E aí, as Narrativas Compartilhadas tem o prazer de ouvir, hoje, o nosso querido professor Luiz Fernando Gomes. Luiz Fernando Gomes, um grande amigo, trabalhou conosco na Uniso durante muitos anos. Depois, ele vai contar sobre isso, principalmente ligado ao curso de Letras e depois junto ao programa de mestrado da Uniso.
Ele foi o principal responsável pela implantação do setor de educação a distância na Uniso e, inclusive, sobre isso, ele escreveu um livro sobre os dez primeiros anos da Ilha de Da Uniso, que ainda não foi lançado, né? Atualmente, o professor Luiz Fernando está na Universidade Federal de Alagoas, em Maceió, na área de Letras. Luiz Fernando possui doutorado e pós-doutorado pela Universidade Estadual de Campinas em Linguística Aplicada, na área de função de linguagem e tecnologia.
Ele também fez o doutorado na Unicamp, na mesma área, e mestrado pela PUC de São Paulo, em Linguística Aplicada aos Estudos da Linguagem. É formado em Letras pela Universidade de Sorocaba e é professor concursado pela Universidade Federal de Alagoas. Atualmente, ele leciona na Faculdade de Letras, no Programa de Mestrado Profissional, e faz parte do grupo de Linguagem e Tecnologia da Anpoll.
Ele foi presidente da Associação Brasileira de Hipertexto e Tecnologias Digitais no biênio 2010/2012 e vice-presidente, também, no biênio de 2016 a 2018. Foi editor da Revista Question da Uniso no período de 2011/2013, editor da Revista do Leitura O Fal, de 2015 a 2017. Os principais temas com os quais o professor Luiz Fernando trabalha são: Linguística Textual, Hipertexto e Multimodalidade, Relações Verbal e Não Verbal, Leitura e Escrita em Dispositivos em Ambientes Digitais, Linguagens, Tecnologias e Ensino Presencial e a Distância, e Multiletramentos.
Ele é autor dos livros Hipertextos Multimodais: Leitura e Escrita na Era Digital, Hipertexto no Cotidiano Escolar, Hipertexto Revisitado: Novas Perspectivas para o Ensino e Pesquisa, e Ensino Palavrando. Também escreveu o livro de poesias "Sebastião: Meu avô, pai da minha mãe", e "A Mão que Fazia Desaparecer" em "Outras Histórias Impossíveis", um livro de contos. Em dois dos livros dele, eles estão aqui comigo.
Esse aqui, que é o "Palavrando", ele aparece em uma ar inversa, né? Mas é uma palavra orando, e que é a mão a fazer desaparecer. As ilustrações são do Liz Hernando, que é um artista que está utilizando bastante suas habilidades, tem feito muitos desenhos e, por aí vai, ao longo da sua trajetória.
Ele está atualmente lá em Maceió e, se você vir, isso não é possível. Este momento estamos fazendo esta entrevista de forma remota, pois não pude ir até lá, né? Seria uma delícia poder ir até lá.
Então, estamos aqui fazendo essa entrevista. Professor Luiz Fernando, querido, seja muito bem-vindo! Bem-vindo a esse espaço das Narrativas Compartilhadas.
Inclusive, quero dizer que foi o Renan quem motivou a criação deste espaço. Ele sugeriu criar o blog para colocar estas entrevistas, que inicialmente estavam sendo feitas somente para uma retomada do texto inicial do meu mestrado, que foi "Teatro na Escola: Trajetória de um Professor de Português". E foi sugerido que transformássemos as entrevistas no blog, para que outras pessoas também pudessem acompanhar.
Fernando, muito obrigado desde já pela sua presença! Seja à vontade! A palavra é sua agora.
Eu vou ficar a maior parte do tempo meio quieto. Não sei se vai ser possível, é meio difícil isso acontecer, mas fique à vontade. Agora, quero ouvir a sua história, desde a sua infância até a atualidade, sobre tudo o que você quiser contar, tá bem?
De vez em quando, logicamente, eu faço algumas puxadinhas, mas vou fazer alguns blocos de 15 a 20 minutos, tá? Então, pode ser que, em certo momento, nós façamos uma pequena interrupção e depois continuamos com você. Bom dia, Roberto, a todos e a todas que estão nos vendo e ouvindo.
Agradeço imensamente a esse seu convite, a possibilidade de contar algum pedacinho da minha história no âmbito da educação. Eu tenho certeza de que representa a história de muitos de nós que estamos hoje trabalhando com a educação. Agradeço muito estar aqui com você, com vocês, nessa segunda-feira ensolarada em Maceió.
Bom, eu fiz um pequeno roteiro. Eu vou tentar fazer um contexto inicialmente, Roberto, depois eu vou contar alguns detalhes a respeito de algumas épocas da minha trajetória educacional. A minha intenção é dizer a todos e tentar mostrar como é que a gente vai se construindo, como a nossa identidade de professor e pesquisador, como é que isso vai sendo construído e sedimentado ao longo do tempo.
No final, isso ajuda a gente a perceber e entender por que as pessoas são como são, por que elas agem e reagem de determinadas maneiras, de acordo com cada circunstância, especialmente no ambiente escolar, que é o nosso foco. E entendendo isso, fica mais fácil entender também por que nossos alunos reagem de determinadas maneiras, por que uns gostam de uma coisa e não gostam de outra. Enfim, as narrativas têm essa possibilidade de nos fazer retornar um pouco aos nossos espaços.
Já caminhamos por muito, e eu vou fazer uma reflexão sobre quem somos nós, afinal de contas, e por que agimos dessa forma. Quando eu chegar no final, você vai poder constatar que muitas das lutas que tivemos em relação à educação e tecnologia se encaixam aqui nessa minha fala. Então, vamos fazer o seguinte: recorta a minha fala, começa em 1959, quando eu nasci, e termina em 2020.
E nós estamos, nesse momento, eu diria, vivendo o que chamamos de um darwinismo social, sabe? Na minha época de desistência, esse darwinismo social selecionava as pessoas que tinham famílias de melhor educação e maior poder aquisitivo, enfim, para as melhores escolas, uma das melhores. .
. Universidades para os melhores empregos, a escapar desse da digníssima social. KGP, nascido pobre, é nascido nas condições desfavoráveis.
E poder chegar a algum lugar é, em sentido, na forma de dizer para todos, né? E somente para a gente que viveu isso, mas pensar com todo mundo que é possível. A gente não ser determinista com relação a essa perspectiva da grismo social, não é?
Não é meu nome, que é do Fernando, né? O Fernando já vem de um professor; a minha mãe e meu pai gostavam de um professor Fernando e, quando eu nasci, foi uma homenagem ao professor. Então, parece que eu já nasci com alguma predestinação para essa parte.
De um modo geral, a parte de ser assim, que meu pai era um autodidata. Na época do darwinismo social, em que ele nasceu, década de 30, as condições eram mínimas para estudar. Então, ele estudou neste culto radiotécnico, monitor a distância.
Eu até hoje, em casa, os caderninhos que ele fez, estão tão amarelados. Já nesses títulos do rádio técnico de peças e o soldador, vinha capacitores, resistores e válvulas, né? E foi ali que ele começou a consertar ferros de passar roupa e rádios, e foi estudando, comprando revistas, acompanhando a evolução da tecnologia.
Lembro até hoje quando ele foi mostrar para mim o surgimento de uma coisa. Era impressionante na época! Ele falava, olhando, esperando inventar outras coisas para ele; para ele ficar esse trânsito.
Não é uma pecinha de silício pequena, desse tamanho que a válvula. Você sabe, aquela válvula assim para nós. E como é que funcionava?
"Pega esse livro aqui. Lê o transistor PNP, NPN, tá? As três pedrinhas, né?
Positivo, negativo, positivo. " E fazia as vezes da válvula. Ele foi estudando, depois eu queria; estou aqui, é um negócio que veio e depois eu tinha lido os integrados.
Daí, ele abandonou chassi, passou daquele fácil de metal e passou para as placas de circuito integrado. Tudo sem mestre, lendo nos livros, nos serviços que chegou. Então, depois, ele foi técnico da RD, Certa Rádio Clube; na hora da mudança para um outro lugar, uma outra série, foi ele que construiu todinha a rádio, do começo até o fim; os estúdios, ele era a manutenção, está.
Os transmissores ali na Vila Jardini, né? Perto do João de Camargo, por ali. E depois desse calor, do zero, também a Rádio Ipanema e foi também a manutenção lá.
Então, ele fazia tudo que um engenheiro faria e assinava as obras, porque tem que fazer. Meu pai, mas ele não podia assinar. Por quê?
Com ela, hum. . .
ninguém! E ele também sempre consertava minha sonata que usava na sala de aula para dar aula de redação. E foi uma das formas que eu entrei na casa do Luiz Fernando.
A consequência, a mãe dele, coisa maravilhosa! E principalmente bolo de milho, que o Luiz Fernando sabe fazer muito bem também, e o cafezinho. Hoje, foi bem, Roberto.
Então, aí, Lucas, não tem na outra uma outra característica importante na minha formação: várias plantas, mas uma outra é a avidez pela leitura. Então, ele tinha, por exemplo, todas as seleções do Reader's Digest, né? Era uma publicação importante na época.
Eu assinei em 56/57 e a gente guardava batida embaixo do sofá-cama, né? Que seguia o seu pátio, um lugar. Eu li todas!
Aqui ele tinha coleção completa do Monteiro Lobato, obra adulta, como chama, né? Da obra infantil. Nunca li completamente, mas a adulta eu fui varrendo toda.
Sabe, encadernação maravilhosa! E depois, com a nossa anuência, né? Principalmente a minha eu acho que ele ia mesmo.
Ele se chamava Amanda de Oliveira Lima, nosso grande amigo, padrinho. Porque ele foi à cadeira dele na Academia Sorocabana de Letras, o apresentador me distanciou do seu Lobato. Mas já comprei os livros novamente, tem o vidrinho, e foi ótimo.
Aqui, se tivesse ido para as mãos de uma pessoa que nós admiramos muito e pensa, a personalidade parecida para dormir. Alias, eu sou muito parecida com ele também, em algumas irreverências. Meu pai, um leitor ávido da coleção Saraiva.
Ele tinha muitas, eu li tudo aquilo. Tudo bem! Ela teve uma boa influência em minha neta, para mim, nessa parte.
E nem subindo, outro lado essa ideia na aprendizagem autônoma, né? Fazer o que a minha mãe, como você bem falou. Ela era quase analfabeta, mas ela me ensinou a ler jornal diariamente, todo dia.
Eu ficava ali, mastigando, pelo menos as manchetes. A Bia me aconselhava a ficar de manhã lendo o último jornal. Eu também me acostumei de tal forma, que hoje é uma atividade incorporada.
Minha mãe também era muito boa de costura, você está falando de Marcelo, tá vendo? Então, ela fazia primeiro roupa para nós. Naquele tempo, não existia roupa de boutique, né?
Eu me lembro que a camisa que fui comprar, que foi comprada em loja, foi na SE Magazine, ali perto da panela. Ela fez a primeira camisa que eu tive; que veio o preço contado e alinhavado e costurado e acabada numa fábrica, né? Todas as roupas eram feitas por ela.
E dela eu aprendi muito da costura. Muito na pasta, sem pregar botão, costurar meias. E muito das encadernações que eu faço hoje, eu gosto de costurar.
E as minhas val, os cadernos do A Cada Livre que eu faço, são inspirados nela. E às vezes me vejo até imitando alguns trejeitos dela, como cortar com a tesoura, medir com régua, riscar com giz, sabe? E o barulho da tesoura na mesa, quando tá cortando o tecido.
Eu ainda me recordo e me inspiro nela, quando estou fazendo esses trabalhos. Então, para mim, é uma alegria! Tenho uma porção de carretéis, de retrose, de agulhas para poder fazer isso!
Né, essas costuras, é, ela me ensinou muito sobre culinária. Eu chegava na casa dela, ela começava a fazer alguma coisa que eu gosto de comer e eu ficava observando. E ela não se dava conta de que eu estava de olho no procedimento.
Pela hora que ela parava, me explicava o que ela tinha feito, a quantidade de ingredientes. Eu repeti aquilo várias vezes. Depois disso, tudo ia para o papel, escrevendo um livro de receitas.
Não pelas receitas que não têm nada de especial, mas pelo acontecimento. Cada prato, cada coisa que ela fazia tinha a ver com a gente, sabe? E com todos que frequentavam a nossa casa.
Então, hoje, eu gosto muito de cozinhar para matar a fome. Não sou desses que prometem zilhões na plenária, mas eu sei fazer qualquer prato suficiente para me sentir bem e para as outras pessoas também. Mas o mais curioso disso eu queria dizer é que, em relação ao meu pai, ele compartilhava todo o conhecimento dele de eletrônica comigo.
Eu deixava eu ver as revistas, sentava com ele horas e horas lá no porão, que você inclusive conheceu, e ninguém estava a vontade para fazer tudo o que ele fazia. E ele também me ensinava, sabe? Eu gostava muito de trabalhar com ele, montando amplificadores de som para instalar nas lojas.
Não tinha porque não existia rádio FM ainda, né? E se a gente tinha uma linha telefônica, eu colocava as músicas lá na minha casa, na nossa casa, e chegavam nas lojas através de amplificadores, mesmo quando nós não estávamos em casa. Íamos a Santa Efigênia comprar coisas, aonde estava, diversas e depois instalar.
Íamos nas horas em que pagavam a prestação. A respeito disso, não estava se Mozart, não era nossa, é a do Gastão de Lima, né? Porque era diretor da tarde.
Mas o meu pai, como técnico, e eu, meu irmão um pouquinho também, a gente se envolveu com isso. Então, queria dizer isso, que eu vi uma troca de aprendizagem quando fui fazer o ensino médio no Liceu Pedro II, ali na Brigadeiro. Era eletrônica.
Eu levava as coisas que aprendi para ele e ele me mostrava ali na prática. Então, aprendi a ler esses componentes pelas cores, porque naquele tempo existia isso, né? Ele me dava uma porção de resistores dentro de uma caixa.
Para a Fernanda, ia lendo e se você quanto é quanto é quanto é. Só para potência! Então, muito do que eu via na teoria eu via na prática com ele.
A minha mãe, ela… outra coisa engraçada, porque eu estudava nas aulas de ciências com o seu Djalma, pai da nossa querida Maria Angélica. Isso é uma leque e flor, pois é. Foi minha colega ali também, mas ele era professor.
Então, toda vez que ele explicava sobre peixes, bexiga natatória, aquela linha de navegação, minha mãe comprava peixe, e eu ia ajudar a limpar, e ela limpava os peixes explicando. "Olha, mas isso aqui é bexiga natatória! " E ela explicava as outras, e a Sarinha.
Quanta gente! Muito comprava na época quando estudava, hábito, né? É outro, cansada da ciência, a gente estudar sobre essas naturais.
Naquele tempo não existia frango congelado, você também comprava ali na Rua da Penha, próximo à padaria Real, frango vivo, né? Amarrava no pé da figueira no dia de matar, puxar pelo pescoço e depois escaldava em uma água fervente, tirando a pena, abrindo, né? E ia fazer parte de todo esse processo.
Vinha um pouco até a hora de servir quente ou mesmo. Então, foi a mão também que, estudando, só devendo, a moela, a venda do fígado, vendo tudo do frango. Eu ia falar: "Olha, sabe como a galinha come?
Ela come o pedregulho para ir para a moela, porque como ela não tem dente, amor, ela é que tritura os alimentos, o milho e tal. " Então, eu tinha uma troca de informações com ela muito interessante, muito interessante mesmo. Na culinária, ela gostava de flores e plantas, como você sabe.
Então, quando eu estudava a parte dos vegetais na escola, eu ia também lá olhar as plantas dela e falava: "Olha, amanhã acorda essa planta, por que que ela é mais verde? Por que que a menos? Por que que essa é mais roxinha?
" Né? Porque, quando eu estudei o fototropismo, eu plantei um grão de feijão e colocava no sol para ver para onde a folhinha tirava, o olho! Amanhã, a planta procura a luz, né?
Então, na parte do cional, tive muita sorte de contar com esse diálogo. Teve uma época que eu já estava no ensino médio, ensino fundamental, na sexta série, e meu gosto era aí, no intervalo, ler os livros e revistas da biblioteca do Estadão. Aí eu chegava na casa dos meus pais e contava: "Olha, hoje eu já vi lá que se você demorar mais de 15 minutos para escovar os dentes depois da refeição, não adianta mais, porque ali já ouvi uma certa ação das bactérias na boca, não sei o que, já vai começar a estragar os dentes.
" Então, ela falava para meus irmãos: "Olha, 15 minutos. " Aí, estava esperando, tá falando aqui. E um dia eu fui lá no SESI jogar xadrez, e um dos meus irmãos estava com dor de estômago, eu não sei o que que era.
Ela mandou outro me chamar. Era um saco, ela tarde me chamar e dizia: "Fernando, corre para casa lá, que seu irmão tá doente, tá passando mal! " E o mais: "Sua mãe, cara, mamãe, gosta que você seja um médico da família.
” E ela falava: "Doutor! Sem Dr Carlos da medicina, mas vai lá e vou dar uma olhada lá que tá acontecendo com ele. " E subia lá correndo dar uma olhada.
Era uma criança, mas no lugar que a gente não tinha médico, não tinha nada, né? Ela me valorizava. O conhecimento é isso que eu quero dizer: não sabia nada, mas valorizava a informação para fazer da escola.
Era uma forma de fazer o mental, né? E, então, eu aprendi logo cedo que a gente tem uma educação formal. Ah, e tem uma educação, como dizer, a Maria Lúcia, nossa colega lá do mestrado, da educação familiar, que quer dizer que vem junto com a família nas coisas, né?
Eu fui descobrir, eu estava dizendo no começo, uma pessoa que aprende por conta própria, através do estudo da educação a distância, educação continuada. E foi assim que o meu pai fez a vida inteira. A minha mãe aprendeu a costurar aquelas revistas Manequim; eu vi um molde assim, muita coisa interessante.
E então eu percebi isso. E, claro, aqui no meu caso, veio o interesse científico; a minha mãe tinha interesse prático. Eu preciso aprender a costurar, fazer comida, porque tem a família, assim.
E o meu pai tinha interesse científico, de cada vez mais tentando entender os mistérios da tecnologia, né? No caso, da rádio eletrônica. E eu fui com esses interesses científicos também, né?
Sempre, né? E acabou até fazendo, depois, um dia, para nós. E você deve ter ouvido várias vezes dizer lá na Uniso: "não tecnologia quando estamos altos de datas", porque a gente sempre faz aquilo que a gente não sabe, né, Roberto?
Então, nós mesmos, antes de começarmos aqui, aprendemos na troca, na interação com o outro, qual seria a melhor forma como arrumar a câmera, etc. Então, fui fazendo coisas que a gente não tinha feito antes, destemido, assim, com relação a fazer as coisas, né? A vida foi aqui, marcou para mim.
Por isso, me envolvi mais tarde nessas questões de educação, tecnologia, linguagem e tecnologia. Olá, tudo faz um certo sentido para mim agora, né? Tudo faz um certo sentido.
Indo para uma segunda parte, eu nasci em 59. Em 1966, eu estava fazendo, ali, entrando na primeira série, né? Sete anos de idade, na primeira série, no Estadão Doutor Júlio Prestes de Albuquerque, né?
Ele estava vizinho de onde você trabalhou, que era uma carga. E, na verdade, estudei também no Liceu Pedro II e no Estadão. Também nossos recursos eram parecidos.
Eu fiz Agrimensura na igreja e depois fui estudar no Estadão, que acabei me tornando para fazer o primeiro. Passei pela Ozzy, né? Olha, a Mirna foi minha aluna, a minha professora de português, né?
Vamos ver, aí, no Estadão, trabalhei com o Tortello, né, que foi também meu professor, daí, em Letras. Pois bem. Um oi, Terezinha de Jesus Gomes, também vou falar dela aqui.
Inclusive, maravilhoso, Roberto! Em 66, era o Castelo Branco, né? E o Costa e Silva.
Era um regime militar. Era muito interessante, porque a gente tinha que usar uniforme: calça cinza escura, ou do exército, meio cinza, polícia civil; calça preta, camisa branca com bordado no bolso aqui do lado esquerdo, bordado com linha, né? Não estampado como hoje.
E tinha que entrar em fila; esse negócio de um metro de distância do coronavírus aqui era prática. Nós tínhamos que estender a mão e ficar do lado do colega, né? Era mais ou menos assim.
Mas você chegou. . .
você também chegou naquele momento. E a diretora entra na sala, e todos ficam em pé, um dragão. Ele mousse, né?
Muito linda, gente. Mas era uma boa pessoa, sim. Era época, né?
Eu me lembro muito de um colega nosso que talvez você conheça. É uma pessoa muito boa, muito bacana, que tornou-se advogado, o Maciel. Só me lembro desse nome.
É um pouco mais dela aqui, ela fez Direito e andava com a bandeira do Brasil, assim. É o Marcelo! É o presidente do Sorocaba Clube, né?
Aí fora agora, não tenho certeza, mas ele sentava sempre ligado, essa é a fazer organizações na cidade. Um cara muito interessante. Ele sabia, e eu me lembro que ele já levou isso incorporado lá no Estadão, sabe o Marcelo, é bom.
Então, aprendemos usinas. Eu preciso lembrar, você lembra que ano era isso do Maciel? Olha, eu tinha sete anos, tá?
66 deve ter sido, entre 66 e 70, mais ou menos. É, mas em 970 é outra coisa, e outra. .
. Perto, eu ia na sala de aula com a bandeira, na época, do primário, que chamava, né? Isso.
Mas em 1970, você também estava de série, mais ou menos. Ela tem 66 com sete anos e diz que falava na quarta série do primário. A vacância do Knight era de 11 para 12 anos, o tempo, tá?
Bom, então não sei se é o mesmo. Porque, em 1974, eu dei aula lá no ensino médio, né? Terceiro ano.
E aí que tinha um Maciel. Eu não sei se é o mesmo. Olha, até seu mesmo, viu?
Pode até ser o mesmo. Uma baba, se o cabelo loiro e, se não me engano, ele é de Piedade, aqui, com o cabelo liso, assim, baba do seu próprio. É bom e claro!
Professora Terezinha que você falou, eu acho que aquela que mora na Rua Amazonas. Morava no céu? É, imagina que sim.
Mas nós estivemos juntos, até por iniciativa sua, no salão de esportes da Uniso, Trujillo, quando do lançamento do livro daquele professor de espanhol, de vendas, Cátedra Ibero-Americana, alguma coisa assim. Você se lembra? Ele, o modelo?
Exatamente. Oi! E ela se comoveu muito quando eu me apresentei a ela e disse de onde eu a conhecia, né?
Tirei fotos com ela na máquina fotográfica dela. Aquele tempo não era celular, mas foi muito bacana. Então, tem uma lembrança boa dela, fica também da professora Dulce, a de Língua Portuguesa, lá no Instagram.
Isso mais tarde, né? No ginásio, como você disse, a professora Rita que ensinava francês. Mas, quando terminei essa fase, o meu passeio no intervalo era fazer um chute em volta das quadras de basquete e futebol de salão de cimento que estavam sendo construídas.
Era uma campeã que, naquele saquinho que vem com refrigerante, a gente furava e jogava figurinha do bem, Uri. Arcos do Rio me leva a pior cobra, Monte. Também é isso, assim, baixa o jogo do Vasco.
Exato, era assim a diversão. Curiosamente, falando da educação para estudar para as provas, eu ia na casa do meu vizinho, ali do bairro do Mangal, muito amigo meu, gente finíssima, o Marcos Pesado. O Marcos morava numa casa, e naquele tempo os quintais eram grandes, parecia o mesmo sítio do Picapau Amarelo, né?
Todos os quintais, Sylvinho, lá no fundo eram grandes, cheios de árvores, e nós fazíamos uma liteira, aquela de carregar Dom João VI na tela. Ele assentadinho, nós inventamos uma daquela, não sei muito bem de onde tiramos a imagem dela, mas fizemos. E ali, sentavam na frente do outro na limpeza para repetir o ponto, para decorar o ponto que tinha que decorar um pouco também, né?
E ela dizia: “Se você não estudar, porque ela aparece no Sítio do Picapau Amarelo, uma leiteira”, e nós matraqueando as historinhas. Eu me lembro muito bem, nesse tempo também, uma coisa curiosa: meditação. Temos dois cadernos, ou de casa, né?
Eles vão todos brincar da classe, encapados com seda verde e vermelha para não fazer confusão. E todo dia, ou a cada dois dias, não tenho certeza, tinha que passar o dedo de classe para casa, levar, deixar bem bonitinho, devolver para a professora, que ela dava nenhum visto. O bicho era dado com caneta, com lápis vermelho, porque também não existia a caneta Bic nesse tempo.
Então, me lembro que eu passava por uma fase, a primeira fase, aprendendo a escrever. Lá tinha até um lápis que era cor amarela, bem clarinha, que ele era sextavado, não era redondinho. Comecei a gente ter agora um lápis delicioso de escrever.
E, depois de dois anos, a lápis, a gente perguntava à professora: “Quando é que a gente vai aprender a usar tinta? ” Ela dizia que ia chegar. Só aí chegou à nossa mesa, já no segundo ano.
Era a caneta tinteiro. Então, meu pai teve que comprar uma caneta tinteiro para Sílvia, minha irmã, uma Parker 21. Naquele tempo, ela tinha a noção de valor da outra, né?
E, quando chegou a minha vez, não dava para comprar uma faca, e compramos uma 007, eu acho que chamava, porque tinha os cartuchos que a gente colocava ali para ir trocando. O cartucho já não era de bom dia. A minha irmãzinha tinha a 21, tinha 51, e as carteiras, um avião, além de biquíni, fixadas na nossa toalha da sala.
Ainda tem um buraco para você colocar o dia inteiro. E eu me lembro disso muito, porque hoje, quando eu vou trabalhar com Marquinhos, a minha mesa não tem buraco. Então, vira e mexe, o vídeo dele assim: “Vida!
”, e ele estragou tudo que está em volta, sabe? É um desastre total. Por isso o furo era uma boa ideia.
E hoje eu pego a pena do. . .
olha só que daí, às vezes, eu, muito agitada, derrubo aqui e faço mais uma sujeira. Milagre! Penedo, que banda!
Uma pequena pausa na parte da caneta tinteiro, né? Agora, tá com tanto a parte de dentro de uma continuidade. Tá bom, é só fazer algumas pausas.
Então, como eu falei, algumas pausas para a tua civilidade, aqui quem queira assistir, licorzinho em blocos separados, né? Permite que faça isso, tá bom? Ou então também pode continuar em seguida, tá bom?
Então, agora é só uma pequena pausa para quem está nos assistindo. Uma pequena pausa e, daqui a pouco, voltamos. E até já!