Como nós sabemos, Estados Unidos decidiram reduzir as tarifas sobre produtos chineses de 145% para 30%, enquanto a China vai diminuir os impostos sobre as importações americanas de 125% para 10%. Essa medida pode ter impactos diretos no setor de máquinas e equipamentos. E para discutir os reflexos no mercado, nós conversamos agora com o José Veloso, presidente executivo da ABMAC, Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e equipamentos.
Bom dia, José, seja muito bem-vindo ao nosso jornal. Bom dia, é um prazer estar com vocês aqui nessa manhã. José, olha só como que a guerra comercial, queria uma análise do senhor, como é que a guerra tem impactado o setor de maquinários no Brasil e como essa redução temporária de 90 dias, se ela se consolidar, pode ser uma oportunidade.
Olha, o a guerra comercial dos Estados Unidos com a China começou em 2017. a partir de 2018 foi recrudendo eh o o Trump 1, primeiro governo do presidente Trump colocou obstáculos para os produtos chineses e aí os chineses começaram a trabalhar novas realidades e procurar novos mercados pelo mundo. Eh, ao mesmo tempo, o crescimento chinês também se desacelerou, embora continuando crescendo, crescendo menos, então sobrando mais produtos manufaturados na China.
Quando vem o Biden, eh, ele aumenta a a a esse problema da guerra comercial com a China. E agora, eh, com o Trump do a coisa, eh, eh, barreiras enormes foram colocadas até esse acordo que você menciona. Que que acontece?
Essa guerra comercial que já vem lá de trás, ela já vem causando danos na indústria manufatureira brasileira em setores importantes, um deles de máquinas e equipamentos. aumentou muito a importação de máquinas chinesas, que é o que a gente chama de desvio de comércio. Então, aquelas máquinas que passaram a não ir mais para os Estados Unidos e também a próprio consumo interno da China diminuiu, elas começaram a procurar novos mercados e um dos mercados que eles encontraram foi o nosso mercado brasileiro.
Então, só em 2024, portanto, antes do Trump, eh, a importação de máquinas da China cresceu 34%. E a China é a principal origem de máquinas importadas do Brasil. O Brasil importa 9 bilhões de dólares por ano.
Mas não é só o setor de máquinas. Nós acompanhamos aí nos últimos meses o setor automotivo, o setor de confecção, o setor ciderúrgico e eh o setor de brinquedos, setor de calçados, enfim, vários setores no Brasil reclamando de uma invasão de produtos chineses. O que que acontece agora?
Eh, a China, eh, ela logicamente que com aquela tarifa de 145% aquilo eram era praticamente impossível vender nos Estados Unidos. Agora, com essa redução da tarifa para 30%, eh, o os riscos aqui no Brasil continuam, mas eh menos eh, vamos dizer, menos grave do que com aquela tarifa de 145. Agora, na nossa opinião, a o desvio de comércio, a vinda de máquinas importadas, como estava vindo já de alguns anos e não é porque a tarifa eh por 90 dias foi renegociada uma nova tarifa e os chineses vão parar de procurar novos mercados.
Então nós temos sim um problema sério, porque o produto chinês chega no Brasil com preços aviltados e a gente sabe que a China não é economia de mercado e eles utilizam de eh ferramentas que não são aceitas comumente pelas regras da OMC. Agora, já que o senhor citou esse desvio de rotas, enfim, a guerra comercial tem gerado um realinhamento da cadeia global de suprimentos, como o senhor mesmo disse. Agora, a indústria nacional está conseguindo se reposicionar ou se posicionar como uma alternativa viável?
E e já emend, qual que é o desafio para a indústria nacional se consolidar como uma alternativa viável para os fornecedores globais? Olha, o Brasil ele tem um problema sério do custo do Brasil, né? Eh, produzir no país bens manufaturados de uma forma geral não é eh, nós não temos muita competitividade.
Então, o Brasil ele acaba se especializando naqueles setores da indústria que estão ligados a setores onde nós temos vantagens comparativas. Então, vou dar um exemplo aqui do meu setor, máquinas agrícolas, né? O Brasil importa muito pouco máquinas agrícolas.
Nem 10% do que nós consumimos é importado. Por quê? Porque o Brasil desenvolveu uma tecnologia forte em função de ter uma vantagem comparativa nesse setor.
Então, naqueles setores aonde o consumo no Brasil ele tem o consumidor da máquina tem vantagens comparativas, o Brasil aí sim tem nichos. Eh, nós exportamos relativamente bem. Eu falo relativamente bem, porque o Brasil exporta muito pouco eh em em termos absolutos de máquinas eh de desculpa de bens manufacturados e máquinas e equipamentos.
É um dos setores que se destaca. O Brasil exporta 14 bilhões de dólares por ano em máquinas. Agora, a gente se especializou em nichos como esse que eu citei das máquinas agrícolas, mas também componentes de máquinas, máquinas para construção civil, onde o Brasil exporta muito.
Então, quer dizer, eu eu imagino que o Brasil ele vai continuar se especializando em nichos, não somente na indústria de máquinas e equipamentos, mas na indústria como um todo. E quais são os principais riscos para o setor de máquinas e equipamentos? Se esse cenário de instabilidade comercial global se prolongar, porque sim, houve essa pausa, mas ainda há uma incerteza se isso não vai retroceder depois de 90 dias, né?
Se essa instabilidade virar uma constante, o que que vai acontecer com o setor de máquinas e equipamentos? Nós temos dois riscos, mas também temos oportunidades, né? Os dois riscos são primeiro, aquele que eu já falei no começo, que é desvio de comércio.
Então, a China, ela tem realmente buscado novos mercados. né? E a gente vê lá eh inclusive nesses acord nesses e eh acordos que foram assinados essa semana entre o Brasil e a China, eh alguma até facilitação de questão de logística para importação de bens eh manufaturados Brasil.
Pelo menos esse é o desejo da China. Eh eh e o Brasil precisa tomar cuidado com isso. Agora, eh então o primeiro risco importante é desvio de comércio e a China buscando novos mercados.
Isso para mim fica claro eh no que o presidente Xin falou essa semana. O segundo risco aí é pro setor de máquinas e equipamentos, que é a tarifa de 10% lá nos Estados Unidos. Eh, a a o existe até uma certa comemoração no país de que os 10% ficaram baratos, né?
Porque vários outros países tiveram alíquotas mais altas. Mas no caso de máquinas e equipamentos, o os Estados Unidos é um importante fabricante de máquinas e as máquinas fabricadas nos Estados Unidos competem com as máquinas fabricadas no Brasil e 26% de tudo que nós exportamos em máquinas é para os Estados Unidos. É o principal destino das nossas exportações.
E as máquinas que nós vendemos para lá não são complementares, ou seja, nós concorremos com produtos americanos. Então, quando se coloca uma taxa de 10% sobre o Brasil, se por um lado você pensa que ela é melhor porque para outros países colocaram mais, mas no caso de máquinas equipamentos, tirou 10% da nossa competitividade em relação ao nosso concorrente dentro dos Estados Unidos. O Brasil importa dos Estados Unidos 4 bilhões de dólares por ano em máquinas.
Isso pode vir aumentar. E nós exportamos para os Estados Unidos perto de 4 bilhões de dólares. Nós já já chegamos a isso, mas no ano passado houve uma queda, exportamos 3.
5. Então esta exportação paraos Estados Unidos fica ameaçada com os 10%. Então são dois riscos, os 10% que os Estados Unidos colocou sobre o Brasil e o desvio de comércio da China.
A oportunidade, a oportunidade é que alguns mercados mundiais, com essas barreiras que os Estados Unidos tá criando, e eu acredito que não para por aí, a Europa, outros países vão se proteger e vão colocar barreiras contra os chineses, porque realmente a indústria chinesa tá causando danos no mundo inteiro. Eh, e quanto mais o chinês tiver barreiras contra os seus produtos, abrem oportunidades para aqueles produtos que nós somos mais competitivos. Com toda a certeza, José Veloso, eu quero muito agradecer a sua participação aqui no nosso jornal, José Veloso, que é presidente executivo da ABMAC.
Até uma próxima. Obrigado pela presença. Ficamos aqui à disposição de vocês.
Muito obrigado. Perfeito.