[Música] [Aplausos] [Música] Aquelas letras malucas, aqueles rifs que são insanos, os gritos e os susurros do System of Down eram, na verdade uma denúncia brutal sobre como a gente vive num teatro de guerra diária. E eles estavam certos. Não é exagero dizer que você foi hipnotizado por essa banda e eu tô aqui para te provar isso.
O Mesmeriz e o Hiypnotiz não são só álbuns, eles são um manifesto político travestido de caos. Um testamento sonoro do século XX e escrito por quatro caras que estavam no meio da confusão e que também estavam se destruindo por dentro. [Aplausos] Essa frase virou meme, mas também virou praticamente uma profecia.
A gente vive dizendo que o mundo tá um caos, né? Mas, mano, em 2005 a guerra do Iraque estava explodindo. Os Estados Unidos estavam distribuindo um monte de bomba e de discurso pronto.
Enquanto isso, um guitarrista armênio americano chamado Daren Malakin acordava de madrugada com pesadelo sobre os seus primos morrendo em Bagdá. Ele não tava assistindo isso de fora, ele tava dentro. A família dele tava no olho do furacão.
E aí você junta isso com um vocalista místico e político como Serge Tunken, um baterista metódico, um baixista surtado de criatividade e o resultado é um projeto que é tão ambicioso que quase destruiu a banda. O Daron disse que esses discos não foram feitos para agradar ninguém, que eles foram feitos porque eles precisavam colocar tudo isso para fora ou eles iam acabar explodindo. Por fora, o System of Down estava no topo.
Dois álbuns lançados no mesmo ano, ambos em primeiro na Billboard, Gramy, Turnê Lotada, Platina, mas por dentro os caras estavam se odiando. O Daniel Malaken tomou conta desse processo. Ele escreveu a maior parte do trabalho.
O surge meio que se afastou, o Chavo foi cobrado por não tocar baixo direito e o John ficou no meio dessa guerra fria de ego, dor familiar e crise criativa. Não era mais sobre a banda, era sobre sobreviver. E no meio disso tudo, eles entregaram o disco duplo mais insano e politicamente denso da história do metal dos anos 2000.
[Música] [Aplausos] [Música] Um dia o Daron Malak acordou no meio da madrugada todo suado com a imagem da avó dele se escondendo de um bombardeio na cabeça. Foi assim que ele escreveu metade das músicas de Mesmise e do Hiypnotiz. O cara estava vivendo um verdadeiro colapso existencial.
A guerra no Iraque não era só notícia para ele, ela era a história da família dele sendo repetida. Era o trauma do genocídio armênio voltando com uma outra cara. Era eles sentindo que o mundo tava virando uma piada bem sem graça, contada por presidentes com cara de vilão de desenho [Música] animado.
E aí você escuta BYB e parece que ele tá rindo, mas ele tá rindo de nervoso. Essa aqui, cara, é uma música, uma metralhadora musical. Ela muda de ritmo o tempo todo.
Tem breakdown eletrônico, tem coral, tem gruve funkeado. É uma paródia dançante sobre a indústria da guerra. A guerra virou uma festa para quem tá assistindo da sala de casa.
E isso é o espírito do disco todo, uma grande crítica violenta disfarçada de esquizofrenia sonora. Mas nem tudo é grito e sarcasmo. Quando a Holy Mountains começa, o tom muda.
Aqui já não tem piada, é um lamento ancestral. [Música] [Música] A letra fala do genocídio armêno, um tabu negado até hoje por governos e historiadores. O Serge canta como se ele tivesse chorando.
O Daron responde como se ele tivesse gritando por justiça. é o peso da história cantado pelas vezes de quem sobreviveu transformando a música em lembrança. E aí quando você acha que entendeu esse disco, vem Cigarro, My Cock is much bigger than yours.
E aí você pensa: "Meu Deus, que que esses caras estão fazendo? " Mas essa é a jogada. A música é uma reflexão sobre a arrogância política e militar da época.
É um Dick Shane de cueca no palco gritando que ele é um fodão enquanto o mundo tá queimando atrás dele. O Serge disse numa entrevista que a cigarro é sobre ego, sobre poder, sobre homens que medem o próprio pau com mísseis. E você achou que esse disco aqui era só sobre o W Bush, né?
fofo. O sistema Fadown tá falando de todos os governos, de todas as narrativas, de todos os discursos feitos para deixar você obediente e com medo de [Música] [Aplausos] [Música] imigrante. A Set Stat esfrega isso na cara de quem ainda acredita que a estátua da liberdade realmente significa liberdade.
O S Mafadown diz que hoje ela é só um outdoor do poder dos Estados Unidos. [Música] Agora se você quer entender como o Mesmeriz e o Hipnotiz são um álbum só, é só você escutar do começo ao fim. O disco começa com Soldier Side de Introdução e termina com Soldier Side completa no final de Hypnotiz.
É uma viagem cíclica com uma odisseia sonora sobre a guerra, a ignorância e a própria dor humana. No fim, a pergunta não é mais por que eles mandam pobres pra guerra. A pergunta [Música] vira.
E essa linha aqui bate fundo. É o lamento de um soldado que percebe que foi mandado para morrer por um sistema que tá mentindo para ele. Aliás, falando em sistema, né, o nome da banda não é a toa.
System of a Down. É um sistema em queda, um sistema colapsando, mas também nós somos o sistema, né? E a gente também tá caindo.
A proposta desses álbuns é bem essa, né? colocar o dedo na ferida, mas também rir do absurdo. O S disse numa entrevista que essa música é sobre nada, mas também é sobre tudo.
É uma piada sobre a linguagem do absurdo que eles meio que precisavam respirar naquele momento. E é isso que faz esse disco aqui ser tão humano. Ele é politizado, sim, mas também é muito surtado, irônico, às vezes meio bobo no bom sentido e existencial.
Exatamente como todos nós. E no meio disso tudo tem uma treta real rolando dentro da banda. O Dary Malak tá cantando mais esse álbum aqui, escrevendo mais e se impondo mais também.
O Serge começou a se afastar. O Chal foi acusado de não tocar bem o suficiente. O John acabou virando mediador de crise nesse momento.
Era tipo um casamento aberto, mas sem ter nenhuma combinação prévia. A banda ainda tava junto, mas tava rachada. E isso a gente meio que sente em músicas como Los Lost em Hollywood, que é quase um desabafo do Prop Daron.
É ele falando sobre como a fama é uma ilusão suja e solitária. É uma das músicas mais sensíveis do disco. Um fechamento com emoção, reflexão e uma última virada para deixar o público pensando assim muitos dias depois disso.
[Música] Então, com esse contexto todo, você fica meio pensando o que realmente significa ser hipnotizado? Falando no sentido aí de viver num mundo onde a gente repete as coisas meio que sem perceber, onde a gente tá cantando refrão sem entender o que que tem de verdade ali, onde a gente vai pra guerra mesmo sem saber o motivo. E o System of Down sabia disso.
Quando esse disco aqui foi lançado lá em 2005, muitos de nós cantamos vários refrãos aí desse disco, sem saber que, na verdade, a gente estava cantando sobre uma verdade muito cruel, que dizia muito sobre a guerra. E isso prova o quanto o sistema Fadel conseguiu hipnotizar a gente. A música em si é tão boa que a gente até esquece o peso da mensagem verdadeira que estava sendo cantado ali.
Muitas pessoas até hoje, aliás, cantam muitas dessas músicas sem saber esse background político enorme que tem por trás de toda a lírica do System of Down e em particular desses dois trabalhos aqui que refletem o momento que o mundo vivia naquela época. E foi justamente por isso que eles criaram Mesmise e o Hypnotiz como uma experiência dupla. É uma reflexão muito honesta e suja do século XX.
Dois discos mais uma só mensagem. Você tá sendo manipulado. E assim, né, eles estão te avisando isso logo no título dos álbuns.
O mesmerise é o encantamento, a distração, o bombardeio de estímulo. E o hipnotiz é o controle, a obediência, a aceitação passiva. Esses discos aí saíram lá em 2005.
20 anos depois, tudo que eles falaram ainda tá rolando. Só mudou aí o nome da guerra, o lugar, as pessoas, talvez mudou o algoritmo ou a forma de mentir. Mas a estrutura ainda é a mesma.
É notícia que te manipula, polarização, discurso vazio, propaganda disfarçada de meme. A diferença é que hoje a gente nem precisa de bomba. A gente se destrói só com [Aplausos] opinião.
Essa pergunta acabou virando um looping eterno e cada vez que ela é ignorada, nasce assim um novo ataque, uma música nova que ninguém tá prestando direito atenção na mensagem que ela quer dizer. Mesmo Rise e Hipnotizam os últimos discos do System of Down. Depois disso, silêncio.
Foram muitos anos até que o System Fadown voltasse aos palcos em 2024 e voltasse, inclusive a fazer turnê pela América do Sul em 2025, incluindo com data aqui no Brasil. Eles participaram de vários festivais dos Estados Unidos em abril de 2024 e em 2025 estão por aqui na América do Sul. Antes disso, o Sergio foi para um lado, Daron foi para outro, os ergos cresceram, a amizade rachou e a banda virou por um longo tempo esse fantasma cultuado aí por uma geração.
Mas talvez isso tenha sido necessário, porque esses álbuns são cápsulas do tempo, são discos que envelhecem com você, só que você percebe que ele vai te mudando. Com 15 anos você ouve e aí você grita. Com 25 você já começa a refletir.
Com 40 é capaz de você até chorar, porque aí você percebe que aquelas letra doida, aquele instrumental que é imprevisível, aquela mistura de punk com ópera, com folclore, armênio, era tudo um jeito desesperado de dizer: "Cara, o mundo tá indo pro [ __ ] mas ainda dá tempo de acordar". Esses discos aí são uma aula de imperfeição intencional. Eles alternam essas músicas geniais como as músicas meio bobas, misturam poesia e escatologia.
Tem letra falando de genocídio. E depois vem uma sobre coelho atropelado. Por quê?
Porque é assim que a cabeça humana funciona, é assim que a gente tenta sobreviver nesse absurdo, oscilando entre a dor real e a fuga cômica. O Derumano baseado e falando sobre a avó fugindo do bombardeio, o Sérgio escrevendo letra metafísica no meio de um caos midiático, o Chavo brigando porque não tocava baixo bem o suficiente e o John tentando manter a banda junta enquanto todo mundo tava se acabando. Era tudo real, cara.
Era tudo muito humano e por isso esses discos ainda mexem muito com a gente. E se você ainda acha que Mesmor Horiz e Hiypn são só dois álbuns de metal alternativo, meu irmão, escuta isso aí de novo, tá? Mas escuta com a letra na mão e muito disposto, porque escutar esses discos aqui é um tapa na cara para te acordar.
Mas isso na minha opinião, eu espero que você tenha sua. E aí, cara, tantos anos depois do lançamento desse álbum, a mensagem dele hoje ainda te hipnotiza ou você consegue entender de verdade o que que o System Alfadown queria passar? quando cantou tudo isso aqui para você.
Deixa aí nos comentários. Estamos juntão. Muito obrigado pela sua audiência.
Até a próxima.