vídeos publicados no Tik Tok com a sigla #eight que a sigla para TDAH 52% eram considerados enganosos ou seja mais da metade e só 21% tiveram conteúdos úteis concluiu um estudo publicado em 2022 por pesquisadores da Universidade de Toronto Canadá e da Burst Columbia e desses sem vídeos estudados 27 foram considerados relatos pessoais e embora isso não seja discutido nesse estudo o que eu quero conversar com vocês hoje que eu acho que até mesmo esses relatos pessoais enfim qualquer conteúdo relacionado diagnósticos psiquiátricos deveriam ser evitados de ser ditos nessas redes sociais ou minimamente feito com
muito mais critérios e o que eu quero que você se pergunte é eu deveria mesmo falar sobre isso diagnóstico psiquiátricos nas redes sociais vamos conversar [Música] nesse vídeo eu vou falar das minhas maiores angústias nestes tempos na realidade já há alguns anos nesta internet tanto como usuária quanto como professora psicóloga psicanalista profissional de saúde mental que é a banalização do diagnóstico psiquiátrico esse termo foi usado no jornal da USP numa matéria que saiu que eu já vou falar sobre ela o que que é banalização diagnóstico psiquiatra é esse fenômeno de falar sobre diagnóstico psiquiátrico os
outros mentais de uma forma muito simplificada que já vemos há muitos anos mas que eu acho que se intensificou com o advento dessas redes sociais focadas em vídeos curtos como Tik Tok e em especial eu dou destaque ao TDH transtorno de Déficit de Atenção e hiperatividade Então nesse vídeo eu quero começar uma conversa com criadores conteúdo dessas redes que querem falar sobre diagnósticos psiquiátricos sejam seus enfim ou não e também com profissionais e pesquisa de saúde mental conhece alguém assim já manda esse vídeo e já fica aqui também que eu vou conversar com você sobre
alguns riscos e problemas em conversar sobre isso como promoção de fake News sobre saúde mental risco de propagar o hábito diagnóstico a responsabilidade que devemos ser por quem nos assiste quando falamos sobre isso e o quanto ao falar sobre diagnósticos podemos citar contribuindo para para pagar um discurso limitante e opressor sobre o sujeito inclusive ao final do vídeo eu quero quase te convencer que não deveríamos falar sobre isso tanto nas redes sociais Ou pelo menos pensar muito melhor antes de postar algo sobre saiu uma matéria no início desse mês estamos de 2023 no jornal da
USP intitulada olhei aqui gente redes sociais promovem banalização diagnóstico de transtornos mentais a psicóloga Clarissa Mendonça que é professora aqui na USP de Ribeirão e os professores prima querida se um dia lá nesse vídeo ela conseguiu uma entrevista falando dos problemas dessa banalização o link para essa matéria vai estar na descrição e até essa matéria que me deu inspiração para vir conversar aqui com você eu queria começar a conversar lendo alguns trechos dessa matéria aqui você também vai ler vai lá clica mais como lá a psicóloga Clarissa Mendonça conta que a hashtag antes da it
ansiedade em português registrou mais de 11 milhões de visualizações até o começo de 2022 e a hashtag TDAH mas e nove milhões um estudo publicado em 2022 analisou sem vídeos com a hashtag kit de TDH e concluiu que 52% deles caíram na categoria enganosa os demais vídeos totalizavam 27% de relatos compartilhando experiências pessoais em 21% foram classificados como vídeos úteis Ou seja a minoria deles os 52 vídeos definidos como enganosos 37 atribuíram de forma incorreta sintomas psiquiátricos comuns que existem vários outros transtornos e não somente no TDAH entendendo esse estudo que eles falam Eu também
tô colocando na descrição tá em inglês para quem quiser ler e perceba Este estudo e eu também estou falando aqui especificamente do Tik Tok porque bom além de fazer parte disso tudo tá muito em evidência é mais obviamente o que eu vou falar aqui gente também vale Instagram Facebook e YouTube que inclusive no conto do conteúdo que eu publico aqui e tenho assistido e assisto muitas coisas relacionadas à saúde mental começam a aparecer nas recomendações de vídeo para mim do tipo sinais e TDH em adulto veja se você pode ter autismo e outras coisas eu
quero morrer Tá mas qual é o problema nisso então o primeiro já estou dizendo aqui é a banalização banalização do diagnóstico psiquiátrico queridos o processo de Diagnóstico para alguém descobrir ou ganhar um diagnóstico é muito criterioso e pode ser bem demorado aliás um bom processo diagnóstico porque tá cheio de psiquiatra por aí que faz umas consultas de 10 minutos e nunca viu o sujeito antes e já batem uma canetada em um diagnóstico no sujeito e aqui já tá uma dica se você for no Psiquiatra ele já em 10 minutos dizer o que você tem desconfie
Ok porque um bom processo diagnóstico leva tempo e é bem complexo uma boa anamnese que enfim um tema aí para os processos compartilha muita avaliação psiquiátrica ou psicológica ela levanta toda a história pregressa do sujeito idade de rotina família dado de trabalho padrões de comportamento sintomas frequência dos sintomas etc etc etc isso porque eu tô falando de processo de avaliação psiquiátrica ou psicológica Mil Anos de processo de avaliação em psicanálise que a coisa ainda mais demorada mais complexa tem outros parâmetros enfim mas percebam que dependente de todas essas áreas um bom processo diagnóstico é feito
de tudo essa investigação além de investigar obviamente o conjunto de sinais e sintomas portanto é necessária técnica e tempo para coletar todas essas informações aí vem um ser que sente autorizado sabe-se lá pelo que a falar sobre esses diagnósticos e fenômenos sem no mínimo de conhecimento Ou pelo menos de uma consultoria ou supervisão de profissionais de saúde e sai falando e o que acontece o seguinte se alguém vai buscar esse conteúdo geralmente Ela já está no angústia e todos nós vivemos com nossas angústias e buscando respostas ainda mais esse momento de contemporaneidade que são tantas
informações encontradas dessa bagunça de excesso de estímulos que nos colocam nesse estado de ansiedade de busca por respostas e aí encontramos esses vídeos que podem descrever algumas algumas não todas algumas características nossas e nos falando olha é isso que você tem esse seu diagnóstico E aí considerando os processos de Identificação do nome psiquismo essa necessidade que temos de nos sentirmos pertencentes e explicado se encontram com esses vídeos com explicações simplificadas que parecem parecem responder a esta sensação de inadequação que sentimos e se há um mínimo de identificação com aquilo podemos tomar como verdade ou seja
é como se se estimulasse esses vídeos estimulassem um alto diagnóstico e quando falamos na área de saúde mental ninguém esse auto diminutica isso acontece em outras áreas também não só com pessoas físicas sociais também mas aqui estou chamando atenção para o campo da Saúde Mental especificamente inclusive porque vou ler mais um trecho da matéria aqui com vocês o estudo citado avaliou Também quem eram os os vídeos e descobriram que 89 deles foram feitos por pessoas que não eram Profissionais de Saúde ou seja um número enorme de conteúdo que ensinava a diagnosticar o TDAH foi feito
por pessoas despreparadas profissionalmente é acabei de dizer para vocês da complexidade que é fazer um diagnóstico do risco da tendência identificação e da promoção do alto diagnóstico e aí temos Esse quarto problema que é dar informações falsas ao sujeito estamos no momento da sociedade combatemos tanto as fake News fake News política Por que que nós não estamos combatendo tão bem essas dimensões de fake News sobre saúde mental e saúde nós não estamos dando a devida Atenção se quem está produzindo conteúdo sobre saúde mental tem a formação mínima para falar daquilo nós acabamos consumindo-se nenhum tipo
de crítica e de regulação isso me faz lembrar uma frase que minha mãe me dizia muito antigamente que é papel aceita qualquer coisa hoje eu digo que internet aceita qualquer coisa então cuidado vamos lá o mínimo que deveria acontecer em conteúdos relacionados à saúde mental era ter uma indicação bem clara de que se a pessoa se identifica ou está em sofrimento psíquico ela deve buscar ajuda com profissional de saúde mental ou ainda no serviços públicos de saúde e de saúde mental até vou abrir o que um parentes rápido para falar sobre essa implicação com serviços
públicos de saúde mental em termos uma discussão muito importante que é nós temos falando e postando esses diagnósticos para gerar comoção e ganhar likes Mas será que há uma responsabilidade mínima sobre aquele e aquela que está assistindo a esse conteúdo outra coisa que acontece é que estão cheios de clínicas psiquiátricas psicólogos e supostos terapeutas por aí que falam nos diagnósticos sintomas nesses vídeos imagens Carrossel etc para que você possa identificar se identificar fazer um auto diagnóstico achar que tem um problema e procurar quem eles mesmo eles costumam cobrar bem caro né no tratamento e aí
eu não vou nem entrar aqui numa discussão mas ética e política e profunda relacionado aos serviços públicos de saúde mental porque o cuidado em Saúde Mental no Brasil acontece Principalmente nos serviços públicos de saúde no nosso Surf a maioria da população que tem que as pessoas relacionadas à saúde mental estão no sul e aí será que todo mundo também está implicado que aquela tanto de saúde mental mas está minimamente fazendo essa discussão também política de quem tem acesso ao cuidado acho que não aí tem outra modalidade que inclusive Esse estudo fala que é do relato
pessoal ou seja a pessoa quer falar da vida um relato pessoal convivendo com determinado diagnóstico tth depressão enfim e eu também tenho muita salvas Contra isso muitas primeiro porque eu me pergunto porque que as pessoas escolhe colocar aquilo na internet deve ter alguma questão ali para ela mas uma pessoa sempre mais que seu diagnóstico vou repetir a pessoa é sempre muito mais que o próprio diagnóstico e porque exemplo tem uma influenciadora criadora de conteúdo na internet de uma mulher gorda que eu gosto muito do conteúdo dela ela faz conteúdos muito legais sobre empoderamento mas aí
ela me coloca cantando na descrição em vídeo dizendo o transtorno afetivo bipolar dela porque se discute muito que isso traz humanização para discutir que somos seres complexos a vida não é sempre boa e linda Como se colocam aí nas redes sociais muitas vezes né conhecedores têm a intenção de dizer que as pessoas não estão sozinhas que esses sintomas acontecem que é uma estranha Ok a intenção é até boa porém a pessoa vai ouvir aquilo se identificar achar que tem algum problema ou vai se sentir acolhida por um momento ali no vídeo e depois o que
que ela vai fazer a partir disso vai precisar de alguém que esteja de fato com ela na vida real não só no mundo virtual aí se você quer dizer sobre isso seu vídeo deveria ter no mínimo uma indicação bem colocada de que aquela pessoa deve procurar ajuda canal com Profissional ou nos serviços públicos de saúde Eu acho que isso é um mínimo a gente não é ideal mas é o mínimo eu acho o ideal até complicar na gente falar em vídeos nessas redes que esse vídeo assim no máximo três minutos como que a gente discute
essa complexidade diagnósticos e saúde mental em vídeos de 3 minutos então por isso necessário pensar tanto pensar bem antes de postar conteúdo para o outro mas vamos continuar conversando aqui tem um último ponto tem a ver até com posicionamento ético e político diante do mundo mas antes de eu falar desse ponto específico se você tá achando legal esse vídeo já deixa um like para mim aqui vai isso me incentiva continuar produzindo conteúdos bom veja as redes sociais elas prejudicam saúde mental só pela forma que ela funciona em si vários estudos Inclusive eu posso fazer um
vídeo específico sobre isso que mostram uso exacerbado que a gente tem das redes sociais levam a dificuldades de concentração promove ansiedade isolamento enfim e aí Além disso agora elas estão sendo responsáveis por propagar discursos falsos sobre o sofrimento psíquico discursos medicalizantes e de patologização da vida essa patologização difícil que que significa tornar patológico tornar doença muitas vezes o que são fenômenos humanos a medicalização também tem a ver com isso quer tornar por algum problema médico que é da dimensão humana que é só um fenômeno humano que cada vez mais nós estamos estudando diagnóstico diagnóstico diagnósticos
para sempre para baixo dessas redes tudo faz parte de um discurso médico especificamente psiquiátrico e a psiquiatria ela é uma uma das várias visões que nós temos sobre o ser humano Inclusive essa visão psiquiátrica psiquiatras vocês também tem que simplificar nisso né foram responsáveis por discursos dopressores de exclusão e de abusos contra o sujeitos à margem da sociedade eu falo um tanto disso no vídeo sobre a luta de manicomial primeiro vídeo do canal vou deixar o link aqui na descrição inclusive essas pessoas muito bem intencionadas colocando sobre discursos psiquiátricos na internet bem intencionadas tivessem esse
letramento relacionado à saúde mental conhecer sem história da psiquiatria e todo o seu conluio com discurso tão opressores aos diferentes gente pobres LGBT mulheres se as pessoas conhecessem estes discursos né E essa história eu tenho certeza que pensariam melhor em sair reforçando e propagando esse discurso por aí esses discursos que querem falar do sujeito a partir de uma ótica da doença da doença não do que quando falamos em diagnóstico psiquiátrico falamos a partir da doença e você quando fala a partir dessa perspectiva Tira o foco do sujeito com todas as suas complexidades e suas riquezas
inclusive Tira o foco de questões sociais quando a gente fala só de doença e botar dois exemplos aqui para vocês entenderem um pouco desse discurso problemático que a psiquiatria teve tem dois exemplos em 1990 até 1990 a homossexualidade que não era nem chamada homossexualidade era chamada de Homossexualismo sufixo de doença era considerada uma doença só a partir de 1990 que Organização Mundial de Saúde pastor a não considerar homossexualidade uma doença se é doente por ser gay então perceba né que esse é um discurso que reforça que tudo que fugia a uma lógica colocada pelo homem
hétero Cis Branco podia ser classificado como doença um segundo exemplo que eu vou dar é de uma doença Olha só uma doença que era chamada de doença que era o banzo lá na décadas de 1800 enfim durante toda a escravidão no Brasil começaram a ser classificar essa doença chamada banzo que eram sujeitos negros escravizados que se deprimiam de uma tal forma que parava de comer parava de interagir e chegavam até morrer eles diziam Olha tá vendo É uma doença para psiquiatra que você fala não tinha enfim mas é doença dos negros escravizados para lá doença
Será que isso não era justamente uma manifestação frente a todas as violências que esse povo sofreu não é justamente uma manifestação frente da própria terra a violência colocava um navio caríssimas de abusos chegar numa terra que não conhece ninguém não fala a língua escravizado E aí a gente coloca no nível individual O que é da questão coletiva então aí eu vejo esses influências essas pessoas cheias de boa intenção fome gente vamos lá olha que tipo de discurso estão reforçando E além disso você é sempre mais do que o seu diagnóstico por que que eu amamos
como parte de uma doença o que pode ser apenas características quando a gente fala que é doença a gente é justamente coloca o problema no sujeito não na sociedade que Produza a doença então percebam que além desses problemas monalisação fake os problemas práticos que eles também isso traz para atuação de profissionais de saúde mental ficar falando aí né psiquiátrico esse tipo de conteúdo serve para reforçar essa ideia hegemônica dominante depressão e de simplificação do sujeito enfim prolongar muito aqui queria dispensem uma duas três vezes quatro antes de postar conteúdos relacionados a diagnósticos psiquiátricos inclusive mesmo
que você seja um profissional da área lembre-se do Cuidado sobre quem vai estar aí assistindo e de que forma essa mensagem vai chegar e obviamente minimamente Fale para o sujeito procurar ajuda profissional seja com profissionais ou serviços públicos de saúde mental e saúde ah Lembrando que psicólogos sem resoluções do código de ética profissional que colocam de forma bem explicadinha como devem ser feitas essas comunicações relacionadas à saúde mental saúde psíquico enfim da psicologia e também sobre propagandas eu vou deixar aqui na descrição um link para o site do crp no Paraná eu achei bem interessante
com essas orientações e além que eu falei lá em cima tem também esse vídeo aqui que eu já vou deixar de indicação para quem gosta dessa conversa sobre diagnósticos