Bom dia a todos. Sejam muito bem-vindo ao nosso webinar descomplicando o decreto 12686 de 2025. Hoje nós temos a honra de receber a Silvia Ferracini, um nome até chique, né?
Ferrares >> tá lendo o nome internacional. Silvia >> é italiano >> isso. Então, a Silvia é mestre em intervenção pedagógica em desenvolvimento da educação.
Ela é graduada em fisioterapia e pedagogia, idealizadora do Instituto Inclusão na Escola e tem uma ampla experiência, são só 20 anos, né, Silvia, de na reabilitação de neuropediátrica. E a Silvia tá aqui para falar um pouco para nós desse decreto que acabou que tá sendo um um momento de discussão política em todo o Brasil, né, Silvia? A gente não sabe se esse decreto realmente vai ficar estabelecido ou se a gente vai ter mudanças, mas acreditamos que mesmo que as mudanças aconteçam, a inclusão ela precisa de acontecer de fato.
E nós esperamos que a Silva possa contribuir com nós todos, gestores, secretários, diretores, para que a inclusão aconteça verdadeiramente. Bem-vinda, Silvia. >> Obrigada.
Bom dia a todos. privilégio estar aqui. Eh, e acho que para organizar a nossa conversa, eu vou eh usar uma apresentação só para nortear, mas deixando claro que estamos abertos aqui para perguntas.
As perguntas podem ser feitas pelo no chat. Eh, e nós estamos aqui para uma conversa. Vou compartilhar a tela.
Eh, como eu não vou ver vocês nesse período, aí você pode interromper dear, por favor, e ir fazendo as perguntas, tá? Para o Silvio, para começar, eu queria ver com você o que que muda na prática para as redes municipais com a chegada desse decreto. Há novas responsabilidades ou é apenas uma reorganização daquelas que existiam?
>> Olha, ótima, excelente pergunta pra gente começar. Eh, porque eu vejo como eh uma reorganização, ela é muito mais uma reorganização do que um uma mudança radical no que já existia. O decreto, na verdade, ele ele pegou o que já tinha ali muito claro na LDB, na LBI e na Constituição, na desculpa, na Lei Brasileira de Inclusão, né, a LBI.
E ele organizou isso. Eh, o que eu acho que vai ter de mais mudança nesse nessa estrutura é a chegada do PAE. a gente via muito mais eh os municípios preocupados em realizar o PEI, né, que era o documento norteador, o plano educacional individualizado.
E agora o decreto traz com muita mais muito mais força o AE e o plano do atendimento educacional especializado. Então acho que essa vai ser a grande mudança. É, e aí acho que para falar um pouquinho, pra gente nortear o que é esse decreto, né, o que o a nossa leitura aqui quanto instituto sobre o decreto é que ele vem para fortalecer a inclusão escolar e combater o capacitismo.
Eh, como a gente enxerga que ele combate o capacitismo? é a partir do olhar muito forte eh na perspectiva biopsicossocial desse estudante, identificando as barreiras que ele enfrenta para participar e criando facilitadores. Eh, acho que relembrando esse conceito que provavelmente a maioria já conhece, o capacitismo é o preconceito que a gente tem em relação à pessoa com deficiência.
é quando eu subjulgo ela eh quanto à capacidade dela de eh participar, de aprender e de eh ter as mesmas oportunidades como os demais. Eh, o público do decreto, o público da educação especial, ele continua sendo mesmo das outras legislações. Então, os estudantes com deficiência, deficiência física, sensorial, surdez, eh baixa audiçãeira, baixa os estudantes teia, os estudantes com altas habilidades e superdotação.
Então, o público não mudou. Mas o decreto trouxe aí um cenário de muitas dúvidas e preocupações. Então, acho que todo mundo, como a Edou dizendo, eh tem eh vir cenário de ponta cabeça.
Então, é muita dúvida, vai ter escola especial? Não vai ter. Eh, o decreto anula essa possibilidade?
Eh, eh, eu vejo que existem sim, como todas as legislações que entram em vigor, existe a necessidade de ajustes, né? Existem os pontos que são interessantes, outros que precisam ser vistos. Eh, e parece o as leituras que eu tenho feito que essa semana teremos novidades em relação a esse decreto, mas tem coisas que são muito boas e que continuam aí e que eu acredito que elas não serão eh revogadas.
Então, o que eu enxergo, que é muito bom desse decreto, que é a oferta do AE em todas as etapas e modalidades de ensino. Então, você vai me perguntar, eh, o que que quer dizer isso? Eu tenho que ter oferta de AE na educação infantil?
Sim. Eu tenho que ter noeja? Sim.
Então, essa oferta em todas as modalidades e a educação especial como transversal eh no nesse formato de educação, então ela é algo que tá muito claro no decreto e que eu acredito que vai continuar. Eh, o acesso à participação à permanência e aprendizagem dos estudantes com deficiência. Então isso tá muito claro ali na no decreto e que eu acredito que é um ganho muito grande.
E como é essa esse olhar para para essa garantia? Ele é muito a partir do estudo de caso. Ele aparece com muita força nesse decreto.
E o estudo de caso, ele é a base pro AE, pro funcionamento do AE paraa fundamentação e elaboração do plano de atendimento educacional especializado. O que é este estudo de caso, né? Acho que é importante a gente falar.
é um momento que eh você vai receber esse estudante. Acho que aqui um parênteses que vale a pena falar também, né? Eh, um ponto polêmico do decreto é que a gente não vai precisar mais de laudo para garantir eh a participação desse estudante e a matrícula dele no AE.
Então você vai ter que ter um ponto de partida para atender as demandas daquele estudante. A gente ainda é muito eh ligado no laudo, então ele é até eu vou trabalhar dessa dessa dessa forma. E a ausência do laudo vai trazer aí um desconforto e e vai atrapalhar esse ponto de partida.
Eh, então o estudo de caso é uma prática que vai ajudar muito nesse ponto de partida. Então, nesse estudo de caso, o AEE vai ser o maestro e ele vai contar com a participação dos gestores, da equipe pedagógica, do professor regente. E esse estudo é que vai nortear a identificação das barreiras que esse estudante enfrenta para participar.
E a partir disso é que vai se traçar o plano eh para criar aí os facilitadores para participação, as estratégias, vai identificar se a gente tem que trabalhar com esse estudante eh as práticas de vida diária para ele poder participar da experiência ou a gente vai ter que eh criar estratégias para ele se regular ou ou a gente pode criar estratégias para desenvolver os objetivos acadêmicos. Então, é a partir desse estudo de caso que tudo vai ser construído. Eh, e ele fala de formação específica também pro professor do AEE pro profissional do apoio.
Eh, é um ponto polêmico também, né, Edinamarca? a gente tava até conversando antes, eh, porque essa formação não tá muito clara como vai acontecer, quem vai oferecer. Eh, e a gente sabe também que o as horas previstas ali, elas não necessariamente são suficientes.
>> Então, acho que esse é um ponto polêmico. Silvia, e como eu posso para garantir que o que o PAE não seja apenas um documento burocrático, mas ele realmente seja um instrumento pedagógico transformador, porque você falou que ele conversa com o AE. Como que a gente que o secretário vai alinhar para que isso para que a inclusão aconteça?
Realmente >> eu acho excelente pergunta. Eh, o PAE ele é feito pelo AE, então é o professor do AE que vai estruturar isso. E ele, a eficiência dele vai depender muito de como essa equipe vai estar engajada nesse processo.
Então, um estudo de caso bem feito, ele vai ser, ele vai desenhar aí eh essa estratégia a partir do olhar de todo mundo que que compartilha a experiência dessa criança. Então, eh do mesmo jeito que o PE e o PAE é um documento multidisciplinar e que deve ter ali ser revisitado, ele é vivo, ele tem que ser revisitado sempre. Então, eh, para que ele seja efetivo, a gente precisa ter a participação do professor regente, dos gestores, eh, e da família.
a família sendo aí um agente importante para informar eh paraa escola as dificuldades desses alunos e o que funciona para minimizar essas barreiras de participação. Então eu vou dar um exemplo para vocês. Um estudante TEIA.
A gente sabe que o estudante TEA, ele enfrenta questões aí, desafios relacionados à comunicação, a interação social e ele tem eh geralmente comportamentos repetitivos, interesses restritos e comportamentos repetitivos. Então, quando eu sei, por exemplo, do hiperfoco do meu estudante TEA, eh, e eu coloco aí no meu paê, eu posso, eh, oferecer essa dica pro professor regente e ele usar esse hiperfoco eh no planejamento das estratégias em sala de aula. Então, eh, ou um estudante que tem uma questão motora e em casa ele usa uma colher adaptada, por exemplo, para comer.
Quando a família me dá esta referência e eu adquiro, por exemplo, esse recurso de tecnologia assistiva, eu vou facilitar a participação dessa estudante na hora da alimentação, por exemplo. Eh, então, nesse momento, quando eu tenho esse e documento com todas essas esses olhares importantes, específicos do estudante, eu consigo oportunizar maior participação para ele e facilito também o trabalho do professor, porque ele já vai eh ter ali elementos paraa prática dele. Respondi a tua pergunta ou ficou muito amplo?
Não. Tá bom. E quais os erros mais comuns que você tem observado nas redes ao elaborar este plano de atendimento aluno?
Olha, eh, um erro importante é a gente não partir do estudo de caso. Então, quando eu não tenho essa prática, eh, é muito mais difícil enxergar eh o ponto de partida que é a identificação das barreiras de participação. E acho que um segundo ponto em eh igualdade, né, a gente coloca ali eles como par, é você não ter um passo a passo para fazer esse documento.
Eh, não é, a gente não encontra com muita facilidade no MEC ou em outros órgãos eh documentos pra gente se basear e usar como referência. E aí, pensando nisso, nós fizemos um documento, eh, um guia para realizar o pae, o passo a passo para realizar esse paê e a gente vai oferecer para vocês no final da live. Então, isso já fica aí como um facilitador.
>> Ai, que ótimo, Silvia. Então, Silvia, os e quais os indicadores de evidências que a escola deve registrar para demonstrar o avanço desse estudante que foi incluído em sua rede? >> Muito legal pensar nisso, Ednamar, porque o pa é um ponto de partida, né?
é o documento que a gente estruturou ali, é o norte, mas a gente tem que fazer um registro eh dos atendimentos desse estudante, o que está avançando, o que precisa ser melhorado. Eh, então, eh, permanece o que cada rede usa como registro. Então, eh, quem usa portfólio, quem usa diário de bordo ou quem usa um registro.
Então, é muito importante que eh cada rede tenha o seu formato aí de eh registro desses atendimentos, porque a partir desses registros que a gente vai ter uma ideia do processo de participação dessa criança e de como ela está avançando. E aí na próxima, eh, porque o esse paê precisa ser revisto, como eu disse anteriormente, né? Eh, isso a cada dois meses, três meses.
E aí você vai ter uma ideia dos avanços e você vai poder eh fazer ali uma nova avaliação e rever aquelas barreiras continuam as mesmas ou se são outras barreiras que eh que vão ser identificadas a partir daquele momento. Então, ele é um documento que precisa ser revisitado com frequência. E como que eu organizo o fluxo interno da escola, da secretaria e dos profissionais de apoio para que o pai funcione sem traç?
Porque eh a gente sabe que dentro da escola existe grupos de pessoas, a gente lida com vários como que que a escola deve organizar para para que isso funcione bem? Faz não, isso aqui vai acontecer e a rede vai tá trabalhando junto com a família focada neste nesse paí. Olha, eu gosto muito e eu já fiz isso em redes que deu muito certo.
Eh, quando se faz o planejamento do AE, da o cronograma de atendimento do AE, eu gosto muito de colocar horários para atendimento das famílias e atendimento dos professores. O papel do professor do AE, ele é amplo. O foco do AE não é só o atendimento do professor do AE.
ele tem o o foco no atendimento da criança, mas ele tem também o foco no atendimento aos professores e às famílias. Então, eh quando se faz o cronograma de atendimento, aquele horário que a gente faz aí todo começo de ano, eh, como vai ser a carga horário do professor naquele semestre, pelo menos, eu gosto de colocar esses horários pro professor do Aê. Então, o horário já de atendimento das famílias e dos professores, vai conseguir planejar os estudos de caso, eh, envolver a família e os professores regentes.
>> É porque senão acaba que fica sobrecarregando o professor e o gestor, né, Silvia? Exatamente. Então, quando a pessoa pode alinhar esse planejamento para não pesar para ninguém, mas que ele seja efetivo pro atendimento do aluno naquela rede.
>> Exatamente. >> E aí, Silvia, muitas redes ainda nem implementaram eh a sala de recurso, que eu acho que é fundamental neste momento toda escola ter sua sala de recurso. E aí, se minha escola não tiver um espaço, não tiver uma sala, que que eu devo fazer?
Eh, vamos eh voltar aqui, dividir um pouco essa pergunta. Quando você fala em sala de recursos, a gente tá falando da sala de recursos multifuncionais, né, que é aquela sala prevista ali na legislação, que inclusive eh a legislação tá bem desatualizada, né? né?
A a o que fala no MEC ainda é de 2010, né, que fala de do que vai nessa sala e tal. Eh, os recursos de tecnologia assistiva previstos ali já inclusive estão bem defasados, a tecnologia já evoluiu muito mais em relação a isso. Então, eh, o atendimento é preferencial nesse espaço, mas o atendimento do A não precisa só acontecer ali.
Ele pode acontecer de forma itinerante. Ele pode acontecer na sala de aula ou ele pode acontecer num espaço que está disponível. Então, eh, Dinamar tava me contando que tem muito caso de centro de atendimento que funciona também como AE.
Então esse professor pode se deslocar do centro de atendimento e atender numa sala que tá disponível ali naquele horário. Quando você tem um documento estruturado como paê, que você sabe as barreiras que o estudante enfrenta, que você já sabe, eh, você tem objetivos claros sobre como trabalhar com aquela criança, você pode levar o material e realizar o atendimento lá. por exemplo, na unidade que o que o estudante estuda.
Então, eh a sala de recursos não pode, a ausência da sala de recursos não pode ser um impeditivo para esses atendimentos. Então, acho que desde que ele seja feito no contraturno, né, Silv? Exatamente.
Exatamente. >> Porque o secretário, o município, só recebe aquele recurso pra sala de AE se o aluno tem esse atendimento, desde que ele seja feito no contraturno. >> Exato.
E a gente sabe que isso é muito comum, né? Então, por exemplo, a escola funciona no período da manhã com todas as salas lotadas, mas à tarde essa sala fica livre. Então, eh, eu posso usar aquele espaço, eh, como um atendimento.
Então, isso é completamente possível. >> E sobre o papel da família, Silvia, na construção do paê, dentro do decreto, há diretrizes claras sobre isso? Eh, as diretrizes não tão eh não estão tão desenhadas, né, Edinar, nesse ponto, mas esse papel é como estavam nas outras legislações, ela é papel fundamental a participação da família, como eu disse antes, no estudo de caso, eh na informação paraa escola do que funciona ou do que não funciona com essa criança.
Eh, e acho que hoje, até assim, fugindo um pouco do decreto, a escola tem absorvido muito eh o papel do que seria da família a escola tem absorvido para ela. Então, é muito importante trazer eh a família como parceira, mas colocar para ela o que é responsabilidade dela, né? Eh, porque o papel da escola é um e o da família é total, né?
A criança fica com a gente ali 4 horas, 6 horas e ela é da família. Então, a gente precisa muito dessa parceria e de acolher essa família para que ela entenda o que é o que é dela nesse processo. >> Ô, Silvia, e tem pessoas preocupadas, inclusive tem até uma pergunta no nosso site.
E se não for professor, for só monitor, eh, quando é que pode ser só um monitor que não tem necessidade de ser um professor com especialização? Eh, esse monitor, eu acho que assim, o que tá claro no decreto é que precisa ter uma formação de nível superior, eh, pedagogo ou eh eh esqueci o nome, agora fugiu, mas pode ser uma pessoa que se formou em letras, que se formou em matemática, enfim, ele tem que ter eh essa formação. O que eu acho que muda decreto e que pode ser uma vantagem pro município é que você pode oferecer essa formação continuada para ele se capacitar, mas não dá para abrir mão do nível superior como responsável do AE.
Agora o monitor ele entra como aquele profissional de apoio, né? Aí ele pode ser um profissional eh de formação de nível médio e aí ele também precisa receber formação continuada, aquela formação de no mínimo eh 80 horas. >> Pode continuar com sua apresentação porque eu interrompi algumas vezes.
>> Não, sem problema. Tá, tô gostando das perguntas. Bom, acho que aqui também eh entrando aí nessa questão do AEE, eh essa fonte aqui do dessas informações que eu vou colocar, elas são do censo escolar de 2024.
Então, eh, pouquíssimos professores, olha, somente 6,4% dos professores gentes, eh, recebem informação continuada em educação especial. Então, com tão pouca formação, eh, pouco esse professor vai conseguir fazer em sala de aula. Da mesma forma, um dado que eu acho eh crítico é que menos da metade dos professores de de AE, esses que são responsáveis pelo AE, eles recebem também formação continuada.
Então isso é um dado alarmante. Agora, outro dado eh crítico é que só 20,5% das escolas informam ter o serviço de AEM. e menos da metade dos alunos que frequentam a escola estão eh estão sem serviço do AE.
Então assim, mais da metade não tem o serviço do AE. Então, isso são informações eh importantes paraa gente conseguir eh tirar esse projeto do papel, né, de de ter o paê, de TP, de ter um atendimento educacional que funcione de verdade. Eh, e aqui, ó, é uma um retrato do que a gente fez no município aqui de São Paulo, município de Campos do Jordão, e ele mostra quanto o papel de interação do AE, eh, gestão escolar e professores, ele faz a diferença.
Então, nós fizemos o estudo de caso desse aluno que tá aqui na segunda foto, que tá com fone de ouvido. E nesse estudo de caso, nós identificamos que uma grande barreira de participação de para ele na escola era a questão auditiva. Ele tinha um desconforto muito grande com todos os barulhos da sala.
Ele tá num sétimo ano e aquilo era muito desconfortável. E junto com a escola nós planejamos colocar bolinhas de tênis eh em todas as cadeiras e mesas a fim de eh diminuir os ruídos. E foi um projeto muito legal porque participou a gestão, a e envolvemos todos os alunos da sala.
E aí foi muito interessante porque todos os estudantes eh perceberam que houve para eles também uma melhora na participação, porque aquele ruído não incomodava só o Bruno, ele incomodava todo mundo também. E foi muito legal que num último congresso que eu participei agora em São Paulo, eu encontrei a profissional de apoio desse aluno. E a gente fez isso aqui em abril, eh, em outubro, quando a gente fez, quando eu tava no congresso, ela me disse que esse menino evoluiu muito porque a gente removeu essa barreira de participação.
ele tava melhorando no desempenho acadêmico, ele tava não precisava mais usar tanto fone, então houve um ganho muito grande pra sala, pra escola. E esse menino, olha, eh, o orgulho, ele é um artista, ele eh foi o quem desenhou esse essa imagem aqui, que é uma exposição que tem lá em Campos. Toda Páscoa eles eles eh chama Páscoa com arte.
Eles convidam vários artistas para pintarem esses ovos de Páscoa que ficam espalhados na cidade e ele foi um dos artistas. Então, eh, olha o potencial desse menino. Então, a gente identificava esse potencial e removeu uma barreira de participação que comprometia muito ele.
Então isso é, eu gosto de mostrar porque a prova viva do que do efeito que tem esse estudo de caso, a identificação de barreira e como a gente criando eh estratégias facilitadoras, a gente melhora o processo de aprendizagem e de participação. E aí acho que para eh caminhando pro final, né, dear, depois a gente fica aqui mais tempo para perguntas. Então aqui tem um Qcode com o esse guia prático para fazer o pae.
Eh, vocês fiquem à vontade para acessar e e receber ele gratuitamente. Depois eu compartilho também com o pessoal da MM. Eh, e acho que vai ser bem interessante para vocês terem isso.
Eu volto depois. Aqui tem nosso contato. Eh, esse outro Qcode vocês vão conseguir eh acessar no nossas redes sociais e nossos contatos e nós estamos à disposição aí para ajudar vocês nessa jornada.
Vou voltar aqui pro guia. >> Silvia, eh, as muitas prefeituras ainda têm convênios com a com as APAI. Eu penso que elas vão continuar esses convênios, né?
Porque eu não acho que o decreto vem literalmente acabar com as apazes. Você tem alguma fala nesse sentido? >> Não, não tem nenhuma intenção.
A gente viu até recente vídeo do ministro Camilo validando isso, né, de que não vão ser fechadas. Eh, o que se fala do papel da pai é o que já estava em outras constituições, né, em outras legislações, desculpa, que é o papel da pai como a EE. Então, a pai teria o papel de funcionar como atendimento educacional especializado, realizar o paê, orientar a escola, eh, em seria a participação desse estudante.
Então, o papel das APAI seria como oferta do atendimento educacional especializado >> também, né? Porque porque a preocupação do decreto é que ele fala que os alunos devem ser exclusivamente matriculados em redes de ensino regular. Quando ele usa essa palavra exclusivamente, dá a entender a a nós leigos que eu não vou poder matricular o meu filho que tem uma dificuldade e que eu prefiro matriculá-lo na escola especial.
>> É, isso é muito controverso, né, Ednamar? Eu eu trabalhava numa instituição que tinha uma escola especial, fantástica, que é a CDI, né? E eh, então eu não sou totalmente contra, a gente sabe até a nível três de suporte, por exemplo, eh nem sempre é tão simples a participação desse estudante numa escola comum, né?
a escola de todo mundo. Eh, mas eu acredito que em breve a gente vai ter algum alguma retificação, pelo menos no decreto em relação a isso. Eh, porque colocar todo mundo eh no exclusivamente é um pouco complexo, né?
>> Então, a gente a preocupação, a grande preocupação, eu acho que foi esse termo, né? Quando a pessoa usa a esse termo exclusivo, a gente fica perguntando se é um decreto federal que fala que o aluno vai estar exclusivamente matriculado no eu acho que se ele usasse a palavra preferencialmente a gente tinha uma certa tranquilidade. Então eu eu compreendo eh os pais com essa preocupação que tem os filhos matriculados em paz e a gente sabe da responsabilidade do papel das entidades que t desenvolvido, né?
Sim, >> mas ainda resta essa preocupação. >> E outra coisa, Silvia, se eu tenho na minha rede professores com especialização, com curso de formação, eu posso deixar de contratar esse professor e contratar simplesmente um monitor que tem ensino médio? >> Não, como profissional de apoio, né, Dinamar?
Como profissional de apoio, >> porque pra sala de AE eu tenho que ter um professor especializado, né? >> Sim, sim. Eh, na verdade acho que muda um pouquinho no decreto eh que ele não precisa, eh, já ter essa essa formação, ele precisa receber essa informação.
Essa formação, ele pode ser um pedagogo, por exemplo, com interesse na educação especial ele receber essa formação. ele não precisa ter aquela pós-graduação ou ter feito eh a pedagogia, educação especial, por exemplo. Mas ele não pode ser nível médio, não.
>> Sim. Então, e ainda vai continuar essa diferença entre o professor e o monitor, o profissional de apoio. >> Sim, sim, sim.
Isso tá bem claro. >> Profional de apoio vai ter o seu lugar, mas o na hora de de sala de AE, eu tenho que ter preferência para ter um contratar um professor com especialização. >> Sim.
Forçando a especialização, né? ou fazendo a especialização. E acho que nessa essa questão das da formação das 80 horas, ela facilitou bastante, né?
Porque é uma você imagina que antes você tinha que fazer uma uma pós-graduação de 300 e poucas horas, que eram formações que não necessariamente eram práticas. Eh, e agora a gente tem aí essa possibilidade de fazer uma formação eh mais inxuta e que pode ser com um pouco mais de qualidade. >> Uhum.
Ô, Silvio, quais as ferramentas de tecnologia você recomenda para apoiar o monitoramento dessa sala, desse aluno, principalmente no PAE? >> Eh, o que o que você me diz? Desculpa.
Eh, só repete a pergunta. Você tá perguntando >> as ferramentas tecnológicas >> de tecnologia assistiva. Você tá falando >> isso para acolhar o monitoramento.
>> Ah, tá. Olha, a tecnologia assistiva, ela é muito, ela precisa ser muito personalizada. Então, eu vou dar alguns exemplos.
Eu eu vou ter que sempre prescrever esse recurso a partir do estudo de caso e da identificação de barreiras. Então, quando a gente fala, por exemplo, de um estudante com paralisia cerebral, eh, que ele é atendido já na PAI com fisioterapia, com fono, provavelmente eles já vem com alguns recursos de tecnologia assistiva, como a cadeira de rodas, por exemplo, ou um acionador de de teclado ou um recurso de comunicação. eh de comunicação alternativa, por exemplo.
Eh, agora, às vezes um estudante e que vem pra escola e não tem esses recursos, eu posso usar, por exemplo, para um teia um apoio visual, eh, para ele acompanhar o conteúdo na sala ou fazer um um recurso de tecnologia assistiva eh de baixo custo, que é o uso daqueles pictogramas ou ou até mesmo imagens, eh, desenhos para ajudar a comunicação desse estudante a dizer o que ele ele quer ou que ele não quer, se ele prefere água ou suco. Eh, então eu consigo ter esses esses apoios, mas acho que é vale a pena reforçar que assim, tecnologia assistiva, ela eu inclusive nem acho muita vantagem você comprar aquele monte de recurso porque você nem sabe a tua clientela, você não sabe se vai ser eh útil ou não. Então, por exemplo, não são todos os alunos que precisam de uma colmeia no teclado para usar com acionador.
Eh, então eu deixo para comprar uma colmeia se eu eh precisar, quando esse aluno chegar eu vou identificar que ele precisa a partir daquela avaliação. Agora, o que toda sala precisa ter, que vai atender assim um grupo grande de alunos, é uma mesa com aquela eh plano inclinado, aquela mesa que eh é o o apoio dela levanta e abaixa. É, eu todo, toda sala é importante ter uma plastificadora porque a gente usa muito recurso e produz jogos e materiais que precisam de plastificação.
É uma mesa recortada para quem usa cadeira de rodas. Isso são materiais bem básicos que todo mundo precisa ter, inclusive até os jogos. Eu sou muito favorável a adquirir jogos a partir das demandas que aparecem ali, porque a gente vai ter uma otimização maior.
Há uma outra coisa que eu acho bacana que sempre usa, né, material dourado, eh, letra móvel, que são coisas mais simples que a gente geralmente até tem na escola. Silvia, tem uma pergunta de um de um secretário, eh, ele entende assim que a formação pedagógica do estudante da educação especial é de responsabilidade do professor regente e do AEM e que o monitor ou profissional de apoio seria mais para as questões de dificuldade de locomoção, alimentação e outros. >> Ótima pergunta.
Eh, no decreto ele fala que tem esse papel, né, dos apoios. Então, o que seriam esses apoios? A gente apoia naquilo que o estudante não dá conta de fazer.
Então, por exemplo, um estudante TEA que tem dificuldade de participação ali naquele momento eh pedagógico. Então, o professor do AE e o professor regente, eles conversaram, pensaram a estratégia, definiram os objetivos, eh os recursos que iam usar. E esse monitor, ele vai ser um apoio eh para realizar aquela estratégia, ajudando o estudante a participar no trabalho em grupo ou eh lendo para ele o que ele não dá conta de ler naquele momento ou apontando ou eh mostrando para ele os apoios visuais que vão dar a ideia do que ele tem que fazer no começo, meio e no fim.
Então ele é exatamente um apoio nisso. Eh, eu acho que volta até no que a gente falava na LBI, né, que tinha aquela aquele eh aquele aquele desconforto também que todo o município começou a ter que contratar muito profissional de apoio, porque os pais exigiam, tal. Eh, e eu sempre tinha uma fala de que, eh, a gente tem que ver que apoios realmente essa criança precisa, porque às vezes o a gente ter um profissional de apoio ali o tempo inteiro, eu não tô trabalhando com a autonomia dessa criança.
Então acho que essa esse trabalhar conjunto do professor do AE e do professor regente, a gente vai dar mais elementos para esse monitor ser eh ter um trabalho mais otimizado ali na sala de aula, a saber exatamente o que ele precisa fazer ou não. para uma rede que ainda está iniciando o processo, por onde você recomenda que eles para eles começarem para garantir uma implementação sólida do do desse decreto, né, da desse plano de atendimento? investir no ae, investir em eh em desenhar esse serviço, eh, em porque é só a partir do AE que a gente vai conseguir implementar todas as outras coisas.
Então, eh, o AE ele é um investimento, ele não, quando você olha pro AE, você pensa que ele vai ser só para atender aqueles estudantes, mas na verdade não é. Ele implementa na escola uma política de educação inclusiva. E educação inclusiva, ela pensa em todo mundo, não pensa só nos alunos com deficiência.
Então, quando eu começo a desenvolver o olhar de identificar barreiras, automaticamente isso vai se expandir para outros alunos. Tanto que a escola tem um número eh maior de estudantes com dificuldades de aprendizagem, de eh TDAH, TOOD, muito maior do que alunos matriculados no AE com deficiência. Então, quando eu trabalho com o AE e trabalho com eh eh intercalando aí eh aliando com o trabalho com professor regente, eu expando essa prática pros outros alunos.
que não são público do AEE, mas que eh serão beneficiados. Por isso eu costumo dizer que para nós educação inclusiva diz respeito a todo mundo. Eh, e aqui a gente tá falando de atender especificidades, mas a gente tem uma um um grandes necessidades na escola toda.
E quando eu invisto num AE, eu invisto em expandir isso para todo mundo da sala. Eu gosto também de dizer que quando uma estratégia dá certo pro estudante com deficiência, ela com certeza vai dar certo para outros alunos. Então quando eu invisto nisso, todo mundo ganha.
correto. E para finaliz caminhando pro final, né, Silvia, eh qual que é a maior mensagem que você deixaria para os gestores eh para começarem implementar essa política de forma efetiva? Você acha que só o laudo médico quando o médico lauda uma criança e que muitas vezes tem uma criança que não tem laudo na sala de aula e que o professor percebe que ele precisa desse atendimento?
Eh, você acha que esse decreto ele deixaria os gestores mais tranquilos ou ele seria mais um entrave na efetivação dessa política? Então agora pelo decreto você não precisa do laudo, né? O que o que para uma cidade pequena e com dificuldades para conseguir esse laudo é um ganho, né?
Porque antes as crianças ficavam ali esperando um tempão para atendimento e agora não vai precisar. Eh, o que não quer dizer que o laudo é vilão, né? Embora a gente veja aí que alguns laudos são incoerentes, precisariam de mais eh de um olhar mais atento, um olhar de equipe multidisciplinar, mas agora essas crianças vão poder receber o atendimento independente do laudo.
Então o secretário, nesse ponto vai poder ficar mais tranquilo. Eh, o que não quer dizer que a falta do laudo não prejudica essa criança em outras coisas, né? no recebimento de benefícios, eh, e, e, eh, em acessos que ela pode ter quando tiver o laudo, mas em relação a E, ela vai poder ter o atendimento sim, normal.
Eh, agora, o que eu reforço o que eu disse antes, que quando a gente investe na educação inclusiva, todo mundo ganha. Então, eh, que os secretários pensem nisso e invistam em políticas pro seu município, invistam no AEM, invistam eh em profissionais eh qualificados para eh comandar esse serviço, porque todo mundo vai ganhar, aqueles que têm alguma deficiência ou aqueles que estão com dificuldades ali naquele momento ou dificuldades permanentes, eles também vão ganhar bastante. Então, acreditem, educação inclusiva, ela faz bem para todo mundo.
Dos, você tem mais alguma consideração ou nós já podemos partir? >> Bom, eu sigo à disposição, então vocês têm aqui os meus contatos. Eh, a gente tá à disposição para ajudar vocês aqui em semanas pedagógicas, em eh nesse percurso de implementar OAE.
a gente já faz isso em diversos municípios e estamos aqui à disposição para ajudar vocês nesse processo. >> E assim, só reforçando a importância do da sala de AE, né, desse papel, porque o município ele recebe para esse aluno que tem esse atendimento no contraturno o valor dobrado e mais 1,4% que é o da educação especial. Então, se o município não implanta essa sala, ele com certeza terá menos recursos.
para desenvolver essa política, né, Silvia? >> Sim, sim. >> E a sala de AE, além de dar eh essa assistência pro aluno, ela é uma é uma forma do município ter o seu recurso garantido para essa política.
Porque se o profess se o município não tem essa sala implantada, na hora dele fazer o censo escolar, ele não tem como lançar esse atendimento do aluno, ele não vai receber esse recurso para efetivar essa política. >> Sim. Sim.
>> Eh, tem uma pergunta para você, Silvia. Eh, que que você pensa sobre o setor psicossocial no estudo de caso? Eu acho excelente, excelente, porque muitos casos, eh, inclusive vem de encontro com o que você perguntou, Dinamar, muitos casos eh estão crianças que estão em situações de de tanta vulnerabilidade que elas funcionam até como deficiência e elas precisam desses apoios também.
Eh, na no estudo de caso, a gente o mundo perfeito é que tem a participação de equipe multidisciplinar, as equipes de CRAS, quando é o caso, eh porque eles vão ajudar muito a gente com estratégias, inclusive para acolher e responsabilizar as famílias, né, Dinamar, que acho que é um um grande entrave aí nas situações. Então, eh, eu acredito muito na importância desse, dessa participação, porque multidisciplinar, ela tem esse olhar, né, Silvia, assim, principalmente na hora de construir esse plano de atendimento, eh, >> porque às vezes a criança pode tá até, às vezes é uma certa dificuldade e não um, um problema mesmo físico, né, de repente >> é um meio que a criança tá inserido. do que tá levando ela até essa dificuldade, né?
>> E na orientação também dos recursos de tecnologia assistiva, né? Elas vão poder ajudar muito na na sugestão e na confecção desses materiais que vão ajudar tanto a participação do estudante, >> certo? Então, agradecendo imensamente a participação de todos que estiveram conosco, né?
A nossa live vai ficar gravada, né? E a Silva vai disponibilizar esse material depois paraas pessoas, os que já tiveram QRCOD e os que não. E as contribuições valiosas, viu, Silvia?
Obrigada mesmo desse decreto e nós continuamos à disposição de todos e os ori nossas práticas. Eu acredito que é um momento de interação, né, que essa tecnologia veio trazer para nós. Eu desejo a todos um excelente dia e até o nosso próximo encontro.
E acredito que nós vamos estar falando da saúde emocional dos professores e dos nossos profissionais. >> Obrigada a todos e até mais. >> Obrigada.
Bom dia a todos. igualmente. Tchau.
Tchau. Já era.