Nos primeiros meses de vida, uma criança, logo após ali os 30 dias, ela passa a ter uma uma visão próxima daquilo que a gente chama de normal para nós que enxergamos, né? No início, ela tem uma visão mais turva, mais embaçada, mas à medida em que o tempo passa nos primeiros 30 dias, o bebê ele vai enxergando as pessoas e a vida como as coisas realmente são, ainda sem entender exatamente o contexto por ser um bebê recém-nascido. O que acontece é que por volta dos 60 dias esse bebê ele começa a ter o que a gente fala de eh sorriso social.
O sorriso social é quando o pai e a mãe sorrem pra criança e essa criança fazendo contato visual com os pais, ela responde ao sorriso do pai e da mãe ou da pessoa que tá interagindo com ela com um sorriso. Ela devolve o sorriso como sorriso. Nós chamamos isso de sorriso social, ou seja, ela está interagindo com a pessoa através desse sorriso.
Então, é uma primeira resposta favorável, uma resposta eh comportamental adequada pra fase ter esse sorriso, né? Responder a ser responsível ao contato visual dos pais e também ao sorriso dos pais. Um outro aspecto também é que ali ainda muito bebê.
O bebê, quando a mãe coloca ele para amamentar e a mãe olha para esse bebê, esse bebê ele faz contato visual com a mãe a partir desse período e às vezes até antes. Ah, no entanto, um bebê com autismo é comum a mãe segurá-lo e esse bebê fica olhando pro teto, ele fica olhando para um ponto específico da roupa da mãe, ele fica olhando para alguma coisa pendurada no ambiente e não faz esse contato visual com a mãe da maneira como deveria. Então, quando a mãe segura o bebê, é esperado que a maior parte do tempo o bebê fique em contato visual com a mãe.
Mas alguns bebês já começam a apresentar uma alteração ali, né, nesses primeiros meses de vida. E algumas crianças autistas, no entanto, apresentam esse contato visual e de acordo com aquilo que é esperado paraa sua faixa etária, mas mais tarde, lá por volta de 1 ano e 2 meses, 1 ano e 3 meses, ela começa então a apresentar sintomas de autismo. Então nós temos essas duas manifestações em que a alteração do contato visual já ali nos primeiros meses de vida eh está presente, né?
Você vê que a criança apresenta uma alteração ou essa manifestação vai aparece aparecer lá mais tarde. Os pais relatam muito, entre 1 ano e três 1 ano e 6 meses, quando esses sintomas ficam bastante evidentes. Alguns desses bebês parecem ter uma certa indiferença a interação, a tentativa de interação dos pais ou das pessoas que estão ali tentando fazer uma interação com esse bebê.
É como se eh o bebê estivesse ali respondendo realmente a outros estímulos do ambiente. Ah, ele fica talvez mais fixado a uma luz, mais fixado ao movimento de um objeto, né? como, por exemplo, aqueles objetos que colocam em cima do berço para ficar se movendo e o bebê ah acaba por interagir menos com as pessoas e mais com outros estímulos às vezes inanimados do ambiente.
Esse bebê autista é comum também apresentar um atraso motor no desenvolvimento. Então, a maioria dos bebês, por volta de 6, 7 meses, eles começam a gatinhar. E é comum os pais relatarem que o bebê deles, autista, agora com diagnóstico, eh, passou a gatinhar bem mais tarde, como por exemplo lá com 10 meses, 9 meses.
Também é comum os pais comentarem sobre um atraso e na marcha para caminhar. Então, a criança por volta de 11, 12 meses, ela começa a dar os primeiros passos e já a criança com autismo, ela pode ter, por conta da do atraso motor do desenvolvimento, lá por volta de 1 ano e qu ela começa a dar também os primeiros passos. Isso é para todos?
Não existem crianças autistas que não apresentam eh alterações motoras, mas é comum nós vermos os pais que são pais de crianças com autismo, relatarem que a sua criança tem atraso em motricidade fina e motricidade grossa também. Então, ficar atento a esses sinais motores como o sentar, o gatinhar, os primeiros passos também faz parte de uma avaliação do neurodesenvolvimento. Um outro ponto importante também é que uma criança ali de 9 meses em diante, ali por volta dos 10, 11 meses, talvez, ela comece a apontar pros objetos, ela começa a apontar, as algumas crianças muito precoce fazem isso até mesmo antes desse período.
Então ela começa a apontar para dizer que ela quer tal coisa. A criança com o autismo, algumas delas adquirem a habilidade de apontar, mas essa habilidade se perde por volta de 1 ano e 4 meses. Então, imaginem, ela apontava e agora ela não aponta mais para comunicar que ela quer determinada coisa ou ela pega a mão da mãe e leva até aquele objeto, conduz a mãe até o objeto justamente pela falha de comunicação ou de apontar ou de oralizar aquilo que ela quer.
Então, ela leva a mãe até o objeto. E uma outra forma que ela pode utilizar de se comunicar são os gritos, né? passar a gritar eh muito alto, ter comportamentos, problemas como autoagressão, a falha na comunicação é tão substancial que essa criança começa a se autoagredir ali por volta de um ano, 1 ano e 2 meses.
Algumas crianças já começam a bater a cabeça no chão, a se dar tapa na cabeça, se dar tapas no próprio rosto. Então, eu sempre digo que o ser humano ele nasceu eh com a sensação de eternidade. É por isso que a gente não pensa em morrer e a gente faz planos enquanto ser humano.
Então, fazer qualquer tipo de ah comportamento que atente contra a própria vida está fora daquilo que é esperado no desenvolvimento humano. Então, uma pessoa naturalmente diante de um risco, de um perigo, ela se protege, né? E uma um bebê com autismo, a gente observa a autoagressão.
Ele ele pode apresentar eh comportamentos em que ele machuca a si mesmo, ele se morde, ele se bate. E por que que isso acontece? Isso acontece por uma falha não só de comunicação, mas de regulação emocional mesmo, né?
falha nas suas emoções, na maneira como ele tem ah uma imaturidade em administrar aquilo que ele sente, até por ser um bebê. Um bebê naturalmente quando ele quer algo, ele chora para comunicar. O bebê autista, ele pode não só chorar para comunicar, ele pode passar a comunicar com gritos, com autoagressão, com jogando objetos, tentando achar formas de chamar a atenção dos adultos para aquilo que ele quer comunicar e não está conseguindo.
Dos 9 aos 12 meses, um bebê neurotípico, ele responde quando é chamado. Se eu olho para ele, se eu chamo ele pelo nome, esse bebê vai olhar para mim. Eh, talvez ele tente falar mamá, eh, papá.
Talvez ele comece a emitir as primeiras sílabas tentando comunicar o nome do pai e da mãe ou do mamá que ele quer tomar ou ele fale só má, né? Mas ele já faz tentativas de comunicação por volta dos 9 aos 12 meses, fazendo contato visual. respondendo ao meu chamado, eu chamo o nome da criança e a criança olha em direção ao local que eu tô chamando.
Um bebê que tem alteração ah no comportamento por conta do transtorno do espectro do autismo, ele vai ter dificuldade em responder esse chamado. Alguns pais relatam, por exemplo, que o bebê autista ele ele tem comportamentos que lembram uma pessoa surda, porque eu chamo chamo, chamo ele pelo nome e ele simplesmente fica ali mexendo naquele objeto e ele não olha para mim, né? Então, é comum os pais levarem pra avaliação com otorrino, fazer exames como PAC para tentar ver se essa criança realmente escuta, se ela tá com a audição dela dentro do esperado.
De tudo isso que eu falei, eu acho que um dos pontos mais importantes é a gente observar a atenção compartilhada. Eh, a atenção compartilhada, ela é fundamental pra gente ver o quanto esse bebê realmente tem eh desenvolvido as habilidades que são esperadas paraa idade dele. Quando eh eu aponto pro pai da criança e digo: "Olha ali o papai, olha o que o papai tá fazendo".
Ela olha pro pai, ela ela triangula comigo, né? Ela olha para mim e eu aponto pro pai. Ela olha pro pai ou ainda ela mostra para mim apontando, triangulando entre eu, o objeto e ela, ela compartilha comigo o interesse dela.
Por exemplo, a bola, ela mostra para mim, a bó apontando para mim, olhando para mim, olhando pra bola. Ela consegue fazer isso? As crianças com autismo costumam apresentar atrasos no compartilhamento de interesses.
Então, ela não faz essa atenção compartilhada, ela não compartilha os seus interesses e também não manifesta interesse por aquilo que eu compartilho com ela.