3:07 da manhã, o seu corpo já tá desligando, mas seu cérebro não sai daquele OK seco que a sua chefe te mandou. Aí do nada vem algo que você se arrepende de ter falado para um amigo em 2018 e de repente uma briga com a sua ex-namorada que você queria ter mudado o que você disse. No fim é mais uma noite mal dormida porque seu cérebro não para.
É completamente normal se preocupar com dinheiro, trabalho, com a saúde das pessoas que a gente ama. Mas para quem tem ansiedade, essa parada é diferente. E a primeira coisa que a gente tem que falar aqui é que existem vários tipos de ansiedade.
E o mais conhecido é o transtorno de ansiedade generalizada, que é basicamente se preocupar com tudo o tempo todo, inclusive com coisas que provavelmente nunca vão acontecer. Você deveria responder a mensagem só com uma figurinha? E se as pessoas acharem que você [música] ficou bravo?
E se elas ficarem tristes? O corpo fica tenso, o estômago dói e você vive exausto porque não sai do modo de alerta. E aí você começa a evitar situações que te deixam ansioso.
Quem tem ansiedade generalizada acha que se preocupar serve para se preparar pro pior. Só que as doutoras Michelle Newman e Sandra Lera testaram isso. A preocupação não te prepara pro pior.
Ela te deixa mal antes para você não levar um tombo gigantesco depois. É exatamente por isso que aquele conselho. É só você relaxar um pouco.
Pare de se preocupar tanto. Nunca vai adiantar. Você tá pedindo pra pessoa largar a única coisa que o cérebro dela registrou como algo que funciona para prevenir a dor.
O tratamento mais indicado para esse caso é terapia cognitivo comportamental. E nos casos mais graves pode entrar também o medicamento. Agora imagina que você tá no corredor do mercado escolhendo um shampoo e do absoluto nada seu coração dispara.
A mão começa a formigar, o chão começa a rodar e você tem uma certeza absoluta física dentro de você que algo terrível vai acontecer e tudo passa em alguns [música] minutos. Diferente da ansiedade generalizada que a cabeça gera reações no seu corpo, no pânico, o medo vem depois de uma reação corporal. E aqui eu preciso deixar claro para vocês, tá?
Então, ataque de pânico, como eu já tive em um momento da minha vida, não é ter transtorno de pânico. 13% das pessoas já teve algum ataque de pânico em algum momento da sua existência, mas só 1. 7% tem o transtorno.
Tá careco, mas o que que diferencia o ataque do transtorno? O que muda é como os ataques te afetam. Você passa a viver esperando o próximo, monitorando seu corpo o tempo todo.
O coração acelerou agora? Isso aqui foi tontura? Qualquer sensaçãozinha estranha vira o começo de outro ataque.
E aí o que acontece? Você para de pegar ônibus, para de passar naquela rua, passa a fazer compras pelo aplicativo, você para de confiar no seu próprio corpo. Para tratar esse caso, o mais indicado também é terapia cognitivo comportamental com exposição à sensações.
Basicamente é você provocar de propósito, só que num lugar seguro, o coração fica acelerado, a tontura até o seu cérebro parar de ler isso como começo do seu fim. Você entra numa sala e acha que todo mundo tá olhando para você, te julgando. [música] E pera aí, e se você falar uma coisa idiota?
E se a sua camisa estver rasgada? E se você tropeçar? Nessa hora, seu rosto esquenta, o coração dispara, aquela gotinha de sor começa a escorrer nas suas costas, você nem consegue pensar direito.
E depois, quando você volta para casa de noite, você repassa todo o ocorrido para encontrar o momento exato em que você estragou tudo. O que acontece na ansiedade social é que você cria uma versão fiquícia da situação, como se tivesse sido uma cena filmada para uma série de TV. E você usa essa cena que você criou na sua cabeça como prova do que aconteceu na vida real.
E é nesse momento que você para de se apresentar, para de ir em festas, em aniversários, [música] de ao mercado. Isso aqui é bem diferente de timidez, tá? Um estudo comparou, por exemplo, irmãos criados na mesma casa e o que tinha ansiedade social abandonou os estudos com muito mais frequência do que o irmão que não tinha.
O tratamento aqui também é terapia cognitivo comportamental individual. E uma das partes mais maneiras do tratamento é que eles gravam a pessoa conversando e fazem depois ela assistir essa conversa. Sabe o que acontece?
Quase sempre ela vê que a realidade é bem melhor do que ela imaginava. Como eu disse, os transtornos de ansiedade são muitos. Além desses que eu elenquei, a gente tem as fobias, que são medos intensos de alguma coisa específica, como altura, cachorro, avião.
A gente também tem agora fobia, ansiedade de separação, o mutismo seletivo. Para todos esses que eu mencionei agora, o tratamento é a exposição gradual. É basicamente você chegar perto aos poucos até o cérebro entender que aquilo não é uma ameaça a sua vida.
E agora, primata lindo que me assiste, talvez você tenha sentido muita coisa que eu falei até agora e mesmo assim você não tem transtorno nenhum. Porque em saúde mental, diferente do que as pessoas imaginam, não existe uma linha que você cruza e pronto, tem um transtorno. Não é como uma gripe que você é infectada por alguma coisa.
O que existe é uma pergunta. Isso que tá acontecendo com você te faz sofrer? Isso tá estragando a sua vida, o seu sono, seu trabalho, suas amizades, tá te afastando das pessoas que você ama?
Se a resposta for sim, provavelmente é um transtorno. É isso que um profissional de saúde sério vai querer saber antes de te dar qualquer diagnóstico. Eu vou falar nesse vídeo de vários transtornos mentais e você provavelmente vai se identificar com grande parte dos sintomas deles e isso é completamente normal.
Agora, se qualquer um desses sintomas tiver atrapalhando a sua vida de verdade, procura uma ajuda profissional. O mais importante é você encontrar um profissional sério em que você confia e você sentir que a terapia e o tratamento estão ajudando você a melhorar. As coisas que você mais gostava ficaram todas sem graça.
Sábado e terça-feira, segunda, é tudo a mesma coisa. O seu restaurante japonês favorito agora é a mesma coisa que comer salada sem sal. Você dorme 12 horas e acorda cansado todo santo dia.
E sabe o que é pior? Por fora ninguém vê nada. A sua vida continua parecendo normal, mas você sente que não tá bem.
Seu corpo tá pesado. Até as decisões mais idiotas, como que roupa que eu vou usar são difíceis. As mensagens se acumulam, você começa a sumir das pessoas porque é muito mais fácil desaparecer do que explicar o que tá acontecendo.
Muitas vezes nem você sabe o que tá acontecendo. Muitos de vocês talvez não saibam, mas eu tive depressão por muitos anos da minha vida. E o pior para mim é que as tristezas da vida têm um motivo, uma história, uma causa.
Na depressão, a tristeza simplesmente existe. E com o tempo você acaba se convencendo de que a vida é triste e sem graça, que a apatia é seu estado natural e que não tem como você mudar isso. É assim que você esquece como é viver de verdade e decide que talvez essa vida nova que você tá vivendo não vale a pena ser vivida.
Muita gente acha que a depressão ocorre por falta de serotonina, que é um neurotransmissor que serve para controlar o humor, o sono, o apetite, a digestão. Só que em 2022, uma revisão sobre isso não achou associação nenhuma. Mas o modelo mais aceito agora é que a depressão é mais uma estrada com buracos muito profundos, tá careca?
O que que isso quer dizer? Basicamente, o cérebro das pessoas depressivas perde a flexibilidade e todo o pensamento cai no mesmo caminho, no mesmo buraco. Por isso que levanta e faz alguma coisa.
Não vai resolver nunca. A pessoa não tá parada por falta de vontade. Só ela tem certeza de que nada que ela faça irá mudar alguma coisa.
Para tratar a depressão, a ciência mostra que todas as psicoterapias funcionam igual. O que realmente importa nesse transtorno é a estrutura. Todo tratamento que funciona do remédio à terapia age da mesma maneira, devolvendo flexibilidade ao cérebro.
Para casos mais leves, a terapia sozinha costuma dar conta. Nos casos mais graves, como foi o meu, por exemplo, o melhor resultado vem dos dois juntos, remédio e terapia. 14 abas abertas e nenhuma lida.
a tarefa de 20 minutinhos que levou 4 horas e no mesmo dia você ficou 6 horas sem levantar da cadeira, sem comer, sem ir ao banheiro, porque o assunto te pegou. Transtorno de déficit de atenção e hiperatividade. O famoso TDAH não é falta de atenção, é não conseguir comandar ela.
Quem tem esse transtorno senta para fazer uma coisa chata e simplesmente não consegue focar. Agora, meu irmão, quando o assunto interessa, liga sozinho a atenção e não acha santo que desligue. Aí são 895 abas, 6 horas seguidas e o resto do mundo que espere.
No meio de uma conversa que você tá super interessado, a sua cabeça viaja umas cinco vezes diferentes. Você vive esquecendo tudo. A chave, o celular, os compromissos.
Tem pasta cheia de projetos que você começou com tudo e largou do nada. Mas TDH não afeta só a tensão. O corpo não para quieto, a perna balança.
Você tem que estar sempre mexendo e também tem mais dificuldade de controlar impulsos. Você compra, você fala, aceita e o arrependimento vem 2 minutos depois. Aí as pessoas olham para você e te chamam de descuidado, preguiçoso, folgado.
Mas é justamente o contrário. Você se esforça muito mais que os outros para conseguir fazer as mesmas coisas. Só que esforço sozinho não é o suficiente.
O diagnóstico do TDAH é feito pelo comportamento. Não existe um exame de sangue, um exame de imagem. Você olha e fala pra pessoa: "Tem TDH".
O que a gente sabe atualmente é que o TDH tem a ver com a dopamina, o neurotransmissor da motivação. E aí que os remédios vão agir. Então agora é hora de eu colocar o meu jalequinho de farmacêutico, certo?
O melhor tratamento para TDH é medicamentoso, mais especificamente com estimulantes como metilfenidato, que é a famosa ritalina, e o lisdexanfetamina que é o venvance. Então, se você suspeita que tem TDH, procure um psiquiatra para ser diagnosticado e ter o tratamento adequado. E se você quiser entender mais a fundo sobre esse transtorno, suas causas, como os medicamentos agem no corpo, tem uma aula a pedido de um dos membros que eu fiz específicos sobre esse transtorno.
Para acessar, basta se tornar membro do canal e é só clicar no primeiro link da descrição. Você manda uma mensagem para alguém que você ama e a pessoa demora 40 minutos para responder. Nesse tempo, você já imaginou o que que ela vai dizer, como vocês vão brigar, o que que você vai responder e como vai ser a sua vida depois do fim de tudo?
Aí ela responde: "Desculpa, tava no banho". E de repente tudo fica bem. Mas você fica esgotado porque sentiu tudo aquilo que pensou de verdade.
No borderline, a emoção chega no volume máximo antes de ter motivo para ela existir. E no centro disso tá o medo de ser abandonado. A pessoa até sabe que 40 minutos sem responder não significa nada, mas saber desliga o que ela tá sentindo.
Quando a emoção cresce, a dúvida some. E não é que ela ache que vai ser abandonada naquele momento. Ela tem certeza.
E as relações vivem em extremos. A pessoa que você adorava ontem já te decepcionou para sempre hoje e amanhã volta a ser insubstituível na sua vida. Você muda de ideia sobre quem você é numa frequência assustadora.
Muda o trabalho, o estilo, os planos. Tudo pode virar do avesso em um mês. E no meio disso tudo tem um vazio que não passa por nada, que às vezes impor você para decisões impulsivas, como gastar, sumir, terminar o relacionamento, beber.
fumar. As pessoas te chamam de manipuladora, dramática, mas tudo que quem tem borderline quer é uma vida estável, que de fora parece manipulação por dentro alguém tentando não se afogar nas próprias emoções. Mas por que que isso acontece?
Infelizmente a neurociência ainda não sabe explicar. Uma metaanálise de 52 estudos de imagem cerebral não achou nenhum ponto de convergência. Não dá para você dizer o que que é o cérebro borderline, que a gente sabe bem é o que acontece com as pessoas ao longo do tempo.
Um estudo acompanhou o paciente borderline por 10 anos. 85% tiveram remissão. Isso não quer dizer que elas voltaram a ter uma vida normal.
Tá tudo certo, 100% maravilha. Quer dizer que deixaram de preencher os critérios pro transtorno, ou seja, os sintomas diminuíram ou sumiram. E aqui é um ponto fundamental, tá?
Não existe um remédio que trate o núcleo desse transtorno. O tratamento é a terapia. E existem pelo menos cinco abordagens estruturadas diferentes paraa borderline, com comprovação científica.
Dentre elas, a gente tem a terapia comportamental dialética, o tratamento baseado em mentalização e a terapia do esquema. A hipótese é que o importante no tratamento é a estrutura, ter um plano, ter constância, ter para onde ligar numa crise. Toque não é gostar de gaveta organizada, é você tá na plataforma do metrô e a sua cabeça mostrar sem você pedir a imagem de empurrar a pessoa da frente.
É um pensamento tão real que vem um pavor. Será que eu pensei isso? Porque no fundo eu quero fazer.
seu cérebro precisa que você faça algo para esse pensamento parar. Nesse momento você conta até um número determinado, repete uma frase na sua cabeça, lava a mão 12 vezes. A obsessão é o pensamento que invade.
A compulsão é o que você faz para esse pensamento ir embora. E isso é uma tortura. As pessoas sabem que trancar a porta 23 vezes não faz sentido algum, mas é um medo tão grande que elas precisam fazer.
O mais louco para mim é que as estatísticas mostram que no Brasil, de cada 10 adolescentes com toque, nove não sabiam que tinham. E o tratamento com mais evidência é a exposição com prevenção de resposta. E o mecanismo dela é simples.
O ritual é o problema. Toda vez que você faz ele e a catástrofe não acontece, o seu cérebro pensa: "Opa, deu certo porque eu fiz o ritual". A única forma de você mudar isso é bloqueando o ritual.
Só assim o seu cérebro vai descobrir que a coisa ruim não vai acontecer com ou sem ritual. Se você acorda animado, fica irritado à tarde e chora a noite inteira, isso foi um dia difícil, não é bipolaridade. Um dos fatores que define o transtorno bipolar é o tempo.
Um episódio de mania precisa durar no mínimo uma semana e a depressão quatro dias seguidos. Mania, só para vocês entenderem, é quando você dorme 3 horas por noite e se sente um gênio. Resolve tudo, gasta o que não tem, se arrisca como nunca.
Tudo fica mais colorido, mais profundo. Às vezes até ver um delírio ou paranoia, mas depois disso a conta chega e vem a depressão. Tudo parece inútil e sem graça.
O erro mais comum das pessoas é achar que bipolaridade é na maior parte euforia. Eu mesmo achava que era meia meio, mas na verdade cerca de 75% do tempo em que a pessoa tem sintomas, ela está deprimida. A mania é o que aparece para fora.
A depressão é onde a pessoa mora. E esse é um grande problema, que o primeiro episódio tende a ser depressivo. Então ela é diagnosticada e tratada como uma pessoa deprimida.
Aí você entende porque tem tanto diagnóstico errado de bipolaridade. Uma revisão que juntou 59 estudos com mais de 40. 000 pessoas encontrou um atraso mediano de quase 7 anos.
até alguém dar o diagnóstico, correto? Isso é muito importante porque o tratamento é completamente diferente. O principal tratamento paraa bipolaridade é medicamentoso, estabilizadores de humor, como lítio e alguns antipsicóticos.
Antidepressivo sozinho é contraindicado pra bipolaridade, porque pode empurrar a pessoa pra mania. A terapia entra aqui como apoio e a principal é a psicoeducação em grupo. Ela ensina a pessoa a reconhecer os próprios sinais de que um episódio tá começando antes que ele comece de verdade.
Uma moto acelera na rua e seu corpo inteiro reage antes de você entender o que que tá acontecendo. Meio segundo depois, a sua cabeça avisa que era só uma moto. Mas meu irmão, o coração já disparou, a mão já tá suando e por um instante você estava de volta no dia do acidente.
É como se as memórias viessem com uma etiqueta de já passou, só que a memória do trauma não vem com essa etiqueta. Então, cada vez que ela volta, o corpo responde como se estivesse acontecendo agora. E aí seu cérebro não sai do modo de sobrevivência.
Aí o mundo vai se dividindo em lugares que dá para você ir e lugares que não dá. Você para de passar naquela rua. Um cheiro, uma cor de boné.
é o suficiente para te transportar de volta. Você não consegue baixar a guarda nem em um lugar seguro. É justamente por isso que você tá sempre cansado.
A gente sempre vem filmes, né, ex-militares com transtorno de estress pós-traumático. Mas um acidente de carro, abuso, qualquer perigo pode causar um trauma. Mas trauma não é transtorno.
Uma pesquisa da OMS com mais de 70. 000 1 adultos em 26 países mostrou que a grande maioria das pessoas que passa por algo assim não desenvolve o transtorno. Passar mal nas primeiras semanas de uma coisa terrível que aconteceu com você é o esperado.
O transtorno é quando isso não passa. O tratamento que tem evidência mais forte aqui é a terapia cognitivo comportamental focada em trauma. É assim que seu cérebro aprende a se acalmar e a de fato arquivar aquela memória.
Você sai de um almoço em família e precisa de 2 horas sozinho no quarto. Não aconteceu nada, mas durante 3 horas você calculou quando ri. Quanto tempo olhar nos olhos e o que responder para não parecer meio estranho.
Todo mundo tava almoçando, você tava trabalhando. Muita gente faz isso a vida inteira sem saber que é autista. E o diagnóstico tardio é muito mais comum em mulheres, porque o retrato do autismo que a gente usa foi montado olhando para meninos.
Barulho, luz, a textura da roupa, coisas que os outros filtram sem perceber te afetam muito. Você tem dificuldade de entender ironias. Uma mudança de planos pode acabar com seu dia e você mergulha profundamente em assuntos muito específicos.
Pode ser pinguins, matemática, desenho. Isso se torna a coisa mais importante da sua vida. E não vem com esse papinho, tá?
Todo mundo é um pouquinho autista. Espectro não quer dizer que todo mundo está dentro dele, quer dizer que quem está varia entre si. Agora, em relação a tratamento, autismo não é uma doença que tem cura.
O que existe é suporte, fonaludiologia, terapia ocupacional, apoio na escola. Lembrando que o objetivo aqui não é deixar de ter as características do espectro autista, e sim ter uma vida boa com todas as suas particularidades. Uma voz comenta o que você tá fazendo e não é um pensamento seu, é literalmente [música] um som, como a minha voz é um som para você agora.
Ela comenta, critica, às vezes até manda em você. Isso é a esquizofrenia. E os sintomas se dividem em dois grupos.
Tem os sintomas positivos, que são os que aparecem. Alucinação, [música] delírio, você pensa que estão te perseguindo, que você tem superperes, que uma organização te escolheu para alguma coisa grandiosa e revolucionária no mundo. São os sintomas que assustam e também os que o remédio controla melhor.
Porém, existem sintomas negativos, que são os que somem a sua vontade, a expressão no rosto, a fala, o prazer, a sua motivação para fazer qualquer coisa. O tratamento medicamentoso funciona muito bem com antipsicóticos, né, principalmente, como eu disse, nos sintomas positivos. Agora, a esquizofrenia é um transtorno muito complexo, porque a pessoa não pode confiar em quase nada.
Muitas vezes é impossível para ela diferenciar uma pessoa real falando de uma fabricação da sua mente. Tenta imaginar por um minuto como é viver sem poder confiar nos seus próprios sentidos. Ao contrário do que muita gente acha, o transtorno alimentar mais comum não é anorexia, é a compulsão alimentar.
Comer muito num episódio só com a sensação de que você não consegue parar. E aqui na América Latina, ela ainda mais comum do que nos países ricos. Um estudo mostrou que na nossa região 3,5% da população tem compulsão alimentar contra 0,1% que tem anorexia.
Falando dela, né? Anorexia é a restrição alimentar levada a um ponto extremo e perigoso, junto com medo de engordar enorme e uma percepção do próprio corpo que não confere com a realidade. Já a bulimia, que é um outro transtorno alimentar famoso, é um ciclo.
Acontece um episódio de compulsão alimentar em que você come muito depois você tenta se desfazer do que você comeu. Se é que você me entende. Agora, o ponto principal que eu quero trazer pr vocês é que em todos esses transtornos, comida é um assunto da superfície, mas por dentro o que importa é o controle.
O seu valor como pessoa passou a ser medido pelo seu corpo e pelo que você come. Na anorexia, o controle extremo da comida é a única coisa que parece funcionar. Já na compulsão e na bulimia é o oposto.
É perder o controle e depois se odiar por ter perdido. A anorexia, infelizmente, é um dos transtornos mentais que mais mata. Não só por parar de comer, mas porque ela aumenta muito a chance da pessoa tirar a própria vida.
O tratamento para anorexia é terapia. Não existe um remédio que trate o núcleo desse transtorno. Apenas alguns que ajudam você a ganhar peso.
Já pra compulsão alimentar, o tratamento é terapia. Em alguns casos entra o venvance, que é o mesmo do TDAH. E por fim, na bulemia é terapia em alguns casos antidepressivos.
Muita gente acha que ter múltiplas personalidades é ter esquizofrenia, mas não é. É ter transtorno dissociativo de identidade. Na pesquisa para esse vídeo, eu vi que a estimativa mais citada é de que esse transtorno atinge cerca de 1% da população, três vezes mais que a esquizofrenia.
A explicação mais aceita é que essa fragmentação de identidade nasce de traumas graves e repetidos na infância. A criança que é abusada e não tem para onde fugir, ela escapa do único jeito que dá. Ela separa o que tá acontecendo do resto dela.
E é assim que se formam as diferentes personalidades, os [música] alters, alteregos, como você quiser chamar. Elas podem ter idade, gênero e memórias completamente diferentes. Uma é mais brava e violenta, outra mais infantil, outra é traumatizada e guarda todas as lembranças do que ocorreu.
Cada uma cumpre um papel específico para que a identidade principal consiga viver. Não são as personalidades que definem esse transtorno. É a amnésia.
Você chega no lugar e não sabe como veio. Alguém comenta de uma conversa que você teve e você não lembra de nada. De repente aparecem roupas no seu armário que você não lembra de ter comprado.
Porém, esse transtorno é tratável com psicoterapia, dando segurança e, aos poucos, trabalhando a memória do trauma. Eu quero encerrar esse vídeo falando a mesma coisa que eu disse no começo, é totalmente normal você se identificar com sintomas desses transtornos. Eu, por exemplo, vou para um evento social, eu tenho que ficar um tempo quieto depois em casa.
Eu já tive na minha vida episódios de compulsão alimentar, de ataque do pânico. Tem meus momentos que ten dificuldade de focar em assuntos chatos, que eu fico hiper focado em outras coisas. Agora, ter sintomas dos transtornos não quer dizer que você tenha os transtornos.
Agora, se isso atrapalha sua vida, se você tem de fato um desses transtornos, assim como eu tive depressão por muito tempo da minha vida, eu sei que você tá sentindo. Parece que não vai acabar nunca, que não importa o que você faça, nada muda. E essa certeza de que não tem saída não é a sua conclusão sobre a vida.
é o transtorno falando. E eu sei, isso não é justo. Você não escolheu nada disso.
Mas existe uma coisa que você pode fazer, continuar. Procurar ajuda. Mesmo que a primeira terapia não tenha ajudado, nem a terceira, nem a décima, você continua, você tenta de novo, você dá mais um passo.
[música] Você pode mudar, talvez não o transtorno, mas pode mudar algo ainda mais importante do que isso. Você, você pode se tornar maior do que o transtorno. Você pode impedir que o diagnóstico defina quem você é.
E é assim que você constrói a sua vida, uma vida que você se orgulhe de viver.