Quando você tá escovando o dente, uma mão tá escovando os dentes. E o que a sua outra mão tá fazendo? Senta que lá vem história.
[música] Saudações aeronáuticas. Tudo bem com vocês? Tudo bem.
O vídeo de hoje é um pouco diferente, tá pessoal? Eu nunca deixei de ter um vídeo aos domingos desde que eu comecei o canal. E não vai ser hoje que isso muda.
Se um dia eu não tiver um vídeo no domingo, é porque alguma coisa deu muito errado. Então, para manter a tradição, que eu sei que vocês sempre comentam, ah, chegou a hora do almoço, ah, macarronada, o churrasco, o que quer que seja, assistindo o lito, temos mais um senta que lá vem história hoje. Só que é para explicar o que tá acontecendo comigo, tá?
Porque vocês também merecem essa explicação. Eh, tem tanta gente perguntando que não tá entendendo, né? E saíram umas coisas nos portais de notícias sobre o câncer.
Sai uma nota oficial do hospital dizendo que eu estava internado para avaliação neurológica. Então, hoje eu sento aqui para explicar isso, o que aconteceu. Então, vamos começar do começo.
Há uns 2, 3 meses atrás eu fui diagnosticado com câncer de próstata. E assim, pessoal, eu faço exames constantemente, tá? E percebi há uns 6 meses atrás que o PSA subiu um pouquinho.
Aí imediatamente eu fui no urologista fazer o exame de próstata. Tava tudo aparentemente bem, mas o urologista pediu um exame específico de PSA. Eu fiz e o número deu um pouco diferente.
Baseado nesse resultado, o urologista pediu uma ressonância magnética da próstata. E durante essa ressonância foram encontrados uns pontos que precisavam de biópsia. Aí você faz a biópsia e fica esperando que não seja o que você pensa que vai ser.
Mas o resultado foi que era um carcinoma. E assim existem, como meu neurologista fala ou meu urologista fala, vários tipos de cachorro, né? Tem o Pitbu e tem o Lulu da Pomeranha.
Os dois são cachorros. Da mesma maneira, a palavra câncer indica tanto um pitbu quanto um Lulu da Pomeranha. Mas existem diversas classificações para isso.
Na classificação do meu câncer específico, é um nível três intermediário, baixo, ou seja, não é algo extremamente grave ou urgente que eu precise resolver correndo, mas também não é do tipo que você não precisa fazer nada e só monitora. Foram apresentadas algumas opções de tratamento e eu escolhi uma específica, a prostatectomia, que é a remoção da próstata, que é o padrão ouro de cura para esse tipo de câncer. Como o meu não é tão agressivo, existe um outro protocolo.
Mas fazer esse outro protocolo não significa ficar 100% curado. Você pode aparecer eh pode aparecer de novo do outro lado da próstata que não foi atingido. Então, botando isso numa matriz de risco, o melhor a fazer é o completo.
E deixa eu parar a história aqui um segundo, porque isso é importante, tá? Todo mundo tá sujeito a esse tipo de câncer, tá? Não interessa se você se cuida, se você treina, se come bem, como eu.
Câncer de próstata não escolhe. A diferença entre eu estar aqui contando isso com tranquilidade ou contando uma história bem mais dura foi o exame de rotina. Eu percebi a variação do PSA e fui atrás.
E foi assim que eu peguei cedo e os números confirmam. Quando o câncer de próstata é encontrado ainda localizado antes de se espalhar para fora da próstata, a taxa de sobrevida em 5 anos passa de 99%. É quase a mesma expectativa de vida de quem nunca teve câncer nenhum.
Ou seja, quando você encontra cedo, como eu encontrei, a chance de cura é praticamente total. Então o recado que eu quero deixar aqui, pessoal, é esse. Vá no urologista, faz o exame de PSA, faz o toque retal, não interessa a vergonha, não interessa o preconceito.
É rápido, é simples e pode ser exatamente o que separa você de uma história tranquila como a minha, de uma história bem mais complicada. E olha, aquele primeiro vídeo vídeo que eu fiz falando sobre isso, já deu resultado, tá? Pelo que o meu médico disse, aumentou 20% as idas ao urologista desde o meu primeiro vídeo.
Isso é o que eu quero, viu? Se esse vídeo aqui ajudar mais uma pessoa a marcar essa consulta, já valeu a pena contar tudo isso. Então, tudo tava seguindo bem para isso aí.
Talvez eu nem tivesse falado nada para vocês sobre o tratamento e tava tudo bem também. Só que no meio do caminho começou a acontecer uma coisa muito estranha com meu braço esquerdo. Eu comecei a perder um pouco de movimento, um pouco de controle.
E eu percebi isso quando eu tava digitando um roteiro. A minha mão não agia do jeito que eu queria. Eu tinha que ficar numa posição estranha para conseguir escrever.
Isso começou a me incomodar e eu não sabia o que que era. Eu pensava, será que eu tô desaprendendo a escrever? Será que é visão?
Até que numa manhã eu acordei com o braço meio adormecido. Eu olhei pro braço e parecia que aquele braço nem era meu. Falei: "Opa, acendeu um alerta aqui que não tem nada a ver com diagnóstico de câncer.
Fui no neurologista, uma pessoa que eu conhecia, que um dia identificou um pequeno tremor eh, nas minhas mãos. Fui examinado de todas as maneiras. Eu tinha movimento, eu mantinha a força, o braço não tava rígido, mas eu não tinha muito controle, ou seja, o sistema próprio não estava funcionando direito.
Daqui a pouco eu explico isso melhor, eh, com exemplo de avião, tá? Foram solicitados exames e esse neurologista me indicou fazer com uma pessoa específica, o Dr Antônio Rocha. Durante o procedimento, ele apareceu, ele conhecia o canal, era seguidor e falou: "O que você tá fazendo aqui?
" E eu falei, então, né, com esse probleminha aqui. E ele foi um passo além do trabalho dele. Ele pediu para eu andar, mexer o braço, tentar dar nó no cadarço do tênis e falou: "Poxa, assim, pra sua idade não deveria ter isso.
É estranho. " E aí pediu para eu voltar pra máquina de ressonância para pegar uns cortes diferentes. Um e c dias depois saiu o laudo com uma informação impressionante, uma falta de simetria entre o lado esquerdo e o lado direito do cérebro, mesmo numa ressonância sem contraste.
Ele pediu uma investigação com tomografia PET, FDG, alguma coisa assim. Quando eu voltei no neurologista e contei de novo essa sensação de que o braço não parecia meu, a resposta ficou meio vaga assim, uma direção clara. Eu já estava com uma viagem marcada pros Estados Unidos.
E baseado na informação do médico, não seria problema nenhum viajar. Mantive a viagem. Antes de ir, ainda fui num ortopedista, levando o resultado da compressão eh na coluna cervical.
Ele falou: "Olha, tem uma compressão sim que daria o formigamento, mas não teria a ver com esse sistema próprio". Mas para tentar melhorar, eu vou te passar uma injeção de corticoide. E eu tomei a injeção no dia que eu embarquei pros Estados Unidos e foi um dos piores vooos que eu já fiz, porque o corticoide altera bastante a glicemia e eu sou diabético tipo dois.
Durante a noite do voo, a cada 50 minutos mais ou menos, eu tinha que ir ao banheiro fazer xixi. Vontade insuportável. Percebi uma dormência maior também no braço.
E quando eu chego nos Estados Unidos, a Mila vai me buscar no aeroporto e ela percebe que eu tô andando totalmente torto. Quando eu gravo aquele vídeo no saguão falando da minha mão, ela vê que minha mão tava totalmente fora do normal, o braço meio para trás assim e falou: "Nossa, tem alguma coisa errada com você. Tô super preocupada.
a gente precisa ver. Aí fomos almoçar e eu ainda conseguia cortar carne, mas ficava segurando a faca assim e a mão começava a mexer sozinha. A faca ficava na altura do meu rosto em vez de perto do prato.
Por isso eu perguntei: "O que você faz com o braço que não escova o dente? " Nada. você não faz nada, você não liga, mas na minha condição o braço era um peso ao lado do corpo.
E aqui, novamente, eu preciso parar e falar de quem tá comigo, tá? Porque antes de falar de mim, eu tenho que falar quem tá comigo. A Mila tem sido uma pessoa essencial, presente o tempo todo, inclusive ajudando a tomar decisão.
Ela passou dias comigo no hospital e eu fiquei no dias internado. Ela ficou nove dias dormindo lá comigo. Eu vou contar uma coisa para vocês, viu?
Não tem coisa que uma mãe ame mais do que o filho. E ela deixou o filho em casa. Muita coisa da minha recuperação depende da Mila.
Teve dia no hospital que foi ela que me deu banho, porque eu não conseguia segurar o sabonete. Mas voltando, a Mila falou: "Não, não, vamos ligar para outro neurologista, tá? Não tô confiando nesse que você foi.
E aí eu lembrei de uma frase que o comandante Ramos me disse quando eu tava tirando o brevê. Um bom comandante não é o que não sabe sair de situações difíceis, é o que não entra numa situação difícil. Quando eu tomei a decisão de viajar, ela foi baseada numa informação de um profissional que eu confiava, mas eu vi que aquilo não funcionou.
E a minha esposa via um negócio diferente. É o princípio do CRM. Eu tenho que ouvir todos os recursos que tem disponíveis para eu tomar uma decisão.
Entramos em contato com o neurologista do Einstein, que me atendeu de lá mesmo, eu lá nos Estados Unidos, explicando o que tava acontecendo. E ele falou assim, ó: "Seria bom se você pudesse voltar antecipadamente pro Brasil". Veja, ele não falou volte pro Brasil, ele falou: "Seria bom voltar antes".
E com base naquela frase do comandante e da minha esposa totalmente de acordo, eu falei: "Vamos voltar amanhã pro Brasil". E conseguimos mudar o voo. E os outros estavam todos atrasando em Orlando por causa de um incêndio lá na fronteira do Canadá com os Estados Unidos que afetava a visibilidade e tinha voos cancelando, voos atrasando e o único voo disponível para voltar para São Paulo naquele mesmo dia era via Washington com só uma hora de conexão e é a única opção disponível.
Então vamos na única opção que tem. Fomos pro aeroporto, chega lá, batata, o voo atrasado. Ou seja, oficialmente eu ia perder o voo que saísse de Washington para São Paulo.
Mas eu tava preocupado com o meu braço. Conversei com alguns funcionários da United em São Paulo e aqui eu agradeço muito ao Vanderlei, que foi um passo adiante. Eu expliquei minha situação, eh, que era uma remoção médica e que eu tinha um relatório médico, se fosse necessário, e que, por causa dos atrasos, eu provavelmente perderia a minha conexão.
Eu pedi para ele entrar em contato com o setor de operações e informar a questão médica e disse que se fosse possível, né, eu vou aguardar a conexão lá em Washington para eu conseguir voltar pro Brasil e ir pro hospital o mais rápido possível. Ele ligou pro setor de operações, falou, conseguiu falar com todos eles lá e disse: "Pode ser que segurem o voo aguardando a conexão". E foi o que aconteceu.
Assim, eu sou muito grato a United Airlines. É óbvio que eu tenho um viés porque eu trabalhei lá há 25 anos. 25 anos.
Mas é a melhor empresa aérea que eu já conheci, vivenciei e trabalhei. Eu não sei falar nada de negativo a respeito dessa empresa. Conseguimos embarcar.
Chegamos em São Paulo no dia seguinte. Eu só vim em casa tomar um banho, desarrumar a mala e já arrumei uma malinha para levar pro hospital. A Mila foi comigo dirigindo.
Chegamos no hospital e a equipe do médico que me atendeu, que estava de férias, inclusive, esqueci de falar isso, mas a equipe toda de neurologia começou a fazer diversos exames e perceberam a falta de equilíbrio, perceberam o sistema próprio totalmente ruim e já pediram exames específicos, como a coleta de liquor, que é o líquido que tem na nossa coluna. tiraram com uma agulha, dói um pouquinho, mesmo com anestesia, mas foi colhido aquilo para ver diversas coisas, um painel autoimune, eh, porque não sabia o que estava acontecendo comigo. E aí já fizeram a ressonância de emergência com contraste, principalmente do cérebro.
E quando sai o resultado, aparece bem claro aquilo que o outro médico só desconfiou numa ressonância sem contraste. Com o contraste, ficou claro que o lado direito do cérebro tava tinha uma inflamação. Já sabíamos o que tava causando esse sintoma aqui.
A gente só não sabia ainda por quê, mas independente disso, o protocolo começou a ser aplicado na hora, em fusões de corticoide e mais um monte de coisa para segurar o sistema imunológico e também imunoglobulina, que é basicamente um anticorpo artificial. Foram dias internado com todo o atendimento padrão do Einstein, monitorando tudo, porque corticoide afeta terrivelmente a glicemia e descompensou totalmente a minha glicemia. Eu não tomo insulina, eu não sou diabético que precisa de insulina, mas eu tive que compensar com insulina.
Insulina é catabólica, então você vai perdendo massa muscular. O corticoide também faz isso. Junto com a internação, veio essa perda de peso gigantesca.
Mas eu tava sempre focado recebendo todas as mensagens de vocês, um carinho gigantesco de fãs e também de gente famosa que eu nem sabia que gostava tanto de mim. Então, ó, senhores, o que começou com uma luta de câncer virou um problema neurológico bem mais grave e urgente de resolver. E uma vez que eh você perde isso, o controle, mesmo depois que desinflama todo o cérebro, ainda leva um tempo para recuperar os movimentos.
E se isso exige muita fisioterapia, muita terapia ocupacional, muita musculação, muito aeróbico, muito cárdio. É um conjunto de coisas que eu vou fazer agora, mas vocês me conhecem. Eu sou disciplinado.
Eu vou fazer isso e vai acontecer. Eu vou recuperar tudo. Eu vou estar aqui domingo, às vezes com o vídeo de avião, às vezes contando uma história minha quando não der para fazer o vídeo de avião.
Mas eu vou estar aqui todo domingo. Só não vai ter vídeo se alguma coisa catastrófica acontecer. Eu acho que vocês mereciam essa explicação para entender a questão da internação e da liberação, porque se fosse só o câncer, eu não entraria e sairia tão rápido do hospital assim.
teria outros procedimentos, mas o que pegou mesmo foi essa questão neurológica, tá? Então é um processo difícil, extremamente exaustivo. Me cansa manter o equilíbrio porque o lado esquerdo tá meio paradão e o corpo desequilibra, mas eu tô firme e forte aqui, conseguindo fazer as coisas.
E muita gente fala assim: "Ah, mas você tem que descansar, não faz vídeo agora tudo mais. Não é assim que funciona, tá, pessoal? Eh, preciso ter metas.
Quando você põe uma meta e vai atrás dela, você tá pulando etapas. Se eu ficar só acomodado descansando, eu não vou ter o mesmo resultado de recuperação. Então, é importante eu estar aqui fazendo vídeo, mostrando para vocês que eu tô trabalhando nisso e que isso vai ser superado com fé, com determinação, com ciência.
É um conjunto de coisas. Tudo isso ajuda na recuperação. Quero falar agora com quem tá pensando em se matricular na Lit Academy.
Algumas pessoas devem estar pensando assim: "Nossa, mas e aí agora o lito parou? A escola vai parar? " Não.
Deixa eu explicar para vocês. A Lito Academy, que é a maior escola de aviação da América Latina, continua com sua operação normal. A gente tem um time grande, com excelentes líderes, que tocam o dia a dia e garantem qualidade que é reconhecida em todo o país.
Inclusive, por conta da minha alta, eles fizeram até uma oferta especial para você que quer ser piloto, mecânico, comissário ou quer fazer a famosa pós-graduação, engenheiro do ar. Esse desconto e o bônus só valem pelo WhatsApp, tá? com um consultor de carreira e você precisa dizer que você assistiu aqui o vídeo do Lito.
O link do meu WhatsApp oficial tá nos comentários fixados aí embaixo. A parte neurológica tá sendo resolvida. Os resultados de alguns exames que demoram mais de 30 dias para sair tão saindo e alguns exames são feitos fora do Brasil, inclusive.
E as duas equipes médicas se conversam tanto a parte de urologia e oncologia quanto a parte da neurologia. E o resultado vai ser bom. Conforme os resultados forem saindo, em breve mesmo eu estarei de volta com vocês aqui no canal.
Já falei bastante, hein? Acho que deu tempo de almoçar, né? Então, muito obrigado pela companhia e se você chegou até aqui e ainda não é inscrito no canal, se inscreva no canal, ajuda bastante a gente, deixa o like e considere se tornar membro do canal, porque aí é uma ajuda financeira pra gente continuar esse processo de continuidade do projeto Aviões e Músicas, de disseminar a cultura de aviação para todo mundo.
E além do seu nome aparecer nos créditos finais dos próximos vídeos, esse aqui não dá, né, que tem edição, é só clicar no botão seja membro aí embaixo e seguir as instruções do YouTube. Muito obrigado. Bom domingo para vocês.
Tô firme e forte melhorando. Boa macarronada e até o próximo voo. M.