Muito bem no vídeo de hoje nós vamos falar um pouquinho sobre os capítulos 15 a 28 aqui de crônica da casa assassinada que é um romance do Lúcio Cardoso que nós estamos lendo coletivamente lembrando sempre que nesse tipo de vídeo eh eu acabo revelando alguns detalhes da história que talvez não seja interessante que você aí que não está lendo o romance Saiba por enquanto pelo Menos se você aí liga para spoiler é e eu geralmente sou uma pessoa que eu sou contra essa noção de spoiler né Eu acho que você saber de algumas coisas da
trama não necessariamente vai acabar estragando e a sua experiência de leitura mas no caso aqui de crônica da casa assassinada eu acho que quanto menos você souber Antes de ler mais interessante se tornará a sua experiência não sei pode ser que seja apenas é uma impressão equivocada minha Então veja só no vídeo de hoje eu vou começar falando a partir do capítulo 15 até o 28 ou seja nós já estamos aí um pouco adiantados na leitura então se você ainda não está nesse ponto da narrativa eu sugiro que você ou pule esse vídeo por enquanto
ou então assista ao primeiro vídeo dedicado aqui a esse a esse romance Além do mais fica aqui a sugestão para que você assista aos meus outros vídeos falando sobre obras do Lúcio Cardoso uma vez que esse projeto De leitura conjunta vem ah em uma sequência de discussões que eu venho levantado sobre e as obras menos conhecidas aqui desse autor então acredito eu que se você aí quer saber um pouco da minha opinião sobre o Lúcio Cardoso mas ainda não tá lendo aqui o crônica da casa assassinada Talvez seja interessante você assistir a esses meus outros
vídeos Mas enfim feito esse pequeno aviso Eh vamos finalmente ao romance né Acredito eu que o vídeo de Hoje será um pouco menor até porque hoje eu não vou precisar fazer toda aquela introdução para poder localizar aqui o crônica da casa assassinada dentro da obra maior do Lúcio Cardoso né então como eu já fiz isso no vídeo passado Acredito eu que hoje eh a nossa conversa será um pouco mais breve do que a anterior ainda que isso não signifique que o vídeo será curto mas enfim eh todo aquele clima de opressão todo aquele clima de
mistério ã com o qual nós Havíamos entrado em contato na primeira parte dessa leitura se adensou ainda mais nesse trecho que nós lemos para esse vídeo de hoje principalmente porque pelo menos no meu caso novas perguntas foram se acumulando ao longo dessa minha leitura conforme alguns Capítulos aqui acabaram eh dando outras versões para fatos que já haviam sido mencionados em capítulos anteriores e talvez o melhor exemplo disso seja o momento em que a Ana acaba levantando a possibilidade de Que a Nina tenha jogado o revólver no quintal que é algo que já havia sido mencionado
pela própria Nina em um capítulo anterior Mas enfim então a Ana Levanta a possibilidade de que a Nina fez isso não para tentar impedir que o Valdo tentasse cometer suicídio mais uma vez mas sim porque a Nina segundo a leitura da Ana teria visto Alberto que é o jardineiro com quem supostamente Nina teve algum tipo de envolvimento e amoroso ou sexual Enfim então segundo a Ana Nina teria visto o Alberto ali e espreitando pela janela e daí ela pegou e jogou a arma no quintal justamente para que esse rapaz pegasse essa arma e ele cometesse
suicídio Ou seja a Ana acusa a Nina de ter jogado aquela arma no quintal de caso pensado mas aí é aquela coisa né tanto na primeira versão dada pela própria Nina quanto nesta versão nova oferecida pela Ana nós temos pontos de vista muito delimitados quando a gente Pensa em como essas personagens se relacionam uma com a outra dentro dessa estrutura narrativa né Eh não existe aqui uma perspectiva Imparcial sobre esse mesmo fato uma vez que a Ana principalmente nessa parte que nós lemos agora deixa cada vez mais Evidente a sua antipatia Pela nina Então faz
todo sentido uma vez que ela não simpatiza com Nina que ela atribua a ela os piores eh as piores atitudes pensadas né tanto é assim pensando nessa antipatia de uma Pela outra que a Ana decide não fazer nada mesmo vendo o jardineiro pegar a arma e sabendo que Muito provavelmente ele tentaria se matar utilizando aquela mesma arma né Eh e a Ana não faz nada não porque ela não goste do do Jardineiro ou não porque ela quisesse que ele e atentasse contra a própria vida muito pelo contrário fica bem Evidente aqui que a Ana está
assim loucamente apaixonada pelo Alberto né então ela não faz nada não por esses Motivos não porque ela tem algo contra o rapaz mas sim porque ela quer ter algo para incriminar a Nina caso uma nova tragédia acontecesse então era como se ela dissesse ó tá vendo desde que você chegou aqui várias pessoas tentaram se matar tá uma coisa horrível é melhor você ir embora né E aí Acontece aquilo que já tinha sido mencionado antes né No finalzinho da parte que nós lemos para o vídeo anterior o Alberto ele pega aquela arma e ele acaba de
fato se matando Porque a Nina não correspondia às suas investidas pelo menos Teoricamente uma vez que depois em um capítulo mais adiante que é novamente narrado pela Ana se não me engano a terceira confissão da Ana eh naquele Capítulo a protagonista acaba confessando que de fato havia se relacionado com esse jardineiro e diga-se de passagem nessa terceira confissão de Ana e a Nina que é quem acaba se confessando também nesse Capítulo aparece como uma mulher extremamente sem escrúpulos sádica e manipuladora que não só confessa que está sim se relacionando com o filho que é algo
que a própria Nina sempre negou em outros capítulos né Eh como também admite ter tido um caso com o jardineiro coisa que ela também negava antes só para poder ferir o orgulho da Ana que claramente também tinha interesse no rapaz então eh a Nina ela confessa tudo isso não porque ela está arrependida Daquilo que ela fez ou daquilo que ela está fazendo quando a gente pensa nessa relação dela com o filho mas sim porque a Nina quer machucar a Ana De algum modo ao dar detalhes sobre esses encontros que ela poderia ter tido com o
o jardineiro Então veja tudo isso acontece por como eu já disse eh no vídeo anterior nós acompanhamos aqui ã tudo isso eu digo assim toda essa essa essa incerteza né que vai crescendo ao longo do romance ã ela acontece porque Como eu disse antes nós acompanhamos aqui uma história que é composta por vários eventos que surgem de modo atomizado Então a gente tem que ir mesmo ali eh juntando as peças desse quebra-cabeça pro proposto pelo autor e isso faz com que a voz de um personagem acabe desconstruindo de maneira intencional ou não aquilo que foi
dito pelos outros personagens já que nem sempre esses pontos de vista concordam entre si nem sempre esses pontos de Vista coincidem em alguns aspectos portanto fica sempre a dúvida pensando na relação entre essas duas mulheres né Será que a Nina é manipuladora ou será que é a Ana quem está nos manipulando parêntese não sei se você tá ouvindo mas as crianças aqui do condomínio começaram a jogar bola no campo aqui embaixo então pode ser que você escute aí um grito de celebração ou coisa do tipo mas enfim e eu fiquei me perguntando muito isso sobre
quem que estava sendo a pessoa Manipuladora nessa história toda Porque existe sempre nessa narrativa uma tendência em se descrever a Gina como a vilã e eu atribuo essa tendência ao fato de que grande parte desse texto é narrado por pessoas que comungam daquela mentalidade conservadora da família Meneses e como a Nina se opõe diretamente frontalmente a esse mesmo conservadorismo é muito fácil olhar para ela como se ela fosse um monstro por ser essa pessoa desviante Muito embora eu acho particularmente que a Ana com tudo isso que ela reprime e ela própria admite Em alguns momentos
que ela reprime várias coisas e a Ana Com todas essas repressões que ela se impõe acaba sendo muito mais perigosa do que a Nina eu acho que a gente tem que tomar muito mais cuidado com a Ana do que com a Nina porque a Nina todo mundo sabe muito bem o jeito que ela é agora a Ana pelo menos para mim ela permanece ali ali nesse terreno do Mistério né O Que também não significa que a Nina seja um poço injustiçado de Pureza e de bondade já que como ficou bem claro sobretudo nos diários de
André ã A nina está mantendo relações sexuais com o próprio filho então assim ela também eh faz por onde ter essa essa reputação Não tão ilibada assim e ainda pensando nessas vozes que põe a narrativa no vídeo passado eu falei para vocês que um dos defeitos aqui de crônica da casa assassinada é o fato de Todas essas vozes se parecerem né Muito embora logo em seguida assim que eu falei sobre esse defeito eu também já fiz uma defesa desse estilo uniforme pensando nessas vozes como ecos de uma única voz E aí é que vem a
questão né que alguém eu não me lembro se foi no Instagram se foi no Twitter que a pessoa me me mandou alguma mensagem mas alguém falou Nicolas a gente pode considerar esse um romance polifônico considerando que aqui há Apenas uma única voz ã que Se estabelece ao longo de todo o texto Sem muitas variações ou na verdade sem nenhuma variação né E aí e eu fiquei pensando bastante sobre isso e para poder responder a essa questão eu voltei aqui nesse texto chamado problemas da poética de dostoyevski que é enfim um texto célebre ã do baktin
e É nesse nesse nesse livro aqui que é um livro que se dedica a analisar a obra do fodor dostoyevski É nesse texto que o baktin Propõe a noção de romance polifônico E aí na página 208 dessa Minha edição o btim escreve o seguinte essa isso que eu vou ler tá logo no começo de um capítulo chamado o discurso em dostoyevski E aí é dito o seguinte página 208 então do ponto de vista da linguística pura entre o uso monológico e polifônico do discurso na literatura de ficção não se devem ver quaisquer diferenças realmente essenciais
por Exemplo no romance polifônico de dostoyevski há bem menos diferenciação linguística ou seja diversos estilos de linguagem dialetos territoriais e sociais jargões profissionais etc do que em muitos escritores de obras centradas no monólogo como tolstoy por exemplo pode inclusive parecer que os heróis dos romances de dostoyevski falam a mesma linguagem precisamente a linguagem de seu autor muitos inclusive tolstoy acusaram dostoievisk dessa uniformidade Da linguagem Então veja aqui ele tá dizendo ó todo mundo quando pensa no dostoievisk atribui a ele Exatamente esse defeito aqui né esse defeito entre muitas aspas do crônica da casa assassinada que
é todos os personagens falam do mesmo jeito né E aqui ele tá falando olha a polifonia não tem a ver necessariamente com um romance que tem ã diversos estilos de linguagem e aí ele continua ocorre porém que a diferenciação da linguagem e as Acentuadas características do discurso dos heróis tem precisamente maior significação artística para a criação das imagens objetificadas e acabadas das pessoas Quanto mais coisificada a personagem tanto mais acentuadamente se manifesta a fisionomia de sua linguagem no romance polifônico o valor da var da linguagem e das características do discurso é mantido Se bem que
esse valor diminui e o mais importante modificam-se as funções artísticas desses fenômenos o Problema não está na existência de certos estilos de linguagem dialetos sociais etc existência é estabelecida por meio de critérios meramente linguísticos o problema está em saber sob que ângulo dialógico eles confrontam ou se opõem na obra Então veja para você entender um romance como polifônico o mais importante não é você pensar em pessoas falando de jeitos diferentes mas sim pessoas que assumem discursivamente posições diferentes ao Longo da narrativa né que ele que é o que ele chama aqui de ângulos dialógicos que
se confrontam ou se opõem em uma determinada obra aí ele continua mas é precisamente esse ângulo dialógico que não pode ser estabelecido por meio de critérios genuinamente linguísticos porque as relações dialógicas embora pertençam ao campo do discurso não pertencem ao campo puramente linguístico do seu estudo as relações dialógicas inclusive as relações dialógicas do Falante com sua própria fala são objetos da Meta linguística mas aqui estamos interessados precisamente nessas relações né ou seja não se pode pensar apenas em diferenciação linguística quando o assunto é polifonia na verdade esse termo polifonia diz muito mais respeito Como eu
disse antes a diferentes posicionamentos em relação à matéria narrativa do que aá uma diferença explícita entre duas ou mais vozes Porque a ideia aqui não é fazer uma caricatura não é imitar um dialeto que aliás é algo que o próprio Lúcio Cardoso já havia feito esqueci de pegar o livro Hoje ele tá difícil ali mas enfim se a gente pega lá o primeiro romance do Luci Cardoso que é uma Leita sobre o qual já tem vídeo no canal eh naquele vídeo eu falei para vocês que na verdade essa imitação de dialetos locais é o grande
defeito daquele primeiro romance do Lúcio Cardoso né porque naquele romance Existe uma diferença muito visível entre a voz de um narrador supostamente erudito e as vozes dos personagens que são tidos ali como caipira atrasados Então veja lá naquele romance existe essa diferença de vozes Só que essa diferença de vozes acaba sendo meio ofensiva né Então veja aqui a gente tem a mesma voz só que na medida em que esses personagens assumem posições diferentes posições discursivas ideológicas enfim diferentes dentro da Narrativa eles acabam tendo vozes eles acabam tendo posicionamentos diferentes entre si daí essa ideia de
um romance polifônico de um romance que reúne diversos pontos de vista alguns até eh eh eh contraditórios uns com os outros em uma mesma narrativa mesmo por se a polifonia fosse se reduzisse meramente a uma questão de vozes diferentes dentro do romance e não de posicionamentos narrativos diversos o o própri os irmãos Karamazov que é o romance que o baktin Analisa aqui como exemplo de romance polifônico e se a gente for considerar apenas diferenças ah nas vozes desses personagens os irmãos karamazov não seria um romance polifônico né então é muito importante fazer essa essa reflexão
aqui né só para então dizer responder a pergunta que a pessoa me fez então sim crônica da casa assassinada é um romance polifônico mesmo que aqui nós tenhamos a impressão de ter apenas uma Única voz e aí pensando nesses diferentes posicionamentos pensando nesses diferentes pontos de vista durante a minha leitura dessa segunda parte do romance eu me dei conta de algo que eu não havia percebido na minha leitura da parte anterior porque se aqui nós tem temos diferentes registros então cartas diários depoimentos narrativas e etc e se cada capítulo é narrado por um personagem diferente
então quem é que Está reunindo e organizando esses capítulos porque não me parece que essa seja uma uma organização Imparcial uma vez que o livro começa com aquilo que Teoricamente seria a última coisa a ser narrada que é ah essas reflexões do André sobre a morte da Nina e aí na verdade o livro começa Justamente estabelecendo a Nina como uma mãe incestuosa né E aí você passa o resto do romance todo olhando para ela com desconfiança porque afinal de contas ela Maculou essa santidade daquilo que a gente atribui à figura materna né então cronologicamente falando
o primeiro capítulo ele deveria vir no fim do romance uma vez que ele acontece muitos anos depois dentro daquele universo narrativo eh que o próprio romance estabelece e se é assim se apesar de de estar lá cronologicamente lá adiante o o o capítulo aparece no início se é assim então por que que o romance começa exatamente desse ponto E aí quando eu me Dei conta desse pequeno detalhe eu fui pensando em algumas outras coisas por exemplo em vários trechos desses depoimentos os narradores dizem coisas do tipo ah naquela época eu fazia tal coisa ou então
faz tempo que isso aconteceu e variações nesse mesmo sentido né O que significa que já se passaram vários anos né desde que tudo isso que está sendo narrado se deu e portanto existe essa espécie de esforço de memória por parte dos narradores que Vão Então recuperar memon esses eventos narrados E aí a quem seria interessante revisitar todos esses detalhes do passado pensando que esse é um romance que fala sobre essa ruína da família Meneses Além disso eu fiquei me perguntando qual foi o critério na hora de organizar os capítulos veja bem quando eu tô falando
de a pessoa que organiza os capítulos eu sei que o Lúcio Cardoso é a pessoa que organiza os capítulos nesse nosso mundo externo aqui Tá mas eh existe um a ideia de um narrador implícito que é aquele narrador que não necessariamente é Ou melhor dizendo existe a ideia de um autor implícito que não necessariamente é o autor do romance de fato não necessariamente esse autor implícito é o próprio Lúcio Cardoso né então quando eu tô pensando aqui nesse critério de organização eu não quero saber o critério de organização escolhido pelo Lúcio Cardoso mas sim escolhido
por esse Autor que dentro do livro organiza todos esses discursos por eu não acho que seja aleatório ã aleatória essa essa escolha da ordem dos Capítulos tanto por essa questão da Nina quanto por exemplo pelo fato de que a narrativa do padre e a confissão de Ana a terceira confissão de Ana eh aparecem sempre de maneira intercalada então tem um trecho da confissão de Ana um trecho da narrativa do padre outro trecho da confissão de Ana outro trecho da narrativa do pai e Assim por diante né Veja essa narrativa intercalada dessas duas vozes nos induz
a pensar nesses discursos como complementares ou no mínimo como muito próximos um do outro como se eles como se eles tivessem mais em comum entre si do que com os outros Capítulos do romance né Então veja que essa ordem eh ela não é gratuita na medida em que ela direciona o nosso olhar para determinadas coisas ao longo do romance Além disso Eh na página 262 aqui dessa dessa Minha edição Logo no início da terceira narrativa do médico o narrador deixa escapar aqui uma marca de interlocução porque ele diz o seguinte seguinte creio poder precisar exatamente
o dia a que o senhor se refere Ou seja é um homem que está aqui recolhendo esses depoimentos recolhendo esses documentos e mais principalmente nos Capítulos do diário do André existem vários trechos ã Nos quais há uma Indicação de que coisas foram escritas com outra letra ou com outra cor de caneta na margem desse diário O que significa que muitos anos depois tanto que a caligrafia dele até mudou o André Muito provavelmente está relendo esses diários então será que é ele esse autor implícito que está organizando esse texto eh que existe aqui em crônica da
casa assassinada E aí se é ele com qual propósito Ele Decide contar essa versão da história da da derrocada da família Menezes né porque é isso me parece que existe esse detalhe que acabou me eh passando desapercebido por mim na primeira parte da nossa leitura mas que agora eu eu me atentei mais a esse a esse dado que eu julgo determinante tudo isso me fez lembrar de um texto da Luciene Azevedo eu não me lembro o nome desse texto mas se eu encontrar eu vou deixar ele linkado na descrição é um texto que tá em
algum blog assim né A Luciene Azevedo é uma uma grande Professor e pesquisador de literatura brasileira contemporânea E aí nesse blog ela tem um texto que aborda um contexto completamente diferente desse aqui de crônica da casa assassinada porque naquela postagem a eh Luciene Azevedo está falando sobre como autores contemporâneos são curadores da própria imagem de modo a criar novas leituras possíveis de suas obras e aí por exemplo você pega um autor como o Ricardo do lisas que é um cara que eh sei lá na Época que ele tava escrevendo aquele romance dele chamado divórcio ele
cita o o narrador daquele daquele romance ele faz corrida e aí o Ricardo lisias ia lá e colocava no Facebook uma foto dele fazendo corrida aí tem um trecho em que o narrador de divórcio cita sei lá eh uma foto do avô aí o Ricardo lísias vai coloca uma foto no Facebook que bate muito com a descrição da foto presente lá em tudo isso acaba fazendo com que o leitor Que acompanhe o autor nessas duas instâncias na rede social e nesse texto literário isso faz com que a nossa visão do romance se modifique né mas
aí eu me lembrei desse texto todo da da Lucian Azevedo Mesmo ele sendo de um contexto completamente diferente por nesse texto A autora propõe que o ato criativo se tornou um ato de selecionar informações né Eh então o ato criativo é fazer uma uma curadoria do que deve ou não ser visto e de qual é a ordem em que as Coisas devem aparecer já que a ordem acaba reposicionando o público em relação a uma obra de arte em relação a um texto e me parece que esse essa é uma discussão válida aqui pra crônica da
casa assassinada exatamente pensando nesse autor implícito aqui do romance porque me parece que esse organizador dos Capítulos está fazendo um trabalho muito específico de curadoria e que por isso mesmo é sempre importante ter alguma desconfiança em relação àquilo Que é narrado Então veja assim como os personagens aqui desconfiam uns dos outros a gente também tem que acabar des confiando da própria narrativa o que contribui ainda mais para todo esse clima de mistério que é próprio da literatura gótica E como eu disse em um dos meus vídeos sobre as peças de teatro do Lúcio Cardoso essa
estética gótica é muito presente nas obras desse autor então aí por exemplo eh se você pega lá o casebre onde o Jardineiro vivia Aquele é um ambiente tão opressivo que me fez lembrar sei lá de uma cala ou de um lugar assim né E essa mesma opressão se aplica também a casa dos Meneses que novamente aqui é descrita como muito mais como um monumento histórico da cidade de Vila Velha do que como uma casa habitada e habitável por pessoas então por exemplo o médico em um dos Capítulos narrados por ele aqui ele diz o seguinte
pensando nessa importância da chácara e da Família Menezes para a cidade de Vila Velha isso que eu vou ler está na página 264 dessa Minha edição aqui ah e nesse trecho é dito o seguinte aquela velha chácara que sempre fora a lenda e o motivo de orgulho da pequena cidade em que vivíamos querelas notícias de violências e de rivalidades me enviam ao pensamento a lembrança do barão por exemplo mais ilustre mais rico e mais nobre do que os Menezes morando numa fazenda distante da cidade mas cujo Nome e cuja casa apesar de tudo não conseguiam
ter em nosso pensamento o prestígio romântico da casa dos Menezes e de onde vinha esse Prestígio que poder garantir a essa mansão e decadência o seu Fascínio ainda intacto como uma herança poética que não fora roída pelo tempo seu passado exclusivamente o seu passado feito de senhores e sinhazinhas que haviam sido tios primos e AZ daquele Senor Valdo que agora aa ao meu lado Meneses todos que através de lendas Fugas e romances de uniões e histórias famosas tinham criado a alma da residência aquilo que encome e como suspenso no espaço sobreviveria ainda que seus representantes
mergulhassem para sempre na obscuridade E aí um pouquinho mais abaixo esses Meneses não sabiam o que significavam para a imaginação alheia o valor da legenda que l cercava o nome sua força dramática e misteriosa a poesia que os iluminava com uma luz Frouxa e azulada sim essas velhas casas mantinham vivo um espírito identificável capaz de orgulho de sofrimento e por não de morte também quando arrastadas à mediocridade e ao chão dos seres comuns e não era isso que acontecia com a história última daqueles Meneses que já não chegavam mais ao tope do prestígio mantido por
seus antecessores e de dentro da chuva cerrada quase senti a procurar-me da distância o olhar do velho prédio Sacrificado com estrias de sangue que escorrem ao longo de Suas pedras Mártires Então veja aqui principalmente essa última imagem que o médico ele ele sente quase como se a casa estivesse procurando por ele à distância ol para ele com suas com suas paredes de estrias e sangue né e de Suas pedras Mártires Então veja aqui essa última imagem quase que personifica a casa né então eu achei muito curiosa essa passagem aqui porque veja que existe nessa ruína
da história A ideia da permanência do passado que é muito importante para entender a literatura gótica sobretudo se a gente pensa nesse passado não apenas como algo antigo Mas também como algo arcaico como algo que se liga imediatamente as ideias da fundação de um determinado lugar então a imagem da ruína na literatura gótico gótica reafirma essa noção de uma classe social devastada que já não pode mais se recuperar e só existe no passado que com muita dificuldade é preservado e A preservação do passado adquire por vezes um caráter Sobrenatural uma vez que a literatura gótica
surge como um contraponto a todo aquele racionalismo Iluminista investe em tudo aquilo que se liga ao instinto e ao irracional daí é que vem por exemplo temas caros ao gótico como o erotismo as perversões os tabus as relações incestuosas e etc e aí É claro aqui em crônica da casa assassinada esse relacionamento incestuoso tem uma importância quase Central tanto é assim que os capítulos do diário do André São pelo menos para mim os mais tensos porque justamente porque eles exploram essa relação incestuosa entre o filho e sua mãe né entre o André e a Nina
e agora eu peço Li a vocês para abrir aqui um parêntese que eu acho que vai ser um parêntese um pouco longo e mas que eu julgo como sendo um parêntese um pouco necessário pra leitura aqui de crônica da casa Assassinada mas antes de de de falar de fazer esse desvio é preciso que eu faça um aviso eu não sou estudioso de psic análise eh e nem tampouco sou estudioso da obra do Freud então tudo que eu vou falar aqui diz respeito à minha interpretação mais ou menos leiga de totem e Tabu que é um
um texto do Freud que foi publicado Originalmente em 1913 eu tenho aqui nessa Minha edição velhinha que tá até enfim se desfazendo Coitada eh mas enfim eh Então o que eu vou falar aqui a agora é a minha interpretação de uma pessoa que não é estudiosa da área desse texto do Freud de 1913 Ah e nesse texto o autor faz um paralelo pelo que eu pude entender entre a constituição psíquica de pacientes neuróticos e a constituição psíquica daqueles povos que na época em que o romance em que o o o livro foi escrito eram chamados
de povos primitivos porque é preciso ter aqui alguma alguma Generosidade histórica já que o referencial teórico com o qual o Freud trabalhava durante a escrita de toten e Tabu tratava povos não europeus nesses termos de primitividade e de atraso né por outro lado é importante também fazer aqui uma crítica ao Freud que Aliás nem é uma crítica minha é uma crítica que é muito famosa quando a gente pensa por exemplo em autores da antropologia né então se você pega por exemplo o listr ele tem uma crítica muito Contundente aqui ao totem e Tabu e mas
enfim é preciso por mais que exista essa essa generosidade histórica com Freud é preciso também fazer aqui uma crítica à leitura que ele estabelece em totem e Tabu uma vez que o autor parte de uma situação hipotética que ele diz ser hipotética e Mas a partir dessa hipótese ele faz um comentário que se pretende geral que se pretende e eh generalizante então metodologicamente falando o Freud está um tanto quanto Equivocado aqui em totem e Tabu ainda que eh as conclusões A análise que ele faz é uma análise bastante interessante pelo menos para mim que como
eu disse não sou uma pessoa muito entendida eh nessa questão Mais especificamente aqui o autor vai estudar alguns povos aborígenes da Austrália que segundo ele se organizam a partir de uma lógica totêmica e aí para explicar a origem dessa dessa organização totêmica desses Clãs que compõem esses Esses povos aborígenes australianos eh para então pensar na origem desses povos o Freud ele acaba de certa maneira estabelecendo propondo o seguinte exercício imagine uma sociedade controlada por um pai que toma para si todas as mulheres que é extremamente autoritário e que expulsa os seus filhos homens tão Logo
eles atingem ali a maturidade sexual a relação evidentemente Entre esses filhos e o pai Vai ser uma relação um pouco desgastada e um pouco ambígua uma vez que esses filhos ao mesmo tempo tem medo do pai tem raiva e inveja dele mas em alguma medida esses filhos também o admiram e querem ser como esse pai autoritário porque assim a partir dessa imagem desse lugar da autoridade é que eles poderiam se relacionar com as mulheres daquela região isoladamente esses filhos não conseguiriam fazer frente ao pai de modo que eles se unem matam o pai e comem
a Sua carne como se com isso eles conseguissem ficar com aquele poder ficar com aquela autoridade que o pai tinha quando estava vivo E aí quando eles conseguem finalmente matar esse pai né matar esse esse inimigo comum esses irmãos fundam a ideia de sociedade porque é isso isoladamente eles não conseguiriam Ah eles se juntam formam ali uma uma sociedade secreta digamos assim e a partir desse lugar social que eles conseguem suplantar a imagem Paterna só que ao mesmo tempo é como se depois de morto esse pai ficasse ainda mais forte ainda mais poderoso na medida
em que aquela proibição que ele havia imposto aos filhos se mantém uma vez que por mais que eles tenham se Unido para matar o pai Eles continuam sendo rivais entre si uma vez que todos qu querem a mesma coisa que é se relacionar com as mulheres daquele daquele lugar com as mulheres daquele clã daquela região Enfim só que o problema de irá o Freud é que todos esses irmãos T mais ou menos os mesmos atributos físicos então por exemplo todos eles têm mais ou menos a mesma força física tanto é assim que eles só conseguiram
vencer o pai quando eles uniram forças né e por isso mesmo poderia assumir o papel de figura de autoridade daquele grupo uma vez que os outros não permitiriam isso já que todos eles são iguais do ponto de vista físico e se alguém tentasse se colocar nessa Posição de poder nessa posição de autoridade aquela organização social que tinha se mostrado tão eficiente na hora de de matar o pai acabaria se desfazendo diz o Freud então que para resolver esse problema esses irmãos elegem um tótem um representante desse poder da figura paterna E com isso esses irmãos
acabam instituindo dois tabus duas proibições em relação a esse tótem o primeiro desses tabus é o seguinte para que esse poder do ttem não Seja comprometido novamente Não se pode destruir e nem se alimentar do tótem pensando que em muitos casos Esse tótem é um animal que representa um passado comum a esse clã que o venera como se fosse esse pai primitivo que está ali eh olhando pela preservação de seu clã então ao mesmo tempo em que o ttem é esse antepassado ele representa esse antepassado ele também protege quase como como se fosse ali um
anjo da guarda um espírito protetor para esse clã Então Esse é o primeiro Tabu em relação ao tótem ele não deve ser destruído e nem e as pessoas não devem se alimentar da Carne dele e o segundo Tabu em relação a ao totem é que para que não haja disputa ou desentendimento entre os irmãos e assim aquela ordem social se Preserve é terminantemente proibido se relacionar com pessoas da da sua família totêmica ou seja as pessoas que veneram o mesmo tótem que você mesmo que essas pessoas não pertençam a sua família consanguínea O nome que
o Freud dá a isso é exogamia totêmica porque só é permitido ter relações sexuais com pessoas que não pertençam ao seu sistema totêmico ao seu tótem em outras palavras o segundo Tabu em relação ao o tótem que substitui o pai diz respeito à relação incestuosa Note que o tabu ele não nasce de uma ordem Divina a restrição ligada ao Tabu vale por si mesma O que significa que essa restrição não é automática ou seja Todos devem vigiar Para que aquele que viole o Tabu seja sumariamente punido já que ir contra esses dois tabus em relação
ao ttem seria colocar em perigo toda aquela eh organização social do clã O problema é que se o Tabu em relação ao relacionamento incestuoso é necessário isso significa que nós temos uma forte propensão a ter esse tipo de relacionamento porque é isso Você só pode você só proíbe uma coisa porque você sabe que se aquilo não for proibido As pessoas vão fazer aquilo né daí é que vem essa necessidade de proibir socialmente esse esse comportamento para que ele não aconteça só que uma coisa é você Proibir a prática outra coisa é você abolir o instinto
então inconscientemente diz o Freud aqui E esse desejo ainda existe esses irmãos eles ainda querem se rel com as outras mulheres mas eles não fazem isso de comum acordo por conta dessa questão eh do Tabu que se estabelece entre eles Porque na medida em que um puder se relacionar com as mulheres os outros também vão poder E aí cria-se uma contenda entre esses irmãos e aquela organização social vai pelo ralo né Então veja só eh não adianta porque inconscientemente era isso que eu ia dizer né inconscientemente o desejo ainda existe mas ele não vem à
tona porque na realidade consciente a concretização do desejo é proibida sem que a gente saiba muito bem o porquê E Aí o Freud ele diz o seguinte isso que eu vou ler bom tá na página 47 dessa Minha edição né mas eu acho que você vai ler em outra não nessa daqui mas enfim eu eu vou fazer aqui uma uma uma tradução simultânea né só para você só para eu citar aqui esse esse trecho que eu acho interessante o Freud diz o seguinte então eh a proibição ela não conseguiu abolir totalmente o instinto como consequência
dessa dessa proibição o instinto foi Reprimido e banido para o inconsciente proibição e instinto se mantiveram o instinto por ter sido apenas reprimido e não abolido e a proibição Porque sem ela o instinto se tornaria Consciente e portanto se concretizaria se realizaria né E aí nós temos um outro problema que é o seguinte não só o instinto continua existindo de maneira inconsciente como também existe o desejo de quebrar o Tabu exatamente pelo prazer de quebrar o Tabu Então existe essa coisa de que você se Satisfaz ao fazer algo que você sabe que é proibido né
e aqui eu volto finalmente ao ao romance volto aqui ao crônica da casa assassinada porque em alguns trechos desse dessa parte do livro que nós lemos para esse vídeo eh em alguns trechos o o o o André ele escreve em seu diário eh pensando nessa questão da da transgressão que ele está cometendo E aí ele se coloca de maneira quase exemplificando isso que o o Freud Menciona aqui em totem e Tabu E aí isso que eu vou ler aqui para vocês agora está entre as páginas 288 e 289 ele diz o seguinte deixa eu pegar
aqui nem posso dizer que não temesse e não Sue ante a extensão do meu pecado pois repetindo e vezes que afagava e mordia a carne que me concebera ao mesmo tempo encontrava nisso um prazer estranho e mortal E aí mais adiante incentivava me o ser sacrílego Imaginando uma afronta às leis humanas e divinas deliciava me em estreitá-las em mordê-los reinventando o gosto de ser criança né então enfim eu acho que esses dois trechos que eu li para vocês aqui eh dizem muito respeito a essa ideia proposta pelo Freud de que o instinto ele permanece ali
né apesar de proibido e na verdade na medida em que você eh eh subverte essa essa proibição na medida em que você vai contra essa proibição Você acaba sentindo ainda mais prazer ao concretizar esse instinto essa mesma ideia aparece quando a Nina diz o seguinte para a Ana né em um em um momento que as duas estão ali conversando a Nina diz o seguinte isso que eu vou ler tá na página 298 André não renegue assim parêntese só para eu explicar o por que ela tá falando do André né a Nina e o André tiveram
uma relação sexual dentro daquela casinha onde Mor Or Ava o jardineiro né aí O André acorda Depois de ficar ali cansado tal ele acorda vai embora e Então logo ele sai a Ana entra ali naquele lugar para dizer pra Nina ó não me importa se você tá pegando seu filho o que me interessa é que você faça isso longe aqui da casa que pertenceu ao ao ao jardineiro porque aquele era um lugar quase que sagrado para a Ana e aí a Nina começa enfim a a a despejar uma série de impropérios contra a Ana exatamente
nessa intenção De machucá-la E aí ela diz que enquanto fazia sexo com o próprio filho é Nina disz que dizia o seguinte para André André não renegue assuma o seu pecado envolva-se nele não deixa que os outros o transformem num tormento não deixe que o destruam pela suposição de que é um pilane um homem que não sabe viver por si próprio nada existe de mais autêntico na pessoa do que o pecado sem ele você seria um morto jura André jura como assumirá inteiramente a responsabilidade Do mal que está praticando eu achei esse trecho aqui incrível
né ainda mais pensando nessa ideia do pecado nessa ideia do Mal posta nesses termos por um autor de Formação católica ainda que a relação de Lúcio Cardoso com catolicismo tenha sido uma relação ã bem eh cheia de tensões né mas enfim Lembrando que essa ideia de de uma inclinação de um gosto pelo pecado de um gosto pelo mal já havia Aparecido antes em a luz no subsolo quando a gente pensa por exemplo No personagem Pedro já fiz um vídeo aqui sobre a luz no subsol ele vai estar na playlist com todos os meus vídeos sobre
a obra do Lúcio Cardoso e aí pensando Nessas questões intertextuais já que eu acabei de citar outro texto do mesmo autor eh conforme eu lia esses capítulos aqui de crônica da casa assassinada E aí conforme eh essa relação incestuosa entre Nina e André se confirmou eu me lembrei bastante de um conto do Edgar alanou que é um conto de 1839 chamado a queda da casa de herer que é um dos meus textos favoritos do po e eu acabei fazendo essa associação entre os dois textos o conto e o romance pelos seguintes motivos primeiro tanto no
conto quanto no romance já no Título nós temos essa ideia do declínio de uma família aristocrática que é metonimicamente representada pela casa e que ao mesmo tempo funciona como metonímia de toda uma classe social já que como eu disse No meu vídeo anterior os Meneses aqui representam essa aristocracia rural mineira em decadência Além disso Em ambos os textos essa decadência das famílias é econômica social mas também moral além de se manifestar fisicamente no espaço o que garante uma ambientação gótica a ambas as narrativas né e não apenas uma ambientação gótica mas também uma ambientação tensa
e sobretudo estranha né quase como se o fim dessas famílias a família herer e a família Meneses eh estivesse muito próximo e não fosse possível mais lutar contra esse fim que se anuncia eh além disso esse espaço gótico Presente Em ambos os textos é tão inescapável quanto o fim dessas famílias já que esses personagens não conseguem ou em alguns casos não querem sair desses lugares de opressão e essa ideia do aprisionamento essa ideia do enclausuramento da prisão enfim é bem nítida quando a gente pensa por exemplo na Ana que tá ali presa nesses costumes Presa
nesse conservadorismo presa fisicamente mesmo quando a gente pensa nas roupas escuras e fora de moda que ela usa né tanto que a própria Nina descreve a Ana aqui como se ela fosse um entalhe nos móveis como se ela estivesse encrustada na casa E e essa prisão fica ainda mais nítida pensando aqui no romance em se tratando do Timóteo que está há tanto tempo dentro daquele quarto que ele é descrito cada vez e de maneira cada vez menos humanizada E aí Por exemplo eu gostaria de ler aqui eh alguns trechos que estão entre as páginas 220
e 221 que são trechos que se dedicam Justamente a descrever esse personagem Ah sim uma coisa importante a pessoa que tá narrando esse trecho que eu vou ler aqui é a Nina em uma carta ao coronel Então ela diz o seguinte se referindo então ao Timóteo pude vê-lo claramente seu aspecto era tão estranho que me senti paralisada não era mais aquele que eu conhecera mas o que se Poderia chamar de um exagero daquele um excesso de exagero uma caricatura monstruosa talvez não havia nenhuma dúvida mas extraordinariamente patética os olhos sempre vivos haviam desaparecido sobre uma
massa flácida de cor amarela que lhe tombava sobre o rosto em duas dilatadas vagas os lábios pequenos estreitos mal deixavam extravazar as palavras num sopro ou melhor num assovio idêntico ao do ar que irrompe de um fole naturalmente ainda Conservava seu aspecto feminino mas já muito deixara de ser a grande dama magnífica e Soberana era um rebotalho humano decrépito que mal conseguia se mover e que já atingira esse grau extremo em que a semelhanças animais se sobrepõem às humanas essa impressão de decadência era crescida pela roupa que vestia restos do que haviam sido pomposos vestidos
ou de trapos esgarçadas que se esforçavam para cobrir não o corpo de uma senhora ainda nessa Meia idade capaz de ofuscar certos olhos juvenis mas o de uma velha dama derrotada pelo desleixo e daí mais adiante eh o próprio o próprio Timóteo ele se descreve usando termos como ele diz que ele tem mãos moles Sem Peso úmidas como a de certos animais que vivem na obscuridade na verdade o o Timóteo faz uma observação e ele toca Na na nina e ela pensa isso das mãos dele e aí mais abaixo ele sim diz o seguinte Nina
é Preciso destruir essa casa ouça-me bem nina é preciso liquidar os Menezes é preciso que não Sobre Pedra Sobre Pedra e aí ele vai dizendo que quando ela se afastou da casa ao longo desses 15 anos ele sentiu como se tivesse sido vencido E aí ele vai se descrever usando termos como meus eh apalpei meus braços minhas pernas meu rosto deformado E aí ele diz o próprio húmus que escorria de mim era uma mistura de perfume e sal corrompido né Então veja que e veja o Personagem ele chega a esse estado exatamente por ter ficado
ali aprisionado durante tanto tempo né mas principalmente voltando ao que eu tava dizendo antes tanto na crônica da casa assassinada quanto em a queda da casa de herer existe esse tema da relação incestuosa se aqui no romance isso aparece explicitamente no conto lá do Paul ess essa temática eh aparece de um jeito um pouco mais Sutil quando a gente pensa no comportamento do roderick em Relação à irmã dele cujo nome eu não me lembro agora né E aí se não me engano os dois são gêmeos e estão ficando ali meio loucos até por causa desse
ambiente Sinistro e que parece ir aos poucos desgastando a sanidade desses dois sobressalentes da família user só que ao mesmo tempo em que no romance as descrições desses encontros entre mãe e filho causam muito desconforto Ou pelo menos me deixaram Muito Desconfortável ainda assim é preciso lembrar que mesmo ele admitindo que gosta de saber que está transando com a mãe o André não vê a Nina como uma uma figura materna uma vez que ela teve esse menino no Rio de Janeiro meio que abandonou ele na maternidade e quem o resgatou foi a ana que o
levou novamente até a Chácara dos Menezes para que ele fosse criado por lá tempos depois quando o André já estava com 16 anos é que a Nina volta até a chácara para conhecer Esse menino que cresceu com ordens expressas para que ninguém tocasse no nome da mãe dele ou seja antes de ser um tabu físico antes de ser um corpo proibido a Nina aparece como um discurso vetado ao André que por isso mesmo foi crescendo sempre muito curioso para saber quem era aquela mulher de beleza proverbial cuja presença parecia continuar de um jeito meio fantasmático
pela casa e todo esse mistério foi se transformando aos poucos em Desejo conforme o André foi crescendo foi ali se aproximando de sua maturidade sexual tanto que de início ele nem entende direito o que é que ele está sentindo em relação à sua mãe né porque foi aquilo Ele não enxerga a Nina como uma figura materna ele a enxerga como uma mulher Porque ele nunca teve qualquer imagem daquela pessoa como sendo sua mãe né eh e aí existe um trecho do diário do do André Na verdade eu vou ler aqui para vocês dois trechos Do
diário dele um deles está na página 206 e descreve um momento em que a nina está conversando com ele dentro do quarto e daí é dito o seguinte na escuridão senti apenas que suas mãos se moviam desprendiam se das minhas alongavam e começavam a percorrer meu corpo numa terrível e inesperada Carícia naquele minuto mesmo achavam-se macias e ternas sobre os meus ombros afagava minha nuca os cabelos a Ponta das orelhas os lábios Quase Ah podia ser que não houvesse nisto nenhuma intenção que fossem simples gestos mecânicos Possivelmente a lembrança de uma mãe carinhosa que sabia
eu das Mães e dos seus costumes aquilo né ele nunca ele nunca teve mamãe então ele não sabe se é normal que mamãe o filho como a Nina o está acariciando mas a verdade é que não podia refriar os meus sentimentos e estremeci até o fundo do ser desperto por uma agônica e espasmódica sensação de gozo e de Aniquilamento não por mais que eu repetisse é minha mãe eu não devo fazer isso e imaginasse que era assim que todas elas procediam com os filhos não podia fugir a embriaguez do seu perfume nem a força de
sua presença feminina era eu eram os meus 16 anos em fúria que acordavam aqueles simples gestos de mulher tudo que eu podia supor como atributo de uma fêmea sua irradiação morna seu contato macio e atraente seu cheiro de carne e de segredos conjugados Ali se encontrava junto a mim e a mãe que durante 16 anos eu não conhecera em vão invocava naquele instante em vão repetia o seu nome e dizia-lhe a responsabilidade o respeito a ternura e a veneração cego perdido tudo se aniquila no fundo do meu ser arrepiado e em confusão os dedos iam
e vinham e eu tenso esforçava ao seu lado para não submergir definitivamente quando ela atraindo colocou minha cabeça sobre o seu seio então é aquilo primeira coisa Ele não sabe se isso é normal porque ele não está acostumado com essa presença feminina segundo ele não essa essa presença materna segundo sego ele não está enxergando a Nina como mãe mas sim como uma presença feminina né e terceiro quando eu li esse trecho eu fiquei pensando será que o tempo todo ele não tá projetando na mãe esse esse desejo que ele sente é isso né de início
eu pensei muito nisso que ele Estava que houvesse aqui uma espécie de projeção dos desejos nesse corpo do outro mas logo o André começa a Perceber que a coisa é meio que recíproca e que não existe nada de inocente naquelas Carícias que os dois trocam e que portanto eles estão se encaminhando ali eh por aquilo que o próprio and André chamou de o caminho do pecado e daí na página 233 ele diz o seguinte ignoro se é deste modo que os outros amam se em relação a Todas as mães o sentimento é o mesmo mas
comigo era algo devorante único que me absorvia todo o calor e toda a vontade então no fim das contas é quase como se ironicamente o Valdo tivesse passado a vida toda tentando afastar o André da mãe mas com isso Acabou aproximando os dois de um jeito muito complicado né E aí esse menino que sempre foi uma figura meio estranha meio deslocada dentro da família Meneses mesmo tendo recebido uma educação muito ligada aos valores morais Daquela família esse menino então acaba se apartando ainda mais e chega a ter alguns ataques preocupantes né primeiro Por exemplo quando
a Bet o surpreende tendo uma crise de choro depois de um desses encontros com a Nina mas depois também quando o André faz um verdadeiro escândalo ao tentar entrar no quarto de Timóteo junto com a mãe porque o Valdo sempre descreveu o Timóteo como um leproso como uma pessoa com uma doença terrível e contagiosa né e o Valdo fez Isso para que o filho não quisesse ver esse tio então agora ao ver a a Nina ao ver a mãe entrar naquele ambiente supostamente nocivo O menino tem uma síncope e o Curioso é que quando o
médico chega para poder ali examinar o André ele faz uma uma pergunta muito importante que é por que será que enquanto o André estava se esguela dentro do quarto abriu a porta em nenhum segundo por que as pessoas deixaram que tudo aquilo acontecesse e Chegasse ao extremo em que chegou Então veja Essa obsessão do rapaz pela mãe é tamanha que ele fica por exemplo ouvindo atrás da porta ali para ver se alguém tá falando da Nina e de fato ele acaba surpreendendo uma conversa entre o Valdo que quer levar a Nina até uma festa que
vai ter na casa do tal Barão e o Demétrio que acha que isso seria uma péssima ideia por gerar alguns comentários ainda mais em se tratando do barão sendo que nem faz muito sentido Toda essa veneração do Demétrio por essa figura Uma vez que Teoricamente bastava você ter dinheiro para você comprar títulos de nobreza né então enfim o esse Barão ele não necessariamente era um Nobre de verdade mas enfim e E aí por sinal o trecho que descreve o vestido que a Nina usaria nessa festa e na casa do barão me fez lembrar bastante de
um trecho de um romance da Natália Correia chamado a Madona né Tem um momento Inclusive eu já fiz um vídeo aqui no Canal falando sobre esse romance da Natália Correa vou deixar o link para esse vídeo na descrição e naquele vídeo Se não me engano eu falei um pouco dessa cena que eu vou descrever agora existe um momento em que a mãe da protagonista ela vai em um velório e ela vai usando um vestido todo vermelho um vestido meio sensual um vestido chamativo então todo mundo fica olhando ali ela é um verdadeiro escândalo quando chega
no velório né e é basicamente esse o caso Do vestido aqui da Nina tanto que é ao ver a mãe usando essa roupa que o o André passa a olhar para ela de um jeito cada vez mais desejoso digamos assim o que reforça o contraste entre a Nina com essas suas roupas provocantes e exuberantes e a Ana com o seu vestido e preto e fora de moda desbotado enfim e aí por falar na Ana eh ela vem ganhando cada vez mais espaço dentro da narrativa Apesar de que como eu disse no início desse vídeo ela
Continua sendo um mistério para mim né E ela ganha espaço aqui seja ao confirmar que o Valdo realmente tentou se matar e não apenas fingiu né como havia essa haviam levantado essa possibilidade do fingimento em um capítulo que nós lemos na parte anterior né do romance ã seja também ao desmentir ao marido eh dizendo que todo mundo ouviu o barulho de dois tiros no dia do incidente envolvendo esse essa tentativa de suicídio do Valdo porque se você for olhar lá no no Capítulo narrado pelo médico naquele trecho em que ele vai até a chácara para
examinar o Valdo naquele trecho o Demétrio Diz ao médico que ninguém tinha ouvido nada e que na verdade foi meio que por acaso que alguém entrou ali no escritório e viu o Valdo eh baleado se se exaurindo em sangue né E aí agora aqui nessa confissão de Ana ela diz que não é bem assim que na verdade todo mundo da Chácara ouviu o barulho dos disparos né E isso acaba fazendo com que Essa personagem cresça cada vez mais pelo menos isso aconteceu durante a minha leitura mas existem outros trechos interessantes envolvendo aqui a Ana como
por exemplo aquele em que ela diz que mesmo com a ausência da Nina ninguém se sentia aliviado na chácara ou ainda no trecho em que a Ana se descreve Como se reconhece como um ser em suas palavras fragmentado e tumultuoso e exatamente por conta disso ela admite Que não estava mais conseguindo se conter e é por isso que no início do vídeo eu falei para vocês que me parece que a Ana é muito mais perigosa porque a gente percebe o tempo todo que ela tá ali segurando as pontas e que ela tá prestes a explodir
a qualquer momento né E aí essa descrição que Ana faz de si mesma como esse ser tumultuoso fragmentado dividido etc é muito próxima daquela descrição que o padre faz essa personagem no momento em que ele diz que Nela tudo era sombra em excesso e aí Ele diz também o seguinte isso que eu vou lei está na página 187 que é logo no primeiro no no no primeiro parágrafo do Capítulo 16 que é lá a primeira narração de Padre Justino então ele diz o seguinte que outra mulher da aquela Paróquia poderia obedecer a sentimentos alternados procurando-o
e fugindo de mim ao mesmo tempo para mim ela representava o que eu chamava de espírito dos Meneses sua vontade de permanecer nos limites de Um sólido Realismo de jamais ultrapassar uma determinada esfera de bom senso essencial ao manejo usual das coisas deste mundo e aí o padre continua Então veja Essa maneira de descrever a Ana aqui me chamou bastante a atenção outro trecho interessante é aquele em que a Ana descreve os últimos momentos do Alberto assim que ele eh eh atenta contra a própria vida né E nesse momento a Ana o beija fingindo ser
a Nina porque o o jardineiro ele está ali morrendo e Aí ele começa a ter um Delírio pensa que a pessoa que está ali ao seu lado é a Nina quando na verdade aquela pessoa é a Ana né então a Ana se aproveita disso finge que é a Nina para beijar o rapaz e como eu disse no vídeo passado existe essa relação de espelhamento entre essas duas personagens mas antes desse beijo Eh a Nina ela vê o rapaz pegando a arma lá no Jardim indo até a sua casa ela vai atrás dele espreitando e aí
quando ele entra dentro de casa El ele tira a Camiseta e a Nina a a Nina desculpa e a Ana ela faz uma descrição extremamente erotizada do corpo dele e não só isso ela nesse trecho projeta o seu desejo por ele como se na verdade fosse um desejo da Nina Então ela tá dizendo Nossa esse homem é tão gostoso que se eu gosto dele é óbvio que a Nina vai gostar dele também né ou se atrair por ele também e daí na página 181 ela diz o seguinte e É engraçado porque nesse trecho ela faz
até Uma comparação entre o jardineiro e o marido e daí ela diz o seguinte de longe encostada a porta eu ainda fitava e admirava dor do seu corpo o tórax nu a Que luz da lamparina arrancava um reflexo intermitente e acobreado jamais havia visto assim um corpo de homem e o do meu marido que em certas noites se encostava ao meu para uma carícia amarga e passageira eu adivinhava desforme sem vitalidade sobre a roupa então engraçado né os Meneses Eles sempre são descritos como pessoas disformes né primeiro lá o Timóteo agora aqui o o o
Demétrio enfim aquele não era o corpo de um adolescente com esse Rosado seco da carnadura humana que é pura pronto para o grande Salto do pecado eu achei isso maravilhoso mas acabara de se tornar homem e já se percebia claramente como uma música voando a vibração que o animava agora eu compreendia perfeitamente porque era impossível a Nina deixar de tê-lo visto e eu a imaginava correndo os dedos experimentados através daquela carne tenra dela arrancando seus primeiros estremecimentos de prazer e devolvendo a si mesmo através da descoberta né Outra coisa que eu achei muito interessante aqui
é porque a gente tá muito acostumado a ver homens descrevendo mulheres de maneira eh hipersexualizada e Aqui nós temos exatamente o contrário né uma mulher muito contida muito Conservadora descrevendo nesses termos um rapaz que trabalha ali e pra família e aí veja nesses momentos é quase como se a Ana nessa descrição que ela faz comparando o marido com o jardineiro no trecho em que ela vai e beij esse rapaz assim que ele está morrendo Enfim então nesses trechos é quase como se essa mulher Estivesse se vingando de todo aquele sistema que foi aos poucos apagando
a individualidade dela para que ela se tornasse a esposa perfeita pra Família Menezes então aqui ela joga tudo pro alto e tem esse ato de transgressão ainda que uma transgressão menor do que a da Nina evidentemente mas de pensando assim na proporção é tão chocante quanto o suposto caso que a Nina teve com o jardineiro pensando em como é o comportamento Geral de ambas então a Nina como essa a mulher que veio da capital com hábitos mais libertários é mais a ável que ela eh Cometa Adultério Do que uma mulher tão conservadora tão certinha quanto
a Nina quanto a Ana então parece que o peso desses dois atos é bastante diferente por outro lado falando em Nina ela que na na passagem que nós lemos pro vídeo Anterior havia sido comparada a ora a casa dos Meneses ora a um animal que ameaçava a estabilidade da família quando a gente pensa em toda aquela história estapa furd que o Demétrio conta o farmacêutico sobre um lobo que está ali rondando A Chácara Então veja ele tá falando desse Lobo que tá ameaçando a família mas na verdade ele tá falando eu preciso de uma arma
para fazer alguma coisa contra a Nina né então A Nina é esse animal perigoso que ronda a Chácara dos Meneses né então antes ela era descrita nesses termos e agora ela se torna ainda mais ambígua levando em conta seja a conversa que ela teve lá com a Ana dentro da casa onde vivia o jardineiro seja levando em conta o modo como os demais personagens Aem então por exemplo o Valdo ele diz o seguinte sobre a Nina na página 248 nina não é culpada eu sei talvez não seja consciente dos atos que pratica mas o mal
está irremediavelmente argamassado a sua natureza e tudo que vem dela respira um insuportável ar de decomposição assim como na na na parte anterior tem um momento em que o médico descreve a casa como esse corpo em decomposição também né veja que curioso Novamente Olha como essas duas figuras se relacionam De que modo brutal não amei eu essa criatura no tempo em que a amava para reconhecer e aceitar assim os signos da minha própria morte e as possibilidades da minha destruição ou e aqui não ouso mais do do que sugerir sem ter coragem para ir muito
longe não terá sido precisamente isto a imagem da minha morte o que nela me arrebatou de modo tão decisivo Então esse esse essa passagem aqui ela é muito interessante Pelo seguinte motivo é como se o se o Valdo tivesse falando olha o que me atrai nessa mulher é exatamente essa imagem da destruição e da minha destruição e isso é interessante porque parece que os Meneses eles estão fadados a acabar exatamente porque eles são autodestrutivos então o Timóteo ele se autodestrói bebendo e ficando lá trancado dentro do quarto e o Valdo se autodestrói ao se aproximar
dessa mulher que é uma Feme Fatale né E aí em outro Trecho ele a descreve usando ali um pouco mais abaixo desse que eu acabei de ler o Valda descreve ali usando um roupão preto e segundo ele esse roupão realça a palidez da Nina de modo que é quase como se essa mulher fosse ali uma pira que hipnotiza os homens ao seu redor E para arrematar em uma carta dirigida ao padre o Valdo também diz que a Nina tem essa influência maléfica sobre as coisas e que se fosse na época da Inquisição certamente a Nina
iria Parar na fogueira né então ela é uma Vampira ela é uma bruxa e coisas do tipo por outro lado pensando na relação entre a Nina e a casa a diz o seguinte na página 259 dessa Minha edição ah meu Deus eu tô lendo muito blá blá blá mas assim uma leitura conjunta então Teoricamente você pode assistir esse vídeo ao longo da semana né mas enfim Então existe aqui um trecho na página 259 em que a Bet diz o seguinte pela primeira vez e de um modo Insistente Insinuante eu sentia o que realmente era a
presença daquela mulher Nina um fermento atuando novamente essa imagem da decomposição Possivelmente nem ela própria teria consciência disso limitava a existir exuber epro de ceras plantas venenos Maso simples fato de que existia um elo mais disso infa na atmosfera e devar i destruo o que entorno constituía qualquer demonstração de vitalidade e era inútil esconder tudo que existia ali Naquela casa achava-se impregnado pela sua presença os móveis os acontecimentos a sucessão das horas e dos minutos o próprio ar o ritmo da chácara que eu sempre conhecera calmo e sem contratempos achava-se desvirtuado a qualquer momento poderia
sobrevir um acontecimento extraordinário pois vivíamos sob um regime de ameaça o espírito da casa já não era mais o mesmo e aí veja por falar Bet ela rapidamente percebe que tem algo De errado com o André depois que a Nina chega a Chácara e durante essa conversa que tem com o rapaz a Bet conclui que os Meneses estavam se dividindo de novo e muito provavelmente o Timóteo teria alguma coisa a ver com isso porque ela sabe dessa intenção do desse desse irmão mais novo em destruir o resto da família Além do mais eu achei muito
engraçado o fato de abete escrever um diário no qual ela fala muito mais da vida das outras pessoas do que da vida dela então enfim Achei isso uma coisa muito curiosa e nós temos também aqui alguns detalhes que a própria Nina revela e que ajudam a compor um pouco mais essa imagem dessa personagem então por exemplo existe um momento aqui em que ela escreve uma carta ao coronel e e nessa carta que é aquele mesmo Coronel que Enganou o pai dela e com contava histórias rocambolescas do exército etc e tal né Eh existe um momento
então que ela escreve uma carta ao coronel e nessa Carta ela diz que ela voltou pra chácara usando as suas roupas mais simples mais modestas e que fingiu passar mal assim que chegou à Chácara dos Menezes exatamente para poder conquistar a simpatia do Valdo e do resto da família e é interessante o modo como ela percebe que já não é mais possível se separar da família uma vez que assim que ela chega a Vila Velha todo mundo fica olhando ela passar porque como ela própria Diz ela está colada ao nome dos Meneses agora Eh uma
outra coisa que eu estou achando muito estranha é essa tal doença de origem nervosa da Nina eu acho que essa narrativa ela tá dando muita Volta para falar dessa doença então ou não existe doença nenhuma que é algo que eu ia falar assim que é algo que eu acredito que seja o caso mas aí agora eu me lembrei que Logo no início do romance A gente fica sabendo que a Nina morre por causa dessa doença mas enfim E então ou essa doença não existe E aí vai ter uma Explicação para isso para essa morte dela
depois ou na verdade essa doença da Nina não é tão simples quanto parece ser então fiquei me lembrando que por exemplo a minha avó tem algumas doenças que ela não gosta de falar o nome então ah Fulano tá com aquele negócio ruim ali que aí pode ser câncer pode ser depressão pode ser uma série de coisas então assim não sei talvez seja esse o caso aqui da Nina né talvez ela esteja com uma depressão que vai se Aprofundando talvez ela esteja com câncer não sei talvez ela esteja com alguma outra doença mas eu tô achando
muito esquisita essa origem nervosa da doença dela outra coisa é que nesse trecho que nós lemos então para esse vídeo aquelas comparações entre a Nina e as violetas são bem menos frequentes Na verdade acho que a única pessoa que faz essa comparação é o André que diz que a mãe tem cheiro de tem o perfume das Violetas E aí eu me lembro que nos Comentários ao meu vídeo anterior Alguém disse que a violeta é uma flor delicada e que acaba morrendo se fica muito na sombra ou em lugares úmidos e isso faz todo sentido pensando
em como A Nina é comparada com esse tipo de flor em alguns momentos então assim como a Violeta acaba morrendo se fica presa o mesmo acontece aqui com a Nina que é essa mulher que o tempo todo fica querendo sair da casa querendo dar uma volta no jardim e coisas do Tipo além daquela questão envolvendo o narrador implícito que organiza os Capítulos da narrativa outra coisa que eu percebi ao longo da Leitura desses capítulos para esse vídeo é que existe no romance uma recorrência do número três tanto pensando nesses três irmãos da família Meneses quanto
pensando nos três triângulos amorosos que vão se compondo ao longo do romance então nós temos ali um primeiro triângulo que é entre Nina Valdo e André outro triângulo que acontece entre Nina Valdo e Alberto e um último triângulo que se que acontece entre o jardineiro a Ana e o Demétrio agora qual o sentido por trás disso não faço a menor ideia jogo aí essa bola para vocês vamos ver se vocês têm alguma interpretação em relação a isso talvez isso tenha alguma coisa a ver com a Santíssima Trindade é possível mas eu não encontrei até agora
elementos o suficiente para sustentar essa leitura Até porque eu só fui me dar conta disso muito assim próximo do fim desse trecho que nós que nós lemos para esse vídeo né então mesmo sendo visível toda essa questão religiosa como algo importante aqui pra narrativa mas ainda assim eu não sei se D Liga essa leitura desse dessa recorrência do número três como fazendo referência então a Santíssima Trindade né E e essa questão religiosa é tão importante aqui que se a gente pegar o último capítulo que a gente leu que Foi o capítulo 28 eh ele tem
ali um diálogo entre o Valdo e o padre e nesse diálogo o Valdo pergunta o que que é o inferno e o padre responde o seguinte o inferno é isto esta casa esta varanda este sol que uniformiza tudo o inferno é por sua essência a mais mutável das coisas em última análise é a representação de todas as paixões dos homens isso que eu li está na página 302 dessa Minha edição aqui e aí agora tudo isso para dizer Dessa importância dessa essa discussão religiosa pro romance E aí só para encerrar mesmo o vídeo eu tenho
aqui um comentário a fazer sobre o Valdo porque no meu primeiro vídeo eu acho que até falei disso eu acho eu tinha achado o Valdo meio prc assim ele é um cara um cara meio esquisito né meio bobo eh só que agora já deu para perceber que ele não é tão bobo assim ou na verdade o que acontece é que tudo está tão as claras que nem tem como enganá-lo mais De maneira satisfatória e e eu estou aqui me referindo mesmo ao caso entre Nina e André porque o Valdo ele percebe que o filho tá
muito estranho quase como se ele estivesse ali guardando um segredo como se ele estivesse eh se sentindo culpado por alguma coisa desde que a mãe chegou e é claro que quando o Valdo confronta a Nina Ela diz que tudo Aquila coisa da cabeça dele que nem tem cabimento ele sentir ciúmes do próprio filho e coisas do tipo só que mesmo Sendo enganado constantemente o Valdo ainda demonstra gostar muito da Nina tanto é assim que antes que ela chegue a a a chácara o Valdo pede que o André vá passar uns dias longe da propriedade porque
uma vez que a nina está doente com essa doença dos nervos era preciso que ela primeiro se acostumasse novamente ao clima da chácara para só Então ela tem essa emoção forte de encontrar esse filho né então Isso demonstra um certo zelo um certo carinho Do Valdo para com a mulher certo então é isso eu comecei o vídeo falando que eu achava que esse esse vídeo não ficaria tão tão longo mas pelo visto ele ficou mas não tem problema certo eh para o próximo vídeo nós vamos ler do Capítulo 29 ao ao Capítulo 42 o que
nessa Minha edição aqui dá 119 páginas então perceba que o número de páginas foi diminuindo aos poucos né e assim nós vamos chegar aqui a terceiro ao terceiro vídeo de discussão né Eh então enfim se Você aí eh já avançou a leitura ou não me diga aí nos comentários Diga aí nos comentários também quais foram as suas impressões dessa parte da leitura e caso eu tenha cometido algum equívoco em relação a aqui ao totem e Tabu do Freud por favor me corrija com alguma educação certo Enfim então é isso eu vou deixar na descrição desse
vídeo o link para uma playlist Onde consta os meus outros vídeos sobre as obras do Lúcio Cardoso vou deixar enfim certin as referências Bibliográficas aqui e por fim Vou deixar o link para o meu perfil do apoia-se e assim caso você queira e possa contribuir financeiramente com esse meu trabalho basta você entrar em contato com os planos de apoio e também com as recompensas equivalentes a cada um desses planos fica aqui o meu agradecimento pessoas que já contribuem para você que quer fazer isso mas que não pode fazê-lo financeiramente basta você mostrar aqui pro algoritmo
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