Narrativas Compartilhadas tem o prazer de continuar ouvindo o professor Roberto Gill Camargo, que agora passa a falar um pouco a partir da entrada dele no doutorado. Então, o doutorado vem na carona da Uniso, né? Que aí eu entro no carro atrás.
Exemplo: na Universidade de Sorocaba, para mim, o princípio para coordenar os trabalhos do grupo foi que você trouxe, entrou no Colégio Dom Aguirre. Primeiro, em primeiro com o Colégio Dom Aguirre e, depois, eu sempre imprimi na sua cola, né? Assim, você, nos colégios onde você parou, se afastou para entrar na faculdade.
Isso estava, peguei acordo, é a diretoria do Centro de Comunicação, e isso dá hipótese a alguma coisa que vocês leiam. Fazer aquela globais é ficar três vezes que foi sugestão da Sony. É bom, né?
E aí chegou um momento que precisava deixar alguma coisa, tinha que deixar o grupo porque já estava pensando em vocês. Eu falei, então, aí, no mesmo colégio, entrei para te substituir, no fim, acabei ficando um tempo. Logo depois, eu fui para a Uniso, na época do ano no grupo K, teses que foi no primeiro momento.
Eu estava meio à dificuldade de levar as duas coisas, que eu tinha um outro grupo já, eu não tinha esse jogo em pegar dois grupos. O grupo universitário de um outro comportamento tinha, eram alunos, encontravam, saiu de um fluxo mais breve do que hoje, ele se carrega mais tempo, né? Mas logo fui me adaptando e fazendo testes, entrando novos alunos e tal.
O grupo foi de tal forma que a Uniso foi entrando na minha vida que, como professora, e nessa atividade de teatro que eu acabei abrindo mão do grupo que eu tinha, é de teatro, grupo Artes e, desde o Paulo Betty lá, eu falei que saber, vamos incorporar. Daí, eu trouxe gente do porte do Gato, assim, foi: vamos fazer aqui, né? Para não ficar dividida assim, as energias e tudo mais.
Aí, eles estão comigo até hoje, né? Minha família e mais alguns que eram do grupo anterior. E aí, também a partir da minha entrada na Uniso, eu tenho mais condições, inclusive, de bancar um doutorado numa novela que eu queria fazer.
Eu queria muito estudar com a indiana Tata, que é uma pessoa que eu admiro muito, gostava muito. E eu estava viajando, nessa época, eu estava na Europa, dando aula em Portugal. Eu escrevi, ia fechar a matrícula no doutorado, e a gente escolheu os professores Helena, todo mundo queria, né?
É, Helena, Santa Elba e tal. Eu falei, eu mandei um e-mail por Ramon: eu falei, Ramon, fã na PUC, fique lá na porta da ilha, na carta, entregue à minha prática o que eu quero fazer com ela. E indica que não pode sair depois.
É, onde ele mandou e-mail pra mim: "tá, é o seu talento e carisma". Ele falou assim: "se está matriculado pela Tata. " Aí eu vi e fiquei, né?
E, banda, e tendo algo com ela. Fiz toda a tese. É a mim, que ganhou, lhe falou: "não é só a iluminação, está fazendo, não é isso?
A data também, minha cabeça virou de ponta cabeça. Não sabia falar, já publiquei um livro com isso". É que eu faço agora.
Aí eu falei: "tá bom, jeito meio que fazendo assim". E foi muito bom, foi um marco na minha vida isso daí, em termos de conceito das coisas, né? Eu trouxe, aí também já engatilhou pra andar.
Falei: a minha filha é bailarina, ela também quer fazer com você, admira muito. Chegou, manda aqui, Léo, teve um trabalho sobre Nuno Gomes, falou em tese de doutorado, de mestrado. Ela entrou no mestrado, filho de um lado a outro, e assim.
Então, foi muito importante, aproximou minha família também da Helena. Ela também ficou bem amiga da gente, da Janice, que ela já conhecia e tudo mais. Aproximou mais gente.
Tá aí. Aí eu, a partir desse momento, não é? Com o doutorado, ficou mais fácil para mim articular na área de dança.
Também fui nos encontros de dança da Bahia. Participei um pouco de teatro, um pouco de dança, né? E, enquanto isso, o Catarse, saque, bombando, uma peça atrás da outra.
A gente fazendo um trabalho, apresentando, viajando muito, né? Fazendo coisas até além do que é o mesmo exigir de mim e do grupo, mas que achava muito importante pra levar o nome da universidade e pra eu poder mostrar o meu trabalho também. Para a gente fazer as coisas juntos, né?
E não podia interromper, senão teria que fazer um outro grupo. Então, falei: "não, vamos fazer tudo aqui. " A gente, eu sempre tive o apoio da universidade, nunca tive o menor censura, nem da sua parte, ninguém, quando você era corretor para as escolhas dos trabalhos que ia fazer, dos textos que a gente ia fazer, do modo como a gente ia conduzir esse trabalho.
Eu sempre tive, sim, uma toma total responsabilidade sobre esse grupo lá no Trujillo e sempre cobrei dos atores: "gente, não quero ninguém aqui que afronte a universidade. Então, a gente tem que respeitar, saber o horário, ter viro, como por onde entrar, a que horas tem que sair. " Tata, e sempre correu tudo muito bem, né?
Eu falei: "eu dependo disso daqui pra mim, para viver das duas formas". Bom, quanto é o meu trabalho, eu levo muito a sério. Então, sempre tive esse respaldo em dos alunos, nem das pessoas que trabalhavam comigo até hoje.
Isso é muito importante, porque a gente deixa um lastro, né? Isso contribui para a formação e até para a continuidade do teatro universitário. Lá em 1960, f é o único grupo praticamente, né?
Da cidade que tem a Uniso, tem um campeonato no estado, né? Então. Gil, mas você veja que o grupo de teatro Catarses está fazendo 30 anos.
Você está há 25 anos com o grupo, porque a forma como você está conduzindo todas essas coisas, né? Esse grupo, a seriedade, a alegria e a beleza do seu trabalho, a produção que você faz, você escreve textos e traz novidades, novas ideias. É diferente, né?
No seu grupo, ele tem uma característica muito específica, que deve muito a você, sem dúvida alguma. É puro e licitar existe, e as condições de Roberta de você fazer esse trabalho. O que eu sempre coloco, assim, é a importância de fazer um trabalho de linguagem, de pesquisa de linguagem.
Isso quer dizer o seguinte: eu sempre falo para eles lá, é que nós temos que ter uma linguagem. Nós temos que saber onde vamos. Não importa se a gente está repetindo sempre as mesmas coisas.
Me falam que eu repito muitas coisas, mas esta é a minha fala, né? É o modo como eu faço, o modo como o grupo faz, e ele tem essa assinatura. Então, não vou abrir mão dessa assinatura para agradar a minha casa, porque não vivo de minha casa, e sim de pesquisa.
Nós somos uma necessidade; nós vamos fazer um trabalho à altura de uma universidade que está pesquisando na área de teatro. Então, vamos trabalhar a linguagem, como pesquisar isso. Isso eu devo a Paulo Izzo, um profissional do ano que, desde o primeiro momento, deu uma hora de importância para isso.
Você, quando ela projetou, e todos, Rogério e o profeta Neto, toda a reitoria, Roland e Renan, sempre apoiaram, sempre me deram os parabéns pelo sucesso, e me dão muita liberdade. Pelo menos, eu sinto que eles dão; eles confiam em mim. Eu nunca me pediram um relatório, mas eu tenho, sim, lá no meu computador.
Eu vou deixando as coisas para fins de limpar, né? Mas nunca me pediram um relatório. Destaque na.
. . tudo veio pedir para eles.
Podem fazer isso, podem fazer. Tem coisas que eu não peço, mas eu sei que podem fazer, porque não estão fazendo nada errado assim, num set. Então, isso é muito importante, né?
E você entender que é um trabalho tão vinculado, sim, à universidade e que a universidade não tem coisa mais valiosa para nós fazermos aqui do que a liberdade. Liberdade! Não há liberdade.
Não deu, apesar do trocadilho, nada. Entendeu? É a liberdade de você escolher, em arte, o que você quer fazer.
Só isso. Sim, você olha nos indicadores de falar em coisa. Essa melodia, você tem um diferencial.
Você usa esses recursos, né? O que você estudou e tal, e aplica diretamente. E outra, eu escrevo meus livros nas minhas pesquisas, sim.
Eu trabalho, eu trabalho com uma dúzia de refletores, e com uma dúzia de refletores escrevi três livros de iluminação. Dois publiquei, dois estou terminando, o outro, quer dizer, enfim, entendeu? É.
. . aí, eu falei outro dia no congresso que foi em Florianópolis.
E foi, como que é? Solidário com os games. O que eu falei?
A minha didática não é. Eu faço. Nada faz.
Uma vela. Estiver falando de mim, com certeza eu não quero. Meu recurso, tecnologia, se tiver, melhor, claro.
Mas se não tiver, não vai impedir você de fazer um trabalho. Então, vou a você uma coisa: você trabalhar com Lúcio é uma coisa; você trabalhar com iluminação é outra. Eu trabalho com.
. . então, interessado na iluminação, enquanto material elétrico-técnico, eu quero trabalhar com.
. . O que a luz pode trazer, uma forma de arte.
Tal. E, nesse sentido, alguns refeitórios. .
. a luta para você trabalhar e criar com poucos recursos é fantástica. É onde você aprende.
E aprendi, assim, aprendi para Bette. Fala isso daí, um livro dele lá que ele escreveu também, que a gente comprava disco. Três, quatro, cinco discos.
Porque, fazer isso, não posso dizer com um disco e arriscando disco. Então, tinha que comprar outro correndo antes que saísse do mercado. Você não podia fazer, praticamente, não tinha dinheiro pra comprar um gravador, um tinha estúdio, tem essas coisas.
Então, é do nada que você meio que redescobre o caminho das coisas. Do tipo conta mais ou menos revolução desde o começo, como sempre. E até no caso das vezes, as peças, as montagens que você fez, e como que você foi vendo a reação dos alunos, dos participantes.
Porque, como você mesmo disse, não são só os alunos dos cursos, mas você traz uma abertura para esses alunos e outras pessoas de outros grupos estarem também, porque nós somos uma universidade comunitária. Está aberto para outros contextos também. A gente, inicialmente, trabalhou com repertório, né?
Então, nós fizemos algumas peças de Tennessee Williams: "Um Bonde Chamado Desejo", "Júlio César", "A Casa de Bernarda Alba" e outra peça que eu montei do Tennessee Williams, nessa curta. E depois eu comecei a fazer umas coisas mais minhas, que escrevi os textos, porque eu precisava ter material 100 para um elenco grande. Então, vinham.
. . a gente fazia teste, chegamos a ter 400, 500 candidatos nos testes, só de alunos da Uniso.
E gente muito boa, o Nené. E aí, eu comecei a fazer cenas e esquetes, assim, ligados com a realidade do momento, e um papel para todo mundo, aproveitando os tipos humanos que chegavam com as suas próprias atividades e o seu jeito de falar, a seu jeito de se expressar e tal. E fui fazendo, foi uma série de morangos que nós fizemos: "Morango Urbanos", "Berrantes", "Morangos em um Muro", "Dois Morangos", "Três" e aprimorando.
E, voltando, eu me mexia, trocava a cena e estranhava de novo. E um público maravilhoso, a gente conseguiu uma vez uma temporada no Sesi lotado, mesmo inteiro, com alunos da Unisinos. A Lusinha, lá, assistia.
A gente fazia campanha e dava. . .
por aí eu falava. Sobre a peça, foi um momento muito, muito legal nesse sentido de você trabalhar com um repertório do grupo e uma leva de universitários que estavam, alguns já concluindo, o outro estava entrando, mas que dá uma contribuição forte, um sangue universitário para um grupo de teatro no estado, muito importante. Não que se tenha acabado, mas diminuiu.
Parei de fazer o teste porque, também, por outro lado, frustrava muita gente que queria entrar; acaba não podendo aceitar todo mundo, né? Porque é um trabalho que ia sobrecarregar. Aí a gente falou: "Vamos permanecer, vamos tentar dar uma linha para esse grupo, né?
Uma linha estética que o diferencie, que abra espaço em outros lugares. " Aí começamos a trabalhar textos mais. .
. que hoje se chama de colaborativos. Não são textos criados pelo próprio grupo, pelos próprios atores, né?
E eu vou pegando aquilo, acertando, dirigindo. E está dando muito certo! Nós estamos estreando um espetáculo agora, "Chamas e Lemon", do nome em francês, que é totalmente feito por eles, né?
Então, eu há muito tempo já não escrevo mais, de fato. E uma das coisas que eu insisto no grupo, em termos de dramaturgia, é um outro linguista. Porque, Roberto, eu parto do princípio de que somos brasileiros e essa linguagem que a gente desenvolve no grupo, temos como base uma forte herança colonialista, e todas essas línguas que colocam no palco: a francesa, a italiana, o espanhol, e até mesmo o inglês, e às vezes o alemão, um pouco do árabe, às vezes japonês que eles pesquisam.
Então, estão na base da nossa formação histórica, dos migrantes, de todo o processo colonialista da Europa. Então, no nosso inconsciente, falamos várias línguas! Só o tupi mesmo, e foi que a gente não tenha entrado ainda nessa área das línguas indígenas.
Não sei, pois é, né? Porque a gente fica meio na temática, meio urbano, o que dá um beijo em troca ainda. Mas é uma coisa que eu insisto muito nesse meu otimismo.
Há pouco tempo, mandava os atores: "Vão lá, que ela vai te ensinar italiano, antes inglês. " Eles vão lá, é consagrado com a língua, inclusive em francês. Colaboraram várias vezes e com outras pessoas falantes de hebraico, árabe, tal.
Sempre dando um suporte. . .
japoneses. E eles gostam. É como é que eu vou falar: a língua, você não precisa falar a língua.
Você vai aprender o sistema fonológico da língua e vai usar esse sotaque e vai falar essas frases que a pessoa dissesse, decorando e falando. Se não precisa falar, então, eles passaram a decorar tudo aquilo lá e, de repente, ficam falando. .
. um fala francês, do vale italiano. Falei: "Para a gente, vamos falar em português, que foi resolver o que vai ser feito.
" É modo de dizer que fala, a gente fala todas essas línguas, né? Mais um pouquinho de cada, mas a permanência disso marcou, ficou uma marca do grupo. Tanto que a gente vai fora, em festivais, de tudo.
As pessoas estão falando pouco essas línguas. Não quero filmagens, Lima! Ficou muito interessante.
E eu acho também que, além de ter esse respaldo, seja antropológico, cultural, né? O baixo da nossa cultura, etapa por baixo dessa linguagem que a gente propõe, que é bem modernista, bem oswaldiana. O que é uma coisa mais cosmopolita e uma tendência para a qual nós estamos indo com a internet.
Que a gente entra em tudo quanto é lindo. Não percebe que está entrando? A gente sim, porque nós trabalhamos com isso.
Fim. Mas eu não sei se o público está lidando com isso. Fala inglês?
Não, né? Você vai comprar alguma coisa, se fala com uma pessoa que fala inglês com você, está tão presente isso num mundo. Conhecer essa globalização, inclusive, lingüística, que não assusta tanto isso.
Não é tão estranho, né? A gente hoje incorpora esse motivo mesmo como parte da cultura. Trocou, faz, que o nosso.
. . em que não lhe sua cultura, mas a própria língua do idioma, é o idioma.
É ligado. Agora, a início, nessa sua forma de apresentação da sua proposta, a tecnologia entra também. Não é só valorização da palavra, das línguas, mas também do corpo, né?
Somos que se emitem, um próprio corpo. . .
mas o corpo, e principalmente o rosto. É um casamento entre o grupo, catarse, grupo proposição. .
. Meira e Danny F. , que elas me trazem essa parte corporal e trabalham um grupo já acostumado com isso.
A gente faz há mais de dez anos muito trabalho de corpo. Decisões. Não fazer uma hora e meia de tricô antes do ensaio.
Eu falo: "Gente, tá acabando meu lado do ensaio e não começamos! Ainda não está pronto, é o joelho que não aqueceu! " Então, muito, muito forte.
E a gente percebe que é um exemplo, não tem, né? É importante pra falar do desempenho nesse trabalho de corpo. Então, uma contribuição muito grande.
Ainda vem assinando, ultimamente, toda essa nossa parte do grupo, e acho super importante. É muito difícil alguém entrar no carro sem ter passado por essa pesquisa, tem um tempo, sabe, de uma atração. Além de aprender, ver como é que é.
Então, dentro, de repente, entra, mas assim, pronta, entrega. Não dá! Você pega um ator, mesmo que tenha experiência de palco, para esse trabalho.
Não está muito pronto, ainda precisa passar por toda essa preparação. Porque é um processo. A ciência é um processo, é uma linguagem não comum.
Eu falo assim: "Eu não quero ator entrando dando um passo atrás do outro. Eu quero que o ator salte para lá! " Frente a ele, tinha nós.
Tínhamos atores que entravam em cena a 34 metros da coxia. Eu falava: "Eu quero que você apareça, de repente, né? " E um rapaz, Lago Lava, dá um pulo.
Ele até trabalhou aqui na Uniso, era aluno nosso. Olé, olé, olé, olé, olê! Uma vez, não sabemos cantar de São Paulo.
Eu até esqueci da cena. Quem entrava? Quando eu vi, ele pulou de lá, de um ponto extremo no outro.
Sei como é que ele conseguiu dar esse pulo; e ficava lá, acho que preparando. Assim, de repente, saltava. Essas coisas que são a linguagem.
. . é isso daí que vai dar a vocês a linguagem própria da fala que é a sua assinatura.
Dá trabalho, mas é mais fácil e melhor. A gente tem aprendido coisas da comédia, da arte, do circo, de tudo mais. Não é aquela coisa escolar, sabe?
É algo que a gente vai descobrir ou por outro caminho, no corpo mesmo, pelo treinamento, mais ou menos regrado e constante, até chegar a produzir os diferenciais. Assim, a linguagem, eu acho que é muito interessante que você passou pelo teatro dentro da escola de teatro amador, no teatro estudantil, e no teatro universitário, que é profissional. E está tudo resolvido dentro do seu universo.
Então, queria pedir que no próximo bloco você falasse um pouco a respeito disso. Então, até já, quando o professor Roberto vai falar um pouco a respeito dessas características do teatro dentro da escola, no projeto pro amador e profissional.