Muito boa tarde, sejam todos muito bem-vindos ao nosso módulo, né, onde a gente vai continuar a falar sobre a gastroenterologia. E hoje eu vou focar nas enteropatias crônicas. Na semana passada a gente falou das enteropatias agudas e eu trouxe para vocês também um pouco da definição de diarreia, dos tipos de diarreia, da diferença de diarreia de intestino delgado e diarreia de intestino grosso.
Eu bati muito nessa tecla semana passada, porque quando a gente vai pro atendimento clínico, isso é essencial que a gente saiba tentar pelo menos falar: "Bom, tem características que é de intestino grosso, tem características que é de intestino delgado". Então é mista, né? tem os dois aí que também acontece, mas até mesmo para condutas, então condutas relacionadas ao tratamento, tanto quanto condutas relacionadas não só ao tratamento, mas ao diagnóstico, ao pedido de exames complementares.
Isso tudo a gente consegue extrair para nos ajudar quando a gente vê o aspecto da diarreia e também quando a gente consegue classificar, certo? E aí entrei um pouco, né, na parte das enteropatias do intestino delgado e também um pouco do intestino grosso, mas falando mais da parte da das enteropatias agudas. Hoje eu vou entrar num tema que talvez algumas pessoas elas não tenham visto na faculdade, desconhecem, porque são mais comum em humanos.
E aí quando chega na medicina veterinária e aí foge um pouco daquelas eh enteropatias agudas, então aquelas diarreias agudas e aí ela você não resolve, ela volta e não resolve, você já deu um antibiótico, não sabe mais o que fazer e aí ela entra num quadro de enteropatia crônica e aí como é que vocês vão resolver, sabe? Então assim, tem muitas doenças que elas têm uma como característica diarreia crônica. Então o paciente ele tem vários episódios de diarreia.
Ou então ele tem episódio de diarreia longo, 15 dias de diarreia e assim você tá fazendo aquele tratamento que é de agudo, mas a verdade é crônico. E agora o que que eu faço? Como que eu vou fazer?
Então fica comigo que hoje eu vou mostrar para vocês. Eu tenho certeza que para alguns eh veterinários que estão aqui ou até mesmo estudantes de medicina veterinária, principalmente os estudantes, vai ser novo, tá? Eu vou relacionar com a medicina humana, que eu acho que fica mais fácil da gente entender, porque algumas doenças aqui que eu vou relatar hoje acontecem também em humanos.
Então, quando a gente faz essa relação, às vezes a gente fixa melhor. Então, meu objetivo é que vocês consigam lembrar que nem toda diarreia é só antibiótico, né? Nem toda diarreia é falta de antibiótico, não.
Se vocês derem antibiótico e não resolver continuar diarreia, diarreia, diarreia, diarreia e diarreia. E aí, que que vocês vão arrumar? Quais são suas listas?
Quais são as listas de vocês de diagnósticos diferenciais? O que que vocês vão pensar? Então assim, hoje eu quero pontuar isso e eu quero demonstrar um pouco disso para vocês.
E o que que eu pego na minha rotina, o que que eu já peguei na minha rotina, o que que eu já tratei na minha rotina, como que eu tratei, como que eu fiz, tá? Como que eu desconfiei que, opa, não é mais um simples caso de uma gastinterite aguda ou de uma interite aguda ou de uma colite aguda, mas não, já é crônico. E aí esse paciente, né, não melhora, não tá melhorando, o proprietário não para de mandar mensagem, o paciente tá internado comigo há 10 dias e não para de ter diarreia.
E aí, o que que a gente vai fazer? Então vamos lá, vamos aprender um pouco. Então como sempre, toda a aula a gente começa com o que que eu quero que vocês saiam daqui dessa aula dando check na lista, falando: "Ó, agora sim eu fiz o checkzinho em todos esses tópicos que ela comentou".
Então, primeiro tópico, né? Nós vamos entender e vamos classificar quais são os tipos de enteropatias crônicas. Lembrando que a aula de semana passada foram as agudas, então hoje a gente vai puxar mais pra parte da crônica, que não é muito eh comum na nossa rotina, mas é quando aparece é um diagnóstico pro veterinário um pouco mais eh complicado de se dar no sentido de subestimar, né, subnotificar, na verdade, subdiagnosticar.
Eh, o veterinário ele às vezes dá uma travada, acaba encaminhando e tá tudo bem se você encaminhar também, mas eu acho importante a gente sempre, né, abrir o nosso leque de conhecimento. Então, eu vou falar com vocês quais as enteropatias crônicas que vão, né, interferir no intestino delgado. E as três, basicamente, que que nós vamos abordar hoje é o supercrescimento bacteriano, a hipersensibilidade alimentar e a doença inflamatória intestinal.
E assim, ó, vou focar nessa aqui hoje, tá? Então, as doenças inflamatórias intestinais, principalmente dos gatos, tá? A gente vai dar uma destrinchada aqui hoje.
E de intestino grosso, que eu também vou comentar com vocês, basicamente a colite crônica devido a também a nossa doença inflamatória intestinal. Então, a doença inflamatória intestinal vai ser hoje a alma da nossa aula aqui, sabe? da nossa conversa, do nosso bate-papo aqui hoje, é a parte de doença inflamatória intestinal.
Na população humana, gente, é extremamente comum ter pessoas que são acometidas com doença de crom. Eu acho que alguém já deve ter ouvido falar, né? A doença de crom ou então retocolite ulterativa.
São as duas doenças inflamatórias intestinais mais comuns na medicina humana. Não é essa classificação que a gente tem na veterinária, tá? Então, cachorro não tem crom, certo?
Mas ele tem doença inflamatória intestinal. E a doença de cron e a retolit sererativa, que são as duas principais doenças inflamatórias intestinais em humanos, não são classificadas na medicina veterinária, tá? Então esse é o primeiro ponto que eu quero abordar com vocês aqui pra gente poder já começar a tentar fazer uma linha de raciocínio da medicina humana com a medicina veterinária pra gente começar a fixar o conhecimento.
Então tá, diarreia. Em relação à diarreia, a gente já pontuou na semana passada quais são os tipos de de diarreia. Então, diarreia, por exemplo, osmótica, a que mais ocorre, é quando a gente tem, né, um na massa fecal a presença de água.
Então, a gente tem na diarreia tem que ter sim um conteúdo de água junto à massa fecal que tá ali, né? Ou então não só a massa fecal, bolo fecal, que já é fezes mais próximo do reto, mas também o bolo alimentar que tá passando pelo intestino delgado, ele vai ser acometido com um aumento de água, seja por n motivos, que eu comentei na semana passada, e esse aumento de água vai fazer com que essas feeses saem mais amolecidas do que o normal. Então isso é diarreia aguda, a gente definiu semana passada e hoje a gente vem pra crônica.
A crônica, gente, por definição, uma diarreia, ela é classificada como sendo crônica quando cursa com mais de 3 semanas. Então, se tem mais de três semanas que este paciente está tendo diarreia, ela já é classificada como crônica. Atenção, as diarreias intermitentes também entram nessa conta, desde que um intervalo intermitente entre uma e outra não seja superior a um, dois dias.
Então, vamos supor, o meu paciente, ele tem uma diarreia e aí ele ficou um dia sem ter diarreia e aí depois, no outro dia ele já teve diarreia de novo. Isso conta no tempo? Sim, ele teve uma semana de diarreia, aí no oitavo dia ele não teve diarreia, no nono ele teve diarreia de novo, depois no 10º ele não teve.
No 11º ele teve. Conta como 12 dias de diarreia, tá? Então no caso de 15 dias, cursam com mais de 15 dias, são diarreias crônicas, podem ser contínuas ou podem ser intermitentes.
Por quê? Uma das características dos pacientes humanos e veterinários com doença inflamatória intestinal é as diarreias intermitentes. Então o paciente ele tem 90 dias de diarreia, gente, 90 dias.
E esses 90 dias eles podem ser intermitentes. Não precisa ser exatamente 90 dias defecano, né, com esse aumento de conteúdo e aumento de líquido. Não, não necessariamente, mas ele pode ser de forma intermitente.
E é uma das coisas que o proprietário relata. Ah, eu vim aqui, eu fiz o tratamento com metronidas que a doutora receitou por 10 dias, deu tudo certo, as feeses dele normalizaram, quando eu parei o remédio, dois dias depois voltou. E aí, né?
Será que pode ser uma diarreia crônica? pode ser ou crônica, que aí você às vezes até o proprietário, ele mesmo por conta própria, vai lá, repete o remédio no mesmo protocolo, repete a receita, ele para, volta diarreia tudo de novo. Ou até mesmo eh o durante esse tratamento o paciente tem diarreia, diarreia, diarreia, diarreia, diarreia, para um dia diarreia, diarreia, diarreia.
Então assim, tenham em mente que ela pode ser intermitente sim para caracterizar a cronicidade, não precisa ser contínua. Essas diarreias, como eu comentei com vocês, elas podem ser crônicas de origem de intestino delgado, crônicas de origem de intestino grosso. Isso pode acontecer gancho com a semana passada.
Para quem por acaso não viu a aula ou então, né, não sabe, viu, mas não entendeu muito bem a diferença, eu vou passar rapidinho por esse quadro, porque esse quadro está na aula de semana passada e essa aula tá disponível lá na plataforma do Vet Profissional. Então, quem quiser ver, pode voltar lá para poder ver onde eu vou. Eu destrincho, né, com muito mais tempo essa tabela para vocês.
Mas basicamente o que que eu chamo atenção aqui dos tipos de diarreia de intestino delgado e de intestino grosso. Os dois tipos são diferentes, correto? Geralmente em relação às características que eu listei aqui, quais que eu, Thaís, olho durante uma consulta para poder fazer a distinção entre uma diarreia de intestino grosso e uma diarreia de intestino delgado.
O volume é um dos primeiros. O intestino grosso geralmente são volumes menores de feeses. Então o paciente ele tem uma frequência grande de defecação e ele defeca aqui, aqui, aqui pouquinho quantidade em vários locais.
A diarreia de intestino delgado é uma diarreia aumentada, então aquela diarreia grande, aquela diarreia líquida, aquela maior que proporcionalmente ao tamanho do animal, ela é muito grande. Então esse é o primeiro ponto que eu vejo. Segundo ponto que eu vejo aqui, a frequência de defecação, né?
Então diarreias de intestino delgado são diarreias líquidas com uma frequência menor do que a de intestino grosso, tá? intestino grosso a gente tem mais vezes o animal ele faz em vários pontos e várias vezes também presença de muco. É uma coisa que eu também verifico.
O muco, gente, ele é produzido e ele é evidenciado nas feeses quando nós temos algum processo de inflamação é intestino grosso. E aí já puxando um gancho nas doenças inflamatórias intestinais de caráter crônico, que é o quê? Muo, tá?
O paciente ele apresenta muito muco na diarreia de intestino grosso de caráter crônico. A gente vê esse paciente, às vezes ele só apresenta muco, ele tem, né, o o bolo alimentar ali, o bolo fecal, na verdade, formado, se tem um muco por cima ali. E quando o proprietário vai pegar, aquela fees que tem um formato, ela é levemente amolecida, né?
Porque lembra que para ser diarreia tem que ter um aumento de água. Então, ela tem um formato, ela não perde o formato e aí quando o proprietário vai pegar, ela tá amolecida. E o proprietário fala com a gente que as fees elas estão com aspecto de catarro, eles não entendem muito bem o que que é muco.
Quando eu pergunto assim, tem muco nas fees? Eles ficam assim: "Mulco, o que que é muco? " Aí eu falo assim, parece um catarro, uma gelatina em cima da césia.
Aí eles comentam: "Não, de fato parece sim". Então, as diarreias de intestino grosso e, principalmente as colites crônicas, que são as doenças inflamatórias intestinais, elas podem cursar e cursam com presença de muro, tá? Eh, sangue pode ter nas duas, o que me faz diferenciar é o quê?
Sangue vivo ou sangue digerido, certo? Então, melena e hematoquesia. O sangue digerido é aquele sangue vermelho, mas é um vermelho mais escuro, um vermelho como se fosse uma borra de café, como se fosse uma Coca-Cola.
Isso quer dizer o quê? Que este sangramento que ocorreu foi mais lá em cima do intestino delgado, né? Porque aí quando ele foi descendo até chegar na sése, gente, olha o tanto de processo que ela ele já passou.
Então ele não tá mais vermelhinho, ele já tá com uma coloração mais amarrosada. Já que é o mela, já a hematoquesia é quando o quê? a gente tem aquele sangue vivo.
Como o sangramento foi no intestino grosso, então foi ali na porção final do intestino grosso, o sangue ele já não é mais digerido, certo? Não é aquele sangue que passou por todo o trato gastrointestinal até chegar nas feeses, não. Ele é um sangue que chegou ali nas feeses já, né, rápido.
Então, sangue vivo. Esse também é um aspecto que eu uso para poder eh diferenciar os dois. Deixa eu ver também.
Dizquesite mesmo. É um aspecto que eu uso. Pacientes que t doença inflamatória intestinal de intestino grosso.
Eles são pacientes que apresentam uma urgência em defecar. Então eles eh têm uma defecação bem importante. Eles querem ir no banheiro rápido.
Então eles fazem onde eles estão, tá? Eles sentem que quer fazer, que querem fazer e fazem. E outro detalhe importante, às vezes esse paciente, gente, ele nem faz o cocô, ele só faz o muco.
O proprietário vira e fala assim: "Nossa, saiu só um catarro, mas saiu fees". Não. E aí é diarreia?
É sim, tá? É porque não saiu as fezes ali ainda, mas todo o processo é um processo de uma inflamação decorrente de uma doença que culmina com diarreia, tá? Então não se esqueçam, se vê só o muco, uma urgência em defecar, então o muquinho tá ali, ó, na porta do reto.
E aí o paciente ele entende que ele quer defecar porque tá ali, tá incomodando, quer sair. Ele acha que é feeses, né? O paciente ele quer ir ao banheiro, ele vai ao banheiro ali onde ele tá, né?
Não é bem banheiro, né, gente? É onde ele faz as necessidades dele. E aí quando ele solta um pum molhado, né?
Vamos falar aqui de um termo relacionando com o humano, um pum molhado, ele solta aquilo ali, é só um catarro, tá? Então isso também é comum nos cães com doença inflamatória intestinal. Então a presença de muco e também a urgência em ir ao banheiro.
Bom, basicamente, gente, é isso daqui que eu utilizo para poder classificar um paciente como ele possui uma diarreia de intestino delgado e de intestino grosso. Obviamente que os outros parâmetros eles podem ser variados, podem ser utilizados na rotina, mas eu tô falando com vocês o que eu basicamente utilizo quando o paciente entra para mim para poder classificar. Bom, isso também tá muito bem eh detalhado na aula de semana passada.