[Música] Olá, sejam muito bem-vindos ao canal Prazer TV. Eu sou o Thiago Gular e você está em mais um episódio do Diário de Umtântrica. E hoje retomando o episódio anterior, o episódio número 12, em que o tema foi o celibato tântrico.
E foi muito interessante que surgiram pessoas me procurando, me enviando mensagens no inbox lá pelo Instagram, por WhatsApp também e comentando até de situações que passaram e na na sua maioria mulheres que tiveram péssimas experiências sexuais com homens, ou seja, mulheres que têm relações Hetterois ou sis hétero e tiveram relações com homens das quais elas se sentiram muito insatisfeitas ou até mesmo pelos comentários se sentindo sujas por serem tratadas realmente como apenas um depósito de tensões. E por isso, devido a essas situações, escolheram ficar em celibato do que terem relações sexuais eh totalmente insatisfatórias ou que se sentissem desrespeitadas ou até mesmo sujas, como na própria nas próprias palavras dessas mulheres. Então, outras pessoas também me perguntaram para aprofundar sobre esse tema, o celebato tântrico.
E como eu sinto que deixei algumas lacunas no na primeira parte desse vídeo e eu já tinha pensado que uma segunda parte seria necessária, até porque na primeira parte desse tema, celibato o tântrico, eu procurei trazer um contexto mais histórico em que tântricas tem um cultivo da sua própria energia de forma bastante consciente e isso faz com que nós aqui no ocidente, nos tempos modernos, quando a gente vai estudar o tantra dessa forma, nessa ancestralidade do tantra, a gente vai ter uma compreensão muito melhor do que que é o tantra, que vai muito além de técnicas para você performar melhor na cama ou ainda para que você tenha seja considerado um grande amante na cama. né? Então, o trabalho do tantra é sobretudo um despertar da consciência e é isso que, acredito eu, falta bastante no Ocidente em relação a essa abordagem que se faz quando se estuda e se pratica o tantra.
Com relação a esse tema, se ele bate o tântrico, a gente vai ter algumas questões que, como eu falei no na parte um desse episódio, eh, tem que ser tratadas com bastante cautela, até porque na via tântrica nós não trabalhamos com a repressão. E por mais que nós saibamos, né, pessoas que já se aprofundaram nesse esoterismo com s, o esoterismo, esses ensinamentos secretos do tantra, o quanto é importante você cultivar uma pureza de coração, eh, não faz parte da metodologia tântrica uma aplicação de meios que sejam castradores, né? Então, a gente vai ver que a mística, por exemplo, cristã, ela em tempos medievais utilizou dessa dessas maneiras.
E acredito eu, é uma suposição minha, pelo pouco que eu estudei desse dessa da via cristã medieval, que, por exemplo, aqueles cintos de castidade para adolescentes, né, para evitar com que eles se masturbassem compulsivamente, tinha aí uma questão também esotérica e espiritual para que essa energia fosse melhor canalizada. E esses eram os meios utilizados, né, encontrados para conseguir controlar a garotada da época. E não pensem que no tantra e no yoga tem não tem coisas tão cruéis ou até mais cruéis, né?
Então, há pessoas dentro do tantra e do yoga que adotam práticas bastante extremas e violentas consigo mesmas, né? Então, há aí muitos relatos de essa tentativa de extinguir o desejo. Você vai ter os as histórias de yoguins, os praticantes de yoga e praticantes também de vias tântricas.
que para extinguir o desejo nessa parte mais orgânica, fisiológica mesmo, chegam a cortar até eh partes do corpo, né, uma automutilação ou às vezes até um método antigamente utilizado era de pendurar pesos no próprio falo, no pênis e fazer com que esse peso, digamos que destruísse ali as os tecidos, né, os os filamentos penianos, fazendo com que eh essa pessoa, normalmente homens que se lançavam a esse tipo de método cruel e extremo não tivessem mais a capacidade de ter ereções, né? Então, essa essas formas extremas medievais quando a gente pensa na Igreja Católica, não é apenas a Igreja Católica, né? Inúmeras vias espirituais adotam ou adotaram práticas semelhantes ou tão violentas ou ou até mais violentas, né?
Isso o tantra e o yoga também fazem parte desse histórico, certo? Então, a questão que houve todo um processo aí ao longo do tempo de evolução, de refinamento, de elaboração das ideias, fazendo com que essas ideias pudessem ser aí melhor eh pensadas mesmo, né? Então você tem aí, como eu falei, ritos bastante arcaicos em que tinha até mesmo sacrifício de animais, de pessoas, né?
Então são práticas muito antigas em que até mesmo os Vedas, conhecidos aí como uma via tão elevada, né, e que representa a Índia de forma magnânima, também participou de de dessas ritualísticas em que muitos cavalos, por exemplo, eram sacrificados para apaziguar os deuses e as deusas. Então, a gente tem que ter esse essa ideia bastante clara sobre a história, como eu falei no vídeo anterior, né, de estudar essa ancestralidade, mas ao mesmo tempo nós nos situarmos na idade moderna de forma bastante realista e também sem muitos romantismos, né? Imagina que sempre vai ter aquela pessoa que vai falar: "Ah, mas naquela época, quando não tinha o patriarcado".
Então, fica uma idealização utópica de tempos ancestrais, como se esses tempos ancestrais não tivessem também os seus próprios problemas, desafios e limitações, n? Então, eh, eu também não compactuo com essa ideia de um romantismo utópico que faz com que nós estejamos num constante descontentamento com a nossa realidade e o nosso tempo atual. Então, eu sou muito mais da ideia de que nós podemos olhar os dias atuais e perceber o que nós temos de positivo, obviamente identificar também o que que nós temos de desafios, limitações, sermos críticos ferrhos desses dessas estruturas que nos limitam, mas ao mesmo tempo estarmos plenamente na nossa realidade e não com um romantismo aí de que a nossa época não presta ou que o patriarcado não presta, né?
essas ideias que fazem com que nós sejamos os eternos reclamões, sem conseguir identificar e reconhecer o que nós temos já de muito bom e toda a evolução que foi feita ao longo da história. Então, eh, até por isso que uma vez conversando com uma amiga, eu falei para ela, eh, tem muito amor no patriarcado, né? tem muito, teve muito zelo aí ao longo dessa história.
por mais que tenhamos muitas críticas, a gente tem que também compreender e entender esse contexto histórico e também a selvageria, né, que eh foi o desafio de conter toda a selvageria ancestral aí para que nós pudéssemos ter uma uma regulação da sociedade e não nos transformássemos aí numa numa sociedade cada vez mais selvagem, né? Então, a gente vê hoje em dia que tem muitos, muitos protagonistas, eh, sobretudo do meio político, querendo retornar a um estado de selvageria, né? Então, sempre é bom que nós estejamos eh numa vigília em relação a tais pessoas e não sermos também invadidos aí por esses pensamentos extremistas, certo?
Tudo isso também porque quando a gente observa a via caula, à qual eu me dedico e através dessa perspectiva do tantra caula que eu procuro trazer essas reflexões aqui para vocês, a gente tem que observar também que o caula ele evoluiu, né, de práticas que eram bastante florestais dos capálicas, que eram os portadores de crânio e eram práticas também bastante arcaicas, chamânicas, ancestrais e que tinham também os seus porquês, né? Então, por exemplo, a copa aqui do crânio de um mestre era tida como algo muito precioso, porque ele tinha atingido aí muitos estados espirituais elevados, né? Então ali é como um poço mágico, um um uma ferramenta mágica de onde nós poderíamos também nos valer daquele trabalho espiritual de um mestre que já fez sua passagem.
O caula, ele evoluiu dessa prática dos portadores de crânio para se tornar algo urbano, né, do meio urbano, que também teve o seu próprio desenvolvimento, certo? Então a gente tem que observar que o tantra caula, apesar de nós estudarmos bastante essa dimensão selvagem do ser, que até foi o título de uma aula que eu dei para lançar um curso meu, essa dimensão selvagem do ser, ela foi cultuada aí desde a antiguidade, né, através de Rudra nos Vedas e depois e anteriormente, né, Pachupati, na civilização de de do Vale do Indo. Depois também Cali, né, nos montes Víndias ali, onde deu origem também a Cajurarro e mais posteriormente Bairava e Bairavi, que são as os aspectos soturnos, secretos e furiosos de Shiva e de Shakte.
Então, a gente tem que observar que houve uma evolução, mas sem fazer uma negação desse dessa dimensão selvagem do ser. Então, desde que essa dimensão selvagem do ser, representado no tantra clássico através de Bairava e Bairavi, essa dimensão do selvagem do ser, ela não é negada, ela ela é estudada, observada. E à medida que nós estudamos a nós mesmos, quando nós mergulhamos através das práticas meditativas de interiorização, de centramento, de depuração da consciência, quando nós entramos em nós mesmos, nós vamos nos deparar com essa fonte violenta, né?
Então é muito mais sano dentro dessa perspectiva tântrica da via caula que você identifique essa porção violenta que é inerente a nosso ser, faz parte do nosso ser, da nossa composição e da nossa natureza divina, até eh, do que você negar ela e depois quando você se vê numa situação em que essa dimensão selvagem do seu ser é chamado à tona, você não sabe lidar com essa dimensão selvagem do ser e essa dimensão selvagem do ser até cause estragos porque você não aprendeu a lidar com ela, né? Então, todas as práticas da via caula a gente procura ter nesses arquétipos Bairava, Bairavi, Cali. A gente vai ter também uma forma de olharmos para nós mesmos.
Quando nós estamos olhando para Cali, por exemplo, muito mais do que uma devoção cega ou ah, vou entregar aqui para Cali uma oferenda, né? Não tem não tem essa questão, né? A questão é de você olhar-se como olhar-se no espelho, perceber que aquela violência ali presente em Cali, ela está presente no seu interior.
Então, quando nós olhamos para esse espelho de forma bastante sincera e através das ferramentas, as práticas meditativas, a gente vai ter ali um trabalho bastante minucioso para poder lidar com essa nossa dimensão selvagem. e assim fazer uma transmutação alquímica, fazer com que essa essa porção nossa selvagem, furiosa, secreta, que é representado por baila e bailavi, a gente possa utilizar essa energia de forma plenamente presente, consciente, né? Então, por isso que o tantra é uma via de despertar da consciência, muito mais do que você se tornar alguém aí mais performático na cama, né?
Mas obviamente que quando nós reconhecemos essa nossa dimensão selvagem do ser e que nós sabemos lidar melhor com ela, você também pode utilizar essa energia de forma muito mais consciente em todas as áreas da sua vida. Então, por exemplo, se você tem um grupo de amigos e talvez você tenha um grupo de amigos da infância, né? Então, imagina que sempre vai ter aquele aquela pessoa que ela é mais vítima do que as outras de, por exemplo, sofrer agressões, bullying, assédio, porque é uma pessoa mais pacífica, é uma pessoa mais introspectiva, que gosta de ser mais diplomática, né?
Então, a questão é que como nós temos no nosso funcionamento humano esse e esse funcionamento de nós termos que funcionar em grupo, em comunidade, e por isso que no tantra é tão importante essa questão da cula, né, do clã da família, eh, isso é muito importante de nós observarmos esse zelo pela comunidade. Então, eh, como nós temos esse fator comunidade comunitário dentro de nós muitas vezes, ou se nós não sabemos lidar com, eh, algum tipo de assédio de forma bastante assertiva ou digamos que até sagaz, né, com astúcia, a gente pode passar por um processo de ou a luta e fuga, né, que nós nos refugiamos na nossa própria caverna e ficamos ali engolindo o sapo de eh sem dizer nada ou nós partimos paraa agressão ou no pior dos casos a gente vai fazer uma agressão contra pessoas que você observa, né, dentro dessa desse nosso dessa nossa porção selvagem, como nós estamos sofrendo uma agressão de alguém que nos observa como pessoas mais fracas, nós também provavelmente teremos esse funcionamento também. a gente também vai partir paraa agressão sobre alguém que nós eh consideramos mais fraca, né?
E isso se conecta diretamente também com a nossa sexualidade, sobretudo a sexualidade masculina, né? Então, a sexualidade masculina, a os casos de agressão de violência sexual, normalmente elas estão muito associadas a essa questão da submissão, o quanto eu consigo submeter alguém a o meu prazer, né, que é um um prazer até totalmente nefasto, né? Porque um prazer que não é compartilhado é algo já uma uma doença patológica, né?
um desvio de personalidade bastante grave que de prazer eh a pessoa tem que observando aí pro seu passado, provavelmente é uma pessoa que também sofreu grandes violências, né? Mas eh nós temos essa questão, ou nós vamos tratar com essa luta ou fuga, ou também a questão de nós estarmos nesse relacional com as pessoas, essa nossa inteligência emocional, se nós não tivermos essa astúcia emocional ali de também ter jogo de cintura com certas certas falas, a gente pode passar por um processo de implosão ou explosão, né? ou nós nos voltamos para dentro e aquilo ali vai nos consumindo por dentro, acarretando até mesmo que nós tenhamos certas doenças, né?
Então, eh, ou nós vamos explodir essa nossa dimensão selvagem do ser, nós trazendo ela para fora, nós também seremos pessoas agressivas, né? Então, o tantra, apesar de ser um caminho que a gente pode chamar de uma louca corrida no fio da navalha, porque à medida que nós fazemos esse processo de autoconhecimento, a gente vai lidar com essas forças muito primitivas da natureza. E ao mesmo tempo nós temos também um processo de despertar da consciência que nos torna muito mais capazes de nós estarmos num estado de vigília.
Essa vigília interior é o quê? De você observar tudo aquilo que você está percebendo, né? E tudo, a todas as suas interações no seu cotidiano vão causar reações, né?
Então, nós estamos recebendo e dando, né, essa essa comunicação do nosso coração com a realidade, com o mundo, nós estamos sempre recebendo e dando, né? Então, no tantra caldo, a gente fala que as deusas da consciência estão constantemente polinizando o nosso coração. Elas vão pegar informações lá fora, essas deusas da consciência tem até uma prática muito bonita nas visualizações de Matisandra, que nós visualizamos as deusas de forma vermelho rubi, transparentes, eh, elas na forma de abelhas, vão despertando os nossos canais energéticos.
né, as nadis, né? Então você se vê ali sendo percorrido, né, percorrida por milhares dessas deusas passando pelo seu corpo todo, né? Então essa prática da comeia é uma das práticas que também eh eu ensino na formação em tantra chaiva, não do Aldo Cachemira.
Então, eh, quando a gente tá, né, trazendo nessas nessa, nessa relação do nosso coração com o mundo, nós temos uma reatividade, né? Então, essa reatividade pode ser a implosão, né? Fica para dentro ou a explosão, né?
Mas de qualquer forma isso vai criar ondas, né? Então imagina que é como uma gota d'água ali nas águas calmas de um de um lago. Essa essas águas calmas cai uma gotinha d'água e aquilo cria ondas, né?
Então todas as percepções que nós estamos tendo é exatamente isso. Então essas ondas são os vens, né? São as impressões mentais de tudo que nós já recebemos de informação, né?
Então, a gente vai ter essa nossa educação que você teve aí com a sociedade, com a família, com os amigos, com a escola, né, vias espirituais com as quais você aprendeu, você vai ter ali um repertório de como lidar com essas impressões, né? Então, algumas pessoas podem ter, né, à medida que você não tem uma capacidade de observar essas ondulações acontecendo, você pode talvez até mesmo cometer um crime, né? Então, há pessoas que estão ali guardando, é muito pacíficas, né?
Aí de repente você tem um ataque explosivo devido a alguma gota d'água que aconteceu, né? E fez uma uma explosão e você pode até mesmo cometer um crime. E há muitos casos, né, de pessoas que cometem crimes e depois relatam que estavam fora de si.
E realmente porque eh tem tudo a ver com esse funcionamento da consciência. Há uma porção da consciência que para nós está inconsciente, né? Então, tantra é essa arte de nós iluminarmos a totalidade da consciência, né?
Para que nós tenhamos a consciência e não apenas uma consciência dividida em várias partes, né? Então, para quem não sabe, a consciência, como eu já expliquei, tem uma parte que ela está inconsciente, certo? E daí nós vamos ter desdobramentos, né?
as oito consciências, que tem a ver com os cinco sentidos e mais outras três consciências que daí vão totalizar afinal nove consciências, né? E nós temos também os quatro estados de consciência, a vigília, sono profundo, eh o sonho e e o o estado além deles, né? Turia.
Se nós estamos estabelecidos num SADA, numa prática regular de meditação, né, pouco importa se é tântrica, se é védica, nós teremos maior capacidade de nos autoobservar, de iluminar essa porção da consciência que não está consciente e assim nós podemos observar o nosso funcionamento mais visceral, aquilo que realmente ente acontece de forma inconsciente. Então, tem muitas pessoas que têm, e isso é comum até mesmo em pessoas que têm muitos anos de prática meditativa, pessoas que têm aí um diálogo interior constante. E normalmente esse diálogo interior constante, ele tem um aspecto negativista.
Você está constantemente colocando você mesmo para baixo, né? você constantemente está trazendo você para o pior dos cenários. Isso acontece em algumas pessoas, né?
Então, as práticas tântricas, a gente vai ter uma capacidade também de fazer com que eh ao invés de estarmos só criando essas impressões, essas impressões também elas podem chegar ao ponto da realização, da manifestação mais densificada, né? Então, é uma arte da manifestação da realidade. Então, à medida que nós observamos essas percepções, essas impressões nascendo, esses pensamentos, esse diálogo interior inconsciente, muitas vezes para as pessoas que não são meditativas, esse diálogo interior, ele vai manifestando experiências.
Então você vai ter experiências talvez dolorosas porque você está num diálogo interior que é totalmente violento, né? Então à medida que você identifica esse diálogo interior acontecendo, você vai ter a capacidade de cortar o mal pela raiz e transformar, talvez, né? Por exemplo, no yoga de Patangel, nós temos uma prática muito básica, que é de você, ao observar um pensamento negativo, você já substitui ele pelo seu completo oposto.
Então, talvez você tenha aí um pensamento constante de que alguém vai agredir você, né? Então você tem que ter esse treinamento de quando você está nesse estado de vigília observando que esse pensamento ocorre, você tem ali um pensamento que você cria totalmente contrário de que as há amor entre as pessoas, por exemplo, né? Na via caulo a gente vai fazer um pouco diferente.
Você pode usar esse esse subterfúgio do yoga de Patândele, mas nós vamos ter uma forma de depuração de da violência através da devoração dos demônios, né? Que você visualiza Cali, você se visualiza também sendo banhado por uma luz dourada, né? Então é um processo um pouquinho mais complicado, mas bastante efetivo também pra gente ir moldando a nossa realidade ah de uma outra forma, certo?
Então isso é a parte mais teórica, digamos que da nossa consciência, né? Então você talvez já tenha assistido outras aulas minhas. Eu expliquei isso de outras formas ou você já teve essa explicação comigo.
Onde que pega isso em relação ao celibato tântrico? Talvez você tenha tido a intuição de que você está usando a sua energia sexual de forma indevida, que você poderia estar usando a sua energia de forma no seu cotidiano de uma forma mais construtiva. Então, se você tem até uma conexão mais clara, mais consciente com os seus sonhos, nos seus sonhos, isso pode ser até informado a você.
Eu me lembro que uma vez eu tava num processo de consumir conteúdo adulto e durante um dos sonhos eu me vi com o braço totalmente ali deformado, né? E outra outra cena, eu vi que eu estava num num ambiente que era parecido com um uma dimensão da morte, né? Então tinha uma questão assim muito eh realmente essa e essa um cenário de tanatos, né?
Quando a gente fala aí eh da psiquê dentro dos parâmetros modernos, né? a gente vai falar de erros, pulsão pra vida, e tanatus, a pulsão para a morte, né? Então, a sexualidade ela tem também essa ambiguidade, né?
Então, uma dicotomia também, mas que a gente pode integrar à medida que nós despertamos a nossa consciência, né? Então, a gente pode utilizar a nossa sexualidade de forma até bastante eh ativa quando você está nesse processo de despertar da consciência, mas que você integra, né, erros etanatos de forma que isso se torne muito mais uma pulsão da vida e não uma pulsão da morte, certo? Pois, né, se a gente estimula muito a pulsão para a morte, isso tem diversas consequências, né?
Então, se você tem essa e essa conexão já com os seus sonhos de uma forma mais consciente, ou seja, através das práticas meditativas, você já está tendo informações bastante precisas, né, através dos seus sonhos. Você vai ter até ali uma informação. Olha, você tá fazendo isso com a sua energia sexual, usando ela indevidamente e isso pode acontecer com você, né?
Então eu me lembro outra situação também, tinha um renomado professor de yoga que eu seguia e ele me dizia: "Olha, cuidado com o que você tá fazendo", né? Então a gente pode também ter esse contato com guias, guias espirituais mesmo, que são até mesmo como protetores espirituais nos nossos sonhos que vão nos trazer informações do que que a gente tá fazendo ali de errado ou até mesmo de certo, né? Então, eh, à medida que a gente tem essa, esse despertar da consciência, a gente vai ter essa conexão com sonhos.
Mas você teve essa intuição, ah, eu não estou usando a minha energia sexual de forma devida, tá? OK. Surgiu esse lampejo da consciência, surgiu um pensamento.
Ótimo, o que que eu faço com isso? Porque nós temos uma questão fisiológica, orgânica, que é muito forte, né? Então você vai ter ali pessoas que têm, por exemplo, um vício pelo prazer, né?
Então o prazer ele pode ser muito viciante. E eh cientistas comparam, por exemplo, o vício em pornografia, ele é tão potente quanto o vício em heroína, por exemplo, né? Então, para vocês verem a dimensão do que que nós estamos lidando.
Então, para que não tenha esse conflito, né? você tem o pensamento, ah, estou fazendo merda com meu corpo, estou fazendo merda com as minhas atitudes, né? Então, eu estou num caminho que não é produtivo, mas ao mesmo tempo o seu corpo ele tá num processo de quero mais, né?
Eu quero continuar fazendo isso porque isso me traz algum tipo de satisfação. Por exemplo, a masturbação compulsiva, né? Então você tem o pensamento, ah, isso não é tão bom, poderia fazer uma transmutação, mas aqui tem o seu corpo que está naquele processo, né?
Então, como é que a gente faz isso? celibato tântro. A própria palavra celibato, ela pode trazer esse sentido bastante cristão, né, religioso, aquela coisa de ah, uma austeridade que, como eu falei, eh isso também faz parte do universo do yoga e do tantra, né, como descrevi essas situações de automutilação de yoguins, né?
Então isso não é só do mundo cristão ou religioso. Como que você faz para lidar com isso, né? Daí você pensa, ah, o celibato tântrico, ouvi o Thiago ali falar sobre celibato tântrico, eu vi outro rapaz lá falando sobre retenção seminal, né?
Que ótimo, legal. Eu sinto que tem algo aí que pode me ajudar, mas como é que eu faço se meu corpo ele é viciado nessa dopamina do prazer, por exemplo, né? Então, a questão é que você não pode se colocar também uma uma culpabilidade moral em relação a isso.
Então, à medida que você está num processo de despertar da consciência através das práticas meditativas, sendo feito de forma regular, você vai ter uma capacidade muito maior de você ter um cada vez mais maestria sobre seu corpo, a sua mente e a sua respiração. Então esse tríplice controle, que é o nome de um curso que eu tenho também e de um livro que eu tô escrevendo, esse tríplice controle, ele tem essa questão de você ter desenvolver essa maestria sobre esses três níveis: a mente, a respiração e seus processos corporais de forma gradual. Ou seja, por exemplo, de uma forma bastante prática, você homem é viciado em pornografia e masturbação, né?
Então você vai lá, se coloca na sua situação para ter o seu prazer imediatista e em 5 minutos você vê um vídeo e você ejaculou. Teve um gozo molhado, né? Teve a emissão do semen e tudo mais.
e aquilo já acione aquele gatilho da culpabilidade, né? Então, a sua consciência ali já traz uma série de informações que talvez você nem esteja consciente, ah, eu sou um merda mesmo, né? Eu sou um bosta, né?
Ou, por exemplo, ah, essa vida horrível que eu levo, né? Então tem muitas questões que quando nós estamos praticando a meditação de forma regular e essa luz da consciência que é a luz da chakundalini, ela está iluminando essa porção inconsciente da consciência. Quando essa luz da Chacticundalini está iluminando, você vai ter uma maior capacidade de observar esses esse esses pensamentos que estão acontecendo durante esse ato, por exemplo, no seu ritual, na sua prática masturbatória ali com conteúdo adulto, por exemplo, né?
Que normalmente é quando a gente tem muito mais essa essa questão de vários pensamentos ali acontecendo, de culpabilidade, de coisas que estão nos deixando para baixo, né? Então, à medida que você está iluminando essa porção inconsciente da consciência, você vai ter uma capacidade muito maior de observar as coisas de forma muito mais sagaza, ou seja, você vai ter uma capacidade de reflexão muito maior. Talvez o que antes você gozava em 5 minutos, 2 minutos, talvez você faça uma prática ali que você até se questione: "Ah, mas eu será que eu preciso gozar mesmo, né?
" Ou talvez você acione o que nós chamamos na vinha cauda de yoga do parar, né? Então, quando você tem uma uma vontade de algo, por exemplo, ah, eu vou falar, responder para essa pessoa de uma forma impulsiva, a primeira coisa que me passa pela cabeça, né? E normalmente a gente tá muito condicionado pela nossa educação.
E às vezes a educação é uma educação também tóxica, né? Você tem aquela piadinha para aquele tipo de pessoa. Você conhece uma mulher e, né, daí você já tem na ponta da língua várias piadinhas machistas, né?
Então, ah, mulher esquenta a a barriga no fogão e esfria na pia, né? Uma piadinha bem bem bagaceira que vai dar uma péssima impressão às pessoas sobre você, né? Então você observar esse esse essa vontade de sair essa esse essa piadinha de forma automática, você observar e acionar esse yoga do parar, ou seja, pela força dessa luz de shakte kundalini que iluminou a sua parte inconsciente da sua consciência, observando isso, agora está consciente, você consegue observar, né?
Então isso acontece, por exemplo, em casais que já estão formados, né? E a gente tem que observar que até mesmo pessoas que são, né, praticantes de meditação de muito tempo mesmo, essas pessoas elas podem ter esses esses eh esses tipos de atitudes, né, de você sair falas que são falas muito condicionadas de uma cultura, por exemplo, violenta, de uma porção violenta do nosso ser também ali que você quer é se sobressair sobre uma pessoa de uma forma violenta, né? Então, é sempre muito interessante a gente observar o quanto esse despertar da consciência, ele cria o que nós chamamos de um yoga das emoções, esse essa teia relacional que nós podemos tornar muito mais saudável à medida que a gente tem essa capacidade de olhar para o nosso funcionamento mais minucioso, de forma muito mais minuciosa.
Voltando ao tema do celibato, muito mais do que você tentar eh se controlar de forma, né, criando aquela tensão, eu não posso me masturbar, eu não posso fazer isso, não posso fazer aquilo. você observar aquilo e negociar com o seu corpo também, mas de uma forma em que você vai estar num estado maior de presença, que você vai estar ali respirando, observando, se observando, observando o funcionamento do seu corpo, abrindo centros energéticos, né? Até para que aquele prazer eh se você sente, ah, eu estou muito muito tenso, né?
Então, a gente passa por muitos estímulos no cotidiano, né? Então, normalmente nós homens nós queremos trazer para fora esse eh toda essa energia, né? Então, a gente tem muito essa essa essa necessidade de liberação de uma válvula de escape, né?
Então, como é que eu posso negociar com essa mina de energia que eu sou, né? Então eu tô recebendo vários estímulos, tô passando por vários tipos de tensões, tensões por causa de todo um sistema aí que se impõe sobre mim, né, que do do qual nós participamos, ter que estar no sistema capitalista tal como ele é, né, de constante tensão, como é que eu negocio com ele, com o meu corpo, diante dessa rede relacional, dessa trama relacional que está presente, certo? Então aí não há lugar para eh moralidade no sentido de, né, você tipo julgar, ah, eu estou no celibato tântrico agora estou num processo de retenção seminal, vou procurar ficar 21 dias.
Ótimo. Se você se determina a fazer isso, ótimo. É um ótimo, uma ótima forma de você se conhecer.
E recomendo até, né, que você cultive um diário, né, um diário de um tântrica. Então você vai cultivar ali, ah, no dia tal eu tive uma recaída, né? Então, o que que aconteceu?
Por que que eu tive uma recaída? Como é que eu me sentia? O que que eu estava passando nesse processo?
Pelo que que eu estou passando nesse momento, quais são os pontos de tensão na minha vida nas quatro áreas, né? eh riquezas materiais. Daí é tipo nossas finanças, é uma parte que pega muito, né?
Pagar conta, eh acumular riquezas, poder comprar coisas, né? Poder viajar, todas essas coisas. Eh, o nosso propósito, será que eu estou servindo a a sociedade de uma forma satisfatória, que eu esteja me sentindo também eh satisfeito, né?
Eh, também.