Nativas compartilhadas têm um projeto. Continuaram vendo, em julho, moeda que agora vai falar um pouco a respeito do momento que lembra cantando na noite em Sorocaba e região. Depois, continua fazendo nesse contexto, daqueles.
Pública, comecei a tocar na noite com 14 anos, mas era baterista. Minha banda tocava no bar chamado Black Sheep, que era um bar de um motoclube. No fim das contas, ficou mais baixo do motoclube.
Popularizou na época. Eu tinha uma banda de rock; a gente tocava todos os domingos no SBT. E foi assim que começou a minha relação com a música de uma maneira mais prática.
E aí que entendi que eu queria fazer aquilo, que eu queria compor, que queria ser visto, estar no palco. Saber essa sensação de estar no palco é difícil. É depois que é venenoso, assim.
É veneno. E as coisas foram se encaminhando até que eu cheguei no limite, porque eu estava ali perto do vestibular. Meus pais falaram e, na época, chegaram a dizer pra mim: "Não, vai fazer conservatório de Tatuí e tal".
Só que eu tinha na minha cabeça que eu queria ser roqueiro e que não queria ter uma banda de rock lá no conservatório. Fiquei pensando de outro jeito. Então, naquele momento, eu nunca pensei nisso e acabei indo para São Paulo.
Em São Paulo, encontrei um amigo na faculdade; fiz faculdade de Relações Públicas, mas em São Paulo, na Telefônica Oi, na Cásper Líbero. Aí encontrei um amigo de sala que gostava muito de música e começou a tocar na noite. Então, durante a semana, eu trabalhava das 9 às 6 na assessoria de imprensa do Conselho Regional de Medicina e fazia faculdade das sete às dez e meia.
Depois, revender anúncio em primeira mão para um jornal, um jornalzinho que vinha dias. Fazia tudo em São Paulo de ônibus e terno e gravata, da zona norte à zona sul, até o Taboão da Serra. E aí eu tocava com esse amigo na noite, trabalhava e estudava durante a semana, e tocava no final de semana.
Mas daí comecei cantando; eu já cantava por causa dos episódios aqui em Sorocaba. Queria cantar e comecei a compor o que estava acontecendo na minha vida lá na época. E o tempo foi passando e tal.
Aí eu tinha uns conhecidos aqui em Sorocaba que estavam montando uma banda. O vocalista da banda a gente sempre se encontrava em São Paulo um pouco para manter uma banda, não é tanto? A banda se chama Maria Madame.
Legal, nessa nova beleza? Estarão? Henrique foi o primeiro vocalista da Maria Mandando.
O tempo vai passando, a gente foi falando, foi trabalhando, as coisas foram acontecendo. Num belo dia, quando já estava aqui, imputando, fiquei indo e voltando ao meu. Então, tenho uma banda assim, assim.
E acho que o seu vocalista era Maria Mandando. Eu já estava naquele limite de não saber se eu queria ficar lá em São Paulo, porque é uma rotina muito difícil. A cidade é maravilhosa, mas ao mesmo tempo exige muito.
Eu estava começando a carreira. Uma tristeza grande, porque ficava quase quatro horas por dia no transporte público: chegava a 40 minutos na lotação, o metrô, até chegar no trabalho, do trabalho à faculdade, mais uns 40 minutos da faculdade pra casa, mais uma hora e meia. Eu estava morando lá, sempre morei lá assim, a primeira.
Ela morava na Vila Zilda, lá no final da zona norte. Tudo que aconteceu nessa época foi muito intenso, mas São Paulo também pode ser muito pesada. E aí, nesse momento, eu falei: "Acho que pra mim já acabou".
E aí comecei a cantar de novo; já estava. . .
eu nunca parei, assim. Mas aí, quando eu entrei na Maria Mandando, foi o momento que eu pensei: "Não, então agora vou ligar a chave". Vim pra cá, estudei por uns três ou quatro meses.
Já fui prestar a prova do conservatório de Tatuí e já entrei. E aí, cara, me joguei isso de um jeito que, quando eu vi, já tinha gravado dois discos, já estava informando que estava vivendo disso, pagando as contas com isso. Formei no conservatório de Tatuí e já estava vivendo como músico profissional.
Pra não parar, eu fiz algo que. . .
eu estava no processo de escrever; eu estava escrevendo muitos contos e lendo muito. Desde Tolstói até. .
. onde vai o nome dele? Muito Tolstói.
Ele, muito Antônio Prata. Vale muito [Música] Nelson Rodrigues, Rubem Fonseca [Música]. Ah, como é que o nome daquele livro que.
. . explique.
O autor escreveu o livro "Boca do Inferno". Empreendedores. .
. mais Guerra. Gregório de Matos de Guerra, ele também.
Mas tem um outro cara que. . .
então ele era chamado de Boca do Inferno. Na boa, estava falando do livro "Boca do Inferno", que é de um cara. .
. ele era chamado de Boca do Inferno, né? Mas sempre barroco brasileiro.
No próximo bloco, vou pesquisar aqui. Nem é menino, mas ele foi redator da Globo e ontem foi um cara super. .
. é um cara meio dos bastidores, assim, antigo. Lembro o nome, mas enfim, foi um período que eu comecei a ler muito e me aprofundar, de fato, na literatura.
Sabe, nos textos curtos, nos contos. Eu sempre gostei muito dos contos, de poucos romances assim. Sempre acreditei muito nos contos.
E nesse momento eu falei: "Meu, eu queria fazer uma outra faculdade". O conservatório não me dava a licenciatura. Pra até uso, conservatório de cada aula de música como cantora, com um professor de música.
Mas eu queria algo que me desse mais ferramentas também para compor, para compreender o universo das letras, dos roteiros, de tudo. Aí que decidi entrar no curso de letras. Eu entrei no curso de letras querendo buscar mais ferramentas.
Para compor, Javey, professor de português, também comecei a dar aulas, então, sim, como estou começando aos pouquinhos, né? Neste momento, estou dentro da música. Eu comentei que vou começar; não comecei, acho que em duas semanas, com as aulas de gramática.
Gramática hoje é vanguarda, segredo, mas é assim porque não comecei. Então, o curso não, o colégio, colégio, colégio; eu utilizo, como não comecei, a deixar para depois. É discreto, então foi mais ou menos isso.
O caminho foi esse, assim, dentro com as letras que andaram acontecendo. Eu acho que é extremamente necessário estar em contato com o universo acadêmico de alguma maneira. Nunca se o universo acadêmico formal, o conservatório, por exemplo, mas um universo acadêmico de uma outra esfera assim, né?
Não é uma universidade, mas traz um outro universo. Mas essa coisa, porque eu acho que o contato com um lugar onde está todo mundo estudando com o objetivo de se formar um indivíduo melhor, para aperfeiçoar a sua visão de mundo, isso, a produção, a partir da visão de mundo e, consequentemente, a colaboração para o mundo em que vive. É porque assim, quando a gente se conhece melhor a partir do conhecimento e da visão de mundo, enfim, para mim tudo sempre, sempre, sempre teve como objetivo a busca por um autoconhecimento para uma leitura melhor do mundo.
Ponto final. E aí isso vira trabalho e sugere tudo que a gente precisa fazer sobre a comida. Isso vira… não é, gente?
Para mim, sempre foi assim. De repente, tem alguém oferecendo: "Vamos manchar o nosso? " Acho que você podia fazer aquele trabalho porque queria te convidar para fazer alguma coisa no Rio de Janeiro.
As coisas acontecem porque você está trabalhando em você mesmo, é envolvido com o que está acontecendo no contexto que escolheu. O curso de letras pra mim tem acontecido assim, aconteceu assim: eu entrei e, de repente, já tinham passado três, quatro semestres e sarau. Eu estive com você, que já conhecia meu trabalho como músico, e já comecei a tocar minhas músicas aqui.
Tudo foi parte de… sabe, tudo uma coisa só. Então, eu vejo o curso de relações públicas, o curso de MPB e jazz, o curso de letras como uma continuidade incrível, sim. E eu não consigo separar todas essas coisas.
Minhas vivências… eu tive uma vivência muito importante no grupo amador de teatro que se chamava a Companhia Tropicália de Repertório. Onde? Aqui em Sorocaba, nessa época.
Já estava aqui em Sorocaba e foi muito importante. A gente foi contemplado com um projeto do governo do estado; na época era o projeto Ademir e Liciane. Era um projeto do estado, que não lembro o nome agora; é o nome do edital assim.
E aí, nesse edital, que acontecia, vinham um diretor de teatro e selecionavam companhias independentes e mandavam essas pessoas para orientar o processo de uma peça. Semanalmente a gente ensaiava três a quatro vezes por semana e a diretora vinha uma vez por semana de São Paulo. O processo foi sempre isso.
E nesse processo, embora houvesse música ao vivo, eu atuei só como ator; nem peguei instrumento. E foi quando descobri do sol, o do dia na fila, quando descobri muita coisa. E esse momento do teatro sempre… assim, a música tem uma coisa muito objetiva.
Você assume: vai tocar; mais que você tenha o seu poder de pressão ou, se vai cantar, você vai tocar; você pode explorar seu corpo e tem uma liberdade muito grande. Mas o teatro é outra coisa. Assim, você vai se jogar no palco, e essa coisa da catarse, do cartaz, assim, é muito impressionante porque são muitas possibilidades.
Você pode ser qualquer coisa; é qualquer coisa em si. É muito passe mágico, sabe? Pode dar cambalhota, gritar, escolher uma palavra, transformar aquela palavra em mil.
Depois disso, a música fez muito mais sentido; a literatura fez muito mais sentido. Apresentar um trabalho de escola fez mais sentido, conversar com uma pessoa faz mais sentido. Se entender como indivíduo fica muito mais fácil.
Você entende a importância que você tem. Nós estamos o tempo todo criando a história; a gente está fazendo história o tempo todo. Às vezes, essa coisa de ser artista é… sempre existe uma coisa: “Senão eu tenho que ir para São Paulo, tenho que ir para o Rio de Janeiro…” Eu tenho aqui… tudo bem, tem mesmo, a gente tem que conhecer; detém que a artista está no mundo, né?
Só que a gente tem que ter a consciência de que, se você está fazendo música, está fazendo teatro, você é brasileiro, você está aqui em Sorocaba lutando por um cenário independente, lutando pelas coisas que você acredita e gerando arte, gerando visão de mundo, gerando conhecimento, você faz parte do cenário artístico nacional, você, né? E aí, quando você escuta o Chico, vai cantando para todos, tudo faz sentido. É bom, na estrada muitos anos sou um artista brasileiro.
Ponto final. É entender-se como artista brasileiro, parte importante do Brasil, sabe? Então, e você, na verdade, tenho mostrado bastante isso aqui dentro do curso, pra plateia, aqui, no momento; você participa de saraus, você tem participado.
. . mas então, jogava pequena, possa ser bem mais um filme sobre esse universo das apresentações que você fez aqui.
Dentro, se desenvolve dentro da sala de aula também. Voltamos, cujo der, continua sua história já a contar.