o verão em que consegui um emprego aqui foi o mesmo em que eu fiz 17 anos era um bom ano Helen disse o wf trabalhava no carrinho de cachorro quente e a gente costumava fumar escondido sobre as vigas do Dragon Slayer ficávamos ali encolhidos e rindo enquanto os carrinhos passavam por cima pingando água nas nossas cabeças mãos molhadas cigarros úmidos tudo dando errado mas era legal eu acho que ela gostava de se molhar a estação dela ficava próximo ao brinquedo por fim era sempre calmo e fresco mesmo no calor do verão se alguém Sentiu o
cheiro do nosso cigarro enquanto passava voando pelo brinquedo pelo menos nunca reclamava uma vez Enquanto estávamos ali trocando olhares e flertando eu beijei os dedos dela eles cheiravam a cinzeiro eu ainda penso nisso até hoje na época eu tinha 22 anos quando me ofereceram um trabalho no inverno Elen já tinha ido embora Fazia tempo nada mais de shorts vermelhos e pernas mal depil que ela me fazia tocar rindo só para mostrar como era ruim com a lâmina bom havia outras garotas mas na época do Último Verão eu já não me sentia confortável em sair com
novos contratados às vezes Ouvi as conversas deles e me sentia mais sozinho do que quando estava realmente sozinho foi nessa época que o gerente me chamou disse que tinha uma oportunidade para eu ganhar uma boa grana o cara que cuidava do Parque no inverno tinha desistido e eles precisavam de alguém urgente o último dia da temporada sempre caía no Halloween com um show de fogos de artifício depois disso o parque virava uma cidade fantasma eles me dariam um trailer para dormir e ajudariam um pouco com a gasolina não toda mas o suficiente o único problema
é que eu ficaria sozinho não era como se o parque fosse uma ilha deserta tinha duas cidades perto dali meus amigos poderiam aparecer Desde que não mexem nos brinquedos fora isso seria só eu segurança sem zela dura ao mesmo tempo bom eu aceitei mas avisei que quando o parque reabrisse em março eu estaria Fora estava na hora de seguir em frente talvez entrar na faculdade com os meus amigos ou pedir ajuda ao meu pai para arrumar o emprego o mundo estava aberto para mim eu só precisava aguentar o inverno sentado ganhar uma grana e partir
para uma nova aventura ontem fiz 38 anos e eu ainda estou trabalhando aqui agora é o governo que Acenda meu cheques não sei bem quando isso aconteceu Talvez depois da história da Denise Cry a garota que entrou no parque com os amigos e nunca saiu muitas crianças já tinham desaparecido aqui mas a Denise foi diferente só que um detalhe que faltou é que fui eu que encontrou Denise ela entrou rastejando de cabeça no astrom missile era um daqueles toboáguas que te faz subir e descer várias vezes kicando em um bote em Flávio normalmente esses brinquedos
são abertos mas o astr Mily tinha longos túneis fechados iluminado com leds que pareciam estrelas o problema era que dependendo do Peso algumas pessoas pegavam o impulso demais e batiam no teto dos túneis a quase 30 km/h às vezes a gente tinha que entrar lá para puxar dentes que ficavam presos no teto 15 anos depois a entrada daquele túnel parecia uma coisa saída de um pesadelo coberta de musgo a escuridão lá dentro era mais densa que a noite ao redor seco silencioso sem nenhum caminho visível para segurança Denise morreu de S os investigadores acham que
ela passou seis dias lá dentro seis dias rastejando no escuro absoluto tentando encontrar uma saída que nunca deveria estar a mais de 30 m de distância havia sinais de que algo estava errado com este lugar desde que ainda estava aberto e eu só não percebia É claro todo o parque temático ou Parque Aquático tem seus acidentes mas aqui tínhamos centenas de casos sérios todos os anos normalmente um por dia tentamos reduzir com medidas de segurança mas metade do tempo elas simplesmente não funcionavam os rádios davam interferência quando você tentava avisar de algum problema os reparadores
se perdiam no caminho licando Furiosos dizendo que a estrada simplesmente continuava para a direita para sempre os sinais sempre fora de serviço às vezes as crianças juravam que algum funcionário havia deixado elas entrarem em uma atração fechada elas falavam com tanta convicção que eu comecei a acreditar acho que o gerente também ele fez uma regra tínhamos que usar crachas o tempo todo se a criança dissesse que o funcionário não tinha crachá ele mandava todos esquecerem como se nem valesse a pena investigar quem precisava de uma bronca uma vez aconteceu comigo eu avisei pelo rádio o
cara que ficava no topo do tobo água para segurar as Crianças o último garoto que saiu estava sangrando pálido como o papel completamente mole eu queria checar ele antes que mais alguém descesse lembro de puxar aquele menino para fora da água e ele estava frio tão frio que segurá-lo doía me veio o pensamento Será que eu tô segurando alguém morto foi aí que outra criança veio disparada e bateu em mim com tanta força que eu fui parar debaixo da água por um segundo ou dois eu fiquei apavorado era como se não houvesse superfície só azul
azul para sempre antes que eu pudesse entrar em Pânico meus pés tocaram o fundo da piscina e eu subi de volta e o garoto ele estava ali em pé perfeitamente bem preocupado comigo perguntou se eu estava bem se desculpou por bater em mim quando saiu do tobo água e no fundo foi minha culpa mesmo eu não devia est ali parado o cara do Topo jurou de pé junto que nunca recebeu mensagem nenhuma coloquei tudo na conta da pancada na cabeça o dono do Parque ficou tão preocupado que mandou alguém me levar para o hospital mas
olhando para trás tenho quase certeza de que foi o parque brincando comigo só que as brincadeiras aqui são cruéis E com o tempo só pioraram apesar de tudo o primeiro inverno sozinho não foi tão ruim quanto você possa imaginar era assustador andar por ali com todos os brinquedos vazios as lonas cobrindo As Piscinas grandes e pequenas balançando suavemente no vento gelado durante o dia o céu cinza deixava o ar com um tom meio azulado deprimente mas suportável a noite era pior as coisas sumiam se moviam e desapareciam uma vez um brinquedo ligou sozinho às 3
hor da manhã acordei com a música fraca e Cuando pelo parque todo mas tirando isso o inverno passou sem grandes incidentes O problema foi quando o parque reabriu no primeiro dia eu fui ver o gerente e acabei Escorregando na Poa d'água quebrei o braço esquerdo e machuquei feio as costas o dono ficou tão apavorado com a ideia de ser processado que me encheu de dinheiro pagou minhas contas médicas me colocou de volta no trailer e me pagou para não fazer nada eu não tinha escolha tinha conseguido um emprego em um canteiro de obras para dali
algumas semanas mas com aqueles ferimentos Sem chance eu precisava de dinheiro então eu aceitei só até me sentir melhor só que eu nunca fi Fi melhor o inverno chegou de novo e o dono me ofereceu o mesmo acordo ficar no parque por mais alguns meses e eu aceitei Pensei que não seria tão ruim quanto na primeira vez mas eu estava completamente errado a segunda vez foi muito pior parte disso era por minha causa com 23 anos as costas destruídas bebendo quase todas as noites e abusando dos remédios para a dor passava os dias me sentindo
Assombrado como se a fase boa da minha vida tivesse acabado poucos amigos aceitavam o convite para passar uns dias comigo e os que vinham não ficavam muito tempo eu não sei se era Porque estávamos nos afastando naturalmente Ou se era porque o parque estava agindo sobre eles Dave ele veio com a namorada dele para passar Algumas Noites ela reclamou o tempo todo detestava dormindo o trailer enquanto eu ficava na barraca do lado de fora mas na verdade ela odiava o parque dizia que se sentia observado o tempo inteiro a viagem acabou de repente quando a
encontramos gritando certa manhã ela estava apontando para um dos toboáguas dizendo que alguma coisa tinha saído dele e estava na piscina nadando Mas quando olhamos não tinha nada lá ela no entanto tinha uma mordida no tornozelo uma marca estranha Dave olhou aquilo e ficou apavorado Eles foram embora as pressas eu nunca descobri o que realmente aconteceu com ela mas se ela não gostava do Parque bem eu acho que o parque também não gostava dela nãoc eu estivesse muito mais seguro acabei me cortando direto até fazendo os trabalhos mais básicos as coisas que brava o tempo
todo mesmo que estivessem funcionando perfeitamente por anos mas nada se comparou à noite em que eu entrei no meu trailer e encontrei um gambá afogado em cima da mesinha da cozinha o pobre bicho estava encharcado em Água de cloro que pingava no chão formando uma poça o mais estranho não havia nenhum sinal de como ele tinha entrado ou saído dali era como se tivesse simplesmente Aparecido do nada o cheiro porém era impossível de ignorar aquilo estava morto há dias com o estômago revirado peguei um par de pinças Enfiei o gamar em um saco de lixo
e joguei tudo no primeiro lixão que encontrei mas não adiantou o cheiro impregnado no trailer me fazia querer vomitar Então eu peguei minha barraca e fui dormir fora armei ela o Mais longe possível daquele fedor e o mais perto suficiente para que eu pudesse me sentir seguro só que enquanto eu montava a barraca uma sensação terrível começou a rastejar por mim como se alguém estivesse me observando quando finalmente entrei era meia-noite e eu estava exausto só queria dormir ir e v a noite fria dar lugar ao amanhecer não durou nemum hora fui acordado pelo som
da porta do trailer batendo com o vento merda resmunguei saindo da barraca de cueca os braços cruzados no peito para me proteger do frio culpa minha pensei deixei a porta aberta fechei rápido e voltei para a barraca mas parece com no caminho o zíper estava fechado eu não tinha deixado daquele jeito minha mente se dividiu uma parte dizia você só esqueceu relaxa e a outra gritava tem algo ou alguém lá dentro uma armadilha meu instinto era pegar o carro e dirigir até o sol nascer mas eu tinha bebido Sabia que não devia minha parte mais
ética tentou me convencer o mundo não é um pesadelo às vezes ele parece um mas não é real vai lá olha e você vai ver que é só a sua imaginação e você vai rir disso Depois ainda assim cada passo em direção à barraca era uma batalha com a lanterna na mão apontei para o tecido esperando ver alguma coisa qualquer coisa quando finalmente toquei o zíper as minhas mãos tremiam tanto que parecia que iam soltar a lanterna mas antes que eu pudesse pensar em parar já estava abrindo a barraca nada vazio respirei fundo entrei rápido
fechei Tudo de Volta e tentei dormir mas o sono não durou meia hora depois uma mão pressionou contra a parede da barraca eu comecei a gritar o jeito que aquilo veio a Palma aberta os dedos longos quase afiados forçando o tecido ao limite o detalhe mais perturbador a Palma era pequena do tamanho de uma bola de golf mas os dedos os dedos tinham um comprimento de de umas canetas ou maior se eu pudesse dizer só de lembrar a minha pele arrepia foi como olhar para uma aranha gigante um misto de nojo e terror puro eu
me encolhi dentro da barraca puxando o tecido por cima de mim como se aquilo pudesse me proteger me embrulhei no nylon apertando os olhos e tentando ignorar o som de algo se aproximando era inútil mas aquele momento era tudo que eu podia fazer o silêncio voltou e o pior pensamento me atingiu Seja lá o que fosse estava esperando por mim rindo da minha cara observando pacientemente reunindo um pouco de coragem que me restava rastejei para fora não havia ninguém ali apenas um par de pegadas molhadas indo direção à piscina mais próxima olhei para a lona
que cobria a água considerei puxá-la e ver o que estava ali embaixo Mas eu estava apavorado demais então eu corri para o trailer travei a porta e barricade tudo com qualquer coisa que não estivesse presa no chão aquele cheiro de carne podre ainda estava lá mas naquele momento eu preferia isso do que estar lá fora quando acordei a luz do dia me trouxo uma sensação de alívio parecia que tudo não tinha passado de um pesadelo a partir daquela noite eu trancava a porta do TRE com todo o cuidado do mundo nunca mais dormi naquela barraca
nunca mais encontrei gambás mortos Mas comecei a notar arranhões e amassados na porta do trailer coisas pequenas como se algum animal curioso estivesse tentando testar o terreno mas aquilo não parou por ali poucos dias depois algo me trancou no banheiro masculino no lado leste do Parque fui lá porque uma das torneiras estava aberta assim que a fechei a porta bateu com tudo e o trinco não abria tive que tentar arrumar a porta não é tão fácil quanto parece Na primeiraa tentativa Quase quebrei o tornozelo na segunda doeu tanto que eu precisei parar e respirar fundo
tentando ignorar a dor por um tempo eu fiquei ali andando em círculos e parando para ouvir qualquer sinal de alguém andando do lado de fora alguém que eu pudesse gritar alguém para que eu pudesse culpar só para não deixar o medo tomar conta de mim Porém nada eu Devi Uma hora até a pura adrenalina me fazer dar tudo que eu tinha então então o trinco Finalmente cedeu eu saí dali vermelho de raiva ofegante só que eu encontrei o parque silencioso como um cemitério as lonas da piscina balançavam suavemente o convento o lugar inteiro parecia me
encarar como se ele estivesse me observando ou melhor me esperando eu aprendi algumas lições importantes naquele inverno se você sente que está sendo observado ou que está entrando numa situação planejada por alguém é porque entee está quando o parque reabriu eu não pensei duas vezes saí fora eu Finalmente consegui aquele trabalho numa obra mas não durou nem três semanas minha coluna piorou e eu passei o resto do verão Jogado no sofá do meu pai bebendo e assistindo TV durante o dia lá para Agosto o gerente me ligou a voz dele estava pesada meio que desgastada
disse que tinha sido um verão terrível além disso a polícia Estava fuçando o local o tempo inteiro por causa de uma criança desaparecida os acidentes eles haviam dobrado ele passou o dia inteiro no tribunal ouvindo os pais de um garoto que nunca mais iria andar ou se alimentar sozinho depois de bater a cabeça numa das atrações ele parecia destruído não era o melhor chefe do mundo mas também não era nenhum Mr burns o cara ele só estava afundando Até o fundo do poço parte do acordo judicial obrigava o parque a manter funcionários lá 24 horas
por dia e ele precisava de alguém experiente alguém que conhecesse o trabalho e era eu ou um salva-vida de 17 anos que se interessou pela vaga a ideia de deixar um garoto lá sozinho bem não me deixou em paz pelo que eu conheço aquele parque e que Deus me perdoe mas eu aceitei e dessa vez eu voltei com uma arma e confiei nos meus instintos não demorou muito para chegar no parque as coisas estranhas começarem a acontecer eu passei por um vestiário e euv o chuveiro ligado bom eu deixava ele lá uma hora depois Ele
parava sozinho tinha também luzes acesas na sala dos funcionários Elas ficavam acesas até o amanhecer vasos dando descarg sozinho pegadas molhadas portas abertas eu aprendi a Ignorar as pequenas coisas e na maioria das vezes elas simplesmente desapareciam por conta própria com o tempo eu comecei até rir delas um telefone tocando em algum lugar das profundezas de um assapão de manutenção truques baratos eu pensei naquele lugar não ia me enganar acreditei que tinha visto de tudo que o parque não tinha mais nada para me mostrar e então o parque devorou um Andarilho ou algo fez de
qualquer forma aconteceu bem na minha frente encontrei o cara dormindo no dos banheiros de tijolos e concreto a gente mantm aqueles lugares aquecidos no inverno para evitar que os canos estourem então eu entendo Eles são um abrigo decente mas o Velho era um mala irritado e agressivo me xingou de tudo quanto é nome enquanto dizia para que ele desceu fora dali só que ao invés de ir até a saída principal ele foi direto para as colinas próximas naquela parte do Parque não existia cerca naquele local só Campos abertos que se transformavam em uma floresta densa
o plano do sujeito era simplesmente desaparecer no meio do nada no auge do inverno olhei para os sapatos dele e vi os calcanhares expostos e algo me fez congelar eu não podia deixar o cara fazer aquilo A previsão era de Neve pesada naquela noite provavelmente ele não ir ia sobreviver Ei eu disse diminuindo o passo olha cara é tarde eu tenho certeza de que as palavras morreram na minha garganta quando ele se virou para me encarar ele parecia exausto irritado do tipo que jamais agradeceria pela caridade de um estranho mas eu sabia que tinha que
tentar o silêncio entre nós ficou pesado a única coisa que se ouvia era o barulho da Luna da piscina ao lado tremulando com o vento e então ele escorregou seus pés foram pro lado e o corpo girou em torno do próprio eo o próximo ponto de contato com o chão foi a cabeça o som que fez meu Deus era um ruído percurso quase que musical algo que não deveria existir não quando o instrumento é um crânio humano o sangue espirrou no piso de ladrilhos e a imagem me lembrou das vezes em que ia jogar paintball
com os amigos olhei para o chão paralisado e vi até alguns dentes soltos Foi estranho por alguns segundos tudo se transformou em um tipo de ruído branco o meu corpo ficou preso no lugar enraizado pelo medo a minha mente foi inundada por pensamentos ele está morto alo o pegou aquele sangue estava dentro dele eu também tenho sangue dentro de mim será que meu sangue se parece com o dele os pensamentos giravam como Faísca saindo de um fio elétrico solto e eu não conseguia me desvencilhar deles meus ouv zumbiam abafando tudo exceto som baixo de algo
sendo arrastado pelo chão o cara não tinha ido tão longe ele voou uns 2 m e caiu bem na beirada da piscina as pernas estavam submersas escondidas atrás da Luna e só a parte superior do corpo ainda estava em terra firme a cabeça era um estrago sangue e cabelo emaranhado mas por um momento ele me olhou só por um segundo segundo suficiente para eu perceber que ainda estava vivo então com um suave barulho ele escorregou de volta pra água aquela cena de que ele ainda poderia estar vivo me fez entrar em Ação eu corri até
o painel de controle e apertei o botão que faria a capa da piscina se retrair a máquina rugiu enquanto Puxava a pesada lona azul da água esperar pelo processo foi como uma eternidade quando finalmente parou eu olhei para a piscina nada nenhum corpo nenhum sangue nem mesmo ondulação a água estava assustadoramente Clara uma tontura nauseante me atingiu e eu precisei me forçar a olhar para a sacola plástica onde o homem havia deixado só para ter certeza de que eu não tinha inventado tudo mas não havia nada lá também só algumas folhas de otono flutuando na
superfície e era só isso E então aconteceu eu não sei explicar direito foi como se a minha percepção tivesse se dividido como aquelas ilusões óticas onde algo pode ser duas coisas ao mesmo tempo sem tirar os olhos da água a piscina à minha frente se tornou todo e qualquer corpo de água profundo que eu já tinha visto todos de uma única vez eu podia ver a superfície tranquila de um oceano calmo sentir o peso da água turva de um lago ao meu redor saborear o sal do ar do mar o cheiro de água estagnada invadiu
os meus sentidos E então algo se moveu algo grande era como estar diante do Grand Canon pela primeira vez aquela sensação de que a terra escapa debaixo dos seus pés o que quer que estivesse naquela piscina era gigantesco e estava vindo em minha direção eu não tenho vergonha de dizer que nesse momento eu mei nas calças um oceano cheio de estrelas estava ali embaixo e o que nadava lá possuí um corpo tão grande que cobria Nebulosas inteiras a Vertigem me tomou Eu dei um passo para trás mas me pé escorregou no sangue tudo ficou escuro
eu acordei algumas horas depois gritando o dia seguinte chegou e eu tive que limpar tudo a capa da piscina teve que ser recolocada mas a máquina só funcionava em uma direção então eu tive que fazer isso manualmente com bastão de piscina eu me senti nauseado só de ficar perto dela cada vez que chegava perto a tontura retornava aquela sensação de que algo estava se escondendo sobre a superfície não passava quando Finalmente consegui olhar a piscina estava do mesmo jeito de sempre nenhuma ondulação estranha nenhum sangue nenhum sinal do que tinha acontecido mas a sensação aquele
sentimento de dentes como placas tectônicas se movendo nunca saiu de mim quando o Verão Chegou de novo eu vi as crianças brincando na piscina se espirrando e rindo eu tive que correr para vomitar em um arbusto a ideia de que elas estavam compartilhando aquele espaço com aquilo o que quer que fosse Jesus era demais para mim depois disso era como se eu tivesse me Tornado parte do parque é estranho mas foi assim que me senti o gerente ele não teve que me Implorar para ficar por um quarto inverno ou por um quinto ou até mesmo
por Um cesto o mundo lá fora começou a parecer irreal jantar com meu pai enquanto ele me dava conselhos sobre o futuro beber uma cerveja com um velho amigo que estava de passagem eu me senti como se tivesse viajado para o espaço visto que o mundo era plano e agora eu tinha que voltar e fingir que ainda me importava com as pequenas coisas se meu refrigerante era diet ou não esse tipo de besteira não muito depois disso o parque teve Seu Último Verão tudo aquilo já tinha ido longe demais o governo estava pressionando para fechá-lo
por causa dos acidentes o gerente estava na delegacia quase todos os dias quatro crianças desapareceram só naquele ano eu encontrei uma delas dobrada dentro de um filtro da piscina mas eu não denunciei eu não queria atenção quantas outras crianças eu não faço ideia disseram-me que eu seria pago por mais um mês o ou algo assim até que a equipe de demolição chegasse para derrubar tudo mas a equipe ela nunca apareceu era só eu o parque e minhas costas que pareciam ficar piores a cada inverno eu já não faço Patrulhas à noite pouco a pouco o
parque Tem se tornado algo que não me é mais familiar a grama cresce entre os velhos azulejos a água da piscina da cor de grama cortada e óleo de motor mesmo de dia é possível ver algo se movendo por lá e o cheiro de cloro não preenche mais o ar agora é o fedor pesado de algas podres e água morta os meus sonhos Eles já são ruins o suficiente me afogando na escuridão algo enorme se aproximando eu já acordei mais de uma vez e vomitei água salgada eu não consigo pensar no que tudo isso significa
porque simplesmente eu não quero saber a última vez que entrei no parque depois do anoitecer quase foi a minha pior experiência perto da Morte Tenho pensado em sair desde então mas me preocupo que não haja mais nada lá fora para mim nesse estágio e também sinto uma certa culpa por não ter salvado Todas aquelas crianças com as câmeras exploradores urbanos Eles se chamam e eu digo crianças mas eram realmente estudantes universitários gravando vídeos para algo chamado como tiktok enfim eles estavam preparados eles queriam explorar o parque e até fazer perguntas para mim no fundo aquilo
era só uma maneira de me investigar eu não sabia que eles me observavam o dia todo quando perceberam que eu estava dormindo ou bêbado conseguir estacionar aan o mais perto da cerca possível subir no topo e pular para dentro eu já assisti as filmagens uma 100 vezes banheiros quebrados cobertos de grafite janelas quebradas e vidro espalhado pelo chão velhas piscinas com água estagnada coberta de lama espessa e fétida dá para ouvir a alegria na voz deles esse tipo de decadência Urbana era o prato deles e eles eram bons nisso também eles ficaram quietos Não fizeram
nenhum barulho não gritaram e nem quebraram nada eles apenas filmaram só quando decidiram tentar Remar até o castelo que as coisas tomaram um rumo diferente eu eu cheguei tarde demais o que me tirou da cama foi um grito talvez vários estava meio Turvo eu acordei por volta das 3 da manhã ainda um pouco bêbado com a cabeça cheia de uma lembrança vaga de um sonho de um mundo oco cheio de água assim que vi Avan percebi que alguém tinha entrado no parque e não estava apenas sonhando com sons de água e isso de pânico mas
quando eu saí do meu trailer já estava tudo silencioso eu realmente não queria procurar a noite não ia lá depois do escuro alguns anos e as coisas só pioraram só que algo foi ativado dentro de mim um tipo de contador espiritual Eu acho que eu gosto de chamar assim bom é um sistema de alerta primordial intenso que fazia as sombras ao meu redor parecerem infinitamente Profundas mais do que isso eu me sentia como se tivesse em outro lugar eu sei parece idiota mas eu realmente senti que não estava mais no mesmo planeta eu não sei
essa parte pode ser só coisa da minha cabeça mas foi assim que eu me senti naquela noite eu já tinha me empurrado Mais longe possível quando eu vi um bater oco e rítmico vinha de uma das maiores Piscinas do Parque uma piscina rasa amigável para as crianças que chamávamos de castelo porque tinha um enorme parquinho no meio uma espécie de anhado de plataformas barras de escalada e tobogãs que as crianças adoravam segui o som e viu um monte de mochilas e até uma câmera grande na beira da piscina e ali a poucos metros um pequeno
barco de remo droga os idiotas trouxeram isso com eles provavelmente pensaram que estavam sendo espertos evitando Água Abaixo pelo menos amarraram um barco então foi fácil puxá-lo de volta dei uma olhada rápida estremecendo só de pensar em atravessar aquela água amaldiçoada em algo tão frágil estava presto a deixar tudo para amanhã quando eu vi um pequeno som algo tinha saído da água o meu coração despencou enquanto eu acendi a lanterna na direção do som da água pingando Foi aí que eu vi uma figura magra trêmula subindo nos primeiros degraus do Castelo estava cinza doente e
quando eu olhei melhor percebi que era uma garota devia ter a idade da faculdade com cabelo bagunçado e uma roupa que poderia ter sido colorida antes que ela pudesse ter entrado na água mas agora estava apenas com a cor cinza e mgo à primeira vista ela quase não parecia humana parecia mais como um animal Faminto atordoada e tremendo eu gritei com ela mas era como se ela não pudesse me ouvir ela se arrastou até uma plataforma seca e se encolheu no canto mais distante com os joelhos abraçados no peito e os olhos arregalados com aquele
olhar distante como se visse algo muito longe mas nunca voltaria e algo estava naquela água subia até perto da superfície empurrando pequenos Galhos e fazendo a grossa crosta de algas se levantar mas nunca estourar pelo que parecia estava circulando ao redor do castelo em algumas partes onde as algas eram menos densas eu pode ver o brilho de escamas descoloridas do tamanho da minha mão cobrindo um tronco meio grosso Às vezes as coisas pareciam se chocar contra o castelo como se soubesse que a garota estava ali perto mas não soubesse como alcançá-la cada vez aquilo tremia
ela se contorcia ainda mais mas não mostrava sinais de voltar ao normal eu estaria mentindo se dissesse que não pensei em deixá-la ali até o amanhecer ela estava imóvel e por um segundo eu me convenci que talvez ficar assim até o dia clarear seria melhor então eu só pegaria ela com quando o sol nascesse mas a ideia logo me pareceu cruel ela não estava segura e parada na beira da água olhando para ela naquele velho pedaço de plástico sustentado por parafusos enferrujados Eu também não sentia que ela estava eu precisava fazer alguma coisa mas e
se aquilo desabasse e se algo saísse da água algo já tocou a minha barraca anos atrás que poderia garantir que isso não vá se repetir no final eu tomei uma decisão não sei o que foi Talvez os sons que ela fazia ou o simples fato de que ela esteve ali dentro Deus sabe o que viu ela precisava de ajuda e eu era a única pessoa que podia oferecer assim que algo dentro de mim clicou agi antes que o medo bagunças aem minha cabeça peguei a corda e comecei a puxar o barco eu meio que esperava
que algo emergisse como um tubarão faminto para devorar o barco inteiro mas o que quer que estivesse circulando o castelo se escondeu Nas Profundezas de alguma forma isso foi ainda pior eu fiquei vasculhando a água obsessivamente buscando o sinal até que Finalmente criei coragem para entrar no barco eu subi um pé de cada vez desajeitado quase perdendo o equilíbrio quando tudo balançou minha respiração engasgou mas me sentei e comecei a Remar enquanto os remos cortavam a água a minha mente parecia dividida uma parte de mim me observava de cima perguntando o que diabos estava acontecendo
Outra parte fixava a água esperando por sinais de vida enquanto uma terceira me monitorava calculando o momento exato em que adrenalina e o medo me fariam desabar a cada movimento dos remos esperava ver algo surgir atrás de mim foi quando percebi que se fosse grande o suficiente aquilo poderia simplesmente virar o barco mas era tarde demais para voltar vi a água se erguer à distância não quebrou a superfície mas enviou ondas que balançaram o barco como se eu estivesse flutuando em um pedaço de madeira quando a ondulação apareceu de novo do outro lado eu tomei
a terrível decisão de parar de remar e olhar não havia fundo visível na piscina mas aquilo estava perto grande o suficiente para que eu pudesse enxergar barbatanas Azul Aço cortavam Água ao meu redor eu não sabia o que era um peixe um povo algo totalmente diferente de qualquer forma eu tinha certeza de que havia uma boca em algum lugar naquela escuridão o barco tremeu levemente nada que me derrubasse mas o suficiente para me mostrar que aquilo estava interessado em mim eu precisava me mover agarrando os remos e que ignorei qualquer cautela e joguei toda a
força que tinha para sair dali o mais rápido possível quando eu alcancei os degraus onde a garota havia subido puxei o barco e amarrei com a corda e pulei para o primeiro degrau a água era gelada e escorregadia contra os meus tornozelos a garota se sobressaltou com o meu toque mas não gritou eu disse que ficaria tudo bem tentando S ar reconfortante mesmo que minha voz tremesse tanto quanto as minhas mãos quando ela finalmente se virou e me olhou eu percebi que ela não estava olhando para mim ela encarava algo atrás de mim fixamente antes
que eu pudesse me virar ela começou a gritar eu também quis gritar eu nunca tinha visto nada como aquilo uma cabeça de algas um Rosso semelhante a uma Vieira a criatura nos observava casualmente com um olhar que não era predatório mas terrivelmente infantil como de uma criança prestes a arrancar as pernas de uma aranha a minha pele arrepia só de lembrar aquele momento pareceu tender por horas até que finalmente a criatura tomou uma decisão e desapareceu Nas Profundezas Eu arrastei a garota para o barco ela lutou se debatendo eu não posso culpá-la da última vez
em que esteve ali ela quase morreu mas não havia escolha ficar significava morrer fugir era tudo que podíamos tentar mal havíamos nos afastado quando o barco foi lançado pro Ar com uma força que parecia impossível ficamos por um segundo em que tá livre a garota gritando e a água explodindo ao nosso redor como uma tempestade quando o barco finalmente tocou o chão bateu contra a terra firme deslizando com o impacto que fez o ar escapar dos meus pulmões meu estômago afundou como diabos íamos sair dali então o castelo inteiro começou a tremer o chão de
plástico rangeu sobre nós e as barras de apoio instalaram como gravetos presses a quebrar a garota estava perto da isteria eu não estava muito melhor Peguei sua mão e puxei procurando o lugar mais alto enquanto a estrutura cedia sobre nossos pés Subimos em direção ao telhado da torre mais alta e a única coisa que ainda parecia segura era lá as barras eram escorregadias e Traiçoeiras em um momento eu perdi o equilíbrio e caí para trás batendo o queixo olhei para cima e vi a garota subindo sem olhar para mim por um segundo eu quase desisti
mas então eu ouvi o som a água Negra subindo engolindo tudo abaixo a ideia de afundar naquela sujeira fez algo se acender dentro de mim subi os últimos degraus me equilibrando no topo da Torre não era alto mas era tudo que tínhamos a água burbula se aproximando rápido demais quando o castelo finalmente começou a se despedaçar flutuamos com os destroços nosso pedaço de plástico afundou por um momento até que milagrosamente voltou a subir era quase um barco a garota ela não hesitou remamos desesperados em direção à Borda mais próxima e finalmente o plástico bateu contra
a parede de azulejos nos arrastamos para a terra firme ela caiu de costas chorando eu rastejei mais alguns metros antes de desabar sentindo o chão sólido sobre mim como uma benção eu comecei a rir chorar ao mesmo tempo eu não sei por quanto tempo eu fiquei assim a garota só chorava primeiro um gemido fraco depois soluços E então um grito um grito de dor Tão Profundo que fez a minha própria alegria achar quando finalmente me sentei vi que ela estava ereta olhando pra água algo estava subindo não era predatório não parecia maligno mas nos observava
calmamente enquanto devorava o corpo de um homem ou pelo menos o que um dia foi um homem que não gritou Só olhou para nós como quem pede ajuda ajuda que não podemos dar o que quer que aquilo fosse parecia vagarosamente satisfeito como uma estrela dormar se alimentando em algum ponto a garota desmaiou não muito depois eu também quando acordei o mundo já parecia outro parado no mesmo parque com a sirenes ao fundo e os paramédicos cuidando da garota a cena parecia uma ilusão a única coisa que ela conseguiu dizer repetidamente foi as estrelas sabe eu
penso muito naqu aquele dia penso em como eu mudei desde que olhei para a água e vi o abismo abaixo Mas aquela garota ela esteve dentro dele nadou em Águas que não t superfície eu não sei como ela voltou mas sei que ela não voltou inteira bom desde então eu não sou o mesmo a pessoa que eu era morreu naquela água aquele dia tirou algo de mim algo que talvez eu nunca recupere eu olho para os números nos meus contra-cheques e penso e se eu tentasse ir embora eles me deixariam porque tudo já foi não
o ontem se foi o passado é só uma Alucinação compartilhada só o presente é real bom eu preciso sair daqui antes que perca o que me resta há um abismo e ele não flui pelo tempo como nós ele está lá cheio de deuses esquecidos como carpas em um lago Quanto mais eu penso nisso mais eu sinto o parque se afundando comigo cada sonho Cada noite estou mais perto de cair em água sem cima e sem baixo e que nunca acabam nos meus pesadelos eu estou me afogando no vômito ácido de uma criatura que me engoliu
inteiro bom isso tá ficando difícil e eu estou começando realmente a ficar com medo de que uma hora eu simplesmente esqueça de como acordar o mundo é uma caixinha de surpresa e no fundo acho que a gente não deveria ver o que não é para se mostrar isso tá me torturando até a morte