Boa noite Dom eu não tenho certeza se escrever isso vai me ajudar a lidar com o que aconteceu mas preciso contar o que Vivi na casa da minha tia num fim de semana que começou com festa e terminou em tragédia para ser sincero eu nunca fui tão próximo da família dela quanto gostaria só que no dia do aniversário do meu primo mais novo tudo saiu tanto do normal que até hoje meu corpo inteiro estremece quando lembro me chamo Cláudio E naquela época morava num município litorâneo do sudeste era um sábado de sol bem tranquilo perfeito
para fazer uma festinha no quintal minha tia Celina tinha organizado tudo com antecedência balões amarrados nos varais mesas de plástico cobertas com toalhas decoradas e uma mesa maior pro bolo o meu primo que faleceu se chamava Mateus e ele estava completando nove anos naquele dia eu nem pretendia aparecer mas por volta das 4 da tarde recebi uma ligação de um Primo mais velho ele falava tão rápido chorava e misturava as frases que demorei uns segundos para entender o Mateus tinha sumido e pouco depois foi encontrado sem vida quando cheguei o portão tava escancarado um monte
de gente falando alto na calçada e todo mundo com um olhar de Puro desespero minha tia agarrada no meu tio Paulo tentava explicar o que tinha acontecido o menino tinha desaparecido no meio da festa Algumas crianças falaram que o Viram saindo de mansinho mas não tinham certeza como era festa infantil muita gente ia do quintal pra cozinha Então ninguém se tocou quando ele não apareceu para cantar o parabéns a gente procurou o Mateus na casa toda meu primo Leandro me disse Tremendo e secando o suor da testa revist os quartos o banheiro o jardim e
até o forro do telhado achando que ele pudesse ter subido para brincar de se esconder mas nada o clima dentro da casa pesava de um jeito que parecia Que o ar não circulava os convidados se olhavam alguns ajudavam a revistar cada cantinho enquanto outros se ofereciam para sair pelas ruas Foi aí que perceberam a destruição na cozinha o bolo de aniversário que ia ficar na mesa principal estava todo amassado cheio de terra e grama como se alguém tivesse esmagado com as mãos sujas de lama na hora a gente pensou que o Mateus poderia ter feito
aquilo por travessura e ter ficado com medo de admitir então a busca Para achá-lo se intensificou alguns parentes varreram as ruas próximas outros foram olhar em terrenos baldios perguntaram em mercearias padarias nos portões dos vizinhos e nada do menino minha tia já mal conseguia falar de tanto gritar o nome dele o tio Paulo em Pânico parou uma viatura que passava na Avenida seguinte e explicou a situação logo o carro da polícia rodava pelas quadras anunciando no altofalante procura-se o menino Mateus 9 anos Desaparecido está com camiseta amarela todo mundo ficou em alerta mas o garoto
continuava sumido Quase duas horas depois uma tia avó minha comentou sobre um depósito velho nos fundos da casa onde acumulavam entulho ferramentas antigas partes de móveis e recentemente um caixão de madeira Quando Ela mencionou caixão senti um arrepio me atravessar Eu nem imaginava que alguém ali guardasse isso acabaram decidindo dar uma olhada naquele depósito no canto Mais escuro e afastado acharam o Mateus ele estava sem vida dentro do caixão parecia que ele tinha tentado empurrar a tampa por dentro Ninguém entendia o motivo de ele ter ido parar ali muito menos como a tampa fechou foi
horrível ver minha tia Celina abraçando o filho já pálido sem respirar precisaram levá-la para hospital mais próximo porque ela quase desmaiou de choque talvez você se pergunte por alguém guardava um caixão naquela casa é aí que A história fica mais sombria algumas semanas antes apareceu uma caminhonete velha abandonada numa esquina do bairro daquele tipo de caminhonete de carga grande que costuma carregar móveis ou no caso caixões eu eu cheguei a passar por ela numa quarta-feira de manhã indo pro trabalho e vi umas pessoas do bairro fuçando na cabine abrindo as portas para ver o que
tinha rolado as luzes internas estavam acesas a porta do passageiro meio aberta mas não tinha motorista Nem Sinal de dono minha região não é tão tranquila mas também não é lugar de gente que fica parada sem fazer nada um vizinho chamado Nelson resolveu checar o que tinha lá dentro encontrou uma pilha de caixões vazios ele meio sem no chamou outras pessoas para ajudar a descarregar e por algum motivo Bizarro o pessoal acabou adotando os caixões talvez pela curiosidade ou porque acharam que seria útil para alguma coisa em resumo cada um dos cinco caixões Acabou indo
para uma casa diferente eram peças de madeira simples sem nada de luxo e pelo que fiquei sabendo depois um desses foi justamente parar nos fundos da casa dos meus tios o tio Paulo não fez de levar mas um parente distante que tava de passagem e precisava de lugar para guardar uns troços deixou o caixão ali para ele não tinha nada deais dizia que era só madeira que um dia talvez pudesse virar outra coisa ou ser vendido Quem imaginaria que serviria de palco Paraa tragédia que tirou a vida do Mateus Quando aconteceu o velório do meu
primo a rua inteira compareceu foi um funeral tenso quase sem lágrimas porque o choque ainda era grande de mais eu sentia uma raiva estranha uma mistura de revolta e confusão que coincidência macabra leva uma criança a ficar presa ou ser trancada dentro de um caixão bem no dia em que faz 9 anos não demorou e veio o segundo caso trágico um senhor chamado Rubens que também tinha pego um Dos caixões morreu de ataque cardíaco Assim que chegou em casa alguns parentes dele contavam que o homem vivia comentando sobre pressentimentos ruims depois de colocar o caixão
na garagem dizia que ouvia rangidos de madeira de madrugada sem ter vento para justificar o seu Rubens me falou que acordava no meio da noite suando achando que tinha alguém andando na garagem disse uma vizinha no dia do enterro ele estava apavorado mas não queria admitir que Podia ter alguma coisa a ver com o objeto para quem já estava em choque por causa do enterro do Mateus a morte do seu Rubens foi outro baque a rua inteira começou a coxixar sobre uma suposta Maldição dos caixões tinha cara de lenda urbana mas as perdas eram de
verdade e o pior ainda tava por vir a terceira vítima Maria Antônia era bem conhecida na vizinhança ela mantinha um barracão no quintal para guardar materiais de costura e também um daqueles caixões a História Dela começou com um sumiço repentino numa sexta-feira à noite o marido dela seu Alberto notou que ela não tava no quarto nem na cozinha nem no quintal as luzes continuavam acesas e o rádio ligado na sala Parecia que ela tinha evaporado no meio das tarefas de casa primeiro ele rodou a casa chamando o nome Maria Ô Maria você tá aí silêncio
total 10 minutos depois já desesperado foi bater na porta dos vizinhos todo mundo se mobilizou alguns foram até a Esquina perguntar se alguém a tinha visto sair outros checaram um terreno vazio ao nada as coisas pessoais dela como bolsa e documentos continuavam em casa alguém quase num humor de mau gosto perguntou se ela podia ter se escondido no caixão do Barracão o seu Alberto abriu a porta lá e deu uma olhada achou o caixão coberto com um lençol velho mais vazio mesmo assim eu confesso que fiquei aflito só de imaginarem essa Possibilidade minha tia Celina
ainda muito abalada com o que houve com o Mateus pediu que todos procurassem em qualquer lugar fechado caixas d'água Possos bueiros ninguém encontrou a Maria naquela noite já era de madrugada quando alguém gritou bem alto na rua um grito de desespero ou surpresa O Alberto correu pra janela mas não viu quem era logo a pessoa apareceu na porta batendo com força sem conseguir falar quando ele saiu essa pessoa só apontou pra copa de Uma árvore enorme que ficava no terreno da casa a luz fraca do poste deixava ver uma silhueta pendurada Ali era Maria Antônia
quando o Alberto e a vizinha olharam direito viram algo que me deixa atordoado até hoje a Maria Ainda Se mexia ou melhor um dos braços dela fazia o sinal da cruz tocando a testa o peito e os ombros O problema é que ela estava imóvel demais para ser considerada viva mas ainda assim tinha esse movimento estranho ninguém conseguiu subir até lá Para tirá-la porque não havia escada em Pânico algumas pessoas chamaram os bom S chegar quase horas depois levaram a Maria hospital mas ela já não resistiu ver aquela cena uma mulher pendurada com o braço
se mexendo de leve Foi algo que não tem como tirar da cabeça no enterro Teve gente que jurou ver o braço dela se erguer de novo bem na hora em que o caixão descia na Sepultura eu não tive coragem de conferir depois do que aconteceu com o Mateus não aguenta mais Velos é o povo já falava bastante das Coincidências dos cinco caixões que a caminhonete abandonada trouxe três estavam Associados a mortes recentes e não parou aí o quarto caixão estava com um casal Jonas e Karina que decidiu queimar o objeto para se livrar de qualquer
azar ninguém sabe ao certo como aconteceu mas no meio da madrugada o fogo ardia no quintal do casal clareando a rua toda os vizinhos saíram correndo viram o portão aberto e e a fogueira Queimando o caixão no quintal alguns até pensaram que fosse um alívio que eles tinham finalmente se desfeito da coisa a parte chocante foi que quando as chamas diminuíram encontraram Jonas e Karina abraçados lá dentro carbonizados ninguém conseguia explicar como o casal foi parar dentro da própria fogueira foi uma visão brutal e inacreditável depois desse quarto acidente o dono do quinto caixão um
homem da família Almeida que tinha Viajado com a esposa e a filha pro interior ficou sabendo dos Desastres disseram que algum primo distante ligou para avisar pedindo que ele não voltasse com aquele objeto ali mas à distância não tinha muito o que fazer a casa dele estava fechada com o caixão guardado num quartinho externo os vizinhos contavam que nas madrugadas viam luzes piscando dentro da casa vazia ouviam portas batendo mesmo sem ninguém lá quando esse homem finalmente voltou sofreu um Acidente na rodovia que liga o interior à nossa região e não sobreviveu se foi culpa
de alguma maldição ou só mais um Infortúnio não sei dizer o caixão Ficou lá até os parentes resolverem entregar para uma funerária bem depois com o passar dos meses nossa rua ganhou fama de lugar marcado por tragédias muita gente se mudou outros começaram a fazer rezas e benzimentos na porta de casa acendiam velas pediam proteção para nunca nunca mais passarem por algo desse Tipo até hoje me dá uma angústia lembrar da festinha do Mateus era para ter docinhos risadas alegria acabei vendo meu priminho sem vida dentro de um caixão que nunca deveria ter estado ali
talvez surjam perguntas foi coincidência Será que tinha uma praga sobre aqueles caixões ninguém consegue afirmar Com certeza quem viveu isso de perto sabe a dimensão do medo que tomou conta da gente eu mesmo vivo t pesadelos com tampas de caixão se fechando com vozes Abafadas vindo de caixas de madeira pode ser puro trauma mas basta eu ver um carro funerário para sentir o coração disparar depois de tudo tirei uma lição mexer no que não é nosso pode trazer consequências terríveis não sei se foi superstição ou outra coisa mas não vale a pena Pôr a mão
no desconhecido minha tia Celina continua morando na mesma casa só que Ela trancou o depósito dos Fundos e nem usa mais aquele lugar o que sobrou do caixão que tirou a vida do Mateus foi recolhido pela polícia paraa investigação mas não chegaram à conclusão nenhuma a teoria mais provável é que ele entrou lá por curiosidade e ficou preso só que isso não justifica todas as outras tragédias envolvendo as quatro famílias que também ficaram com os caixões o fato é uma caminhonete apareceu do nada numa manhã deixou cinco caixões e E em menos de 3 meses
todos foram parar num enterro seis mortes no total contando com o Mateus se existe Alguma força estranha rondando por aí Prefiro não saber só oro para que nada parecido se repita nunca mais antes de irmos para o próximo relato verifique se você já está inscrito aqui no canal e se já ativou o sino de notificação para receber as próximas histórias aprecio sua companhia e seu apoio faz toda a diferença bem vamos continuar eu me chamo Rafaela e por alguns anos frequentei uma escola de Dança em um esquema quase profissional era um lugar bem afastado no
interior de São Paulo cercado por Chácaras antigas e de mata fechada naquele período eu e um grupo de colegas ficamos responsáveis por uma apresentação especial que aconteceria logo depois do fim de semana para facilitar os ensaios nos deram permissão para dormir em um alojamento localizado no prédio mais antigo da escola chamado pavilhão do Sol aquilo já tinha sido um internato Décadas atrás Mas não funcionava mais como dormitório permanente na noite em que tudo aconteceu nós éramos 11 no total a coordenadora pedagógica Violeta também resolveu dormir lá para vigiar se a gente respeitava os horários de
descanso tudo correu normalmente até que no meio da madrugada alguma coisa nos acordou eu abri os olhos devagar sentindo o lençol áspero de um beliche velho encostar no meu rosto estava tudo escuro mas logo percebi que eu não era a única desperta Ouvi sussurros de outras camas e percebi que algumas colegas também estavam se mexendo confusas então veio um zumbido um murmúrio lá no final do Corredor a princípio achei que fosse um barulho de encanamento ou vento mas foi ficando claro que era uma voz cantando uma melodia que a gente não conseguia entender vocês estão
ouvindo isso cochichou Iracema que estava no beliche de baixo parece alguém cantando concordou Giovana que dormia perto da Porta lembrei que precisaríamos ensaiar pela manhã para apresentar uma coreografia no auditório IP um dos três espaços de dança do complexo sempre rolava a história de que aquele auditório era Assombrado assim como o auditório Sabiá e o auditório Timbó mas eu nunca tinha dado muita atenção na hora pensamos que alguma professora ou ensaiadora estivesse vocalizando ou marcando ritmo de dança Karina que era a mais destemida entre nós levantou sem Hesitar e foi até o interruptor quando ela
acendeu a luz do quarto de uma só vez o estouro dos reatores e o clarão dos tubos fluorescentes antigos nos cegaram por um instante o prédio era muito antigo paredes descascadas e teias de aranha nos cantos do teto assim que a luz estabilizou o canto no corredor pareceu ficar mais forte como se estivesse chamando a gente várias de nós se levantaram revirei malas procurando a roupa do ensaio que supostamente Seria Naquele dia e algumas meninas correram para o banheiro a fim de lavar o rosto e ajeitar o cabelo ninguém parou para pensar que ainda podia
ser muito cedo estávamos todas tomadas por uma sensação de urgência quando terminamos de vestir nossas roupas de ensaio saímos juntas do dormitório a gente não queria ir sozinha porque o corredor era muito comprido e estava inexplicavelmente gelado o chão de ladrilhos antigos ampliava os sons dos nossos passos e das rodinhas das Malas o canto continu Ava ecoando pelas paredes como se alguém estivesse em alguma sala mais ao fundo fomos andando até encontrar um obstáculo estranho um banco atravessado no meio do Corredor bem em frente à porta que levava ao auditório IP parecia que tinha sido
colocado ali para bloquear a passagem a porta tinha dois vidros opacos que não deixavam ver nada lá dentro ainda assim o canto continuava sem parar antes que a gente reagisse ouvi um barulho forte Atrás de nós virei assustada assim como todo mundo era a Jussara que tinha ficado para trás e bateu à porta do dormitório com força ela estava confusa e ainda de pijama vocês acham mesmo que é hora de ensaiar perguntou apontando para um relógio de pêndulo pendurado na parede o ponteiro marcava 2 minutos para as 3 da manhã Aquilo me deixou desconcertada a
gente tinha combinado de acordar por volta das 5 não no meio da noite Ficamos todas olhando para o Relógio e então os ponteiros se alinharam no Alto do mostrador o badalar ecoou pelo prédio e exatamente naquele momento o canto dentro do auditório Parou foi impossível não perceber o quanto todo mundo ficou inquieto algumas meninas deram risadinhas nervosas olhamos para a Karina que tinha sido a primeira a acender a luz mas ela só deu de ombros sem saber o que dizer o pior aconteceu no instante seguinte todas nós voltamos o olhar para a porta do Auditório
IP e vimos o banco que antes bloqueava a entrada sendo empurrado aos poucos para a direita o movimento era lento e de forma assustadora sem nenhum som de arrasto parecia que o banco deslizava sozinho assim que o relógio parou de badalar o último Eco se misturou ao silêncio do Corredor Então as duas folhas da porta se abriram para dentro do auditório revelando uma escuridão absoluta não dava para ver o piso de madeira as cadeiras ou os Espelhos que a gente costumava usar nos ensaios parecia que a escuridão engolia qualquer luz cada uma de nós sentiu
um arrepio mas a curiosidade de saber quem ou o que estava lá dentro cantando no meio da madrugada era sufocante ficamos sem reação sem saber se íamos em frente ou se recuamos foi quando ouvimos uma voz feminina com timbre de pessoa mais velha vindo lá de dentro Chegaram bem na hora ninguém respondeu por alguns segundos parecia que essa voz estava bem Na porta de tão próxima que soou o chão de madeira rangeu e de repente as lâmpadas do auditório acenderam fazendo aquele barulho característico dos reatores antigos conforme a luz se espalhou o assoalho pareceu vibrar
e soltou um rangido que fez a gente sentir um aperto no peito dei um passo para à frente mas a Iracema me puxou pelo braço apavorada quando olhei de novo o lugar estava completamente vazio não tinha ninguém nenhum sinal de quem tivesse Cantado nessa hora a gente entrou em Pânico Total largamos nossas malas e saímos correndo de volta pelo corredor gritando e trombando umas nas outras nos trancamos dentro do dormitório em puro terror ninguém conseguia voltar a dormir ainda não eram nem 3:30 mas parecíamos mais cansadas do que se tivéssemos passado a noite toda acordadas
no meio dos sussurros ouvi Passos firmes se aproximando fomos para o fundo do quarto Como Se pudéssemos desaparecer dali A Porta Se Abriu e entrou a coordenadora Violeta de roupão azul escuro com uma cara de poucos amigos atrás dela vinham duas professoras que estavam hospedadas em outro quarto para nos ajudar no dia seguinte quem é que tá gritando desse jeito reclamou Violeta com a voz irritada todas tentamos explicar ao mesmo tempo que a gente tinha ouvido um canto estranho e visto a porta do auditório IP Abrir sozinha Violeta revirou os olhos deu meia volta para
o Corredor e resmungou que não acreditava em fantasmas ou bobagens do tipo disse que ia checar o auditório mas não voltou depois disso as duas professoras que ficaram lá tinham reações diferentes a Lúcia parecia genuinamente preocupada a Cácia por sua vez tinha um olhar de quem já viu coisas parecidas então elas começaram a contar que não éramos as primeiras a passar por uma situação sinistra naquele prédio a coordenação não liga muito para isso mas tem gente Que evita entrar sozinha nos auditórios à noite disse Lúcia Cássia contou o que segundo Ela ouviu de funcionários antigos
nos tempos em que a escola ainda abrigava internas havia relatos confidenciais sobre alguns corredores que viviam trancados com cadeado porque diziam que uma ex-aluna já falecida ainda rondava salas de dança falam que pelos anos 80 uma estudante sofreu um acidente fatal em um dos palcos outros dizem que é lenda que ninguém chegou a Morrer de verdade mas há quem Jure ter visto a silhueta de uma bailarina dançando sozinha sem a cabeça sussurrou cásia olhando em volta como se tivesse medo de alguém ouvir a ideia de uma pessoa sem cabeça parecia tão absurda que eu tentei
pensar naquilo como um surto coletivo Mas sendo sincera eu estava com tanto medo que qualquer história ganhava um peso enorme naquele momento lcia contou que quando era aluna ali muitos anos atrás encontrou um Espelho enme cobto por um lençol cinza um dos auditórios ela e as amigas resolveram tiar o lençol para se ver dançando e então enant observam o próprio reflexo perceberam algo se movendo atrás delas no vidro como se alguém tivesse entrado pela porta mas não uma pessoa comum quando se viraram nãotinha ningém no espel porém continua aparecendo figura alta de colã mas sem
a parte de cima Doo Ai que fosse um jogo dez foi nítido demais relatou lcia mão Na C não tremer até hoje sinto umto quando lro naqu PV todas sentadas ou encostadas nas paredes do dormitório tentando não pensar em ter que sair de novo para o corredor o pavilhão do Sol parecia quieto outra vez exceto pelo Pingo de alguma torneira no banheiro Cássia continuou uma amiga minha a Nara ficou presa sozinha no auditório Timbó anos atrás ela foi terminar um relatório à noite com a luz principal ligada e de repente tudo apagou achou que o
zelador Tinha cortado a energia quando tentou sair a porta estava travada Ela ouviu passos que soavam como sapatilhas batendo no piso de madeira cada vez mais perto algumas meninas taparam os ouvidos e pediram para cásia parar de falar mas ela continuou sussurrando quando a porta finalmente abriu ela ainda olhou para dentro do auditório e viu alguma coisa uma forma feminina braços erguidos perna em meia ponta mas nada acima dos ombros a Nara correu em Pânico até uma capela Que existia num anexo da escola acreditando que rezar ia protegê-la assim que ela se ajoelhou no Geno
flexómetro mesmo não acreditando em nada Sobrenatural ficamos o resto da noite dividindo lanternas e falando baixo com medo de ouvir de novo aquele canto de tempos em tempos a gente espiava à porta do dormitório e o corredor escuro mas ninguém tinha coragem de sair o relógio de pêndulo marcava as horas com Badaladas que me deixavam ansiosa toda vez quando Clareou e o sol finalmente entrou pelas frestas das janelas criamos coragem para sair enc amos o banco ainda atravessado perto da porta do auditório IP mas a porta estava fechada a violeta que deveria ter dormido em
um quarto de funcionários não estava em lugar nenhum soubemos depois que ela tinha ido embora cedo dizendo que tinha coisas a resolver o ensaio daquele dia foi um desastre quase todo mundo estava exausto cheio de Olheiras e nervoso parecia que só de pisar no auditório o ar ficava pesado eu tentava me concentrar nos passos mas sentia o mal-estar toda vez que chegava perto dos espelhos entre as alunas começaram a rodar boatos alguns diziam que no passado o colégio construiu o pavilhão do sol em cima dos alicerces de um Casarão antigo outros juravam que antes de
ser escola o lugar era de uma família cheia de tragédias mas a direção dizia que não existia nenhum registro Oficial de acidente fatal ali em um rápido intervalo com a professora Lúcia para ver se havia alguma explicação lógica ela me contou que em situações de muito estresse várias pessoas podem ter alucinações coletivas Ainda mais se compartilham as mesmas histórias e estão pressionadas eu não sei o que vocês viram ou ouviram comentou só sei que existem lugares que parecem ter uma energia estranha e não é qualquer laudo que nega isso saí da Conversa um pouco mais
calma mas ainda com a impressão de que aquela escola guardava segredos que não aperi em relató nenhum nos dias seguintes fiz a apresentação da corografia com minhas colegas depois terminamos o curs e seguimos nosos cinos aqu episo fha cabeça como prova de que há cantos por aí que a gente não compreende por inteiro Nuna dear Pavão do Sol à noite e paraar a verdade até hoje sinto um aperto no peito quando lembro do canto Que despertou a gente às 3 da manhã talvez fosse Apenas Alguém de passagem um encanamento do prédio velho ou um truque
da nossa imaginação Mas eu ainda guardo em alguma parte da memória a voz feminina dizendo Chegaram bem na hora e toda vez que penso nisso fico me perguntando se não foi exatamente desse jeito que uma bailarina solitária tentou nos atrair para o salão escuro onde o tempo parece parar e as histórias nunca chegam a um fim definitivo Cheguei naquela comunidade afastada no interior lá pelo começo de agosto de 2019 fui levado até lá por um programa público que recrutava professores para regiões distantes a princípio aceitei por motivos burocráticos mas também porque eu queria viver uma
cultura diferente e aprender na prática me avisaram que a escola local precisava com urgência de alguém para dar aulas de língua portuguesa e eu me ofereci sem pensar duas vezes apesar de todos os Avisos sobre as dificuldades de acesso e a infraestrutura precária a jornada para chegar foi exaustiva primeiro Peguei um ônibus até uma cidade de tamanho médio depois outro até um povoado menor e no fim encarei várias horas de carro em estradas de terra onde a lama tornava tudo ainda mais complicado quando finalmente pisei lá notei que a área era cercada por mata densa
com árvores bem altas e um ar pesado que me fazia suar sem parar mesmo cansado eu me sentia Animado achando que aquela experiência seria importante para mim e talvez pros alunos também a escola não passava de alguns prédios simples espaçados uns dos outros assim que pude saí atrás de um lugar para morar como eu só ia dormir de segunda a sexta na comunidade precisava de algo mais temporário e que coubesse no meu bolso acabei achando um quartinho quase no fim do povoado feito de tábuas de madeira com cobertura de alumínio devia ter uns 5 m
qu pouca ventilação e Uma lâmpada fraca de 60 wat pendurada no centro do teto mesmo estando empolgado senti um certo abatimento ao ver que o chão era de c cru sem forro sem janelas de verdade dava para ver o lado de fora pelas frestas o que também significava que quem estivesse do lado de fora poderia me enxergar perfeitamente os vizinhos mais próximos ficavam a pouco mais de 50 m então eu praticamente me sentia sozinho mas não tinha muito o que fazer meu dinheiro era curto e não Existia opção melhor apesar disso a comunidade em si
parecia acolhedora a maior parte do pessoal falava um dialeto indígena Mas dava para se virar em português mesmo que fosse meio arrastado eu fazia de tudo para me enturmar gesticulando quando necessário sem querer parecer distante ou ignorante nos primeiros dias tudo correu mais ou menos bem o quartinho embora simples servia para eu tomar banho tinha um chuveiro improvisado num canto de um banheiro Minúsculo e para eu descansar um pouco porém a energia elétrica era instável a luz caía com frequência e eu vivia acendendo vela para não ficar no escuro total de início achei que fosse
normal em lugares remotos só que isso rolava toda a noite e ficar completamente no breu cercado pelos sons de insetos aves noturnas e o barulho distante de um Riacho começou a me deixar inquieto atrás do meu quarto corria um Igarapé que produzia um som constante dizem que Para algumas pessoas isso pode ser relaxante mas quando chegava à noite soava misterioso demais para mim às vezes caía uma chuva pesada batendo com força nas telhas de alumínio e abafando quase todos os outros ruídos teve uma madrugada em que a tempestade foi tão forte que achei que o
teto fosse despencar mesmo assim eu tentava disfarçar o medo era um lugar pequeno com cerca de 200 pessoas e todos sempre me olharam com curiosidade e de vez em Quando com um leve receio de dia eu me realizava na escola os estudantes eram focados e mesmo com pouca fluência em português me receberam super bem e faziam de tudo para entender as aulas eu por minha vez tentava aprender umas palavrinhas do dialeto local no fim das contas estava começando a me sentir parte daquele canto Mas quando anoitecia tudo mudava não existia iluminação públ e a Escuridão
ficava intensa minha única luz era aquela lâmpada no teto quando Ela falhava eu recorria às velas que havia comprado na pequena vendinha da região na primeira semana reparei que além dos sons típicos sapos grilos vento nas copas das Árvores às vezes eu percebia barulhos de passos no começo achei que fosse um animal mas com o passar dos dias eu tinha quase certeza de que alguém andava perto do meu quartinho eram passos lentos como se a pessoa ficasse rodeando se aproximando e depois recuando Mesmo assim eu tentava ignorar pensei que podia ser algum morador checando se
eu tava bem certa noite mais ou menos às 3 da madrugada acordei de repente um clarão atravessou as brechas da parede seguido por um trovão era só um relâmpago mas naquele segundo de luz tive certeza de ter visto uma silhueta parada perto da porta meu coração acelerou mas eu fiquei na cama tentando me convencer de que era só coisa da minha cabeça esperei outro relâmpago e De novo vi a forma de alguém ali estático não dava para ver rosto ou roupa Mas eu senti que aquela pessoa tava me encarando levantei devagar e tentei espiar mas
continuei em silêncio no dia seguinte não falei nada com ninguém não queria dar pinta de medroso preferia achar que talvez fosse alguém bêbado ou curioso que tinha se aproximado por acaso a rotina seguiu tranquila até a terceira noite de temp naquela semana outra vez despertei por Volta das 3 da manhã mas agora com batidas na porta firmes do tipo que não deixa a gente ignorar meio grogue de sono perguntei quem tá aí não houve resposta imediata as batidas insistiram como se quem estivesse ali quisesse garantir que eu não me fizesse de desentendido tentei manter a
calma mas o barulho da chuva no telhado só aumentava a sensação de sufoco pensei em gritar por socorro mas ninguém iria me ouvir foi quando ouvi uma voz jovem quase Suave abra a porta por favor fiquei sem ar Parecia um pedido mas ao mesmo tempo tinha algo esquisito naquele Tom não abri nem respondi o silêncio durou alguns segundos Até que a voz virou uma ordem gelada abra esta porta agora senti meus pelos se eriçar continuei quieto encolhido esperando que fosse embora de repente as batidas pararam depois de uns minutos que pareciam não acabar dei uma
espiada pelas frestas não tinha mais nada a chuva continuava mas não vi sinal De ninguém de manhã fui olhar lá fora e não encontrei Rastro algum nenhuma marca pensei que podia ser brincadeira de alguém mas não tinha provas só restava continuar a tensão foi se acumulando e eu também tava ficando cada vez mais cansado dormia muito mal os barulhos voltaram em outras noites às vezes sem chuva nenhuma em certo momento achei ter ouvido passos no telhado mas me convenci de que devia ser um galho roçando a estrutura duas semanas se passaram com Esses sustos mas
nada que me fizesse sair correndo até que numa quinta-feira eu tava tão exausto que apaguei no instante em que me deitei acordei no meio da madrugada com aquela sensação esquisita de que alguém me olhava abri um pouco os olhos e notei um clarão fraco não vinha de Relâmpago mas de uma lanterna lá fora olhei através de uma das brechas e vi de novo uma figura parada quando se deu conta de que eu tava consciente a pessoa deu uns passos Lentos em direção à porta falou com uma voz tão grave que nem parecia jovem eu sei
que você tá acordado abre por favor tem alguém me seguindo meu coração foi a 1 e eu comecei a suar mesmo com a Madrugada Fria pensei em perguntar quem era mas não consegui soltar nenhuma palavra fiquei a pessoa bateu outra vez na porta forte até desistir quando a batida parou ouvi passos se afastando só então eu voltei a respirar pela manhã saí de fininho com Um pedaço de pau na mão mas só vi folhas espalhadas e um pouco de lama seca nada de pegadas depois disso comecei a procurar outro lugar para morar comentei com os
colegas de trabalho mas as Casas deles já estavam cheias ou eram divididas com familiares finalmente pedi a um deles o Geraldo professor de matemática para dividir o lugar dele em troca de ajuda no aluguel não falei o motivo verdadeiro só reclamei que o quarto de madeira era ruim demais ele Topou e eu saí de lá o mais rápido que pude a mudança não demorou a chamar atenção na comunidade logo alguns alunos vieram me perguntar se eu tinha passado por algum incômodo de noite eu desconversava não queria me aprofundar no assunto só que um dia no
fim da aula um rapaz chamado Denilson que era mais falante chegou em mim e foi direto ao ponto professor o senhor chegou a ver o Elias Fiz cara de quem não entendia Elias aí ele me contou que antes de mim Outro professor morou naquele mesmo quartinho ele também foi embora em uma semana atormentado por Batidas na porta e completou dizendo que Anos Antes um jovem chamado Elias tinha morrido de um jeito estranho por lá segundo a avó dele Dona Zilda o rapaz foi achado sem vida justamente ao lado daquele quartinho como se tivesse deitado para
dormir e nunca mais acordasse não deixaram fazer exame nenhum no corpo por conta dos costumes locais e a família de Elias foi Expulsa da comunidade depois acusada de coisas proibidas senti um arrepio incômodo eu não sabia se acreditava em assombração mas aquilo combinava demais com o que tinha me acontecido mais tarde a diretora da escola professora Lúcia que nasceu ali mas passou uns anos na capital confirmou a história do Elias falou comigo com um ar sério essas terras T segredos que a gente não compreende bem É melhor não ficar fuçando Quem pergunta demais acaba Descobrindo
coisas que talvez preferisse não saber saí de lá abalado ficava cada vez mais claro que aquele quartinho que tinha me abrigado e me metido tanto medo era parte de algo bem mais profundo do que simples pegadinhas noturnas até hoje quando lembro de cada detalhe é difícil de ldar nunca cheguei a ver o rosto de quem batia na porta pedindo para eu abrir nunca tive coragem de encarar aquilo diretamente o que tenho na cabeça são suposições e até hoje sempre que Ouço aquela chuva forte batendo no telhado sinto o peito disparar como se eu ainda estivesse
deitado ali esperando as batidas recomeçarem quando meu contrato terminou fui embora da comunidade não voltei naquele quartinho e também não fui atrás de mais explicações aprendi que existem lugares onde as pessoas mantêm silêncio sobre histórias complicadas e nem todo mistério quer ser resolvido mesmo hoje lembrar daquele período mistura um certo Medo com respeito Talvez o Elias ou seja lá quem fosse realmente precisasse de ajuda ou quisesse me arrastar para uma situação sem saída não sei só sei que preferi não descobrir se estiver gostando dos relatos não se esqueça de já deixar o seu like ele
é muito importante bem vamos continuar não consigo tirar da cabeça o calor sufocante do lugar onde passei boa parte da minha infância era um povoado pequeno numa região do Brasil que Prefiro não mencionar mas o que importava de verdade era que de Janeiro a Dezembro o ar vivia pesado quase grudando na pele e o céu mesmo quando parecia nublado não abranda o sol insistente as noites também não traziam alívio a brisa úmida deixava tudo abafado beirando o insuportável por volta dos meus 13 anos eu já estava acostumado a trabalhar no que fosse preciso ajudando meus
pais em tarefas de casa e de vez em quando na lojinha que Eles mantinham numa cidade próxima meus pais me levavam para lá quase todos os dias Pois eu ainda estudava no que chamavam de colégio público Regional o lugar era simples mas tinha professores dedicados e uma biblioteca pequena onde às vezes eu tentava me distrair na maioria das vezes porém eu acabava ajudando na loja pela manhã e só ia para as aulas à tarde o problema é que no fim da década de 1980 muitos adolescentes queriam mesmo Era se sentir Livres Então nem sempre a
escola era prioridade várias vezes eu me juntava a alguns amigos e em vez de ir pra sala de aula cortá caminho por trilhas de terra que passavam por lavouras e terrenos abandonados só para buscar algum tipo de Aventura longe dos adultos foi assim que num desses dias achamos uma construção estranha quase em goida por moitas e árvores altas não parecia nada com as casas simples de Colono que a gente conhecia tinha dois Andares mas o de cima parecia inacabado e cercado por uma faixa de concreto esfarelado não se viam portas ou janelas na parte externa
nem mesmo aquelas aberturas tapadas com tábua ou tijolo comuns em ruínas antigas ali tudo era liso como se nunca tivessem planejado entradas ou passagens no começo pensei que vez fosse um galpão inacabado Já os outros achavam que era uma casa feita de propósito sem portas teve quem comentasse que podia Ser moradia de bruxa Afinal sempre rolava alguma história sobre gente que fazia rituais estranhos naquela região éramos em torno de seis ou sete amigos mas naquele dia só quatro se aproximaram para ver de perto eu admito que fiquei parado atrás de uma árvore grande cheia de
raízes e cipós tentando disfarçar a aflição vamos ver o que tem do outro lado foi a sugestão da Patrícia que era sempre a mais ousada andamos alguns metros pela lateral do prédio coberta de Plantas e teias de aranha da frente até os Fundos não se via nenhuma entrada normal mas nos fundos rente ao chão tinha um vão Estreito quase escondido por galhos secos era tão apertado que obrigaria a pessoa a se deitar de barriga e se arrastar ao redor só dava para ver fol amassada e o cheiro forte de terra molhada mesmo assim não foi
o que mais mexeu com a gente pouco antes daquele buraco havia um minúsculo Pátio onde vimos brinquedos infantis largados Em estado deplorável um balanço pendurado por correntes quase comidas pela ferrugem um trepa-trepa enferrujado um escorregador de metal coberto de lodo e uma gangorra que parecia em Melhor estado mas emitiu um rangido de arrepiar quando um dos meninos chegou perto de todos o único que teve coragem de sentar ali foi o Gerson mas ele desistiu logo quando escutou um estalo no eixo não me sinto bem aqui falei tentando esconder o incômodo que me tomou na hora
A gente tinha 13 14 alguns 15 anos mas agamos como se fôssemos Invencíveis mesmo assim ninguém quis se arrastar por aquele buraco nos fundos da casa naquele primeiro dia dava para sentir que tinha algo muito errado ali parecia que a a qualquer momento alguém ia aparecer e dizer que estávamos fazendo besteira mas nunca surgia ninguém o tempo passou e aquele lugar virou a nossa Fortaleza de segredos quando fugíamos das aulas a gente se reunia ali passava à tarde Conversando explorando a mata ao redor ou inventando brincadeiras sem graça falávamos da casa sem portas como se
fosse um ponto onde tínhamos superado o medo mas na real todo mundo continuava desconfiado alguns diziam ouvir sussurros que vinham das paredes mas nunca era algo Claro era sempre uma sensação desconfortável como se houvesse mais alguém lá dentro a gente não ficava muito tempo ali duas ou TRS horas até antes do anoitecer porque até os mais Corajosos não queriam saber daquele lugar depois que escurecia eu voltava para casa caminhando sozinho por estradas de barro e minha cabeça ficava cheia das histórias sombrias que meu avô costumava contar eu queria dizer que orava ou pensava em Deus
mas naquela época minha preocupação era não levar bronca por chegar tarde depois de alguns meses nessa rotina chegou o dia em que tudo mudou dois dos nossos amigos não puderam ir por Questões de família então só quatro seguiram até o local incluindo eu e Bruno que era meu melhor amigo naqueles tempos o clima estava ainda mais úmido que o normal e escurecia depressa mesmo sendo começo de tarde me lembro claramente do vento que agitava as plantas e do barulho dos Galhos das árvores mais altas que pareciam se partir a gente estava espalhado pelo Pátio a
Patrícia e o Bruno conversavam perto do escorregador e eu tentava me Balançar naquela corrente velha enquanto o André rodava ao redor da casa fazendo piada sobre o lugar em que o diabo tira soneca Foi aí que sentiu um cheiro de fumaça como se alguma coisa estivesse queimando por perto você estão sentindo isso perguntei parando o balanço a Patrícia fechou os olhos e respirou fundo O Bruno só fez que sim com a cabeça de cara fechada sem pensar muito descemos o pequeno declive que existia atrás do pátio procurando alguma Fogueira ou foco de incêndio mas não
vimos nada talvez alguém estivesse queimando lixo algo que acontecia bastante na região mas naquele momento o que mais chamou atenção foi o silêncio nem os insetos que sempre faziam barulho estavam ativos Esse silêncio pesou na nossa cabeça como se fosse um aviso quando voltamos pro Pátio percebemos que o André não estava mais lá a mochila e o boné dele continuavam encostados num dos brinquedos mas ele mesmo tinha sumido Foi então que a Patrícia se aproximou dos arbustos que escondiam aquele vão rente ao chão e soltou um grito eu corri até lá e vi as pernas
do André se debatendo já dentro do buraco antes que a gente pudesse reagir ele soltou um grito abafado e algo o puxou para dentro com força André gritou o Bruno tentando agarrar o amigo em vez de conseguir salvá-lo o Bruno também foi puxado e bateu os joelhos no concreto tive que puxá-lo de Volta rápido para que ele não Fosse arrastado também aquilo me paralisou lá no escuro do buraco tinha algum tipo de ruído como se algo se mexesse não não sei dizer se eram Passos braços ou só minha imaginação mas havia movimento lá dentro logo
o grito do André sumiu em segundos só se ouvia meu coração disparado a gente ficou sem reação Ninguém queria colocar a cabeça naquele espaço apertado onde não daria para se defender ou enxergar direito a Patrícia tremia sem conseguir falar o Bruno tentava se recompor com arranhões nos braços e o pavor estampado no rosto por mais difícil que fosse entendíamos que alguma coisa ou alguém tinha puxado o André e calado a voz dele então começamos a gritar o nome dele sem resposta quando percebi que não adiantava mais ficar ali Me virei pro mato e saí correndo
em direção ao povoado a Patrícia veio atrás o Bruno ainda hesitou como se não quisesse abandonar o amigo mas não tinha escolha Alguns minutos depois estávamos todos disparando pela trilha quase caindo até chegar numa estrada de terra mais próxima de casa foi aí que nos separamos a Patrícia foi chamar o pai e eu corri direto para minha casa desesperado torcendo para aquilo tudo ser só um pesadelo encontrei meu pai no portão e ele percebeu na hora que tinha algo muito errado quase não precisei falar nada ele pegou as chaves do carro e me mandou ficar
dentro de casa em poucos Minutos vi o pai da Patrícia e alguns vizinhos aparecerem com facões na mão gritando alguma coisa para meu pai eles estavam decididos a ir até aquela construção para achar o André fique aqui meu pai ordenou subindo na carroceria de um caminhão pequeno junto com os outros aquilo foi a última vez que vi algum adulto falar daquele lugar de forma direta no dia seguinte meu pai me disse para não ir à escola que eu ficaria em casa ajudando não deu detalhes mas vi Que ele estava preocupado comigo contou que não acharam
o André lá dentro mesmo depois de quebrarem parte das paredes para procurar mais tarde escutei coxixos na vizinhança de que teriam encontrado algo horrível pendurado numa corda nos galhos da árvore ao lado do parquinho mas todo mundo evitava o assunto como se o silêncio fosse a única proteção a gente sabia que o André não ia voltar e aquilo me corroía por dentro cerca de um ano depois com a rotina voltando aos Poucos eu o Bruno e mais dois amigos achamos que precisávamos voltar lá quase ninguém falava do sumiço ou do que houve dentro daquela casa
o que só aumentava a nossa curiosidade e o medo sem avisar ninguém a gente foi num sábado de manhã levando na mochila um pouco de coragem e rezando em silêncio para não ser loucura assim que chegamos Levamos um susto as paredes que tinham sido derrubadas estavam inteiras como se nada tivesse acontecido o pátio que antes tinha Brinquedos largados agora estava vazio o escorregador o balanço a gangorra tudo tinha sumido em compensação no galho principal da mesma árvore pendiam seis cordas Cada uma com um nó em forma de laço meu estômago embrulhou o Bruno levou a
mão à boca assustado vamos embora disse a Patrícia sem esconder a vontade de sair correndo por um instante a gente ficou travado porque escutamos um barulho seco como se algo tivesse caído dentro da casa Ninguém quis pagar para ver começamos a nos afastar mas nesse movimento tive a sensação de ver uma figura pendurada numa das cordas juro que reconhecia a calça jeans rasgada e o tênis do André foi como se ele estivesse ali me olhando com o corpo duro e os olhos fixos mas tudo durou apenas segundos depois sumiu como um vulto que desaparece no
ar a gente disparou de volta e chegou ao povoado em Pânico Total eu tremia tanto que não conseguia nem falar direito a Patrícia caiu em prantos o Bruno que sempre foi o mais firme seguia calado de cabeça baixa aquilo mexeu tanto com a gente que quase não nos falávamos mais nos meses seguintes minha mãe notou como eu tinha mudado e tentou conversar mas eu já estava cansado de inventar desculpas então só disse que era coisa de adolescente soube depois por um primo que o pessoal do lugar tocou fogo na casa e na árvore para tentar
acabar de vez com com qualquer coisa ruim que Estivesse rondando ali não sei se é verdade ou só fofoca porque nem eu nem meus amigos tivemos coragem de voltar lá para ver afinal nunca Encontraram o corpo do André e só comentavam em sussurros que alguém ou alguma coisa Teria enforcado ele naquela árvore para depois esconder tudo de todo mundo nunca ficou Claro se existia mesmo um morador misterioso Ou se era obra de alguma mente perturbada que vivia escondida naquele lugar sem nelas as teorias Variam mas nenhuma consola hoje mais velho ainda fico pensando no que
aconteceu naquele Pátio se havia brinquedos lá quem os colocou e por Qual razão Será que existia mesmo uma família vivendo naquela casa sem entradas ou tudo servia para rituais sombrios nunca encontrei resposta mas não esqueço do barulho das correntes do cheiro de fumaça do desespero ao ver o André ser puxado pro escuro tudo volta à minha mente nos dias de calor pesado quando a Noite também parece sufocar é Impossível não lembrar que um de nós ficou para trás preso a algo que nunca vamos entender por completo em meados de 2020 quando quase todo mundo comeou
a com mudanças bruscas na rotina resolvi manter meu Chalé aberto para a locação sempre acreditei que mesmo em tempos conturbados haveria quem buscasse Refúgio Na natureza o Chalé fica numa área montanhosa de Santa Catarina cercada por Araucárias e Trilhas pouco exploradas foi meu avô quem ergueu a casa em 1977 numa época em que aquela parte do Estado era bem mais isolada com o passar das décadas fiz adaptações para hospedar quem aparecia nos feriados e nas férias de verão ou inverno mas na maior parte do ano o Chalé ficava vazio tenho dois telefones um para uso
pessoal que fica sempre comigo e outro só para assuntos do Chalé gosto de separar as coisas para não ser pego desprevenido em horas Inoportunas naquele período no entanto Tive que me acostumar a receber ligações tarde da noite porque quem procura um lugar afastado costuma ter todo tipo de imprevisto falha na Caldeira de água quente dúvidas sobre a despensa ou até pedido de cobertor extra para enfrentar o frio nas Serras numa sexta-feira que já ia chegando perto da meite o telefone de reservas tocou sem parar fiquei apreensivo Eu ainda não tinha pegado no sono de verdade
mas o barulho me pegou Desprevenido antes de atender olhei o visor para ver se era algum número conhecido não reconheci o DDD suspirei e atendi alô boa noite em que posso ajudar tudo o que ouvi de início foi uma respiração pesada como se a pessoa do outro lado tivesse corrido bastante aguardei alguns segundos até que surgiu uma voz masculina meio fraca Oi boa noite O Senhor é o dono do Chalé certo confirmei ele parecia agitado e logo Ouvi uma voz feminina ao fundo Igualmente nervosa tentei manter a calma e imaginando que fosse algo rotineiro tipo
lençóis extras ou problema com a chave mas a voz do homem suou mais firme quando voltou a falar Preciso de ajuda nós perdemos perdemos um menino na trilha mas por favor não Chame a polícia aquela frase Me deu um aperto na hora parecia uma mistura de ordem e Súplica já recebi uns pedidos estranhos de hóspedes mas nada parecido com aquilo fiquei em silêncio por um instante Sentindo o coração bater acelerado a mulher dele gritava ao fundo falando algo que não conseguia entender direito só pegava palavras como socorro e por favor não vocês estão bem perguntei
tentando manter a voz firme onde vocês estão agora ele explicou que estavam num ponto mais alto da estrada de terra h poucos quilômetros do chalé em busca de sinal de celular eu sabia que lá em cima a recepção era ruim por isso sempre deixavam mapa dentro da casa de hóspedes Marcando os lugares onde o telefone funcionava melhor pelo visto eles tinham seguido esse mapa para me ligar enquanto falava o homem repetia que eu não chamasse as autoridades o que só aumentou minha suspeitas espera aí vocês me dizem que perderam um menino certo retruquei não é
recomendável deixar de acionar a polícia aqui na serra a temperatura despenca de noite e se essa criança estiver machucada perdida ou sozinha ele insistiu quase implorando Por favor senhor não faça isso a gente consegue resolver mas precisamos de lanternas de alguém que conheça essa mata e que não faça perguntas desliguei o telefone sentindo um incômodo difícil de ignorar não dava para fingir que uma criança não podia estar desaparecida se fosse meu filho ou minha filha eu ia mobilizar quem fosse possível Fiquei em dúvida mas a prudência falou mais alto liguei para a delegacia da região
e contei o que sabia eles me orientaram a Ir até o local mas sem me arriscar muito garantindo que enviariam uma viatura o mais rápido possível calcei minhas botas impermeáveis peguei um casaco Grosso uma lanterna forte e também minha velha carabina de caça que está registrada e guardada para emergências Meu pai sempre me ensinou que em áreas rurais é comum precisar de uma arma por causa de animais selvagens só que na caso eu estava mais preocupado com o pedido esquisito daquele casal do que com Qualquer bicho que pudesse aparecer entrei no carro e segui pela
estrada de terra que estava iluminada apenas pela lua minguante apesar da tensão não era um trajeto longo uns 25 minutos até o Chalé o ar parecia mais úmido naquela noite e a neblina ficava mais densa conforme eu subia cada vez que me aproximava da propriedade minhas mãos suavam no volante não era só pela criança desaparecida Mas pelo receio de que algo bem mais sombrio estivesse Acontecendo ao chegar Estacionei no pátio de Cascalho ao lado da casa vi duas pessoas correndo no meio da Mata rala que fica perto da trilha parecia ser o casal estavam agitados
iam de um lado a outro sem parar deixei os faróis acesos para iluminar e desci do carro caminhando até eles vocês estão bem perguntei tentando suar tranquilo a mulher Helena fiquei sabendo o nome porque o marido a chamava assim direto correu em minha direção olhos Arregalados e segurando um lenço que não dava conta de enxugar o suor o homem Paulo veio logo atrás ambos totalmente desesperados Cadê o menino ele sumiu na mata acho que correu e se perdeu Helena falava enquanto apontava para as árvores mais ao alto só preciso de mais tempo nós vamos achar
ele por favor não chama mais ninguém não consegui segurar desculpa mas eu já chamei a polícia está a caminho não posso simplesmente ignorar uma criança perdida a reação deles foi Puro Pânico Paulo me olhou com raiva e medo ao mesmo tempo por um instante Achei que ele fosse partir para cima mas ele só recuou tentei amenizar vamos procurar dentro da casa primeiro vai que ele entrou subiu no sótão ou algo assim eu conheço este Chalé melhor do que ninguém vou checar Cantinho Para ter certeza de que ele não está lá dentro fui até a porta
principal E usei a chave reserva que sempre levo comigo acendi algumas lâmpadas e comecei a revisar Cada cômodo o Chalé tem uns espaços de armazenagem escondidos onde guardo produtos de limpeza roupas de cama e coisas do dia a dia dos hóspedes muitos nem percebem essas áreas porque as paredes de madeira disfarçam bem as portinholas abri todos conferi o interior mas não vi nada que indicasse a presença de uma criança subi à escada Estreita que leva ao sótão onde Guardo um sistema simples de monitoramento por câmera são três câmeras externas uma na Entrada principal outra na
lateral e a última nos fundos perto de um galpão antigo dei uma olhada rápida e não vi nada estranho naquele momento só A neblina atrapalhando a visibilidade de qualquer forma eu precisava voltar para organizar a busca quando saí da casa vi o casal de novo circulando pelo terreno desorientado Chamando por Vicente só então reparei que eles não tinham mencionado o nome da criança antes talvez estivessem confusos mas de todo Modo me dei conta de que não sabiam que eu havia chamado a polícia ou simplesmente não queriam confirmar olhei para a mata ao redor e notei
as folhagens balançando com o vento leve a lua encoberta por nuvens ainda iluminava minimamente o c alguns minutos depois escutei um motor se aproximando e vi a viatura Chegando na curva acenei com a lanterna quando a sirene suou na estrada de terra Helena e Paulo se entreolharam brancos de medo Sem hesitar largaram o terreno do Chalé e correram em direção à trilha mais acima sumindo no meio das Árvores gritei por eles mas não adiantou não voltaram nem olharam Para trás dois policiais saíram do carro falaram algo comigo e começaram vasculhar a área chamando pela criança
desaparecida enquanto um deles Roberto circulava ao redor do Chalé o outro Gerson pediu que eu fosse à delegacia prestar mais informações eu ainda tinha esperança de que o menino Estivesse por perto mas não podia deixar de colaborar antes de sair dei mais uma olhada para ver se havia sinal de que o garoto pudesse ter entrado na casa nada então tranquei tudo com correntes e Gerson ficou até eu voltar a delegacia ficava numa cidadezinha Ao Pé da Serra durante o caminho eu tentava processar o que estava acontecendo uma série de perguntas me rondava porque o casal
estava tão desesperado para que eu não chamasse a polícia e o que significava Aquela frase ele não é nosso filho cheguei a ouvir Helena dizendo isso de passagem no meio do tumulto não tinha certeza se era real ou se eu tinha entendido errado na delegacia expliquei tudo o telefonema meus registros de reserva a descrição do casal que apareceu no Chalé eles tinham pagado antecipado e não tinham mencionado a presença de uma criança a polícia anotou os detalhes e me liberou dizendo que continuaria as buscas na mata mas que Também suspeitava de algo criminoso envolvendo aquelas
duas pessoas voltei ao Chalé de madrugada exausto e meio desnorteado mas sentia que precisava cuidar do lugar se o o casal voltasse encontraria tudo trancado e talvez desistisse de qualquer plano estranho quando entrei percebi que estava tudo em ordem lá dentro as luzes da sala estavam acesas Como eu havia deixado não vi sinal de invasão suspirei Desativei o alarme e encostei a carabina num canto Ao meu alcance fui primeiro ao sótão conferir se o policial tinha deixado algo gravado nas câmeras mas antes acendi o lustre da sala de jantar meu coração quase parou ao notar
que havia alguém sentado a poucos metros de costas para mim levei um susto porque não vi nada quando entrei de relance percebi que era a silhueta de um garoto ou algo que se parecia com um garoto quem está aí gritei apontando a lanterna a figura não se mexeu cheguei mais perto e vi que Era um boneco quase do tamanho de uma criança vestido com camisa xadrez e calça jeans as mãos muito bem feitas estavam apoi na mesa o cabelo sintético era castanho e curto mas o mais estranho era o rosto impressionantemente detalhado realista a ponto
de ser assustador na altura do peito um bordado com o nome Vicente Fiquei parado un segundos parecia que eu encarava algo que não devia estar ali meu instinto dizia para me afastar mas ainda assim eu Queria entender de onde Aquilo tinha vindo e por estava ali pensei será que Paulo e Helen de o boneco antes de fugir mas todas as portas estavam trancadas tentei levantar a mão para tocar no boneco Mas me deu uma repulsa enorme como se eu fosse encostar em algo vivo dei um passo para trás e corri para o sótão queria ver
as gravações voltei o vídeo enquanto um vento úmido entrava por uma fresta no telhado vi a hora em que a viatura apareceu eu mesmo falando Com os policiais depois eles indo embora continuei voltando até o fim da tarde anterior Quando o casal chegou Helena e Paulo surgiram nas imagens saindo de um carro escuro ele trazia uma mala pesada e ela umas sacolas não havia nenhuma criança com eles mas notei que Helena segurava a mala como se estivesse muito cheia se o menino estivesse ali dentro não fazia sentido só que era a única explicação que passava
pela minha cabeça ela entrou no Chalé com a mala e depois Não apareceu mais nada relevante no vídeo o resto da noite foi calmo sem movimento aparente apavorado descia as escadas tentando me convencer de que o tal boneco era só um objeto bizarro que o casal trouxe Mas por que dizer que era uma criança desaparecida poderia ser um trote um golpe ou algo Pior que eu nem saberia explicar passei o resto da noite acordado sentado no sofá e com a lanterna e a carabina do lado mais de Uma vez tive a nítida impressão de que
o boneco me olhava mesmo sendo sendo Só um objeto pode ser coisa da cabeça mas essa sensação não ia embora perto das 3 da manhã quando o vento uivava pelas janelas jurei ter ouvido um passo arrastado perto da cozinha fui atrás do barulho fucei tudo não achei ninguém quando voltei para a sala o boneco continuava lá do mesmo jeito no dia seguinte logo cedo liguei para minha esposa e avisei que eu ficaria mais um Tempo no Chalé porque a situação estava estranha não quis dar detalhes para não deixá-la alarmada a ideia de abandonar o lugar
me dava a impressão de que algo pior poderia acontecer Peguei uns cadeados extras no carro reforcei as correntes nas portas e antes de o sol ficar muito forte copiei as gravações das câmeras nada novo decidi que ficaria por lá nos próximos dias arrumando algumas coisas e esperando algum contato do casal pouco depois com as restrições De deslocamento por causa da crise sanitária daquele ano acab trazendo minha família para o Chalé para passarmos a quarentena por mais que o clima estivesse pesado eu não queria deixar a casa largada Além disso havia um certo conforto e a
região era pouco movimentada minha filha Sofia de 7 anos ficou animada adorava brincar entre as árvores e correr no quintal embora eu sempre pedisse cuidado redobrado minha esposa Carla veio meio desconfiada mas Aceitou quando percebeu que a cidade também estava cheia de in certezas no começo até que deu tudo certo o boneco continuava na sala de jantar imóvel e eu não tive coragem de jogar fora ou queimar achava que isso só ia aumentar a sensação ruim que pairava no ar Carla achou estranho mas não questionou muito talvez ela achasse que fosse só um objeto deixado
por algum hóspede na terceira noite perto das 10 percebi que Sofia corria pela casa como se estivesse Brincando de esconde-esconde Ouvi as risadas dela e o barulho rápido dos pés no piso de madeira também notei um som diferente um Sininho tocando como se alguém balançasse para chamar atenção fui até o corredor para procurá-la mas só a Vi parada cobrindo o rosto com as mãos no típico gesto de quem conta antes de sair correndo para achar alguém ela murmurava um dois três já então saía em disparada para outro cômodo rindo de um jeito que me deu
uma sensação estranha Abri a porta do quarto e perguntei Sofia com quem você está brincando a essa hora ela se virou meio sem graça desculpa papai é que o Vicente me chamou ele tem um Sininho você não ouviu meu estômago deu um nó na mesma hora mas tentei não assustá-la ele e onde ele está agora perguntei baixando a voz ela apontou para a portinha atrás do armário onde a gente costuma guardar colchonetes e roupas de cama eu já tinha verificado aquele lugar quando procurei pela Suposta criança abri e só vi a pilha de lençóis e
cobertores alguns meio revirados como se alguém tivesse mexido H pouco minha filha insistia Ele entrou aí pai depois desceu correndo falou que vai aparecer de novo quando eu terminar de contar Carla apareceu no corredor notando meu nervosismo Sofia apontou de novo para a portinhola mãe eu tô brincando com o Vicente Ele disse que veio ver você também minha esposa me olhou assustada sem entender nada levei As duas para a sal e perguntei à Sofia como era esse menino ela descreveu alguém com a cabeça diferente e roupas rasgadas fiquei sem chão pensei no boneco sentado na
mesa mas fui dar uma olhada e ele não estava mais lá eu tinha passado na sala há pouco tempo e se ele ainda estivesse na cadeira eu teria visto Carla começou a perceber que havia algo muito estranho me encarou com um olhar de cobrança quem é Vicente e o que você não me contou sobre esse boneco ela Exigiu assustada apontei para onde o boneco costumava ficar ele simplesmente não estava lá um arrepio percorreu meu corpo mesmo não acreditando em coisas sobrenaturais aquilo Parecia Impossível alguém teria mudado o boneco de lugar sem que eu percebesse não
fazia sentido Sofia continuou correndo pela casa como se seguisse o som do Sininho a cada poucos segundos ela parava e chamava Vicente dizendo frase sem nexo não me deixa para trás vou te achar espera por Mim nunca vi minha filha tão entretida numa brincadeira mas aquilo não parecia normal depois de alguns minutos tentando acompanhá-la notei que uma das portas secretas do Chalé estava um pouco aberta era a do porão que leva a um espaço onde guardamos equipamentos de pesca e ferramentas velhas me inclinei com a lanterna na mão mas só vi umas caixas empilhadas porém
o ecoar bem baixinho lá dentro Sofia vem para cá pedi tentando não demonstrar o Pavor que eu sentia já tá tarde é hora de dormir ela me obedeceu meio contrariada Carla a levou para o quarto e eu fiquei na sala com minha esposa então contei tudo o que aconteceu na semana anterior o casal o tal menino perdido o boneco com o nome bordado assumi que estava com receio de me livrar dele entender melh fosse por medo ou superstição para minha surpresa Carla não me criticou só ficou apreensiva seu pai já tinha me falado Umas histórias
estranhas sobre este Chalé ele dizia que vocês andavam com a carabina também porque às vezes ouviam barulhos na mata ela comentou com a mão trêmula você acha que pode ser alguma armação gente tentando assustar a gente para entrar no Chalé depois dei de ombros o que mais me incomodava era Sofia estar envolvida com algo que a gente não entendia no dia seguinte tentei ligar para meu contato na delegacia mas não Havia nenhuma notícia de Paulo e Helena os policiais não encontraram criança nenhuma as buscas não avançaram naquela tarde resolvi ver as gravações mais uma vez
subi ao sótão puxei o fio da lâmpada e liguei o console notei que na noite anterior a câmera frontal Tin Em alguns momentos por causa da neblina mas registrou uma cena estranha pouco depois da meia-noite apareceu uma silhueta menor que a de um adulto na porta principal e o holofote externo acendeu Em seguida a imagem distorceu como se alguém passasse em frente à lente não dava para dizer se era o boneco ou uma criança mas certamente havia alguma coisa ali me deu um desconforto tão grande que desliguei o sistema antes de terminar de assistir nas
semanas seguintes Sofia continuou mencionando O Vicente dizia que ele não falava só ria e balançava um Sininho para ela seguir várias vezes eu entrava num cômodo e tinha a impressão de ver um vulto Escapando pela porta era rápido silencioso Carla também passou a ouvir Passos principalmente perto do anoitecer O clima ficou insustentável então decidimos voltar para nossa casa na cidade aquela sensação de tem alguma uma coisa estranha aqui estava sufocando não vou largar tudo trancado por muito tempo mas não posso submeter vocês a isso expliquei enquanto a gente guardava as malas no carro Sofia chorou
dizendo que gostava de brincar de esconde-esconde Com o amigo chamado Vicente aquilo Me deu um aperto terrível ela falava que ele era legal só meio triste parecia que minha filha estava se apegando a algo que não fazíamos ideia do que era depois disso passei a visitar o Chalé a cada três ou quatro dias só para checar se estava tudo certo de fora nada parecia diferente mas sempre que eu entrava sentia o ar pesado Algumas Noites em que precisei dormir lá acordei de madrugada ouvindo o Sininho tocando em algum canto Do térreo descia as escadas com
a arma na mão apontando para todo lado mas nunca achava nada em uma dessas vezes percebi que o boneco tinha desaparecido por comp revirei o Chalé e o galpão mas não achei sinal dele em vez de me deixar aliviado isso me deixou Ainda mais inquieto se Helena e Paulo voltaram para buscar o boneco como entraram sem arrombar nada o alarme não tocou e afinal o que era toda essa história o casal continuava Foragido segundo meus contatos na delegacia ninguém jamais me procurou para esclarecer nada até hoje não sei direito o que aconteceu na noite em
que recebi aquela ligação tão estranha não faço ideia se havia mesmo uma criança Ou se era algum golpe sequestro tráfico ou algum tipo de ritual doentio também não posso afirmar que o boneco fosse algo sobrenatural talvez minha cabeça tenha me traído influenciada por todo o estresse só que em algumas madrugadas Deitado na minha casa na cidade fecho os olhos e quase ouço o Sininho tocando ao longe é uma lembrança que me atormenta não importa quanto tempo passe tenho a impressão de que Vicente ainda está lá de alguma forma não costumo contar essa história para ninguém
com medo de acharem que enlouqueci mas no fundo espero por um desfecho se um dia Helena e Paulo aparecerem de novo no Chalé quero tirar satisfações quem sabe assim vou ter as respostas que me perseguem Enquanto isso deixo a porta principal bem trancada e mantenho as câmeras ligadas e toda vez que o telefone do Chalé toca no meio da madrugada lembro daquela voz desesperada pedindo que eu não chamasse a polícia parece que essa história ainda não terminou Eu me recordo bem de quando tinha por volta de 7 anos e morava no interior lá pelo fim
da tarde quase quando o dia estava indo embora eu adorava ir brincar num terreno Abandonado que ficava algumas quadras de casa hoje Admito que pode parer estranho imaginar uma criança andando sozinha por ras pouco iluminadas mas naquela época minha família nãoera tanto risco também não sabíamos direito que tipo deis a gente poderia encontrar o tal terreno de cara não chamava muita atenção uns bancos de cimento já gastos umas árvores plantadas meio sem ordem e um espaço improvisado onde a molecada do bairro jogava bola ou soltava pipa com o tempo Resolveram montar ali um parquinho de
ferro que já estava enferrujando e espalharam areia em volta para suavizar os tombos muitos pais sentavam nos bancos para vigiar as crianças ou bater papo de vez em quando minha mãe a Dona Laura fazia o mesmo mas tinha dia em que eu aparecia por lá sem nem avisar Foi numa dessas tardes que conhecia a Valéria uma menina meio tímida que sempre levava uma garrafa de refrigerante para dividir com a galera Ela morava com a mãe e o padrasto em uma casa não muito longe a gente conversou algumas vezes pegou amizade e logo outras crianças foram
se juntando formando uma turminha que se encontrava quase todo fim de tarde lembro que minha mãe sempre me dava o mesmo recado antes de eu sair não vai muito longe e volta quando escurecer entendeu eu obedecia pela às vezes perdia a noção do tempo porque era gostoso correr pela grama ou Empurrar o balanço feito de pneu e corda quando eu dava uma espiada nos Bancos via minha mãe de longe fazendo um sinal para eu ir embora antes de ficar tarde mas em várias ocasiões eu topava com outra mulher sentada ali a postura lembrava a da
minha mãe o cabelo preso num rabo de cavalo até as roupas eram parecidas de longe eu achava que era ela só que quando chegava mais perto reparava uma coisa estranha aquele rosto não batia com o da mamãe que eu via em Casa era um semblante frio como se não sentisse nada num dia desses a Valéria veio até mim toda empolgada Vai ter bolo lá em casa amanhã minha mãe quer que vocês apareçam é meu aniversário e eu quero todo mundo lá eu aceitei na hora combinamos de nos encontrar no terreno no fim da tarde e
depois iríamos juntas para a festa quando chegou o dia a Valéria veio com a mãe dela a dona Vera para buscar nosso grupo Só que eu era a única sem autorização oficial porque não Tinha comentado nada com a minha mãe mesmo assim quando olhei para o banco de cimento lá estava a Dona Laura Ou pelo menos eu achei que fosse fiz sinal de que ia com a Valéria e aquela mulher apenas Balançou a cabeça de leve como se concordasse a gente andou alguns metros e de repente ouviu uma voz atrás de mim filha para onde
você vai olhei e vi a minha mãe de verdade parada perto de outro banco um Pouco Mais afastada Fiquei confusa então de fato eu tinha Visto alguém igual a ela há poucos segundos preferi não questionar na hora fui até minha mãe e expliquei tudo ela acabou deixando eu ir com a condição de voltar cedo parecia preocupada mas me liberou a festa na casa da Valéria Foi simples e gostosa bolo de coco salgadinho e refrigerante a dona Vera ainda serviu cuscus para quem quisesse algo mais leve quando a noite começou a chegar o padrasto da Valéria
se ofereceu para me deixar na esquina perto de casa De carro mas eu quis bancar a independente não precisa eu moro a uns cinco ou seis quarteirões daqui e conheço o caminho vou rapidinho ele insistiu mas eu fui firme saí sozinha apressando o passo para chegar antes de o breu tomar conta não chovia mas o vento estava forte l poeira e empurrando umas folhas secas pelas calçadas passo a passo eu ouvia o zunido da Ventania no meu ouvido eu carregava um pedaço de bolo embrulhado num pratinho de plástico Segurando firme no peito para não derrubar
em certo ponto as luzes da rua começaram a falhar vários postes apagados e eu seguia quase tateando para não tropeçar até que o chão sumiu sob meus pés pisei em falso e fui parar num buraco estreito e fundo talvez aberto pela prefeitura para arrumar encanamentos ou algo assim a pancada foi forte Bati a perna esquerda e o quadril em algum pedaço de concreto houvi um estalo seco quando minha cabeça encostou Na lateral da Vala a dor tomou conta a visão escureceu E só consegui soltar um gemido abafado antes de apagar quando recuperei a consciência não
fazia ideia de quanto tempo tinha passado minha roupa estava coberta de poeira e suor e o bolo que eu protegia estava pelo chão uma dor Terrível pulsava em todo o corpo mexi as mãos e vi que conseguia mexer os dedos mas na hora em que tentei erguer o tronco fiquei paralisada havia alguém me olhando lá de cima na beira do buraco a Lua iluminava parte daquele rosto no escuro vi cabelo comprido preso e reconheci a roupa simples que minha mãe costumava usar mas o rosto não era o da minha mãe parecia muito com o dela
mas sem vida sem emoção meus olhos se encheram de Lágrimas sem saber se era pelo sofrimento ou pelo medo tentei pedir ajuda mas tudo que saiu foi um Ronco fraco de dor por alguns segundos achei que podia ser um Delírio causado pela pancada mesmo assim aquela figura Não saiu do lugar me observando em silêncio sem mexer um músculo o tempo Parecia ter parado eu queria gritar mas a garganta não obedecia e cada tentativa de respirar fundo doía no peito não sei dizer quanto tempo fiquei assim mas em algum momento ouvi vozes ao longe alguém gritava
meu nome reconheci o jeito do meu irmão mais velho Arnaldo que provavelmente tinha reunido alguns vizinhos para me procurar as vozes foram se aproximando e de repente lanternas Iluminaram minha direção consegui soltar um grito único quase irreconhecível mas que serviu para mostrar onde eu estava ela está aqui ouvi alguém gritar lá de a pessoa que me vigiava foi se afastando até sumir na escuridão então meu irmão meu pai e mais dois vizinhos jogaram umas cordas e me ergueram com cuidado eu chorava tremendo de dor e pavor Mas agarrei as mãos deles com toda a força
que tinha vi minha mãe correndo para me abraçar o rosto tomado pela preocupação Naquele instante procurei ao redor a figura que estava ali mas não havia mais ninguém Fiquei mais de uma semana de pouso indo ao posto de saúde para tratar de uma costela trincada e de um corte na cabeça minha mãe me olhava diferente talvez se culpando por não ter ido me buscar ou por eu ter saído sem permissão apesar do descanso e do cuidado o pior eram os pesadelos em Algumas Noites eu acordava assustada achando ouvir alguém chamar meu nome no corredor a
voz Parecia com a da minha mãe mas um pouco mais grave mais seca um tempo depois voltei ao terreno abandonado mas nunca mais sozinha minha mãe não deixava eu sair sem companhia mesmo assim toda vez que passava pelos bancos de cimento ficava com a impressão de que alguém me observa cheguei a perguntar para a Valéria Você já notou alguma mulher parecida com a minha mã sentada por aqui ela me olou Confusa a sua mãe hoje nem veio né acho que não tem ninguém daquele Lado com o passar dos meses me acostumei com essa sensação de
estar so algum olhar em dias de chuva ou quando estava escuro eu evitava lugares desertos mas a imagem daquela mulher não saía da minha cabeça certo dia meses depois minha mãe me mandou na quitanda para comprar uns legumes no caminho Passei perto de um campo de futebol abandonado com grades quebradas e boatos de que gente estranha se reunia por lá de noite foi ali que ouvi de novo filha vem cá era a mesma Voz meu corpo travou na hora espiei rabo de olho tentando não entrar em Pânico mas lá estava ela do outro lado da
grade me chamando com a mão tentei ignorar e andei mais depressa ela chamou de novo mais insistente senti que se eu parasse minhas pernas iriam desabar de medo só voltei a respirar direito quando dobrei a esquina desde então essa figura aparece de vez em quando em situações aleatórias às vezes vejo o rabo de cavalo e a roupa simples no meio de uma Multidão no mercado outras vezes do outro lado da rua é uma presença que não me ataca mas me deixa travada por dentro já pensei em mil explicações pode ser fruto da minha cabeça alguma
sequela do acidente mas não dá para negar que sempre que a enxergo a sensação de estar perto da Morte pesa nos meus ombros hoje com meus 30 e poucos anos convivo com essa incerteza minha mãe a Dona Laura se foi H alguns anos e to vez que falta Lembro imediatamente daquela figura que tantas vezes Confundi com a mamãe de verdade em Algumas Noites ainda sonho com o buraco com a dificuldade de respirar e acordo achando que ouço aquela voz chamando do outro lado da porta por enquanto tudo que faço é respirar fundo e seguir meu
caminho torcendo para que essa presença não decida me puxar de vez para o escuro Já faz quase 12 anos que moro sozinho sempre em apartamentos pequenos Nunca Liguei muito para ter espaço sobrando Só precisava de um canto razoável e barato para não pesar no bolso eu trabalho num restaurante de comida caseira especializado em pratos típicos da região fazia tempo que eu não tirava férias Mas as coisas Iam até que bem pelo menos até a crise econômica apertar com o movimento caindo a direção começou a falar em possíveis cortes de pessoal ou até fechamento temporário tentei
não pensar muito nisso mas a incerteza já me Deixava ansioso naquela semana complicada tudo pareceu desandar de vez numa noite depois de um turno bem cansativo eu tava dentro do ônibus voltando para casa e conferindo as mensagens num grupo de coleg o gerente Marcos tinha comentado mais cedo que a situação era grave mesmo assim eu ainda guardava um fiapo de esperança de que fosse só mais um alerta exagerado então pouco antes de descer no meu ponto o celular vibrou de novo Pessoal a partir de amanhã o restaurante fecha por tempo indeterminado Estou arrasado foi um
choque enorme ler aquilo eu sabia que a crise não estava fácil mas não esperava algo tão repentino sido ônibus quase no automático tomado por um misto de desespero e raiva contida caminhei pelas ruas escuras de cabeça pesada até chegar ao meu prédio entrei no meu apartamento de um cômodo só acendi a luz e larguei minha mochila num canto sentei na cama sem ter ideia Do que fazer passei alguns minutos encarando o teto pensando em como pagaria as contas ou quanto tempo ficaríamos sem receber a impotência me deu uma vontade enorme de largar tudo e sair
correndo por aí como se isso pudesse me livrar do que eu tava sentindo levantei de repente calcei meu par de tênis e peguei um boné velho sem pensar duas vezes deixei o celular para trás Joguei as chaves no bolso e saí andei rápido pelas ruas estreitas do Bairro procurando algum lugar familiar que me fizesse relaxar depois de algumas quadras dei de cara com o parque onde costumo caminhar nos fins de semana geralmente dou três ou quatro na pista e depois sento num banco para observar quem passa mas naquela noite minha cabeça tava a mil em
vez de ficar tranquilo senti uma vontade louca de colocar para fora toda a raiva respirei fundo e disparei numa corrida intensa sem medir ritmo ignorando a respiração Descompassada e o suores correndo corri com tanta Fúria que logo deixei o parque para trás e segui em direção ao meu apartamento por outro caminho que passava por ruas mais vazias eu não pegava aquela rota Fazia tempo alguns meses antes costumava voltar do parque por ali quando estava treinando pesado fazendo Barras e exercícios na área pública naquela noite minha raiva era tanta que não notei o perigo de cruzar
vias movimentadas nem As Esquinas mal Iluminadas pulei um canteiro para cortar caminho mas meu pé esquerdo bateu numa elevação do meio-fio Foi tudo tão rápido que não tive reação pisei em falso escorreguei e ao tentar compensar com a outra perna torci o tornozelo direito no começo não senti dor só um impacto forte no pé uns segundos depois quando tentei me levantar percebi Meu tornozelo esquentando e latejando apoiei o corpo na perna machucada para ver se conseguia ficar de pé mas senti uma pontada aguda Quando olhei para baixo vi um arranhão feio na altura do tornozelo
e um inchaço subindo pela canela fiquei preocupado pensando que poderia ter fraturado algo naquele instante só consegui pensar no gasto que eu teria se precisasse de hospital como Vou bancar isso se a gente nem sabe quando o restaurante vai voltar pensei com o coração disparado olhei ao redor e notei que estava numa esquina meio esquecida onde a rua virava uma travessa sem saída mas tinha um atalho Para quem quisesse encarar um beco estreito e pouco iluminado em formato de L ladeado pelos fundos de prédios antigos e muros altos eu já tinha usado aquele caminho antes
mas acabei parando depois de um susto que levei na época tinha encontrado algo muito esquisito por lá me apoiei num poste para ver se conseguiria ao menos caminhar mancando voltar ao parque significava andar mais algumas ruas até chegar numa avenida maior o que ia demorar Já era bem tarde E não passava quase ninguém ali Pensei em chamar um carro por aplicativo Mas lembrei que meu celular tinha ficado em casa não me restava Nativa além de atravessar o beco rezando para não encontrar ninguém no caminho comecei a andar com dificuldade tentando não forçar muito o tornozelo
cada passo me lembrava do que tinha acontecido ali meses antes numa noite voltando do Parque ouvi um PSI que me congelou parecia vir de algum lugar acima quando Olhei pro alto enxerguei uma mulher apoiada na janela do segundo andar de um prédio que se não me falha a memória era uma escola pública antiga e desativada ela fez sinal para mim como se quisesse chamar minha atenção e parecia desesperada moço por favor minhas chaves caíram aí na calçada você pode pegar para mim minha primeira reação foi acreditar de fato tinha algo metálico brilhando perto de um
monte de folhas caminhei até lá meio desconfiado quando Me abaixei para pegar jurei que estava prestes a encostar em algo sólido Mas de repente não encontrei nada a Chaves simplesmente sumiram olhei para cima e ela também não tava mais lá pensei que a má iluminação podia terme enganado que eu talvez tivesse visto um reflexo qualquer dei de ombros e segui meu caminho no dia seguinte já tinha esquecido colocando tudo na conta da minha imaginação ou De alguma brincadeira de mau gosto só que naquela Mesma semana passei de novo pelo beco de noite e ouvi o
mesmo psiu lá estava ela outra vez no no mesmo lugar mas agora dava para ver claramente um fio preso a um molho de Chaves quando me aproximei vi que ela puxava o fio para cima Como se quisesse brincar comigo fiquei assustado e irritado de longe ela gritou você pode jogar de volta para mim a estranheza daquilo tudo fez com que eu simplesmente seguisse em frente sem responder aprei o passo e fingi que não Tinha ouvido Foi então que perto das trepadeiras que cobriam o muro ouvi outro praticamente do meu lado virei rápido e só percebi
um par de olhos e um sorriso aparecendo num vão escuro eu tinha certeza de que era a mesma mulher só que agora surgindo no meio das plantas meu coração disparou e eu corri até chegar em casa sem nem olhar para trás desde aquele dia nunca mais Voltei a passar ali de noite só que agora com o tornozelo doendo não tinha opção senão Encarar aquele canto de novo baixei a cabeça focando no chão para não virar o pé outra vez mas a tensão só crescia conforme eu avançava pelo Beco cercado pelos muros altos andei tentando não
fazer barulho como se isso pudesse me deixar invisível para qualquer um que estivesse espreitando a noite estava mais gelada que o normal e qualquer rajada de vento Parecia um sopro cortante na nuca cheguei perto do prédio abandonado pelo que ouvi por aí foi Escola até ser interditada por problemas estruturais Em algum momento começou uma reforma que nunca foi terminada por falta de verba o prédio continuava lá escuro sem sinalização de segurança mas com janelas que ainda aparentavam ter algum vidro sujo ou quebrado tentei não olhar para cima mas a curiosidade falou mais alto quando finalmente
olhei senti o coração apertar no segundo andar dava para ver alguém parado como se estivesse a minha espera não dava para distinguir Direito mas o formato lembrava uma mulher de cabelos compridos apoiada no parapeito me esforcei para não parar de andar a cada passo a dor latejava no tornozelo Minha vontade era cair no chão e rastejar se fosse preciso só para sair dali o mais rápido possível quando passei bem embaixo daquela janela não ouvi o psil dessa vez ela só continuou ali me acompanhando com o Olhar aquela falta de qualquer som deixava tudo ainda mais
perturbador um arrepio correu pelo Meu corpo mas tentei fingir que nada acontecia ignorando o vulto parado acima de mim segu em frente mancando Até chegar na parte do bec onde as trepadeiras se espo muro não resis e Oli de cant de olend Med de ver de um de olos me encarando não viada meso assim nervosismo só aument ESD engolir ECI daquela hora da noite deixava Qualquer ruído até pisar numa folha seca mais marcante por fim alcancei o final daquela Passagem onde tinha um portão enorme de metal enferrujado reconheci esse portão como uma das saídas de
emergência da antiga escola a pouca luz de um poste distante me deixou ver um aviso oficial colado ali proibida a entrada edificação condenada risco de desabamento Parecia um alerta Bem antigo provavelmente das autoridades que interditaram o prédio foi quando me dei conta de que em teoria ninguém deveria estar usando aquele lugar virei Instintivamente para trás como quem não acredita no que acabou de ver na janela do segundo andar não tinha mais ninguém mas eu sentia que havia algo na escuridão mesmo sem conseguir enxergar era como se um olhar me perseguisse sem se revelar engoli em
seco e respirei fundo Talvez seja alguma pessoa em situação de rua que se instalou ali pensei tentando achar um motivo racional mas ao mesmo tempo Lembrei de como aquele molho de Chaves tinha Desaparecido diante dos meus olhos nada ali parecia fazer sentido se fosse só brincadeira quando saí do beco e cheguei na calçada mais larga eu já tremia de dor e de medo me arrastei até meu prédio que ficava a cerca de duas quadras cada passo vinha acompanhado de um turbilhão de perguntas sem resposta Quem era aquela mulher como ela conseguia estar tanto na janela
quanto entre as trepadeiras quase ao mesmo tempo E por que eu ainda sentia que havia algo Estranho ali como se o lugar escondesse uma história mal resolvida quase uma hora depois já tava no meu quarto tomando um banho quente para ver se relaxava passei pomada no tornozelo enfaixei o pé e deitei mas o sono não vinha quando fechava os olhos só conseguia pensar naquele olhar e me parecia que surgi um sussurros no meio do barulho do vento uma parte de mim Tentava ser racional outra parte porém não conseguia ignorar a possibilidade de Aquele Beco abrigar
algo fora do comum algo que ninguém mais queria ver ou Entender no dia seguinte bem cedo me arrastei até uma clínica popular para checar o tornozelo felizmente não quebrei nada só foi uma torção feia a doutora me recomendou repouso e remédio antiinflamatório aproveitei para trocar uma ideia com um amigo que mora ali perto contei com cuidado o que tinha acontecido e o que eu achava que tinha visto Ele só riu mas admitiu já ter ouvido relatos de gente que jura ver uma mulher espiando pelas janelas do prédio abandonado alguns acreditam que seria a diretora da
antiga escola que faleceu de um jeito misterioso e nunca foi embora dali outros dizem que é só alguém que se aproveita do abandono para assustar quem passa não sei se algum dia vou ter coragem de voltar naquele beco de noite para tirar essa história a limpo lá no fundo tem uma parte que acha tudo uma de Coincidências medo e ilusão de ótica mas existe outra parte que sabe muito bem o que sentiu ação real a certeza de que havia alguém ali no escuro de olho em mim se tem algo que aprendi é que às vezes
mais assustador do que confirmar se existe mesmo algo sobrenatural é lidar com a possibilidade de não estarmos tão sozinhos quanto imaginamos mesmo nas ruas mais desertas da cidade na minha cidade todo o verão era sempre a mesma história tempestades fortes e Apagões que deixavam tudo no breu por dias a fio Eu e minha família moramos num bairro sossegado onde as casas ficam espalhadas por ruas pouco movimentadas então quando começou aquela chuva sem trégua lá pelas 7 da noite no primeiro dia de um temporal que prometia durar a semana inteira a gente já sabia o que
viria depois e não demorou antes de a madrugada chegar as luzes se apagaram de vez embora fosse algo que vivíamos repetidamente esses apagões Sempre nos pegavam de surpresa parecia que a empresa de energia nunca resolvia o problema de verdade numa reunião de moradores certa vez os representantes até comentaram que a rede elétrica da região estava sobrecarregada e sem a manutenção ideal mas tudo Ficou só na promessa por isso passamos a manter velas lanternas e garrafas térmicas prontas para o uso principalmente por causa da comida na geladeira Ninguém queria perder mantimentos em meio ao Calor intenso
mesmo com a chuva castigando lá fora naquele dia quando os relâmpagos clarearam a rua por uns instantes Deu para perceber que o vento tinha arrancado Galhos de árvore e jogado pedaços de telha por todo o canto quando escureceu de vez tive a sensação de que a escuridão parecia ainda mais densa por causa das nuvens pesadas o único som era o barulho da chuva batendo nas calhas e nos carros estacionados no começo alguns vizinhos Ainda tinham geradores ou baterias para manter umas lâmpadas acesas mas logo percebemos que o apagão ia longe depois do segundo dia sem
energia as famílias começaram a ficar tensas com a falta de lugar para carregar celular e com o risco de ficarmos sem água já que muitas casas dependiam de bomba elétrica foi no fim da tarde do terceiro dia que uma coisa estranha aconteceu parte da vizinhança querendo esticar as pernas saiu para a calçada a chuva tinha Dado uma paradinha alguns adolescentes começaram a gritar de um lado a outro da rua só para testar o eco e ouvir a resposta dos amigos meio que num clima de descontração notei a casa da esquina aquela que a gente chamava
de casa da família Santana totalmente fechada do mesmo jeito de sempre essa casa passava quase o ano inteiro vazia os donos moravam em outra região e raramente apareciam eu lembrava que fazia meses que ninguém aparecia por lá só que no Meio daquela brincadeira barulhenta uma lanterna de algum vizinho iluminou um movimento esquisito perto da porta dessa casa tem alguém ali gritou um rapaz do outro lado da rua apontando a lanterna duas pessoas aparentemente homens pareciam forçar a maçaneta assim que notaram que foram vistas largaram a porta entreaberta e saíram depressa do feixe de luz sumindo
na chuva fina que voltava a cair Foi um momento tenso porque ninguém esperava um assalto em Plena tempestade ainda mais num lugar praticamente abandonado o susto maior veio em seguida em menos de um minuto as luzes de D daquela casa acenderam todas de uma vez não consegui entender como aquilo podia acontecer a gente continuava sem eletricidade não tinha gerador ali e mesmo assim as janelas apareceram iluminadas parecia que alguém tinha ligado um disjuntor geral antes que eu pudesse falar qualquer coisa as lâmpadas Se apagaram de repente deixando tudo no escuro outra vez você viu aquilo
perguntou meu marido com a voz meio trêmula enquanto se aproximava de mim na na varanda Vi sim não pode ser a nossa rede tá tudo sem força respondi tentando me segurar do outro lado da rua Marta minha vizinha saiu de casa com o marido e os filhos todos Enrolados em cobertores molhados querendo entender o que tinha rolado ela parou perto do meu portão com o rosto preocupado não faz Sentido murmurou Martha não tem eletricidade para ninguém como é que aquela casa acendeu eu não tinha a resposta ficamos ali parados sentindo o vento e olhando para
a porta entreaberta daquela casa misteriosa de repente veio um estrondo que fez Todo mundo se sobressaltar a porta bateu com força como se alguém tivesse empurrado por dentro mas ninguém viu qualquer pessoa ali o silêncio que veio depois era sufocante cortado só pelo barulho da Chuva Marta decidiu entrar de volta eu e meu marido também ninguém quis ficar zanzando na rua já passava das 8 da noite quando tudo silenciou eu tentava me distrair mas estava cansada de ficar sem TV sem internet e sem nenhuma informação acendi uma vela e me pus a ler um livro
aleatório para ver se pegava no sono só que naquela noite não consegui dormir eu sentia um frio estranho que me fazia tremer mesmo debaixo das cobertas lá Pela uma ou duas da manhã não sei exatamente porque meu relógio tinha parado ouvi um barulho agudo parecido com um alarme de carro ou algo assim fiquei relutante em levantar mas a curiosidade foi maior meu marido foi até a janela e me chamou com um gesto foi difícil enxergar por causa da chuva mas eu vi um clarão do outro lado da rua naquela mesma casa uma luz forte quase
Branca escapava por uma das janelas aquela casa tá acesa de novo sussurrou Ele ficamos ali parados esperando aparecer mais alguém para checar o que estava acontecendo mas ninguém saiu a chuva e o medo seguravam qualquer coragem de ir até lá o som metálico do alarme Demorou a parar e quando parou Deu a impressão de que tudo em volta ficou ainda mais quieto meu marido conferiu a tomada continuávamos sem energia como era de se esperar no dia seguinte já no quarto dia de apagão o temporal deu sinais de que ia embora o Céu Clareou um pouco
e alguns vizinhos saíram para avaliar os estragos fui até a calçada e encontrei Marta o marido dela e uma professora que mora na esquina chamada Dolores Todos falavam da casa da família Santana Marta chegou a dizer meus filhos foram até lá para ver se tinha alguma marca de arrombamento mas a porta tá trancada como se nada tivesse acontecido e aquela luz perguntou Dolores franzindo a testa será que eles têm alguma energia solar ou Algo assim ningém sabia explicar muita teoria surgiu mas nada que fizesse sentido de verdade quando finalmente a energia voltou no quinto dia
a rua inteira respirou aliviada mesmo assim eu não tirava o olho daquela casa percebi que de dia as persianas ficavam abaixadas Mas de madrugada apareciam meio abertas como se alguém lá dentro estivesse observando algumas semanas se passaram a associação de moradores junto com a polícia fez uma no imóvel e Confirmou que não tinha ninguém ali pelo menos não no período em que entraram não acharam gerador nem nada que explicasse aquelas lmpadas funcionando em meio ao apagão isso só aumentou as nossas dúvidas eu comei a prestar mais atenção da janela do meu quarto às vezes Jurava
ver um movimento mínimo atrás das coras como se alguém estivesse espiando o mais esquisito é que nas noites de chuva tenho ouvido um telefone tocar são uns quatro ou cinco toques e depois silêncio Teve um dia em que tive certeza de que vinha daquela casa até pensei em chamar alguém para conferir mas não tive coragem quando deitei de novo fiquei me virando na cama sem conseguir dormir até hoje não faço ideia de como aquela casa podia acender sozinha durante o apagão talvez haja alguma explicação lógica e eu só esteja deixando o medo e a imaginação
falarem mais alto mas toda vez que olho da minha janela sinto um arrepio que não sei explicar e mesmo com A rua bem iluminada agora continuo me perguntando o que ou quem pode estar escondido ali dentro Eu não vinha saindo muito de casa nos últimos meses mas a vontade de respirar ar puro e caminhar por trilha Acabou me levando para a estrada assim que senti um pouco mais de coragem resolvi acordar antes do sol nascer e dirigir até uma região serrana de outro estado brasileiro Fui sem ninguém além dos meus dois cães Nina e Tobias
que Sempre estiveram ao meu lado nas caminhadas Achei que seria algo simples Só Para retomar o hábito de explorar a natureza Cheguei ao local por volta das 6 horas da manhã com uma neblina densa cobrindo a Copa das árvores deixei o carro num estacionamento meio improvisado perto de um antigo posto de guarda florestal que estava abandonado o ar tinha aquele cheiro de terra molhada típico de chuva que cai de madrugada as folhas das Árvores ainda pingavam e a Trilha marcada por uma placa de madeira desgastada mergulhava numa penumbra Verde quase não havia pessoas por lá
Vi alguns Viajantes iniciando a subida com guias locais mas segui meu rumo pois eu eu já conhecia bem a área saí da Rota principal procurando um caminho mais tranquilo Nina e Tobias iam na frente farejando o mato alto e correndo de volta para me checar de vez em quando como se quisessem ter certeza de que eu continuava por perto fiquei satisfeito Com o silêncio ao meu redor só ouvia os pássaros e o som de Galhos estalando sob meus pés depois de cerca de 2 horas de caminhada a trilha principal ficou para trás entrei um trecho
pouco sinalizado algo que eu costumava fazer quando queria descobrir Novos Rumos levo sempre um GPS pequeno mas não planejava me afastar tanto assim bastaram alguns minutos de distração observando um grupo de quates que cruzou meu caminho para eu perceber que não reconhecia mais o lugar Olhei em volta e Vi apenas a vegetação densa não havia placas nem setas por segurança marquei um ponto no GPS e decidi explorar mais um pouco de voltar foi nessa hora que encontrei uma construção estranha no meio das Árvores a princípio pensei que fosse algum galpão Rural largado Ali era uma
casa simples com paredes de madeira escurecida e um telhado feito de telhas rachadas parecia estar fora de contexto como se tivesse sido esquecida por Décadas olhei para Nina e Tobias eles pareciam inquietos com as orelhas em pé mas não chegavam perto apesar de sempre me interessar por lugar abandonados senti um desconforto ao ver que a porta estava entreaberta como se alguém tivesse saído correndo subi os degraus de pedra cobertos de musgo o chão estava escorregadio e quase torci o tornozelo ao pisar num degrau trincado havia um odor esquisito meio adocicado mas também com algo azedo
por trás dava a impressão De que algo ali estava apodrecendo mas não consegui identificar o quê Não notei barulho nenhum lá dentro chamei os cães Nina Tobias fiquem aqui fora eles me olharam parecendo desaprovar a ideia mas obedeceram empurrei a porta com cuidado e a madeira rangeu de um jeito incômodo lá dentro estava escuro e úmido as janelas minúsculas quase não deixavam a luz entrar a primeira coisa em que reparei foi uma mesa cheia de pratos antigos como se alguém tivesse Interrompido uma refeição os talheres estavam espalhados de qualquer jeito e no centro havia algo
que lembrava um pote coberto de mofo a toalha que cobria a mesa tinha grandes manchas marrom escuras a princípio pensei em ferrugem ou bolor mas conforme meus olhos se acostumam àquela penumbra as marcas assumiram uma cor que me lembrou sangue seco dei mais alguns passos e vi outros objetos jogados um rádio velho livros de capa rasgada empilhados num canto copos Rachados em cima de um balcão parecia que as pessoas tinham saído dali de repente senti meu corpo ficar tenso ao encontrar um carrinho de bebê encostado na parede de lado com uma manta infantil furada Fiquei
imaginando quantas histórias aquela casa poderia guardar Foi então que o silêncio se quebrou ouvi um barulho longo como se uma porta enferrujada estivesse sendo aberta em algum canto da casa meus cães começaram a latir do lado de fora olhei Por uma fresta na janela e vi Tobias apoiado na parede tentando enxergar lá dentro ainda assim não percebi sinal de movimento perto de mim resolvi ver de onde vinha o ruído e seguia até o fim de um corredor mal iluminado por uma clarabóia coberta de poeira vi uma escada que levava a um andar de cima mas
antes de subir me deparei com um cômodo à direita a porta estava rachada meio caída no batente empurrei a e me deparei com prateleiras cheias de utensílios de Cozinha antigo num canto escuro algo metálico em formato de quadrado chamou minha atenção Parecia um cofre ou uma gaveta trancada quando me aproximei quase saltei de susto ao ouvir um barulho seco como um estrondo distante na mesma hora Nina começou a ganir como se tivesse visto algo terrível por outra fresta falei baixinho calma vou ver isso rapidinho e a gente sai daqui acabei desistindo de mexer no objeto
metálico porque achei Que iria perder tempis só queria uma olada no andar de cima por mais bizarro que parecesse minha curiosidade falou mais alto eu precis ter certeza de que não hav ningém ali ou alguém precis deud sub devar sentio os degraus afundarem so meus pés rendo e ecoando passando no primiro patamar vi que o corredor se estendia para a esquerda e para a direita cheio de portas fechadas A pouca claridade vinha de uma fresta na parede onde uma telha tinha sido arrancada notei um quarto com a porta semiaberta e fiquei surpreso ao ver a
mão de um manequim de costura feminino esticada para fora como se chamasse quem passasse por ali o tecido que cobria o manequim estava rasgado e atrás dele havia um espelho trincado apoiado num criado mudo quando dei um passo em direção ao quarto ouvi um som que me fez recuar era o rádio velho que do nada Começou a funcionar lá embaixo o volume estava baixo e só dava para ouvir ruídos estáticos mas a simples ideia de um aparelho desligado ligando sozinho me deixou em Alerta meus cães voltaram a latir desesperadamente e seus latidos ecoavam na Casa
Vazia engoli em seco tinha algo ali que não me parecia normal como se houvesse presenças que a gente não conseguia ver olhei de novo para o quarto do manequim tentando manter a talvez houvesse algum fio solto e a Chuva tivesse conduzido eletricidade até o rádio mas percebi que não existiam tomadas ou fiação naquele lugar e eu também não tinha visto lâmpadas no teto um nó se formou no meu estômago o silêncio se quebrou Outra Vez com um grito abafado bem curto vindo de algum ponto do Corredor parecia carregado de angústia e durou tão pouco que
quase Achei que tivesse imaginado tem alguém aí arrisquei perguntar sem certe se eu queria realmente ouvir resposta não Houve mais nada além do chiado do rádio lá embaixo continuei andando pelo corredor abrindo as portas uma a uma todas estavam vazias Mas cada espaço mostrava sinais de que alguém vivera ali até não muito tempo atrás num dos quartos vi fotografias antigas na parede uma família sorrindo numa festa de aniversário de repente bati o joelho numa mesinha lateral e derrubei um porta-retratos o vidro se partiu no chão com um barulho que ecoou mais do que eu Esperava
foi nesse instante que escutei Passos acima da minha cabeça no forro como se alguém Estivesse se arrastando por entre as vigas fiquei paralisado por alguns segundos de coração disparado voltei em direção às escadas decidido a sair mas antes de descer Notei uma porta trancada com um cadeado enferrujado talvez fosse um quartinho de armazenamento ou algo do tipo suspirei falando comigo mesmo seria loucura querer Abrir aquilo mesmo assim dei uns Passos naquela direção meu impulso foi interrompido por um rosnado vindo de Fora seguido de um silêncio pesado Nina e Tobias pararam de latir Esse silêncio me
assustou mais do que qualquer barulho Desci correndo quase caindo nos degraus no andar de baixo passei pelo salão principal onde o rádio continuava chiando o chiado parecia tão alto que tomava conta de todo o ambiente n Tobias chamei pelos meus cães corri até a porta de entrada mas ela rangeu e Travou Por Um momento precisei me jogar contra a madeira para abri-la quando o ar fresco bateu no meu rosto senti um choque de clareza o dia ainda estava nublado mas depois de tanto tempo na penumbra a luz parecia forte demais gritei de novo pelos meus
cães e eles saíram de trás de um arbusto encolhidos de orelhas baixas pareciam mais assustados do que nunca não pensei duas vezes chamei os dois para perto e me afastei da casa seguindo o que eu acreditava ser o caminho de Volta mas eu estava meio perdido tudo ao meu redor parecia igual e a neblina começava a aumentar de novo aquele cheiro estranho que senti na casa parecia grudado na minha roupa enquanto eu andava ouvi outra vez aquele som distante como se uma porta pesada se fechasse meu corpo inteiro reagiu me obrigando a olhar para trás
só enxerguei a casa no meio das árvores com a porta escancarada parecendo uma boca que me convidasse a voltar devo ter caminhado Por uns 20 minutos até encontrar o começo de uma trilha conhecida Talvez tenham sido quase 30 minutos perdi a noção exata do tempo assim que vi as placas indicando a direção correta apressei os passos o latido de Tobias e Nina ecoava ao meu lado e eu também os incentivava a andar rápido querendo me afastar daquele l de qualquer jeito quando finalmente alcancei o estacionamento improvisado senti um alívio Difícil de explicar respirei Fundo e
entrei no carro com os cães meus dedos tremiam quando girei a chave na ignição enquanto dirigia de volta pela estrada sinuosa não parava de pensar se tudo aquilo não tinha sido fruto do meu medo ou da minha imaginação talvez a casa não fosse tão assustadora assim e eu estivesse impressionado com o abandono mas algum os detalhes não saíam da minha cabeça o rádio funcionando sem energia O Grito abafado os passos no forro o cadeado enferrujado e a forma Como meus cães que sempre foram Corajosos Ficaram tão amedrontados eu tinha certeza de que não era apenas
coisa da minha cabeça alguns dias depois tentei localizar no mapa o ponto exato onde eu tinha estado mas a mata fechada dificultava ver qualquer coisa pelas imagens de satélite pedi ajuda a um colega que entende de cartografia para analisar o caminho que Marquei no GPS mas os dados estavam corrompidos só apareciam falhas e trechos desconectados Pensei em voltar lá para investigar porém toda vez que me lembro do Silêncio dos meus cães e daquela sensação sufocante dentro da casa eu desisto na hora se alguém ainda vive ali ou se viveu deixou rastros que mexem com a
cabeça de qualquer um se houver algo ou alguém se escondendo no forro ou nos quartos de cima eu não faço questão de descobrir é bem provável que a Casa Esteja apodrecendo cada vez mais engolida pela Mata à espera de outro curioso mas eu não vou ser essa pessoa nunca mais eu nunca ti o hábito de falar sozinha mas de uns tempos para cá percebo que as palavras saem da minha boca sem que eu note Talvez seja o acúmulo de estresse que eu vinha carregando quando meu pai adoeceu por volta de um ano atrás começamos a
rodar pelos hospitais do interior de São Paulo de laboratório em laboratório até surgir o diagnóstico certo meu pai precisaria De várias cirurgias e a primeira delas era urgente era começo de ano e eu me vi afundada em contas papéis protocolos e uma incerteza que parecia não ter fim naquele mesmo dia em que o médico deu o resultado precisei internar meu pai no hospital público da região mesmo sendo público havia procedimentos específicos que não eram cobertos ou demorariam meses para ser liberados e eu teria que bancar tudo você precisa providenciar Esses exames o mais rápido possível
Repeti a assistente social me entregando mais um formular valores eu só sabia concordar assinar e balançar a cabeça pensando de onde Tiraria tanto dinheiro a primeira ideia foi pegar algumas economias que eu guardava em casa eu já tinha usado quase tudo antes em exames anteriores ainda faltava uma parte que eu pretendia cobrir vendendo meu carro que além de ser meu transporte diário carregava um valor sentimental enorme foi o último presente que consegui Comprar numa época em que ainda tinha um ego fixo melhor perder o carro do que perder o pai eu me convencia tentando ser
prática voltei para casa numa tarde de quinta-feira Exausta minha água e minha comida eram a preocupação e a ansiedade entrei direto no quarto para pegar os documentos onde guardava certidões e outras papeladas importantes mas o principal o registro de transferência do carro essencial para a venda não estava onde Eu costumava Deixar a essa fez meu coração acelerar procurei debaixo do colchão dentro de gavetas em prateleiras entre cadernos antigos nada colocando as mãos nos bolsos encontrei o cartão da minha amiga Camila ela tinha comentado que conhecia alguém interessado em comprar meu carro caso eu resolvesse vender
liguei para ela na mesma hora me dá só uns minutos vou ver se ele ainda quer comprar disse Camila em menos de meia hora ela me ligou de volta com firmando o comprador Era só levar o documento do carro para fechar o negócio o problema é que o documento sumiu confessei revirei a casa toda e não acho de jeito nenhum lembro de engolir em seco olhava a pilha de papéis recibos exames do meu pai extratos bancários tudo jogado pelo chão a cada minuto eu ficava mais nervosa o valor da cirurgia aumentava e eu precisava dar
logo o depósito inicial depois de um tempo tentei refazer meu Passos lembrei que meu ex-marido Rodrigo Tinha morado comigo até pouco antes de nos separarmos Será que ele tinha levado o registro do carro por engano não fazia sentido mas na hora do desespero qualquer ideia parece melhor do que ficar sem saber onde procurar devia ser umas 7 horas da noite quando Parei em frente ao prédio do Rodrigo ele morava ali com a nova esposa Paula que sempre foi educada e reservada e também com a nossa filha Clarice minha filha Ficava muito com ele Principalmente agora
que eu Me dividia entre o trabalho temporário e as idas ao hospital e aí vocês Acharam alguma coisa perguntei assim que entrei é o documento do carro deve estar numa pasta azul ou junto de uns papéis de transferência Rodrigo e Paula foram super prestativos fica tranquila vamos procurar disse ela não levaram muito tempo revirando gavetas prateleiras e caixas mas não encontraram agradeci sem graça e fui embora no Caminho de volta bateu uma angústia forte Lembrei das coisas que minha mãe dizia tudo que a gente guarda com carinho tem seu valor O problema é que eu
não achava nada que parecesse minimamente organizado cheguei em casa larguei as chaves na mesinha da sala e só então me dei conta do Silêncio fui até a cozinha abri a janela bati de leve os armários mas sentia algo estranho lá no fundo Quando retornei pra sala tomei um susto o documento do carro estava ali Bem no centro da mesa parecia limpo e intacto como se tivesse acabado de sair de algum envelope fiquei parada por alguns segundos o coração disparado Mas como falei comigo mesma sem acreditar no instante seguinte senti um calafrio percorrer o corpo todo
na sem escuridão do corredor que levava aos quartos enxerguei algo que me deixou muda a princípio parecia só uma mancha escura na parede mas quando meus olhos se adaptaram à luz fraca distingui a Silhueta de um homem alto usando chapéu fiquei tão atordoada que minha visão até borrou por um segundo Ei quem é você gritei tentando bancar a corajosa mas minha voz tremia não houve resposta aquela figura continuava imóvel como se me observasse tentei reagir peguei o celular do bolso mas mal consegui destravar aé minha cabeça fervia de suposições ladrão algum invasor ou até alguém
conhecido que eu não tivesse reconhecido Na penumbra ainda assim nada explicava a leve distorção que parecia envolver aquela silhueta olhei em volta procurando algo para me defender mas não encontrei nada além de uma revista em cima do sofá quando voltei o olhar ele já não estava lá corri pro interruptor e apertei o botão o corredor ficou iluminado mostrando só a parede branca e vazia meus lábios tremiam mandei uma mensagem pro Rodrigo achei o documento estava em cima da mesa não sei como foi Parar ali ele só me respondeu cerca de meia hora depois perguntando se
eu estava bem contei que tinha visto alguém em casa mas não entrei em detalhes para não deixá-lo preocupado nem gerar confusão minha prioridade era resolver tudo pra cirurgia do meu pai não arrumar briga por conta da minha segurança no dia seguinte Paula apareceu na minha casa estranhei ela vir sozinha fiquei preocupada você disse que viu alguém Ela perguntou Sem Rodeios assim que ela Passou pela porta da sala algo me fez olhar para o corredor de antes na mesma hora um arrepio tomou conta de mim lá estava a mesma silhueta em pé perto da cortina encostada
na parede não dava para confundir era o contorno de um homem de chapéu meu meu Deus é aquilo é o que eu vi ontem murmurei gaguejando Paula olhou para o corredor e ficou de olhos arregalados ajuda por favor ela sussurrou para mim estendendo a mão me conta tudo então eu me abri mais Contei Sobre o sumiço do documento sobre tê-lo encontrado magicamente na mesa sobre a sombra que apareceu também falei da falta de dinheiro para manter o tratamento do meu pai o hospital tinha dado um prazo para eu quitar parte dos mais calma comeou a
me fazer perguntas você chegou a falar algo em voz alta pedindo ajuda às vezes no desespero a gente acaba fazendo isso eu acho que sim lembro que implorei alguém me ajude a achar esse documento foi quase uma Súplica nem pensei em quem eu estava pedindo respondi Paula disse que já tinha lido sobre manifestações que atendem A pedidos mas que o preço costumava ser altoe dela exclamou Paula de repente olhando para a sombra o vulto mexeu de leve a cortina Mas continuou distante como se Esperasse alguma coisa naquele segundo senti uma mistura de esperança e medo
eu mal conseguia me mexer alguns dias depois vendi o carro pro comprador Indicado pela Camila e pude pagar as despesas pendentes em menos de duas semanas meu pai teve uma recuperação impressionante e recebeu alta do hospital até os médicos ficaram espantados com a velocidade da melhora é um dos casos mais rápidos que já vi Nas condições dele comentou uma enfermeira só que a partir daí minha vida virou um pesadelo silencioso a sombra do Homem de chapéu começou a me seguir por todo canto eu acordava de madrugada sentindo Um clima pesado no quarto como se alguém
estivesse parado ao meu lado acendia a lanterna do celular não via nada quando apagava aquela silhueta reaparecia na penumbra quase sempre perto da porta as coisas foram ficando cada vez mais estranhas uma noite senti um tremor na casa como se algo tivesse batido na parede da cozinha corri até lá imaginando algum encanamento estourado Encontrei as gavetas abertas e talheres espalhados pelo chão o contorno do Homem De chapéu parecia projetado no teto se deformando com a fraca luz do corredor minhas pernas bambaram tentei ligar para Paula mas o celular desligou sozinho parecia que aquela coisa tinha
controle sobre tudo à minha volta comecei a sofrer pequenos acidentes Copos quebravam na minha mão eu tropeçava em degraus que pareciam surgir do nada acordava com cortes leves nos braços sem ter ideia de como me machuquei às vezes eu jurava ouvir Passos atrás de mim no quarto mas quando me virava não tinha nada quando eu criava coragem para olhar mais atentamente a sombra estava lá parada encostada em algum móvel ou Projetada na parede meu pai se recuperou E foi morar com minha tia numa região Mais afastada para ficar em repouso minha filha continuou passando a
maior parte do tempo com o pai porque eu já estava tão amedrontada que não queria que Clarice visse algo que nem eu entendia direito Você ainda tá vendo ele Rodrigo perguntava em ligações à noite não sei se estou vendo ou imaginando eu respond um dia sempre com a voz fraca mas sinto sinto o tempo todo cada dia que passava eu lembrava do que Paula dissera o preço costuma ser alto Será que eu teria que conviver com aquilo para sempre era até irônico meu pai se restabeleceu minha filha está bem mas eu fiquei presa a esse
tormento dentro da minha própria casa tentei rezar botei música alta fiz Até umas limpezas com água e sal grosso tudo que me veio à cabeça ou que achei em ses de espiritualidade nada afastava aquela sensação de que havia alguém ali comigo sempre que a casa ficava meio na penumbra O Homem de chapéu aparecia de novo um pouco desfocado mas inconfundível dormir virou um martírio eu acordava Suada assustada com pesadelos em que ele surgia do lado da cama Cheguei a pensar em me mudar mas não tinha dinheiro para um novo aluguel A pequena parte que sobrou
da venda do carro seria o que eu teria para sobreviver já que perdi o trabalho temporário e para ser sincera eu temia que aquela sombra simplesmente me seguisse para onde eu fosse Paula tentou ajudar de novo vindo com alguns objetos que ela usava em Orações mas a sombra do Homem de chapéu não sumiu parecia se divertir à meia luz assistindo impassível à nossa tentativa de me livrar dele acho que só você pode romper Com isso de algum jeito ela me olhava com pena nem sempre a gente tem ideia do pediu ou para quem pediu enquanto
escrevo estas linhas Já se passaram uns 8 meses desde que o homem de chapé apareceu tenho marcas nos braços e mãos por causa desses incidentes estranhos ainda sinto o ar pesado aquela presença que não me deixa em paz meu pai segue bem na rotina nova e minha filha passa mais tempo na casa do pai me visitando em fins de semana alternados eu por Minha vez vivo em Alerta pensando quantos sacrifícios ainda vou ter que fazer Seja lá o que tenha se revelado naquela noite não parece querer ir embora a ajuda que me deu encontrar o
documento sumido e de certo modo ajudar na recuperação do meu pai não saiu de graça Talvez um dia eu entenda o porquê de tudo isso até lá convivo com essa manifestação que vejo sinto e temo a cada canto da minha casa e se eu puder dar um conselho para quem estiver vindo É este todo pedido feito no desespero pode ser atendido o problema é o preço que se paga eu demorei muitos anos para conseguir colocar tudo isso no papel sempre que tento falar do assunto meu estômago embrulha e os pelos do braço se piam talvez
escrever seja mesmo a maneira mais segura de lidar com o que lembro sem ter que encarar olhares de descrença não sei se vou encontrar alívio ou mais angústia Mas resolvi Tentar hoje moro na Cidade de São Paulo mas minha família vem de uma região distante do Estado do Paraná cresci em um sítio e jamais imaginei quando era criança que um dia passaria por algo tão Fora do Comum fui para a capital paulista em 1998 com o objetivo de cursar pedagogia em uma universidade pública naquele ano eu estava cheia de planos e energia então aceitei sem
hesitar a ajuda de uma parente mais velha que eu mal conhecia Mas que estava disposta a me receber minha tia Beatriz conhecida como Bia era uma pessoa reservada só fui apresentada a ela alguns meses antes de me mudar quando minha mãe ligou contando que eu precisava de um lugar seguro para ficar em São Paulo tia Bia morava em um bairro antigo não muito longe do meu futuro Campus e administrava uma pequena casa de kitinetes uma construção bem antiga erguida num terreno Estreito com portas enfileiradas num corredor Comprido Encontrei minha tia Bia pela primeira vez logo
que cheguei à rodoviária Tietê naquele Mar de Gente ela era baixa usava óculos de aro fino e prendia o cabelo em um coque apertado lembro que me recebeu com um sorriso tímido e pediu desculpas por não ter buscado meus pais também senti empatia por ela e em poucos minutos de conversa percebi que era uma pessoa muito sozinha explicou que não tinha filhos nem marido e que o restante da família estava espalhado por vários Estados do Brasil você deve estar Exausta ela comentou assim que entramos no táxi em direção à minha nova moradia o trânsito aqui
é insuportável mas espero que consiga se adaptar logo a senti com um sorriso cansado enquanto olhava os prédios infinitos pela janela ela me levou direto até onde eu ficaria um quarto pequeno nos fundos de uma das kitnetes era simples mas tinha uma cama de solteiro uma mesinha e um ventilador de teto antigo este aqui é seu cantinho Clara acho que vai dar conta por enquanto se precisar de qualquer coisa é só me procurar eu me senti muito grata naquele pedaço da cidade era complicado encontrar algo barato depois de um banho longo fui com tia Bia
até a casa dela que ficava em outra rua ainda no mesmo bairro a casa era um sobrado de fachada cinzenta com portões de ferro e janelas de vidro ela tinha dois cachorrinhos que latiam sem parar sempre que entrávamos parecia que aqueles animais compensavam A falta de companhia humana nos primeiros dias tudo correu bem minha principal dificuldade era aprender a circular pela cidade para chegar à faculdade mas logo decorei as linhas de passei a visitar tia Bia sempre que dava porque ela claramente gostava da minha presença parecia feliz quando eu ia tomar um café ou ajudava
na cozinha e foi justamente em uma dessas visitas que ela me contou o maior problema que estava enfrentando na casa de kitinetes Não faço ideia de porque as contas de água e luz de uma das unidades estão tão altas ela disse mexendo o café com uma colherzinha faz TRS meses que aquele lugar está vazio mandei trocar a fechadura mas tudo indica que alguém anda Entrando lá você acredita que na última conta veio um valor absurdo achei estranho e perguntei se ela tinha conversado com os outros Inquilinos quem sabe alguém estivesse usando energia de forma clandestina
eles dizem que não vem Nada tem gente que passa o dia fora outros nem repararam Mas para ser sincera estou incomodada Pensei em chamar um chaveiro de novo abrir o imóvel e olhar tudo só que não fui antes porque não vou mentir tenho receio de encontrar algum invasor perigoso minha tia era metódica guardava todos os recibos em pastas na ordem das datas quando ela me mostrou a papelada vi que os valores eram mesmo altos parecia que havia consumo pesado principalmente de Madrugada podia ser chuveiro ligado ou luz acesa não dava para saber ao certo depois
de pensar um pouco Falei meio sem jeito se quiser posso ir junto amanhã se tiver alguém lá pelo menos estamos juntas para chamar a polícia se precisar no dia seguinte fomos cedo até as kitinetes antes de eu sair para a faculdade a unidade problemática ficava no segundo andar no fim de um corredor apertado não tinha placa de número só uma porta cinza com uma fechadura nova e Pesada tia Bia me mostrou que tinha comprado até um cadeado Extra quando chegamos notei algo estranho o cadeado pendurado era outro diferente do que eu tinha visto da última
vez ela franziu a testa tirou um molho de chaves do bolso e tentou encaixá-las nenhuma servia parece que Trocaram o miolo Isso não é coisa de inquilino antigo ela comentou desconfiada sem alternativa ligamos para um chaveiro da região que apareceu quase Uma hora depois abrimos a porta sem ter ideia do que nos esperava na mesma hora um cheiro forte tomou conta do ambiente uma mistura de mofo com algo mais denso e enjoativo nós duas ficamos paradas na entrada sem saber se avançávamos ainda assim decidimos entrar o lugar estava na escuridão porque havia cortinas pesadas nas
janelas além de folhas de papel pardo coladas no vidro como se alguém quisesse bloquear a luz do dia tia Bia foi andando devagar me chamando para ir Junto tem alguém aí ela perguntou em voz alta Mas ninguém respondeu o espaço era maior do que eu imagin com um corredor que levava a um quarto pequeno e a uma sala meio improvisada tinha uma poltrona empoeirada uma mesa e várias caixas empilhadas num canto notei que o interruptor perto da porta estava ligado mas a lâmpada não funcionava usei a lanterna do meu celular para iluminar veja murmurei apontando
para uns fios desencapados perto do teto parece que Mexeram na instalação elétrica tia Bia olhou aquilo sem entender disse que a fiação não estava assim alguns meses antes continuamos andando e de repente demos de cara com algo que nos fez parar de respirar por uns segundos havia um vão no chão coberto por tábuas soltas como se fosse uma espécie de passagem para um porão mas oficialmente aquele prédio não tinha subsolo ficamos sem reação poderia ser perigoso só que minha tia estava tão aflita que resolveu Erguer uma das tábuas para espiar a luz do meu celular
iluminava a Escuridão Lá embaixo não parecia muito fundo Mas dava para ver alguns degraus rústicos feitos de concreto descendo para algum tipo de compartimento simples meu coração disparou isso não consta no projeto original eu mesma comprei esse prédio há mais de 15 anos e nunca ouvi falar em porão ela cochichou Clara vamos sair daqui vou chamar a polícia antes de irmos embora reparamos em outro detalhe Assustador o uma geladeira antiga na parede lateral da cozinha ela fazia um barulho constante indicando que estava ligada mas como a conta de luz estava no nome da minha tia
e devia estar cortada era como se a gente ficasse dividida Entre a Razão que mandava correr dali e a curiosidade que pedia para descobrir o que tanto nos aterrorizava na imaginação tia Bia tomou coragem e abriu a porta da geladeira nesse instante tive uma sensação de náusea na PR Cira de cima Havia uma bacia de plástico com pedaços de carne estranhos a cor a textura tudo parecia errado mais embaixo dentro de sacos e jornais velhos ossos enormes se empilhavam em bandejas de isopor e Se eu não estivesse enganada algo parecido com um crânio pequeno estava
embrulhado num saco encharcado escorrendo um líquido roxo nós duas recuamos tia Bia cobriu a boca com a mão enquanto eu piscava sem tentando ter certeza de que não estava ficando louca quem teria deixado uma Geladeira assim num lugar vazio e pior que tipo de carne era aquela eu não queria tirar conclusões apressadas mas o pavor já tomava conta de mim vem vamos sair ela pediu segurando meu braço não dá para continuar aqui saímos quase correndo esbarrando numa cadeira encostada na parede quando batemos a porta ouvimos algo que lembrava um rangido vindo de um canto lá
dentro ou talvez fosse só a minha imaginação porque eu já estava suando e sem fôlego Descemos as escadas o mais rápido que pudemos o chaveiro que ainda estava do lado de fora falando ao celular notou nossas caras e perguntou se estava tudo bem tia Bia só Balançou a cabeça tirou umas notas da carteira para pagar o serviço e me puxou para longe dali Bia aquela aquela carne tentei falar mas as palavras falharam ela levou as duas mãos ao rosto com os olhos arregalados de Puro choque Clara eu não sei nem o que pensar não quero
imaginar o pior mas Sinto que devo chamar a polícia só de pensar em explicar tudo aquilo e rever aquela cena sinto um asco que me corrói por dentro meu Deus o que está acontecendo Eu também estava aterrorizada mas me esforcei para manter um pouco de calma sugeri que ela fosse para casa ligasse para as autoridades e não voltasse sozinha àquela kitnete precisávamos de um boletim de ocorrência oferecia ajuda para ficar ao lado dela mas tia Bia insistiu para eu ir estudar Vá para a faculdade não quero atrapalhar seu dia eu te ligo mais tarde ela
disse com a voz trêmula talvez eu chame a polícia agora ou à noite não sei preciso pensar dei um abraço nela e segui para a universidade sem conseguir prestar atenção em nenhuma aula no intervalo tentei ligar para a casa dela de um orelhão perto do portão principal mas ninguém atendeu a linha chamava até cair tentei não me desesperar supondo que ela tivesse saído para a delegacia a noite Chegou e nada de Notícias minha cabeça só girava em torno daquelas imagens horríveis a geladeira o buraco no chão o cheiro de sangue velho quando voltei para o
meu quarto na kitnete tudo estava escuro e sem sinal de tia Bia fiquei tão ansiosa que não Consegui comer Acabei caindo no sono de Puro cansaço Mas tive pesadelos o tempo todo sonhando que eu descia aqueles degraus para um porão cheio de pedaços de carne pendurados no dia seguinte criei coragem e fui cedo à Casa dela bati várias vezes mas ninguém apareceu os cachorrinhos latiam Mas nada de alguém abrir a porta perguntei a vizinho se tinham visto minha tia sair ou entrar e ninguém soube informar Alguém achou que a vira a sair no fim da
tarde anterior mas não tinha certeza mais tarde Peguei um ônibus até a delegacia mais próxima e contei tudo o que sabíamos A Invasão na kitnete o odor estranho aquelas carnes suspeitas falei também do Sumiço de tia Bia que não Atendia o telefone os policiais perguntaram bastante mas pareciam desconfiados de qualquer jeito anotaram meus dados e disseram que investigaram mas não podiam prometer nada sem prova concretas algumas horas depois voltei à casa de kitnetes para checar se a porta continuava aberta ou se havia algum carro de polícia para minha surpresa o portão estava trancado e chegando
ao segundo andar vi a mesma porta cinza agora com outro cadeado maior e mais Robusto não tinha nenhum lacre policial ou fita de isolamento parecia que alguém tinha retomado o controle do lugar ou pelo menos bloqueado a entrada de vez não encontre os outros moradores já que quase todos passavam o dia fora voltei para o meu quarto me sentindo perdida e desamparada tentei ligar para a minha mãe lá no Paraná e recebi a pior notícia possível meu pai estava gravemente doente na hora percebi que não tinha cabeça para resolver dois problemas tão Grandes precisava ir
correndo para casa e cuidar dele mas também não queria deixar minha tia sozinha em São Paulo mesmo assim eu não conseguia falar com ela e não fazia ideia de onde procurar acabei viajando na mesma semana meu pai precisou de cuidados por meses e fiquei lá até ele melhorar nesse período Tentei falar com conhecidos de São Paulo sobre tia Bia mas ninguém tinha novidades para ser sincera a polícia também não me procurou quando voltei a São Paulo quase Do anos depois tudo estava diferente Tive que trancar a vaga na faculdade e não consegui retomar logo em
seguida fui até o endereço da casa da minha tia mas encontrei um rapaz que não a conhecia ele disse que estava alugando o lugar de um corretor e não havia nenhum registro de quem era a antiga proprietária nenhum sinal de que tia Bia tivesse morado ali um dia Decidi ir nas kitinetes o portão estava fechado com um cadeado enorme espiei pelas frestas e vi janelas Quebradas tudo abandonado e tomado por plantas rasteiras não tinha viva alma por ali nenhuma de que um dia aquele lugar fora ocupado por alguém apertei o interfone sem resposta dei a
volta na quadra estava tudo largado com ar de coisa esquecida no tempo nunca mais soube de tia Bia não sei se ela foi vítima de algum crime se fugiu apavorada com o que descobriu ou se Sumiu por outro motivo muitas vezes me culpo por não ter ficado ao lado dela naquele Momento crucial Cheguei a pensar em contratar detetives particulares mas nunca dinheiro para isso tudo o que restou foram minhas recordações e a pergunta que me atormenta quem ou o que vivia naquela kitinete fechada Será que alguém saía daquele vão no chão para guardar carne na
geladeira de onde vinham aqueles pedaços Por quanto tempo isso aconteceu e principalmente Qual foi o destino da minha tia que abriu aquela porta prefiro imaginar que ela esteja Viva em algum lugar se recuperando desse PES mas às vezes sinto medo de que a verdade seja muito mais sombria desde então não consigo chegar perto de casas antigas sem que meu coração acelere quando ouço o barulho de geladeiras velhas ligadas fico tensa na hora tenho sonhos terríveis em que desço escadas intermináveis indo parar num subsolo cheio de cheiros podres sempre acordo Suada sem saber direito se foi
sonho ou Realidade sei que que muita gente pode duvidar de mim ou achar que estou inventando não os culpo Eu também gostaria que tudo não passasse de fantasia Mas cada detalhe ainda vive em mim com uma clareza que assusta às vezes penso que há lugares e Segredos Que Nunca Serão totalmente explicados Talvez seja melhor assim Passei a maior parte do meu tempo achando que nada de muito estranho pudesse acontecer num condomínio tão Calmo como o nosso quando eu e minha esposa nos mudamos para aquele Residencial no interior do Paraná há pouco mais de se meses
tudo que a gente queria era sossego as casas ficavam em volta de um jardim central e muitas ainda estavam vazias já que o empreendimento era relativamente novo a nossa inclusive dividia uma parede lateral com a casa ao lado que diziam estar desocupada desde a inauguração fazia algumas semanas que quase toda a Noite eu acabava acordando assustado por volta de duas ou três da manhã o motivo um barulho incômodo parecido com o som de uma furadeira que ligava E parava em seguida sem nunca completar um único furo no começo imaginei que podia ser algum morador trabalhando
com Marcenaria ou fazendo reparos tarde da noite depois do expediente só que conforme o tempo passava essa explicação não se sustentava não apenas porque as luzes do imóvel quase nunca apareciam e quando Surgiam era só por alguns segundos mas também porque vários vizinhos garantiam que aquela casa estava trancada sem contrato de locação ou venda na primeira vez em que toquei no assunto clar minha espa sugeriu que podia ser algum alarme disparando por um problema elétrico mas não fazia sentido porque às vezes o ruído soava diferente de um alarme repetitivo parecia mesmo alguém ligando e desligando
uma ferramenta várias vezes na madrugada a gente não chegava a Escutar Passos ou portas batendo Era só a tal furadeira ali do outro lado da parede do nosso quarto tirando nosso sono mesmo tentando não dar bola ficava cada vez mais claro que aquilo não era normal certa noite me concentrei ao máximo para ver se ouvia outros sons nada de vozes nenhum móvel sendo arrastado nenhum sinal de gente ainda assim em umas duas ou três ocasiões Notei uma luz passando pelo vitrô e iluminando Nosso Quintal por segundos Como se alguém circulasse lá dentro logo depois tudo
voltava a ficar escuro num fim de tarde em que eu estava de folga resolvi dar conta de umas tarefas domésticas enquanto instalava um varal no quintal escutei novamente o barulho que já conhecia tão bem vindo do outro lado do muro em plena luz do dia larguei minha própria furadeira e encostei a escada de alumínio na divisa para dar uma espiada vi que a janela da casa vizinha estava Entreaberta mas não notei ninguém o ruído no entanto continuava ainda que abafado não pensei duas vezes e pulei para o outro quintal a casa aparentava abandono total o
mato dominava o jardim e dava para ver marcas de água empossada pelos cantos espiei através da porta de vidro da sala e não havia um único móvel a porta até tinha tranca mas estava mal encaixada no batente então forcei um pouco e consegui abrir entrei usando a lanterna do meu celular mesmo sendo dia Já que lá dentro tudo era escuro a sala era Ampla porém vazia parecia a minha casa ao contrário com a planta invertida notei Man de infiltração num canto tive uma sensação estranha como se aquele lugar já tivesse sido habitado um dia mas
há muito tempo o cheiro de mofo ficava mais forte a cada passo apesar do sol lá fora aquela casa parecia guardar uma escuridão meio esquisita como se as janelas tivessem sido mal planejadas de propósito bloqueando a claridade tem Alguém aí perguntei sem muita certeza nenhuma resposta subi a escada que dava pro andar de de cima onde ficavam os quartos o corredor ia até uma porta que se fosse como na minha casa levava paraa suíte principal enquanto avançava vi que todos os cômodos estavam do mesmo jeito vazios e sem lâmpadas não dava nem para entender como
as luzes se acendiam à noite já que não encontrei nenhuma fiação exposta ao entrar no quarto que dividia a parede com o meu senti um Choque imediato ele era quase igual ao meu quarto mas de forma espelhada perto da parede onde do meu lado fica a cabeceira da cama havia algo que me fez parar uma cadeira de madeira encostada exatamente no ponto em que a gente apoia a cabeça para dormir Fiquei parado olhando aquela cena esquisita não era a cadeira em si que assustava mas a ideia de alguém sentado ali grudado na parede talvez escutando
nossos sussurros durante a noite quando aproximei o rosto Vi uma mancha esbranquiçada quase invisível bem onde a pessoa estaria a cabeça se ficasse ali por muito tempo minha imaginação foi longe e se noite após noite alguém se sentava ali para ouvir cada respiração Nossa na hora de sair do quarto reparei em algo no chão uma furadeira dessas comuns de loja de construção com o fio todo enrolado ela não estava conectada a lugar nenhum testei o botão rapidinho não funcionava Aquilo me deixou ainda mais Desconfortável já que o barulho que a gente ouvia de madrugada vir
de uma furadeira ligada na tomada não conseguia parar de pensar em quem estaria aparecendo naquela casa olhei ao redor E não havia um único cabo pendurado ou alguma lâmpada improvisada mesmo assim eu e minha esposa tínhamos visto luzes acesas lá dentro do lado de fora parecia que a casa se recusava a ficar completamente escura por alguma razão que eu não entendia deci levar a Furadeira comig esperança de acabar de vez com o possível gatilho automático que ativava aquele barulho irritante antes Tentei sair pela porta principal mas ela estava trancada com chave nos dois lados e
não encontrei a Bendita chave em canto nenhum a porta de vidro por onde eu tinha entrado estava travada de dentro para fora e precisei forçar de novo para conseguir abrir desci até o jardim e coloquei a cadeira ali para me ajudar a pular de volta para meu quintal Levando a fadea fiz tudo às pressas querendo sair de lá o quanto antes já na minha casa guardei a furadeira no depósito improvisado e fiquei alguns minutos encarando o muro que separava os dois Quintais deixei a escada encostada do meu lado mas só depois notei que largando a
cadeira do outro lado seria fácil para alguém usá-la e subir quando me dei conta já estava anoitecendo fiquei inquieto sem saber se voltava lá para buscar a cadeira ou se fingia que Que nada tinha acontecido tentei me distrair vendo televisão e conversando com Clarice mas vivia olhando pela janela com medo de enxergar algum sinal de movimento eu estava exausto então fomos deitar mais cedo mas por volta de meia-noite um barulho me Pegou de surpresa era algo sendo arrastado do outro lado da parede na hora meu coração acelerou suava como madeira rangendo no piso reconheci aquele
som porque quando nos mudamos arrastei muito móveis Sozinho você ouviu isso perguntei baixo paraa Clarice ela só Confirmou com a cabeça com a expressão assustada o barulho vinha em intervalos curtos como se alguém estivesse empurrando a cadeira do quintal para dentro da casa e depois pro corredor até chegar no quarto de cima a cada trecho o rangido ficava mais forte e eu tinha quase certeza de que iria parar bem atrás da nossa cabeceira foi exatamente o que aconteceu o som encerrou com um baque seco na parede Meus olhos ficaram cheios de pavor porque a única
explicação era que alguém estava recolocando a cadeira no mesmo lugar de antes provavelmente Para encostar o ouvido no muro e nos escutar Custei a pegar no sono de novo de vezem quando escutava estalos misios vz o noite interminável e assim que amanheceu fui direto até a Guarita onde ficava seu Roberto O zelador ainda segurando a furadeira falei com ele querendo deixar o objeto em suas mãos e Essa casa do lado Já foi vendida tem alguém morando lá perguntei seu Roberto Balançou a cabeça Pelo que eu sei não o dono do empreendimento falou que tem alguma
pendência de documentação e não pretende vender tão cedo ele disse que há algo errado lá dentro mas nunca detalhou o que exatamente antes que eu pudesse explicar que invadia a casa ele me rompeu Se eu fosse você ficava longe daquele lugar parece que a família que construiu o condomínio teve problemas Sérios mas ninguém conta em detalhes já reparou no formato do trinco da porta principal nem reparei só queria sair de lá o mais rápido possível pois quando passar por lá de novo olha com calma tem um ferro retorcido em forma de Cruz soldado Na fechadura
dá a impressão de que é para manter alguma coisa lá dentro ou para impedir gente de fora de entrar não sei aquilo ficou martelando na minha cabeça o dia inteiro a ideia de um símbolo religioso selando a porta Principal me deixou muito Alerta passei o resto do dia cuidando ao máximo Quando ia pro quintal ou abria a porta para alguém Clarice também não conseguiu se concentrar em nada direito na noite seguinte Tentei ficar acordado para ver se escutaria outra vez o barulho por volta de 2as da manhã não ouvi nada mas quando finalmente deitei veio
um estalo curto corri até a janela do quarto e olhei pra casa ao lado uma luz fraca aparecia no andar de cima projetando uma Sombra leve no quintal era um brilho amarelado nada parecido com lâmpadas modernas fiquei ali paralisado por uns bons minutos esperando ver algum movimento qualquer pessoa não consegui ver ninguém mesmo depois de tudo isso nunca encontrei uma resposta definitiva Pode ser que alguém tenha cópias das chaves e entre lá quando bem entende por motivos que desconheço Talvez seja um morador que não se registrou oficialmente ou talvez E isso ainda me Arrepia exista
algo muito mais pesado dentro daquela casa algo que se manifesta nessas luzes repentinas e nos ruídos esquisitos o que sei é que depois que tirei a furadeira de lá os barulhos de madrugada diminuíram bastante às vezes ainda escuto o som de algo sendo arrastado no andar de cima mas a furadeira Nunca mais a cadeira porém parece ter voltado pro mesmo lugar na parede porque de vez em quando ouço aquele baque seco encostando no nosso Lado do quarto clariss quase não fala disso mas percebo que ela também fica com a sensação de que tem alguém prestando
atenção até hoje evito circular pelo quintal à noite quando encontro seu Roberto noto que ele também prefere não tocar muito no assunto a única coisa que tenho Clara na minha cabeça é que o desconforto vem dessa falta de respostas não saber se é algo perfeitamente explicável ou se é um mistério que ultrapassa o que a gente Consegue entender no fim tem poucas coisas mais perturbadoras do que imaginar alguém ou seja lá o que for parado ali H poucos centímetros do lugar onde você encosta a cabeça para dormir atento a cada respiração sua Eu nunca fui
de ficar impressionado com história de assombração cresci ouvindo relatos fantásticos que meus amigos contavam mas sempre achava que tinha alguma explicação lógica por trás de cada barulho esquisito ou lâmpada que Piscava sozinha Só que tudo isso mudou quando me mudei para um conjunto habitacional Quase vazio no interior de São Paulo Até hoje me pergunto se não foi só uma sequência de Coincidências Mas é difícil ignorar o que vivia ali Mônica minha esposa na época tinha acabado de conseguir um financiamento para uma casa num condomínio recém construído que já mostrava sinais de abandono era um lugar
com mais ou menos 12 casas todas Alinhadas em pares Cada uma com um quintal simples e espaço para estacionar ficava numa região mais alta da cidade a prefeitura até anunciava projetos grandiosos para lá Mas dava para ver que as obras estavam largadas havia meses assim que chegamos notei Como o silêncio era quase absoluto as ruas internas do Residencial tinham pouca iluminação e os terrenos vazios em volta ficavam praticamente invisíveis à noite no começo Achei que seria uma maravilha Morar num lugar tão tranquilo longe do barulho constante do trânsito nos primeiros dias dormi feito pedra exausto
com a correria da mudança Mônica também estava cansada mas parecia sempre Incomodada com algo que eu não conseguia identificar como se houvesse uma estranheza no ar quando terminamos de mudar tudo percebi que só existiam mais duas famílias por ali na verdade só cheguei a ver uma delas de relance um casal de idosos que quase não saía de Casa a outra família vivia com portas e janelas trancadas e passava o dia inteiro fora até o porteiro um senhor chamado Ademar que mal ficava na guarita trabalhava em esquema de revezamento já que o movimento era praticamente nulo
não demorou muito para as primeiras coisas estranhas acontecerem numa tarde houvi um barulho que lembrava o de uma furadeira ecoando atrás das paredes vinha acompanhado de uns estalos como se alguém mexesse com ferramentas pesadas Comentei com a Mônica Mas ela disse que não tinha escutado nada fiquei achando que podia ser paranoia minha num lugar tão silencioso qualquer som parece maior do que é mas aquele ruído persistia parecia próximo demais o que me deixou em Alerta dois dias depois precisei ir até o centro para resolver burocracias voltei já tarde da noite de carona com um motorista
de aplicativo chamado Ricardo a estrada para chegar ao condomínio subia a uma Colina sinuosa Sem quase nenhuma tudo ao redor desaparecia na escuridão tentei puxar conversa mas o Ricardo estava claramente inquieto Você tem certeza de que mora aqui em cima ele perguntou com a voz meio insegura Tenho sim é um condomínio novo mas pouca gente se mudou fica mais adiante ficamos em silêncio de novo até que de repente uma senhora apareceu na beira da estrada de costas para o carro Ricardo freou no susto pelo reflexo do Far Dava para ver que ela vestia um casaco
escuro e chinelos algo bem estranho para o frio que estava fazendo naquela noite ficamos ali parados sem saber o que fazer o Ricardo chegou a manobrar o carro para desviar mas quando ele baixou o vidro para falar com a mulher ela simplesmente não estava mais lá que coisa Foi essa ele murmurou olhando para fora Será que se perdeu não vi para onde ela foi diro devagar esticando o pescoço Para ver se a tal senhora aparecia de novo algum cant da pista uns metros adiante vimos várias pessoas subindo o morro em fila como fosse uma procissão
M estanha não conseguia Ener oost de ninguém mas todos caminhavam no mesmo ritmo passo por passo e ISO me deixou completamente paralisado de susto quando finalmente Chegamos Ao portão do condomínio agradeci ao Ricardo e me despedi rápido ele deu meia volta tão depressa que os pneus até cantaram na Curva entrei em casa e felizmente A Mônica já estava lá ela deixou a luz externa acesa o que trouxe uma pontinha de segurança naquele breu enquanto eu tirava as coisas do ombro reparei que a casa ao lado a Uns poucos passos de distância estava toda iluminada por
dentro eu tinha quase certeza de que ninguém morava lá desde que chegamos fui andando em direção à minha porta e do nada as luzes da casa vizinha se apagaram o silêncio ficou tão denso que Parei para tentar escutar algum movimento seja Passos vozes ou qualquer som que indicasse alguém ali não ouvi nada entrei cumprimentei a Mônica e tentei não preocupá-la mas passei boa parte da noite revirando na cama lembrando de tudo que tinha visto na estrada na manhã seguinte decidimos sair bem cedo para comprar itens de decoração pegamos a mesma Estrada sin EA mais abaio
Vimos um carro abandonado no acostamento era o mesmo sedã prata Que o Ricardo dirigia reconheci a placa na hora e simplesmente travei de nervoso as port estav destravadas mas não tinha sinal do motorista Será que algo aconteceu Ele perguntou a Mônica com a testa franzida Não faço ideia respondi tentando me acalmar depois vou falar com o porteiro para ver se alguém tem notícias o dia todo aquela cena do carro abandonado ficou martelando na minha cabeça quando voltamos lá pelas 7 da noite O Sedan Ainda estava no mesmo lugar ao passar pela Guarita parei para conversar
com o Ademar seu Ademar por acaso algum motorista de aplicativo passou aqui hoje ele coçou a barba pensativo passou um sedã prata faz bem pouco tempo até achei que era o senhor no banco de trás minhas pernas quase não me sustentaram expliquei que não era eu e que havia um sedã igual abandonado na estrada desde cedo Ademar ficou confuso mas insistiu que tinha visto alguém muito parecido Comigo no banco traseiro para piorar Mônica estava ao meu lado o dia inteiro então não tinha como eu ter estado em outro carro nas duas noites seguintes ouvi mais
vezes aquele barulho de furadeira no meio da madrugada parecia vir do quintal da casa ao lado a mesma onde as luzes tinham acendido e apagado de forma tão estranha Mônica começou a ter insônia Eu também praticamente não dormia mais quando conseguia cilar era tomado por pesadelo sem pé nem cabeça Então numa dessas madrugadas o silêncio foi interrompido por uma buzina e um alarme corri até a janela e vi um carro parado em frente ao meu portão o mesmo sedã prata com o pisca alerta ligado e as portas abertas saí depressa enquanto a Mônica me chamava
pedindo Cuidado lá fora o Ademar apare com uma lanterna deixei esse carro entrar porque vi o senhor lá dentro de novo ele disse meio sem graça Será que confundi tudo eu só consegui balançar a cabeça com a boca Seca e o coração disparado de dentro do sedã vinha um cheiro estranho uma mistura de olho velho e mofo não tinha chave na ignição nem documentos de repente o alarme parou e as luzes se apagaram como se alguém tivesse desligado tudo por controle remoto o Ademar estava tão lado quanto eu vou chamar a polícia isso não está
normal passaram-se uns 15 minutos e tudo Voltou ao silêncio total Nenhuma viatura apareceu Talvez o Ademar não tenha Conseguido contato ou estivesse tão confuso quanto eu de qualquer jeito tentamos voltar pra cama mas quem conseguiria dormir depois de uma cena dessas depois de um tempo devo ter cochilado sonhei de novo com aquele som de furadeira mas também imaginei ou talvez me lembrei de algo batendo dentro de uma parede como se mãos invisíveis estivessem construindo ou derrubando alguma coisa ali dentro acordei sobressaltado respirando rápido e Procurei a Mônica no colchão para ver se estava tudo bem
ela dormia ao meu lado mas se mexia bastante provavelmente com algum pesadelo quando tentei me acalmar senti um frio nos pés estendi o braço para pegar o cobertor mas não encontrei nada olhei em volta forçando a visão no quarto pouco iluminado e percebi que toda a roupa de cama tinha sumido levantei devagar com cuidado para não acordar a Mônica vi que o lençol estava embolado no meio do quarto mas de um Jeito esquisito chegando perto senti um arrepio ele não estava só jogado parecia amarrado num ponto do teto deixando uma ponta pendurada preciso trocar essas
lâmpadas fracas pensei sentindo a cabeça girar nesse instante a Mônica acordou virei para ver e ela estava colada na cabeceira da cama me olhando como se eu fosse um estranho os olhos dela eram puro terror Ela balançava as mãos tentando falar alguma coisa fica longe ela gritou com a voz falhando você tá Com aquilo na mão de novo aquilo olhei para as minhas próprias mãos mas não vi nada além da penumbra Foi então que escutei um zumbido familiar parecido com o de um aparelho elétrico ainda meio tonto tentei achar a fonte do som mas não
encontrei nada e de repente meu peito pareceu pesado demais quase impossível de expandir tentei falar mas cada músculo se recusava a funcionar a Mônica saiu correndo do quarto batendo a porta não sei quanto tempo fiquei ali Paralisado encarando o lençol pendurado como se ele tivesse vontade própria quando Finalmente consegui me mexer já era manhã a luz que entrava pelas frestas da cortina deixava tudo ainda mais a absurdo o quarto todo bagunçado almofadas e travesseiros no chão mas Nenhuma ferramenta elétrica onde que fosse ela não quis falar comig naquele dia passou a manhã arrumando as malas
ligando para a mãe ajeitando tudo para ir embora tentei argumentar masha voz Tremia Eu mesmo não tinha respostas para nada daquilo no momento em que ela terminou de juntar as coisas conseguiu dizer algumas frases sem olhar para mim não vou passar mais nenhuma noite aqui vou ficar um tempo com a minha mãe Preciso pôr a cabeça no lugar eu entendia mas doía ver que nosso casamento estava ruindo tão rápido Ela contou que no meio da madrugada acordou e me viu sentado numa cadeira ao lado da cama segurando uma furadeira apontada Para ela mesmo eu jurando
que não saí da cama Ela continuou me olhando com uma mistura de medo e repulsa levei-a até a casa da mãe dela em out outro município em parte eu também não aguentava mais aquela casa ainda fiquei alguns dias tentando resolver as pendências financeiras mas não tive coragem de dormir lá bastava anoitecer para eu sentir uma sensação sufocante como se algo me observasse no escuro acabei ficando uns tempos no sofá de um amigo Enquanto decidia o que fazer três semanas depois passei no condomínio para pegar umas coisas que tinham ficado encontrei o Ademar na guarita e
ele me contou que o sedan prata foi guinchado pela polícia mas ninguém descobriu de quem era ou o que houve com o motorista perguntei sobre os outros moradores Ele disse que quase todo mundo foi embora de repente sem aviso e sem levar muita coisa a conversa terminou com um comentário dele diziam que não era para Ter construído nada aqui o pessoal mais antigo falava que esse terreno era meio amaldiçoado gente que sumia rituais Não sei nunca liguei muito mas agora ele não concluiu o pensamento me despedi sabendo que eu também não voltaria a morar naquele
lugar a sensação de aperto de não conseguir respirar direito Parecia impregnada em cada canto e até hoje quando fecho os olhos para tentar dormir ainda escuto aquele barulho de furadeira ao longe como se a construção Nunca Tivesse terminado ou estivesse sendo demolida sem parar eu e Mônica não voltamos a viver juntos a casa foi posta à venda mas não apareceu nenhum interessado quem vai lá reclama da localização de problemas estruturais ou simplesmente de um clima estranho nunca descobri o que realmente aconteceu naquela noite em que Mônica me acusou de ameaçá-la com uma ferramenta elétrica também
não sei o que houve com o motorista Ricardo nem com a senhora que Apareceu na estrada só carrego a lembrança de que nada daquilo parecia fazer sentido e de certo modo faz menos sentido a cada dia que hoje pensando no que o Ademar disse sobre terrenos onde não se deveria construir fico olhando os anúncios de empreendimentos que prometem o paraíso em locais afastados e me pergunto quantos lugares assim existem por aí lugares em que o silêncio não representa sossego mas um alerta de que algo que Não se pode explicar está por perto lugares que guardam
segredos que talvez seja melhor nem tentar descobrir ah