Carta de Paulo aos Efésios, capítulo 5, do verso 18 até o verso 21, onde Paulo nos fala a respeito da plenitude do Espírito Santo: "E não vos embriagueis com vinho, no qual há dissolução, mas enchei-vos do Espírito, falando entre vós com salmos, entoando e louvando de coração ao Senhor com hinos e cânticos espirituais, dando sempre graças por tudo a nosso Deus e Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, sujeitando-vos uns aos outros no temor de Cristo. " Especialmente o verso 18: "E não vos embriagueis com vinho, no qual há dissolução, mas enchei-vos do Espírito. " Senhor, nós pedimos iluminação do Teu bendito Espírito Santo na compreensão desta orientação, desse mandamento tão claro do apóstolo Paulo.
Senhor, que não somente nós compreendamos o que nos é pedido, mas também o que nos é oferecido. Inclina o nosso coração a desejar essa plenitude por amor do Teu nome. Amém.
Eu acho que vai ser muito difícil encontrar um cliente verdadeiro que não queira ser cheio do Espírito Santo. Eu creio que é o desejo de todos nós. Todos nós queremos experimentar a plenitude de Deus.
Nós queremos ter, aqui neste mundo, tudo que Deus pode nos dar em termos de comunhão com Ele e de experiências espirituais com Ele. Você vai encontrar esse desejo em todos os anos do Evangelho. Calixto, entre os reformados, muito cedo, depois da Reforma Protestante, já os grandes escritores puritanos publicaram obras extensas sobre a plenitude do Espírito Santo, a busca do Espírito Santo, os efeitos da ação do Espírito Santo na vida das pessoas.
O Movimento Pentecostal nasce em cima dessa busca da plenitude do Espírito Santo, e todos os demais movimentos. . .
Podíamos citar ainda o movimento pietista, que vem antes do Movimento Pentecostal. Todos esses movimentos, através da história, antes da Reforma Protestante, grupos que queriam e buscavam essa plenitude. Já no século II, você tinha os montanistas, que queriam um retorno ao tempo dos Apóstolos.
A história está marcada por movimentos e grupos que querem e buscam a plenitude do Espírito Santo. Para não falar nos grandes avivamentos históricos, aqueles momentos de grande intensidade espiritual que aconteceram nos Estados Unidos no século XVIII, na Inglaterra, no País de Gales, aconteceram na China, na África do Sul, na Escócia e em tantos outros lugares. Nós temos notícia, através da leitura dos livros de história da história da Igreja.
Então, eu penso que nem precisa discutir esse assunto. Ou seja, a importância dele, da busca da plenitude do Espírito Santo e o desejo de sermos cheios desse Espírito. A grande dificuldade é sempre entender exatamente o que significa ser cheio do Espírito Santo e quais são os efeitos e os resultados disso em nossa vida; e, mais ainda, de que maneira nós podemos obter essa plenitude e como é que nós vamos saber que estamos cheios do Espírito Santo.
Então, há respostas diferentes para cada uma destas perguntas, e o que eu gostaria de ver com vocês é a resposta que nos é dada aqui pelo apóstolo Paulo sobre estas questões. Eu creio que não haverá muita controvérsia sobre isso, porque o que Paulo está dizendo aqui é claro, e nós não precisamos ir mais além do que esse texto para responder a estas questões que cercam o assunto. Nós estamos aqui na parte prática da carta aos Efésios, e Paulo já abordou a questão da unidade da igreja, que está aí no capítulo 4, do verso 1 ao 6, e também a concessão de dons espirituais da parte do Cristo ressuscitado aos cristãos, para que eles trabalhem para a edificação da igreja, daí também no capítulo 4, do verso 7 ao 16.
A partir do verso 17 do capítulo 4, Paulo começa a ensinar que os cristãos não devem mais viver como os pagãos viviam, e ele usa uma figura: nós temos que nos despir do velho homem, renovar-nos no entendimento e nos vestir do novo homem, criado segundo Deus, em retidão e justiça, procedentes da verdade. Ou seja, dizer não para o pecado e sim para Deus. E aí ele desenvolve oito contrastes baseados nisso: "não faça isso, mas faça aquilo.
" Não faça isso, mas faça aquilo. E nós já vimos todos eles, começando no verso 25 do capítulo 4: "Deixa a mentira, fale a verdade. " Verso 28: "Pare de roubar; trabalhe, fazendo o que é bom com suas mãos.
" Verso 29: "Não saia da sua boca nenhuma palavra suja, mas somente palavras que edificam. " E aí, na sequência, mais seis contrastes, até que chegamos no último, que é este aqui do verso 18: "Não vos embriagueis com vinho, mas enchei-vos do Espírito Santo. " É o último dos contrastes que Paulo expõe à Igreja de Éfeso.
Dentro daquela parte da vida cristã, como é que nós vivemos? Devemos andar não como pessoas que estão embriagadas, mas como pessoas que estão cheias do Espírito Santo. Então, é sobre isso que nós queremos falar nesta noite.
A nossa primeira pergunta é, então, tentar entender o que é que Paulo quer dizer com ser cheio do Espírito Santo, como ele diz aí no verso 18: "Enchei-vos do Espírito Santo. " Talvez nos ajude lembrar quem é o Espírito Santo, de acordo com a Palavra de Deus. O Espírito Santo é a terceira pessoa da Trindade; Ele não é uma força, Ele não é um líquido, Ele não é um gás.
Eu sei que essa linguagem que Paulo usa, "enchei-vos do Espírito Santo", inconscientemente produz esse conceito de que o Espírito Santo é uma coisa que vem de Deus e que nós somos uma espécie de grande vaso, um recipiente que é enchido pelo Espírito Santo, como se Ele fosse um líquido ou um gás que enche uma câmara, por exemplo, um quarto. Então, essa linguagem de Paulo de encher-se às vezes pode provocar essa impressão de que o Espírito Santo é uma coisa, Ele é uma força que vem de Deus, e algumas pessoas parecem. .
. Acreditar nisso mesmo a ponto de se referir ao Espírito Santo nesses termos: que é uma força que vem de Deus, ou que é um poder que vem de Deus, ou que é algo que Deus nos dá para nos fazer melhores e mais poderosos. Há muita referência ao Espírito Santo que traz essa ideia de que as pessoas pensam que ele é uma coisa.
"Eu quero poder, eu quero unção, eu quero a autoridade. " Não é falando do Espírito Santo como se ele fosse assim uma coisa que Deus nos dá para satisfazer as nossas necessidades. Na verdade, o Espírito Santo não é um líquido, ele não é um gás, embora a Bíblia se refira a ele como o vento.
Ele é como o vento. Na verdade, a palavra "espírito" no grego, "neuma", é a mesma palavra de onde vem o nosso vocábulo em português "vento". Em grego, "espírito" e "vento" é a mesma palavra.
Então, por tudo isso, as pessoas podem pensar que o Espírito Santo, na verdade, é um vento, porque até no dia de Pentecostes, né, se ouviu o som como de uma ventania, que identificava a chegada do Espírito Santo. Mas eu creio que vai nos ajudar se nós nos lembrarmos que o Espírito é a terceira pessoa da Trindade e, quando nós dizemos "pessoa", nós queremos dizer que o Espírito Santo pensa, sente, tem consciência. Ele, à semelhança do Pai, decide, escolhe, age.
Ele é uma das três pessoas da Trindade bendita. Quando, portanto, Paulo diz "encham-se do Espírito", ele está dizendo: deixem-se controlar pelo Espírito Santo. Permitão que a terceira pessoa da Trindade, de tal maneira, controle vocês que vocês vão parecer um vaso cheio, um vaso cheio de Deus, porque o controle dele na vida de vocês é absoluto.
Então, é isso que Paulo está dizendo: "enchei-vos do Espírito", quer dizer, sejam completamente controlados pela terceira pessoa da Trindade, pelo Espírito que vem da parte de Deus. Essa ideia do controle, deixemos controlados pela terceira pessoa da Trindade, é confirmada pelo contraste. Veja que, no verso 18, Paulo contrasta a plenitude do Espírito Santo com a plenitude do vinho.
Ele diz: "Não se embriaguem com vinho, mas se encham do Espírito Santo". Para que esse contraste funcione, é preciso que identifiquemos o que é que eles têm em comum. As duas peças do contraste, senão, não vai fazer sentido fazer o contraste.
Ninguém contrasta aquilo que não tem alguma semelhança, o que não está na mesma categoria. Então, o que é que ser cheio de vinho, embriagado de vinho, e ser cheio do Espírito Santo tem em comum? Exatamente essa ideia de controle.
Uma pessoa que está embriagada, ela bebeu tanto e a tal ponto que o álcool subiu até o seu cérebro e controla suas emoções, suas reações, suas decisões. A maneira da pessoa reagir, as suas escolhas, a tal ponto que, depois que a ressaca passa, a pessoa nem lembra direito o que fez, porque estava debaixo da influência do álcool. Ela vira quase que uma outra pessoa.
Você, cheio do Espírito Santo, é assim. Significa você ficar embriagado com a ação do Espírito Santo e com a presença do Espírito Santo de tal maneira que suas ações, reações, decisões, escolhas, tudo isso vai estar controlado sob a influência do Espírito Santo. A diferença é que, quanto mais cheio de vinho você tiver, mais dissolução.
É isso que Paulo diz: "Não vos embriagueis com vinho, no qual há dissolução". Dissolução é dissipação, inutilidade. Quanto mais cheio de vinho você tiver, mais inútil será a sua vida.
Ela será uma vida desgovernada, e nós sabemos o quanto o álcool é responsável pela destruição de milhares de brasileiras, de vidas, de casamentos e de relacionamentos de jovens que, desde cedo, se deixam levar pela embriaguez. O vinho leva a isso, mas agora, pensando no outro lado: quanto mais cheio do Espírito Santo você for, mais controle você vai ter sobre a sua vida, mais domínio você vai ter sobre si mesmo. Essa é a grande diferença.
Mas o ponto de comparação é exatamente isso: uma pessoa cheia do Espírito Santo é dominada pelo Espírito, da mesma maneira que um bêbado está cheio de álcool e está debaixo da influência do álcool. Agora, eu sei que essa comparação pode dar a impressão de que uma pessoa cheia do Espírito Santo pode fazer coisas de um ébrio espiritual, né? Ele está tão embriagado pelo Espírito Santo que ele vai fazer coisas assim como um bêbado faz.
E tem gente que pensa isso mesmo. Vocês devem saber disso. Quem anda pelas mídias sociais ou escuta determinados programas de televisão vai se deparar com jogadores que dizem que, quanto mais cheio do Espírito Santo você estiver, mais coisas loucas você vai fazer, porque onde tem o Espírito de Deus, aí tem liberdade.
E aí eles vão dizer que uma pessoa que é cheia do Espírito Santo vai plantar bananeira, vai dar salto mortal para trás, vai rodar feito um pião. Tem um pastor peão que vocês já viram no YouTube, né? O "Pastor Metralhadora", cheio do Espírito Santo, fica dando tiro espiritual de unção nos crentes.
Não é? A pessoa fica, cai no chão, fica rebolando, "trenzinho de Jesus", dominó espiritual, derruba o primeiro e sai derrubando os outros. Tudo isso em nome do Espírito Santo.
Mas eu não penso que é isso que a Palavra de Deus quer dizer com "plenitude do Espírito". Quanto mais cheio do Espírito Santo você é, mais normal você vai ser, mais humano e mais gente você vai ser. O fruto do Espírito é domínio próprio.
Domínio próprio é isso que significa. Então, ser cheio do Espírito Santo de Deus é estar debaixo do seu controle, é agir debaixo da orientação do Espírito Santo de Deus. E o que isso representa em termos práticos?
Lembrem-se que Paulo aqui. . .
Na carta, já havia citado várias coisas relacionadas com a obra do Espírito Santo. Se vocês me acompanharem, vocês verão no capítulo primeiro, no verso 13, Paulo fala do Espírito Santo como sendo o selo da promessa que Deus envia ao nosso coração. No verso 14, Paulo se refere a ele, no capítulo primeiro, como sendo o penhor da nossa herança, a garantia que Deus nos dá de que nós haveremos de herdar a vida eterna.
Então, o Espírito funciona da parte de Deus como garantidor das promessas: Aquele que nos sela, Aquele que nos dá o penhor de Deus, de que nós haveremos todas as promessas. Tem a ver, com certeza, tem a ver com segurança nas promessas de Deus. Aqui, no verso 17 do capítulo 1, Paulo ora para que Deus nos conceda espírito de sabedoria e de revelação no pleno conhecimento dele, referindo-se ao fato de que é o Espírito de Deus quem nos ilumina, quem nos leva ao verdadeiro conhecimento de Deus, quem nos ajuda, através das trevas e da nossa ignorância, até alcançarmos a verdade.
No capítulo 2, verso 18, Paulo fala que o Espírito Santo é o elo de união entre judeus e gentios, formando o corpo que é a igreja. Judeus e gentios, que são povos distintos, mas na igreja estão unidos pelo mesmo Espírito. No capítulo 3, verso 16, Paulo ora para que os cristãos sejam fortalecidos com poder, mediante a presença do Espírito Santo no homem interior.
No capítulo 4, verso 3, Paulo fala da unidade do Espírito, e no capítulo 4, verso 30, que nós já vimos, ele diz: "Não entristeçam o Espírito de Deus, no qual vocês foram selados para o dia da redenção". Em outras palavras, é o Espírito que ilumina, que fortalece, que promove a união, que nos esclarece, que nos guia, que nos dá certeza, que nos dá segurança. Então, é óbvio, a razão é óbvia, a razão pela qual o Espírito Santo é.
. . Paulo nos diz: encham-se desse Espírito, porque é mediante o Espírito Santo que vocês vão experimentar estas coisas: alegria, certeza, confiança, clareza, compreensão, força para viver a vida cristã, força para amar e perdoar, condições para a igreja viver unida.
Tudo isso é o Espírito Santo que faz. Daí, então, a necessidade de que nós estejamos debaixo da orientação do Espírito e sob o seu comando. E agora vem a próxima pergunta: o que, então, acontece quando a igreja está cheia do Espírito Santo ou quando nós, individualmente, estamos cheios do Espírito Santo?
Nós podemos dar a resposta em dois níveis. Não é através da história da igreja; como eu já mencionei, houve momentos em que a plenitude do Espírito Santo parece ter sido dada com tal intensidade e um número tão grande de pessoas ao mesmo tempo que virou um movimento espiritual, que nós chamamos de avivamentos espirituais. Quando as igrejas de determinadas cidades, ou até em regiões inteiras, se viram transformadas, os crentes se viram cheios de poder, autoridade e ousadia, e a quantidade de pessoas que se converteu era muito grande, muito grande mesmo.
Ah, eu tive a oportunidade de visitar, juntamente com a minha esposa, um lugar onde isso aconteceu na década de 60, que foi na África do Sul, numa tribo de africanos, os zulus. Durante 20 anos, um pastor de origem alemã chamado Erly Steigen, ele era luterano, pregou o evangelho entre aquele povo sem resultados. Finalmente, ele já estava desanimado e querendo desistir do trabalho missionário entre os zulus, quando, no Natal de 1966, Deus começou a trabalhar no coração dele e mostrar para ele a necessidade que ele tinha de ser cheio do Espírito Santo e de abandonar os ídolos que havia no seu coração, e, entre outras coisas, o próprio racismo que havia no coração dele, mesmo que ele durante 20 anos já vinha trabalhando entre os africanos.
E no Natal de 66, então, um dia, ele abre a porta da sua casa e tem um grupo de zulus do lado de fora, dizendo: "Nós queremos Jesus". E ele teve um susto, né? Ele disse: "Eu passei 20 anos correndo atrás de vocês e agora vocês estão vindo para mim?
O que é que aconteceu? " Eles disseram: "Não sabemos, mas alguma coisa veio aos nossos corações, lembramos das suas palavras e nós queremos Jesus Cristo". Então, só naquela semana, mil zulus se converteram e mais mil na semana seguinte.
Quando a minha esposa e eu estivemos lá, eles estavam construindo um templo para 10 mil pessoas naquela comunidade e com conversão de bruxos e feiticeiras. Houve uma mudança extraordinária na tribo. Não é?
Até o rei zulu mandou suas três esposas para lá, para conhecerem o evangelho e serem transformadas pelo poder de Deus. E lá nós vimos unidade, enquanto que, nessa época, a América do Sul viveu apartheid, que era o racismo institucionalizado. Mas lá, naquela região chamada Coacs Bantu, que é o local onde moram os zulus, percebemos nenhum traço de racismo: brancos e negros vivendo juntos em união, se respeitando, um servindo ao outro de uma maneira como nós não vimos na África do Sul.
Então, esse é apenas um exemplo do que seria essa plenitude do Espírito Santo enviada por Deus sobre uma região, sobre um povo, e durante um tempo. Esse avivamento durou cerca de oito anos - 8 anos - e o evangelho se espalhou muito naquela região da África, que é a região da Província de Natal. Ou às vezes isso pode acontecer.
. . eu tô falando da plenitude coletiva, não é?
Isso pode acontecer em um momento só, que não se repete. Eu não gosto de contar muita experiência que acontece comigo, mas de vez em quando eu quebro a minha regra, como agora eu vou fazer. Eu fui convidado uma vez para pregar, muito tempo atrás, muito tempo.
Eu fui convidado para pregar no aniversário de uma igreja no Recife, uma igreja grande, presbiteriana. . .
e eu tinha que. . .
Pregar na no sábado à noite, sexta à noite, sábado à noite e domingo de manhã e domingo à noite. Comecei a pregar, a igreja cheia. Deus abençoe a palavra!
A pregação estava indo bem, o pessoal estava animado. Preguei no domingo de manhã. No domingo à tarde, fiquei doente, uma gripe que me bateu; eu mal conseguia levantar da cama.
Pensei em pegar o telefone, ligar para o pastor e dizer: “Pastor, eu não tenho condições de pregar hoje à noite, tô aqui de cama”. Mas eu disse: “Eu vou, né? ”.
Aí não tive nem tempo de preparar; eu não sabia direito o que é que eu ia pregar. Não é porque estava tão confusa, cansada. A gente sabe como é ficar gripado, né?
A cabeça nem funciona direito. E aí eu fui me arrastando e fiquei lá no púlpito pensando no que eu ia falar, não tinha me preparado direito e a hora estava chegando para eu falar, e a liturgia avançando. Eu disse: “Bom, eu vou falar então da minha devocional”.
Então me lembrei da devocional que eu tinha feito, né? A hora particular que eu tinha com Deus e que tinha sido lá em Mateus, aquela parte que Jesus disse: “Ah, se o teu irmão tem alguma coisa, se você se lembrar que seu irmão tem alguma coisa contra você, você vai se reconciliar primeiro com seu irmão e depois você vem e faz a sua fé”. Quando o pastor me deu a palavra, só tinha aquilo para falar.
Acho que foi o sermão mais curto da minha vida, uns 10 a 15 minutos, mais ou menos. Eu simplesmente expliquei aquela passagem, a importância da reconcialiação entre irmãos para que a igreja. Aí me sentei, né?
O pastor olhou para mim, sentei, não aguentava mais pregar. O pastor se levantou para encerrar o culto, orar e dar a bênção, e quando ele ia fazer isso, levantou uma mão no meio do culto, no meio do povo. Gente, isso não é Igreja Presbiteriana!
É quase heresia, né? Aí mandou a mão no culto e se levantou um diácono, eu me lembro; eu conheço e conheci o diácono e o pai dele, a família toda. Um homem muito zeloso se levantou e disse: “Eu quero falar ao pastor”.
“Pois não, meu irmão”. Aí o diabo não veio, subiu, pegou o microfone e disse: “Pastor, eu quero pedir perdão ao Senhor diante da igreja. Eu tenho falado muito mal do senhor, eu tenho falado muito mal de Tião, eu tenho defamado, Senhor.
Eu queria pedir perdão aqui diante da igreja”. O pastor ficou assim, né, sem entender. O povo olhou assim e aí o pastor veio à frente e disse: “O senhor tá bem, você tá perdoado, meu irmão”.
Aí outra mão levantou, uma menina desse lado de cá, gritou e falou para outra que estava sentada do lado de cá: “Dizendo fulana, eu quero te pedir perdão também porque eu tenho feito isso e isso de você”. Aí as mãos começaram a levantar, veio gente. Esse culto foi até meia-noite, meia-noite de gente vindo à frente para pedir perdão, confessar pecado.
Eu só encolhido aqui, né, sentado, porque eu sabia que isso não era mérito meu. Foi o pior sermão da minha vida e Deus agiu no meio da igreja. Eu nunca vi uma coisa como essa.
Nunca vi uma coisa como essa. Foi a igreja que começou uma reunião de oração na segunda-feira; durou um ano essa reunião. Eles vinham para a igreja orar às 7 horas da manhã e lotado, lotado.
E essa igreja, nesse ano, ganhou, eu não sei quantos membros, mas ela cresceu. Hoje ela é a maior Igreja Presbiteriana de Recife. Mas eu me lembro bem desse episódio.
Agora, é claro, vocês sabem: quando terminou tudo, nós vamos para casa. Eu tinha que pregar no domingo seguinte. Eu disse: “Ah, já sei o que é que eu vou pregar no domingo seguinte”.
E eu preguei. Sabe qual foi o resultado? Nada.
Nada! Soberanamente. Então, acontece isso: essas visitações de Deus, esses momentos em que Deus, de repente, soberanamente, Ele age no coração, na vida das pessoas e os crentes parecem que despertam, eles veem os seus pecados numa luz nova e ganham coragem para colocar sua vida em ordem diante de Deus.
É o que nós chamamos de avivamento espiritual. Mas nem sempre isso acontece. Às vezes, a obra do Espírito Santo é silenciosa, ela é lenta e ela se prolonga durante muito tempo.
Eu sei que todos nós gostaríamos de viver essas experiências todo domingo. Eu gostaria, claro! Eu gostaria de ver isso acontecendo, mas realmente não está nas nossas mãos.
Nós devemos orar por isso, orar para que nós sejamos cheios do Espírito Santo, mas saber que é Deus quem vai nos conduzir nesse caminho. Mas eu quero falar aqui, quando eu pergunto quais são os efeitos, eu quero falar nos efeitos que a palavra de Deus nos diz com respeito a nós como indivíduos. Eu sei que isso vai afetar também o nosso relacionamento com a igreja.
De acordo com alguns irmãos queridos, a plenitude do Espírito Santo é sempre acompanhada de línguas, de profecias e alguns sinais e prodígios extraordinários. E geralmente, o argumento que se usa para provar isso são aqueles relatos que nós temos no livro de Atos, em que quando o Espírito Santo veio e encheu a igreja, houve línguas e houve profecia. Atos, capítulo 2, dia de Pentecostes; Atos, capítulo 8, a conversão dos samaritanos; Atos, capítulo 10, a conversão de Cornélio, a entrada dos gentios na igreja; e Atos 19, aliás, 19, que é a presença de Paulo na cidade de Éfeso, quando ele encontra os discípulos de João Batista.
Paulo ora por eles, o Espírito vem sobre eles, eles tanto falavam línguas como profetizavam. E aí, dentro dos meios em que se acredita que a plenitude do Espírito é sempre seguida pelo falar de línguas e outras manifestações, a busca dessa plenitude. .
. Do Espírito Santo acaba virando a busca da experiência de línguas. Acaba virando isso: as pessoas buscam a experiência de línguas, e nessa busca e na tentativa de encontrar essa plenitude evidenciada pelas línguas, nós vamos encontrar algumas distorções, como, por exemplo, pastores que vão ensinar os membros da igreja como é que eles falam em línguas.
Então, eu tive uma experiência uma vez com um rapaz novo convertido. Ele estava tão entusiasmado com as coisas de Deus! Ele tinha vindo, ele não era nada, conheceu a Cristo, ficou tão alegre e feliz, e ele queria servir a Jesus de todo o coração.
Acabou indo para uma dessas reuniões de uma igreja dessas onde a plenitude do Espírito Santo é confundida com falar em línguas. Ele veio falar comigo depois e disse: "Pastor, eu agora sou tão cheio do Espírito Santo que estou aprendendo a falar em línguas. " Eu disse: "Como é que foi que isso aconteceu?
" Ele respondeu: "Não, eu estava nessa reunião. Aí o pastor chegou para mim e perguntou se eu já tinha sido batizado com o Espírito Santo. Eu não sabia direito o que era aquilo.
Eu disse que achava que não, porque ele disse que isso ia trazer, se eu fosse batizado com o Espírito Santo, eu ia falar em línguas estranhas. E eu disse que eu não sabia o que era isso. " O pastor, então, me disse: "Não, eu vou te ensinar como é.
Primeiro, você imagina na sua cabeça uma palavra que não existe. " Aí, eu imaginei uma palavra que não existe. Aí, o outro pastor disse assim: "Agora fica repetindo essa palavra na tua cabeça.
" Aí, eu fiquei repetindo a palavra na cabeça. O pastor disse: "Agora destranca a língua, fala, deixa fluir. " Então, eu falei isso.
Aí, ele disse: "Você está batizado com o Espírito Santo. " Eu tive aquele trabalho para tirar isso da cabeça daquele menino. Não é que o dom de línguas não é uma dádiva; é algo que não se ensina a alguém a falar em línguas.
Não é um procedimento que tenha a menor fundamentação bíblica. Mas, em alguns grupos, essa busca da plenitude do Espírito, porque está associada com línguas, acaba provocando esse tipo de efeito. As pessoas querem ter uma experiência; elas querem experimentar alguma coisa: línguas, profecia, sonhos, visões e por aí vai.
Mas o nosso entendimento é diferente. Aqui, nós entendemos que a plenitude do Espírito Santo tem a ver primariamente não com dons espirituais, porque uma pessoa pode manifestar dons espirituais e nem crente ser, ou, se for crente, ele pode ser carnal. Um exemplo é a igreja de Corinto, a igreja mais carnal do Novo Testamento, com imoralidade, divisão, heresia, brigas.
Entretanto, era uma igreja onde havia dons de línguas e profecia. Paulo diz: "Vocês pensam que são espirituais, mas vocês são carnais, porque, ainda que eu falasse nas línguas dos homens e dos anjos e não tivesse amor, eu nada seria. " Então, esse é o nosso entendimento: a plenitude do Espírito Santo não está relacionada com dons espirituais, especialmente esses de falar em línguas, profetizar, curar e assim por diante.
A plenitude do Espírito está mais relacionada com autoridade, ousadia, poder de vida, mas na nossa transformação e na capacitação para que a gente viva nesse mundo de acordo com a vontade de Deus. É para isso que o Espírito Santo nos foi dado. Se Deus quiser dar dons espirituais, Ele vai fazer isso, mas isso não está necessariamente relacionado à plenitude do Espírito Santo.
As experiências, como essas de línguas, por exemplo, não provam nada. No livro de Atos, agora deixa eu explicar aqueles quatro eventos que eu mencionei. As línguas acompanharam a descida do Espírito Santo porque era preciso um sinal externo de que aqueles povos estavam sendo trazidos à igreja.
Antes do dia de Pentecostes, a igreja era Israel, mas agora Deus estava trazendo os gentios. Então, no dia de Pentecostes, aqueles irmãos judeus, o Espírito Santo veio sobre eles e eles falaram em línguas. Filipe pregou o evangelho em Samaria.
Pedro e João foram lá e impuseram as mãos. O Espírito Santo desceu sobre os samaritanos, que não eram judeus, eram uma raça mista intermediária entre judeus e gentios. Eles recebem o Espírito Santo e falam em línguas.
Por que eles falaram em línguas ali? Para que os judeus dissessem que eles receberam o mesmo dom do Espírito Santo que nós recebemos no dia de Pentecostes. Então, eles estão sendo incluídos na igreja.
Na casa de Cornélio, foi a mesma coisa. Pedro pregou o evangelho, o Espírito Santo caiu sobre os gentios e aqueles que não tinham nada de judeu, eram nações pagãs ali representadas. O Espírito Santo veio sobre eles e eles tiveram a mesma experiência que os judeus tiveram no dia de Pentecostes, dizendo que agora os gentios estão entrando na igreja também.
Qual o último grupo que falta? Os crentes do Antigo Testamento, representados por João Batista, que Paulo encontra lá em Éfeso, aquele grupo intermediário que nem sabia que o Espírito Santo tinha descido mas era crente em Jesus Cristo. Paulo orou por eles, o Espírito Santo veio e eles falaram em línguas, sendo incorporados na igreja.
Fechou todos os grupos, todos estão na igreja agora. Então, as línguas não têm mais essa função de identificar que alguém recebeu o Espírito Santo, que foi cheio do Espírito Santo, porque elas desempenharam um papel histórico e significativo e definitivo e único na história da redenção. Se Deus quiser dar o dom de línguas, então tem que seguir o padrão de Deus: dois, no máximo três em sequência, com intérprete.
Então, se vier de Deus, vai ser assim. Por favor, não me peça para acreditar que a sua experiência de Deus se você não está obedecendo a. Palavra dele, porque tem gente que diz assim: "Pastor, eu falo em línguas.
Na minha igreja, todo mundo fala línguas, é uma beleza. " Não me peça para acreditar que é de Deus, porque, primeiro, em 1 Coríntios, capítulo 14, o apóstolo Paulo diz que tem que ser dois, no máximo três, em sequência, ou seja, um por um, e que tem que ter intérprete. Se não for assim, não me peça para acreditar.
A amizade é a mesma, tá bem? Continuaremos amigos, mas não me peça para acreditar, tá? Deus pode fazer isso, pode; mas isso não está ligado à plenitude do Espírito Santo.
Nós devemos buscar a plenitude do Espírito. Como eu disse, porque é somente por ele que nós podemos servir a Deus aqui nesse mundo. Vamos para o ponto final, queridos, que eu queria trazer nesta noite, que é a maneira de nós nos enchermos do Espírito Santo.
Sem dúvida, embora Paulo não mencione aqui, nós temos que orar por isso. Como foi mencionado na mensagem de hoje de manhã, Deus nos promete as suas promessas, mas Ele quer que nós o busquemos em oração para o cumprimento dessas promessas. Deus prometeu enviar o seu Espírito para a Igreja, para o seu povo, para habitar no nosso coração, mas Ele quer que nós também peçamos que Ele nos dê a plenitude do Espírito Santo.
Então, em primeiro lugar, sem dúvida nenhuma, você deve buscar a Deus e dizer: "Deus, eu quero ser cheio do Espírito Santo. Conceda-me a plenitude do Espírito Santo. Eu quero que teu Espírito controle a minha vida, para que eu seja capaz de viver o evangelho, vencer o pecado, ter uma vida de santificação, coragem, ousadia.
" Isso deveria fazer parte da sua oração diária: que você fosse cheio do Espírito Santo. A segunda coisa que nós devemos lembrar é que nós estamos diante de uma ordem: "enchei-vos do Espírito Santo. " Não é um pedido de Paulo, não é uma sugestão de Paulo, não é uma opinião de Paulo, do tipo assim: "Ah, eu acho que vocês deveriam ser cheios do Espírito Santo.
" Ou então assim: "Eu vou dar um conselho: é melhor você ser cheio do Espírito Santo. " Ele também não tá fazendo nenhum pedido: "Gente, eu vou fazer um pedido para vocês, por favor, sejam cheios do Espírito Santo. " Ele não tá fazendo nada disso; ele tá dizendo: "Enchei-vos do Espírito.
" No grego, é um imperativo. O imperativo é a voz expressa, a voz de comando que exige uma resposta, a ponto de que, se você não for cheio do Espírito Santo, você está desobedecendo à palavra de Deus. Para nossa vergonha, a gente só disciplina na igreja quem fica bêbado.
Não é verdade? Disciplina! Se você começar a vir bêbado para a igreja, vai ter disciplina.
Mas note que no mesmo versículo que diz "não vos embriagueis", também está escrito: "Sejam cheios do Espírito. " É tão pecado uma coisa quanto outra. É tão pecado você ficar bêbado quanto é pecado você não estar cheio do Espírito Santo.
Está no mesmo versículo, e devemos dar tratamento igual. Portanto, é uma ordem, não é uma opção do tipo assim: "Você dizer: não, eu quero ir para o céu, só quero entrar no céu, eu não quero galardão, não quero recompensa. " E aí eu vou viver uma vida meio que um pé na igreja, um pé no mundo, meio que crente meia-boca.
Você não tem essa opção. A ordem é que você seja cheio do Espírito Santo, cheio do Espírito Santo constantemente. O verbo, na língua grega, o imperativo, está num tempo verbal que pode ser traduzido assim: "sejam constantemente cheios do Espírito Santo.
” Você lembra da história da fundação de Éfeso? Está lá em Atos 18 e 19. Eu já mencionei: Paulo chega em Éfeso para pregar o evangelho, encontra dois discípulos de João Batista, ora com eles.
O Espírito Santo vem e começa um grande avivamento espiritual na cidade de Éfeso. Bruxos se converteram, queimam livros de feitiçaria em praça pública, gente se convertendo. Dali, de Éfeso, saiu o evangelho para toda a região da Ásia.
A Igreja de Éfeso, essa igreja a quem Paulo escreve essa carta, nasceu no meio de um grande avivamento espiritual, com grande demonstração de poder. Foi em Éfeso o único lugar onde Paulo fez milagres que a Bíblia chama de extraordinários, a ponto de que os lenços de Paulo eram levados para quem estava doente, e a pessoa era curada. Demônios eram expelidos com os aventais de Paulo.
Só em Éfeso aconteceu isso, em nenhum outro lugar. Contudo, quatro anos depois disso ter acontecido, Paulo escreve essa carta para os Efésios e diz o que para eles? "Enchei-vos do Espírito.
" Algum Éfeso poderia dizer ao Paulo: "Isso não precisa. A nossa igreja nasceu no avivamento, a gente teve experiências maravilhosas, coisas extraordinárias. Eu era uma bruxa, eu me converti, queimei meus livros de feitiçaria.
Grande poder veio sobre a cidade inteira três anos atrás. " Mas a experiência de ontem não serve para hoje. Nós não podemos viver de experiências.
A ordem é para que você seja constantemente cheio do Espírito Santo. Eu sei que as experiências são importantes. Eu louvo a Deus pelas experiências que você teve, pela sua conversão, mas reconheça que, com frequência, a gente costuma viver do passado, e isso não está correto.
Deus quer que você esteja cheio do Espírito Santo hoje, e isso é uma ordem: que você esteja constantemente cheio do Espírito de Deus. Lembremos que é uma ordem. Em terceiro lugar, vamos lembrar que existe algo a ser feito aqui, algo a ser feito, porque, aqui na nossa tradução, do jeito que foi traduzido "enchei-vos do Espírito", está traduzindo corretamente o reflexivo.
Na língua grega, a voz média pode ser traduzida de duas maneiras, mas eu creio que aqui foi traduzida da forma correta: "enchei-vos". Então, quem é que vai fazer a ação do enchimento? Então, parece que é atribuída a nós; nós é que temos que nos encher.
E é claro que nós não podemos puxar o Espírito Santo para nosso coração e nos encher. Mas quando Paulo diz "enchei-vos", colocando em nós a responsabilidade, ele está dizendo: busque aquele que pode encher vocês; procurem os meios que ele deixou para que vocês sejam cheios. Que meios são esses?
Está logo em seguida. Veja no verso 18: "enchei-vos do Espírito". Aí nós perguntamos: como, Paulo?
Como nós vamos nos encher do Espírito Santo? A resposta de Paulo, verso 19, é: "falando entre vós com Salmos", primeiro; "entoando e louvando de coração ao Senhor com hinos e cânticos espirituais", segundo; "dando sempre graças por tudo a nosso Deus e Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo", terceiro; e "sujeitando-vos uns aos outros no temor de Cristo", quarto. Nesses três versículos, Paulo explica a ordem que ele dá no verso 18: "enchei-vos do Espírito", como quatro coisas.
Primeira, no verso 19: "falando entre vós com Salmos". A conversação cristã deve ter como base a palavra de Deus. Salmos aqui é usado por Paulo como uma referência a todo o Antigo Testamento.
Vocês querem ser cheios do Espírito Santo? Comecem a conversar sobre as coisas de Deus. Agora, se a gente se reúne só para bater papo, para falar mal de Dilma, para falar dos atentados em Paris, da economia brasileira, do calor de Goiânia, do Vila Nova e do Goiás, então a gente vai ser cheio do Espírito Santo?
Como? A primeira condição é que nós tenhamos situações que nós criamos momentos e que nós vamos falar das coisas de Deus. Vamos nos edificar sobre isso, falando entre vós com Salmos.
Quem sabe abrir mesmo o livro de Salmos e vamos ler juntos? Vamos conversar sobre essas coisas em família: você e Deus, você e um amigo, grupos de estudo, grupos de comunhão, reuniões de oração. É assim que nós somos cheios do Espírito Santo: falando entre nós.
Vocês percebem que o modo que Paulo coloca aqui tem a ver com a coletividade? Quando a gente fala em plenitude do Espírito Santo, a primeira imagem que vem na cabeça de muita gente é o crente fechado no quarto, de joelhos na cama, jejuando há 40 dias e clamando a Deus: "Eu só saio daqui quando o Senhor me encher do Espírito Santo". Eu não estou dizendo que você não faça isso, mas não é bem essa a visão da Bíblia.
Parece que a plenitude do Espírito Santo é dada no contexto da igreja, falando entre vós. Nós nos enchemos quando estamos em comunhão com os irmãos. Por isso, é importante você estar em comunhão com a igreja, com os irmãos; participar dos cultos, estudo bíblico, reunião de oração, porque é aí que você vai receber a plenitude do Espírito Santo.
Não estou dizendo que você, sozinho em casa, no seu quarto orando, Deus não pode encher do Espírito Santo. Mas o método normal que Deus determinou para fazer isso é a edificação mútua, falando entre vós com Salmos. O segundo método, ou meio, que Paulo coloca aí no verso 19 é: "entoando e louvando de coração ao Senhor com hinos e cânticos espirituais".
Cantar a Deus, louvar a Deus. Não devemos nos admirar; o livro dos Salmos é um livro de cânticos e expressa a profunda espiritualidade do israelita devoto a Deus. Cantar, louvar a Deus de todo o coração.
Note que é "de coração"; não é da boca para fora, mas sinceramente, de coração. Com hinos e cânticos espirituais. E que sentido um hino e um cântico é espiritual?
Não é que ele foi dado por inspiração do Espírito Santo, mas que ele se conforma ou está de acordo com a verdade que o Espírito Santo revelou. É nesse sentido que é espiritual. Um cântico espiritual é um cântico cujo conteúdo é bíblico e expressa a verdade do Espírito Santo; está de acordo com o que o Espírito Santo diz.
E, por esse critério, nós vamos deixar de fora muito cântico popular aí entre os irmãos, porque de bíblico não tem nada. É cântico de exaltação, de prosperidade; tem até cântico de vingança. "Um dia eu vou estar lá no palco, e você que riu de mim, você vai ver; não é?
Eu vou estar por cima, você vai estar por baixo". Sucesso! Aí, gospel, a parada de sucesso!
Aí, o pessoal canta, tem até presbiteriano cantando isso. Mas o cântico, para ser espiritual, tem que estar de acordo com o Espírito. É isso que significa: a letra tem que ser de acordo com a palavra de Deus.
Então, irmãos, cantar, primeiro, falando entre nós a palavra de Deus; cantando aquilo que é verdade, de coração, louvando, entoando ao Senhor, hinos e cânticos espirituais. Verso 20: "dando sempre graças por tudo ao nosso Deus e Pai, em nome do nosso Senhor Jesus Cristo". A terceira atitude que vai preceder a plenitude do Espírito é exatamente esse espírito de gratidão.
Porque Deus não vai encher um coração rancoroso, uma pessoa que está cheia de mágoa, de ódio, cheia de ressentimento. Como é que ela vai ser cheia do Espírito Santo? Ou ela está cheia de ressentimento, de inveja, de dor, de imoralidade, ou ela vai ser cheia do Espírito Santo?
Então, essa atitude de gratidão em tudo, dar graças a Deus na dor, no sofrimento, na catástrofe, na adversidade; um espírito grato, isso é agradável a Deus. Ele vai nos encher do Espírito Santo. E a última coisa que Paulo menciona, e que é a mais difícil: "sujeitando-vos uns aos outros no temor de Cristo".
Sujeição mútua, nos sujeitarmos uns aos outros; reconhecer que Deus nos colocou em funções distintas aqui neste mundo que vivemos; respeitar isso, reconhecer o irmão, e respeitar, seguir aquela liderança que talvez ele tenha que exercer. Veja que em seguida o apóstolo Paulo dá três exemplos disso. Ele vai falar das mulheres serem submissas ao marido.
E do marido amar a mulher, essa sujeição mútua no casamento. Ele vai falar no capítulo 6 de filhos obedecerem aos pais e os pais criarem os filhos no temor do Senhor. E ainda no capítulo 6, os servos obedecerem aos seus patrões e os patrões cuidarem bem dos empregados.
É a sujeição mútua que nós vamos falar, se Deus quiser, no domingo que vem. Mas eu vou ficar por aqui nessa parte. A condição que Paulo coloca aqui não é exatamente uma condição, mas o método pelo qual nós nos enchemos do Espírito Santo: é vivendo nessa sujeição mútua no lar.
A esposa sendo submissa, criando os filhos, e os filhos obedecendo aos pais. E, no nosso trabalho, servindo a Deus como empregados e como patrões também. É assim que nós nos enchemos do Espírito Santo.
Agora, vocês já percebem a importância disso. É o Espírito Santo quem dinamiza a vida da igreja, e a nossa espiritualidade vai afetar todas as áreas da vida: família, criação de filhos, vida em sociedade, a igreja, o mundo. Vão ser impactados.
Quando eu viajo para o exterior para pregar, geralmente a pergunta que italianos, franceses e americanos me fazem é a seguinte: a gente ouve dizer que quase um quarto da população brasileira é composta de evangélicos. Eu não entendo por que tem tanta corrupção lá. Eles me perguntam isso.
Como é isso? Com tanto evangélico, por que tem tanta corrupção? O que a gente ouve na mídia e tudo mais… E eu, corado de vergonha, tenho que explicar que tem evangélico e evangélico, e que tem a igreja dentro da igreja, e que os números que são computados incluem tudo que se chama de evangélico, que é tudo que não for católico no Brasil.
Então, eu tenho que dar um monte de explicações, mas a explicação mais simples é essa daqui: eu não estou dizendo que não haja um grande número de evangélicos verdadeiramente convertidos no Brasil, mas se nós estivéssemos cheios do Espírito Santo, se tivesse de fato um avivamento acontecendo no Brasil, isso impactaria a família, a criação de filhos, impactaria a sociedade e faria a diferença na nossa cultura. Com certeza, então algo está errado. O conceito de avivamento que as pessoas têm hoje é o avivamento neopentecostal: multidões no estádio querendo prosperidade, querendo cura, querendo trabalho, querendo trazer o marido de volta, querendo arrumar casamento, buscando a Deus pelas bênçãos.
Ou então, gospel: festa gospel, o gospel que enche estádios em torno de cantores e celebridades famosas. É isso que o pessoal pensa que é avivamento. Mas será que ser cheio do Espírito Santo, de acordo com a Bíblia, é outra coisa?
É sermos controlados por aquele que é santo, que vai nos dar condição de viver nesse mundo, criando nossa família, sustentando o nosso casamento e servindo a Deus na sociedade. A grande pergunta, terminando, então, é como é que você está nesta noite? Como é que está a sua vida?
Eu queria que você examinasse a sua vida. Você se diz cristão, você diz que é cristão, você diz que é crente no Senhor Jesus Cristo, mas quanto você anseia de fato ser cheio do Espírito Santo? Quanto você está disposto a renunciar para ter a plenitude do Espírito Santo?
Quanto você está disposto a fazer para que Deus lhe encha do Espírito Santo? Ou você está acomodado, vivendo sua vida como crente, simplesmente vindo para a igreja domingo à noite, como se isso e somente isso fosse o que Deus requer de nós, ou o que Ele oferece para nós? Nós precisamos de crentes cheios do Espírito Santo que façam a diferença.
E Deus quer começar com você hoje, não amanhã, mas Ele quer começar com você hoje. E eu quero convidar você nesta noite a tomar essa decisão e dizer: Senhor, eu vou buscar essa plenitude. Eu vou renunciar a tudo aquilo que está no caminho, que entristece o Espírito Santo, mas eu quero ser um crente cheio do Espírito Santo no meu trabalho, no meu relacionamento, no meu casamento, na universidade, na escola, onde eu estiver.
Eu quero de fato ser cheio do Espírito para que a glória do Senhor brilhe através de mim. Que essa seja a sua oração nesta noite.