[Música] Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, queridos amigos do apostolado Glória de Maria, venho mais uma vez pedir licença a vocês. Com essa voz em frangalhos, é para fazer alguns comentários que eu considero muito urgentes. E aqui, esses comentários, eu vou tecer algumas críticas, principalmente à nova direita que se estabeleceu no mundo, não apenas no Brasil, mas no mundo todo.
Alguns já vieram me perguntar: "É professor, por que o senhor não fala das esquerdas? " Pois bem, meus amigos, eu já respondi a essa pergunta em outras ocasiões aqui no meu apostolado, mas respondo novamente: a minha crítica é fundamentalmente contra o sistema político oriundo da Revolução Francesa. O chamado estado moderno é que deu origem ao sistema democrático-partidista, e a construção "esquerda-direita" nesse sistema democrático-partidista não passa de uma falácia, é uma manobra para manipular o povo.
Ora, mais à esquerda, ora mais à direita, e ora mesmo ao centro. Então, não se percam nesta falsa dicotomia "esquerda-direita", porque essas posições são muito relativas e de modo algum oferecem uma resposta satisfatória. Quanto às esquerdas, é falar sobre elas como "chuva no molhado"; são homens absolutamente sem princípios, dos quais não se pode esperar absolutamente nada, a não ser a iniquidade.
No entanto, a direita é um tanto mais perigosa, porque se propõe algo mais equilibrado dentro daquilo que é mais aceitável aos conservadores. Por isso, eu tenho centrado as minhas críticas mais severas justamente à direita, porque ela se aproxima mais da verdade nas aparências, e aquilo que é falso é tanto mais perigoso quanto mais se aproxima da aparência, ou seja, que tem mais aspectos de verdade. Por isso, eu tenho dito que o principal problema com a nova direita é a construção do terceiro templo de Jerusalém.
E o que isso significa para nós, católicos? Este é o projeto que norteia as políticas da nova direita e que eu mencionei na minha série sobre Rabi Vite, e que são eles, esta seita, os mestres desta nova direita e mesmo também das esquerdas globalistas. Não se deixem enganar.
Pois bem, foi publicado em Life Site News um artigo muito interessante que eu recomendo a leitura, e vou colocar o link aqui na descrição deste vídeo, sobre os perigos dos católicos que estão vendo na nova direita uma espécie de bastião contra a desordem, contra a natureza promovida pelas esquerdas. Esta mesma adesão à nova direita acaba implicando na adesão à construção do terceiro templo. Pensem bem, meus amigos, porque aqui na política moderna a velha história do "ao menor" não pode ser aplicada sem antes levar em consideração os perigos que são maiores ou menores para a nossa salvação, a salvação das nossas almas.
E eu digo que, enquanto as esquerdas, com sua loucura, podem produzir mártires com perseguições cruéis, a direita muito facilmente pode produzir apóstatas. Tem sido assim na história desde a Revolução Francesa. É certo que o terror jacobino do governo de Robespierre executou centenas de milhares de católicos, produzindo assim mártires.
Nós temos muitos exemplos durante este período, por exemplo, na Guerra da Vendée. E ao passo que aqueles que consolidaram a Revolução e retrocederam nos massacres, concedendo maiores liberdades aos católicos, produziram sim apóstatas. E muitos apostataram e se tornaram católicos liberais.
Pois bem, neste artigo de Life Site News faz-se um breve histórico sobre o que é templo e a ideia de construção do templo, que consta no Antigo Testamento. Eu gostaria de ler para os senhores, por exemplo, como se consumou a ideia de construção do templo na época do Rei Davi. Vocês poderão ler em 2 Samuel 24.
Eu leio agora: "Disse, pois, o Rei Davi a Joabe, capitão do exército, ao qual tinha consigo: 'Agora percorre todas as tribos de Israel, desde Dã até Berseba, e numera o povo para que eu saiba o número do povo. ' Então disse Joabe ao Rei: 'Ora, multiplique o Senhor teu Deus a este povo 100 vezes tanto quanto agora; e os olhos do rei, meu Senhor, o vejam. Mas por que deseja o rei, meu senhor, este negócio?
' Porém a palavra do rei prevaleceu contra Joabe e contra os capitães do exército. Joabe, pois, saiu com os capitães do exército da presença do rei para numerar o povo de Israel. E passaram o Jordão e acamparam à direita da cidade que está no meio do Ribeiro de Gade, junto a Jazer.
E foram a Gileade e à terra baixa de Odem; também foram até Danja e ao redor de Sidom. E foram à fortaleza de Tiro e a todas as cidades dos heveus e dos cananeus. E saíram para o lado sul de Berseba.
Assim percorreram toda a terra, e ao cabo de 9 meses e 20 dias voltaram a Jerusalém. E Joabe deu ao rei a soma do número do povo contado: e havia em Israel 800. 000 homens de guerra que arrancavam da espada, e os homens de Judá eram 500.
000 homens. E pesou o coração de Davi, depois de haver numerado o povo, e disse Davi ao Senhor: 'Muito pequei no que fiz. Porém, agora, ó Senhor, peço-te que perdoes a iniquidade do teu servo, porque tenho procedido muito loucamente.
' Levantando-se, pois, Davi pela manhã, veio a palavra do Senhor ao profeta Gad, vidente de Davi, dizendo: 'Vai e diz a Davi: assim diz o Senhor: três coisas te ofereço; escolhe uma delas para que te faça. ' Foi, pois, Gad a Davi e fez-lhe saber, e disse-lhe: 'Queres que 7 anos de fome te venham à tua terra? Ou que, por três meses, fujas de teus inimigos, e eles te persigam?
Ou que, por três dias, haja peste na tua terra? Delibera agora e vê que resposta hei de dar ao que me enviou. '" Aqui está o texto com a pontuação corrigida: Enviou.
Então disse Davi a Gade: "Estou em grande angústia; porém, criei nas mãos do Senhor, porque muitas são as suas misericórdias, mas nas mãos dos homens não caia eu. " Então enviou o Senhor a peste a Israel desde a manhã até ao tempo determinado, e desde Dan até Beerseba morreram 70. 000 homens do povo.
Estendendo, pois, o anjo a sua mão sobre Jerusalém para a destruir, o Senhor se arrependeu daquele mal e disse ao anjo que fazia a destruição entre o povo: "Basta agora! Retira a tua mão. " E o anjo do Senhor estava junto à eira de Arauna, o jebuseu.
Pois bem, meus amigos, aqui fica claro que, pela arrogância e a prepotência do Rei Davi, Deus puniu o povo de Israel. O Rei Davi decidiu fazer um censo e foi castigado por essa razão, mas, vendo a angústia, o arrependimento e a contrição do rei, que se mostrou assim humilde, Deus retirou a praga, a peste, que dizimaram o povo. E ali, no local onde o anjo recuou a sua mão vingadora, Deus estabeleceu que fosse construído ali um altar em sua homenagem.
Este local era a eira dos Jebuseus. Este dado é muito importante, porque contraria tudo o que os israelenses estão fazendo hoje pela sua arrogância e pela sua prepotência de querer construir um templo, contra a vontade de Deus, como nós veremos na sequência desta explicação. [Música] O Rei Davi foi todo o contrário deste povo que se diz descendente de Davi.
Quando Arauna viu que o Rei Davi se aproximava daquela eira, prostrou-se aos pés do rei e, quando percebeu que o rei tinha interesse naquelas terras, ofereceu-as de graça, junto com tudo o que nelas havia. No entanto, o Rei Davi quis pagar por aquelas terras um preço justo. Assim, a terra da eira dos Jebuseus foi adquirida e estas terras ficavam exatamente onde era o Monte Moriá, o local onde Deus pediu que Abraão sacrificasse seu filho Isaque.
Então, vejam a mão de Deus escolhendo o local onde, mais tarde, seria o Templo de Salomão. Mas Deus não permitiu, pelos pecados de Davi e por ele ser um homem de guerra, um guerreiro. Deus não lhe permitiu que ele construísse o templo e disse a ele que não permitiria, porque ele derramara muito sangue nas batalhas.
Então vejam que o povo judeu hoje reivindica o direito a essas terras para a construção do Templo, evocando para isso a sagrada escritura, e, no entanto, é para massacrar os povos e conduzir as suas guerras. Se recorre ao direito da jurisprudência moderna ou se recorre à sagrada escritura, ou se recorre à jurisprudência moderna que rejeita essa mesma sagrada escritura, mas não se pode as duas coisas ao mesmo tempo. Por outro lado, o povo judeu nunca quis pagar por estas terras como Davi o fez.
Pois bem, ali então foi construído na época de Salomão o primeiro templo. E, no entanto, os profetas Jeremias e Ezequiel não cansaram de advertir que, pelos pecados de seus soberanos, o povo de Israel seria privado de sua oblação, de seus sacrifícios, de seu sacerdócio e de seu templo, porque, sem estas coisas, não pode haver religião de fato. Pois bem, a desobediência dos sacerdotes de Israel e dos reis de Israel levou à destruição do templo e, posteriormente, à sua escravização pelos caldeus da Babilônia.
No exílio da Babilônia, eles foram resgatados pelo Rei Ciro da Pérsia, que lhes concedeu o direito de retornar a Jerusalém, onde, por obra de Zorobabel, que havia nascido na Babilônia, reconstruíram o Templo, este o segundo templo. Porém, é muito inferior ao primeiro em termos de arquitetura e de majestade. O segundo era tão inferior que os mais velhos choravam quando viam o segundo templo.
É interessante notar aqui como os israelenses, hoje – e lembrem-se, israelenses não são israelitas; os israelenses são, hoje, os que vivem no Estado de Israel – fazem uma comparação. Essa comparação foi feita em 2017 entre o Rei Ciro da Pérsia, que permitiu aos judeus reconstruírem novamente o templo, com o presidente Donald Trump. Inclusive, cunharam uma moeda em comemoração a isso, porque Trump reconheceu Jerusalém como a capital do Estado de Israel.
Toda a euforia em torno de Donald Trump é óbvio que demonstra que ele e seus ministros assessores estão intimamente ligados àqueles mesmos que pretendem fazer a reconstrução do templo, a construção do terceiro templo, e veem, obviamente, em Donald Trump o homem que vai apoiá-los nesse projeto. Pois bem, quando surgiu a profanação do segundo templo, na época do Rei Antíoco Epifânio, os judeus reconheceram como a abominação da desolação, prevista pelo profeta Daniel, e isso resultou na reação heroica dos macabeus. E, no entanto, a religião dos antigos israelitas estava corrompida por muito daquilo que eles trouxeram consigo do paganismo babilônico, e de onde surgiram as seitas dos saduceus e dos fariseus, que disputavam o poder.
Foi preciso que o Rei Herodes, nomeado pelo Senado romano para ser o governante da Judeia, reconstruísse o segundo templo. Muito embora alguns ainda continuem dizendo que o Templo de Herodes era, sim, o segundo templo, a reforma do templo reconstruído na época de Zorobabel, sim, o segundo templo era realmente magnífico. Herodes não só reformou o templo como o ampliou muitíssimo.
Então, é na época em que nosso Senhor nasce que o templo, de certa forma, é transferido de um templo físico material para o ventre de Nossa Senhora, que abrigava ali Deus encarnado. Portanto, Nossa Senhora é considerada, assim, templo de Deus, Arca da Aliança, sinal de que a antiga aliança agora seria renovada. Porém, o povo judeu, em sua rebeldia, é contra Deus.
Não aceitou esta realidade teológica e se tornaram inimigos de Deus, e isto os levou ao deicídio. Agora, meus amigos, eu quero que vocês reflitam muito seriamente sobre o peso do que significa o deicídio. Pois bem, o deicídio é o pecado maior e somente este pecado seria capaz de tirar do povo judeu o sacerdócio que Deus mesmo concedeu a eles.
Pelo deicídio, eles perderam o direito de serem sacerdotes. Tanto isso é verdade que, imediatamente na hora da morte de Nosso Senhor, o véu do templo se rasgou de cima a baixo. Neste momento, Deus rompeu a antiga aliança e o povo judeu perdeu os seus sacerdócios; foi instituída uma nova aliança, um novo sacerdócio, um novo templo e um novo sacrifício.
O sacrifício é o do Calvário; o verdadeiro holocausto seria agora repetido misticamente em todas as missas, do nascer ao pôr do sol, e em todos os lugares, cumprindo assim a profecia de Malaquias. O povo judeu perdia seu sacerdócio e, mais tarde, no ano 70, perdia também o seu templo e o direito de construírem um novo templo. Portanto, meus caros amigos, tenham muito cuidado em apoiar políticos como Donald Trump, como Milei e como outros que agora estão aderindo ao projeto da Grande Israel, porque por trás disso existe o projeto do templo: a construção do terceiro templo de Jerusalém, que é algo contrário à vontade de Deus.
Se vocês lerem a declaração Nostra Aetate, que fecha o Concílio Vaticano II, vocês verão que ali os autores desta declaração, que infelizmente foi aprovada pela grande maioria—quase que 100% dos bispos presentes no Concílio—assinaram esta declaração. Vocês verão ali que a hierarquia católica implicitamente renuncia ao seu próprio sacerdócio ao dizer que os judeus são nossos irmãos maiores na fé e que eles continuam trazendo em si o sacerdócio. Ora, meus amigos, se os judeus carregam em si ainda o sacerdócio, é porque Deus não lhes tirou este sacerdócio, e se não lhes tirou este sacerdócio, obviamente não pode existir sacerdócio católico, porque Deus dá o sacerdócio apenas ou aos judeus ou aos católicos, não aos dois ao mesmo tempo, porque estas duas coisas são excludentes.
Por Jesus Cristo, ou se crê que Jesus Cristo foi o Divino Redentor de Deus encarnado, e portanto os judeus sim cometeram deicídio; ou, como diz a declaração Nostra Aetate, os judeus não cometeram deicídio, o que implica em dizer que Jesus Cristo não era Deus encarnado e não operou nenhuma obra de redenção. Vejam a gravidade e o peso desta declaração Nostra Aetate, que estabelece já em 1965 as bases teológicas para aquilo que os judeus agora, politicamente, estão efetivando, ganhando poder político no mundo suficiente para que possam construir o terceiro templo. Agora, aos católicos que apoiam Donald Trump e outros políticos que apoiam este projeto da Grande Israel, pensem seriamente no que significa a Grande Israel e a construção do terceiro templo, porque se eles reconstroem esse terceiro templo para sacrificar animais—o que é abominável para Deus, depois de estabelecida a Nova Aliança—sim, estes sacrifícios serão abomináveis, e este templo não será templo, será uma ouro.
Mas, obviamente, eles reclamarão para si a prerrogativa de sacerdotes da humanidade, e como todo poder jurídico emana da autoridade sacerdotal, é óbvio que o próximo passo será impor as leis de Noé a todos os não judeus. Pensem, meus amigos, nas consequências disso para nós. Como é possível que tantos católicos se empenhem em colaborar com um projeto que no futuro será a religião do de Cristo?
E a perseguição que se verá depois disso será a mais terrível perseguição da história. Pensem bastante, meus amigos, e é por isso que eu repito: muito cuidado com esta nova direita. Quem não entendeu ainda o que está por trás disso tudo, infelizmente não entende ainda o que é a política moderna.
Fiquem com Deus, e até o nosso próximo encontro. Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.