Esta história foi baseada em relatos enviados por nossos inscritos e editada por mim. Os nomes foram trocados para manter o anonimato. Se você curte esse tipo de conteúdo, já se inscreve no canal, deixa o like para ajudar a gente e comenta aí embaixo o que achou da história.
Sua opinião é muito importante. Sabe aquela sensação de que tá tudo normal, mas no fundo não tá. Então, era para ser só um fim de semana comum, só mais uma viagem de trabalho do meu marido.
Ele vivia nessas idas e vindas e eu, como boa esposa dedicada, fingia que não me incomodava. Mas naquele fim de semana específico, alguma coisa no ar mudou. E não foi só a previsão do tempo.
Meu nome, obviamente, eu não vou dizer, mas pode me imaginar como aquela mulher que sempre tentou manter as aparências. Madrasta comportada, discreta, arrumada. daquelas que prepara o almoço de domingo com a mesa posta, arruma o cabelo antes do marido chegar e ainda sorri pros parentes que fingem gostar de você.
Casei com um homem estável, educado e cansado, se é que você me entende. A chama entre a gente já fazia tempo que dava sinais de fraqueza. E aí entra ele na história, o intiado.
Quando eu entrei na vida deles, ele era um jovem tímido, meio rebelde, calado. Mas o tempo passou e meu bem, ele virou homem. E que homem?
Não era só o porte físico, embora isso já fosse o suficiente para deixar qualquer uma distraída. Era o jeito, o olhar, aquela mania de encostar na parede com os braços cruzados, observando em silêncio, como se estivesse decifrando pensamentos. Ele não falava muito, mas quando falava era certeiro.
E eu, que sempre mantive minha postura de mulher centrada, comecei a notar que ele não me olhava mais como antes. Na semana em que tudo aconteceu, meu marido me avisou em cima da hora: "Amor, vou precisar viajar para aquela conferência em Salvador, lembra? Vou sexta e volto só segunda de manhã.
" O Caio fica aí, qualquer coisa vocês se falam. Simples assim, como se não tivesse acabado de deixar a esposa e o entetienteado sozinhos numa casa com três quartos e dois corpos cheios de vontades. Na sexta-feira, ele foi cedo, me deu um beijo na testa, na testa, e saiu com a mala de rodinha batendo no chão.
Fiquei sozinha na cozinha tomando café e tentando fingir que a falta de entusiasmo na despedida não me afetava. O Caio ainda dormia. Eu lavei a louça, troquei os lençóis da cama, coloquei uma roupa leve por causa do calor e fui me jogar no sofá para assistir alguma coisa idiota e esquecer da vida.
Umas 11 da manhã, ele apareceu na sala, cueca preta, camiseta branca grudada no corpo molhado do banho recém tomado, o cabelo ainda pingando e aquele cheiro de desodorante masculino misturado com sabonete que dá um nó na cabeça de qualquer mulher. "E aí? Vai ficar deitada o dia todo?
", Ele perguntou se jogando no outro sofá com o controle na mão. Tô descansando. Posso?
Retruquei, tentando manter o olhar longe dele. Pode, claro. Só achei curioso.
Você sempre tão ativa disse com um sorriso enviezado que eu tentei ignorar. A televisão ficou ligada, mas ninguém prestava atenção de verdade. Eu sentia o olhar dele.
Aquela coisa que você sente no pescoço, sabe? O calor subindo pelas costas, o coração dando uns pulos esquisitos. Eu nem tava com roupa provocante, era só um short de tecido leve e uma blusa larguinha, mas dava para ver que ele tava interessado.
"Você se incomoda se eu fizer um lanche? ", ele perguntou já levantando. "Claro que não.
A cozinha é sua também", respondi sem tirar os olhos da TV, mas fui atrás. Eu sei que não devia, mas fui. Tinha alguma coisa naquela movimentação que me puxava.
E quando cheguei na cozinha, lá estava ele de costas, pegando pão no armário de cima. Fiquei uns segundos parada, só observando. Ele se virou devagar, me pegou no flagra e deu aquele sorriso de canto que eu já devia ter aprendido a evitar.
Quer também? O quê? Perguntei desconcertada.
Pão quer? Ah, sim, claro. Peguei um prato e fui me ocupar.
A gente se olhava de relance, como se estivesse medindo os limites do aceitável. E sinceramente, naquele momento, eu já tinha ultrapassado todos os limites morais, só com os pensamentos que andava tendo. "Você e o meu pai tão bem?
", ele perguntou do nada. "Como assim? " "Sei lá, ele vive viajando.
Você parece meio sozinha. Casamento não é novela, Caio. Tem dias bons e outros nem tanto.
" Ficou calado, mastigando devagar e eu também. Só que na minha cabeça, a mastigação era a última coisa em foco. Aquela pergunta ficou ecoando.
Ele notou minha solidão ou foi só um chute? Ou pior, ele notou o efeito que ele tem em mim. À tarde ele subiu pro quarto, disse que ia jogar no computador.
Eu fui tomar um banho frio, frio mesmo, para ver se esfriava a cabeça e outras partes mais inquietas, mas não adiantou. Tudo me deixava numa inquietação que eu não sentia havia tempo. À noite preparei um jantar simples, macarrão ao alho e óleo.
Ele elogiou, falou que eu devia ensinar a mãe dele a cozinhar assim. Ri sem graça. Depois da janta, ficamos na sala de novo.
Um filme qualquer, mais silêncio, mais tensão. Ele sentou no mesmo sofá que eu, bem perto, as pernas dele tocando as minhas propositalmente. Quando o filme acabou, ele se levantou devagar, me olhou fixo, sem nenhum constrangimento.
"Se quiser companhia, meu quarto é o último do corredor. " Disse isso e subiu. Eu ainda fiquei sentada por uns minutos, o coração acelerado, o corpo quente, a mente em combustão, madrasta e enenteiado.
Eu sabia o que era certo, mas a pergunta que martelava na minha cabeça era: será que eu quero mesmo fazer o que é certo? Eu dormi, dormi nada. Fiquei deitada, olhos grudados no teto, coração acelerado, como se tivesse corrido uma maratona em silêncio.
A cada barulho da casa, eu prendi a respiração, achando que era ele voltando, que ia descer as escadas, que ia dizer que estava brincando, que era só provocação, mas ele não voltou e isso só deixava tudo mais quente. Virei para um lado, virei pro outro. A almofada estava torta, o ar condicionado parecia não funcionar e eu estava ali tentando fingir que meu corpo não estava pedindo exatamente aquilo que minha consciência dizia para esquecer.
O problema é que consciência é racional e o desejo, ah, o desejo é bicho solto. Levantei da cama por volta de 1 da manhã. Descalça, fui até a cozinha beber água.
De novo? A geladeira virou meu confessionário. Abri, fingi procurar alguma coisa, mas o que eu queria mesmo era dar uma volta e espiar o corredor.
A casa estava quieta, um silêncio tão profundo que até os azulejos pareciam escutar meus passos. Passei pela porta do quarto dele, fechada, luz apagada, mas eu sentia. Ele estava acordado.
Não sei explicar como, só sabia. Meu coração bateu mais forte e eu voltei pro quarto como quem foge da própria sombra. Na manhã seguinte, tentei agir como se nada tivesse acontecido.
Vesti um vestido leve, coloquei um batom qualquer e desci com a boa madrasta que todo mundo respeita. Ele já estava na cozinha preparando café sem camisa de novo. Aparentemente ele tinha alergia a roupas em casa.
Tudo bem? Perguntou sem tirar os olhos da xícara. Mas ou menos, respondi-me sentando.
Quase fui até seu quarto, acredita? Ele falou como quem diz: "Esqueci de comprar pão". Assim, casual, como se não estivesse prestes a me virar do avesso com uma frase só.
É mesmo? Tentei parecer indiferente, mas meu tom saiu mais falho do que eu queria. Hum.
Mas achei melhor não. Vai que você me colocava para correr. Talvez eu colocasse.
Menti, bebendo o café como se aquilo fosse salvar minha alma. Talvez você deixasse. Ele rebateu.
E aí, minha filha? Não tinha mais volta. Passei o dia evitando ficar sozinha com ele.
Fui ao mercado, lavei roupa que nem precisava, arrumei armário, limpei lugar que nem sujo tava, tudo para tentar esquecer aquele olhar de canto, aquele corpo solto pela casa. Só que ele me cercava com o silêncio, e era nesse silêncio que ele mais me tocava. À tarde, eu estava no quarto passando um creme nas pernas quando ele bateu na porta, leve, quase sem querer, e entrou sem esperar eu responder.
Veio com a desculpa de pegar um livro no criado mudo do pai, mas não olhou pro livro, olhou para mim, ou melhor, pras minhas coxas brilhando de hidratante. "Você se cuida, né? ", ele comentou, se aproximando devagar.
"É, gosto de me sentir bem. Dá para ver. " Fiquei muda.
O ar ficou denso. Ele parou do lado da cama, os olhos passeando por mim como se tivesse mapeando cada centímetro. O clima ficou tão carregado que eu mal respirava.
Você nunca pensou? Ele começou sentando na beira da cama. Que talvez a gente se desse bem se tivesse se conhecido em outra situação?
Já pensei sim. Admiti, porque ali não dava mais para mentir. E agora?
Agora é errado, mas continua sendo verdade. Baixei o olhar sem coragem de encarar aqueles olhos famintos. Foi aí que ele tocou meu joelho de leve, como quem testa o terreno.
Meu corpo inteiro respondeu com um arrepio que não dava para disfarçar. Eu devia ter afastado a perna, mas deixei. E ele entendeu.
Você tá tremendo ele disse, deslizando os dedos devagar pela minha coxa. Não tô acostumada a ser tocada assim, confessei num sussurro. Então deixa eu te acostumar.
Ele respondeu já se aproximando. Mas antes que acontecesse qualquer coisa, eu levantei de supetão, o coração na garganta, a razão berrando, a culpa me puxando pelos cabelos e saí do quarto como quem corre do próprio reflexo. Fui pro banheiro e tranquei a porta.
Me olhei no espelho e fiquei ali encarando o que eu estava me tornando ou o que eu sempre fui, mas escondi mesma. O resto do dia passou em silêncio. Ele respeitou meu espaço, não comentou nada e isso só me deixou mais confusa.
Era como se ele tivesse jogado a isca, visto o peixe mordendo e agora estivesse esperando a próxima fisgada. E eu tava quase indo pro anzol de propósito. Quando anoiteceu, fui pra varanda.
Uma taça de vinho, a brisa no rosto, tentando me acalmar. Ele apareceu, depois sentou do outro lado da rede, sem dizer nada. Ficamos ali calados.
ouvindo os grilos e o som do ventilador da rua. A tensão era tanta que o ar parecia pesar. "Não vou forçar nada", ele disse de repente.
"Mas não vou fingir que não te desejo. " Eu bebi o último gole de vinho, levantei da rede e fui entrando devagar, mas não fui pro meu quarto. Fui direto pro fim do corredor e abri a porta dele.
Ele já estava de pé, como se soubesse. Fechei a porta atrás de mim e tudo o que veio depois. Bom, isso eu te conto na parte três.
Fechei a porta atrás de mim. Era como se tivesse fechado todas as regras, os limites, a moral. Aquilo ali não era mais minha casa.
Era uma linha tênue entre o que eu fui e o que eu estava me permitindo ser. Ele estava de pé no canto do quarto, me olhando como se esperasse aquele momento desde sempre. E eu eu já não queria mais fingir nada.
Tem certeza? Ele perguntou com aquele tom que arrepia até pensamento. Eu não respondi com palavras.
Caminhei até ele devagar, sentindo o chão gelado sob, o coração batendo alto no peito. Quando fiquei cara a cara, coloquei a mão no peito dele, sentindo a respiração descompassada, o calor do corpo e a tensão elétrica que nos envolvia. Certeza não, mas vontade sim.
" Sussurrei. "Foi o suficiente. " Ele me puxou pela cintura com firmeza, colando nossos corpos.
A boca dele encontrou a minha como quem procura abrigo e encontra incêndio. O beijo foi intenso, faminto, daqueles que não pedem licença. Minha mão subiu pela nuca dele, puxando os fios do cabelo com força, enquanto a outra deslizava pelas costas.
Sentindo cada músculo se contrair, as mãos dele exploravam meu corpo como se já conhecessem o caminho. Apertavam minha cintura, desciam pela curva do quadril e voltavam com desejo. O calor crescia entre nós, como se o quarto estivesse em chamas.
A pele queimava, o ar pesava, a vontade sufocava. Ele me deitou na cama devagar, com cuidado, mas com uma urgência que dava para sentir nos gestos. O corpo dele sobre o meu não era peso, era impulso.
Beijou o meu pescoço com lentidão, como quem saboreia um segredo antigo. E eu gemi baixinho, sem querer, como se confessasse com o corpo o que a boca não dizia. As mãos dele foram habilidosas, ousadas, firmes.
Deslizaram pelo meu colo, pela lateral dos melões, pelo ventre que já tremia antes do toque. Quando os dedos chegaram na florzinha, minha respiração falhou. Ele sorriu daquele jeito de quem sabe o efeito que tem e continuou.
"Você é linda", murmurou no meu ouvido, fazendo meu corpo inteiro arrepiar. "Antes de continuar, não esquece de deixar seu like se tá gostando da história, se inscrever no canal e ativar o sininho para não perder nenhum vídeo novo. Me conta aí nos comentários se você tá curtindo a história e de onde você tá acompanhando o canal.
Agora bora voltar pra história. Eu puxei a camisa dele para cima, passei as unhas levemente, vendo ele fechar os olhos e morder o lábio. Depois, fui eu quem teve o tecido removido com cuidado, com vontade, como se cada peça fosse um obstáculo entre dois desejos guardados a tempo demais.
Quando nossos corpos se encontraram, niras, o tempo pareceu parar. A pele colada, o calor explodindo, os olhares fixos. Ele veio em mim devagar, respeitando cada segundo, cada suspiro.
E quando finalmente estávamos juntos de verdade, o mundo inteiro sumiu. Só existia ele e eu, e aquela cama cúmplice do nosso segredo. Os movimentos começaram lentos, profundos, como se cada investida fosse um pedido de perdão e uma provocação ao mesmo tempo.
Eu envolvi as pernas ao redor do corpo dele, puxando mais para perto, querendo mais forte. Assim? Ele perguntou entre sussurros e gemidos abafados.
Desse jeito, respondi arqueando as costas, sentindo o prazer subir pela espinha. Ele me virou, me deitou de lado, me puxou como se o enlace fosse feito sob medida. Continuamos assim, entre beijos, toques, suspiros e palavras que nem me lembro mais, só sentia.
Era um tipo de entrega que eu não vivia fazia muito tempo, um tipo de prazer que não vinha só do físico, mas do proibido, do risco, do desejo escondido que agora ganhava corpo e forma. A respiração dele acelerava no meu pescoço, os dedos cravavam minha cintura e os nossos corpos dançavam um ritmo próprio, desgovernado, como se o mundo tivesse ficado para fora daquela porta trancada. e ficou.
Fomos até o limite, até o ápice. Ele me olhou no fundo dos olhos no momento exato em que tudo se desfez dentro de mim em onda. Meu corpo tremia, o dele também.
E por alguns segundos só se ouviu o som da nossa respiração tentando voltar ao normal. Ele me puxou pro peito, me abraçou forte, como se o corpo dele dissesse fica. E eu fiquei deitada ali, com o coração explodindo e a mente em pedaços.
Eu nunca imaginei que seria assim com você. ele disse com a voz embargada de desejo e carinho. Eu imaginei demais, até demais, confessei passando a mão no rosto dele.
Ficamos ali sem nada, sem vergonha, sem explicações, só nós dois e um monte de perguntas caladas. O quarto parecia um universo à parte, mas a realidade ainda existia. do lado de fora daquela porta.
Eu sabia que aquela noite não ia apagar tudo que eu era, nem tudo que ele era. Mas por uma noite eu me permiti, pela primeira vez em muito tempo, eu me permiti sentir de verdade. E quando o sono veio, eu dormi ali mesmo, com a cabeça no peito dele, como se aquele lugar fosse o único onde meu corpo encontrava paz.
Só que paz não dura muito quando se vive no limite do proibido. Acordei com o cheiro dele no meu travesseiro. Aquela mistura de perfume amadeirado com o sal do nosso desejo da noite passada.
Ainda era madrugada, talvez 5 da manhã. Estava escuro, mas a cabeça já acesa, girando numa velocidade que não combinava com o silêncio do quarto. Me levantei devagar, sentindo cada músculo lembrando o que tinha acontecido.
Meu corpo doía, mas era aquela dor boa que parece dizer: "Você foi viva! Você foi? " Fui até o banheiro do quarto dele, lavei o rosto, me olhei no espelho e lá estava eu, despenteada, com as bochechas coradas, os lábios um pouco inchados e um olhar que não via fazia tempo.
Um olhar de quem finalmente tinha sido tocada de verdade. Voltei pra cama e ele ainda dormia. De lado, respirando fundo, o peito subindo e descendo num ritmo sereno, como se tudo que fizemos tivesse curado todos os males do mundo.
E talvez tivesse mesmo por algumas horas, pelo menos. Deitei de novo, mas o sono não voltou. E no lugar dele veio o pensamento.
O que diabos a gente fez? E pior, como é que eu vou encarar isso depois? A verdade é que, por mais que o corpo tenha se entregado, a consciência continuava ali com a prancheta na mão, anotando cada detalhe para me julgar depois.
Madrasta, enteado, cama, desejo, segredo. Aquilo tinha tudo para dar errado, mas ainda assim eu não me arrependia. Às 7 da manhã, eu já estava na cozinha.
Vesti uma camisola longa por cima do corpo, ainda quente. Amarrei o cabelo e fui preparar café. Precisava fazer algo, qualquer coisa.
Lidar com o cotidiano me fazia esquecer, ou pelo menos fingir, só que esquecer não dura muito. Bom dia. A voz dele eou pela cozinha.
Ele apareceu encostado no batente da porta, camisa cinza, bermuda, sorriso no rosto. Dormiu bem? Perguntei sem olhá-lo direto.
"Como nunca", ele disse, se aproximando. Eu revirei os olhos, tentando manter a compostura. Não brinca com isso, Caio.
Não tô brincando. Você sabe que não tô. Ele falou sério, parando do meu lado.
Senti a mão dele roçar minha cintura. Um toque leve, mas cheio de intenção. Me afastei um pouco, mais por necessidade emocional do que física.
Isso não pode se repetir. Por quê? Ele questionou como se a resposta fosse uma equação impossível de entender.
Porque é errado, Caio. Porque eu sou casada com seu pai. Um pai que nem olha para você.
Eu me calei. Não porque ele tava certo, mas porque doí admitir isso em voz alta. Você passou a noite inteira se preocupando com o que vem depois.
Eu só consegui pensar no agora e no quanto foi bom. Eu também achei bom, confessei num sussurro. Mas isso não torna certo.
E se a gente não chamar de certo ou errado? Só chamar de nosso? Aquilo me desmontou.
Ele falava com uma intensidade que me dava raiva. Raiva de mim? Porque eu era mais velha.
Eu deveria ser arracional. Eu é que devia dar o freio. Mas no fundo eu só queria acelerar.
Passei o dia tentando seguir como se nada tivesse acontecido. Lavei a louça, limpei a casa, tomei banho demorado. Ele também ficou no canto dele, cada um no seu teatro particular, fingindo que o espetáculo da noite anterior não tinha acontecido.
Até que à noite a bomba caiu. Meu marido ligou: "Amor, tô indo embora amanhã bem cedo. O evento acabou antes do previsto.
Saudade, viu? Saudade? " Mal sabia ele.
Respondi com um também. Tou com saudade e desliguei. Quando virei, Caio estava parado na porta da sala.
Ele volta amanhã. Volta? Então, hoje é nossa última noite.
Aquilo soou como convite e despedida ao mesmo tempo. Jantei sozinha. Ele ficou no quarto.
Não nos falamos, mas também não nos esquecemos. A noite caiu pesada, abafada, carregada. Fui pro meu quarto mais cedo, tomei banho, vesti uma camisola azul clara, longa, daquelas que cobrem tudo, mas ainda deixam tudo amostra se a luz vier do ângulo certo.
Deitei, mas não consegui dormir. Bati os olhos no relógio. 2:20 da madrugada e então ouvi a porta abrir bem devagar.
Ele entrou devagar, pé antepé, o quarto escuro, a respiração dele mais alta que o normal. Eu sei que não devia", ele disse, parando ao lado da minha cama. "Mas eu preciso mais uma vez.
" Eu também, respondi antes que minha moral gritasse mais alto que minha vontade. Ele se deitou ao meu lado. Nos beijamos com a urgência de quem sabe que o tempo é inimigo.
As mãos se procuraram sem pressa, mas sem hesitação. Eu já conhecia os caminhos e ele sabia como me fazer esquecer do mundo. Nos entregamos mais uma vez, com menos culpa, mais desejo.
Com mais entrega, mais risco. as palavras ditas entre suspiros, os corpos se encontrando com ainda mais vontade, como se aquele momento precisasse ser gravado na pele. E foi.
Depois ele me abraçou e ficou em silêncio, só ouvindo meu coração bater. Amanhã tudo volta ao normal, ele disse. Acha que dá para voltar?
Não, mas dá para fingir. E você finge bem. Sorri.
Irônico, debochado e certo. E assim adormecemos com gosto de despedida e a promessa muda de que aquilo não ia acabar ali. Acordei com o barulho do portão, o motor desligando, o portão de correr rangendo e o som das rodinhas da mala rolando no piso da garagem.
O marido chegou antes do previsto, como sempre faz quando quer surpreender. Pena que a surpresa já tinha acontecido e não foi ele quem deu. Corri pro banheiro, lavei o rosto, coloquei a camisola mais comportada e fui direto pra cozinha.
Café passado, pão na chapa, rosto lavado e alma desorganizada. Caio ainda dormia ou fingia. Meu marido entrou, me deu um beijo rápido na testa, fez perguntas sobre o gás, a conta de luz e reclamou da comida do hotel.
Eu respondi tudo no automático, mas minha cabeça estava no quarto ao lado, no corpo que dormiu colado no meu, no desejo que ainda latejava na pele. Quando Caio desceu, já trocado, deu bom dia pro pai e me lançou um olhar rápido. Nada demais, nem frio, nem quente, mas só eu sabia o que existia por trás daquele bom dia.
A semana passou e a vida seguiu no modo silencioso. Fingi que tudo estava igual. Ele também.
Mas atenção, a essa não foi embora. Pelo contrário, crescia nos olhares, nos toques de leve, nas palavras soltas com duplo sentido, até que numa tarde qualquer, a sós na cozinha, ele se aproximou pelas costas, encostou devagar, roçando o peito nas minhas costas, e sussurrou: "Ainda penso em você toda a noite. " Eu fechei os olhos, respirei fundo e disse: "E eu ainda acordo lembrando do seu cheiro".
Ele sorriu e se afastou, sem pressa, sem culpa. Era isso agora. Um segredo entre quatro paredes, um desejo que a gente alimentava com distância, um jogo perigoso que no fundo os dois adoravam jogar.
Naquela noite deitei com meu marido. Ele dormiu rápido e eu fiquei olhando o teto, lembrando do que foi, do que ainda era e do que nunca mais seria esquecido. O toque, o beijo, o prazer, a coragem, o risco, a entrega.
A gente só se vê nos corredores agora. Um boa noite aqui, um precisa de algo ali, mas basta um olhar para saber. Ainda arde, ainda pulsa, ainda mora em mim e talvez sempre vá morar, porque tem coisa que a gente não vive para contar, mas vive para nunca esquecer.
E por hoje é isso, essa história terminou, mas se clicar no vídeo aqui em cima, você encontra mais histórias como essa. Agradeço a todos que deixaram um comentário. Não esquece de dar um like para ajudar o canal e se inscrever para não perder os meus próximos vídeos.
M.