Módulo 7 aula 5 Vamos falar agora sobre a modelagem. A modelagem é baseada na construção de novos comportamentos a partir de um repertório de respostas pré-existentes, ou seja, de comportamentos que já existem. Os novos comportamentos são alcançados por meio de duas coisas importantes: reforçamento diferencial de aproximações sucessivas.
Essa é, basicamente, a definição de modelagem, o uso de reforçamento diferencial por aproximações sucessivas. Vamos entender o que é reforçamento diferencial. Basicamente, trata-se de reforçar alguns comportamentos, ou seja, aqueles que mais se aproximam do comportamento-alvo, e colocar outros comportamentos, aqueles mais distantes do comportamento-alvo, em extinção.
Em outras palavras, reforçamos os comportamentos mais próximos do alvo e deixamos de reforçar os que se distanciam dele. Dessa forma, esperamos que o comportamento vá se modificando gradualmente conforme reforçamos alguns e não reforçamos outros. E o que são aproximações sucessivas?
Significa realizar mudanças de critério, ou seja, mudar gradualmente o critério de reforçamento em direção ao comportamento-alvo final que foi planejado. Assim, reforçamos diferencialmente alguns comportamentos e não reforçamos outros, mudando aos poucos o critério do que é reforçado, de modo que o comportamento existente vá se transformando na direção do comportamento final desejado. Vamos a um exemplo.
Suponha que eu queira ensinar uma criança a dizer "água". Essa criança, no momento, não fala "água", mas emite o som "a". Ela também emite outros sons que não são "a".
Se eu passo a reforçar apenas quando ela diz "a", esse se torna o primeiro passo da minha modelagem. Toda vez que a criança disser "a", eu reforço. Como quero ensinar a palavra "água", começo reforçando "a".
Ela passa a dizer "a" com mais frequência, pois estou reforçando. Ela diz "a", eu dou água. Ela diz "a", eu reforço com água.
Então, "a" passa a servir como um pedido por água. O segundo passo seria reforçar apenas quando ela disser "ua", o som final de "água". Mudei o critério, e agora o som alvo é "ua".
Reforço esse som durante um tempo. Quando a criança começa a dizer "ua" com frequência, avanço para o terceiro passo: "aua". Agora, só reforço quando ela disser "aua".
Por fim, o quarto passo: "água". Cada passo modifica um pouco o comportamento, aproximando-o do comportamento final, que é a palavra completa "água". Em cada passo, reforço as respostas mais próximas da meta e não reforço as que se distanciam.
Por exemplo, se no primeiro passo a criança disser "o", eu não reforço. Reforço somente "a"; no segundo passo, reforço "ua", e assim por diante até chegar a "água". Esse é um exemplo de modelagem de um comportamento vocal.
No entanto, a modelagem pode ser aplicada a diferentes dimensões do comportamento. Podemos modelar topografias de comportamento, como respostas motoras finas, respostas vocais (como o exemplo da palavra "água") ou habilidades como escrita cursiva. A forma do comportamento pode ser modelada.
A frequência do comportamento também pode ser modelada, por exemplo, o número de tarefas concluídas em cinco minutos. Nesse caso, posso aumentar a frequência de respostas em determinado intervalo de tempo. Também posso modelar a latência, isto é, o tempo entre a apresentação da instrução e a resposta do cliente.
Posso trabalhar para reduzir essa latência, ou seja, para que o cliente responda mais rapidamente. A duração da resposta também pode ser modificada por meio da modelagem, assim como a amplitude ou magnitude das respostas, como, por exemplo, aumentar o volume da voz de uma criança que fala muito baixo. Todas essas alterações são feitas por meio do reforçamento diferencial de aproximações sucessivas, ou seja, modelagem.
Para realizar a modelagem, algumas orientações são importantes. A primeira é selecionar um comportamento final que seja razoável, ou seja, que esteja dentro das possibilidades do cliente com base em suas habilidades atuais. O comportamento deve estar ao alcance do repertório do cliente, ainda que ele ainda não o emita.
Em seguida, devemos analisar esse comportamento final para identificar possíveis aproximações que possam ser reforçadas antes de chegar ao comportamento final, uma vez que ele ainda não ocorre espontaneamente. Devemos também determinar o critério de sucesso para o comportamento final. Quando poderemos dizer que o cliente atingiu o comportamento desejado?
Esse critério deve estar claramente definido. Outro passo é selecionar o reforçador a ser utilizado, geralmente por meio de uma avaliação de preferências. Precisamos ainda identificar qual será o primeiro comportamento a ser reforçado, ou seja, o ponto de partida da modelagem, e também prever os próximos comportamentos que serão reforçados ao longo do processo até se alcançar o comportamento final.
Esse comportamento inicial já deve ocorrer com alguma frequência no repertório atual do cliente. Ou seja, ele deve fazer parte da classe de respostas-alvo e já ser emitido, ainda que de forma esporádica. A modelagem só será eficaz se o comportamento inicial ocorrer minimamente, pois o reforço será aplicado de forma sistemática e consistente a partir daí.
Durante a modelagem, é importante eliminar possíveis distrações, como a presença de outras pessoas, televisão ligada ou brinquedos muito preferidos, pois esses estímulos podem atrasar ou até impedir o processo. Além disso, devemos seguir os passos da modelagem conforme planejado, reforçando algumas respostas em determinados passos e, em outros, exigindo mais do cliente antes de reforçar. Isso exige flexibilidade, já que o processo pode variar entre clientes ou até entre diferentes comportamentos no mesmo cliente.
Não devemos avançar para o próximo passo sem reforçar suficientemente o passo anterior. No entanto, também não devemos permanecer indefinidamente em um passo, pois isso pode atrasar o progresso. Ao atingir o comportamento final, também chamado de comportamento terminal, devemos continuar a reforçar para manter essa nova habilidade no repertório do cliente.
Se vamos usar modelagem em uma sessão, devemos lembrar de algumas coisas antes de iniciar. Por exemplo, quais comportamentos estão sendo modelados naquela sessão? Quais topografias estão sendo trabalhadas?
Qual é a dimensão do comportamento que está sendo modelada? Em que passo a modelagem se encontra? Pode ser que essa modelagem tenha começado em sessões anteriores, e precisamos saber onde paramos.
A modelagem pode ser um processo longo, e muitas vezes não conseguiremos concluir uma resposta modelada em uma única sessão. Além disso, devemos saber qual é o critério para avançar para o próximo passo. Modelagem é um procedimento aplicável ao contexto clínico, como estamos discutindo aqui na prestação de serviços, mas é um procedimento com raízes sólidas na pesquisa experimental.
Aprendemos sobre modelagem em contextos de experimentação básica, e é interessante perceber que, da mesma forma como foi feita nos experimentos, a modelagem pode ser aplicada na prática clínica. O essencial é conhecer bem o procedimento e seguir cuidadosamente os passos que discutimos nesta aula.