[Música] Olá em 2014 Quase 60 milhões de pessoas foram obrigados a deixar suas casas suas cidades e até seus países são chamados deslocados ou despla como é o nome em espanhol mais comummente utilizado São pessoas que fogem de guerras de perseguição política religiosa e até perseguição de questão de gênero para tratar sobre essa triste realidade hoje com a gente o representante do Alto comissariado das Nações Unidas no Brasil Andrés Ramires bem-vindo ao programa cidadania Muito obrigado OB como é que o as nações unidas do alto comissariado Analisa essa realidade 60 milhões é quase uma vez e meia a população da Argentina ou se a gente for colocar em realidade brasileira é como se seis cidades de São Paulo de repente fossem obrigadas a procurar outro lugar para morar é a verdade que para nós o Alto comissari das Nações Unidas para refugiados é uma situação muito preocupante e é o número maior que já tivemos desde a Segunda Guerra Mundial eh tem sido um fenômeno que além das grandes crises humanitárias que já tivemos há 20 anos atrás continuamos tendo novas crises novas crises humanitárias a guerra de Iraque do ano 2003 a guerra começou na afganistão do ano 2001 continuam e além dessas guerras temos tido muitos mais conflitos na África no Oriente Médio na Ásia então a situação está em numa situação muito trágica já temos mais de por volta de 4 milhões de refugiados que fugiram da Síria sobretudo para os países da vizinhança então sim uma situação muito muito preocupante e como é que as nações unidas vem gerindo isso porque a esse volume enorme de populações e deslocadas implica numa política de saúde numa política de Educação de recolocação de emprego como é que tá sendo gerido Todo ess essa problemática não você colocou bem verdade que são povos inteiros que que saem de seus de suas cidades de suas aldeias fuem de seus países muitas vezes tiveram que se deslocar internamente muitas vezes não uma não duas não três quatro cinco vezes antes de ter que fugir e ter que saído de seus países porque o último que as pessoas querem é abandonar seus países Então são povos que têm todas as necessidades necessidades em matéria de saúde de Educação de emprego de tudo então o atendimento em termos de políticas públicas é muito muito importante mas que acontece tem muitos deles que V para os países mais pobres que vão para países pequeninos são países que acabam sendo colapsados o exemplo mais claro neste momento é o Líbano é um país de por volta de 6 milhões de população que tem mais de 1 milhão e 500 eh mil refugiados que vem da Síria então o país está colapsado e todos aqueles atendimentos que eles fazem em matéria de política pública e de saúde de Educação de emprego ficam totalmente destruídos então a situação é muito complicada e nosso trabalho tem tem sido coordenar as ações de resposta para poder dar conta de essas grandes necessidades trabalhando conjuntamente não apenas com o governo federal local mas também com a sociedade civil eh sociedade civil que vem de vários outros países de ones muito experientes no tema mas também trabalhamos muito com outras agências das Nações Unidas como Unicef como o programa mundial de alimentos outras agências que tem que dar conta de algumas aspectos fundamentais para poder dar um bom atendimento para Estas pessoas esse colapso socioeconômico a que o senhor se refere ele tem duas pontas né tem a a ponta do país que perde sua população e tem a a outra ponta do país que é obrigado de uma hora para outra a receber uma avalanche de pessoas que chegam sem nenhum tipo de planejamento ou previsão porque são pessoas que se deslocam na urgência na emergência às vezes fugindo de tiro de bala e de canhão é o primeiro é o país de origem Ou seja é o país onde esteve o conflito que estava ser desenvolvendo que é muito grave dentro do país a guerra a destrução e de de de muita coisa destrução dos dos das políticas de saúde a destrução das escolas não tem fontes de emprego para as pessoas a situação de muita muita vulnerabilidade as pessoas velhas que ficam num situação terrível eh e que como falei as pessoas se deslocam perdem a possibilidade de ficar em suas aldeias em suas cidades e tentam de ir para outro lugar mas acabam tendo que sair para desses países agora esse tema que você está colocando da possibilidade de ter certa prevenção até temos até temos o agur o alto comissário das Nações Unidas para refugiados faz o que nós chamamos de planos de contingência e quando mais ou menos avaliamos a situação que poderia levar a um conflito que poderia levar a deslocamento de pessoas e que poderiam fugir Deus países massivamente nós trabalhamos com os governos dos países da vizinhança com na sociedade civil com NES para ver onde é que as pessoas poderiam entrar em que cantidade mas claramente Esse é um pouco uma uma contingência que nós nem sempre dá certo porque os números Às vezes ultrapassam as previsões que a gente tem e além do mais continuam as pessoas chegando todos os dias todos os dias ao ponto que já já não não se dá conta porque se precisa de uma grande ajuda Internacional e cada vez mais estão se esgotando os recursos eh por falta às vezes de vontade política para poder dar uma resposta coerente sistemática e eh o melhor possível para Estas pessoas para dar um exemplo no ano 2010 saíam de suas eram deslocadas eh por volta de 10. 000 pessoas por dia no ano 2012 eram mais ou menos 25. 000 30.
000 agora no ano passado já tivemos por volta 42. 000 pessoas sendo deslocadas por dia é os dados da aqui no de 2014 aponta um crescimento da ordem de 16% em relação ao ano anterior e pelo que a gente vê na mídia internacional na imprensa 2015 não deve ser muito diferente né não porque que acontece o tema parece um tema humanitário mas no fundo o tema é político então nós como annur temos um mandato humanitário de proteção e nós não temos um mandato político somos uma organização apolítica nesse sentido sabemos somos cientes que a solução é uma solução política e que são os principais eh países que tem uma força que tem o poder que tem mais grau de de desenvolvimento econômico e que tem mais influência política que deveriam chegar a um acordo para tentar de resolver muitos desses conflitos quando não se tem essa vontagem e se não se chega a ter um acordo para poder resolver os políticos os conflitos estes conflitos vão continuar E então os des entos as mortes a violência as violações de direitos humanos em geral vão continuar E nós como annur a única coisa que podemos fazer é tentar de mitigar o sofrimento das pessoas tentando de ajudar aquelas pessoas que tiveram que fugir de seus de seus países e ajudar a eles nos países de asilo quando a gente fala do deslocamento de pessoas vem logo à mente cenas do Oriente Médio da África da Europa do Leste agora com a crise da Ucrânia Mas qual é a realidade da América Latina laa e aqui da América do Sul não a verdade que a América Latina está bastante afastada do cenário principal dos conflitos eu acho que você colocou bem a África Ásia Oriente meio e agora com Ucrânia ao ponto que hoje pela primeira vez o o principal país que recebeu solicitações de asilo foi a Rússia pela primeira vez por causa dos ucranianos que V pra Rússia e então América Latin eh felizmente está bastante afastado Onde está nos principais cenários dos conflitos mesmo assim no caso da Colômbia né É no caso da Colômbia que tem sido um conflito que já tem durado mais de quase 50 anos por ali e tem sido já ao longo de várias décadas o principal fonte de refugiados na América Latina sobretudo na América do Sul e na no Equador por exemplo ainda tem por volta de 60. 000 refugiados colombianos e e o Brasil tinha recebido muitos colombianos ao ponto que o Brasil tinha como principal nacionalidade de refugiados a nacionalidade Colombiana mas sobretudo a partir do ano 2013 a coisa mudou mudou pelo seguinte porque eh no Marco do acordo Mercosul já os colombianos como estado associado do mercul tem direito livre trânsito né tem direito de solicitar a residência então a maioria dos colombianos est chegando ao Brasil a verdade que estão solicitando a residência já não estão solicitando refugo vte dar um um um exemplo um dado o ano passado o ano 2014 mais ou menos por volta de 100 pessoas um pouquinho mais de colombianos solicitaram no Refúgio ao longo do ano mas mais de 5.
000 colombianos solicitaram na residência permanente então e já não entra na estatística como refugiados os os os solicitantes colombianos Porque estão solicitando residência permanente e o número de pessoas que estão solicitando Refúgio é bem menor os haitianos que já são cerca de 40. 000 também não entram nessa contabilidade entram porque eles não são refugiados sãoos haitianos a verdade começaram a chegar aqui no país Desde janeiro do ano 2010 ao longo destes últimos 5 anos e meio a grande maioria deles T vindo ao país primeiro em termos irregulares agora tem também pessoas que não não apenas chegam a nível de movimentos irregulares através das Fronteiras da da trp Fronteira de Tabatinga Santa Rosa de peru e e Letícia da Colômbia mas também no Acre e vendo em uma viagem eh de Marco Polo porque eles V para Dom can V para Panamá de Panamá para Equador de Equador para peru Às vezes vem para iquitos que é a parte amazônica do Peru para ir para Trip Fronteira ou vão paraa Bolívia e chega na Acre é uma viagem muito muito longa Eles continuam a chegar mas esses números que são números como você bem falou de mais ou menos 40. 000 não são refugiados a imensa maioria deles claramente São pessoas que estão fugindo por causa não fugindo estão abandonando o país por causa da situação econômica sabemos que hai tem sido ao longo de vários várias décadas o país de longe mais pobre da América Latina depois do terremoto ainda Pior foi destruído muita da sua infraestrutura eh perderam muita possibilidade de desenvolver agora o país eh por sorte está começando a retomar o crescimento mas a situação é complicada e por isso que muitos dos haitianos acabam vindo ao Brasil até porque o Brasil tem uma presença internacional lá no Haiti eh por conta de ter a liderança sobre a operação de pais de minusta e por isso tem muita simpatia os haitianos com no Brasil e muitos deles a situação dos africanos que a gente assiste na televisão atravessando o mediterrâneo naqueles navios eh também é de quem tá fugindo da pobreza ou ou Esses são considerados refugiados Ali temos uma mistura verdade que mais e mais está dando uma situação de o que a gente chama de fluxos mixtos ou seja eh não é que a rota dos Migrantes seja um uma e a rota dos refugiados seja outra muitas vezes acontece que estão misturados no mesmo fluxo isso que nós conhecemos como fluxos mixtos Então esse esse exemplo do caso do do Mediterrâneo que você está perguntando é um exemplo muito eloquente muito ilustrativo numa situação des assim e que são pessoas Muitas delas que por razões econômicas estão saindo de seus países para tentar de ter uma vida melhor mas muitos deles são refugiados muitos deles estão vindo da Síria muitos deles estão vindo da eritreia muitos deles estão fugindo de outros da África e que est atravessando o mediterrâneo em condições muito complicadas porque eles aguardam a um momento em que as águas do Mediterrâneo esteam um pouco mais calmas para eles tentar de fugir em massa e tentar de chegar à Europa ali nós sempre estamos com aquela preocupação no alto comissário tem feito sempre um apelo e não apenas o alto comissário de naciones Unidas para refugiados mas conjunto com o alto comissário de dereitos humanos e para tentar de de convencer aos países da Europa da União Europeia para que eles possam dar uma resposta mais humanitária e não apenas uma resposta que esteja baseado em em segurança nacional que o diria que a intolerância cresceu bastante nos países que tradicionalmente recebem esses fluxos de de migrantes e de refugiados e acho que é um pouquinho esquecer que muitas vezes em nossos países para falar aqui do Brasil temos ir muito longe o Brasil era pequena eh saão Paulo para falar eu acho o caso mais ilustrativo saão Paulo eh na última quarto do século X era uma aldeia de 25.
000 pessoas e por causa do da da da da da terminação do do da escravidão e da expansão das das da das dos cafeta então começaram a chegar muitos migrantes muitos deles eram italianos muitos deles eram da Alemanha muitos eles vinham de Ucrânia poloneses japoneses Então muitos dos países que agora estão tendo algumas políticas mais restritivas mais egoístas esquecem que muitas vezes eles precisaram desse apoio precisaram vi e chegaram na muitos dos países da América Latina não apenas o Brasil também na Argentina Uruguai o peru a Venezuela que tiveram muitos migrantes que TM nesse origem então eles também têm que abrir suas portas e ter uma perspectiva mais humanitária e ali eu queria também acrescentar o seguinte não é bem assim que eles recebem na maioria dos refugiados eh esse é um mito a verdade que tradicionalmente há algumas Décadas atrás o 70% dos refugiados estavam nos países em desenvolvimento mas essa essa porcentagem tem aumentado mais e mais o ano passado um novo recorte que a gente registrou é que 86% dos refugiados do mundo estão nos países em desenvolvimento e 25% deles est nos países menos desenvolvidos da terra Então os países mais pobres recebem a maior parte do refug sa por solidários com com mais solidariedade e até porque são noos países que ficam na vizinhança dos conflitos o e o o Brasil nesse sentido o Senor falou do Brasil recebendo migrantes no passado mas hoje em relação aos refugiados eh qual tem sido a postura brasileira e que volume de refugiados T procurado o Brasil a verdade é que as coisas tê mudado muito eu acho que ess uma muito importante pergunta porque eu cheguei aqui no país no ano 2010 aos começos do ano 2010 ao longo do ano 2010 chegaram 560 solicitantes da condição de refugiado no ano seguinte no ano 2011 chegaram 1 100 no ano 2012 chegaram 2000 e poucos no ano 2013 5800 e o ano passado por volta de 12. 000 ou seja cada ano está aumentando expressivamente e que se é verdade que as tendências globais é de aumentar em geral não é apenas o Brasil onde está aumentando o número de refugiados mas aqui a porcentagem de crescimento é bem maior então Eh o que essa é uma notícia que está mostrando que o Brasil se posicionou a nível internacional como muita mais força é um país que virou um país importante percebido pela Comunidade Internacional Mas por outro lado também está mostrando que as pessoas acham que o país é um bom lugar de asilo e por outra parte também está mostrando o fechamento de portas por parte de outros países de europei F que então Os muitos dos refugiados vem até o Brasil a procurar o Brasil já está tendo destaque se nós colocamos o Brasil dentro dos 44 países mais industrializados da terra europeos Norte de América Austrália Japão Coreia do Sul o Brasil seria o 15 o 15 o lugar 15 dos países que mais recebem eh refugiados sendo que o Brasil está muito afastado dos principais teatros de operações humanitárias e como falamos era mais que nada Colômbia mas a Colômbia mesmo já está mudando também porque os processos de negociação da Paz da Colômbia na lá na Havana estão avançando e para concluir DrAndré Ramirez esse refugiado que vem a tendência dele é ficar em definitivo no país e que ele procurou ou sanada as crises no seu país de origem ele tende a voltar pra casa dele a verdade que o para um refugiado e para nós como annu a melhor solução o que nós chamamos de solução duradora a principal solução duradora é a repatriação isso que todo mundo quer porque não é nada pior que a gente perder sua terra é uma coisa terrível mas por exemplo no Brasil poucos angolanos quiseram voltar né isso mas o que acontece que e a gente aplicou essa cláusula de cessação para os angolanos no ano 2011 mas que acontece que a maioria deles já tinham 20 anos aqui no Brasil porque a situação da Angola não mudava não melhorava e foi recentemente que mudou que já foi assinado um acordo de paz que o país é bem instável que está avançando E aí nós junto com o governo falamos conversamos e o ministério de Justiça estabeleceu um decreto para que eles se quisessem poderiam voltar ou poderiam integrar no país como residentes permanentes do país mas que aconteceu a maioria deles estão casados com brasileiros com brasileiras tem filhos brasileiros Já demorou de maisis esse processo e então sim a maioria deles eh já não tem como voltar mas se tem pessoas que poderiam voltar para Angola Com certeza bem eu agradeço sua presença no programa cidadania Esse foi o programa cidadania com representante do al comissariado das Nações Unidas no Brasil para refugiados Andrés Ramirez se você quiser comentar esse tema telefone pra gente a ligação é gratuita 0861 2211 ou se preferir entre na nossa página www. senado.
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