilizado. Coincidência ou não, o Malafa correu mais uma vez pras redes sociais na tarde daquele dia. Dessa vez o vídeo começa de maneira enigmática. Povo abençoado do Brasil, eu começo esse vídeo citando a Bíblia, o que está em Hebreus 13:6. Ousemos com confiança dizer: "O Senhor é o meu ajudador. Não temerei o que me
possa fazer o homem. É isso que norteia as minhas posições." O vídeo é mais um de uma série de ataques do Malafa ao STF. Ele até confessa que tinha feito mais de 20 vídeos desse tipo nos meses anteriores e finaliza assim: "Ó Deus, tem misericórdia da nossa nação. Só resta o povo e os senadores e Deus que pode intervir em qualquer coisa. A Polícia Federal não descreveu nenhum indício de participação do Malafa no relatório final sobre a tentativa de golpe. Mas isso tudo que eu te contei é público e notório. E nós vimos ao longo
dos últimos anos várias pessoas entrarem na mira do STF por muito menos. Você pode até acreditar em coincidências, mas não é muito fácil imaginar que um conselheiro que falava quase diariamente com o presidente tramando um golpe não soubesse de nada. Todos vocês aqui juraram da vida por sua liberdade. Repitam aí. Eu juro da minha vida pela minha liberdade. Eu juro pela minha liberdade. Mais uma vez eu juro. Esse Braganeto é o nosso exército. Não é eu autorizo, não é o que eu posso fazer pela minha pátria. Ainda mais no caso de um golpe que não
era segredo para ninguém. Ele tava na boca de dezenas de pessoas que frequentavam o Palácio do Planalto naquela época. O fato é que o Malafa continuou ao lado do Bolsonaro mesmo quando ele saiu do poder. Depois que o capitão voltou da temporada nos Estados Unidos, ficou a cargo do pastor a organização de manifestações bolsonaristas. Uma delas deu origem a esse podcast. O Malafai assumiu à frente para organizar o último protesto bolsonarista que bombou. Foi no dia 25 de fevereiro de 2024. 10 dias antes do protesto, o Malafia chamou a imprensa em Brasília para detalhar como
ia ser a organização e aí ele soltou a bomba. O ato seria pago com dinheiro da Avec, a Associação Vitória em Cristo, que rendeu tantas histórias esquisitas ao longo desse podcast. A entidade que nós somos responsáveis no nosso estatuto prevê que essa entidade pode fazer manifestações públicas. Então os recursos são exclusivos da Associação Vitória em Cuba. Não tem recurso de político, não tem recurso de cachadores, sei lá de onde quer que seja. O fato de uma entidade mantida com ofertas de fiéis de uma igreja, bancar um ato em defesa de golpistas escandalizou muita gente. Logo
começaram as cobranças por uma investigação e aí o Malafa resolveu recuar. No dia seguinte, ele soltou uma nota nas redes sociais anunciando que bancaria o ato com recursos próprios e não mais com os da Avec. Na entrevista pra Juliana, o pastor admitiu que fez isso para evitar que a VEC entrasse na mira das autoridades. Meu advogado disse assim: "Silas, todas as entidades podem ser investigadas por Ministério Público. Esses caras vão vir em cima de você de maldade." Aí eu rápido: "Não, quem vai bancar sou eu." A manifestação serviu pro Bolsonaro lançar a campanha pela anxia
dos golpistas e bombou. Segundo os pesquisadores da USP, chegou a reunir 185.000 pessoas na Paulista. O Malafa ficou grandão com o sucesso do ato e decidiu debochar das autoridades. Gravou um vídeo no dia seguinte e desafiou a receita e a Polícia Federal a investigarem ele. E quero dar uma notícia para vocês. Eu tenho um imposto de renda na minha declaração. Eu posso pagar outras manifestações. Não é só essa não. Eu tenho recurso para isso. Eu sou rica. Olha, vem. Pode vi. Pode vir. Polícia Federal, Receita Federal. A Receita Federal sabe da minha renda. Hum. Apesar
do desafio, nenhuma investigação das autoridades sobre o envolvimento do Malafa no patrocínio das manifestações avançou. Mas agora você sabe um pouco sobre a renda que ele tem. E também tem respostas que o pastor nunca quis dar sobre a vida financeira dele, tipo a confusão patrimonial entre a VEC e o CPF dele. Mas para responder tudo, só como uma investigação policial. Tá, mas o que que o Malafa tá planejando pro futuro? Eu podia brincar dizendo que o futuro a Deus pertence e não deixaria de ser verdade. É difícil prever muita coisa no Brasil, especialmente na política
e ainda mais com malafaia. Mas uma coisa eu posso te garantir, o plano de influenciar cada vez mais ainda tá de pé. Ou será que o plano é mais do que isso? Quando eu estava finalizando o roteiro desse episódio, começaram a pipocar na imprensa algumas notícias curiosas. A PF descobriu nas mensagens do celular do Mauro Sid, o ex-ajudante de ordens do Bolsonaro, uma discussão interessante. Era uma conversa em janeiro de 2023 entre o Sid e outro integrante do núcleo duro do Bolsonaro. Eu tô falando do Fábio Van Garten, advogado e um dos principais assessores do
Bolsonaro. Ele também chefeou a Secon durante o governo do capitão. O Sid Van Garten estavam especulando sobre os nomes que a direita podia lançar em 2026 caso o Bolsonaro ficasse inelegível. E aí o Van Garten disparou: "Vometer uma lafaia, pode escrever". O Van Garten apostava que o Malafa podia vingar como um outsider, um candidato de fora da política tradicional e que ao lado de um posto Ipiranga eles iriam atrair o empresariado e o agro. Depois dessa história, outras notas de bastidor que no jargão da imprensa nós chamamos de off, vieram a público, dessa vez especulando
malafaia como um possível candidato a vice em uma chapa encabeçada pela Michele Bolsonaro. E a Juliana, minha colega aqui no Cele Notícias, foi apurar essa história pra gente. Igor, quando eu vi essa conversa do Sid com Vangarten, eu fui conversar com algumas fontes lá do lado do Bolsonaro para saber melhor essa história. Eu vou precisar manter sub sigilo o nome das pessoas, porque ninguém topou falar on the record, como a gente diz. Mas parece que tudo isso foi só uma ideia do Vangarten que não foi muito pra frente nem dentro do PL, o partido do
Bolsonaro. E eu ouvi também que o Malafa prefere ficar fazendo política do lado de fora das urnas. Isso até faz algum sentido para quem mantém igreja e associação recebendo milhões por meio de ofertas sem pagar imposto de renda. Não dá para saber ainda se isso é uma movimentação séria ou só um balão de ensaio, mas quem diria que alguém que vivia de falar polêmicas em programas de auditório ia ser cotado como integrante de uma chapa presidencial? Não é? Nós já vimos esse filme antes, Jair Messias Bolsonaro. Quando isso aconteceu com Jair Bolsonaro, o país todo
foi pego de surpresa. Só alguns anos depois, quando ele já estava no poder, a imprensa conseguiu investigar o passado e a vida financeira dele. Mas agora você já conhece quem Silas Malafa é de verdade. sabe das contradições, da vida financeira cheia de histórias mal explicadas e das posições políticas controversas para dizer o mínimo. Esse foi o podcast investigativo no alvo, um original do IC. E essa foi nossa primeira temporada, Império Malafa. Tem muitas pessoas a que eu queria agradecer ao fim desse projeto, mas a principal delas é você quem nos ouve. Foi incrível contar com
o apoio e o estímulo de cada um de vocês ao longo dessa jornada. Nos vemos em breve nesse mesmo bate horário e nesse mesmo batecal. Até a [Música] próxima. Império Malafaia é uma produção dos C Notícias. O podcast tem roteiro, pesquisa e apresentação feitos por mim, Igor Melo. A reportagem foi feita por mim e pela Juliana Dalpiva. A Juliana Dalpiva também fez narrações desse episódio. A trilha original é da Estela Nesrini e do Amon Medrado. A edição de áudio é do Cristiano Botafogo. A captação de áudio e imagens é do Caio Sales. O design é
da Paula Vilar e do João Brize. A gerência de produção é da Renata Neto. A direção de gravação é da Camila Mercatelli e da Juliana Dalpiva. Esse podcast foi gravado no estúdio Rastro com a supervisão de gravação do Dani D. A coordenação do podcast é da Juliana Delpiva. Agradecimentos a Maurício Arruda e Jacomo Degan. Esse episódio usou áudios do canal da Advec no YouTube, do canal Notícias do Governo Brasileiro no YouTube, do programa Renascer, da TV Band Vale, do portal Óperam, da Câmara dos Deputados, do perfil do Pesso no X, do programa Super Pop da
Rede TV, do Facebook da Advec, do Jornal Nacional da TV Globo, do portal Wall, do RJTV da TV Globo, do Facebook de Silas Malafaia, da CNN Brasil, do perfil de Gormelo no X, e do perfil da TV O Foco no TikTok. Pessoal, mais uma vez eu tenho que fazer uma parte aqui para dar os créditos das vírgulas sonoras que o nosso editor Cristiano Botafogo usou nesse episódio. Foram áudios de Felka, de Abram Vitraube, de Fernando Hadad, do SBT News, do SBT, de Flávio Bolsonaro, de Jair Bolsonaro, do site Pleno News, da Globo News, da Agência
de Notícias AFP, do site Poder 360, de Eduardo Bolsonaro, do canal Porta dos Fundos, da TV Senado, da TV Brasil, da rádio Bandne News FM, da Rádio Tatia, do perfil Desmentindo Bolsonaro, do programa Pânico da Rádio Jovem Pan, da TV Justiça e do Portal [Música] Terra. Que afronta. M.