Em 16 de janeiro de 2025, a cidade de Medianeira, no oeste do Paraná, foi palco de um crime brutal que chocou o Brasil. Rosemar Vink, de 45 anos, foi assassinada e esquartejada dentro da residência de Sten Beersdorf, um estudante universitário de 23 anos. Partes do corpo da vítima foram colocadas dentro de um balde com soda cáustica em uma tentativa de dissolução e ocultação do crime.
Inicialmente, a motivação apresentada pelo acusado foi uma suposta discussão sobre o pagamento de um programa sexual. Segundo Estênio, Rosimar teria ameaçado denunciá-lo por estupro, caso ele não pagasse o valor combinado. Alegando pânico e medo de ser incriminado, ele atacou com múltiplos golpes de faca, desmembrou o corpo e iniciou um processo químico de decomposição.
O crime foi descoberto poucas horas depois. Amigas de Rosemar estranharam sua ausência e registraram um boletim de ocorrência. A polícia utilizou o rastreamento do celular da vítima.
para localizar seu paradeiro e chegou à casa de estênio na noite seguinte. Ao ser abordado pelos policiais, ele estava visivelmente nervoso e apresentava lesões pelo corpo e manchas de sangue. A cena encontrada no interior da residência foi horrorosa.
O corpo de Rosemar estava esquartejado com os membros submersos em soda cáustica e o restante do cadáver armazenado em um saco plástico. A investigação revelou que o acusado havia pesquisado na internet sobre dissolução de corpos e métodos de ocultação de cadáver. Para o Ministério Público do Paraná, o crime foi premeditado, enquadrado como feminicídio triplamente qualificado, com as agravantes de meio cruel, impossibilidade de defesa da vítima e tentativa de ocultação do cadáver.
O Ministério Público solicitou ainda a manutenção da prisão preventiva de estênio e um pedido de indenização à família da vítima no valor de R$ 50. 000. Atualmente, segue preso preventivamente, aguardando o [Música] julgamento.
Olá, sejam bem-vindos ao Investigação Criminal True Crime. Meu nome é Caterine Stepen e hoje ao meu lado estão a advogada criminalista Alessandra Girad e a perita criminal Alessandra Moraes. Bom, esse que é um caso muito chocante, muito brutal que aconteceu em Medianeira, no Paraná.
Eh, um município com 55. 000 habitantes, então um município bem pequeno. E a brutalidade do do caso, né, uma garota de programa que foi contratada, ela foi morta eh segundo o que o suspeito diz, por uma possível discussão ali, um desacordo referente ao valor desse programa e por conta disso, ele a matou esfaqueada e depois esquartejou o corpo.
Não contente, tentou dissolver esse corpo em soda cáica para tentar se livrar dos restos mortais. Eu acho que é muito chocante toda essa todos esses acontecimentos, né? Uma coisa que começa com um crime pequeno e vai tomando proporções absurdas, né?
Doutora, como a senhora enxerga esse crime? É comum para um primeiro assassinato a pessoa já desmembrar e tentar dissolver o corpo de uma mulher assim, dessa forma? Pois é.
Inicialmente aqui registro meus cumprimentos, Caterine, Alessandra, demais telespectadores. Esse caso ele ele já de imediato ele já nos causa eh grande impacto pela forma que foi cometido. Geralmente a gente espera esse tipo de conduta de alguém que já possui um relacionamento com a vítima.
que já tem um convívio com a vítima. E a primeira peculiaridade, a primeira observação é justamente pelo fato de ser duas pessoas que não se conheciam. E me lembra, me lembrou inclusive o Jack Estripador, quem não lembra, né, da há séculos atrás, é a história do Jack Stripador.
Ele fazia isso com prostitutas desconhecidas. E o Stenia, um jovem, rapaz novo, né? Eh, a a gente realmente causa muita indignação pela forma que foi feito.
Então, a gente vai uma comarca medianeira, uma comarca pequena, uma cidade pacata. E os pais de Stênio convidando ele para para ir pra praia. A família queria passar um tempo na praia, queria curtir umas férias, vamos filho, né?
Testemunhas relatam que a família insistiu muito para ele ir pra praia, ele não quis ir pra praia. Então, eh, talvez ele já pensava: "Olha, eu vou aproveitar que meus pais não vão estar aqui, vou chamar uma garota de programa" Uhum. "E vou ter relação sexual".
E aí, enfim, aí tem aí a questão da da perversão, a questão dele querer, né? o do o segredo, né, o proibido, um rapaz muito jovem. E aí ele decide contratar essa garota de programa.
Segundo consta aí o que as informações que a gente tem relacionadas a esse inquérito policial, a vítima, a Rosemar, ela tinha uma rede de apoio de outras garotas de programa, de outras mulheres trabalhavam nesse meio e e era comum avisar a outra: "Olha, eu vou para tal lugar, eu vou fazer um um programa, eu vou para um encontro, enfim". E nesse dia ela avisou: "Eu estou indo". E depois disso ela desapareceu.
As amigas, as mulheres que trabalhavam com ela perceberam que ela alterou a rotina dela e prontamente já comunicaram a polícia. E especialmente esse caso me causa eh eh realmente me chama atenção, porque é muito difícil, Caterine, Alessandra sabe disso também, eh a gente prender em flagrante autores desse tipo de delito. Uhum.
Geralmente a autoria é desvendada nesse tipo de crime, depois ele é instaurado inquérito policial, quem será que foi fulano, será que foi beltrano? e iniciei investigação. Flagrante delito.
Foi o que aconteceu aqui. E é a primeira observação que eu faço, porque falei: "Nossa, gente, flagrante é difícil num crime dessa natureza". E ele praticamente esgotou o rol dos dos crimes do qual, depois a gente vai comentar sobre isso, mas ele praticamente esgotou os o rol de incisos do artigo 121.
Uhum. Né? Então, a gente vê aí mais uma história triste de feminicídio, uma mulher que trabalhando, porque é importante a gente destacar logo aqui de início, tá pessoal, que prostituição não é crime, tá?
A prostituição não é crime. O que não pode no Brasil é ser cafetão. Cada um pode dispor como quiser do seu próprio corpo.
Então ela não cometia nenhum crime. Então essa também é uma observação que tem que ser feita aqui. E é isso, Caterine.
Eh, são as primeiras observações, né? Um flagrante delito, mais uma história de feminicídio e a brutalidade, né? É uma cena de horror.
A polícia eh tá de parabéns porque ela chegou muito rápido. autoria, quando a polícia quer trabalhar, quando uma boa equipe de investigação criminal, ela age rápido e prontamente a autoridade policial nesse inquérito já solicitou a ZERBS, a estação rádio base e com o sinal da sua operadora se chegou ao local. E é muito importante até para garotas de programas terem essa rede de comunicação, né?
justamente ela só foi chegado no corpo dela de forma tão rápida porque tinha essa comunicação de olha estou indo para tal lugar fazer programa muito legal até da polícia ter validado essa denúncia de desaparecimento e ido ter atrás ido atrás tão rápido, né, com tanta eficiência, porque o que a gente vê nesse caso, Alê, é justamente essa tentativa de ocultação do cadáver, dissolvendo os restos mortais em soda cáustica. Eu queria até entender num processo desse quanto tempo levaria e se isso seria possível realmente de acontecer. Olha, eh, o que a gente vê, né, é que não é fácil dissolver um corpo.
A soda cáica que ele usou é aquele produto que a gente usa para desentopico, né? Porque é uma base forte, dependendo aí da concentração, o pH chega até a 14, né? Então você tem um pH muito muito alto, que é o contrário dos ácidos que t o pH muito baixo, mas também é altamente reativo.
Então uma característica da soda cáltica ou hidróxido de sódio é justamente essa questão dele dissolver gorduras, né? Por isso que falaram: "Ah, ele tava fazendo sabão". Porque é um produto usado na sabonificação, né?
Ele faz essa reação ali com Éster justamente para isso. Mas a as primeiras notícias que fala que ele estava fazendo o sabão, eu não vejo essa intenção. Uhum.
O que eu vejo é que ele queria sumir com todas as provas de um homicídio que ele cometeu até por uma desumanização da vítima, né? As profissionais do sexo, elas têm uma tendência a serem muito desumanizadas tanto na sociedade quanto por seus clientes. Uhum.
Então são vítimas em potencial. sofrem mais violência, né? O que começaria ali com uma lesão corporal por conta da briga.
Ah, trocaram tapa, socos, seria uma lesão corporal. Termina com o cara gabaritando o Código de Processo Penal no artigo 121, né? Ele consegue pegar quase todas as qualificadoras.
Então, assim, eh, não me parece que seja uma pessoa que tenha cometido seu primeiro ato de violência, não é? Porque justamente por aquela questão que nós já falamos muito aqui da maturidade criminal, que o criminoso ele vai evoluindo em seus procedimentos, cada ação que ele tem, ela é mais complexa, ela é mais integrada. E para chegar a ficar 24 horas com um corpo dentro de casa, esquartejar e começar a dissolver esse corpo, isso é de uma frieza incrível, não é?
Se aquilo tivesse acontecido, como ele disse, numa briga dei uma facada, por que que ele não chamou o SAM? Por que que ele não tentou socorrer? Não.
Era um homem contra uma mulher que nós estamos vendo que não é uma mulher grande, não é uma mulher forte, né? Uma mulher normal, até parece que é mais miudinha, lutador de karatê, precisaria ter se defendido com uma faca dela. Uhum.
Então, a gente vê que tem um excesso de violência, tem eh me sugere talvez ou muita impulsividade ou premeditação. São essas duas, né, né, que na a briga tenha causado aí essa esse excesso de raiva, esse excesso de emoção que ele a tenha matado, mas depois do homicídio a gente vê uma frieza para esquartejar e dissolver esse corpo que não é normal. E a questão da técnica de esquartejar, esquartejar um corpo não me parece algo fácil de se fazer, né?
Não, ele levou horas para fazer isso. Uhum. Para pegar certinho as fibras e onde esquartejar.
Ele pediu a serra emprestada para um vizinho. Segundo eh depoimentos colhidos pela autoridade policial. Os vizinhos prestaram declarações nesse sentido, que ele bateu na porta do vizinho e falou: "Me empeça a sua serra e levou para casa para poder serrar.
E o corpo foi encontrado. " A Alessandra pode falar melhor sobre isso, mas pelas informações que a gente tem, o corpo foi encontrado já com com as pernas, os braços, as mãos já ali amputadas, já partidas. Então, e ele fez isso com a serra.
Agora você imagina, Caterine, se já é difícil serrar um tronco de madeira. Aliás, eu tava, eu, eu, eu eu pensei nisso quando eu cheguei aqui, porque aqui no estúdio aqui na frente tem o pessoal da prefeitura fazendo manutenção na árvore. Caiu uma árvore aqui, justamente em razão das chuvas.
Uhum. E o rapaz estava com a serra elétrica e com a serra elétrica que tem uma potência, ele tava fazendo muita força. Exatamente.
Imagina serrar um corpo humano com uma serra manual, com aqueles serrotes. Ele ele utilizou segundo eh eh suspeitas, isso ainda vai ser periciado, evidentemente, mas segundo declarações de vizinhos, ele pediu a serra emprestada para um dos vizinhos. Uhum.
Então, veja bem, eh, será que ele premeditou? Acredito que não. Foi um crime de impulsividade.
Foi, eu acredito, foi muito impulsivo, porque ele pede a serra, depois ele pesquisa no Google ser humano com soda cáustica. depois que ela some, ou seja, não foi premeditado, ele não pesquisou antes, ele ele fez, é como Alessandra falou, ele pode ter de fato ali agido como impulso. E agora que que eu vou fazer?
Como que eu vou eliminar isso? Meus pais estão voltando da praia. Uhum.
Imagine o desespero desse indivíduo criminoso. Exato. Um tempo muito curto.
E aí eu vou além nessa linha de raciocínio, Gerard, porque a gente sabe que é uma família muito conservadora, era uma família muito religiosa e que segundo o delegado, a gente conversou com ele, o delegado do caso, ele disse que não tinha nenhum histórico nessa família de violências nesse sentido. Então a gente vê essa ambiguidade ali, espera essa oportunidade dos pais saírem, viajarem para contratar uma garota de programa e fica essa ambivalência do prazer versus a culpa, entende? Como é que ficou para ele nesse sentido?
Será que ele se sentiu culpado e por isso tentou eh matá-la? Mas para que usar desse meio tão cruel? Para que esquartejar o indivíduo e tentar dissolvê-lo?
são absurdos em cima de absurdos, né? É justamente o ser humano. ser humano.
É, é difícil a gente, é realmente é muito difícil a gente definir, porque eh será que uma criação de extrema moralidade, né, já que a gente tem notícias que os familiares eram eram muito conservadores, será que uma educação de extrema moralidade ela motivaria sim, causaria tanto medo num indivíduo a ponto de ele cometer um crime para ocultar a sua, digamos, perversidade, a vergonha de de se relacionar com de ter sexo, porque a gente não tá falando primeiro aqui, ele é homem e ela é uma mulher, né? Então não tem uma relação aqui gay. Então talvez isso poderia acontecer.
Ah, eu meus pais não aceitariam se fosse uma pessoa do mesmo sexo, mas aqui a gente tem uma mulher e a gente tem um homem que em tese seria uma relação sexual tradicional, homem e mulher. O que muda aqui é que a profissão da vítima seria relacionada ao ao a a acompanhantes, encontros, uma mulher já de mais de 40 anos, né? E ele praticamente tinha idade para ser a mãe dele.
Então ele se ele procura, né? ele contrata uma mulher, tem um perfil de uma mulher mais velha, já é uma coisa que chama atenção. E aí a gente não sabe de fato o que aconteceu nesse encontro.
Exato. Mas segundo ele eh que ele confessa, né, quando casa caiu polícia chegou lá eh eh acho que esses policiais nunca mais vão esquecer essa diligência. Sim.
Entrar na casa e encontrar partes do corpo espalhados pela casa. Não estavam no único, correto, Alessandra? É porque a como perita pode falar melhor, mas pelo que eu entendi, a os baldes estavam em baldes de alumínio as partes do corpo, em vários cômodos da casa.
Então a polícia se deparar e ele estava todo ensanguentado, ele estava com coberto de sangue, ele estava arranhado. Uhum. É flagrantão delito.
Uhum. Mais do que um flagrante delito. Difícil.
que eh eh a hipótese de não ser um flagrante delito, até porque a gente tem uma investigação prévia, uma justa causa, mesmo que não houvesse mandado de busca e apreensão. Nesse caso, isso é importante porque a defesa pode falar: "Ah, esse flagrante é nulo". Tecnicamente falando, porque a polícia invadiu o imóvel sem mandar de busca e apreensão.
Mesmo assim, esse flagrante, eu entendo que ele é válido, porque havia a justa causa para o ingresso no imóvel. Uhum. havia de fato justa causa paraa polícia ingressar nesse imóvel mesmo sem mandado, porque a autoridade policial já havia determinado a operadora, oficiado, operadora para que com caráter de urgência disponibilizasse as a os dados de estação rádiobase das herbs.
E para quem não sabe o que é herb, eh, gente, celular não é isso aqui, tá? Celular, pessoal, é a sua nuvem. Na verdade, isso aqui é um aparelho.
Hoje em dia, com a tecnologia, as provas digitais, eh, muito facilmente a autoridade policial só não venda um crime hoje se ela não quiser trabalhar. Uhum. Porque o celular é a nossa vida, é uma extensão do nosso corpo.
Sim. Tanto é que ela some no último programa e a polícia chega no no na última geolocalização dela e a encontra. assassinada brutalmente, gente, mas a encontra.
Sim. E essa questão do esquartejamento é muito chocante. Eu imagino como é uma cena de crime assim pra perícia atual.
Muito sangue, né? Ele ele comprou vários produtos de limpeza além da soda cáustica, mas com um luminol, um exame fácil, rápido ali, a perícia detecta, né? Sim.
Porque pelo que a gente vê nas fotos, ele chamou ela pro programa, ele a matou esfaqueada, embrulhou esse corpo e aí ele foi escartejando, né? Ele começou ali pelos membros tentando dissolver em soda cáustica. Isso me mostra um modus operande relativamente frio.
Por mais que possa ter havido ali no calor da emoção um desentendimento entre eles, primeiro que tem um excesso de violência. Ele não precisaria de uma faca para dominá-la, né? Por isso que eu desconfio desse desentendimento sobre o valor do programa.
Eh, e depois você esquartejar um corpo, provavelmente ele tentou com faca, com tudo que ele tinha em casa, não conseguiu, foi até o vizinho como se nada tivesse acontecendo e pediu uma serra como se nada tivesse acontecendo, né? Isso é um fenômeno muito chocante. Qualquer um de nós ficaria no mínimo muito abalado, não é?
Mas não, ela, ele estava na casa dos pais, ele estava tentando cortar um corpo de uma mulher que ele havia trazido. Na verdade, ele nem havia como mulher, né? Ele havia como objeto.
Ela foi absolutamente objetificada. Sim. Não é?
E tentando dissolver aquele aquele corpo, né? Se a família era muito rígida, por que trazer uma prostituta para dentro de casa? Porque era a zona de conforto dele.
Uhum. assassinos agem dentro de uma zona de conforto, né? Mais confortável do que a casa é impossível, né?
Ele atraiu aquela vítima, aquela presa até o território dele, matou e aí fez esse plano, absolutamente sem nenhum sentido de eliminar com a existência dela. Sim, por mais que os requisitos e os resquícios de crueldade sejam altos, o que aparenta que a maturidade criminal não fosse tão alta assim, né? não houve tanto planejamento, né?
Porque a execução dele não não eh foi, aliás, foi na execução que ele foi preso em flagrante. Uhum. Né?
O ideal seria que a gente conseguisse entrevistá-lo e pesquisar aí a psiquê dele, né? Fazer uma entrevista psicológica, até mesmo com a aplicação de alguns testes para entender o que é que aconteceu, qual que é esse processo decisório. Uhum.
Porque tudo que a gente faz no dia a dia, a das menores, as maiores coisas passam por um processo de decisão o tempo inteiro. Pode ser consciente, né? Desde aquelas decisões que você para, que você pensa, que você reflete, ou decisões inconscientes, né?
Como: "Com qual das mãos eu vou pegar o copo, né? Vou tomar água agora ou daqui a pouco, cruzo, descruzo a perna". Tudo isso é decisão, tudo isso é inconsciente.
Aqui tem um processo de deliberação. Agora, o que eu vou fazer com esse corpo? Entre as múltiplas possibilidades que tinha, ele resolveu escartejar e dissolveru em.
O que que passou? Qual que é esse processo decisório? Sim.
Quais são os freios morais que ele atropelou para fazer isso? Tudo isso tem que ser pesquisado, né? Porque tudo isso faz parte da motivação e decisão de um crime.
Uhum. em primeiro conflito ali, porque o que ele supõe é que houve esse conflito em relação ao valor do programa. A solução pro primeiro conflito é justamente o homicídio seguido desquartejamento.
Isso é um negócio absurdo, né, de se pensar. Muito desproporcional, muito desproporcional. O Ministério Público alega a questão da premeditação e a defesa fala que foi um crime movido por desespero ali no medo de ser eh acusado de estupro, que é o que ele alegou que ela falaria.
Eh, como vocês enxergam essa possibilidade entre premeditação e um crime passional? Eu eu não sei hoje qual que é a linha que a defesa vai trabalhar, mas diante do das informações que a gente tem, de fato, é a possibilidade da defesa trabalhar nessa linha. E isso pode sim ter acontecido, tá?
A gente tá falando de um jovem de 20 e poucos anos, criado num ambiente de extrema moralidade, muito conservador. E aí pode sim ele ter feito eh eh ter planejado não a morte, ele pode ter planejado uma noite de sexo, uma noite de luxúria, digamos assim. Eu não vou aproveitar que meus pais não vão estar aqui e vou curtir minha luxúria.
E aí pode sim, porque a gente tem dinheiro. Pode ser que ele realmente não tivesse dinheiro para para o que o desacerto, por exemplo, olha, eu quero ter relação sexual através da vagina e aí na hora ele quis ter relação sexual pelo anos. E aí ela falou: "Aqui é outro preço, pode ter acontecido isso de fato.
" Então assim, eu não descarto essa possibilidade, Caterine, enquanto pela minha experiência, pela minha vivência no processo penal, em crimes contra a vida, eu não descarto nenhuma possibilidade. Então acho que a defesa, acredito que vai vir por essa linha para demonstrar, porque para júri ele vai, isso aí não tenha dúvida, mas eu acredito que sim, há a possibilidade da defesa tentar eh explorar isso no plenário, no júri, convencendo nos jurados que ele deve ser absolvido, porque na verdade ele é um menino novo, que ficou desesperado e que perdeu a cabeça e aí com medo de o pai voltar, desesperado, decidiu ele ocultar de fato ali o o começou ele se enterrar na própria lama ali, né? Então, na verdade foi uma sequência, uma bola de neve que foi se transformando num num Leviatã a ponto de falar e agora, né?
Então, pode sim, pode, mas ele também pode ser um psicopata estuprador Jack, né? Até hoje ele é conhecido. Jack Strippador, até quem é da nova geração, pessoas menores de idade, quando você fala de Jack Stepador, eles sabem quem é.
Então aqui a gente vê também a possibilidade de ser o indivíduo como um Jack Stepador. Uhum. que trata, assim, como a Lina muito bem observou, a mulher como um objeto e depois agora porque eu não quero que ninguém saiba.
E ela é a prova Uhum. da perversidade dele, talvez. Olha, ela é a prova da perversidade.
Ele é um menino novo, então aquilo ali para ele é um absurdo. Ele tem fazer sexo com uma prostituta. Ohó, como isso é chocante para minha família.
Será que isso motivou? E aí ele conta a história da carachinha pra polícia. Uhum.
Na hora a na hora lá eu matou porque quis, matou por prazer e na verdade não teve desacerto nenhum de programa. Uhum. Pode sim também.
Nesse caso a gente sabe que ela foi morta antes do esquartejamento. Mas vamos fazer uma conjectura, vamos pensar além. Se isso não tivesse acontecido, a lei, se ela fosse eh esquartejada ainda viva, quais indícios a perícia conseguiria analisar para provar que foi essa a ordem dos fatores?
Olha, uma coisa muito importante, né, que que o ML faz essa distinção muito bem são das lesões em vivo e das lesões pós morte, porque elas têm características diferentes. Quando ainda tem alguma reação metabólica do organismo, na primeira, no primeiro machucado, no primeiro corte, imediatamente o corpo começa a se reparar. Então você tem processos de coagulação, processos de inflamação que são imediatos, né?
Às vezes você tem infiltrados hemorrágicos, edemas, hematomas que só acontecem enquanto o corpo ainda funciona, né? Então, analisando, fazendo esses cortes estológicos ou analisando com eh com um microscópio até ou até mesmo com uma lupa, o IML consegue determinar se aquele corte foi feito quando a pessoa tava viva ou quando a pessoa estava morta. Uhum.
Tem uma outra questão também que são as manchas de sangue. Quando a pessoa ainda tá viva e o coração tá batendo, a pressão no sistema sanguíneo é muito maior do que quando o coração parou. Então, quando se seccionam artérias ou até mesmo veias, esse sangue ele espirra longe.
E analisando essas manchas, né, ainda que elas possam ter sido limpas, jogando o luminol, o luminol vai dar esse formato de manchas, muitas vezes a gente consegue entender aonde tava esse corpo e com qual pressão esse sangue foi, né? Então, eh, quando se secciona uma artéria do pescoço, da perna ou do braço, que a gente tem artérias muito grandes, mandando o sangue para para todas essas partes do corpo, esse sangue ele espirra longe. E é a análise dessas manchas, né, desse vetor de força que joga esse sangue, que acho que a gente consegue determinar que a pessoa estava viva porque o coração ainda estava batendo, né?
Então são todos esses indícios que juntos vão permitir que o perito diga: "Olha, ela estava viva ou possivelmente já estava morta". Uhum. Esse caso é tão absurdo que parece até ficção, né?
Parece que ele viu esse método em algum filme, em alguma série e quis tentar reproduzir. Eu queria entender se de fato é possível fazer o que ele pretendia, dissolver um corpo em soda cáustica como ele achou que seria tão rápido assim. Não, não é tão rápido.
E outra, né, o quanto de soda cáustica alguém precisa ter para dissolver o que quer que seja, né? Pelo que nós vimos nas fotos, são essas sodas que a gente compra para desentupicando. Quem já tentou desentupicando, vê o quanto que é difícil.
Você joga o negócio no desento, aí você joga mais, aí você bota água quente, né? Demora para desentupir um cano que tem o quê? 1 cm de gordura, um pouco menos.
Não é uma coisa simples. Carbonização também não é simples, né? Eh, se a gente fosse pensar aí numa possibilidade mais rápida, primeiro que eu não usaria uma base, eu pensaria num ácido muito forte.
E o acesso a esses ácidos não é simples também. Um são produtos controlados, são ácidos extremamente fortes que você não encontra num supermercado, principalmente de uma de uma cidade pequena, né? O quanto que ele conseguiria comprar de soda cáustica para que fosse suficiente dissolver um corpo?
né? Seria impossível. Sim, né?
Não teria como ele conseguir isso. Isso demonstra justamente que não teve eh planejamento. Uhum.
Ao, eu acredito, claro que ele matou, claro que ele tem que ser responsabilizado criminalmente pelo crime aberrante que ele cometeu. Mas a em relação à questão da motivação, isso aí ainda é o mistério. Eh, e de fato eu entendo que não há elementos concretos que indiquem nesse inquérito que de fato, nessa investigação criminal, que de fato houve premeditação.
Uhum. Para mim não houve premeditação. Para mim, pelo pelo que a gente analisa aqui nessa investigação criminal, foi totalmente desgovernado.
Ele ficou totalmente desgovernado. Saiu para comprar saudá vou pedir pro vizinho e agora o que que eu vou fazer? Eu preciso me eliminar, né?
As provas, né? Meus pais vão descobrir, imagina. E ele tinha pouco tempo, né?
Ele tinha pouco tempo e de fato eh eh ele não raciocinou errado, ele só não soube utilizar matemática porque para você, né, eu não sou perita, Alessanda, pode falar mais sobre isso, mas para dissolver um corpo humano com uma um baldinho de salda cáustica não dá, né? e e e outra parece a acredito, pelo que eu já li sobre saponificação, eh o processo eh se ele se for utilizado aquecimento, se você cozinhar, ele é mais rápido, né? Alessandra pode falar melhor sobre isso?
Sim. A temperatura ela vai elevar a velocidade da reação, mas mesmo assim um um corpo não tem só gordura. A gente tem muita proteína ali, a gente tem minerais, tem os ossos, tem as víceras.
Uhum. como que ele pretendia dissolver tudo isso, né? Então é um crime que, por mais que tenha toda essa essa forma tabalhoada de fazer, né, é um crime chocante, né?
Como que alguém vai pensar em esquartejar como primeiro recurso que como primeiro recurso, talvez já mostre talvez um um certo uma certa intimidade com a violência, ainda que fosse no campo da fantasia. Sim. um sadismo, talvez ainda que tivesse no campo da fantasia, né?
Eu não duvido que apareçam outras vítimas dizendo que ele contratava garotas de programa e as agredia. Isso é comum, né? Infelizmente tem muita gente que tem essa fantasia sádica e usa garotas de programa para isso.
Uhum. Né? Então, muitas são espancadas, né?
Então, existe além de tudo isso, eu tô pensando aqui na possibilidade de ser um parafílico e alguma coisa deu errado ali no meio. Uhum. Né?
Porque muitas são torturadas, principalmente em casa de cliente. Às vezes o cliente leva para um lugar ermo, então elas passam aí por sessões de humilhação, sessões de tortura, porque é essa pira dos caras. Eles têm a fantasia de submeter mulheres a isso e muitos contratam as profissionais para isso, porque na cabeça deles elas são objeto.
Na cabeça deles elas não serão ouvidas no caso de fazer uma denúncia. E muitas vezes isso acontece. Uhum.
Elas são ameaçadas, elas são torturadas, elas são perseguidas, elas não confiam num sistema de justiça porque tem esse imaginário de que ninguém vai acreditar numa prostituta, ainda mais uma cidade pequena, né? São pessoas que sofrem muito mais preconceito e ao mesmo tempo estão muito mais sujeitas a esse tipo de violência. Então isso acontece.
Não é raro a gente pegar morte suspeita em que deu errado a asfixia erótica. A hora que a gente começa a investigar, começa a pesquisar, é homicídio, sim, né? Claro que é homicídio, mas começa a asfixiar, né?
É uma prática sexual relativamente até conhecida nesses meios e a pessoa perde os sentidos e a pessoa morta por asfixia, né, que também é qualificadora. Sim. Uhum.
Doutora, a gente tava conversando que ele gabaritou o artigo 121, certo? Isso. Pode explicar pra gente quais foram as denúncias do Ministério Público e como as qualificadoras impactam na pena que ele vai pegar?
É, a situação do Stênio é bem delicada, né? vai dar bastante trabalho paraa defesa, porque ele conseguiu praticamente esgotar todos os incisos do parágrafo 2º do artigo 121. Então, eh, teve motivo torpe, né?
O promotor que for duro, mão pesada, né? Não, a gente não sabe qual que é o exatamente o teor dispositivos que foram elencados na exordial acusatória, na denúncia, mas motivo torpe, motivo fútil, eh com eh a tortura, né, meio cruel, facadas, né, recurso que dificultou a defesa da vítima. com certeza para assegurar a execução, né, do do crime da da que ele que ele havia acabado de praticar o feminicídio, que é o inciso que eh é uma qualificadora incluída pela legislação a partir de 2015, né?
Eu acho que ele só não não pegou o inciso sétimo que é contra a autoridade, que ele não é, mas tem ocultação também, mas a ocultação. Então a gente ainda tem além do 121 e todos esses incisos, Caterine, com certeza ele também será denunciado no artigo 211 em concurso material de crimes. Uhum.
Né? Significa o quê? Que as penas são somadas.
Uhum. E acredito que essa pena vai vir bem alta, porque quando o magistrado ele vai aplicar a pena, ele analisa as circunstâncias judiciais. Então, a personalidade do agente, né, a as circunstâncias com que o crime foi cometido, tudo isso é analisado num contexto geral na hora da aplicação da pene.
Aqui eu tô não estou nem discutindo prova e autoria, porque partindo da premissa de que o conselho de sentenças, os jurados condenarem, se no momento que chegar ao tribunal do júrio os sete jurados entenderem quem é caso de condenação, aí o juiz aplica a pena. Uhum. Quem vai aplicar pena não são jurados.
Os jurados só decide culpado é inocente. Uhum. Condena absolvo, né?
para para defesa buscar uma tese aqui para afastar qualificadoras no plenário, ele vai eles vão ter muito trabalho. Convencer os jurados de que esse rapaz, né, não premeditou. Isso é, eu acredito que seja até possível dentro da dinâmica das informações que a gente tem, do cotejo perfluctório que foi colhido até o momento nessa investigação criminal, dá para se chegar à conclusão sim que não foi premeditado.
Eu eu não acredito em premeditação, apesar que o o Ministério Público vai denunciar e vai pegar pesado, até porque é um crime horrível, aberrante, né? Chocou Rio de Janeira, né? É uma, é lamentável que a medianeira fique marcada.
E eu lamento não só pela cidade, principalmente pelos pelos familiares da das vítimas, assim, a a esse crime em medioaneiro tão recente, ele mexeu muito com a cidade, inclusive teve manifestações, motivou manifestações. Se a sua, a a Rosimar não era uma mulher jogada no mundo que não tinha ninguém. Uhum.
Ela tinha família. José Martinha, amigas, inclusive graças à suas amigas que prontamente comunicaram a Polícia Judiciária, que conseguiram, né, descobrir o que tinha acontecido com ela. Uhum.
Né? Mas poderia, talvez, se ela não tivesse essa rede de apoio muito bem, né? Eh, eh, eh, muito bem observada a rede de apoio, ela talvez até hoje ela estaria desaparecida.
E quantas pessoas não desaparecem? Quantas garotas de programa simplesmente desaparecem? Então é importante, né?
Quem é do meio tem sim ter essa rede de apoio. E mesmo quem não é do meio, nós mulheres nós precisamos nos defender. Isso é mais um uma mais uma triste história, Caterine, Alessandra, de feminicídio.
Então eu tenho, eu tenho muito cuidado, né? A gente vê o que aconteceu agora recentemente com a menina Vitória, né? uma menina voltando do trabalho para casa, então, e poderia não ter sido encontrada também, né?
Né? E o celular também, exemplo do que aconteceu aqui, a B acabou entregando, mas eu tenho a senha da minha filha, ela tem a minha senha do meu iCloud, do Google, do Gmail e de tudo. A gente compartilha senha, a gente compartilha localização, a gente precisa sempre, tá?
Olha, mãe, eu estou no shopping, eu volto tal hora, eu vou para tal lugar, estou com tal pessoa. A gente tem que se proteger quanto mulher, né? Não, se se e não não é só a Rosemar que trabalha no meio do sexo que está suscetível a isso.
Todas nós mulheres estamos suscetíveis a a ter uma situação, a a ser vítima de feminicídio, infelizmente. Infelizmente. Mas aqui fica o nosso agradecimento também à Polícia Civil, a Polícia Militar, que agiram muito rápido e conseguiram capturar esse suspeito em flagrante.
Gente, agradeço demais doutora Alessandra, Dr. Alessandra Moraes por terem conversado aqui com a gente, enriquecido esse essa discussão sobre um caso tão cruel, tão perverso quanto esse. Fica aqui as nossas o nosso muito obrigada para vocês, viu?
Obrigada. Obrigada e até a próxima. O assassinato brutal de Rosemar Vink expõe mais uma vez a brutalidade do feminicídio no Brasil.
O homem que a contratou para o encontro transformou-se em seu algós, desferindo contra ela não apenas golpes de faca, mas também uma tentativa cruel de apagar sua existência. Stenio Bersdorf está preso preventivamente aguardando o julgamento, mas a justiça ainda precisa ser feita. O caso de Rosemar não é um episódio isolado.
Todos os dias mulheres são vítimas de violência extrema, muitas vezes invisibilizadas pela sociedade. O feminicídio é o estágio final de um ciclo que muitas vezes começa com ameaças, passa pelo controle e termina de forma brutal. Neste caso, a tentativa de ocultação do crime só reforça a frieza com que muitas dessas mortes são tratadas.
Aqui encerramos mais uma edição do Investigação Criminal True Crime. Vamos deixar aqui as redes sociais das nossas convidadas. Não deixem de curtir e tirar dúvidas por lá.
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No.