Marco Aurélio era um filósofo históico. Ele tem essa frase que eu chamo de teoria da responsabilidade, que ele diz o seguinte: "Nada acontece ao homem que não seja próprio do homem". Portanto, nada acontece a Lúcia, por exemplo, que não seja próprio da Lúcia.
a cada um de vocês que não seja próprio de vocês. Ou seja, as coisas não vêm por engano, as coisas não erram em endereço, elas vem para nós exatamente porque a nossa necessidade de experiência para crescer chacou, invocou as essas coisas paraa nossa vida. É como se a gente tivesse vindo ao mundo com cartão cifrado das experiências que eu tenho que passar para poder crescer.
Eu vim aqui para parar a minha cólera, para parar a minha ansiedade, para me organizar melhor. Digamos que eu tenho esses defeitos e quero nessa vida chegar a polir essas arestas, me livrar desses defeitos. Tudo que pode proporcionar experiência que te ajude a se livrar desses defeitos tende a ser atraído pra tua vida, como se fosse um cartão magnético.
Por quê? Porque a tua necessidade de experiência está chamando, tá? Então, nada acontece ao homem que não seja próprio do homem.
Isso aí é muito interessante porque é um pensamento que nos ajuda a banir a ideia do acaso. As coisas acontecem comigo por acaso, por azar. Eu acho essa história de azar um conceito curiosíssimo.
Por que cargas d'água um ser humano teria azar? Porque ele foi premiado e algum concurso cósmico para tudo dar errado para ele. Como que que é azar?
Isso é uma coisa absolutamente sem fundamentação lógica. Não tem sentido nenhum a pessoa ter azar. Ela pode estar tendo uma série de experiências negativas que querem conduzi-la para uma outra direção que não é aquela que ela tá tomando.
Mas não é azar isso. A vida é toda pedagógica, ela quer dizer alguma coisa com isso, tá? Então, às vezes as pessoas muito céticas quando a gente fala de uma vida direcionada e com sentido, acreditam em azar.
Eu não acredito em azar, honestamente. Não. Eu acho uma invenção sem lógica nenhuma.
Ninguém tem azar. Tem experiências repetitivas que estão querendo dizer alguma coisa. A vida é toda simbólica, aprender a ler.
Isso é muito importante que a gente perceba. Nós vamos falar aqui de uma dimensão dos símbolos, uma dimensão que tem muito a ver com a teoria de Carl Gustavo Jung, o grande psiquiatra, na sua psicologia analítica, ele falava de sincronicidades. Vou falar bastante de sincronicidades, mas a linguagem simbólica é muito mais do que sincronicidade.
Imaginem que eu quero falar alguma coisa para um de vocês e vocês não querem me ouvir e eu fico insistindo. É importante ou olha para mim aqui, eu quero falar com você e você não presta atenção. E você vira para tudo quanto é lado.
Você fala com outra pessoa, eu tô ali tentando falar com você e uma hora eu perco a paciência, porque paciência pode ser muita, mas uma hora acaba. Eu perco a paciência, seguro você pelos ombros e se te sacudo. Ouve o que eu tô querendo te dizer.
Bem sacudido. Isso é uma sincronicidade. A vida já está apelando com você.
Então, quando acontece uma sincronicidade, opa, eu tava desligado, porque ela já está partindo para dias de fato com você. São fatos muito fortes e muito, digamos assim, explícitos. Ela realmente segurou nos teus ombros e tá sacudindo.
Significa que ela deu várias indicações antes e você não quis ver. Talvez desse até para você rememorar os fatos anteriores e ver que suavemente você já tava sendo conduzido para isso, mas suavemente não foi suficiente, né? precisou a vida apelar um pouquinho.
Aí vem as sincronicidades. Mas a vida como um todo é simbólica. E essa vida simbólica se manifesta nos fatos simples de todos os dias.
Existe uma tradição oriental que diz que a vida é inteiramente pedagógica. Se houvesse um momento que não tivesse nada a nos ensinar, já teria sido tirado da nossa vida. Porque a vida não deixa vácuos, a natureza não deixa vácuos.
Se houvesse um momento da tua vida que não tem nada para te ensinar, ele já teria sido tirado da sua vida. Então, se você chega na sua janela pelas manhãs, essa visão da janela pelas manhãs é muito romântica, né? Cada pequena cena, cada coisa que você vê, cada momento do seu dia que você para um pouco da mecanicidade e olha pro mundo à sua volta, cada momento tá querendo te dizer alguma coisa.
E quando conseguimos decodificar esses momentos, é uma maravilha, porque você percebe que aquilo era fundamental para você, era o que necessitava ouvir. Eu costumo contar muito também nas minhas palestras, talvez alguns conheçam esses exemplos que eu uso alguns bem constantemente. O exemplo, por exemplo, da chuva.
Estamos olhando pela janela e vem uma chuva forte. A chuva forte sacode as árvores violentamente. É um espetáculo bonito, não sei se vocês já viram, meio violento, mas bonito, né?
Uma árvore sacudindo com o vento e com a chuva. É bonita a tempestade. Depois que a tempestade passa, aquele monte de folhas no chão é bonito também.
Aí você olha e diz: "Puxa, a natureza sabe fazer coisas bonitas até quando tá destruindo". Aí você desvia um pouco o olhar, vê um prédio de apartamento recém construído, já feio, mal acabado, já com infiltrações. Aí você olha, diz: "Nossa, o ser humano faz coisas cheias até quando constrói e a natureza faz coisas belas até quando destrói.
" Tem alguma coisa estranha por trás disso. Qual é o princípio da ação do homem que é tão diferente do da natureza? Aí, se você para um pouco para refletir, você vai perceber que a natureza segue rigorosamente as leis da vida.
Aquilo que no oriente se chama de dharma, o braço de Deus estendido sobre o cosmos, a lei que leva todos os seres evolução. Natureza não desvia, ela cumpre rigorosamente com essa lei, enquanto o ser humano desvia, tem o livre arbítrio e pode desviar. E ao desviar ele faz coisas que não levam ao bem universal, mas a desejos egoístas da parte dele.
Ao invés de seguir o dharma, ele segue o karma. busca o que naquele prédio? O mínimo custo com o máximo lucro.
E às vezes uma coisa que tá pronta um ano já tá feia, já tá mal acabada, já tá mostrando sinais de envelhecimento. Seja, quando você olha para essas duas coisas, você está olhando na natureza o fotografia do dharma e do karma. A natureza sempre bela, dma, as coisas que fazemos feias, karma.
Você numa observação dessa, você aprende a ver o dharma e o karma na sua frente, simplesmente olhando para uma tempestade na janela. É um ensinamento. Nossa, quando a gente para para observar, teve épocas na minha vida que eu me dizia o seguinte: todos os dias pelo menos um ensinamento.
Foi uma época que me enlouqueceu, porque eu tinha que estar atento o tempo todo e decodificando, porque vem muita coisa, mas nem sempre a gente consegue, mas muito frutífero. Foi bastante interessante. Um dia desses lá no quintal da minha casa, choveu e eu queria puxar a água toda pro ralo, porque o quintal, o cimento foi mal colocado.
e tem desníveis. Então, a água tende a correr pros lugares mais baixos e faz uma pocinha suja ali com terra. Eu lá com rodo, puxando aquela água pro ralo, de repente eu percebi que ela me escapava pelos lados e ia pracinha.
Eu falei: "Minha consciência é igualzinha isso aí. Se eu não tiver vontade para levá-la na direção certa, ela vai pro ponto mais baixo e mais sujo. Se eu não estiver atento a isso, ela vai pro ponto mais baixo e mais sujo.
Se não houver vontade, se não houver determinação, as coisas fluem pro mais confortável, ou seja, mais baixo, em geral mais sujo. Uma observação desse tipo por causa do rodo na poça do quintal. Tem uma mensagem aí?
Tem. Tem mensagem em todos os lugares, para todos os cantos. Eu costumava pegar com os meus alunos em sala de aula objetos dentro de sala e me digam o que é o simbolismo disso.
Aí uma vez peguei uma cadeira e a gente descobriu que a cadeira ela tem dois duas ideias nela. uma que é a capacidade de dar descanso, que é o seu suas quatro pernas, perdão, elas são a capacidade de se equilibrar, são equilíbrio. E a outra que a concha onde você se senta, que é a possibilidade de dar descanso, ou seja, a virtude do equilíbrio e a virtude da generosidade que te recebe tão favoravelmente para que você descanse.
Na natureza isso deu um resultado maravilhoso, porque cadeira é um objeto indispensável, a junção de equilíbrio com generosidade. Vocês imaginam que se eu juntar essas duas virtudes em outros planos também não vai dar resultados fantásticos? Eu acredito que sim.
No comportamento de um ser humano junto equilíbrio com generosidade, olha que homem grandioso que você não vai ter, que representa no plano humano aquilo que a cadeira faz no plano dos seres inanimados.