quem sabe quando um assunto incomoda a gente quer muito falar sobre ele mas a gente não vi ninguém falando e é um assunto que nos causa vergonha e tá ainda é um tabu para gente o capacitismo ainda é uma reflexão muito recente um processo de auto descoberta muito recente e várias coisas a respeito dele quando eu penso sobre elas ainda me incomodam e eu ainda preciso entender melhor uma dessas coisas é o capacitismo que a gente sofre dentro de casa Oi jovens ativistas do movimento pcd tem feito conteúdo sensacionais sobre capacitismo Porém para pessoas da
minha geração e eu tenho 39 anos e de gerações mais velhas e mais novas do que a minha mas não tão jovens essa conversa ainda é um pouco dolorosa porque ela Exige uma volta ao nosso passado uma volta como nós fomos criados como as enfrentamos certas coisas dentro de casa e sobre como nós nunca falamos sobre essas coisas embora vocês conheçam muito da minha vida tem na parte dela sobre a qual eu nunca falei abertamente implicitamente e essa parte é o capacitismo eu sofri dentro de casa durante tantos e tantos anos sem saber que isso
te em nome que que essa palavra capa se resumia tantas coisas tantas interações que eu vivi e que na época era muito difícil entendimento para mim e que hoje refletindo sobre o assunto lendo mas principalmente ouvindo outras pessoas com deficiência eu consigo elaborar a melhor na minha cabeça e me sinto bem mais confortável para falar sobre isso eu fui criada pela minha mãe e ela faleceu em 2016 eles então eu venho pensando sobre nós duas e o relacionamento simbiótico que a gente precisou desenvolver o relacionamento disfuncional eu diria em função da minha deficiência auditiva então
eu cresci vendo a minha mãe xingar as pessoas que perguntavam se era surda ou que me chamavam de surda e ela a Furiosa quando alguém perguntava qualquer coisa ou falava Qual é surda e eu também cresci vendo ela e não querer que usasse aparelho auditivo quando tinha outras pessoas juntos ou na hora de ir para uma festa ou se alguém ia lá em casa sempre Aquele olhar de Mas vai ficar mesmo com esse aparelho precisa mesmo disso tira isso eu não entendo mal não é uma acusação não é nada do tipo é só de visitar
o meu próprio passado entender como eu irei com isso porque minha mãe agiu assim e como isso me transformou e como esse encontro com uma reflexão a respeito do capacete ZTA tem me transformado a cada dia que passa quando eu olho para o meu passado poder momentos de brigas nossas em que a minha Messias era usada de modo extremamente pejorativo para me machucar para me ferir brigas nossos eu lembro da minha mãe sempre querendo falar por mim em todas as situações sem me dar a chance de tentar responder qualquer coisa O que é o que
mais me incomodava era a sensação que eu tinha de que ela tinha se transformado no tipo de mãe que vivia em função da minha descendência é como se ela tivesse entrado para dentro da minha deficiência em vários momentos me fizesse cobranças do tipo eu sou seus ouvidos eu escuto tudo por ser eu eu sou tua voz eu sou se não fosse eu que seria leite se não fosse eu ela não tivesse aqui ó até onde do teria chegado sempre num tom de de cobrança e não tom de querer me fazer acreditar que eu sozinha não
era nada não conseguirá nada eu precisava daquela presença eu precisava daquela mãe ele vivendo numa simbiose doida comigo só de pensar sobre isso só de meramente verbalizar suas coisas aqui e eu já fico com a sensação interna de ter vergonha de estar falando sobre algo que eu não deveria estar falando mas eu sei o quanto isso me incomodou o quanto isso me fez e dormir chorando tantas noites querendo quebrar aquele vínculo aquele é o que não me fazia bem embora fosse a minha própria mãe em função da atitude dos comentários da cobrança mas eu decidi
colocar isso para fora porque eu acho que muitas pessoas ainda estão vivendo isso tudo que eu vivi e que eu não vivo mais porque a minha mãe faleceu e a gente precisa falar sobre isso é não é um pedido para que todos venham a público contar suas histórias porque nem todo mundo quer ou está preparado para isso mas acho que nós precisamos e entre nós pessoas com deficiências e mais de pessoas com deficiência de promover a discussão porque ela é muito necessária ela marca a vida da gente Ela constrói a nossa identidade o nosso caráter
a nossa auto-estima e porque a gente não fala sobre isso porque é uma questão que faz qualquer ser humano sentir vergonha a gente luta tanto contra todos os tipos de preconceitos nas redes sociais na vida real mas dentro de casa a gente também vive esse preconceito a gente também houve barbaridades que assistiram um vídeo da autora do livro A Bailarina de Auschwitz e nesse vídeo ela fala assim nós somos vítimas de outras vítimas nessa fase me pegou demais porque tudo na vida trancada o Google o fato a Sofia capacitismo dentro de casa nos preparam para
vida de uma maneira muito mais eficaz porque a gente fica sempre esperando o preconceito do outro do desconhecido at um novo amigo do novo chefe é das pessoas de fora do nosso convívio a gente espera isso deles e às vezes a gente aprende em casa como pode ser que eles nos tratem e muitos casos eles nunca mostraram da maneira como nós somos tratados em casa e são choque de realidade ao mesmo tempo quando nós encontramos uma pessoa nova que nos trata como nós já fomos tratados em casa ou às vezes pior a gente já tem
as ferramentas para lidar com isso da melhor maneira então tudo tem um lado bom mesmo sofrer capacitismo dentro de casa que algo que e para os deixa cascudos e nos faz sabia que resposta dar ou como agir porque muitas vezes em casa a gente se cala a gente abaixa a cabeça a gente finge que não ouviu a gente perdoa porque a gente não tem como sair de casa e viver uma vida independente naquele momento mas fora de casa a gente é capaz do enfrentamento muito mais potente muito mais poderoso e nosso desde especificamente eu sei
que eu não tô sozinha não sua única todos os dias alguém me conta alguma história triste e sobre como os filhos falam com os pais de uma maneira pejorativa do tipo em Sua surda sabe ou de como maridos esposas falam coisas como bota essa porcaria desse aparelho que tu não tá ouvindo nada desgraça a mãe que fazem a mesma coisa que a minha mãe fazia o abandono paterno também é uma constante na vida das pessoas com deficiência e me pergunte se não deixa de ser uma forma de capacitismo porque aquele pai pensa eu não quero
lidar com isso eu não quero lidar com uma pessoa com deficiência é mais fácil eu fugir e fingir que nada está acontecendo enfim dentro da surpresa eu conheço novas histórias que são releituras da minha própria história todos os dias então quem assistiu até aqui e saiba você não está sozinho a gente precisa conversar mais sobre isso procure ajuda ajuda profissional um psicólogo coloca isso para fora porque isso faz muito mal e eu espero que todos os ativistas do movimento uma das pessoas com deficiência na medida do possível para cada um fale mais sobre isso diga
que isso existe é falo sempre aqui quando a gente dá nome às coisas a gente mata essas coisas e para nós nos sentimos mais fortes É sempre bom saber que outras pessoas vivem dentro da própria casa e que a gente veja