Vou já. Antes de eu começar a compartilhar minha tela, acho que é bem importante, né? É isso que o Davi falou, é uma coisa bem importante.
É como se a gente estivesse numa sala de aula e a ideia é sempre que a gente tenha proximidade e troca, né? Que a gente perceba. Desde a primeira turma é justamente como, a partir dessas nossas trocas, a gente cria vínculos, né?
E a gente fica bem orgulhoso, assim, que desde a primeira turma, inclusive, saíram serviços de cuidados paliativos, pessoas que ou construíram seus serviços ou que se inseriram em serviços, e alguns outros que inseriram na sua prática, né? E por que que eu tô falando isso? Como a gente já teve profissionais de todas as áreas, né?
Médicos, fisios, fonos, teos, psicos, assistentes sociais, enfim, essa troca é muito importante porque a gente descobre, ao longo do caminho, que a gente não tem essa troca na faculdade, né? A gente não tem isso na graduação, a gente não troca, e depois a gente é jogado no mercado, seja no hospital, numa instituição de longa permanência, num serviço de home care, na própria unidade básica. E a gente tem, sim, que trabalhar, né?
Com o dentista, o farmacêutico, o assistente social, o psicólogo, e a gente, muitas vezes, nem sabe o que os colegas fazem direito, né? Para nós, é bem gratificante também ter atingido áreas diferentes dentro da Medicina porque a gente sabe que os médicos são os mais resistentes aos cuidados paliativos no mundo. Isso não é só no Brasil, né?
Isso é no mundo todo. A gente tem aí uma facilidade de compreensão do cuidado paliativo da equipe multiprofissional e a gente não tem isso por parte dos médicos, justamente por uma educação falha, né? Curativa, intervencionista e pouco focada em outras questões que não sejam protocolares, né?
Então, já passaram pela gente médicos intensivistas vários, né? Hematologistas, neurologistas, oncologistas, nefrologistas, inclusive que criaram um serviço. Então, para nós, é muito legal saber que nesse espaço, um espaço não tão grande e não tão pequeno, a gente pode ter trocas muito honestas e usar os nossos grupos para falar das nossas angústias, do dia a dia, né?
E é importante que a gente se conheça para que essa troca seja assim o mais orgânica possível. Então, eu vou começar, vou começar por mim mesma, e aí eu vou chamando vocês porque cada um de nós deve estar vendo uma ordem diferente, né? Aí, para se apresentar.
E eu vou pedir para que vocês falem não só nomes e profissões, né? Mas que vocês me contem um pouco como vocês vieram para aqui. Por que que vocês se interessaram em fazer uma pós em cuidados paliativos e que experiências pessoais e profissionais vocês já têm com cuidados paliativos, para a gente também aprofundar isso, né?
A gente tem uma preocupação que os professores conheçam vocês antes das aulas. Então, a gente manda cartas para todos os professores dizendo: "Olha, a Maria é enfermeira numa unidade de saúde e ela tem muito contato com cuidados paliativos e uma angústia porque ninguém sabe o que é cuidado paliativo. " Ah, o Marco, ele é médico intensivista e ele sofre numa UTI de uma grande cidade, né?
Numa capital, porque também ele vê a distanásia corrente solta. Então, provavelmente, vocês vão ver que os professores vão chegar conhecendo um pouco vocês e talvez fazendo até perguntas mais diretas, né? Então, eu sou Lauren, eu sou médica clínica paliativista, eu fiz residência em clínica médica, eu fiz residência em Medicina Paliativa, eu fiz mestrado em cuidados intensivos e paliativos e eu tenho uma história pessoal com os cuidados paliativos que começou aí com o meu luto, com o meu pai que enfrentou um câncer há mais de 20 anos.
E para mim, era muito angustiante passar na faculdade vendo tudo aquilo, né? Eu lembro que eu tinha um professor neurocirurgião que a gente gostava muito, que foi nome de turma e tudo mais. E por que que a gente tá aprendendo sobre craniotomia e a gente não sabe tratar dor, né?
Por que que a gente tá aprendendo coisas extremamente específicas das especialidades e a gente não sabe o básico de como cuidar das pessoas? E no meio desse caminho, acabei mexendo com alguns dos meus professores na época e uma das minhas professoras da clínica médica fez um pequeno ambulatório de cuidados paliativos dentro do NACOM. E aí, a gente teve essa possibilidade, assim, de ver isso um pouco mais perto da Oncologia, mas era só ela e comigo, assim, não era algo estrutural.
E ela me deu o meu primeiro Oxford, né? Me emprestou o primeiro Oxford de bolso de cuidados paliativos que eu falava: "Nossa, nem sabia que existia! " E isso foi no início da faculdade.
Em um certo momento, nos estágios clínicos, assim, eu não conseguia mais participar desse ambulatório, ela me deixou com esse livro aí quase a faculdade inteira. E aí eu resolvi fazer uma disciplina na USP de tanatologia e estudos da morte, que daí em diante, enfim, daí foi muito desse estudo. Então, eu tinha muito em mente que, assim, não importa o que eu vou ser, se eu vou ser geriatra ou cirurgiã, se eu vou ser pediatra ou intensivista, se eu vou ser otorrino, mas com certeza eu quero fazer cuidados paliativos.
Eu quero saber como é que se cuida das pessoas porque isso aqui não é o que eu vivi, isso aqui não é o que eu passei com meu pai, né? Então, certamente, eu sou muito grata à faculdade. Eu descobri isso na residência, né?
Porque a gente só descobre o quanto a faculdade foi boa ou não quando a gente entra na residência e sabe o que vai fazer. A residência de clínica médica também foi intensa, muito intensa, com muita emergência, muita UTI, muito cardiologia, muito pós-cirurgia cardíaca. Enfim, foi outra coisa que alguns dos meus staffs se relacionavam com isso, mas muito pouco a ponto de um deles me dizer, quando eu decidi fazer, que quando estávamos falando das especialidades que eu ia fazer, geriatria e medicina paliativa, ele falou assim: "Mas que desperdício, por que você vai fazer isso?
" E eu lembro que aquilo me deu muita angústia, muita raiva. Eu falei assim: "Justamente pelo que você está falando. Porque, se alguém parar na nossa frente e nós dois tivermos que decidir o que fazer, certamente eu vou estar mais preocupada em ajudar do que em embarrecar alguém.
" Porque isso foi dentro da UTI, né? Enfim, fiz toda a formação. Acabei não indo para geriatria porque, no meio desse caminho, a Laura veio, e aí fiz a minha residência em medicina paliativa.
E, posteriormente, o mestrado em cuidados intensivos e paliativos. Fiz bastante cuidado paliativo de UTI e ainda faço, né? A minha vida foi para esse lugar.
Fiquei seis anos no Cepon, então trabalhei muito com cuidado paliativo oncológico em uma equipe de cuidados paliativos, com enfermaria, cuidado domiciliar, ambulatório de controle de sintomas. Então a gente também tinha a interface com o pessoal da anestesia, né, com a parte de intervenção em dor. Depois que eu saí do Cepon, me dediquei à construção de cuidados paliativos em qualquer ambiente, que é o que eu acho que é bem importante.
No meio desse caminho, fiz um ano de PSF, que foi sensacional. Trabalhei numa área de vulnerabilidade social, então precisamos muito falar de cuidado paliativo nessa circunstância. Tem muito que falar de cuidado paliativo para os médicos de família e para os profissionais que trabalham na APS.
E, hoje, então, eu atuo dentro da Antúrio, que é a minha clínica. Faço consultório, cuidado domiciliar, atendo em hospital, faço cuidado paliativo de UTI. E a ideia, desde 2019, com a conexão, é que a gente tenha mais profissionais dentro do cuidado paliativo real, estudado e bem feito, né?
Desmistificando um pouquinho. E talvez vocês vão ver eu me repetir nesse lugar: esse cuidado paliativo de livro romântico, né? Essa coisa que é tudo bonitinho, que é tudo borboleta e tudo mais, porque não é.
E, para quem já viu o paciente sofrendo, sabe que não é. A gente precisa saber mais do que isso, né? Mais do que estar junto com as pessoas.
E a gente vai abordar bastante isso. Essa primeira aula é um grande apanhado de tudo que vocês vão ver na pós, de forma mais aprofundada. Depois, espero que vocês aproveitem bastante.
Fico super à disposição. Como o Davi falou, estamos sempre muito online. Enfim, quero que o próximo, aí, se apresente e fale um pouquinho da sua relação com os cuidados paliativos para a gente começar.
A primeira pessoa que aparece para mim na ordem aqui é a Sida, mas se algum outro quiser começar também, fiquem à vontade. Oi, bom dia! Bom dia!
É um prazer enorme estar fazendo parte dessa pós-graduação. Eu sou enfermeira oncológica já há 10 anos, trabalho na Oncologia aqui da cidade de São Bento e trabalho com a Dr. Gabriela, que é médica paliativista, parte da comissão de cuidados paliativos.
Então, eu sinto muita necessidade de estar aprendendo mais, sabe, para poder realmente fazer a diferença no lugar onde eu trabalho, né? Que a gente vê, pelo pouco que a gente conhece dos cuidados paliativos, que existe um déficit exagerado, uma deficiência bem grande, né? Enfim, de todos os profissionais.
E eu quero que essa pós, assim, estou bem feliz por estar fazendo parte porque acredito que isso só vai me trazer, junto com a comissão, um grande benefício para ajudar mesmo, para somar, né, fazer a diferença. Eu lembro de ti naquele dia que a gente estava emendando. .
. Exato, isso mesmo! Que bom que você está aqui, Sida!
Que bom, vai ser ótimo. Alguém já faz parte de uma comissão? A gente percebe, né?
Eu já fiz parte de várias comissões de cuidados paliativos e existe uma angústia dos profissionais que fazem parte dessas comissões por não serem paliativistas, né? Tem uma vontade, tem uma simpatia pelo assunto, tem uma percepção de importância, mas falta um pouco mais, né, daquela coisa do que a gente vai fazer agora. Qual é esse lugar técnico, né, que a gente pode apertar ali uns parafusos para melhorar?
Que bom, muito bem-vinda! Sim, obrigada. O próximo que aparece para mim aqui é a Larissa.
Bom, meu nome é Larissa, então, muito prazer! Realmente estou muito feliz de estar entrando nessa pós; é uma coisa que eu almejei por muito tempo. Eu sou médica, fiz Clínica Médica aqui na cidade de Passo Fundo, no Rio Grande do Sul.
Depois, fiz a minha residência de terapia intensiva também aqui e sou médica intensivista, atuando rotineiramente em uma das UTIs aqui do norte do estado, Passo Fundo é a polo regional do norte do estado, né? E sempre. .
. eu comecei a minha faculdade em Caxias do Sul, lá nós tínhamos uma cadeira de cuidados paliativos. Quando transferi minha faculdade para Passo Fundo, por ser minha família daqui, né, eu percebi que aqui existia uma carência muito grande.
E o encanto que eu tive lá em Caxias, relacionado a cuidados paliativos. . .
É, eu percebia que realmente o hospital e a cidade estão muito aquém em relação a isso, e isso que você falou, Lauren, é muito verdade. Assim, a equipe médica é onde a gente mais tem dificuldade de conversar sobre o assunto, né? E uma coisa que me angustia muito na UTI é porque eu tenho colegas que chegam, entram porta adentro, conversam com familiares pela primeira vez e dizem: "Ah, paliativo!
" E ainda falam: "Paliativo, o seu Fulano," né? Então, além de ter uma atitude errada, ainda usam uma palavra errada. Isso, para nós, para mim, é muito angustiante.
Assim, nós temos um ambiente que é de 20 leitos. A UTI onde eu trabalho, o hospital tem mais duas UTI de 10 leitos adultos, né? Mais UTI cardiológica, enfim, pediátrica.
E é um hospital que tem uma carência muito grande. Há pouco tempo, eles criaram um grupo de consultoria de cuidados paliativos, que durou talvez 2 anos e não conseguiu efetivar o seu propósito, e esse grupo se encerrou, né? Então, eu, como médica intensivista, não tenho tanto contato com aquele paciente oncológico ou com outra doença em fim de vida, enfim, sei lá, uma insuficiência cardíaca ou um DPOC avançado fora do ambiente de UTI.
Porém, dentro da UTI, a gente tem muitas situações, conversas difíceis com a família. A gente acaba tentando fazer esse acolhimento, cuidar do paciente, muito paciente intubado que talvez nem devesse nem ter ido para o tubo, né? E muito mal manejado também em relação a isso.
Família, enfim. Então, é como você falou: aquela coisa que a gente lê bonitinha lá no livro, na vida real não é isso. E eu, nessa carência que sinto de poder acolher todo esse trabalho com os familiares e com os pacientes, é que eu venho procurar.
E aí, eu tive a felicidade de encontrar a Tai Furlaneto, que fez residência em Florianópolis em cuidados paliativos. Ela veio fazer geriatria em Passo Fundo; ela era daqui de Passo Fundo já, então conhecia, conhecia ela durante a residência dela de geriatria. E aí, com ela, que eu tive o acesso a vocês, né?
Ela que me falou da pós de vocês. Enfim, e aí aqui estou. Que bom, mas uma intensivista.
Eu acho isso super interessante, assim. A gente tem muito intensivista desde a primeira turma, assim, e tem essa angústia, né? Meu Deus!
Aí nisso tudo, e talvez nem tinha indicação. É difícil! Enfim, muito bem, acho que vai contribuir demais para a minha formação, né?
Mas também para aquilo que eu posso oferecer para os pacientes, né? E para, como eu sou também supervisora do programa de residência e preceptora, então isso me auxilia também a conseguir fazer essa educação continuada com os médicos residentes que a gente atende, não só a terapia intensiva, mas também a clínica médica e cirurgia, né? Então, eu acho que vai enriquecer também, nesse sentido, a formação dos nossos residentes, né?
E aí a gente conseguir ampliar isso. Que ainda a gente vê que existe uma resistência muito grande na equipe médica, de pessoas mais velhas, assim, mais tradicionais, mas o pessoal mais novo vem trazendo um pouco mais esse assunto, né? Então, tem embasamento para tentar transmitir esse conhecimento para eles, que vai auxiliar bastante também, né?
Nossa! Bastante! A gente teve bastante professor universitário, assim, entre os nossos alunos, né?
Eu digo alunos, mas eu acho estranho, assim, entre os colegas. Mas é incrível como isso foi adiante, assim, né? De eles passarem para os residentes ou para.
. . alguns são professores universitários pros graduandos, né?
E perceberem essa falta e como isso faz realmente, assim, é um buraco educacional que a gente tem muito grande e que a gente acha que é só um buraco. Mas isso se reverbera em um cuidado mal feito, um paciente sofrendo que reverbera em pelo menos seis a dez pessoas que vão ficar com um luto possivelmente complicado por conta do mal cuidado dessa pessoa que, por sua vez, vai causar um buraco no sistema, porque a distanásia é cara. E aí, quando a gente aprofunda isso, a gente vê que não é só um buraquinho na educação, é uma coisa muito maior, né?
Então, que bom que também vai poder passar isso para eles, né? Uhum! Muito obrigada, bem-vinda!
Obrigada a você! A próxima que parece para mim aqui é Fernanda. Olá, bom dia, tudo bem?
Bom dia. Eu sou Fernanda Melo. Atualmente, moro em Brasília há uns 25, 28 anos e eu comecei minha vida de enfermagem assim que terminei a faculdade em terapia intensiva.
E lá eu fiquei uns bons anos na UTI cardiológica adulta e, logo em seguida, eu tive a oportunidade de também trabalhar com auditoria de enfermagem. Aí eu fui conciliando isso. Aí eu fiquei bastante anos, mais ou menos uns dez anos, nessas duas áreas.
Depois que eu cansei da UTI, né? Vamos dizer assim, que a gente cansa já. Já comecei a conhecer a geriatria, a parte geriátrica.
Que, logo em seguida, eu entrei para a Força Aérea de Brasília. Então, hoje eu trabalho no hospital da Força Aérea de Brasília e lá eu comecei a trabalhar com geriatria. Mas não sabia e isso eu fui gostando, fui aprendendo e foi tendo amor naqueles idosos.
Aí eu pensei: como é diferente, né? A parte de auditoria, a parte de UTI e a parte de geriatria. Eu me interessei, fiz a especialização em geriatria, terminei a especialização em geriatria e gerontologia e comecei a ver o.
. . e agora que a Larissa estava falando, né?
Questões da equipe médica, da equipe geral em saúde. . .
não. . .
Entender o que seria cuidados paliativos é importante porque, quando eu comecei a trabalhar na geriatria, nós tínhamos uma única médica que estudava cuidados paliativos lá no hospital da Força Aérea. Os outros médicos, vamos dizer, fingem que entendem, e os colegas também da área, não da área médica, como fonoaudiólogos e fisioterapeutas, também fingem que entendem. Muitas vezes, o médico chegava no quarto e dizia: “Esse aí já está no paliativo, não tem mais nada o que fazer.
” Eu punha meu rosto abaixo e rapidamente saía; primeiro, porque eu não sabia o que fazer, muito menos o que falar, pois estava no início da minha carreira dentro da geriatria. Então, comecei a ler, a participar de workshops, reuniões e cursos. E aí conheci a Fabiana Shimo, isso mesmo, a Fabi.
Sim, a primeira. Isso, através de uma outra colega minha que é a Carol, que dá aula no Sírio-Libanês e trabalha comigo. Ela me indicou a fazer pós com a Fabi.
Conversei muito com a Fabi, mas nunca conseguia começar a pós lá em São Paulo, pois nunca formava turma. Aí ela falou de você: “Ah, tem a Laura, e tal, e é boa também. Eu indico, porque não adianta a gente fazer uma pós por fazer, em qualquer lugar e com qualquer profissional.
” A Fabi me indicou, então eu fui atrás, me matriculei e estamos aqui, começando. Mas, enfim, qual é o meu objetivo de hoje? Hoje eu trabalho na geriatria em Brasília.
Vamos falar de profissionais multiprofissionais. Médicos, nós temos poucos, mas multiprofissionais, quase ninguém. Onde você vai aqui em Brasília, estão solicitando, principalmente enfermeiros nessa área, e eles não acham.
Até ontem mesmo, minha colega falou: “Fernanda, vamos trabalhar com a gente. ” Eu falei: “Não, não tenho tempo, porque trabalho no hospital da Força Aérea, faço auditoria à tarde e ainda tenho meus plantões no final de semana. ” Hoje mesmo estou de plantão e tive que trocar plantão.
Então, eu falei: “Deixa eu terminar a pós, vou chegar pelo menos no meio do caminho, porque eu saio de um e trabalho com vocês, porque eu não tenho condições. ” Aqui a oferta é grande. Aí vem aquela questão: estou, entre aspas, mudando de área.
Vou parar de trabalhar na auditoria para poder ficar só nos cuidados paliativos, pois é uma coisa que eu gostei, que amei, e é muito gostoso trabalhar. Apesar de ser muito carente, mas a princípio é isso: vamos estudar, vamos ver o que temos para o futuro. A minha perspectiva, a minha alegria, é enorme de estar aqui estudando com você e essa equipe.
Acredito que vai ser maravilhoso. Obrigada! Se precisar de alguma coisa aqui em Brasília, estou à disposição.
Que bom te escutar! Nós tivemos uma turma híbrida em São Paulo e havia gente de vários lugares do país. Tínhamos uma fonoaudióloga de Belém e uma fisioterapeuta de Brasília.
Ela tinha uma fala muito parecida com a sua. Ela se formou no ano passado e sempre falava: "Gente, as pessoas não sabem o que é cuidado paliativo aqui. " Ela trouxe isso, que é algo bem interessante.
Acredito que seja uma realidade muito de Brasília, que tem mais médicos ou pós-graduados em medicina paliativa. Mas enfim, são só médicos, né? E aí, como faz só com médico, a gente não faz cuidados paliativos.
Então, falta fisioterapia, falta odontologia, falta farmácia, falta o resto. A enfermagem, assim, é bem interessante porque, como costumo dizer, ela é a cola do cuidado. O enfermeiro que fala com a fisioterapeuta, com a fonoaudióloga, com o médico; a enfermagem cola todo mundo, né?
Ela passa mais tempo com os pacientes. Então, acho que é sempre importante. Não sei se você sabe que já tem prova, né?
Assim como tem prova de título para médicos em medicina paliativa, agora também tem prova de título para enfermagem. Diferente das provas médicas, que são responsabilidades da AMB, as provas de enfermagem começaram a acontecer há dois anos, com o reconhecimento da área e tudo mais, e tende a acontecer isso com as outras áreas também. Aos poucos, cada profissional está indo de uma forma diferente com seus conselhos, as questões burocráticas e tudo mais, mas a enfermagem também já tem as provas.
A Fabi é uma querida. Já deu aula para nós aqui, mas não pode mais agora por conflito de interesse, pois coordena outras atividades. No início, ela dava aula para nós também.
Vou vê-la esta semana ainda. Ela, assim, eu imagino que, quando conheceu, tem um livro que foi lançado faz uns dois ou três anos sobre os primórdios, e ela participa. Não é o manual; é um que veio um pouquinho antes do manual.
Ela participa desse livro. Isso, mas tem um livro que fala da história de como os cuidados paliativos aconteceram no país e eles falam desses nomes bem antigos, muito antes de qualquer tipo de moda, de rede social, enfim, lá atrás, quando não tinha nada. E a Fabiana é uma delas.
Então, é importante que a gente lembre desse legado dessas pessoas, porque, se hoje achamos difícil falar e fazer cuidados paliativos, para eles, deve ter sido assim, "faca nos dentes". É, assim, é. Olha para você ver!
Tão é tão difícil. Às vezes a gente fica até desmotivada. Na quinta-feira, eu fui a um ambulatório fazer uma pequena cirurgia reparadora que eu precisava fazer com o cirurgião plástico.
E aí, conversa vai, conversa vem, e ele falou assim: "Você ainda tá lá no Hospital da Força Aérea? " Eu falei: "Tô e tal, e você tá fazendo mais o quê? " Eu falei: "Eu tô estudando nos cuidados paliativos.
" Ele olhou para mim e falou assim: "Mas como é que é, você tá estudando ajudar os pacientes a morrer? Meu Deus! " Na hora, eu abri um olho daquele tamanho e falei assim: "Rodrigo, você tá doido?
Não, não significa isso! Não significa isso. " Eu acho que você tem que se informar melhor.
Falei desse jeito para ele. Ele ficou calado e mudou de assunto. Eu achei ele muito mal-educado por ser um médico; tudo bem, cirurgião plástico, mas para quê?
Então, assim, as pessoas não têm noção de que cuidados paliativos. . .
eles acham que é ajudar o próximo a morrer. Ai, nossa, eu fiquei assim, eu saí angustiada, sim. E é isso.
A gente vai, assim, já aviso vocês de antemão, assim de cara, vocês vão passar por isso, muito, muito, muito. E um dos motivos também que a gente passa muito por isso é que vocês já devem ver que se fala mais de cuidados paliativos hoje em dia: tem perfil no Instagram, tem vídeo no YouTube, tem não sei o quê. Mas, como tudo nessa vida atual, né, meio virtual que a gente vive, é uma bolha.
Isso é uma bolha. Nós, paliativistas, a gente se conhece, a gente fala muito sobre isso para quem gosta ou quem já ouviu falar. Mas isso é uma bolha.
Isso que a Larissa falou, que você tá falando agora, isso que a SIDA falou também, é uma bolha. Quando a gente estoura a bolha e olha pro leito do lado, pra equipe do lado, já acabou a bolha. Olha, já não sabe o que é cuidados paliativos, já tem esses comentários desse jeito.
E furar essa bolha também é uma, digamos, que é um propósito que a gente tem também, né? Porque falar de cuidados paliativos para quem já tá sensível ao assunto sempre vai ser importante, mas a gente precisa atingir quem não é sensível ao assunto para tirar da ignorância, porque a ignorância mata. É essa a ignorância que mata, porque daí os pacientes não morrem pela doença que eles têm; eles morrem de dor, de dispneia, de desconforto, de todo o resto, né?
E esse que é o problema. E aí, quando vocês trazem as especialidades, eu acho muito legal, porque eu transitei muito por elas e ainda faço isso, né? A geriatria, por exemplo, quando eu trabalhei numa ILPI, eu não sei se vocês perceberam, eu gosto muito de trocar de lugares assim, né?
Eu gosto de transitar. Então, eu fiquei um ano na PS, foi sensacional. Trabalhei em ILPI, trabalho em hospital, trabalho em consultório, porque o cuidado paliativo é isso: ele tá em qualquer lugar.
Não existe um lugar para cuidados paliativos. Se a gente esperar o Brasil ter hospitais pra gente fazer cuidados paliativos, a gente não vai fazer nunca. O cuidado paliativo tem que tá onde o paciente com necessidade paliativa está.
É isso. Se ele tá em casa, vai ser em casa; se ele tá no hospital, vai ser no hospital; se ele tá numa instituição de longa permanência, vai ser lá, né? E pra mim é surreal trabalhar numa ILPI em que os geriatras, os gerontólogos, os profissionais não entendem que, mesmo que esse paciente seja, usando a nomenclatura correta, um idoso robusto, ele ainda assim tá na última fase de vida dele.
Porque alguém com 90 anos tá na última fase de vida de um humano. Então, sim, a gente tem que falar de certas coisas, e a gente tem inclusive que falar como que ele quer passar esse final, né? Eu entendo que ainda tenha muita dificuldade na pediatria, né?
A turma anterior de vocês tá tendo hoje a aula de pediatria em cuidados paliativos. Se a gente tá aqui dizendo que pra geriatria é difícil, onde a gente tá falando de fato da última fase de vida, imagina falar de cuidados paliativos na pediatria! E aí, a gente tem uma enormidade de crianças aí sofrendo com doenças de malformação, com doenças genéticas, com doenças raras, e ninguém sabe dar conta delas.
Elas ficam horas gritando por dia de dor, de constipação, porque elas não conseguem falar que estão constipadas, e ninguém resolve colocar a mão nessa barriga para ver. Sabe? Então, quando a pessoa fala que você tá se formando em cuidados paliativos pra ajudar as pessoas a morrer, é de um nível de ignorância perigoso, porque na verdade, você tá se formando para ajudar as pessoas a viver de uma forma melhor até morrer.
E isso não depende do tempo, porque eu tenho pacientes que ficaram comigo sete anos em cuidados paliativos e tenho pacientes que ficaram comigo dois dias, né? Então, é essa ignorância que a gente tem que combater. E nós vamos passar por várias fases, né?
A revolta, essa coisa de "meu Deus, como ele é mal-educado", né? Dá uma raiva. Depois, a gente já começa a paliar, entre aspas, os colegas, né?
"Ai, querido, vem cá, vamos sentar. Deixa eu te explicar o que é isso aí. " Então, vejam que, mesmo nas especialidades mais óbvias, entre aspas, né?
Porque para mim, é uma obviedade você falar de cuidados paliativos quando você faz Clínica Médica. Você vai ver um monte de adultos multimórbidos; é por isso que eles estão lá, inclusive. E é uma obviedade a gente falar em geriatria; pô, é o final da vida da pessoa, mesmo que ela esteja correndo.
Maratona, ela não vai passar muito dos cento e poucos, né? E aí, a gente não está falando do óbvio, por que a gente é uma sociedade que nega coisas muito importantes, né? Que é o adoecer, o envelhecer e o morrer.
E a gente acha lindo a mãe grávida, tira foto, cuida e tem 32. 000 consultas com pediatras, obstetras e tudo mais. Inclusive, a gente tem uma colega obstetra na turma anterior.
E aí, a gente acha que o processo de nascer precisa de todo esse cuidado, e o processo de morrer não, como se ele não fosse um processo humano que todo mundo vai passar. Então, a gente tem muita profundidade para discutir, né? E isso é para todos nós, porque não é para o médico, né?
É para o profissional que estiver ali, né? Então, é bem significativo assim que a gente amplie esses cenários de aonde que os cuidados paliativos precisam estar. O próximo aqui da minha lista é o Douglas.
Está dando para me ouvir bem? Sim, ótimo! Me chamo Douglas, moro em Blumenau, sou enfermeiro emergencista e trabalho no Hospital Santo Antônio.
Aqui, a gente é referência para oncologia adulto, pediátrica, traumatologia, e, ah, oncologia já falei, pediatria e ginecologia obstetrícia. Ah, eu resolvi fazer a pós em cuidados paliativos pelo fato de que grande parte do pontapé da decisão, se vai prolongar o sofrimento do paciente, né, ou dar o conforto de fim de vida, se começa ali no pronto-socorro. Então, como eu tenho pacientes que estão em processo de finitude, internam ali pelo pronto-socorro, às vezes, para o familiar, quando se vai falar sobre os cuidados paliativos, né, as medidas terapêuticas para ele, às vezes, os familiares não compreendem o que significa isso.
Entendem como "hã, que a gente vai abandonar, que não tem mais nada para ser feito" e que, na verdade, não é assim. Então, às vezes eu tenho muitos médicos recém-formados que trabalham na emergência que vão conversar com esses familiares sobre esse momento, e às vezes eu vejo uma limitação da maneira que vão expressar isso, de como vão explicar. Porque, às vezes, realmente na emergência a gente acaba tendo um pouco mais de tempo corrido e tem que fazer várias coisas, e paciente grave chegando.
Então, às vezes limita um pouco a gente ter um tempo maior para explicar isso. E, geralmente, eu acompanho esses médicos quando eu vejo que não têm tanta experiência para explicar isso, tento auxiliar para explicar isso da melhor forma possível. A gente tem o Dr Luciano, que trabalha aqui no Hospital Santo Antônio.
Ele é uma das pessoas que tenho consideração em cuidados paliativos. Eu não sou membro, mas eu sei que existe a comissão de cuidados paliativos no hospital, que está mais atrelada lá no setor de oncologia. Então a gente da emergência não tem tanta familiaridade com o grupo, mas eu já fui convidado um tempo atrás, mas eu não tinha conhecimento para abordar ainda e me entrosar tanto assim.
Então, primeiro, acho que queria buscar um conhecimento para poder discutir, melhorar os casos clínicos. Não sei mais o que posso falar. .
. Enfim, assim, os pacientes, geralmente, as pessoas associam somente a oncologia, mas, na verdade, não. Já peguei paciente com grau de demência avançada, pacientes já que não têm um bom prognóstico e que precisaram tomar a decisão se compensava, a longo prazo, intubar, passar a usar medicações vasoativas e tudo mais, sendo que não vai dar um bom resultado lá na frente.
Então, é meio complicado na emergência, porque às vezes a gente tem que tomar decisão naquele momento, ou entubar ou não entubar. Aí, às vezes, o médico não quer entubar, mas os familiares querem que entube. Então, tem que ter uma abordagem, um acolhimento adequado, uma forma de expressar e de conversar para que os familiares entendam o que o paciente precisa naquele momento, que não é uma intubação, não é prorrogar o sofrimento dele, mas que ele precise do desconforto de controle de dor e a família e tudo mais.
Enfim, é isso. Eu acho ótimo quando tem vários enfermeiros, porque eu acho que, de longe, assim, a gente precisa de todas as áreas, mas falta muito enfermeiro paliativista, muito assim, né? E da emergência é uma experiência dificílima, eu diria que é um dos cenários mais difíceis dos cuidados paliativos, porque é possível sim aplicar vários princípios e fazer cuidado paliativo de qualidade.
Tanto que hoje a gente tem tratados de cuidado paliativo na emergência especificamente. Mas a gente tá falando aqui de questões culturais, né? Uma coisa é o que a academia tem, a literatura fala; outra coisa é a gente conseguir trazer essa literatura para nossa realidade, né?
Assim, o Lu também, né? É nosso professor aqui e é uma pessoa que tem muito conhecimento em cuidados paliativos. Então, tudo que você conseguir tirar dele, assim, faz muito sentido.
Ele é uma pessoa que tem muita formação em várias áreas dentro do cuidado paliativo, assim, vários mestrados em áreas diferentes, né? E realmente lidar com esses desafios é muito difícil na emergência. E eu acho que a gente sempre coloca o colega da emergência em risco quando a gente não faz essas definições antes, quando a gente não discute o diagnóstico no consultório, quando a gente não conversa com essa família antes.
A gente está sempre colocando os colegas de emergência em risco emocional, em risco jurídico até, porque afinal de contas a emergência é emergência, e se eles não têm informação, se vocês não sabem nada da história dessa pessoa, dessa conversa, do que. . .
Foi definido, é claro que vocês não vão conseguir ver o filme todo, vão ver a fotografia, né? Porque o treino da emergência resolve o que está ali. Então, eu costumo fazer isso já tem muitos anos, assim, de deixar cartas imensas aos profissionais que atenderem o paciente, falando de tal na emergência, né?
Chegou um dia um colega da ambulância, assim, né? Que faz transporte e tal, atendimento de urgência em casa, assim. Ele mandou uma mensagem para mim, até dizendo: "Ai, cara, graças a Deus tinha um negócio escrito lá, porque a gente não sabia o que fazer".
E é isso, quando a gente fala de cuidado paliativo, que eu falo para vocês, que é mais do que só o buraquinho na educação, é esse sistema. É uma forma também da gente criar vínculos entre os profissionais. Mas, mesmo que a gente não se conheça, eu não conheço quem vai atender um paciente meu às 3 horas da manhã de domingo, né?
Mas eu posso ajudar esse colega, dizendo: "Olha, esse é o caso, isso que acontece, não tem indicação disso, mas tem indicação daquilo, pode fazer, não sei o quê, a família está ciente". E deixar ali, né? Então, acho que a emergência pode conversar melhor com os demais, né?
Mas os demais também têm uma responsabilidade de ajudar essa pessoa que vai atender a emergência, né? Bem, bem importante! Próximo que aparece para mim aqui é a Juliana.
Oi, tá dando para me ouvir bem? Sim. Eh, eu sou dentista, sou aqui de Criciúma.
Eu conheci o curso pela Gabi Keller, eu gosto muito dela, ela é muito querida. Eu fiz especialização em odontologia hospitalar em São Paulo, no EINEN. Eu sempre fui apaixonada, principalmente por Oncologia, desde a faculdade, assim, diagnóstico bucal.
E como a Odontologia hospitalar é uma área bem nova, né? Que foi regulamentada na semana passada, na verdade, eh, as pessoas não conhecem o que a gente faz, nem os próprios dentistas sabem o que a gente faz. Então, é muito difícil, assim, tu estar em um lugar e as pessoas saberem o teu trabalho.
Eh, eu fiz. . .
tentei entrar em hospitais aqui, mas mesmo assim, muito difícil. Daí eu fui fazer residência em alta complexidade em saúde. Eu fiz no H na UF.
Foi uma das melhores experiências, assim, da minha vida. Foi muito bom. E, mesmo assim, voltando, muita dificuldade.
Ainda assim, eu faço cuidados paliativos e parte de diagnóstico e tudo mais. Paciente especial, faço bastante também. Então, acabo pegando muito a parte de geriatria, assim.
Mas, assim, muito difícil se inserir nos lugares. Eh, eu já. .
. diretor de hospital. Que que tu quer fazer aqui?
A enfermagem limpar boca de paciente, o laser, a fisioterapia faz e eu não sabia nem onde eu enfiava minha cara, sabe? Porque, poxa, tu estuda, estuda, estuda, estuda. Sabe o que é a tua profissão, importante, né?
Na UTI, na onco, em tudo. E daí tu é tratada dessa forma. E é daí para baixo, assim, quando tu vai tentar se inserir nos lugares.
E é muito difícil. Graças a Deus, assim, tem médicos maravilhosos que trabalham comigo. Que acho que a doutora deve conhecer, o Dr Felipe da radioterapia, trabalhou no CEPPON muitos anos também.
A gente trabalha muito junto, principalmente com rádio de cabeça e pescoço e entre outros, assim. Mas o que mais chama paciente mesmo para o consultório são os outros pacientes. Porque, infelizmente, os outros profissionais, é muito difícil assim, deles verem a importância de encaminharem.
Então, assim, é uma luta, eh, muito diária, assim, tanto dos outros dentistas quanto com os outros profissionais, né? Da equipe multi que não sabem o que a gente faz direito. Então, eh, eu sou professora de patologia bucal da UNESC também.
Então, eu tento enfiar tudo de cuidado paliativo que eu posso dentro das aulas para eles já se formarem com essa mentalidade, que a gente é importante nisso também. Tanto no consultório, quanto no home care, né? Ou mesmo no hospital quando precisar.
Ou até se um familiar deles acontecer alguma coisa, se eles terem esse conhecimento é muito importante, né? Então, eh, faz toda a diferença. Eu sou apaixonada, assim, por cuidados paliativos.
Assim, eu sou bem fora da curva, assim. Quanto tá todo mundo estudando o negócio, eu tô indo para o outro lado, mas eu amo Onco, a parte de transplante de medula. Trabalhei bastante com pediatria um período, assim, eh, agora não tanto, mas com idosos e mais de diagnóstico bucal e UTI.
Eu amo cuidado intensivo, assim, é muito paciente queimado, assim, com grande queimado para fazer laser, né? A parte de órtese, né? Para a cicatrização de feridas na boca.
Eu amo, assim, trabalhar em conjunto com os outros profissionais. Assim, sou apaixonada. Se deixar, eu faço um podcast, então eu vou parar um pouquinho agora.
Olha pela cara da Fernanda, pelo que ela falou antes: "Bora para Brasília, Juliana! ". Mas, assim, eu trabalho com dentistas que fazem muita parte da Onco e, principalmente, pela experiência no CEPPON, a gente tinha muito vínculo, né?
Com a parte da Odonto, assim, por causa da radioterapia e pela avaliação. E aí, teve um certo momento, um pouco antes de eu sair, que elas começaram a passar visitas multi com a gente. Era muito legal porque a gente não.
. . realmente, assim, a gente não entende.
Tem alguns profissionais que fazem muita diferença e que a gente nem sabe direito o que fazem. A Odonto dentro dessa área certamente é isso, né? A gente, às vezes, não entende o que é.
E eu achava super estranho as pessoas não entenderem, mas claro, como fez parte da minha formação e fazia parte do meu trabalho, era meio óbvio que eu ia saber, mas não. . .
Era óbvio quando eu falava: "É isso que eu tô falando das bolhas. A gente precisa estourar as bolhas para as pessoas saberem, né? " A Odonto tem uma parte assim dos pacientes em relação ao trabalho junto com a fono, né, junto com a nutrição, de como ajeitar essa forma toda de se alimentar quando não tem indicação de sonda.
Por exemplo, quando você tem que reabilitar esse paciente, quando tem que fazer controle de dor oro-facial, que os médicos também não sabem fazer direito, e a Odonto faz melhor. Enfim, né? Tem a xerostomia, que às vezes é crônica; nossa, tem uma infinidade de coisas, né?
E quando eu te escuto falando que tu é uma fora da curva, a nossa colega professora que dá aula, ela falava isso também. Assim, ela foi fazer cuidados paliativos fora do país porque em nenhum lugar se falava da Odonto inserida no contexto dos cuidados paliativos, né? Então, foi muito interessante, assim, porque a gente vê que tem, sim, um movimento.
Aqui em Florianópolis, a gente tem as odontologias hospitalares. Então, por exemplo, quando eu vou para a UTI, eu sempre vejo a Odonto lá. Tem no Hospital de Caridade também, enfim, né?
Tem outros lugares aqui que estão inseridos na equipe, dessa forma, reconhecendo essa importância na prevenção de pneumonias aspirativas, enfim, muitas coisas, né? E é importante que as pessoas vejam isso, porque faz diferença no prognóstico, faz diferença no controle de sintomas, e se faz diferença, tem que estar ali, né? Se tem alguém que faz, por que não está ali, né?
Juntando isso um pouco com essa questão também que a Fernanda trouxe da auditoria, a gente também tem na turma anterior de vocês uma colega, também clínica, que tá fazendo a pós e que também faz uma pós de gestão. Tem crescido também a colocação de profissionais paliativistas nesses lugares de regulação, auditoria e gestão, justamente pelo reconhecimento que a gente tem da importância do cuidado paliativo para o sistema. Que é isso que tu falou: um diretor de hospital não poderia falar uma coisa dessas para ti.
Se a gente for parar para pensar racionalmente, né? A gente tá aqui num lugar que é prático e acadêmico ao mesmo tempo. Tu vê, isso é um desconhecimento, isso é uma ignorância.
Como eu digo, é a ignorância que acaba matando, né? Porque é o paciente que podia ter um cuidado bucal oro-facial melhor e que talvez saísse antes da UTI, que tivesse uma reabilitação melhor para a nutrição e que tivesse um prognóstico melhor. E aí também entra esse lugar do cuidado paliativo, que claro, a gente faz cuidado de fim de vida, mas a gente não faz só cuidado de fim de vida.
A gente cuida baseado em prognóstico, e muitas vezes é a gente que vai ter que dizer para as pessoas que, olha, tem que voltar a tratar. O que o paciente tinha era dor, depressão, e precisava ser cuidado. Não é que ele não tem mais indicação de tratamento.