quantas e quantos precisarão nascer e morrer depois e depois e depois e depois de mim para que vocês entendam que somos iguais a vocês porque quando cortados os nossos sangos têm a mesma cor nascemos pretas brancas indígenas ninguém nasce escravo tornam a gente escrava O que diferencia a vocês de nós são as oportunidades Parem de nos matar [Música] negro é a raiz da Liberdade negro é a raiz da Liberdade [Música] sorriso negro um abraço negro traz felicidade negro sem emprego fica sem sossego e negro é a raiz da Liberdade um sorriso negro um sorriso negro
um abraço e primeiro que a autonomia Como já dizia o nosso grande patrão da educação brasileira Paulo Freire tem um significado existencial você só pode ser autônomo quando quando você conhece quem é você quando você sabe sua história quando você tem muito forte e a valorização da sua memória e não tem como a gente fazer isso se não for através da educação né através do conhecimento da da sua história o conhecimento geográfico socioantropológico e quando a gente fala em Negritude a gente fala de uma perspectiva de um país que teve quase 400 anos de escravização
dos corpos negros e que pior que isso a todo momento tentou retirado do Povo preto essa construção identitária essa a sua origem essa a sua religiosidade então não tem como a gente falar em construir seres se a gente não e d essa perspectiva de uma possibilidade da educação né então conhecer então a gente tem aí a lei 10639/03 que Versa sobre isso n o estado brasileiro obriga na verdade e as escolas o estabelecimento de ensino da rede pública e privada a formar sujeitos negros e não negros a conhecer né de a sua origem e a
mim por exemplo não foi dada essa possibilidade quando criança essa possibilidade foi construída principalmente eu acho que como nilm Lino Gomes professora Nino Gomes fala sobre o movimento negro edutor educador que foi esse movimento negro educador para mim for os blocos afro nos anos 80 né os AF fo lod zenza com composição de músicas lindas que vin através dos festivais né E ali tinha essa história essa memória eu aprendi a partir dali que eu não descendia de escravos de sujeitos que foram escravizados mas muito mais que eram Reis rainhas Príncipes e princesas e que cruzaram
o Atlântico e construíram essa base da sociedade brasileira né Toda essa arquitetura Eh toda essa gastronomia a economia tudo é construído com também negro de uma perspectiva né e desse mosaico étnico racial cultural então nós somos plurais então é necessário que a gente para ser autônomo pra gente andar com a cabeça erguida pra gente ter uma identidade fortalecida a gente realmente adquirir conhecimento que conhecimento é poder então quando se tira o conhecimento aija principalmente os mais jovens de conhecerem né esses Pilares é mais fácil ser dominado é mais fácil manter o racismo então pra gente
ter uma sociedade antiracista a gente primeiro precisa fortalecer esses laços primeiro com os negros então tornar-se negro porque foi tirada essa perspectiva também de cada vez mais do negro não se sentir negro então ser negro é muito mais do que simplesmente um fenótipo é um estado de espírito é você reconhecer a si mesmo como parte desse legado ancestral eh de tanta coisa boa né Eh isso é fundamental isso é importante e foi assim que me construiu através desse processo que se dá do meu encontro com as minhas raízes com a minha história com a minha
memória então eh eh que toda a juventude Negra e não Negra conheça a história Claro a história europeia já tá posta mas a gente tem um currículo afro indígena centrado que a gente tem essas outras possibilidade de mostrar todos esses recortes a gente vai ter uma sociedade mais justa mais democrática porque não tem como ter democracia se a gente incluir mulheres negros indígenas ciganos brancos todo mundo então é preciso pra gente ter uma sociedade plural diversa né com justiça social eh que a gente respeite eh a cultura dos povos originários mas também daqueles que vieram
des processo nefasto que foi escravização dos corpos negros dos povos afr diaspóricos viva a luta de zumbi viva a luta de Creusa viva a luta de abdia viva a luta de tanta gente Rute de Souza Chica Xavier e tanta Olodum tanta gente que que ajudou né a construir Essa sociedade então isso é autonomia a consciência a consciência é libertária e só tem libertação quando a gente adquire conhecimento mas o conhecimento que não conhecimento que presiona então conhecer tudo que vi do negro é Libertador é alfabetizador é ser antirracista ser decolonial isso é importante para mim
ser negra ou tornarse negra não vem somente da aparência das características físicas Mas também da vivências na sociedade incluindo a conexão entre a nossa cultura e a história eu tomei a consciência de que é ser negra quando eu deixei de de ser influenciada pel aquilo que a sociedade e a mídia colocava e nos anos de 2017 2016 por aí foi um ano em que eu tava formulando a minha ideia né E por voltas dos 13 anos de idade 12 13 foi um ano muito difícil para mim porque eu tava entendendo ainda o que era me
tornar o que era ser qual era a minha identidade e pelo que eu era influenciada na época eu não via jornalistas pretas com cabelo black eu sempre via jornalistas brancas do cabelo liso e quando era alguém preta era sempre do cabelo liso sempre do cabelo alisado então aquilo eu tomava como um exemplo eu queria e alisar meu cabelo queria muito tirar toda aquele volume sempre me incomodava Eu lembro que uma época eu dei amônia no cabelo e meu cabelo se destruiu bastante eh Teve uma época também que por conta do meu cabelo ser muito volumoso
eu sempre encharca ele de água e colocava muita água para ele baixar o volume eu queria Porque eu queria muito que o meu cabelo fosse bem escorrido só que depois de um tempo por volta de 2020 2021 eu fui tendo a consciência do que era meu cabelo o que significava meu cabelo com a importância dele a força que ele tem eu tomei consciência das raízes que tem por trás de toda a minha estrutura capilar de toda a curvatura que o meu cabelo tem e isso me trouxe uma força isso me trouxe um empoderamento uma identidade
Foi algo que me deixou muito feliz e hoje eu sou feliz por eu aceitar quem eu sou e entender quem eu sou eu sou muito feliz por ter esse cabelo que alguns anos atrás para mim era motivo de de abaixa autoestima era um motivo que me deixava eh triste mas hoje eu sou muito feliz por ter ele e eu sou eu tenho muito orgulho de ter ele sobre essa questão sobre racismo eu nunca tinha passado né porque a única dúvida que eu tive foi sobre a minha cor porque toda hora perguntava para as pessoas qual
cor era algunas diz que eu era negro outros diz que eu era branco e também diz que era pago então isso aí me deixou mais na dúvida aí eu perguntei pra minha mãe que eu era ela falou que era pago então perguntei para ela de novo se ela tinha certeza ela falou sim aí no dia que eu fui fazer a identidade então botei lá então esse negócio de preconceito e de cor Eu não ligava mais né E sobre esse negócio de racismo eu ainda não passei porque se eu for passar um dia eu vou entender
mais sobre isso né mas espero que isso nunca aconteça comigo porque o que tá acontecendo esses dias sobre esse negócio de preconceito tá muito muito péssimo doméstica eram as mulheres negras que trabalhavam na casa da família Branca a qual era consideradas domesticadas isso porque os negros ele eram visto como animais que precisavam ser domesticados através da Tortura eu comecei a entender e aceitar o que eu sou a minha tonalidade de pele e na realidade até hoje eu ainda tenho dificuldade de entender porque às vezes parece que Meco indefinida porque pessoas pardas ainda são muito não
tem um Palco ainda no mundo como é que eu posso explicar isso parece que a gente não é pertencente a grupo nenhum a ou você é muito escura para ser branca ou você é muito clara para ser preta aí você não tem essa noção e eu sempre tive experiência de pessoas pretas na minha vida minha mãe é uma preta retinta então eu sempre tive noção e enfim noção do que é o racismo tá e eu comecei a entender e procurar tudo isso ano passado e foi muito difícil para mim ainda é um assunto muito delicado
porque algumas pessoas vai acabar diminuindo a minha tonalidade de pele para falar que eu sou branca ou que eu sou preta e é isso mas eu amo minha cor adoro meu cabelo a resistência começa quando damos ouvidos à nossas próprias escolhas e desejos essa luta se iniciou para mim quando eu passei a não me importar com as opiniões do meu ciclo seja ele entre amizade seja meu a minha parentela e uma das coisas mais fundamentais para mim de extrema importância é o meu visual é o meu cabelo que implica muito em mim em quem eu
sou então sempre eu ouço alguma piadinha alguma coisa que me afeta muito e me deixa extremamente triste né que é a questão ai como é que eu devo me portar perante ao meu cabelo ai corta Ai alisa não coloca a trança não que fica feio ai porque fede ai porque isso mexe muito comigo na infância eu sofri muito muito racismo só que eu era uma criança e não sabia questão do meu cabelo quando me chamavam de nega do cabelo duro Qual é o pente que te penteia quando dizia que eu parecia uma macaca isso foi
longos da da minha infância depois da adolescência com piadinhas do jovens e principalmente os meninos na minha faixa etária e eu não tinha noção do racismo E aí depois de jovem com 28 anos eu fiquei sabendo que existia um grupo o mnu o movimento negro Unificado mnu se discutia a questão racial eh no Brasil e no mundo né porque esse racismo não é só no Brasil ele é no mundo eu vivi isso quando eu fui na Índia eu vivi isso quando eu fui paraa Alemanha né quando tava dentro de um trem de um metrô e
entrou no metrô um grupo de skinheads e eles começaram a falar coisa eu não eu não entendo Alemão então eu não sabia o que é que ele estava falando mas eu sabia que não era coisa boa né então eu senti esse racismo nesse momento eu senti esse racismo na Índia quando eu entrei em um restaurante e um grupo de indianos começaram a rir da minha pessoa e aquilo me incomodou embora eu não entendesse o idioma indiano mas eu fiquei incomodada porque eu sabia que não era coisa boa que eles estavam falando então em vários momentos
da minha vida eu sofri e Vivi esse racismo né E então para mim foi eh muito importante descobrir o racismo e começar a tá Contra esse racismo E aí eu passo a participar de movimento negro dentro do da da instituição que eu faço parte o sindicato a gente leva essa discussão da questão do racismo na categoria até porque a gente sabe que pra sociedade as profissões menos valorizadas é onde estão os negros e a gente procura lutar para valorizar essa categoria de trabalhadora doméstica e de combate o racismo Então o meu cabelo hoje usando os
drags Com certeza é uma resposta para o racismo que eu sofri na infância e até na juventude e hoje eu eu me assumo enquanto Negra me amo como mulher negra como meu cabelo eh eh meu cabelo Rasta Com meu corpo que eu sei que a o o a nosso corpo é diferente né os nossos traços então é é muito Import importante a gente se amar como a gente é independente do que os outros pense E aí os termos racista a gente tem que combater não aceitar de jeito nenhum porque nós temos valor nós somos tão
importante quanto a pessoa que não é negra e a gente sabe que infelizmente o racismo é tão forte na sociedade que muitos jovens e pessoas eh não se aceitam eh como negras né E principalmente aquela que tem a TZ mais clara que não se considera negro mas nós sabemos que no Brasil é uma mistura de raças né então índio branco e negro compões compõe a sociedade brasileira e cada um tem que respeitar o o o outro ou a outra com sua característica com seu jeito de ser né porque todos nós somos humanos somos pessoas da
da sociedade e sem nós o mundo também não seria construído porque nós tivemos importância na construção desse país Não podemos aceitar eh que fomos trazidos fomos traficados eh de África para o Brasil e outras partes do mundo e a gente sabe que não foi fácil para nossos irmãos e irmãs chegarem aqui eh traficados eh no Brasil né creus Oliveira eh presidenta de honra da Federação Nacional das trabalhadoras domésticas Eu acho que eu nunca sou racismo que eu nunca percebi eu acho eh mas eu vou contar uma história de do meu pai que eu vi e
aconteceu realmente e a gente tava no shopping na Cia e eu tava bem meu pai entrou primeiro na loja depois eu e ele foi andando bem na frente olhando todas as roupas quando fui perceber time segurança rodeando ele passando no rádio falando dele aí eu cheguei no próprio segurança e perguntei se tinha algum problema ele pegou não e saiu fingindo que nada aconteceu eu peguei cheguei no meu pai e falei ele falou eu percebi por isso que eu fiquei eu fiquei calma e continuei olhando não tem por não tem porque ele deixar de entrar na
loja por ele ser preto Acho que tudo começou quando meus pais me colocaram em colégio particular e eu percebi que meu colégio particular Ele tava meio ali no meu bairro mais um bairro nobre também ao mesmo tempo então tinha asas pessoas brancas do cabelo liso quando minha professora eu tinha um amigo meu ele era mais miscigenado tinha um cabelo muito mais crpo que o meu Então a professora uma vez falou que eu e ele deveria cortar os cabelos porque nosso cabelo já tava meio que embolando para ela aí enfim meus pais foram lá reclamaram ela
acabou sendo demitida mas foi ali que quando tudo começou quando eu comecei a raciocinar que as coisas seriam um pouco mais difíceis por ter um cabelo crespo uma pele mais mais fenada eh desde criança eh eu sempre fui sempre sofri muito preconceito relacionado ao meu cabelo Meu cabelo era é bem volumoso e era bem volumoso e por conta também que eu tenho as pontas do meu cabelo loirinha e as pessoas sempre atribuí meu cabelo a Balaio a a coque a coisa de abacaxi a explano de vassoura coisas assim e eu me eu me submeti por
um grande tempo a fazer relaxamento do meu cabelo a não assumir a textura do meu cabelo a não assumir o volume do meu cabelo e quando chegou meus 16 a 17 anos que eu fiz Big Shop me submeti A TR capilar e foi muito difícil porque eu não não me sentia representada não tinha referências eh de pessoas que tinham passado por essa situação ou não me sentia acolhida por conta também que ainda tava na época meio que tipo tava a ascensão de verdade mais ou menos assim do Big Shop mas as meninas que eu mandava
as min as minhas amigas ainda tinham cabelo liso então não tinha meio que tipo alguém para poder compartilhar uma a dica ou uma forma de de deixar meu cabelo mais bonito e também quando eu ia ao mercado comprar alguma coisa não me sentia muito representada pelas embalagens que vendia os produtos não era uma pessoa com nariz igual o meu o cabelo igual o meu era uma imagem meio que caricata de uma pessoa de uma de uma mulher e na embalagem e hoje também a gente tem que reconhecer que a os produtos de cosmé médicos estão
em grande aceção tá crescendo mas ainda não atende e da forma que precisa ser atendido a variedade de curvaturas a variedade de texturas de cabelo a imensidão de de de formas de jeito de Usar produtos que sejam abrangentes produtos que seja acessível para o bolso de mulheres ou de homens enfim de pessoas que TM cabelo crespo de pessoas pretas principalmente e de produtos que sejam realmente que sirvam realmente para tratar o cabelo que não sejam para mascarar ou para só para vender produtos que tratem o cabelo que empoderem as pessoas que as pessoas se sintam
representadas que as Pessoas sintam prazer de tratar de usar seu cabelo o volume do seu cabelo e que também precisa também as pessoas que tem um cabelo crespo assumirem seus frees assumirem suas verdadeiras curvaturas deixarem de lado essa questão de definição de cabelo de desse dessa perfeccionismo de finalizações que meio que a gente vive um tabu de não poder usar a nossa textura do nosso cabelo usar o volume do nosso cabelo normal por conta de receio Ah meu cabelo tá frisado Meu cabelo é o Caio Não tá perfeito sendo que cada cabelo é lindo cada
cabelo é perfeito do jeito que é e tá tudo bem nhaca desde o português do Brasil colonial vem sendo usado para referir-se ao mau cheiro ao forte odor no entanto nhaca é uma ilha em Maputo em moambique onde os povos nhas vivem eu tomei ciência do ser negro quando ao entrar em lojas eu era seguido pelo segurança e a todo momento mesmo sem fazer nada eu era tirado como um marginal é o meu cabelo é natural ele é crespo e eu amo meu cabelo e o fato de eu alisar meu cabelo eh não significa que
eu não aceito quem eu sou eh e eu sinto bem com o meu cabelo alisado e com meu cabelo crespo e isso não distancia eh não me distancia da minha ancestralidade a importância de tornarse negra para mim [Música] é reconhecer a sua identidade a sua ancestralidade é saber entender e principalmente Honrar e aceitar as suas origens a qual se faz quem você é e sempre vai ser é você também ser capaz de falar pro mundo que eu sou assim eu me aceito como sou eu demorei muito para forjar essa consciência minha de aceitação de ser
negra porque eu não não tinha e convívio não tinha pessoas eh assim de Fora ao meu redor dizer a importância e a beleza do que é ser negra até na minha infância mesmo durante a minha infância a minha adolescência só estudei em escola particulares em que a cada sala normalmente era o quê duas no máximo três pessoas negras e ali o restante era tudo branco inclusive dentro desse parâmetro escolar Eu já sofri eh já fui vítima de racismo que antes eu enxergava como Bully mas hoje eu reconheço que eu fui vítima de racismo em que
eu fui excluída da turma porque considerava meu cabelo feio só porque era crespo cacheado e diferente ali de todas que do padrão que havia dentro daquela sala ali mas não foi uma fase assim que durou muito tempo não porque eu agradeço muito a minha mãe minha General eu chamo ela de general porque ela precisou intervir porque do jeito que eu chegava em casa era preocupante ela precisou intervir no colégio eh dizer que todo aquele cenário todo aquele contexto Precisava mudar e até que mudou Ganhei mais respeito porém daquela época daquela época lá de se 7
anos eu ainda não me reconhecia Negra não tinha influências externa para nem referência para eh pelo menos me inspirar no nessa coisa de da cultura afro brasileira não tinha então eu só vim me aceitar me auto aceitar Negra depois dos 15 a 16 anos que foi época em que tudo começou a mudar para melhor época lá de 16 para cá que eh a TV que não tinha muita representatividade do povo negro era bem pouco era no máximo a cota de uma pessoa hoje em dia passou a ter mais eh as mulheres passou a ter assumir
seu cabelo natural a cultura afro-brasileira passou a ser mais valorizada passou a ser mais incluída na sociedade isso tudo é meio que foi basilar pra formação da minha consciência do que é da importância e do tornar-se Negra Bom dia meu nome é mama Gai tenho 48 anos de idade na minha língua materna tornar-se negro se diz Don negro don me tornei Negro em três momentos três movimentos o primeiro movimento foi lá no Senegal entre a idade de 0 e 10 anos o segundo movimento foi entre minha idade de 10 anos e 40 e pouco na
França e o terceiro momento foi quando eu cheguei aqui na Bahia o Primeiro Momento no Senegal aconteceu quando eu ingressei uma escola do centro da cidade era uma escola de filhos de expatriados e diplomatas e me me dei conta rapidamente que essa escola a sua estrutura não era feito não era pensado para mim para meu corpo né Eh pela primeira vez a minha vida me senti uma minoria uma pessoa diferente e antes disso eu era senegalês do lado do meu pai malinense do lado da minha mãe Olof bambara que são as as etnias dos meus
pais mas não tinha uma identidade relativa à identidade de uma outra pessoa minha identidade era absoluta com toda intimidade para existir então muito cedo comecei esse movimento de adaptação cultural entre esse mundo novo essa escola onde tinha meninos brancos filhos dos diplomatas e eh dos expatriados e minha família meu bairro esse movimento de adaptação cultural o segundo movimento de me tornar negro foi na França mas dessa vez foi bem devagarinho porque na França o conceito de raça Não existe eh é é negado de uma certa forma é tão negado que as pessoas negras não chegam
a poder especificar a sua especificidade cultural existir enquanto pessoas negras Vivi passei sofri racismo lá uma história que lembrei só recentemente justamente por conta dessa situação particular e essa rejeição do conceito de raça na França isso não significa que não tem discriminação não tem racismo bem ao contrário Mas é uma coisa mais Subtil Então essa conscientização de me tornar negro nesse segundo momento da minha vida foi bem devagarinho o terceiro momento como eu falei foi quando eu cheguei aqui na Bahia eh quando eu cheguei aqui entrei lá nos primeiros dias em um restaurante eh majoritamente
frequentado por pessoas brancas e quando eu entrei no restaurante senti uma mudança do clima no restaurante todo mundo parou para me olhar eh sentir que as pessoas né Eh estavam meio que duvidando dessa situação e até os próprios garções pessoas negras funcionários ficaram surpreendidos também por essa situação mas esse tornar-me Negro aqui na Bahia passou também por uma outra perspectiva a perspectiva de encontrar um povo negro um povo Preto que usava a herança africana a cultura africana para tensionar a estrutura racista para questionar a sociedade e a dominação branca aqui na Bahia no Brasil e
nas Américas de forma geral e uma das expressões eh cultural dessa conexão cultural que o povo negro faz com a herança africana é o candombl eu vi através do candombl uma forma pro povo Preto pro povo negro de Resistir né Eh de recriar essa família que foi destruída pela colonização e pela escravidão então Eh me tornei negro eh completamente quando me reconectei com minhas irmãs meus irmãos negros daqui da diáspora eh nas Américas e de uma certa forma com parentes com quem nunca deveria ter sido separado eu tive a consciência quando aos 10 anos eu
fui na escola Fi rejeitado por pela minha cur desde então daquela situação eu sabia que a vida não ia se tornar mais fácil para mim simplesmente pelo meu T de p quando eu era criança eu lembro que eu comecei a discutir com o menino da minha sala de repente ele me chamou de macaco e aquilo mexeu comigo de uma forma que eu não esperava tá E foi ali que eu percebi o que é ser negro na sociedade que vivemos atualmente Eu ainda vejo essa intolerância esse preconceito mas eu tenho orgulho de saber que a minha
cor e a minha raça vem de uma luta da qual eu tenho orgulho de pertencer meu tom de pele e Meu cabelo era uma coisa que me incomodava muito quando eu era pequena principalmente porque meu irmão e minha mãe era um pouco mais claros que eu e aí eu me sentia muito incomodava achava que era Estranha era ruim pelo fato da da do racismo estrutural mas hoje em dia eu vejo que não tem diferença não não é porque eles são mais claros que eu que eles são melhores ovelha negra expressão em que a palavra Nego
tem um significado pejorativo algo impuro algo ilegal sempre duvidei da minha beleza fisicamente falando quando eu era menor quando eu tinha 12 anos as minhas amigas todas que estudavam comigo tinha cabelo liso e eu achava aqu aquilo estranho porque tipo só eu era a única que tinha cabelo cheio e crespo e aí eu cheguei em casa e comecei a chorar e falei pra minha mãe minha mãe poxa min minhas amigas todas todas tem cabelo liso é cabelo mais baixo que o meu e minha mãe disse o que é que você quer fazer o que é
que você quer que eu faça por você e aí disse eu disse Pode alisar minha mãe eu tinha 12 anos de idade comecei a dar química no meu cabelo químicas muito muito pesada e a partir daquele momento momento eu achei que tava linda por estar da mesma forma que ela esse tipo de cabelo liso só que quando eu a partir de 14 anos que eu vi que eu entendi o que é ter um cabelo crespo o que é ter um cabelo cheio o que é ser uma mulher negra não que só uma mulher negra tem
cabelo cheio ou ou cabelo crespo mas eu entendi o que é ter um cabelo cheio e comecei a melhor no espelho entrei na transição foi um um um processo is muito difícil para mim essa transição porque assim quem só quem é mulher sabe o quer passar por uma transição E aí quando meu cabelo voltou ao normal eu me olhei no espelho me senti diferente um diferente bom e hoje em dia eu me aceito com o meu cabelo hoje em dia a autoestima depende do meu cabelo hoje eu aceito ser uma mulher negra Porque antes eu
não aceitava ser uma mulher negra por eu não aceitar um cabelo crespo Então para mim hoje ser uma mulher negra é algo diferente é algo especial é algo que só passa só só quem passa vai entender quando eu era criança eu via minhas primas e minhas tias se arrumando usava bastante maquiagem bastante acessórios e eu senti vontade de usar também aí eu falei pra minha mãe que eu queria me arrumar igual a elas que achava muito bonito aí minha mãe comprou maquiagens acessórios e tudo que eu precisava aí depois que eu comecei a me arrumar
como elas eu me senti muito mais bonita minha Tesa ficou muito melhor muito mais alta aí eu tô como eu estou hoje me senti seno muito bem com minha aparência com minha cor com tudo eu percebi que o mundo não seria fácil comigo quando apenas pelo meu tom de pele como eu falava e da onde eu vim as pessoas me julgavam tan Negro para mim é carregar uma história marcada de eventos de força e resistência a cada passo que eu dou em minha sociedade é um tributo para aqu eles que lutaram para que tanto eu
quanto o outro chegassem aqui tem caroço nesse angu possui origem um dos truques realizados pelos escravizados para melhor se alimentarem quando o prato era composto de angu de fubá a escravizada que lhe serviam por vezes conseguia esconder um pedaço de carne ou de torresmo embaixo do angu e foi quando eu fui em um podólogo e quando eu cheguei lá todas as atendentes e todas os todo mundo que trabalhava lá era negro e só pessoas que iriam lá para fazer o serviço eram brancas quando eu entrei numa sala e tinha uma mulher negra segurando uma bandeja
com a água e uma mulher branca fazendo no mínimo de esforço para pegar um copo de água foi quando eu levei esse choque e percebi essa diferença no na sociedade em si criado mudo com a referência no móvel que é colocado na cabeceira de cama vende de um dos papéis desempenhados pelos negros escravizados na casa dos seus senhores brancos o ato de segurar as coisas para seus donos como eles não podiam fazer barulho eram considerado mudos é interessante né falar sobre essa questão tornar-se negro e de como por exemplo a gente se percebe como como
negro Porque de fato é o que perpassa mesmo nossa vida né principal ente quando a gente fala de negro já falando da questão de fenótipo de pele né questão de ser retinto né a gente sabe que dentro dos estudos eh que vão avançando aí ao longo do tempo há uma variada né e distinção e enfim segmentação em relação à pele mas também tem a questão social a questão psicológica eh muitas falas né que ah ressoam em relação a o tornar-se negro eh enfatizam muito a questão da dor eh e que de fato é perene é
é permanece e que é validado óbvio né a gente não não pode eh tirar isso obviamente e e a dor perpassa realmente toda a nossa existência mas out uma das formas também que eu vejo e e que é importante a gente ressaltar Ah nesse processo do tornar-se negro se reconhecer negro saber o que é ser negro na verdade né nessa pergunta tão filosófica que a gente eh eh tem e e e que fazem também é quando fazem eh é do de enaltecer também as coisas que perpassam a questão do da autoestima ah de não é
desfavorecer a questão da dor a dor ela existe é muito forte eh mas quando a gente traz também pro lado da do afeto ã de como a gente constrói isso também por esse viés mesmo do afeto né é importante também trazer Eu por exemplo Na minha percepção do tornar-se negro tenho como uma daser uma referência maior meu pai né Balbino Sacramento eh através do meu pai que também ah um homem negro retinto e que tem suas dores né ao longo do tempo da história deteve né as suas dores ao longo do tempo da história de
vida dele eh Ele trouxe para mim ã uma possibilidade de me ver como negro de uma forma super positiva né as referências as principais referências sobretudo dentro do cinema dentro da música dentro de toda uma cultura eh que nós negros eh construímos ao longo da nossa história sobretudo aqui no Brasil eh foi muito enaltecida por meu pai trazido por mim por para mim eh com esse foco mesmo de tirar né esse lugar da dor e fazer com que eu obviamente me reforçasse a Minha autoestima eh minha identidade sabendo quem eu sou os lugares que eu
poderia que eu posso ir que eu posso alcançar eh que eu posso atingir positivamente outras pessoas eh para que de fato isso se propague de uma forma super positiva então meu pai foi um essa referência né essa referência eh super positiva do que é de fato eh eh ser negro tornar-se negro né daí eu consegui me me me empoderar né daí eu tive essa base e essa raiz sólida essa raiz forte com que eh que me fez H com que hoje eh eu pudesse e possa né transitar pelos lugares ã ter e me sentir de
fato com o poder suficiente para ah andar l de cabeça erguida e dialogar confrontar debater enxergar possibilidades eh e Alcançar Alcançar no caso e alçar novos voos né coisa que é de fato importantíssimo pra existência né de nós né seres humanos nós pessoas pretas dentro de uma cidade eh densamente preta também né como Salvador e e dentro de um país também que de fato eh deveria prezar mais né pela cultura e pela existência do do Povo preto e de um Juventude também preta que a gente tem eh no nosso dia a dia nas comunidades e
de forma geral o tema tornar-se negro é uma coisa bem interessante por isso eu acredito que em outras raças outros povos muitas vezes acho que não precise a pessoa ter que se colocar nesse lugar eh vestir a roupa digamos assim é uma coisa mais natural você nasce e vive sem ter que lidar com muitas coisas e eu realmente tive que me tornar negra no quesito de postura e compreensão de O que é ser negro eh eu sou do projeto Aché e uma coisa assim que me fez entender o que é o racismo entender a vivência
que é diferente que é deu um estalo assim na minha mente foi ver que os meninos lá eram constantemente abordados e eu como vivia num âmbito assim casa escola e minha escola não tinha muita eh pessoas brancas e algo assim não era vivido de uma forma tão que eu precisasse me pôr nesse lugar sabe mas ao ir no eu presenciei eu via que era constantemente eles eram era normal para eles era normalizado separado pela polícia era normalizado e ter seus bens tirados ser agredido muitos deles e tinham suas casas invadidas e foi um choque de
realidade muito grande para mim e foi aí que eu percebi que eu tinha que me posicionar que eu tinha que entender que eu a gente nasce Mas vai ter um momento que você vai dar aquele estalo e vai precisar se tornar sabe [Música] negro eu sou preto trago a luz que vem da Noite Todos os meus Santos também podem lhe ajudar basta olhar para mim para ver por que lua brilha basta olhar para mim para ver que souo da Bahia eu tenho a vida no peito das cores vivais no meu sangue o Dende se misturou
eu tenho o fogo dos Os Amantes e a paciência do melhor caçador eu sou preto contra Alegria minha fantasia é mostrar o que eu sou vi de Pirajá cantando Para Oxalá para mostrar a do aá de salvator eu sou preto pai da noite ir mão do dia sou do conteo abre Cantador filho de le Grande Mestre Pinha meu amor vou misturar o que Deus não misturou sonho meu sonho meu o cortejo traz a paz que vem de Deus sonho meu sonho meu o Conejo traz a paz que vem de Deus eu sou prendo trago a
luz que vem da Noite Todos os meus Santos também podem lhe ajudar basta olhar para mim para ver Por que a lua brilha basta olhar para mim para ver