bem-vindos ao podcast caos planejado seu programa sobre cidades eu sou Anthony ling e Hoje converso com Águeda Muniz nascida em Fortaleza Águeda é arquiteta e urbanista especialista em Finanças e gestão pública mestre e Doutora em arquitetura urbanismo pesquisando urbanização e políticas públicas trabalhou na elaboração e coordenação de planos diretores m pais planos de desenvolvimento Regional planos de governo e no gerenciamento de programas financiados por agências de fomento internacionais desde 2013 está à frente da Secretaria Municipal de Urbanismo e meio ambiente de Fortaleza a CMA secretaria que tem por missão planejar e controlar o ambiente natural e o ambiente construído da cidade de Fortaleza Boa noite Águeda E obrigado por participar da sétima Edição do nosso podcast Ah eu que fico feliz assim porque eu sou uma admiradora do do blog do Caos planejado admiradora e na verdade que bom que existe porque a gente acaba pensando só né e a gente quando encontra gente que pensa que nem a gente que discute que nem a gente eu acho que vocês estão fazendo um papel muito importante com relação a a urbanismo ao planejamento urbano no Brasil bom agada primeiro obrigado por aceitar o convite é um prazer de ter no programa e e eu queria começar até assim lendo tua biografia né e e a descrição eh do teu papel hoje na na secretaria municipal de Urbanismo e meio ambiente que estava descrito como ah como a secretaria que tem por missão planejar e controlar o ambiente natural e construído da cidade de Fortaleza e aí eu fiquei pensando um pouco nesse nesse na escolha de palavras né de planejar e controlar com o conceito né que a gente tem de uma cidade dinâmica por muitas vezes espontânea né e e queria assim ver um pouco Qual que é a tua visão sobre esse termo e sobre né o de planejar a cidade de forma geral tá planejar e controlar a nossa missão é porque a gente aqui no início a gente tá aqui desde 2013 e o prefeito nos deu uma missão que era todo o planejamento Urbano e ambiental da cidade e a parte de controle que era o licenciamento e a fiscalização então o planejar e controlar vem do planejamento mesmo e o controle da parte de licenciamento e fiscalização mas que a gente não leva isso ao pé da letra é apenas o formato da secretaria nós planejamos licenci E fiscalizamos hoje há uma agência de fiscalização que faz esse tipo de de tarefa mas no entanto a gente consegue perceber a cidade do início ao fim daquilo que a gente planeja da forma com que as pessoas estão se licenciando ou não e de como elas utilizaram o processo de planejamento ou não utilizaram então a gente fechava o ciclo do fazer cidade né embora quando a gente fala controlar o nosso licenciamento Hoje ele é ele deixou de ser aquele licenciamento fiscalizatório que o Brasil tanto conhece ele é um licenciamento informativo então é mais é pra gente conhecer o que as pessoas estão fazendo na cidade e aí é que tá quando a gente fala de ambiente natural e ambiente construído é porque a gente também quer fazer com que as pessoas pensem que quando a gente fala de proteção do ambiente natural Isso tá errado as pessoas TM que utilizar o ambiente natural porque aquilo que não é bem utilizado ele jamais vai ser protegido quem não conhece quem não quem não está no dia a dia ignora então a pessoa precisa conhecer o seu ambiente natural e conhecer é fazer parte então o ambiente construído tem que tá integrado no ambiente natural né e as regras Elas têm que ser Claras e tem que ser flexíveis também eh para permitir que essa cidade ela não ela não entre em falência quando a gente fala a isso mas a cidade que é pensada pela o arquiteto que pensa em desenhar em controlar né aí volta a sua questão essa cidade tá com uma tendência a falir porque o que gera a cidade é o negócio a atividade econômica é a vontade que as pessoas têm de estar naquele local então poder público precisa saber qual é a vontade das pessoas quem é o público alvo das pessoas que estão naquela que estão naquelas áreas para poder planejar planejamento vem daí de você conhecer o seu público alvo né E de você saber o que que esse público alvo quer pra cidade e como é que ele vai utilizar determinadas áreas da cidade então o planejar e o controlar ele é muito mais para identificar as tarefas da secretaria mas não necessariamente ele é um conceito pelo contrário a gente acha que quanto mais você se você restringe mas as pessoas vão vão pro lado errado então menos as pessoas vão gostar da cidade a gente tem que abraçar o cidadão e abraçar a cidade Olha só não Adorei a tua explicação quando eu falo sobre esse processo eh de desenvolvimento urbano eu gosto de falar bastante sobre o O que que a cidade não tem um fim ela tá em constante transformação né então Eh eu tenho cada vez mais usado o conceito de gestão Urbana né porque efetivamente pelo que eu entendido que vocês estão tentando fazer em Fortaleza é justamente aprender com o cidadão com a cidade construída e Bom a partir disso O que que a gente tem que fazer para melhorar exatamente a gente aqui tem alguns casos ah a gente tem uma tinha uma lei de uso e ocupação do solo muito atrasada ela era de 1996 Fortaleza é uma hoje nós somos a quinta capital do Brasil em população praticamente todos os cabos de de fibra ótica que passam vão paraa América do Sul abastecem a América do Sul de internet dados passam por aqui então assim a nossa cidade é uma cidade muito estratégica e uma lei de usa e ocupação de 1996 que fortalesa tinha 1700. 000 habitantes hoje nós temos 2. 700000 habitantes ou seja 1 milhão a mais era uma outra cidade e e a gente empatava muito a vida da população você colocar uma fábrica de polpa de frutas num bairro muito pobre que emprega 100 pessoas e que não impacta em nada na questão Urbana muito menos na questão ambiental e você a lei dizer que você não pode implantar o seu negócio L Você tá indo cont atividade industrial né É mas é e é uma atividade industrial limpa uma fábrica deas vai gerar o quê Tá gerando emprego tá gerando vida vitalidade urbana que a nossa J Jacobs fala então assim eu não permiti aquilo enquanto poder público eu acho que poder público é que está cometendo um crime urbanístico um crime social e um crime ambiental então a gente Tenta abrir o espaço para que essa legislação ela possa abraçar a cidade abraçar o cidadão ele o cidadão possa sentir que faz parte e sentir que é dono da cidade que isso é o que não acontece hoje no Brasil a gente tem que mudar esse padrão de cidade dizer que restringir que não permitir a construção que a verticalização é ruim que a o mercado imobiliário é mau isso não existe o que existe são formas de fazer a cidade que compreenda o que o cidadão quer porque o poder público hoje a gente sente que a gente tá muito longe da vontade do cidadão não é é eu concordo 100% né assim a própria atividade industrial ela ela quando se pensa nela muitas vezes em urbanismo pessoa lembra da da assim numa usina de de carvão assim né uma coisa ah distópica né E e aí essas áreas foram criadas muitas vezes em periferias muito distantes de onde as pessoas moram né e gerando um custo enorme de deslocamento e de acesso de atividades que poderiam certamente tá Integradas no ambiente Urbano e e como é comum em muitos lugares da Ásia né eu tive oportunidade de visitar aí algumas cidades e e existe assim a a ideia assim de que a atividade produtiva em muitos casos precisa tá próxima das pessoas e foi assim nesse sentido que a gente criou as zedus né as zonas na própria lei de ocupação do solo as zonas especiais de dinamização urbanística e socioeconômica que elas são zonas são 23 zonas na cidade onde a gente identificou que há um bom adensamento populacional há também uma boa atratividade de negócios de atividades econômicas e aí vai desde o nosso aeroporto desde um polo gastronômico desde uma área industrial desde um uma área que é mais voltada a Centro de Distribuição e nessas zonas nós flexibilizamos os parâmetros de construção os parâmetros de uso e ocupação do solo e proporcionamos também horário de funcionamento de comércio serviços 24 horas e incentivos fiscais de IPTU ISS e TBI para que ela pudesse ser uma uma zona que a gente chama de explosão de oportunidades então a gente nessas zonas é como se fossem zonas francas de negócios serviços e e parâmetros urbanísticos para realmente Criar centralidades e e estimular na verdade as centralidades já já existentes que já eram vocacionadas dentro desse aspecto de você gerar vida né tanto na periferia quanto na na em zonas mais eh já adensadas em zonas que tem um padrão aquisitivo maior mas que precisa ser estimulado e o a lei de uso computação do solo e as zedus Elas já estão vigentes né já já tão vigentes ela é de 2017 final de 2017 a gente sabe que precisa melhorar mais ainda mas um dado bem interessante porque a gente aqui trabalha muito com resultado né Número acho que a gente o que a gente não mede não não realiza então então nas zedus as 23 zedus ocupam 12% do território da cidade de Fortaleza só que 30% dos novos negócios surgidos aí no último ano no ano de 2018 eles surgiram dentro desses 12% então a gente acha que realmente a gente deu uma impulsionada na na atividade econômica da cidade por meio dessas zonas e em termos de assim de transformação física de negócios assim já se vê uma movimentação grande nessas nas zedus isso já tá dando resultado em termos nas zedus que que são flexibilizadas as atividades Principalmente nos polos gastronômicos mas a que incentiva a moradia nós temos uma zona na cidade que é o nosso Core financeiro que é o bairro da Aldeota e ele tava a tendência dele era muito de virar comercial e os índices de residenciais estavam diminuindo então nós impulsionamos na verdade os parâmetros construtivos para edifícios de familiares nessa área e a gente começa a ver realmente que ele tá eh já vários alvará de construção vários licenciamentos já foram para esse bairro a partir do uso Residencial Então acho que de real mesmo daqui a uns 2 anos mas ao menos as torres já estarão prontas mas muitas já iniciaram então tem duas obras já iniciadas são edifícios que realmente vem para não deixar acontecer o que aconteceu com o centro da cidade de Fortaleza e o que aconteceu por centro de todas as cidades brasileiras né a atividade comercial deu lugar à atividade Residencial e e desequilibrou e os centros na maioria das cidades eles são áreas vivas muito vivas durante o dia mas que que necessitam de de mais muito mais vitalidade à noite porque não tem ess esse mix de usos né moradia Comércio Serviço e a gente trouxe essa característica da zedus no nosso caso aqui mais específico desse cor financeiro para melhorar a a questão da moradia para que essa área não se torne um centro como o nosso centro se tornou é interessante né Essa eliminação de algumas restrições me parece quase ser um uma descoberta de demanda para uma região que antes não era permitido né então no momento que dizer assim não agora as pessoas podem morar agora as pessoas podem abrir negócios e as coisas vão acontecendo né É quase assim que a gente tá a gente tá descobrindo interesses que antes eram proibidos para uma para uma desines da região né Pois é e proibidos Para quê Para quem porque quando você proíbe você Afasta a pessoa vai construir a pessoa vai colocar o negócio dela ela tá ela precisa ter a sobrevivência diária dela ela emprega várias pessoas ela gera renda pro município ela gera receita pro município Então quando você proíbe você você a deixa de arrecadar você gera um descontrole Urbano ambiental Grande e você não proporciona ao cidadão o bem-estar o direito à cidade né não a função social da cidade que o próprio estatuto da cidade prevê então assim isso aconteceu no nosso licenciamento a gente tem um programa de licenciamento aqui chamado Fortaleza online que a gente emite licenças e alvarás ou de forma imediata quando a se trata de isenção ou em até 30 minutos quando há necessidade de pagamento de taxas e é para porte pequeno não é para qualquer porte de edificação que que aconteceu com isso as moradias tudo que era construído nas áreas de mais baixa renda na cidade que antes elas eram construções Ilegais as pessoas passaram a se regularizar a ter o seu alvará de construção ter as suas licenças porque foi facilitado e esse isso em números a gente hoje vê que Fortaleza 61% das construções nesse período de crise imobiliária que tá assolando o país foi todo nas regiões eh a gente tem as regiões administrativas aqui nas três regiões administrativas de mais baixa renda e a casa é a residência unifamiliar na Residêncial multifamiliar só nesse bairro que eu te falei que deu realmente um impulso maior Mas enfim a gente começou a começou a ver que você facilitar a vida das pessoas aproxima a pessoa da boa prática enquanto cidadão enquanto empreendedor Então isso é muito realmente você restringir você só afasta você tem que conhecer você tem que saber pesquisar quem é o seu público eh é um negócio quando o empreendedor coloca uma loja ele vai saber quem é o público alvo dele o que que ele quer vender para quem Qual é a expectativa dele em relação à venda o fazer cidade você tem um público que é o cidadão que ele é sócio da cidade a cidade é uma empresa Fortaleza tem 2.
700. 000 sócios pagam o meu salário pagam o salário das pessoas que trabalham comigo então a gente tem que dar resultado é a gente usa mais ou menos essa lógica aqui da empresa porque a gente tem que conhecer o nosso público a gente tem que trabalhar pro nosso público e isso o o nosso lucro vai se reverter em investimentos públicos escolas eh ciclovias ã carros compartilhados e uma série de de de de de contrapartidas que a cidade vai vai só ganhar Concordo concordo eh Águeda Então falou sobre moradia né e eu entendo que permitindo mais regularização permitindo a construção de mais unidades da cidade isso tem um benefício pro mercado de moradia como um todo colocando mais oferta né e diminuindo a pressão nos preços mas mesmo assim né a gente sabe que Fortaleza assim como muitas grandes cidades brasileiras tem um desafio muito grande em relação à cidade informal né as favelas né moradias de construção muito precária puxei um dado aqui que Fortaleza tem ah cerca de 400. 000 pessoas morando em favelas e um déficit Habitacional ah pela Fundação João Pinheiro de cerca de aí 120.
000 Imóveis né E isso assim eu tô pegando dados que eu encontrei né numa reportagem Aí do ano do ano passado diz que desde 2013 só 13. 000 unidades tinham sido construídas com outras 13. 000 em construção então eu queria te perguntar assim bom como é que esse cenário tá mudando como que a a nova lei de uso ocupação do solo tá permitindo maior acessibilidade de moradia né como que esse cenário pode mudar é na verdade a gente tem aí até se eu não me engano eh até 2020 nós vamos fechar aí com 20.
000 mais de 20. 000 unidades para minha casa minha vida mas ah em relação a ao a toda a complexidade da Habitação é a gente tem aqui os projetos de regularização fundiária hoje a gente tá com 10 especiais de interesses sociais sendo regulamentadas mas antes disso a gente realmente a gente começou a realizar a política a lei federal 11888 de 2008 que trata da assistência técnica social também a gente tá realmente elaborando alguns realizando já alguns projetos pilotos aqui na cidade e a lei de uso e ocupação do solo ela trouxe também que eu acho que é o que mais vai contribuir porque é o acesso a todas as pessoas o município sub dia parte do Minha Casa Minha Vida mas quem não é passível de subsídio e que também não pode adquirir né um imóvel financiado então fica um GAP muito grande com essa faixa a lei de uso e ocupação do solo ela vem ela ela vem falar da unidade compacta e na no código novo código de obras e posturas que é de 1981 A gente o nosso código de obras e posturas é super antigo e tá atrapalhando demais o desenvolvimento da cidade desde 2014 a gente trabalha numa revisão finalmente ele foi paraa Câmara Municipal em 2015 e ele tá parece em vias de de votação agora esse ano e ele traz a unidade compacta ele regulamenta a unidade compacta que a luz a lei de usa e ocupação aborda onde hoje vai ser considerada unidade compacta em Fortaleza toda a unidade até 70 m qu ou seja se eu quiser fazer unidade de 10 m qu de 12 né vou poder também tá tá trazendo Profit de produto eu tenho aqueles aqueles edifícios antigos que tem são edifícios grandes as plantas grandes 250 m qu 300 m qu Então posso refazer a a esse novo código ele me dá a possibilidade de eu refazer esse edifícil com cinco unidades de 60 M qu e a questão do da da unidade compacta de ser até 70 m quadrados a gente tá fazendo com que a kitnet né na verdade a gente tá normalizando a kitnet que é o é o grande propulsor da economia nos do setor imobiliário nas áreas de baixa renda e a grande necessidade das pessoas né de morar num num quarto e sala ou pelo menos num num estúdio pequeno que é esse a gente tá falando de estúdio mas na verdade é a tal da kitnet que você abre a porta e tá lá o seu a sua morada que é na maioria das cidades brasileiras Fortaleza também é a mesma coisa são irregulares porque não tem legislação que a abriga esse tipo de edificação então a gente tá formalizando né inclusive com recursos menores o índice de aproveitamento não conta nos terraços isso a gente pegou essa ideia aí da São Paulo então a gente tá tentando viabilizar uma série de produtos Imobiliários né inclusive nós fizemos esse ano um fórum chamado novas formas de morar para mostrar pro setor imobiliário que não é só o edifício multifamiliar em determinados bairros da cidade que for tem capacidade para ter Novos Produtos e PR os arquitetos também pensarem em Novos Produtos porque a gente tem cidadãos de várias faixas de renda vários vários desejos né E aí englobando desde o minha casa minha vida subsidiado até realmente o alto padrão é eu eu acho que essa discussão pelo menos em São Paulo foi bem aquecida né em relação aos aos apartamentos compactos o que eu acho até uma pena assim porque é evidente que um apartament compacto né se a pessoa tivesse condições ela compraria um apartamento muito maior né mas a a realidade é que é qual qual é a alternativa né é a pessoa ir para minha casa e minha vida a autoconstrução num área de risco né numa construção informal ou como já foi né em nas próprias cidades brasileiras que é por exemplo o aluguel de um JK as histórias de dezenas de milhares de pessoas que migrar daram por centros urbanos e que tinham isso como uma alternativa né de de relativo baixo custo em muitas situações para ter um lugar um lugar seguro confortável e por um estilo de vida também que muitas vezes a pessoa fica fora de casa grande parte do dia trabalhando então ah eu acho pessoalmente eu eu gosto né dessa dessa abordagem de vocês eh outro outra grande transformação e eu vi assim que realmente tu tem feito bastante coisa em Fortaleza né é são as operações urbanas eu tava lendo um pouco assim sobre as operações urbanas aí eu acho que dá pr você pudessem explicar pro ouvinte O que que é uma operação Urbana bem resumidamente Eu Li ali que assim é um pouco diferente das operações que ocorreram no Rio de Janeiro em São Paulo Então fala um pouco pra gente sobre isso na verdade até as operações urbanas a gente quando chegou quando eu fiz pós-graduação e acabei trabalhando muito nessa parte de negócios urbanos então out torgas operações urbanas como essas contrapartidas podem ser revertidas à melhoria da cidade e uma operação Urbana assim bem de forma muito simples é a gente alterar legislações urbanísticas de determinada área da Cidade aumentando né os os os padrões construtivos e esses padrões construtivos acabam gerando é como se se a prefeitura criasse metros quadrados virtuais e alterasse a legislação para que esses metros quadrados virtu aais pudesse eh ser vendidos a quem interessar do mercado imobiliário e esse valor de venda que a prefeitura recebe ele tem que gerar transformações urbanísticas ambientais e sociais naquela área onde eu tô criando metros quadrados basicamente de uma forma bem simplória é é dessa forma que a gente trata as operações urbanas tudo baseado Claro no estatuto da cidade que a nossa lei federal que regulamenta as operações urbanas em Fortaleza nós tínhamos já cinco operações urbanas criamos mais duas todas essas essas elas estão em em vigência três foram concluídas já uma inclusive transformou uma área que era super degradada ambientalmente era lugar de fulga para pequenos Furtos que acontecia na praia e muita gente morava em em habitações subnormais que quando chovia tinha questão de doença até de morte por por choque porque tinha muita ligação clandestina de de energia e hoje ela é uma uma área linda Verde iluminada faz a conexão da praia com uma área de interesse social que é a zona do castelo encantado que a gente chama e nessa área tem como é uma área nobre porque é próximo à Praia Fortaleza tem áreas nobres bem bem as nossas praias possuem algumas áreas bem eh nobilitas em termos de mercado imobiliário mas essa área ela faz a integração das pessoas que moram na na Beiramar das pessoas que moram nessas nessas áreas de interesse social de habitação realmente de mais baixa renda e tem todo um convívio Ou seja a transformação urbanística aconteceu porque é um parque interessante pra cidade a transformação ambiental também aconteceu porque deixou de gerar problema de saúde pública segurança pais Urbana e a transformação social porque hoje integra as várias rendas as várias faixas etárias então a gente tinha essas operações e o município em 2017 realizou um estudo para definir que áreas são atrativas para pra gente enquanto cidade enquanto poder público que o investimento imobiliário chegue mas essas áreas também tem que ser atrativas pro mercado imobiliário então nós fizemos esse cruzamento Chegamos em 15 áreas e definimos seis áreas prioritárias então nós hoje temos sete operações Urbanas em vigência e seis operações urbanas que estão as minutas das leis estão na Câmara Municipal para votação E essas operações Urbanas A gente trabalha diferente de São Paulo Rio porque a gente não utiliza o cepac né O que que é esse cpac quando eu falei que a gente gera metros quadrados Rio São Paulo colocou a venda esses metros quadrados ficou com o dinheiro né e perdeu com controle da área a gente não vende esse metro quadado em forma de título em forma de papel a gente vende esse met Quad diretamente pro empreendedor que vai utilizar aquela área o metro quadrado é é específico pra área sendo desenvolvida isso exatamente e a gente vende diretamente para ele porque Ou ele paga em obra física ou seja um parque como é esse caso que eu contei um sistema de mobilidade urbana uma drenagem serviços já um equipamento público que a gente esteja ou ele deposita esse dinheiro no fundo de desenvolvimento urbano é um fundo específico que tem destinação específica tudo que a gente recebe de operação Urbana Se não for em obra ele vai pro fundo e esse fundo só pode ser gasto com regularização fundiária obras de urbanização eh Patrimônio Histórico a questão de áreas de interesse social então a gente continua tendo controle da área né são formas de fazer a operação no Rio por exemplo quando eles venderam cpac perdeu-se o controle do que era a a operação Urbana poderia ter trazido mais rapidamente ou seja as áreas ficaram vazias e elas não foram implantadas os empreendimentos imobiliários não foram implantados logo então acho que a gente acaba perdendo um pouco o controle quando a gente utiliza o cpac aqui como são áreas pequenas também a diferença nossas as nossas operações urbanas elas são em áreas Muito pequenas porque a gente a gente o nosso investidor o nosso mercado ele é claro ele não tem a a a potência a pujança de que do que o mercado imobiliário de São Paulo nem do Rio a gente reconhece totalmente então a gente criou um produto operação Urbana consorciada para a cidade Fortaleza para o fôlego do nosso empreendedor do nosso investidor mesmo que ele venha associado a alguém de fora mas algo que caiba dentro das nossas possibilidades aqui não muito legal né Eu vim na matéria do Diário do Nordeste que Fortaleza é a cidade com o maior número de GES urbanas consorciadas do Brasil né talvez justamente por essa opção por um formato diferente menor né e potencializando regiões digamos de forma descentralizada na cidade O que é interessante né porque não Concentra o investimento numa só região consegue pulverizar isso né num território maior eu achei eu achei uma uma solução criativa isso e a gente tem também um outro instrumento que tá no est da cidade que é o onerosa da alteração de uso o que acontece com a operação Urbana numa grande área a alteração de uso acontece no lote então para alguns projetos considerados especiais para o nosso plano diretor ou seja Áreas computáveis Áreas Áreas construídas com mais de 20. 000 M qu residenciais polos geradores de viagem como Shopping centres como hospitais como hotéis a gente considera isso projetos especiais já estão bem definidos no nosso plano diretor E aí a a autorga da da alteração de uso ela serve para o empreendedor quer ã infringir algum desses parâmetros ou seja outorgar algum desses parâmetros que ele não consegue obter dada a restrição de legislação E aí a gente é como se a gente gerasse metro quadrado para aquele terreno e ele paga contrapartida para o município que também é é depositada em em fundo de de no fundo de desenvolvimento urbano ou também é convertido em alguma obra Então a gente tem é como se fosse uma operação Urbana consorciada lote ele não engloba E aí só para projetos especiais o o Rio Mar Fortaleza ele foi uma operação Urbana ou um projeto especial o rio ma Fortaleza é uma operação Urbana ele é considerado um projeto especial mas ele era uma operação urbana consorciada porque na época não tinha o instrumento da outorga da alteração de uso caso tivesse poderia ter sido utilizado já que era para um lote só entendi aqui em Porto Alegre São Paulo né é muito comum essa essas obras de compensação né para esses polos geradores de tráfego serem viadutos ou trincheiras né e normalmente obras de mobilidade voltadas para automóvel pelo menos lendo né eu eu lendo sobre o o o Rio Mar Fortaleza me parecia que isso também era o caso como é que essas obras de compensação são escolhidas né ou vocês T alguma alguma vontade assim de talvez mudar a característica dessas obras ao longo do tempo né para obras voltadas para transporte coletivo para pedestre ciclovias uma diversidade de modos maior do que a o transporte rodoviário é na verdade até esse estudo que nós fizemos agora com essas seis operações prioritárias né as 15 eh operações urbanas e as seis prioritárias as contrapartidas a gente coloca muito em relação a isso a fruição pública a questão da de de métodos alternativos de mobilidade não só do car a gente fez toda essa esse estudo voltado para uma vitalidade urbana mais pontual né dentro da né dessas áreas Inclusive 30% das contrapartidas de cada operação Urbana consorciada dessa também ela vai est ligada à regularização fundiária que essas áreas eu esqueci de falar quando a gente selecionou essas 15 áreas sempre vai ter uma área ambiental que precisa ser recuperada e sempre vai ter também uma zona especial de interesse social que precisa de regularização fundiária precisa de melhorias urbanas e a gente já tá deixando 30% de toda a contrapartida para ser utilizada eh nas regularizações fundiárias mas aqui Voltando o assunto da da mobilidade o rio mar a a gente estima que a contrapartida seja mais de R 40 milhões deais teve a a trincheira mas aí é uma contrapartida mesmo da operação né e o viadulto mas a gente tem ali muita obra enterrada de drenagem e também teve a parte social que foi a capacitação de 2000 jovens né pelo Instituto lá do do próprio grupo jcpm e hoje na verdade eh eu até brinco aqui com o meu pessoal aqui a gente conversa muito o que seria da área onde o Rio Mar Fortaleza está instalado se o Rio Mar Fortaleza não estivesse lá isso o rio mar se inaugurou em 2014 São 5 anos eu gostaria muito de de saber o que teria acontecido nesses 5 anos an se o shopping não tivesse ido para lá porque lá era uma área ainda é um pouco insegura Ah mas não tinha ninguém hoje você passa 10 horas da noite tem gente no ponto do ônibus tem gente jogando bola na quadra da lagoa que foi parte foi urbanizada Tem gente na pracinha que foi implantada também passeando com cachorro de noite o shopping até hoje gerou mais de 11.
000 empregos pra cidade e isso pra cidade de Fortaleza é muito importante só na época de construção foram mais de 4.