Olá, moçada! Tudo bem? Bom dia!
Sejam bem-vindos de volta. Baita prazer encontrá-los aqui para mais uma meditação estóica. Hoje, dia 7 de março, com uma meditação que foi extraída, na verdade, do Diógenes Laércio, que é uma espécie de fonte histórica, né, sobre diversos pensadores e obras.
E aqui, os nossos autores optaram por trazer um trecho de Heráclito de Éfeso, ou só Heráclito de Éfeso, que foi um filósofo pré-socrático de extraordinária importância. Vocês vão se lembrar de uma das máximas mais conhecidas dele: "Nós não podemos entrar duas vezes no mesmo rio; a segunda vez, nós já somos outros, o rio é outro. " Mas claro que a filosofia dele não se resume a isso.
É uma filosofia que porta diversos aprofundamentos. Mas Heráclito tinha uma concepção também sobre a ideia de não confiarmos em nossos sentidos, de não confiarmos demais naquilo que, num primeiro momento ou imediatamente, nós achamos ser verdadeiro. A condição humana é uma condição muito frágil, é uma condição muito primitiva, ao mesmo tempo extraordinária.
Mas nós nos fazemos uma série de perguntas a respeito das quais nós modulamos respostas possíveis, e muito facilmente nós nos deixamos seduzir por respostas que soam bem, que parecem fazer sentido, que nos tocam de maneira especial. Então, ele, Heráclito, mas não só Heráclito, toda uma tradição filosófica, vai dizer: cuidado! Cuidado com assumir afirmações, certezas, como coisas verdadeiras.
Permaneça num constante autoexame, porque uma das coisas mais difíceis da vida é o sujeito amadurecer a ponto de discordar de si mesmo. Isso, quando você encontrar essa pessoa, você encontrou um pote de ouro: uma pessoa que, diante de novas evidências, discorda de si e fala: "Realmente, eu estive errado, eu defendi essa posição, eu tinha uma pré-intuição a respeito, mas aqui eu vejo agora que não. Você me mostrou diferente".
E que não vai abandonar a condição de exame porque chegou a uma outra conclusão; vai continuar examinando. Então, uma pessoa que passou a vida inteira acreditando na mesma coisa, do mesmo jeito, essa pessoa não examinou a sua crença, não examinou a sua posição. Ela não cresceu, ela não evoluiu.
Como é que uma pessoa pode viver 80 anos defendendo exatamente a mesma ideia, do mesmo jeito, sem modular, sem aperfeiçoar, sem analisar arestas? Nasceu, piorou a vida inteira e morreu, morreu pior do que nasceu. Vamos à frase: Heráclito chamava o autoengano de uma horrível doença e a visão de um sentido mentiroso, uma horrível doença.
É o autoengano. Eu não tenho assim muita expectativa com relação a criarmos uma nova civilização, que a civilização vá ser algo extraordinário, que nós vamos ter pessoas que têm uma compreensão mais profunda da realidade, porque a maioria das pessoas prefere o engano ou autoengano. Entra aí nas redes sociais, vê aí uma série de coisas, vocês vão ver: as pessoas querem ser enganadas, elas gostam de ser enganadas, elas apreciam a ideia de não se examinarem, porque dá trabalho.
Às vezes, eu faço um vídeo com uma reflexão um pouquinho mais complexa, aí alguém me diz assim: "Podia fazer isso esquematizado. " Fala: "Pera aí! Que isso é macaco?
" Aliás, tem gente que tem que ir menor do que de macaco. Você não consegue, como ser humano, estabelecer um pensamento um pouquinho mais complexo? Tem que ser tudo assim, de mãozinha beijada?
Pensar de maneira mais elaborada? Porque senão vai ser a vida inteira, leitor de almanac da Turma da Mônica! Tenha santa paciência.
Comentário dos nossos autores: a consciência de si mesmo é a capacidade de avaliar-se objetivamente, é a capacidade de questionar os próprios instintos, padrões e suposições. Questionar os próprios instintos, padrões e suposições: será que eu estou vendo mesmo aquilo que parece? Estou vendo?
Será que as coisas são exatamente como eu estou analisando? Ois, ois é um termo grego: autoengano ou opinião arrogante e incontestada requer que submetamos todas as nossas opiniões a um duro escrutínio. Então, o exis, esse posicionamento segundo o qual quanto menos sábio o sujeito, mais seguro ele é da sua posição.
Meu Deus, como a gente tá imerso nisso! A gente tá imerso nessa realidade muito dura de quanto menos sábio o sujeito, mais enganado, e por via de consequência, mais seguro ele está a respeito daquilo que ignora, mas pensa saber. Até os nossos olhos nos enganam.
Por conseguinte, isso é alarmante: não posso acreditar nem em meus próprios sentidos! Certamente você poderia pensar dessa maneira ou poderia encarar de outra forma. Como nossos sentidos são frequentemente enganados, nossas emoções excessivamente alarmadas, nossas projeções otimistas demais ou pessimistas demais, fazemos melhor ao evitar tirar conclusões precipitadas sobre seja lá o que for.
A condição do filósofo é uma condição de uma certa frieza na análise. Ah, Denis, mas aí a vida fica muito difícil! Bom, é uma escolha de cada um.
Ah, eu quero entrar na onda, eu quero é gritar, eu quero é sentir as emoções que a vida me oferece; cada um que faça as suas escolhas. Não é deixar de aproveitar, é aproveitar o melhor, aquilo que é mais legítimo, aquilo que realmente tem um sabor e um retrogosto, uma coisa que fica, que é saborosa, e não essas emoções gastas, esses saltos de adrenalina que não levam a lugar nenhum. Podemos fazer uma pausa e nos tornar conscientes de tudo que está acontecendo para então tomarmos a decisão certa: evitar as conclusões precipitadas, evitar as conclusões excessivamente otimistas, excessivamente pessimistas.
Olhar pra realidade como ela é. Como diria Ayn Rand: "A realidade existe. " O real está dado a “A é igual a A.
” Essa é uma notação lógica aristotélica da lógica clássica, né? “A é igual a A” e reconhecer isso faz de você, incrivelmente, um sujeito diferente. Olhar para um livro e falar assim: "Um livro é um livro" hoje em dia faz de você um sujeito diferente, porque.
. . As pessoas deliram.
Isso é um ato de justiça ou de injustiça? Isso é certo ou isso é errado? Isso é bonito ou isso é feio?
Então, quando você olha para uma coisa e diz "A é igual a A", a realidade é o que ela é. Você já se coloca num outro patamar de compreensão dessa realidade, que frequentemente tem sido negada, especialmente com uma nova cultura que tem permeado a nossa existência: a negação dos fatos; a sobreposição aos fatos de uma cobertura ideológica, uma cobertura de um ideal ou de um ideário que só esconde os fatos, como se os fatos fossem desaparecer de lá. E não vão; os fatos sempre se impõem a qualquer ideia.
Tenham um excelente dia! Aproveitem, porque nós só temos o hoje e, se tudo der certo, se tudo correr como pode correr, a gente se encontra aqui amanhã. Beijão!