Eleito romano pontífice, Sua Santidade Leão XIV será solenemente coroado na Basílica de São Pedro nos próximos dias, correto? Infelizmente essa cerimônia não acontece desde 1963 e é altamente improvável que Leão X opte por restaurá-la. Mas se ela fosse acontecer, como seria?
Como se daria? A coroação papal era uma das mais belas e solenes cerimônias de toda a igreja. é o que conheceremos no vídeo de hoje.
Essa tradição perdurou ininterruptamente por mais de um milênio. Ela remonta ao século, época em que os papas eram soberanos dos estados pontifícios, uma série de territórios no centro da Itália. Ao contrário das cerimônias seculares, especialmente as posteriores ao renascimento, o rito da coroação papal permaneceu basicamente inalterado durante séculos.
A cerimônia ocorre após a Santa Missa, quando o Santo Padre, ainda revestido com os paramentos litúrgicos, incluindo as luvas pontificais, mas sem o manípulo que havia sido deixado sobre o altar, dirigia-se, assistido pelos cerimoniários, à sede gestatória, um trono móvel carregado nos ombros pelos sediários pontifícios, 12 homens da corte papal, para ser conduzido ao local da coroação. Nesse momento já se formava o cortejo papal, na mesma ordem observada no início da cerimônia. A procissão atravessando a basílica passava sucessivamente pelo pórtico, depois pela escada réia, pela sala réia e pela sala das bênçãos, até alcançar a lódia exterior principal, a central, da qual se tem uma vista perfeita da Praça de São Pedro.
Era nesse balcão que os papas eram tradicionalmente coroados, de modo que o povo romano pudesse assistir à cerimônia, receber as indulgências a ela associadas e aclamar seu novo bispo. Ao chegar à lódia, o papa sentava-se em um trono especialmente preparado. Devido ao espaço limitado, ele era acompanhado apenas pela assistência estritamente necessária.
Os cardeais diáconos atuando como assistentes e também antes durante a missa, os prelados portando a cruz, a tiara, a mitra e os castiçais. os mestres de cerimônia, obrigatoriamente dois, e o cardeal protodiácono a quem cabia o privilégio de coroar o papa. Enquanto o papa entrava e se assentava sobre o trono, o couro da capela cistina entoava o moteto de palestrina, corona áurea super caputeios, cujo texto é extraído do livro do Eclesiástico com trechos do Salmo 21.
Ouçamos um pequeno trecho. [Música] de [Música] o canto assim pode ser traduzido: coroa de ouro sobre sua cabeça, ela expressa o sinal da santidade, a glória da honra e o poder da fortaleza. Pois o preveniste com bênçãos de doçura.
Puseste sobre sua cabeça uma coroa de pedras preciosas. Após o canto, o decano do colégio dos cardeis reza o paternóster, pai nosso, que recita em silêncio até as palavras etnos inducas em tentacione, as quais pronuncia em voz alta e o coro responde: "Sede libera-nos amá". E aqui não é dito o amém.
Em seguida, são entoados os versículos e responsórios próprios do rito de coroação do Papa. O decano do colégio dos cardeis é respondido pelo couro. Conclui-se com uma oração cantada pelo próprio decano, na qual a igreja suplica os favores de Deus para o novo papa durante todo o seu pontificado.
O pontífice é já mencionado pelo nome que ele assumiu ao ser eleito para sede Pedro. Cantemos ao Senhor, pois ele se glorificou grandemente. Toquem a trombeta na lua nova no dia festivo de sua solenidade.
Aclamem a Deus toda a terra. Servi ao Senhor com alegria. Senhor, ouvi a minha oração e chega até vós o meu clamor.
O Senhor esteja convosco e com teu espírito. Oremos. Onipotente, sempre eterno Deus, dignidade do sacerdócio e autor do reino, concede graça ao teu servo, por exemplo, Leão X, nosso pontífice, para regeruosa, a fim de que aquele que, pela tua clemência é estabelecido e coroado como Pai dos Reis e pastor de todos os fiéis, seja capaz de governar tudo bem com a tua sábia disposição.
Por Cristo, nosso Senhor. Amém. Após a oração, o segundo cardeal diácono remove a mitra da cabeça do papa e o cardeal protodiácono pega a tiara pontifícia, que atingiu sua forma mais ou menos definitiva com as três coroas sobrepostas no século XIV.
E diz estas palavras: "Recebei a tiara adornada com três coroas, e sabei que vós sois o pai dos príncipes e reis, o governante do mundo, o vigário de nosso salvador Jesus Cristo na terra, a quem pertence toda honra e glória pelos séculos dos séculos. Amém. Essa breve fórmula explica o próprio simbolismo da tiar pontifícia e a razão de ser das três coroas.
Há quem proponha outras interpretações simbólicas, embora nenhuma seja oficial. Mencionaremos três delas. Na primeira, a tiara representaria o tríplice papel de nosso Senhor Jesus Cristo, do qual o Papa é vigário na história da salvação, sua missão como sacerdote, rei e profeta.
Na segunda interpretação, a tiara representa a potestade sacerdotal, pois o papa é a máxima autoridade da igreja e o sucessor de São Pedro. detém igualmente a potestade real, pois o papa é soberano efetivo, que governa a igreja e seus fiéis no mundo inteiro. E por fim, a potestade temporal, que não simboliza apenas sua antiga autoridade como soberano dos estados pontifícios ou atualmente da cidade do Vaticano, mas também sua autoridade indireta sobre todas as nações da terra e seu dever de defender os direitos da igreja em face de quaisquer potências deste mundo.
E na terceira interpretação, a Tiara nos lembre da tríplice missão que todo bispo, mas de modo supereminente o Papa, tem a desempenhar, ensinar, governar e santificar os fiéis. O último papa a ser coroado com a tríplice tiara foi Paulo VI em 1963. No ano seguinte, na missa de encerramento da segunda sessão do Concelho Vaticano I, o Papa Paulo VI despojou-se da tiara pontifícia e a depositou sobre um altar da Basílica de São Pedro.
Esta tiara foi adquirida em 6 de fevereiro de 1968 pela Basílica do Santuário Nacional da Imaculada Conceição em Washington, através do delegado apostólico dos Estados Unidos, o cardeal Francis Joseph Spelman, arcebispo de Nova York, sendo o dinheiro arrecadado doado aos pobres da África. A tiara permaneceu no brão papal de João Paulo II, mas Bento Xuiu por uma mitra. Apesar disso, a tiara papal continua no imaginário coletivo como um dos mais fortes símbolos do papado.
Afinal, trata-se de uma tradição milenar com um rico significado. O primeiro ato do papa recém coroado é conceder uma bênção solene ao povo, tradicionalmente chamada Urb Orb, ou seja, à cidade e ao mundo. A esta bênção estão associadas indulgências que com o desenvolvimento da tecnologia passaram a poder ser recebidas também por meio do rádio ou da televisão.
O Papa concede essa bênção de pé com a tiara sobre a cabeça, entoando os textos das orações a partir do livro sustentado pelos arcebispos assistentes ao trono. Abre aspas, que os santos apóstolos Pedro e Paulo, dos quais no poder e julgamento confiamos, estes intercedam por nós até o Senhor. Amém.
que por meio das orações e dos méritos da Santíssima Sempre Virgem Maria, de São Miguel Arcanjo, de São João Batista, dos santos apóstolos Pedro e Paulo, de todos os santos, o Deus onipotente mostre compaixão a vós e quando perdoados todos os vossos pecados, Jesus Cristo vos conduza à vida eterna. Amém. Que o Senhor todo poderoso e misericordioso vos conceda indulgência, absolvição e remissão de todos os vossos pecados.
espaço para um verdadeiro e frutuoso arrependimento, o coração arrependendo-se sempre e a bênção da vida, a graça, a consolação do Espírito Santo e perseverança final nas boas obras. Amém. E imediatamente após o último amém, o Papa concede a bênção segundo a fórmula costumeira, traçando o sinal da cruz sobre o povo três vezes.
E que a bênção de Deus todo-pereroso, Pai, Filho e Espírito Santo, desça sobre vós e permaneça sempre. Tradicionalmente o papa abençoava com três dedos estendidos, o polegar, o indicador e o médio, enquanto os outros dois permaneciam dobrados como empunho. Contudo, nem todos os papas seguiram sempre essa forma.
Após a bênção, o primeiro dos cardeais diáconos assistentes anuncia ao povo em latim que todos os fiéis que a receberam obtiveram também a indulgência plenária a ela vinculada, desde que, evidentemente, estejam devidamente dispostos interiormente. No passado, após o anúncio da indulgência, as folhas lidas pelos cardeis diáconos eram lançadas ao povo reunido diante da entrada do pórtico da basílica. Após o anúncio da indulgência, os sinos da Basílica de São Pedro começam a repicar.
O povo aclama o papa em sinal de júbilo. As formações armadas reunidas na Praça de São Pedro prestam continência ao Santo Padre. Desde a assinatura dos pactos de Latron em 1929, as formações armadas do estado italiano também estão presentes durante as bênçãos solenes Urb.
Como nas ocasiões do Natal ou da Páscoa, o Papa permanece por mais algum tempo na lódia para conceder uma última bênção, sem cerimônia especial, aos fiéis reunidos na praça. Antes de a procão dirigir-se à sala dos paramentos, que é um corredor de ligação entre a sala régia, a sala do cal e as lojas do Palácio Apostólico, local onde também se preparava o papa para as capelas papais. Os cardeis trocam seus paramentos litúrgicos pelas capas roxas, os chamados mantos curiais.
Ao chegar, o papa, assistido pelos cerimoniários e outros prelados da família pontifícia, remove os seus paramentos litúrgicos. Em seguida, o decano do Colégio dos Cardiais, cercado pelos demais cardeiais, oferece felicitações e votos de êxito ao Papa, ao que este responde com agradecimentos e um pedido de ajuda para governar a Igreja sob a proteção de Nossa Senhora e dos Apóstolos. Foi assim que há séculos inúmeros papas foram coroados até o tempo das reformas do Concílio Vaticano Segundo.
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