Muitas pessoas estão com as suas vidas estagnadas porque estão lidando mal com as suas culpas. O problema, na verdade, não é da culpa em si, mas da forma como elas lidam com suas culpas. E aí elas não conseguem dar andamento nas suas vidas, ficando com as suas vidas estacionadas ou, então, até desviadas, desviadas de uma normalidade, desviadas de algo saudável, exatamente por causa da culpa.
Então é sobre isso que eu quero falar com vocês. [Risadas] [Música] [Risadas] Hoje, olha, todos nós erramos na vida, né? Todos nós temos erros, todos nós temos falhas, todos nós cometemos algo do que nos envergonhar, do que nos envergonhamos.
Inclusive, isso faz com que, muitas vezes, nós queiramos esquecer algumas coisas que passaram nas nossas vidas. Existem erros e erros. Claro, tem erros na nossa vida que são erros que são esquecíveis, que são superáveis.
Tudo bem, erramos, mas facilmente nós superamos e seguimos em frente. Mas existem alguns erros nas nossas vidas que são, assim, vamos dizer, inapagáveis, né? Nós não conseguimos apagar os erros, nós não conseguimos seguir em frente sem esquecer desses erros.
São erros que ficam ali, sempre nos lembrando que aconteceram nas nossas vidas e nos acusando de muita coisa. E muitas vezes, esses erros que nós consideramos inapagáveis, que são muito sérios, nos levam a uma descrença na possibilidade de um perdão, na possibilidade de uma misericórdia, inclusive misericórdia divina. Nós trazemos esses erros como culpa de uma maneira tão forte na nossa vida que acabamos não lidando bem com isso e fazendo com que a possibilidade de qualquer tipo de perdão, qualquer tipo de misericórdia, venha sobre nossas vidas, porque nós consideramos erros sérios demais.
E o grande problema disso é o seguinte: esses erros passam a ser como fantasmas sobre nós. Nós começamos a viver acompanhados desses erros como se fossem verdadeiros fantasmas, como se fossem verdadeiros demônios que ficam ali nos acusando o tempo todo. Claro, eu sei que muitos de vocês aqui que estão me ouvindo são cristãos.
Eu sei que muitos de vocês que estão aqui são pessoas que professam a misericórdia divina, e muitas das pessoas que eu atendo em clínica também são pessoas cristãs e acreditam, ao menos professam, sobre a misericórdia divina. Porém, o que acontece? Apesar de acreditarem na misericórdia divina, na vida prática, muitas vezes elas não conseguem vivenciar essa misericórdia.
Elas têm a culpa ali, acusando-as o tempo todo. Elas têm o peso dos erros do passado o tempo todo acompanhando-as e, por causa desses erros, por causa da forma, na verdade, da forma como elas lidam com esses erros, elas não conseguem usufruir daquilo que elas acreditam, pelo menos dizem acreditar, que é uma misericórdia ilimitada de Deus, que é a possibilidade de um perdão. E a pessoa, quando chega nesse ponto, ela tem dois caminhos que pode tomar.
Um é abafar essa culpa. E olha que coisa sutil que a pessoa faz: ela abafa a culpa simplesmente evitando falar sobre ela, inclusive com Deus. Ela não consegue sequer falar com Deus sobre isso e aí não consegue trocar isso pela misericórdia, colocar sua culpa diante da misericórdia divina.
E assim, ela vai vivendo cada vez mais um afastamento de uma vida, vamos dizer assim, mais espiritualizada, porque, olha, a espiritualidade, nesse ponto, acaba sendo uma lembrança constante do seu pecado. Tá entendendo? Uma lembrança constante do pecado.
Ou seja, toda vez que você fala com Deus e pede perdão, o pecado vai sendo lembrado. Só que você não consegue pedir perdão porque você não alcança esse entendimento, não alcança essa possibilidade de misericórdia. Você pede perdão, mas o pecado vai sendo lembrado.
Cada vez que você pede perdão, você lembra do pecado. Pede perdão pelo mesmo pecado. Não tô nem falando de pecados repetidos, pecados que ficaram lá atrás.
Você pede perdão e o pecado vai sendo lembrado a cada vez que você pede. E aí você começa a não querer mais falar sobre isso, e um jeito de não mais pensar nisso é não pedindo mais perdão, certo? E, não pedindo mais perdão, você, na verdade, não vai mais falando com Deus e vai se afastando.
E aí você vai buscando outros caminhos. Então, muitas vezes, a gente vê pessoas que eram, por exemplo, cristãs, religiosas, cristãs, que começaram a seguir caminhos esotéricos, por exemplo, caminhos de seitas esotéricas, caminhos de espiritualidades impessoais, como mexer com forças energéticas, esse tipo de coisa. Por quê?
Porque ali é uma forma que você não trabalha com a sua pessoalidade. Você ali não tem ninguém a quem vai pedir perdão, não tem ninguém com quem vai falar dos seus erros passados. Então, você não precisa ser lembrado das suas falhas, daquilo que você considera como imperdoável, pelo menos sente que é imperdoável.
Então, olha que coisa mais séria isso. E claro que, nesse ponto, a pessoa vai se desviando, desviando daquela espiritualidade mais saudável, mais sadia, que ela tinha antes e começa aí a peregrinar por caminhos que nem ela entende, mas, às vezes, inconscientemente, é uma forma dela fugir do fantasma da culpa que lhe persegue. E quando eu converso com os meus pacientes, fica muito evidente para mim que aquilo ali não é saudável.
A pessoa está sofrendo e está impossibilitada de evoluir pessoalmente, de se desenvolver, de desenvolver a sua vida pessoal, inclusive a sua espiritualidade, e, obviamente, desenvolver os seus sentimentos de maneira positiva. E isso, obviamente, vai também reverberar e refletir nas suas relações. É um problema muito sério, só que esse assunto é um assunto meio.
. . Complicado às vezes de tocar, por quê?
Porque nós estamos falando de culpa. E olha que coisa: eu tenho uma aula sobre isso; talvez alguns de vocês já tenham visto essa aula que eu falo sobre a culpa moderna, né? Como essa culpa constante que nós vivemos é um reflexo da concepção moderna da existência.
Nós, homens e mulheres modernos, nos sentimos muito culpados por tudo, tá? Nos sentimos muito culpados, vivemos com culpas de todos os tipos. Eu gravei uma aula sobre isso: culpas até que não têm nada a ver com espiritualidade, não têm nada a ver com pecados; culpas de não produzir o suficiente, culpas de não conseguir fazer tudo que planeja fazer.
Então, nós vivemos com muitas culpas. Só que o cristianismo, em princípio — eu falo "em princípio" porque depende muito da concepção que você tem, né? — mas o cristianismo dá ênfase à culpa.
Então, muitas vezes, a interpretação que se faz do cristianismo é a seguinte: "Eu tenho que me culpar, eu tenho que me sentir culpado, eu tenho que ter a culpa no centro da minha vida. " Bom, vou repetir: na minha prática de orientação das pessoas, eu tenho visto como a culpa atrasa a vida das pessoas e como a culpa faz com que não haja evolução. Mas veja, não estou falando que a culpa é errada, não estou falando que sentir culpa é errado; estou falando da nossa relação com a culpa.
E é isso que eu quero que vocês entendam. Então, antes de julgarem, porque às vezes falar de temas ligados a sentimentos religiosos gera um julgamento muito apressado: "Ah, o Fábio está falando que eu não tenho que me sentir culpado por nada. " Não, não, não!
Calma, calma. Primeiro, o que eu quero dizer é o seguinte: eu vejo como a culpa — e lidar mal com a culpa e viver com um sentimento de culpa — leva as pessoas a estagnarem suas vidas e, inclusive, a se desviarem, não tendo relação com Deus, porque essa relação com Deus lembra-lhes da culpa e faz com que não evoluam, tá? Então, a primeira coisa que eu gosto sempre de lembrar que, na perspectiva cristã — e aí eu acho que essa é uma questão muito importante para aqueles que se entendem como cristãos — é o seguinte: na perspectiva cristã, a misericórdia divina é uma coisa assim, pelo entendimento humano, que a gente poderia considerar praticamente ilimitada.
A misericórdia divina é ilimitada; o que não pode ser perdoado por Deus? O que Deus não pode chegar e falar: "Ó, você está perdoado", se Ele quiser, né? Então, dentro da perspectiva, nós temos uma possibilidade de perdão muito grande.
Podemos dizer quase que infinita. Para quem é cristão, entender isso é muito importante, pois faz você lidar com a culpa de uma maneira diferente. De uma maneira diferente, você vai lidar com a culpa como uma forma de alcançar a misericórdia.
Se eu perder a perspectiva da infinitude da misericórdia divina, eu estou ferrado, porque pode chegar um momento em que algum erro meu possa ser considerado por mim imperdoável. E, se for imperdoável, já estou me condenando por antecipação. Então, dentro da perspectiva cristã, é preciso sempre lembrar.
Mas esse é o ponto que eu quero trazer para vocês: dentro da orientação, o que eu vejo é que a forma de lidar com a culpa precisa ser bem direcionada. Por exemplo, o. .
. a. .
. a Ler Alerta, que eu não sei o seu nome, porque é um nick ali que só aparece, mas ele diz assim: "A culpa gera arrependimento, é a condição do perdão cristão. " Isso é perfeito!
Essa é a definição do processo dentro da perspectiva cristã. O problema é que as pessoas pregam isso, professam isso, mas muitas vezes, eu percebo, na minha prática de orientação, que muitas vezes não sentem isso. Elas pregam que a culpa gera o arrependimento, que a condição do perdão cristão é perfeita; porém, elas não sentem isso.
Elas sentem que a culpa delas é imperdoável, que a culpa delas é pesada demais. Então, imagina dentro de uma perspectiva, por exemplo, de um cristão protestante — estou falando cristão protestante porque ele não tem a confissão, ele não tem a confissão como é feita na Igreja Católica. Então, para ele é assim: ele tem uma culpa.
Como é que ele deveria espiar essa culpa? Ele deveria se dirigir a Deus por meio de Cristo e falar: "Olha, eu me arrependo do que eu fiz e peço o teu perdão", certo? Ótimo.
O que acontece? Ele faz isso uma vez, pede o perdão, mas aí, nessa situação, depende muito também dele acreditar nesse perdão. Ele pede perdão, ele diz que está arrependido; vamos considerar que exista um arrependimento sincero.
Mas, além do arrependimento, ele precisa confiar que há o perdão. Só que ali, dentro dele, ele não — ele tem dificuldade de confiar que há realmente um perdão, porque talvez ele tenha dúvida até em relação ao arrependimento, que é muito normal. Então, ali ele se arrepende, ele fala do arrependimento, ele pede perdão, mas ele não consegue confiar nisso plenamente.
Aí vai de novo; ele vai fazer isso uma vez, duas vezes, ele vai fazer isso várias vezes e vai chegar uma hora em que essa repetição vai ficar tão enfadonha a ponto de só servir para lembrá-lo do pecado. É isso que eu quero dizer: ele nunca consegue, por causa da sua falta de fé nessa misericórdia, chegar exatamente no ponto que o arrependimento e o perdão deveriam levar, que é a quitação com o problema passado. "Ó, eu errei, eu sei que eu errei, eu sei que eu fiz mal, mas caramba, esquece, bola pra frente.
" Ele não consegue chegar a isso. Na perspectiva católica, existe a confissão que. .
. Teoricamente, também deveria até facilitar o processo: você chega lá, pede perdão, confessa diante do padre, ele te perdoa, te perdoa como representante de Deus, né? E você tem que sair dali quitado.
Só que a mente humana é um problema; ela nem sempre faz isso. Sempre há um elemento do ser humano, do indivíduo, em crer naquilo, em confiar que aquilo ali é real, e não é. Porque o cara é católico, ele confia que aquilo ali funciona?
Não! Tem muito católico que vai à confissão, professa que aquilo é verdade, mas não confia. E aí tem gente que leva o mesmo pecado várias vezes para o confessionário.
E o que acontece? A culpa continua seguindo. Chega uma hora, então, que o cara fala assim: "Cara, isso não tá adiantando para mim.
Pedir perdão não está adiantando para mim. " Tô falando na perspectiva do indivíduo; pedir perdão não tá adiantando para mim. Sabe o que eu vou fazer?
Vou parar de pedir perdão. Só que parar de pedir perdão significa exatamente parar de ter um relacionamento com Deus, dentro da perspectiva religiosa da pessoa. E aí o que acontece?
Isso aqui é inconsciente; ela não fala que vai fazer isso, mas começa a se afastar. E aí é um passo para ela caminhar para espiritualidades alternativas e impessoais, que ali, pelo menos, não há lembrança do seu pecado. Então, eu sempre falo para as pessoas o seguinte: "Olha, eu sei que isso aqui é super complicado dentro da orientação, dentro do processo terapêutico, da clínica, funciona perfeitamente, as pessoas entendem.
Mas fora, quando a pessoa não tá vivendo o problema, esse problema com as próprias culpas vira polêmica. " Eu sempre falo o seguinte: "Ô, cara, ou pra mulher, ó, o seguinte: você fez, você cometeu coisas lá atrás, certo? Isso tá sendo um fantasma na sua vida, isso tá te atrapalhando profundamente.
Vamos fazer o seguinte: você precisa, antes de tudo, quitar esse passado. Você precisa, antes de tudo, falar o seguinte: 'Olha, esquece, já foi, foi. Não tenho mais o que fazer.
Passado é passado. Não é aquilo que foi feito; eu não consigo mudar mais. ' E se eu não consigo mudar mais, permitir que esse passado me atormente, me seja um fantasma sobre a minha vida, é a pior coisa que eu posso fazer.
Estou atrapalhando tudo: estou atrapalhando a minha vida, estou atrapalhando meus relacionamentos, tô atrapalhando a sequência da minha história. Porque eu não consigo me livrar desses fantasmas, e eu já tentei me livrar pelas vias da religião, pela via da oração, pela via da confissão, e não consegui. Gente, eu não tô falando que Deus não perdoou a pessoa; não tô falando isso.
Eu tô falando que a pessoa não conseguiu se livrar. " Então, eu falo que essa pessoa só tem uma opção neste momento, que é pacificar-se com suas dívidas, com seus erros, com aquilo que ficou. É aquilo que as pessoas adoram falar hoje: uma palavra muito falada, que é o autoperdão.
Mas, no fundo, é isso; a pessoa precisa se perdoar. Ela precisa olhar para trás e falar: "Errei, tá? Provavelmente errei.
" Por que provavelmente? Porque eu falo para a pessoa fazer isso antes até dela fazer uma análise do tamanho do erro dela. Alguns erros são muito evidentes, mas existem graus, né?
E antes mesmo dela fazer a análise do grau do erro dela, do quanto esse erro é grave, ela se perdoar. "Eu me perdoo, antes de tudo. " Sabe, me perdoa no sentido de que, caramba, eu preciso dar andamento à minha vida, eu preciso seguir adiante, eu preciso expulsar esses fantasmas, eu preciso exorcizar esses demônios.
Eu não posso ficar aqui me remoendo, me remoendo, me remoendo, acreditando que isso aí vai me atormentar o resto da vida. Antes até de qualquer coisa, antes da análise sobre isso, antes dela fazer uma autoanálise sobre isso, ela precisa se perdoar no sentido de quitação com o passado: "Olha, seja o que for, seja o que for, a partir de hoje eu quero que isso esteja quitado lá atrás. " É um perdão, olha que louco que eu vou falar, é um perdão antes do arrependimento.
Por quê? Porque, inclusive, isso vai ajudar a pessoa a fazer a análise, a autoanálise sobre o seu comportamento. E, depois dessa autoanálise, chegar às suas conclusões.
Ela não tem nada a perder quanto a isso, porque ela vai se perdoar antes de se analisar, antes de saber o grau antes de se arrepender. Inclusive, ela vai se perdoar. Olha o processo: ela se perdoa, ponto.
A partir desse processo, ela vai começar a fazer a sua análise sobre qual é o grau desse meu erro, o quanto eu errei. Eu errei mesmo? E, se eu errei, qual é o grau disso?
Qual é a seriedade disso? E veja bem, aí ela vai, vamos dizer que ela faz essa análise sinceramente. Ela vai chegar numa conclusão; ela pode concluir o seguinte: "Cara, depois de perceber, pensar sobre isso tudo, eu percebi que não fiz nada tão sério ou nem errei.
" E pronto, tudo bem. Ela se perdoou lá atrás, depois concluiu que nem errou. Perdeu alguma coisa?
Não. E se ela chegar ao final e concluir que ela realmente errou? Bom, ela já tinha se perdoado.
Ela confirma, ela faz uma confirmação do autoperdão também, não perdeu nada. Mas, quando lá atrás, ela se perdoou antes mesmo de se examinar, ela se permitiu se examinar. Vocês estão entendendo?
Não sei se vocês estão entendendo; até peço para vocês comentarem aí. Não sei se vocês estão entendendo, mas é um processo aqui prático, porque, quando a gente fala de orientação, terapia, processo de clínica, nós temos que falar de coisas práticas. Aqui é algo prático.
Não é? Ah, isso é o certo. O certo é arrepender-se.
Tá, mas muitas vezes se você espera todo o processo de entendimento do que você passou, acho que agora eu consigo até deixar mais claro isso. Se você espera todo o processo de análise e entendimento para depois concluir, para depois você se arrepender ou não, você dificilmente vai passar por esse processo. Porque antes de iniciar o processo, existe algo que tá impedindo você de começar, que é a culpa.
Uma culpa, muitas vezes, intuitiva; intuitiva no sentido de que você já é culpado sem ter analisado, tá entendendo? Sem ter analisado. Claro, existem erros que são muito evidentes, mas tem erros assim com graus, né?
Que, na verdade, você sabe que errou, mas você não sabe qual é o grau disso. Quais são as circunstâncias disso? Isso é algo muito sério, porque trava a vida da pessoa.
O Luí fala assim: "Se não houver o verdadeiro arrependimento, a pessoa achará que seu ato passará a ser normal e deixará de ter empatia com a ação feita ao próximo. " Isso leva a pessoa a levar a esse tipo de atitude. É verdade.
Assim, se a pessoa não se arrepender, existe uma sedimentação do erro. Mas só que veja bem: o arrependimento acontece depois de uma análise, uma autoanálise. Você precisa olhar para dentro, mas se você já se sente culpado e não quer mais falar sobre isso, porque você não consegue sentir.
. . Porque, assim, às vezes o arrependimento também está muito voltado à necessidade de você confiar em um perdão.
Se você não acredita que há possibilidade de perdão, se você não acredita que há a possibilidade de que o teu pecado seja quitado, você nem quer mais falar sobre isso. Você nem quer pensar em arrependimento. Você só quer esquecer, e esse esquecimento leva, na verdade, a esse recalque, né?
Esse sufocamento acaba levando a tornar essa culpa que está ali como um fantasma. Claro que o mais saudável, o mais correto, é o seguinte: errou, olhou, analisou, se arrependeu, pediu perdão e seguiu o jogo. Esse é o mais saudável.
O problema é que, na prática, muitas vezes as pessoas não conseguem fazer isso. Muitas vezes as pessoas não conseguem levar adiante esse processo. Só que quando você se pacifica, antes mesmo de se analisar e antes mesmo de se arrepender, se pacifica e diz assim: "Olha, independentemente do que eu já fiz, eu já fiz, e eu não vou permitir que isso que eu já fiz se torne um fantasma na minha vida.
Está quitado. " Não é perdoado, tá? Eu usei a palavra "não", mas é mais no sentido analógico.
Está assim: quitado. Eu não vou me culpar e não vou me condenar de antemão, e não vou me condenar. Nem tenho esse poder de me condenar.
Quem sou eu para me condenar? Então, é o seguinte: eu já errei ou, provavelmente, errei. Eu já fiz o que eu fiz.
Não vou mudar o que eu fiz. Então, assim, tá bom, daqui pra frente: "Senhor, me perdoa. Pequei, né?
Intuitivamente, eu sei que eu pequei. Não quero mais pecar. Me perdoa.
" Pronto, assumir isso. E a partir daí, fazer a sua análise. Quando você faz esse movimento de autoperdão, de quitação consigo mesmo, você quita suas dívidas consigo.
E a partir do momento que você quita essa dívida, você deixa de se sentir devedor. E, a partir do momento que você deixa de se sentir devedor, você começa a sentir-se livre. E, ao sentir-se livre, você destrava essas limitações que estavam atrapalhando sua vida.
E aí você se torna possível na sua vida, se desenvolvendo. Repito, eu falo isso pela quantidade de pessoas que eu vejo sofrendo com suas vidas estagnadas, exatamente porque não conseguem quitar o seu passado, não conseguem limpar o seu passado. Não conseguem fazer com que o seu passado seja sua história, mas deixam que o seu passado seja o fantasma que lhe persegue.
Então, veja, não estou falando de livrar-se da culpa pelo sufocamento da culpa: "Ah, não quero pensar, nem nunca mais vou pensar. " Não, você vai pensar, mas você vai pensar na culpa e nos seus erros depois de já ter quitado, depois de já ter, por antecipação, se perdoado. Entendeu?
Se liberado. Cara, isso é muito importante. Isso é muito importante.
Então veja: uma pessoa, por exemplo, tá lá, cometeu adultério. Hum, é um pecado gravíssimo, né? Ela cometeu adultério uma vez e aí segue adiante a vida dela.
Só que aquele adultério, cara, é um fantasma na vida dela! Ela não consegue mais seguir adiante na vida dela. Ela não consegue mais ter relacionamento com Deus.
Ela não consegue mais ter um bom relacionamento com a própria esposa. Ela não consegue, porque é um fantasma que ela não consegue resolver. Porque ela não consegue confiar, ela não consegue confiar na misericórdia.
Se ela confiasse na misericórdia, ela confidenciava, ela orava, ela falava com Deus e pronto. O problema é que ela não consegue confiar. A Luí coloca aqui: "Por isso a confissão ajuda.
" Eu falei sobre isso. A confissão tem esse papel. O problema é que, às vezes, a pessoa sai da confissão com tudo certinho, né?
Com todas as orientações, com o perdão, a declaração de perdão, mas ainda assim dentro dela, ela não consegue confiar naquilo. Ah, então não é católico. Bom, isso é uma outra discussão, mas às vezes a pessoa simplesmente não consegue confiar no perdão divino.
Seja o católico pela confissão, seja o protestante pela oração. Para o protestante é até mais difícil, porque é uma coisa bem subjetiva, né? Você tem que confiar mesmo subjetivamente, mas mesmo católico quantas vezes eu vejo: faz a confissão, mas ele retorna.
Não consegue confiar que aquilo ali realmente tem efeito real na vida dela, dessa pessoa. Vocês entendem a complicação? Então, a gente precisa se liberar.
Gente, a gente precisa aprender que o passado foi. Eu errei, errei, caramba, errei! Eu cometi erros na minha vida que, às vezes, eu fico assim: "Caramba, como é que eu fiz isso?
Como é que eu fiz isso? " E muitas vezes, por não entender… entender a… não é que não entender, é não sentir, né? Que aquilo ali podia estar sendo perdoado.
Mesmo, aquilo ficava ali me atormentando dia e noite até que, um dia, eu falei: "Cara, se eu não fizer algo verdadeiro aqui, um ato comigo mesmo, isso aqui vai me atormentar. " Foi quando eu falei: "Olha, o seguinte: a partir de hoje, o que eu fiz, independente da gravidade do que eu fiz, está quitado eu comigo. " Antes de tudo, eu comigo!
Antes de tudo, independentemente da… da… da análise que eu vou fazer a partir de agora, sobre esse mesmo ato. Mas, antes de tudo, eu já estou aqui, eu tenho que me quitar, eu tenho que dar andamento. O que é dar andamento?
É, a partir desse momento, começar a agir como se tudo estivesse resolvido, começar a agir como se não houvesse dívida nenhuma. Claro que, como a Lu fala, os atos e as consequências dos atos estão na vida. Bom, tudo bem!
E eu tenho que lidar com isso, mas aqui é uma análise subjetiva. É não me permitir travar na vida, porque o que acontece? Às vezes, a pessoa tem o pecado, tem o erro, tem a falha, que se torna um fantasma, e ela não consegue fazer mais nada.
Coisas que ela poderia fazer: boas evoluções, desenvolvimentos, relacionamentos que ela podia ter… várias coisas que ela podia ter, e ela não consegue, porque ela não se perdoa. Porque ela não consegue se perdoar! Ela não consegue se perdoar.
"Ai, Fábio, mas a igreja já tem o sacramento para isso! " A fé já está toda possibilidade. Tá, mas eu não estou falando de igreja, de fé.
Eu estou falando de vida, vida ali na subjetividade da pessoa, aquilo que a pessoa sente. Eu atendo uma pessoa na minha orientação, ali na terapia; eu não posso falar para ela: "Ó, a religião tem isso aqui, por que você não usa? " Porque ela já é religiosa e ela não está conseguindo usar.
E eu não posso simplesmente falar: "Ah, então, a questão é sua, se você não tem fé. " Pô, não é meu papel julgar a fé da pessoa, nem motivar a fé da pessoa, nem dizer que ela precisa ter fé. Eu tenho que ajudá-la.
Eu tenho que, como orientador filosófico, possibilitar para ela alternativas que ajudem a superar o problema. Por isso que eu falo que… e, aliás, esse é um dos motivos… abrindo bom parêntese aqui… esse é um dos motivos de eu evitar, às vezes, falar sobre questões tanto de orientação como teológicas, como políticas. Porque assim, eles têm o mesmo problema.
Uma coisa é a realidade prática ali, outra coisa é abstrata e a teórica. Teoricamente, a gente sabe como as coisas funcionam. Teoricamente, a gente sabe como se resolve o problema, por exemplo, o problema da culpa.
Teoricamente, a gente sabe como se resolve religiosamente, a gente sabe como se resolve, seja pela confissão no catolicismo, seja pela oração, arrependimento, oração no protestantismo. Tá entendendo? E por isso que é preciso se quitar com o passado, independentemente do tamanho do seu erro.
Vamos imaginar que seja um erro gigantesco, grande. Ela precisa se quitar também, antes mesmo de se arrepender verdadeiramente com consciência. Porque é isso que eu quero dizer.
Vou repetir aqui: às vezes, se você não quitar antes mesmo do arrependimento, você não consegue nem ter o arrependimento, porque você não consegue nem ter força psicológica para fazer a análise, para chegar ao arrependimento, porque é muito doloroso isso. Então, o prático aqui é o seguinte: a pessoa falar o seguinte: "Caramba, cara, eu tenho quase certeza que o que eu fiz é grave, mas ainda não cheguei à conclusão final para dizer assim: 'Me arrependo! '" Então, ela tem que falar assim: "Olha, eu vou me quitar.
Perdão, ó, Fábio, você está perdoado! Antes de qualquer coisa, tá? Você vai fazer uma análise, você vai chegar a uma conclusão, e, ainda que nessa conclusão, você chegue ao… aos… finalmente do seu raciocínio e fale: 'Cara, o que você fez é muito sério', eu já te perdoo, tá bom?
Se sinta livre para viver. Agora, faça a sua análise e chegue à sua conclusão. " A Lu fala assim: "O psicológico da pessoa fica alterado e tudo fica, tipo, dependente dos erros passados.
" É isso aí, exatamente isso que eu estou falando. É um fardo que a pessoa carrega para sempre se não analisar, enfrentar… mas é complicado! É um fardo.
O que eu estou propondo, que eu falo que eu proponho muitas vezes nos meus atendimentos, é: você vai se analisar e vai chegar a uma conclusão. E, se necessário, você vai se arrepender. Mas, antes disso, já se perdoe, meu amigo!
Antes de começar até esse processo, não espere o processo. É isso que eu quero dizer, porque esse processo, às vezes, é doloroso e, por ser doloroso, às vezes é pesado demais para o psicológico da pessoa e ela acaba escapando. Aí é fácil, claro, na perspectiva religiosa: a pessoa fala: "Vi, não quis me arrepender!
" Mas eu não estou olhando na perspectiva religiosa. Não é meu papel. Meu papel é olhar na perspectiva psicológica dela.
Eu vejo que, às vezes, a necessidade da análise, da autoanálise para o arrependimento é pesada demais. Para se fazer sem antes se perdoar, por isso que é importante se perdoar antes. Priscila fala assim, mas por vezes a gente sabe que é errado, mas não há arrependimento porque foi necessário e faria de novo.
Aí a gente entra em dilemas éticos. Dilemas éticos porque, se é necessário, provavelmente não é pecado ou não é errado. O necessário não é errado; é necessário.
Se não é necessário, ou seja, se não é necessário, há a possibilidade de se fazer diferente. Se há a possibilidade de fazer diferente, você está diante de um dilema. O que é?
O que não é? O que pode? O que não pode?
E o que é mais valoroso e o que não é? Entende? E aí é uma questão de uma avaliação sobre quais são os seus valores e princípios e o que pesa mais.
Por exemplo, o que pesa mais: é seguir o certo ou o que pesa mais é seguir o que lhe é conveniente? Porque você tem as possibilidades. Então, o necessário não, o necessário é o necessário.
Necessário é aquilo que não pode ser de outra maneira. Aí não tem nem pecado, né? Não pode ser de outra maneira, mas se pode, se há possibilidade de ser de outra maneira, então você tem que avaliar, diante das possibilidades, qual você está valorizando mais.
E às vezes aquilo que a gente valoriza mais, aí está o nosso erro, a gente está valorizando mais aquilo que a gente acha que é o melhor, e às vezes não é o certo, né? Às vezes as pessoas convivem com as consequências e pecados, e aí fica mais difícil o autoperdão. Existem pessoas que simplesmente abafam, ou existem pessoas que abafam, e esse é um certo perigo, né?
Esse recalque dos nossos pecados é meio complicado. Mas existem pessoas que não têm. .
. aí é outra questão; não têm arrependimento porque não acham que é errado, ou não sentem o peso da culpa de maneira alguma, né? Uma personalidade mais psicopática, por exemplo.
Mas aí é outro problema, né? Não é desses que eu estou falando. Quando a pessoa, Paulo, quando a pessoa perde o sentido da vida, o autorrependimento se torna um fardo.
Cara, você está falando por outro lado, se eu estou entendendo, né? Sem o sentido da vida, não tem nem sentido se arrepender. Talvez seja isso que você queira dizer.
Intuitivamente, eu acho que eu concordo com você, Priscila. Mas às vezes a natureza humana diz que é certo, mas a sociedade diz que é errado. A natureza humana não tem ética; a natureza humana tem apenas necessidades.
A sociedade, ela tem éticas. Não significa exatamente que a ética social é correta. Bom, aqui eu teria que entrar numa perspectiva mesmo doutrinária e religiosa, né?
Mas aí não é o meu papel. Se a gente for falar de cristianismo, existem coisas que o cristianismo ensina, ponto. Se a pessoa for cristã, mas às vezes ela não é cristã.
Então são duas questões, Priscila, que eu não sei se a pessoa deve levar tão em conta nem a natureza humana, porque assim: se a gente for seguir tudo que a natureza humana diz e determina para nós, viveremos como macacos, como animaizinhos. Não. Então a natureza humana não; ela está aí para ser domada, na verdade.
Nós, que somos seres racionais, se nós não tomássemos a nossa natureza humana, seríamos como cachorros. Mas a sociedade também não quer dizer que tudo que a sociedade fala está certo, até porque as ideias que a sociedade muitas vezes propaga são bem equivocadas, né? Então assim, nós temos que ponderar primeiro: quais são os nossos valores?
Aí é que entra: quais são os meus valores? Então, vamos dizer hipoteticamente que o valor da pessoa são os valores cristãos; ela assume isso na vida dela. Então é nesse padrão que ela vai trabalhar em cima dos valores cristãos.
E aí não é nem a natureza humana, nem a sociedade; ela vai ter que ir para outro tipo de direcionador. Ah, meus valores são os valores do Islã; ela vai seguir esses valores. Meus valores.
. . eu sigo uma ética, sei lá, uma ética própria, qualquer, alguns princípios; ela vai seguir esses princípios.
Então, a verdade é que a luta não é nem entre natureza e sociedade, mas é uma questão de direcionamento de valores. Agora, se a pessoa não tem valor algum, se ela não tem valores, princípios, para os quais ela olha e nem princípios que baseiam os seus atos, e aqui nós estamos falando de princípios, na verdade, aí fica difícil ela tomar qualquer atitude. Por aí sim, ela vai seguir aquilo que a natureza manda.
Meus cachorros não têm princípios, entende? Só o ser humano tem. Então a gente precisa avaliar: quais são os nossos princípios?
São esses, tá? Então são esses que baseiam a minha vida. Ah, mas esses princípios são bons ou ruins?
Aí é outra questão que não sou eu que vou julgar aqui. Ter humildade para perceber que é falho, pecador, mas que todo dia é um novo começo. Cara, isso aí, Lu, eu acho que é o caminho, viu?
Você falar que todo dia é um novo começo, todo dia é uma possibilidade. Todo dia é um novo dia, e se eu errei, cara, tá bom; vamos começar a partir de hoje. Vamos começar a partir de hoje.
Eu acho que esse é o caminho mais saudável, mais sã para a pessoa, sabe? Vamos começar como se não houvesse dívida alguma, ainda que haja, porque às vezes há. Às vezes eu fiz mal para alguém e eu vou precisar consertar isso.
De alguma maneira, agora imagina. Ah, mas aí tem que consertar. Tá bom, vamos lá.
Vamos fazer um exemplo para terminar aqui. Vamos fazer um exemplo: eu matei alguém por um motivo, talvez não tão justo ou não justo. Ou tem alguém lá atrás, vamos dizer, não foi meu caso, tá?
Antes que você especule, nunca matei ninguém, não. Mas vamos dizer que eu tenho 50 anos e, quando eu tinha, vamos dizer, 18 ou 19 anos, matei alguém em uma briga, alguma coisa, ciúmes, seja o que for. Matei a pessoa para que não haja nenhum tipo de especulação.
Vamos dizer que eu paguei na sociedade. Vamos dizer que fui preso, fui solto, estou aqui, mas nunca fiz o movimento do perdão, nem do auto perdão, nem do perdão divino. Hum, nunca fiz esse movimento.
E aí estou aqui na vida. Vamos dizer que eu casei de novo, já tive alguns filhos e preciso seguir a vida. Não só eu, mas as pessoas que estão comigo.
Só que esse fantasma está me perseguindo, me perseguindo: eu matei alguém, eu matei alguém, eu matei alguém. E aí como é que a pessoa faz? Vamos dizer que é uma pessoa de consciência.
Aí eu matei alguém. Isso fica me perseguindo, me perseguindo. Eu falo: vou me arrepender, vou falar com Deus.
Senhor, me perdoa, me perdoa, me perdoa! Mas eu não consigo sentir esse arrependimento, não. Não consigo sentir o perdão, a misericórdia.
Aí vou para o confessionário: "Fiz isso, fiz aquilo. . .
Perdoado, aquelas coisas todas". Mas eu não consigo sentir isso e, aí, a minha vida não anda. Você está entendendo o problema?
Por isso que a pessoa precisa ter a consciência do ato, do movimento, de que, independentemente da minha culpa, independentemente do meu arrependimento, independentemente de qualquer coisa, eu preciso me perdoar antes de tudo. Fábio, você errou. Você cometeu um crime horrível.
Mas sabe de uma coisa, cara? Estou perdoado por mim mesmo porque eu preciso disso. Tenho uma vida e eu tenho que seguir a partir daqui.
Lá na frente a gente vê se Deus vai me perdoar, se eu vou para o céu, se eu vou para o inferno, se a pessoa acredita nisso, seja o que for. Mas daqui para diante eu tenho que esquecer isso. Então, eu preciso fazer o movimento de perdão: Fábio, eu, Fábio, eu mesmo me perdoo para que eu possa seguir a minha vida e para que as pessoas que estão comigo possam seguir também.
Senão, a única solução que a pessoa tem é se matar. [__] Entendem isso? Então, eu sempre oriento as pessoas: perdoe-se.
Tá? Antes de qualquer coisa, perdoe-se. E a partir dali, aí vem o processo de autoanálise e arrependimento posterior, assim, normal, como a gente sabe.
E quando eu falo "perdoe-se", não é assim: "perdoe-se, dane-se", ah, perdoe, não falo mais nesse assunto. Eu nunca faço nenhuma análise, não me perdoo no sentido de que, independentemente da minha análise, da força da minha conclusão, ainda que eu conclua que eu fiz a pior coisa do mundo, eu já me perdoei. É isso que é importante para que a pessoa possa seguir sua vida.
E quando a pessoa fica esperando perdão de alguém, e esse alguém não perdoa, ela se libera. Se libera! Nós jamais podemos ficar escravos do perdão humano.
Se eu me arrependo de verdade, peço perdão, e a pessoa não quer me perdoar, o problema é dela. Talvez ela tenha suas razões, talvez o que eu tenha feito para ela tenha sido grave, tudo bem, tá? É direito dela.
Mas eu não posso ficar escravizado a essa pessoa, eu tenho que me liberar também. Hum. .
. Se meu arrependimento foi sincero e ela não quis perdoar, problema dela. Tudo isso é uma análise que eu fiz em relação a Deus, porque Deus, dentro do que nós aprendemos da religião, é que Deus já disponibilizou o perdão.
E entender o perdão divino é uma questão de fé da minha parte. É diferente da outra pessoa, né? Se eu peço perdão e ela diz se perdoou ou não, fica claro se houve perdão ou não.
Com Deus, não fica claro, porque depende de eu acreditar no perdão dele, e isso é que trava. Se nós simplesmente acreditássemos tranquilamente no perdão divino, nada disso que eu falei teria importância, porque a pessoa se arrependia e pedia perdão para Deus: "Me perdoa", acabou! A pessoa acredita na misericórdia.
A Lu fala que o perdão do outro é o primeiro passo para o auto perdão? Sim! E a pergunta do Ali era o contrário, né?
Se a pessoa não me perdoa, mas eu perdoo. . .
Se eu não perdoar os outros, eu não tenho nem força moral para exigir perdão, nem de mim mesmo, quanto mais de Deus. Entende? É uma questão até óbvia isso, né?
Gente, eu sei que está nas escrituras ali: "Perdoar para ser perdoado". Mas não precisava nem estar lá, porque como que alguém pode clamar por perdão se ela não perdoa? Não tem nenhum sentido!
Se ela não perdoa, ela não acredita no perdão, certo? Se ela não acredita no perdão, como é que ela vai ser perdoada? Cai até naquilo que a gente está falando, tem muito a ver com o quanto eu me permito ser perdoada também.
E está no Pai Nosso, exatamente. Entenderam, gente? É uma desculpa a apresentação tanto cíclica do tema, porque não é bem um argumento, é um compartilhamento que eu falei aqui de uma situação prática, uma situação da vida real, daquilo que eu vejo com os meus partilhes, com aqueles que eu oriento.
E, como eu falei, esses assuntos de filosofia clínica. . .
Vou começar a trazer mais aqui pelos motivos que eu já falei. Primeiro, eu já tenho um tempo de atendimento que já me permite fazer isso. Esse tempo que eu nunca falei sobre isso atendia, mas não falei sobre isso foi exatamente porque eu queria ganhar um corpo clínico, um corpo clínico sem de filosofia clínica, tá?
Um corpo eu queria ter uma experiência do atendimento para poder pensar as coisas de maneira mais clara na minha cabeça. Porque, base filosófica, eu tenho experiência de vida, eu tenho orientações, eu já fiz, mas a orientação na clínica é algo que, para mim, não tem tanto tempo. Então, agora que eu já peguei, eu já posso compartilhar com vocês.
Lembrando que aqui continua um canal de filosofia, não é só de clínica que eu vou falar. Filosofia também. Priscila falou assim: eu penso que tudo é perfeito, sabe?
Tipo, os erros têm um propósito, porque, na verdade, não são erros. Algo assim. Na verdade, Priscila, os erros têm um propósito, tudo tem um propósito.
Se nós dermos um propósito, às vezes cabe a nós dar o propósito. Claro que se você falar num sentido cósmico, universal, no fundo tudo vai se harmonizando, mas, no sentido individual, depende muito de eu dar o propósito, né? Uma palavra que o pessoal gosta de usar muito, um neologismo, na verdade, é a ressignificação.
Eu acho que é um neologismo e tem sentido, sabe? E eu dou propósito. Muitas vezes, se você pegar a psicologia do Frankl, é mais ou menos isso: você dá o propósito com aquilo que você tem.
Então, tudo depende muito da gente. Bom, tem mais algumas perguntas aqui, mas eu vou deixar para uma próxima, tá? Olha, pergunta do perdão bíblico.
No Antigo Testamento, está muito ligado à lei mosaica. Sim, está ligado à lei mosaica, porque era a forma como se tinha para se ensinar essas coisas, né? Se fosse falar de perdão como a gente entende hoje, no Velho Testamento, não ia ser compreendido por ninguém.
É feito dentro de uma estrutura legal, legal religiosa, por conta que a lei mosaica tem também o papel de ensinamento. [Música] Hum, é isso aí, gente. Bom, gente, obrigado pela companhia de vocês.
Gostei bastante. Eu pretendo fazer outras lives aqui para compartilhar com vocês, para conversar com vocês. Tá bom?
Então, é isso aí. Bom final de semana a todos e até a próxima!