Qual é o remédio então para as distrações? Bom, nós já vimos que existem dois tipos de distrações: aquelas que são voluntárias e aquelas que são involuntárias. Para as distrações voluntárias, o remédio é muito simples: tome vergonha na cara e seja virtuoso, por quê?
Porque você está distraído e a culpa é sua. Para as distrações involuntárias, aqui é necessário nós compreendermos o seguinte: que, em primeiro lugar, não vai adiantar você usar uma força de vontade excessiva. Deixa eu explicar: quando você quer domar um animal, você não mata o animal, você tem que saber ali um pouco temperar o rigor com a recompensa.
Assim é que nós devemos lidar com as distrações, ou seja, as distrações requerem de nós um discernimento, um discernimento para não ser tão, assim, folgados, que a gente deixa a dissipação tomar conta, mas, ao mesmo tempo, não sermos tão rigorosos que nós sufoquemos e façamos uma violência no nosso mundo interior, por quê? Porque as distrações, de uma certa forma, estão ligadas às nossas paixões irracionais. Então, como remédio para as distrações, nós temos, em primeiríssimo lugar, a vida do apostolado, ou seja, o nosso apostolado em que nós verdadeiramente nos deixamos devorar pelos irmãos, onde nós vivemos a vida de doação e de amor pelos outros, isso vai colocando em ordem a vida das nossas paixões.
Isso vai ter resultados positivos na vida interior, ou seja, quando você for rezar, você vai ver que você vai ficando diferente, mas mesmo assim, é necessário você se recordar que duas virtudes são muito importantes: a primeira, a humildade. Nós não somos anjos, quem quiser se elevar acima da sua própria natureza vai terminar caindo abaixo dela. Se você quiser ser um anjo de luz, vai terminar se transformando numa besta irracional.
Então, seja humilde. Nós somos seres humanos, a nossa vida de oração está realmente sujeita a este tipo de distração e às vezes, a uma realidade de aridez que não vai mais embora, parece que não vai terminar nunca. E é aí que entra a segunda virtude: a perseverança.
Quem perseverar será salvo, diz a Sagrada Escritura. E Santa Teresa d'Ávila nos recorda: "A paciência tudo alcança", então, vamos confiar que Nosso Senhor quer estar conosco e se unir a nós muito mais do que nós queremos. Então, se nós não conseguimos nos unir a Ele e vemos com toda clareza que não é culpa nossa, persevere, seja humilde, continue firme e, sobretudo, saiba voltar ao início.
Quando você já está fazendo progressos na vida de meditação, já estava conseguindo vislumbrar lampejos da verdade divina e tinha consolações interiores e agora parece que voltou à estaca zero, parece que você nunca rezou na vida, seja humilde e volte para a oração vocal. Santa Teresinha do Menino Jesus, por exemplo, no seu "Manuscrito C", nos recorda com toda clareza quando ela vive momentos de aridez, vivia momentos de aridez, ela diz: "Veja, para mim é muito útil, muito útil mesmo, me ajuda muito rezar o Pai Nosso bem lentamente ou então a Ave Maria bem devagarinho e isso me alimenta muito mais, muito mais, do que tantas outras orações". Então, vejam, as distrações fazem parte do processo e quando elas se instalam numa espécie de aridez, aí nós precisamos de humildade e de perseverança.
Sobretudo, lembremos, o progresso na vida interior não é o progresso nos arroubos místicos, é um progresso no amor. Por isso, uma vida de oração necessita também que você tenha uma vida de apostolado, onde você se deixe devorar pelos irmãos e assim, coloque as suas paixões em ordem.