Que a graça e a paz de Jesus Cristo seja com sua vida, com sua casa e com os seus. Amém. Quero convidar você a abrir a sua Bíblia na primeira carta de João, retomando então hoje a nossa série Clareza no caos. Primeira João, convido você a abrir no capítulo dois, retomando então de onde paramos no ano passado. Primeira João, capítulo 2. Leio uma pequena porção apenas hoje, versículos 15. a 17. E o tema que escolhi como ah como título dessa mensagem essa noite é entre o desejo e a eternidade. Vamos falar sobre essa dicotomia e
como essas duas realidades se encontram. Primeira João 2, versículos 15 a 17. A palavra de Deus diz assim: "Não amem o mundo, nem o que nele há. Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele. Pois tudo o que há no mundo, a cobiça da carne, a cobiça dos olhos e a ostentação dos bens, não provém do Pai, mas do mundo. O mundo e sua cobiça passam, mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre. Vamos orar uma vez mais. Senhor Deus, fale conosco, ministre aos nossos corações, transforme nossas vidas,
molde nossos afetos, transforme a maneira como nós enxergamos o mundo, algumas coisas sobre nós mesmos, sobre o nosso próximo e a inclusive, quem sabe ajustes precisam ser feitos nas lentes com as quais lemos o próprio evangelho. Que o Senhor nos instrua de modo puro e de modo poderoso pela tua palavra, através do teu santo espírito. Assim nós oramos no nome de Jesus. Amém. Amém. Para quem tá chegando agora ou para quem não lembra exatamente de onde paramos, acho que vale a pena nós retomarmos um pouco do que que nós vimos até aqui nessa série. Em
um minuto, João, ele já fez uma série de testes, de prova da nossa fé com exortações bastante contundentes. Isso no capítulo um, início do capítulo dois, sobre, por exemplo, obedecer aos mandamentos, sobre não caminhar em trevas, sobre demonstrar uma vida que não se categoriza pela dubiedade. Mas no nosso último sermão, na primeira epístola de João, especificamente versículos 12 a 14, onde eu falei sobre uma fé multigeracional, onde ele se endereça aos pais, aos filhos e aos jovens, categorias de fé ali, mas possivelmente também categorias etárias, ele faz uma pausa e uma pausa pastoral, por assim
dizer. Ele deseja não apenas transmitir conhecimento nessa carta, porque nós não queremos sair daqui terminando não apenas o culto de hoje, mas essa série como um todo, com as mentes inchadas e com maior conhecimento, sem que esse conhecimento gere em nós transformação. É claro que nós queremos saber mais, queremos aprender mais, mas que não fique apenas na nossa mente, mas que com a mente e a consciência transformada pelo evangelho, nós possamos traduzir isso em virtude de vida. E o Martin Lloyd Jones, ele vai declarar que o João, nesse último trecho, ele desejava fazer pelo menos
três coisas. Ele deseja nos confortar, nos incentivar e nos mostrar que não existe qualquer desculpa pro fracasso espiritual nessa vida, exatamente porque Deus já nos deu tudo quanto necessário pro cumprimento da sua vontade. Então, é um texto bastante encorajador. Se você não estava aqui ou se já faz tanto tempo que você não se lembra, entra lá nas nossas plataformas digitais, YouTube, Spotify e ouça para que nós estejamos então alinhados. Agora, nesses poucos, mas importantes versículos, ele quer nos ajudar, se eu fosse resumir, a não sermos iludidos pelo jeito de ser do nosso mundo. Então, quando
eu tô falando de desejo e eternidade, não são realidades necessariamente ou essencialmente antagônicas. Existem bons desejos, como nós iremos ver, mas o desejo elevado a uma questão desgovernada e desenfreado, ele se torna o que João vai chamar de cobiça, que é o jeito de ser desse mundo. Então, olha comigo, versículo 15, ele começa dizendo o seguinte: "Não amem o mundo, nem o que nele há." "Não amem o mundo e nem o que nele há". É uma afirmação contundente, é um imperativo. Se eu fosse facilitar a tradução do que tá sendo dito, é como se ele
dissesse: "Ó, nada que tem no mundo presta". Essa é uma possível interpretação a depender de como você lê. Mas vocês que são estudantes ávidos da palavra de Deus já perceberam que tudo é contexto. Então, é importante antes de falar o que isso é, talvez falar sobre o que isso não é. Por quê? Porque João dessa epístola é o mesmo autor de primeira, segunda, terceira João, é o mesmo autor de Apocalipse, que já estudamos aqui, e é o mesmo autor do Evangelho de João, diante do qual nos dedicamos a por cerca de um ano ou um
pouco mais de um ano. Tá lá também tudo registrado. E o que é interessante é que talvez no versículo mais famoso, se não mais famoso, certamente um dos mais conhecidos do Evangelho de João, o texto de João 3:16 é esse mesmo autor que diz o seguinte: que Deus amou o mundo de tal maneira que deu seu filho unigênito para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha vida eterna. Então, João do Evangelho diz que Deus amou, Deus amou o mundo ao ponto de entregar o seu próprio filho, ou seja, aquilo que lhe era
mais valioso. Deus tanto amou este mundo que ele se deu. Mas se no evangelho ele declara que Deus amou o mundo a ponto de entregar o seu filho unigênito e aqui ele orienta a não amar o mundo, eh, será que João tá se contradizendo? Será que ficou confuso? Será que o evangelho que ele escreveu relativamente ainda jovem, agora em sua idade um pouco mais tardia, ele tá revendo essas realidades? O mundo ele deve ser amado ou não? Ele está se contradizendo? A resposta é obviamente não. Por quê? Porque mundo na palavra de Deus, e alguns
de vocês já sabem disso, ele pode significar céus, pode significar terra, pode significar mares, fauna, flora, beleza. A boa criação de Deus, essa criação coroada pela criação da humanidade no no sexto dia, diante do qual, ao realizar todas as coisas, o próprio Deus vê e percebe que é bom. Passou o primeiro dia, passou o segundo dia, passou o terceiro dia, dia após dia, e Deus viu que era bom. Então, mundo em certo sentido, na realidade da palavra diz respeito a essa boa criação de Deus, sobretudo, repito, dizendo respeito à humanidade. Então, este mundo deve ser
amado, este mundo deve ser apreciado, esse mundo deve ser desfrutado. E as coisas que este mundo contém, toda beleza, toda cultura, toda arte, toda erudição, enfim, aquilo que está contido no mundo deve ser amado, porque Deus também o ama. e o ama de tal maneira que se entregou para que a sua humanidade criada, sua criação fosse redimida. Não apenas a humanidade fosse salva, mas para que esse mundo cosmos fosse um dia também restaurado. É isso que nós vemos na narrativa da redenção. Eu estava falando com o pastor Alisson ontem, a gente conversando um pouco sobre
isso. Não é por acaso que o apóstolo Paulo vai dizer na carta aos Romanos que a natureza, o cosmos, a fauna, a flora, elas gemem como em dor, dores de parto pela revelação dos filhos de Deus. Por quê? Porque desde a queda, a criação, a boa criação de Deus também foi maculada pelo pecado e sofre o seu dano. São ervas daninhas, são realidades de exploração, atitudes predatórias. Então, o mundo deseja, anseia ser aquilo que Deus os criou para ser antes mesmo da queda, para que isso possa acontecer exatamente no apocalipse, que é a restauração de
todas as coisas, onde Deus refaz, onde Deus restaura, onde Deus redime, trazendo novos céus e nova terra. Mas em outros momentos, mundo na palavra de Deus, também em Gênesis significa uma outra coisa. Mundo pode significar uma ordem ou um sistema organizado à margem de Deus, ou pior ainda, em franca oposição a Deus. Então, existe um mundo, existe um sistema filosófico, existe uma forma de pensamento, existe um jeito de ser, existe uma uma espiritualidade organizada, consciente ou inconsciente, que ou ela vive à margem alienada do Deus criador de todas as coisas, ou ela vive em total
oposição, em rebeldia. Essa é a palavra que Deus que Deus usa nas Sagradas Escrituras. E também vemos em Gênesis, talvez de modo mais explícito, em Gênesis 9. Ah, porque em ou a partir de Gênesis 9, porque em Gênesis 9, versículo 1, o texto diz que Deus abençoou Noé e seus filhos, dizendo-lhes: "Sejam férteis, multipliquem-se e enchar". Então, isso é o pós-dilúvio. Deus realiza o dilúvio. Ele chega para Noé e paraa sua família e fala: "Olha, vamos lá. Tô abençoando vocês. Estou estabelecendo um pacto com vocês. Não vou destruir a terra mais dessa maneira. Agora vocês
vão ser férteis, vão se multiplicar, vocês vão se espalhar por sobre a terra. Por quê? Porque como o ser humano, eu e você, Noé e todos, carregamos a imagem e semelhança de Deus, o espalhar da humanidade pela terra nada mais é do que o espalhar da própria imagem de Deus por esse cosmos, esse mundo criado. Mas talvez você já tenha ouvido falar de uma edificação, tanto literal quanto simbólica, que é a construção de uma torre, a torre de Babel. E Babel nas escrituras não apenas representa uma tentativa de edificar uma torre de tijolos, que é
isso literalmente, mas é sobretudo a sistematização humana de uma tentativa de vida em contrariedade aos planos de Deus. Por quê? Porque se Deus diz para Noé nesse novo tempo, nesse recomeço, sejam férteis, multipliquem-se e espalhem, olha o que diz Gênesis 11, dois capítulos depois. No mundo todo havia apenas uma língua, um só modo de falar. E saindo os homens do oriente encontraram uma planície em cinear e ali se fixaram. Disseram uns aos outros: "Vamos fazer tijolos e queimá-los bem." usavam tijolos em lugares de pedras e piche em vez de argamassa. Esse uso do piche não
é coincidência. Eles estão hipermeabilizando e isso não é coincidência. Não é só para juntar tijolo. Por quê? Porque Deus havia destruído o mundo com água. E Deus havia prometido que não destruiria mais o mundo com água, mas eles não acreditam na palavra de Deus. Então eles hipermeabilizam. Há há uma denúncia aqui nesse texto, não é por acaso. Pois bem, eles usavam tijolos em lugares de pedras pich em vez de argamassa. E depois disseram: "Vamos construir uma cidade com uma torre que alcance os céus por atolice. A tentativa humana da sistematização religiosa de edificar o seu
caminho aos céus a partir da força do próprio braço e não a partir do alcance de Deus que sai dos céus e vem à terra". Não apenas isso ele diz assim. Eles dizem: "Nosso nome será famoso e não seremos espalhados pela face". Então, Babel é a estrutura visível da rebeldia humana. É olhar para um Deus que estabelece uma aliança e diz: "Eu não sei se eu confio muito bem no Senhor, então eu vou me proteger de ti." E ao olhar para esse Deus e dizer: "Ah, se eu não sei se o Senhor vai vir, é
melhor a gente subir como se isso fosse possível. E não bastasse isso, uma franca oposição dizendo: "Nós não queremos nos espalhar. Nós não queremos viver em vulnerabilidade, nós não queremos depender de ti. Nós não queremos eh nos colocarmos em uma posição de dependência eh da sua provisão. Nós queremos criar os nossos muros, as nossas barreiras, as nossas cidades fortificadas. E nós não queremos glorificar o teu nome, nós queremos que o nosso nome seja conhecido. É o início de toda a forma de antropocentrismo, é o início de toda a forma da religião dos homens. Tá aqui
em Babel. Tanto que lá em segunda Coríntios 4, versículo 4, o apóstolo Paulo, ele vai falar sobre o espírito desse mundo ou o espírito deste tempo, desta era. E ele diz, eh, depois disso, eu vi outro anjo que descia do céu. Ou, ou melhor, segunda Coríntios, capítulo 4, ele vai dizer: "O Deus dessa era cegou o entendimento dos incrédulos para que eles não enxergassem a luz do evangelho, que é a glória de Cristo Jesus." Isso é Paulo dizendo. Mas em Apocalipse o que é interessante é que João, o mesmo João, diz: "Depois disso, vi outro
anjo que descia do céu, tinha grande autoridade. A terra foi iluminada por seu esplendor e ele bradou com voz poderosa: "Caiu, caiu a grande Babilônia. Ela se tornou habitação de demônios e antro de todo o espírito imundo, antro de toda aveva impura e detestável." Presta atenção no que ele vai dizer agora. Pois todas as nações beberam do vinho da fúria da sua prostituição. Os reis da terra se prostituíram com ela à custa do seu luxo excessivo. Os negociantes da terra se enriqueceram. Então ouvi uma voz do céu que diziam: "Saiam dela, vocês, povo meu, para
que vocês não participem dos seus pecados, para que as pragas que vão cair sobre ela não os atinjam". Então, aquilo que começou em Babel como uma tentativa humana de oposição a Deus vai ter fim no Apocalipse, porque a grande Babilônia que cai é a Babel do Gênesis. E o que é essa grande Babilônia? Repito, é um sistema organizado e consciente de oposição a Deus, que enriquece a muitos, que explora muitos, que desfruta da sua promiscuidade e depravação, que lida com luxúria e que lida com ostentação. É o jeito de ser desse mundo que não se
preocupa com aquilo que é a vontade de Deus, mas se preocupa apenas com com aquilo que são minhas próprias vontades, desejos e cobiças. é o sistema que governa esse mundo e todos aqueles que caminham rumo à perdição. Esse é o mundo a qual João se refere e diz: "Não ame esse mundo. Não ame esse sistema que quer capturar toda a sua atenção." Por que que ele tá falando de amor? Porque é isso. O mundo não quer apenas a parte de nós. O mundo quer nosso coração. O mundo quer nossos afetos. O mundo quer toda a
nossa dedicação. O mundo quer nossa prostração. Nós vamos falar sobre isso até o final. Mas qual é a tentação ou uma das tentações de Satanás para Jesus? Tudo isso te darei se prostrado me adorares. O mundo quer te ver prostrado e então ele vai te dar tudo aquilo que a sua cobiça jamais sonhou imaginar. Ele quer que você o ame desesperadamente. E é por isso que nós precisamos constantemente nos perguntarmos, meus irmãos, diante de um texto como esse, onde realmente nós temos investido o nosso tempo e a nossa energia? Se na cidade de Deus ou
no reino dos homens? Sinabel, num projeto babilônico que há de cair porque Jesus vai voltar e vai destruir essa grande Babel, ou se é num projeto de uma outra cidade chamada Nova Jerusalém, santa e adornada, que vem dos céus, onde reinarão com Cristo todos aqueles que se submeteram à sua vontade. Porque o projeto desse mundo é que nós possamos desenvolver uma vida não apenas mais santa, mas uma vida mais confortável. Porque o mundo ele não vai tentar apenas te destruir acabando com a sua vida. Às vezes a gente pensa, né, eu sempre uso essa analogia
que é um pouco mais clara. O diabo não vem com chifre tridente e sorriso satânico, não, gente. Ele vem com diferentes formas de sedução, seja pelo dinheiro, pelo poder, pelo prazer, por aquilo que você quiser. Ele se transforma exatamente na aspiração dos seus desejos. E de fato, uma destruição possível pode ser a destruição diabólica dos relacionamentos, a destruição da vida, a perdição explícita. E, e é muito fácil perceber quando alguém está explicitamente perdido, né? Então você vê alguém vivendo em delinquência, vivendo em corrupção, vivendo em crime, vivendo em depravação sexual, vivendo entregue nas drogas. É
muito fácil perceber porque está explícito. Mas há uma outra forma de destruição, muito mais sutil. E aí eu quero ser muito transparente com vocês, porque me parece que essa outra forma ela, por ser mais sutil, no nosso caso, eu acho que ela é mais possível. E que forma é essa? Não é um diabo que vem, destrói tudo. Essa outra forma, simplesmente num grupo como nós é o que o sistema desse mundo deseja nos tornar pessoas apenas confortavelmente distraídos. profundamente acomodados, vida tranquila demais, sem muito problema. Você fala: "Não, mas pera aí, pastor, você tá tentando
me convencer que isso é bom ou que é ruim? Deixa eu tentar entender. Isso é uma proposta. Não, é vida no piloto automático. É vida sem sentido, é vida sem propósito. Eu não tô falando de vida harmoniosa, eu tô falando de vida assim instintiva. Acorda, toma café, trabalha, se mata o dia inteiro, volta, come, dorme e o outro dia a mesma coisa. E o outro dia a mesma coisa. E o outro dia a mesma coisa. É claro que a nossa vida é assim. É claro que a nossa vida é feita de responsabilidades. É claro que
nós temos as nossas demandas, a nossa carreira, o nosso trabalho, nossas necessidades emocionais, psicológicas, afetivas, financeiras, de todas as ordens. E isso é implícito à vida humana. Mas a vida não pode ser só isso. A vida tem que ter algo a mais. A vida tem que ter sentido. A vida tem que ter propósito. A vida precisa ter contornos de uma expressão que tem sido muito usada, que é legado. O que que a gente vai deixar? E não é o que a gente vai deixar só de patrimônio, não é o que a gente vai deixar de
grana, é o que que a gente vai deixar, quem é pai, quem é mãe. Que que você vai deixar nos seus filhos, não para os seus filhos. Às vezes é mais fácil deixar coisa para os filhos, mas deixar coisa nos filhos é mais difícil, porque deixar para basta eu me matar, me alienar e deixar algo que gere algum tipo de conforto. Não está essencialmente errado. Mas se eu deixar algo para os meus filhos e não colocar algo nos meus filhos, eu terei falhado miseravelmente. Então o mundo ele não vai apenas te destruir. Isso é uma
tática possível. Uma outra tática possível e penso eu, bastante comum é simplesmente deixar você enxergar a vida como algo que passa, como algo que vai. E sem perceber é um sopro. E você tem 20 anos de idade, você piscou, tem 40. Você piscou, tem 60. Você piscou tem 80. Quando você era novo demais, você tava ocupado demais, era meio imaturo pr as coisas de Deus. Depois você tá numa numa, qual é a expressão que a gente usa? meia idade e aí você tá num tempo de pressões, pô, teu filho tá crescendo, tá indo pra faculdade
daqui a pouco, aí você tá ocupado, você tá gastando seu vigor, não. De repente quando eu aposentar, aí você aposenta, aí você tá cansado. Uma vida absolutamente distraída, acomodada, espiritualmente falando. Portanto, a destruição, repito, não se dá apenas quando tudo desmorona ao nosso redor, mas quando a gente passa a existir no piloto automático sem qualquer propósito. E não estamos falando, esse é o grande perigo, de coisas essencialmente ruins, porque existem coisas muito boas nesse mundo. Eu gosto da expressão as boas dádivas da criação divina. Não há problema em desfrutar de algumas delas. materialmente falando, inclusive
se esse foro, o problema é elas se tornarem o alvo último da nossa existência. Porque, meus irmãos, por mais que aquilo que nós vemos, experimentamos e nos tornamos nesse mundo possa ser bom, essencialmente falando, não deixa de ser inevitavelmente temporário. Se eternidade pudesse ser um ativo mensurável e não pode, imagine a eternidade como uma grande linha do tempo, infinita. E nessa grande linha do tempo, infinita, porque é eterna, existe um cisco, um cisco assim. Então, imagina assim um negócio que é maior que esse prédio e é maior que tudo isso aqui. Aí tem um cisco
e esse cisco tá escrito láida do Diego, vida do Alisson, vida do Guilherme, vida do Danton, Cisco. Pergunta de assim que pré-escola responde: Qual é o melhor investimento? Investir no cisco ou no fio que não acaba? Qualquer criança consegue responder isso, mas a gente esquece. E a gente investe no cisco, a gente investe no vapor, a gente investe na neblina, a gente vive como se aquilo que vemos fosse o tudo que temos e não como um grande prelúdio daquilo que é a verdadeira vida, a qual o evangelho chama de vida plena, vida abundante, vida eterna.
E não é apenas eterna. Você já me ouviu falando sobre isso, não é eterna só porque não tem fim. Porque concorda comigo que sofrimento eterno também é um negócio que não tem fim e é péssimo. O inferno é eterno, não quer dizer que é bom. Não é vida eterna, é morte eterna. Então a dádiva não está na eternidade, a dádiva está na plenitude. É vida plena que não acaba, é vida abundante que não tem fim. É eternidade na presença de Deus. Então, como diria CS Lis, tudo que não é eterno é eternamente inútil. E eu
acho que tem alguns cristãos que gostam tanto desse mundo e gostam tanto das coisas desse mundo e tem uma vida tão boa que se eles pudessem eles até olhavam para Jesus e pediram assim: "Jesus, segura mais um pouco, não volta ainda não, porque a vida tá legal demais aqui embaixo." É gente que não anseia pela volta de Cristo. É gente que tá tão à vontade nessa terra que esquece que é peregrino, que esquece que nós estamos aqui de passagem, que esquece que esse não é o nosso lar. Então, João, ele explica melhor o que ele
quer dizer com, não apenas com o mundo, mas tudo que nele há. Porque perceba, são duas afirmações contundentes. Não amar o mundo. Já entendemos o que é mundo aqui para João, mas não amar tudo que tem nesse mundo. E o que que é tudo que tem nesse mundo? Olha o versículo 16. Pois tudo o que há no mundo, esse sistema de governo à margem ou em franca oposição a Deus. A cobiça da carne, a cobiça dos olhos e a ostentação dos bens não provém do Pai, mas do mundo. E e eu gosto do poder de
síntese de João. Há vários anos eu entendi que me parece que ele conseguiu sintetizar o pecado em três categorias. Facilita bastante pra gente. Ele vai chamar de cobiça da carne, cobiça dos olhos, soberba da vida. é o que eu chamo, ah, transformando isso em perguntas de tudo que eu preciso, tudo que eu desejo e quem eu quero me tornar e como quero ser percebido. Então, cobiça da carne é aquilo que eu preciso, é carne mesmo, é visceral, é é fome, é sede, é fôlego, é é prazer físico, é físico. Então isso é cobiça da carne,
cobiça dos olhos, tudo que eu vejo, vi, desejei, tem a ver com desejo. e ostentação dos bens. Ou outra versão diz: "E eu percebo soberba da vida". É ego, é percepção, é identidade, é projeção de quem eu sou, é o que eu quero me tornar, ou mais do que isso, é como eu quero que os outros me enxerguem. tem a ver com essa realidade. Se eu pudesse facilitar e traduzir ainda mais, exemplos são múltiplos, mas cobiça da carne, prazer. Prazer, sexo, por exemplo, poderia ser outro, outros prazeres, mas prazer, cobiça dos olhos, dinheiro, eu vi,
desejei, é aquilo que tem materialidade, aquilo que eu cobicei, aquilo que eu quero ter, aquilo que eu sou capaz de invejar, a depender da maneira como eu lido com aquilo. e que se me for tirado, eu vivo uma vida profundamente deprimida. E o terceiro, o terceiro eu vou chamar de poder. Então você concorda comigo que se a gente resumir assim: prazer, dinheiro e poder, pegou tudo e todo mundo em diferentes níveis, pegou tudo e todo mundo e não vem com esse papo. Ah, tô montar não, porque senão caiu o que aqui? Acho que caiu no
poder, que é o ego, porque mentiu. Então é a ostentação dos bens, é soberba da vida, mentiu. Pega geral, uns mais, outros menos, talvez o primeiro ponto, talvez o segundo, talvez o terceiro, em diferentes níveis. João tá falando: "A batalha é aqui, é aqui que acontece". São nessas três categorias. Então, novamente, a questão, o problema não é amar algumas coisas, mas você que tá aqui há algum tempo já me ouviu falando sobre o conceito de ordo amores de Agostinho, bispo de Ipona. Ah, o que que é ordores? São amores desordenados. Então, o problema não é
amar algumas coisas desse mundo. O problema é amarito errado. Problema é amar demais algumas coisas desse mundo. O problema é amar desenfriadamente, descontroladamente. O problema é amar ao ponto de tornar aquilo seu objetivo de vida. E tem gente que ao traçar metas e objetivos passa por cima de tudo e de todos. passa por cima de princípios, passa por cima de valores, passa por cima de ética, passa por cima de marido, de esposa, de filho, de mãe, de pai. Então, é disso que a gente tá falando, esse amor desordenado, porque perceba, eu amo a Deus, eu
amo minha família, eu amo meu trabalho. Vamos colocar essas três coisas e isso daqui é absolutamente replicável para vocês. Talvez alguns diriam: "Eu não amo meu trabalho, não, é que eu preciso". Mas beleza, vamos, vamos dizer que você ama, tá? Então, eu amo a Deus, eu amo minha minha esposa, eu amo meus filhos, eu amo meu trabalho. São são coisas ruins? Claro que não, porque se eu amar a Deus, eu vou querer me submeter à sua vontade. Se eu amar minha família, eu vou honrar a Deus, amando aqueles que ele me deu para cuidar. E
se eu amar o meu trabalho, eu vou fazer tudo com excelência, como sendo pro próprio Deus absolutamente bíblico. Tá tudo certo. Mas o que acontece se eu amar? Veja bem, é sutil. A minha família, mais do que eu amo a Deus, amei errado. Porque eu só posso amar verdadeiramente e plenamente a minha família se primeiro eu estiver aperfeiçoado no amor de Deus. Porque se eu tentar amar a minha esposa pela minha própria força, sem primeiramente entender o tamanho do amor de Deus por mim e o tamanho do meu amor por ele, e a partir da
vivência desse amor, amar então a minha esposa, eu vou amar de um jeito muito fragilizado. Então é melhor amar do jeito de Deus do que amar do meu jeito. E eu não posso amar a minha esposa e os meus filhos mais do que eu amo a Deus, senão eu vou estar idealizando e idolatrando. Por exemplo, você é uma pessoa trabalhadora. Muito bem, isso é uma virtude. Mas e se você amar o seu trabalho mais do que você ama a sua família? E alguém dirá: "Não, isso não acontece. Acontece mais do que você imagina. Eu vejo
todos os dias com a desculpa de estar fazendo pela família. Homens e mulheres se alienam absolutamente da vida familiar, da vida conjugal, da criação dos seus filhos, dizendo que estão criando algo para a sua esposa, para o seu marido e para o seu filho, mas negligenciando. De modo que passam-se 2, 5, 10 anos e se percebem ali um casal como dois estranhos. E o que que aconteceu? Bom, o que aconteceu é que a pessoa amou tanto trabalho que negligenciou a família. Ah, mas eu fiz por você. Não, não fez. fez por si mesmo. Acontece o
tempo todo. Então, tá vendo? Amar errado. Aliás, essa é uma boa ordem. Deus, família, trabalho. Então, o que João tá chamando aqui de mais do que amor, o que ele tá chamando de cobiça, cobiça da carne, cobiça dos olhos, ostentação dos bens ou repetindo, eu gosto da expressão soberba da vida. É exatamente aquilo que nós vemos no pecado original em Gênesis 3. Porque olha que interessante, Gênesis 3, no relato da queda, quando o pecado entra no mundo, o texto diz que ora, a serpente era o mais astuto de todos os animais selvagens que o Senhor
Deus tinha feito. Isso é o versículo um. E ela perguntou à mulher: "Foi isso mesmo que Deus disse? Não comam de nenhum fruto das árvores do jardim?" Olha a pergunta da serpente para Eva. Deus mandou não comer nenhum fruto. Para quem conhece a Bíblia, foi isso que Deus mandou, gente? Não. Deus mandou não comer um fruto do meio do jardim, da árvore do conhecimento, do bem e do mal. Por que que a serpente fala assim meio que eu ia falar que ela deu uma de João sem braço, mas a serpente já não tem braço mesmo,
né? Então é, ela ela dá uma de dissimulada para ver se passa, mas é intencional. Por quê? Porque antes da ruptura, da queda e da desobediência, há a distorção. Antes da gente pecar, ninguém acorda assim: "Ah, vou pecar para ofender a Deus". Não. Antes do pecado, há um movimento primário. Será que é isso mesmo que Deus falou? Será que é isso mesmo que Deus quer? Será que é isso mesmo que Deus orienta? A dúvida. Mas em segundo lugar, aí sim há a negação frontal. Porque no versículo 4 do capítulo 3, quando a Eva fala, não,
ele não falou nada disso não. Ele falou que a gente só não pode comer um fruto aqui e que se a gente comer aí a gente vai morrer. A serpente mais ousada diz: "Certamente não morrerão"ão. O que começa com dúvida e distorção se torna ataque frontal à verdade da palavra. Não é exatamente isso que é a concepção da tentação que há de dar lugar ao pecado. Eu duvido. E eu duvido o quê? Só do que Deus falou? Não. O que tá em jogo é muito maior. Eu duvido e passo a me perguntar se Deus realmente
quer o meu bem. Eu passo a me perguntar se aquilo que Deus disse é o melhor paraa minha vida. Eu passo a me perguntar se aquilo que é orientação da palavra de Deus faz sentido e eu começo a racionalizar como se eu tivesse a mínima capacidade de racionalizar contra um Deus eterno, soberano, que sabe todas as coisas. De novo, eu vejo isso todos os dias no pastoreio. Você chega para uma pessoa e você fala: "Olha, não é por aí. Isso é o que a palavra diz. Ah, desculpa, pastor, mas é muito difícil". É lógico que
é difícil. É por isso que você precisa de Deus. Se fosse fácil, Satanás resolvia. É claro que é difícil. Algumas coisas são humanamente impossíveis. É por isso que nós somos colocados num estado de total dependência. Não é uma aposta, é uma fé. Por quê? Porque aposta é o incerto. A fé é olhar e falar: "Por mais que aquilo que Deus diga me pareça, humanamente falando, complicado, eu vou crer e eu vou obedecer." Mas quando nós damos lugar à dúvida, a serpente ganha eco e ela diz: "Na boa, você sabe que não é por aí, você
sabe que não vai morrer, você sabe que não vai ter consequência. Ninguém tá vendo, não vai ter dano, é só um momento, são só alguns minutos, é só um pouco. E aí ela diz: Deus sabe que no dia em que dele comerem, seus olhos se abrirão. Isso a serpente falando para Eva. E vocês serão como Deus, conhecedores do bem e do mal. E aí, olha só, quando a mulher viu que a árvore, até agora a Eva não comeu fruto. Quando a mulher viu que a árvore parecia agradável ao paladar, cobiça da carne, era atraentes aos
olhos, cobiça dos olhos. E além disso, desejável para se obter dela discernimento, soberba da vida, tomou do seu fruto, comeu e deu ao seu marido que comeu também. Olha que interessante, tá tudo lá desde o princípio, desde o momento da queda, desde o pecado original, aquilo que a gente sente que precisa, aquilo que a gente deseja, aquilo que a gente vê, aquilo que a gente percebe e aquilo que vai gerar algum tipo de benefício para nós posteriormente. Ao menos é assim que nós pensamos. Agora, Deus sabe que nós temos alegria em olhar, apreciar e perceber
coisas. Deus sabe que nós temos necessidades e prazeres legítimos, assim como ele sabe que nós temos o desejo de sermos amados, valorizados, reconhecidos, todo ser humano tem isso. E essas coisas, olhar, desejar, querer ser amado e valorizado, nada disso é essencialmente equivocado, porque Deus nos criou exatamente assim. O que ele não nos criou, meus irmãos, é para nós transformarmos as bênçãos que ele nos concedeu em desejos desenfreados que passam a governar as nossas vidas. Ver e pensar, poxa, seria legal ter um carro desse, não tem problema nenhum. A questão é o que isso vai se
tornar na sua vida e que tipo de coisa você estará disposto a fazer por causa de algo tão pequeno como um carro. A questão não é desejar algo da sua carne. A questão é esse desejo ser tão desenfreado ao ponto de fazer com que você não viva mais de modo prudente, mas de modo absolutamente animalesco, fazendo com que você cometa coisas que você não deveria ter cometido. Não há problema em fazer algo e sentir-se orgulhoso no melhor sentido da expressão sobre aquilo que foi feito. Poxa, que bom. senso de dever cumprido. O problema é ser
escravo do aplauso dos homens o tempo todo. Talvez a pergunta é: Quais são os padrões, padrões, perdão, norteadores das nossas vidas? O que que a gente realmente valoriza? São padrões espirituais ou naquilo que João chamaria de meramente mundanos? Quais são, por exemplo, pergunta simples, mas com caráter de profundidade. Quais são as nossas definições de felicidade, de paz, de sucesso? Pergunta simples. O que é ser feliz para você? O que que é ter paz para você? O que é ser bem-sucedido para você? Porque tem duas formas de avaliar. E às vezes elas são intercambiáveis e às
vezes elas são absolutamente distintas, porque às vezes ser bem-sucedido no que diz respeito à realidade do reino de Deus pode ter algum ponto de contato com aquilo que seres humanos chamam de ser bem-sucedido, mas às vezes é completamente diferente. Ser vitorioso ou ser fracassado, a depender da lógica e da lente que você usa, vai mudar profundamente. Quer ver um exemplo? Apóstolo Paulo, pelas lentes humanas morreu como alguém bem-sucedido ou como um fracasso? Pelas lentes humanas, um fracasso total. Um homem que em idade avançada morre sem um amigo do lado, martirizado por uma fé que não
o fez vitorioso pela prerrogativa humana, sem um nada para para obter. Fracassou um dos maiores heróis. da história da fé cristã. Que que é ser rico? Que que é ser feliz? Que que é ser alguém satisfeito? Vou te dar um exemplo. É um exemplo simples de tudo. Domingo passado eu não tava aqui. Sabe por quê? Alguns de vocês viram nas redes sociais, porque eu junto com a minha esposa e junto com meus dois filhos, um deles tá aqui, fomos para Curitiba para que eu, o Noa e o Gael, meu filho de 13 anos, meu filho
de 9 anos, participássemos de um campeonato internacional de Gilgitos. Eu sou grato a Deus por pastorear uma igreja que me permite eventualmente esse tipo de coisa e por um conselho também que me dá esse tipo de liberdade. Sabe o que que é ser bem-sucedido, rico, feliz e satisfeito? é pegar 6 horas de carro e chegar lá e viver a adrenalina da competição e entrar no tatame e quase enfartar vendo meus filhos entrando no tatame e voltar outras 6 horas cheio de aprendizado e lição, mas cheio de alegria no coração, cada um com uma medalha no
peito e dizendo: "Foi maravilhoso, não foi? Não dá para ser mais rico que isso. Não dá para ser mais satisfeito que isso. Está no lugar que você quer, com as pessoas que você ama, com senso de gratidão de que Deus é alguém que te conduz o tempo todo. A felicidade, pela lógica do reino de Deus, tá nesses pequenos intervalos da vida. Eu não tô perseguindo felicidade. Eu já sou feliz. Eu não tô perseguindo sucesso. Eu já sou bem-sucedido. Eu tenho uma família maravilhosa. Eu tô uma igreja que eu amo. Eu tenho privilégio de pregar o
evangelho todo domingo aqui ou em qualquer outro lugar. O que que eu quero mais da vida? O apóstolo Paulo disse: "Eu aprendi o segredo de estar contente em toda e qualquer situação, tendo muito, tendo pouco, porque eu sei que é ele, é ele que me fortalece, é ele que me edifica, é ele que me dá ânimo para levantar todos os dias, é ele que me faz viver segundo aquilo que é a sua vontade." Então, percebe talvez uma coisa simples como que eu acabei de citar, alguém vitorioso, bem-sucedido, olharia e diria: "Que tipo de sonho medíocre?"
Eu olho pelas lentes do reino de Deus e eu digo: "Eu sou um homem que tem muito além daquilo que eu jamais sonhei. Eu sou um homem agraciado. Eu sou um homem abençoado por Deus." Quando a gente entende isso, que que vai tirar a nossa paz? Que que vai abalar a nossa vida? Claro, no mundo tereis aflições, mas tenham bom ânimo, porque eu venci o mundo. Nós vamos passar por dificuldades. A vida não é um mar de rosas. Um momento de um final de semana como esse, simples de tudo, não define o todo da minha
vida e não diz que não temos momentos de lágrimas e de dificuldade e de interpes e de adversidades. Mas a gente precisa entender o que que é padrão do reino de Deus e o que que é padrão desse mundo. Não é se contentar com vida medíocre. Se você me perguntar, Diego, tem coisas que humanamente falando você ainda almeja? Tem. Tem tranquilo. Tem lugares que eu quero conhecer, tem coisas que eu quero fazer. E eu não acho que essas realidades são pecaminosas. Eu quero dar uma vida digna à minha família. Você também deveria ter esse mesmo
desejo. Mas perceba, de nada vale ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma. Que possamos desfrutar da bondade de Deus sem se perder no processo, sendo pessoas cobiçosas. Meta e planejamento e alvo é uma coisa, cobiça é outra coisa completamente diferente. Você percebe como nas nuances e nas sutilezas a gente precisa se perguntar o que que de fato é norteador da nossa vida. E isso leva tempo. Isso leva tempo. São processos. Nós vivemos, por exemplo, não se ofendam, deixa eu terminar o argumento. Nós vivemos na geração Monjaro, não é verdade? Pastor, você
vai falar que mãojaro é pecado? Não, claro que não. Toma o teu mão jjaro, tá fazendo bem, tá tudo certo. Mas qual é o problema? O problema não é tomar mão jjaro. O problema é tomar mão jaro e não ir pra academia, não fechar a boca, que não vai dar certo, porque não é milagre, é não ir pra terapia. Se você tiver uma compulsão alimentar, não vai resolver. Vai te emagrecer, vai ficar murcho, vai ficar doente, não vai resolver nada. Aí que que acontece? Às vezes a gente lida com o evangelho por essa mesma lógica.
Às vezes é um casamento que tá sendo empurrado com a barriga há 10 anos e aí o sujeito acha que meia hora de conselho vai resolver 10 anos de coisa complicada. Não. Meia hora de conselho, uma hora de conselho, vai ajudar, mas não vai resolver. Agora vamos no congresso de casais, vai ajudar, vai ajudar, mas não vai resolver. É por isso que as pessoas gostam de soluções prontas. O povo gosta de solução pronta, um negócio imediato, é, é milagre, é instantâneo. Aí, enfim, aí fica nessa. Eu vou lá para mudar minha vida. Como? Sobe montanha,
desce montanha, volta pra montanha. É isso, é isso. Essa é a síntese dessa geração que me perdoe. Desgraçadamente vivendo, achando que um final de semana vai resolver o que o cabra não resolveu 15 anos. Aí esse negócio vai pra internet, ainda vão me criticar lá fal porque na minha vida? Falei: "Tá bom, Deus abençoe, tá tudo certo." Não é assim, gente. Porque o que que é mais fácil? É resolver tudo num final de semana ou é diariamente viver na dependência da obediência do nosso Deus? Esse é o evangelho. É o que o Eldin Peterson chamou
de uma longa obediência na mesma direção. Que que o apóstolo Paulo diz? Não que eu tenha obtido tudo isso, mas uma coisa faço. Deixando as coisas que ficaram para trás, eu prossigo rumo ao meus irmãos, eu, como irmão de vocês, como pastor de vocês, tô no mesmo barco. Tô tentando todo dia. Tem dia que eu quero ganhar o mundo, tem dia que eu quero largar tudo, tem dia que eu tô animado, tem dia que eu não tô, tem dia que eu tô assim na presença de Deus, tem dia que é bom você ficar longe de
mim que não vai dar certo. Somos humanos, mas todos os dias eu clamo pela misericórdia de Deus. Deus me ajuda a viver a sua vontade mais um dia. O que eu tenho feito por décadas, não é um dia, não é um culto, não é um final de semana, não é, é um processo. Ou seja, discernir essa realidade da vontade de Deus, o desejo pela eternidade, que é um contraponto das cobiças desse mundo. Qu encerrando, João vai dizer no versículo 17: "O mundo e sua cobiça passam, mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para
sempre". João Calvino disse que o coração humano é uma fábrica de ídolos. Eu uso essa expressão com alguma recorrência. como o ídolo cresce e se desenvolve à luz desse texto. Bom, é mais ou menos assim, de modo resumido, eu faço alguma coisa, eu sei que é errado, é pecado. Esse pecado tem um efeito na minha vida, ele me afeta. Aí eu deveria me perguntar por que que eu fiz isso? Por que que meu coração se volta para isso? Por que que meus desejos me apontam para esse lugar? Em segundo lugar, eu preciso lembrar que para
cada uma das minhas ações existe um motivo, existe um desejo subjacente. E o desejo em si, às vezes, ele é bom, é de ser amado, é de ser valorizado, é de obter coisas boas, coisas dignas, coisas belas. Mas quando o desejo se perverte, quando eu desejo obter todas as coisas alienadamente da vida com Deus, a gente avança. Digamos que eu cometa essa mesma atitude, eu desenvolva esse mesmo pensamento vez após vez e eu faço essa coisa de novo, de novo, de novo. hábito começa a se formar e a minha vida começa a ser estimulada por
esse tipo de coisa, de cobiça, de materialidade, de desejo, de prazer. Que que acontece? Esse hábito passa a moldar a maneira como eu penso, como eu sinto. Não dá para segurar esse hábito pecaminoso por muito tempo e não dá para guardar segredo o tempo todo. Aquilo que me afeta agora não afeta apenas só a mim, afeta quem tá perto de mim. afeta quem eu amo, afeta quem me ama, porque o pecado nunca ataca uma pessoa só. E aí o poder desse pecado vai se transformando em uma monstruosidade é aquilo que talvez as escrituras chamariam de
ídolo. Existe um uma relação ambígua onde eu sei que é errado, mas ainda assim eu desejo. Eu sei que eu sou escravo e quero me libertar. Mas talvez eu não quero tanto. E talvez aquilo que era inadmissível no início passou a ser aceitável depois e desejável muito depois. O poder da idolatria cresce na minha vida e na minha alma. O meu senso de identidade é afetado. Agora o meu pecado tem nome e ele me rotula. Não apenas eu me apossei do de algo que era meu. Eu me tornei um ladrão. Não apenas eu cobi com
os olhos uma outra mulher, eu me tornei um adúltero. Não apenas eu tomei uma cervejinha socialmente um dia ou outro. Eu me tornei um alcólatra. Percebe como é uma progressão? E tudo começa com aquilo que eu olho e desejo. Tudo começa com aquilo que eu sinto que preciso ter. E tudo começa com aquilo que agora se eu tiver eu me tornarei alguém. aquele que eu gostaria de fato de ser. E qual é o problema de tudo isso? É que isso seduz no começo, destrói no final. Mas eu quero encerrar com uma boa notícia. Onde Adão
falhou, Cristo venceu. Onde Adão falhou, Cristo venceu. E porque Cristo venceu as suas tentações. E porque agora nós estamos em Cristo, nós podemos vencer todas as coisas nele. Porque quando ele estava num deserto, Mateus capítulo 4, por 40 dias e 40 noites, o tentador veio e ele disse, por exemplo, transforma essas pedras em pães, sacia sua fome, cobiça da carne e ele diz: "Não, nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra que procede da boca de Deus. OK, vamos tentar outra coisa. Tá vendo todos os reinos desse mundo? Tudo isso te
darei se prostrado me adorares. Não, não é assim que funciona. OK, vamos tentar outra coisa. Vamos ali em cima do templo, no pináculo. Lança-te daqui para baixo. Sabe por quê? Porque inclusive ele usa a Bíblia. As escrituras dizem: "Dará ordem aos anjos ao teu respeito e eles te segurarão na sua mão." Jesus, se você é o filho de Deus e você quer mostrar para todo mundo que você é diferente e tem poder, faça disso um espetáculo. Soberba da vida. Prove que você pode e todos te respeitarão. Cobiça da carne, cobiça dos olhos, soberba da vida.
Jesus foi vitorioso nos três, dizendo: "Está escrito, está escrito e está escrito". Para que eu e você, mesmo quando tentados, soubéssemos que temos a palavra, temos o poder do espírito e temos a mesma vida ressurreta de Cristo habitando em nós. Em nome de Jesus, me escute nisso. O pecado não vai ter a palavra final na sua vida. Amém. O pecado não vai ter a palavra final na minha vida e na sua vida. Como viver uma vida vitoriosa contra o pecado? Como ser curado? Como não ser seduzido por esse jeito de ser do mundo que é
tão cativante? Ninguém tá dizendo que é ruim. Pelo contrário, parece bom demais às vezes em Cristo. Porque não há pecado tão grande, nem culpa tão pesada que o nosso Deus não possa perdoar. Meus irmãos, em Cristo há poder, há perdão, a liberdade e a restauração. Talvez a sua vida já é marcada por dores. A restauração, talvez a sua vida tenha enfrentado dificuldades que você jamais imaginou. Há poder e há libertação. Talvez às vezes você se sente fraco demais. Cristo em nós é a esperança da glória. Nós não estamos sozinhos. Onde Adão caiu, um novo Adão
foi vitorioso. E este Cristo é por nós, é em nós e é através de nós. Amém. Vamos ficar de pé, agradecer ao nosso Deus. Deus, obrigado. Obrigado porque não fomos abandonados à nossa própria sorte. Obrigado porque podemos desfrutar das boas dádivas da criação divina e podemos desfrutar das tuas beness, mas não nos permita transformar tudo que é bom e tudo que é belo em perversões cobiçosas da nossa vida. Que tenhamos bons desejos para nós, para aqueles que amamos. que possamos olhar a vida com beleza, com ousadia, com arrojo, com audácia, com vontade, mas em ti.
E que não estejamos nesse lugar de profunda ilusão e quase um feitiço, onde as coisas desse mundo parecem se tornar um tesouro maior do que o verdadeiro e grande tesouro, a pérola de grande valor, que é o evangelho de Cristo Jesus. Que o Senhor abençoe todos os meus irmãos, irmãs aqui presentes. Que o Senhor fortaleça o cansado. Que o Senhor anime o desanimado. Que o Senhor possa encorajar aquele que está aflito e o Senhor possa fazer permanecer de pé aquele que está quase vacilante e que o Senhor possa colocar de pé aquele que caiu. Porque
existe poder, existe perdão, existe liberdade, existe cura, existe restauração em ti. Assim nós oramos, agradecemos no nome santo de Jesus. Amém. Amém. Deus te abençoe.