Ao completar 60 anos, o embargo dos Estados Unidos contra Cuba se tornou endêmico, uma realidade com a qual os habitantes da ilha se acostumaram e não têm esperanças de suspensão ou flexibilização em um futuro próximo. A entrada em vigor do bloqueio, em 7 de fevereiro de 1962, foi parte de uma espiral de um confronto que atingiu o ápice na crise dos mísseis, em outubro do mesmo ano, que deixou o mundo à beira da guerra nuclear. As sanções surgiram como instrumento dessa guerra, mas nunca conseguiram concessões de Havana, empenhada em ser comunista ‘no nariz do império’, como afirmava Fidel Castro.
Mesmo que muito tenha mudado desde então, Cuba ainda tem na Rússia um apoio importante. China, Vietnã e um número crescente de governos de esquerda na América Latina também se colocam ao lado do governo comunista. Atualmente, os ‘interesses geopolíticos’ dos Estados Unidos determinam o endurecimento ou a flexibilização do cerco.
Barack Obama foi o presidente que mais estimulou o relaxamento, enquanto ninguém pressionou tanto pelo aumento das sanções como Donald Trump, com 243 medidas adicionais. Apesar das promessas de campanha, o atual presidente Joe Biden ainda não amenizou o bloqueio. Em janeiro, o líder cubano Miguel Díaz-Canel pediu mais uma vez à população uma ‘resistência criativa’ para vencer o embargo.
O apelo foi feito no momento em que o país enfrenta a pior crise econômica em 30 anos, com uma inflação galopante de 70% e uma forte queda de qualidade de vida, além da escassez de alimentos e remédios. Defensores do governo culpam o bloqueio pelos problemas da ilha, mas críticos acusam o regime de tentar acobertar a ineficiência da administração e os problemas estruturais da economia.