escute bem meu jovem porque esta é uma história que ninguém gosta de contar mas eu Don Esteban juro que não vou deixar que ela morra comigo Pegue um café Acenda um cigarro se for o caso porque quando eu terminar você não vai mais ver este mundo da mesma forma eu vivi muitos anos mais do que gostaria vi coisas que homem nenhum deveria ver e fiz coisas que muitos condenariam mas tudo que fiz foi por minha filha uma menina pura como o céu de michoacan que tinha o brilho do sol nos olhos até que um dia
um maldito veio da cidade e destruiu tudo e foi nesse dia que eu enterrei meu coração e jurei Vingança me chamo steban Morales mas por estas terras me conhecem como Don steban nasci e cresci em um rancho nos arredores de michoacan onde a terra é seca Mas quem planta com suor colhe o que precisa Vivi 72 anos e cada ruga no meu rosto é uma cicatriz do tempo cada calo na minha mão é um pedaço da minha história fui um homem simples de poucas palavras e muito trabalho aprendi a domar cavalos antes de aprender a
escrever meu nome e se tem uma coisa que Sempre respeitei nesta vida foi a honra de um homem e o valor de uma família minha esposa Maria Deus a tenha me deu três filhos mas foi minha Caçula Isabel que trouxe luz para este Rancho uma menina de alma pura cheia de sonhos que amava os livros e queria conhecer o mundo além das montanhas nossa vida era dura mas era honesta aqui no rancho todo homem sabe que deve pagar por seus pecados mas um dia um maldito veio da cidade um homem sem nome sem coração sem
alma e ele levou de mim a única coisa que eu jamais poderia recuperar nos tempos em que esta história começou a vida no rancho era como sempre foi o sol castigava a terra durante o dia e a noite o vento soprava como um lamento dos antigos estávamos em um pequeno Vilarejo nos arredores de morélia michoacan um lugar onde as montanhas abraçam os campos de milho e agave nossa casa era modesta feita de Adobe e telhas vermelhas cercada por cavalos e galinhas o cheiro de milho assado e café forte sempre enchia o ar aqui todos se
conheciam todos sabiam de tudo e acima de tudo havia um código respeito e a vida no campo ensinava desde cedo Que cada homem deve cuidar da sua honra não havia polícia que resolvesse nossos problemas quem errava pagava quem roubava desaparecia e as famílias viviam debaixo das mesmas regras a gerações o povo de michoacan era forte desconfiado por natureza acostumado a fazer justiça com as próprias mãos quando necessário minha filha Isabel era diferente das outras moças do Vilarejo enquanto as meninas sonhavam com casamento Ela sonhava em ir para a cidade do México estudar Lia romances escondida
no celeiro falava de liberdade de mudança eu sempre temia que um dia sua alma de passarinho fosse longe demais e que o mundo fosse Cruel demais para ela então certo dia um estranho apareceu Ele chegou com um cavalo negro e roupas limpas demais para um homem do campo disse que vinha da cidade para negociar AD trazia dinheiro nos bolsos e um olhar que me incomodou desde o começo era um daqueles homens que falam bonito que prometem muito um tipo que nunca traz coisa boa eu devia ter mandado ele embora no primeiro dia eu devia ter
mandado ele embora no primeiro dia o nome dele era Alejandro Fuentes vinha de Cidade do México dizia ser um empresário interessado em investir no gado da região mas eu já vivi o bastante para saber que certos homens não vê atrás de negócios vem atrás de presas e Isabel minha menina inocente não viu o que eu vi só enxergou o brilho falso das promessas dele ele se fez amigo da Vila bebia tequila com os homens elogiava o trabalho no campo distribuía cigarros sempre tinha um sorriso fácil uma palavra bonita mas eu via aqueles olhos de serpente
sempre atento sempre analisando ele era um caçador e minha filha era o alvo avisei Isabel olhei nos olhos dela e disse homens como esse não conhecem amor só desejo só sabem tomar o que querem e depois desaparecer mas ela era jovem achava que eu via maldade onde não tinha achava que eu queria prendê-la para sempre nesse rancho esquecido pelo tempo e então veio aquela noite maldita era um verão seco o tipo de noite em que nem o vento se atrevia a soprar o céu estava Limpo cheio de estrelas e o rancho estava silencioso eu lembro
que fiquei acordado até tarde sentado na varanda tomando meu último trago de mescal odiava admitir mas eu estava inquieto havia algo no ar algo que fazia os cães ficarem alertas as corujas cantarem de um jeito estranho como se a própria Terra soubesse que algo ruim estava para acontecer não foi só quando entrei no quarto para verificar Isabel que senti o primeiro golpe da desgraça a cama estava vazia a janela aberta deixava as cortinas dançarem ao vento o coração me Subiu para a garganta saí chamando o nome dela pelo Rancho pela casa pelo estábulo nada olhei
para os lados tentando encontrar um sinal foi quando vi pegadas na terra indo em direção ao rio pegadas de dois pares de Botas o medo me deu forças peguei meu rifle e corri como um desgraçado As veias latejando quando cheguei lá a cena me paralisou minha filha Estava caída na beira do rio o Vestido Rasgado o rosto sujo de terra e lágrimas seu corpo tremia como se tivesse sido jogado no inferno e voltado Ela ouviu meus passos e olhou para mim seus olhos aqueles olhos que um dia brilharam como o Sol agora estavam apagados cheios
de medo cheios de dor me coração quebrou em mil pedaços ajoelhei-me ao lado dela tentando acalmá-la mas meu sangue já estava pegando fogo minhas mãos tremiam mas não era de fraqueza era ódio puro Isabel me olhou nos olhos o rosto coberto de lágrimas e sussurrou com a voz quebrada papai ele me machucou não sei explicar o que senti naquele momento foi como se algo dentro de mim tivesse morrido como se minha alma tivesse sido arrancada e jogada no inferno peguei Isabel nos braços segurei-a como quando ela era um bebê e prometi para ela e para
Deus que aquele desgraçado não veria o próximo amanhecer levantei-me devagar minha respiração pesada olhei para o céu estrelado de michoacan e jurei a única coisa que ainda fazia sentido Alejandro Fuentes ia pagar com sangue com a própria vida a raiva era um fogo que queimava meu peito mas eu não podia me apressar um homem que age sem pensar cava a própria cova eu precisava de um plano e precisava saber onde aquele maldito estava levei Isabel para casa Maria minha esposa chorava enquanto banhava nossa filha tentando apagar as marcas daquela noite maldita mas tem coisas que
nem o tempo Consegue apagar Isabel não falava apenas encarava o vazio como se tivessem arrancado dela algo que jamais poderia ser devolvido eu sentei na varanda sozinho com um rifle sobre as pernas e um cigarro queimando entre os dedos minha mente só pensava em uma coisa Vingança mas Vingança não é algo que se faz de qualquer jeito não no México aqui um erro e você pode acabar morto antes de terminar o que começou então eu esperei logo soube que Alejandro ainda estava na Vila O Infeliz não fugiu ele se sentia seguro protegido pelo dinheiro e
pelo sobrenome que carregava diziam que ele estava hospedado na casa de um comerciante da cidade bebendo e se divertindo como se nada tivesse acontecido como se minha filha fosse apenas mais uma entre tantas vítimas Foi então que decidi não o mataria rápido não seria fácil para ele Alejandro Fuentes aprenderia o que era medo antes de encontrar a morte naquela noite saí do rancho e fui até a Vila caminhei pelas ruas escuras as botas esmagando a terra seca enquanto o vento quente soprava poeira pelo caminho ninguém me olhava nos olhos sabiam que algo estava para acontecer
e no fundo todos esperavam que eu fizesse o que tinha que ser feito passei na cantina pedi uma tequila e sentei no canto observei esperei E então vi Alejandro entrou rindo rodeado por dois amigos homens da cidade covardes que se escondiam atrás de dinheiro e influência ele pediu uma garrafa de mescal e se gabava de algo fiquei observando meu sangue fervendo mas controlei minhas mãos se eu atirasse nele ali seria rápido demais ele morreria sem entender o que era medo Esperei até que ele bebesse o suficiente para perder a atenção no mundo ao redor quando
saiu da cantina segui de longe como um lobo seguindo um cero ferido a casa onde estava hospedado ficava no final da Vila uma construção de madeira simples com um pequeno Terraço Esperei ele entrou cambaleando rindo sozinho vi as luzes apagarem e então soube que era a hora esperei algumas horas a lua estava alta quando me aproximei da casa meus passos leves calculados a porta estava trancada mas trancas não seguram um homem decidido peguei minha faca e destravei a fechadura com paciência como um fantasma entrei o cheiro de álcool impregnava o ar Alejandro dormia de bruços
roncando como um porco me aproximei devagar meus dedos firmes no cabo da faca poderia matá-lo ali mas não ainda não dy peguei um lenço empapado com aguente e pressionei contra sua boca ele tentou se debater mas já era tarde seus olhos reviraram e seu corpo amoleceu carreguei aquele maldito para fora como se estivesse levando um porco para o abate ninguém viu ninguém ouviu em michoacan quando a justiça precisa ser feita os olhos se fecham levei Alejandro até o coração do deserto onde as montanhas são testemunhas silenciosas lá entre as sombras das Árvores retorcidas amarrei o
em uma cadeira de madeira as mãos presas atrás das costas o tempo passou a lua desceu o silêncio pesava no ar quando ele acordou a primeira coisa que sentiu foi o gosto do próprio medo abriu os olhos devagar piscando tentando entender onde estava quando finalmente me viu seu corpo enrijeceu ele tentou falar mas eu só sorri Bom dia dormiu bem o jogo tinha virado agora ele estava no meu mundo e a noite estava apenas começando Alejandro piscava tentando entender onde estava seus olhos vagavam pela escuridão ao redor mas tudo que viam era a imensidão vazia
do deserto e minha silhueta iluminada apenas pelo brilho fraco da lua o quê O que está acontecendo sua voz saiu rouca ainda confusa aproximei-me devagar meu facão reluzindo na minha mão como os dentes de um lobo faminto curvei-me diante dele ficando perto o bastante para sentir sua respiração acelerada queria que ele sentisse minha presença queria que soubesse que ali naquela noite naquele lugar ele não era ninguém está lembrado de mim perguntei minha voz baixa firme está lembrado de Isabel vi seus olhos se arregalar ele se remexeu na cadeira puxando as cordas que amarravam seus pulsos
e tornozelos Mas eu as amarrei bem não ia facilitar para ele escute velho se é dinheiro que você quer podemos resolver isso começou a falar a voz trêmula odeio uma risada curta seca dinheiro você acha que pode pagar pelo que fez com dinheiro Ele engoliu em seco o cheiro de suor e medo começava a impregnar o ar eu eu não fiz nada foi consensual eu juro foi nesse momento que meu sangue Ferveu de vez dei um soco tão forte que sua cabeça virou para o lado ele gemeu cuspindo sangue dei outro e outro até que
seus lábios inchas e sua respiração ficasse entrecortada peguei seu queixo com força forçando-o a me encarar você pode mentir para os outros pode mentir para si mesmo mas eu sei a verdade eu vi a verdade nos olhos da minha filha e agora você vai sentir o que ela sentiu vai conhecer o verdadeiro medo eu queria que Alejandro sofresse que implorasse que entendesse o que significava estar em defeso diante de um monstro o mesmo monstro que ele foi para Isabel peguei meu facão e cortei devagar sua camisa expondo sua pele ao frio da madrugada passei a
lâmina pelo seu peito sem pressa Sem pressionar demais só o suficiente para que ele sentisse o metal gelado roçar sua pele sabe o que fazem com ratos no campo perguntei primeiro arrancamos suas patas para que não possam fugir depois deixamos eles lá para que aprendam que não são nada ele começou a se debater mais puxando as amarras tentando dizer algo entre os soluços mas ali naquele deserto ninguém ia ouvir seus gritos naquela noite Alejandro Fuentes Aprendeu o que era medo mas o pior ainda estava por vir o deserto tem um jeito especial de ensinar lições
no calor do dia dia ele te faz suar até secar a alma mas à noite À noite ele te faz tremer até os ossos te lembrando que a morte sempre está por perto esperando e Alejandro Fuentes sentia isso agora o suor e o sangue se misturavam em sua pele ele tremia não apenas de frio mas do pavor que crescia a cada segundo eu me mantinha à sua frente imóvel segurando o facão em uma das mãos podia ver no olhar dele que já não via um velho fazendeiro via Algo mais algo que não podia ser Domado
por favor ele sussurrou a voz quase sumindo você não precisa fazer isso eu eu errei Tá bom eu admito mas me deixe ir eu ri uma risada amarga pesada cheia de tudo o que eu carregava no peito te deixar ir como você deixou minha filha ir como você olhou nos olhos dela e destruiu tudo que ela era e simplesmente foi embora ele chorav agora não lágrimas de arrependimento eram Lágrimas de um homem que sabia que estava diante do próprio fim puxei uma cadeira e me sentei diante dele cruzei os braços olhando-o de cima a baixo
V de sabe Alejandro eu passei a vida inteira acreditando que um homem deveria seguir as leis de Deus e da terra mas agora vejo que algumas leis foram feitas para serem quebradas peguei meu facão e cravei sua lâmina na madeira da cadeira entre suas pernas ele deu um pulo arregalando os olhos o pavor crescendo como um bicho dentro dele n Você gosta de tomar coisas que não são suas não é pois agora vamos ver como é perder algo ele gritou se debateu prometeu dinheiro jurou que ia mudar implorou mas palavras não significavam nada para mim
o tempo de palavras tinha acabado fiz com ele o que se faz com ratos cortei suas mãos para que nunca mais mais pudesse tocar em uma mulher cortei seus pés para que nunca mais fugisse de suas próprias ações os gritos dele se espalharam pelo Deserto mas ali ninguém ouvia ninguém ajudava naquela noite só existiam dois homens no mundo um monstro e um caçador e eu era os dois quando terminei ele estava caído na terra respirando em espasmos seus olhos suplicavam por misericórdia mas eu já não tinha nada dentro de mim além de um vazio Sem
Fim me ajoelhei ao lado dele segurando seu rosto ensanguentado se Deus tiver Piedade ele te perdoará mas eu eu não sou Deus peguei meu rifle engatilhei e mirei entre seus olhos isso é por Isabel o tiro ecoou pelo Deserto E então veio o silêncio um silêncio mais profundo do que qualquer coisa que já senti na vida me ali de pé diante do corpo sem vida de Alejandro Fuentes percebi que minha vingança estava completa mas ao mesmo tempo algo dentro de mim também morreu naquela noite o corpo de Alejandro Fuentes jazia no chão do deserto banhado
pelo Brilho pálido da Lua o cheiro de pólvora ainda pairava no ar misturado ao Ferro do sangue que tingia a terra seca eu olhei para ele por um longo tempo esperando sentir algo satisfação alívio Redenção mas tudo que senti foi um vazio imenso como se junto com a vida dele eu tivesse enter erado uma parte da minha alma peguei uma pá e comecei a cavar em michoacan quando um homem suja as mãos ele mesmo deve limpar sua bagunça não importava se Alejandro merecia ou não a terra não faz perguntas a terra só aceita demorei quase
2 horas para terminar o trabalho o buraco era fundo o suficiente para garantir que ninguém nunca mais encontraria aquele desgraçado Quando joguei a última pá de terra fiquei ali respirando pesado os braços latejando olhei para o céu não pedi perdão não havia mais perdão para um homem como eu quando voltei ao Rancho já passava da meia-noite Maria me esperava sentada na varanda os olhos vermelhos de chorar eu me aproximei sentindo o cheiro do sangue seco em minhas roupas ela não perguntou nada apenas olhou para mim e disse e agora Esteban O que resta de você
não soube responder Entrei no quarto de Isabel ela estava acord D ada sentada na cama os joelhos abraçados contra o peito seus olhos encontraram os meus e naquele instante soube que ela sabia sabia o que eu tinha feito sabia que eu não voltaria o mesmo ela não disse nada apenas se levantou devagar e veio até mim seus braços frágeis me envolveram em um abraço que pesava mais do que qualquer coisa que Já carreguei na vida eu a apertei contra meu peito sentindo seu corpo pequeno tremer e ali na naquele silêncio percebi que por mais que
eu tivesse conseguido minha vingança nada traria de volta a inocência que ela perdeu naquela noite chorei pela minha filha pela minha alma pelo homem que fui e nunca mais seria os anos passaram mas algumas cicatrizes nunca fecham de verdade minha filha seguiu em frente como pôde casou-se anos depois com um bom homem teve filhos tentou esquecer mas eu sei sei que há coisas que uma mulher nunca esquece sei que quando ela fecha os olhos à noite o passado ainda assombra e isso me mata um pouco a cada dia e eu eu continuei no rancho envelhecendo
como a madeira velha da nossa casa meus filhos me visitam meus netos correm pelo pátio e por um instante consigo fingir que sou apenas um velho fazendeiro que viveu uma vida tranquila mas quando a noite cai e o vento sopra pelo Deserto lembro da promessa que fiz de diante da cova de Alejandro Fuentes se Deus tiver Piedade ele te perdoará mas eu eu não sou Deus hoje sentado nesta cadeira ouvindo o som dos Grilos e do farfalhar das Folhas me pergunto se um dia terei paz o tempo me levou muitas coisas mas a memória daquela
noite ainda está aqui grudada em mim como poeira em um cavalo cansado se fiz certo ou errado já não sei só sei que um pai faz o que precisa ser feito e eu fiz se essa história tocou o seu coração se você sentiu a dor A Fúria e o peso das escolhas de Dom steban deixe seu comentário abaixo você teria feito o mesmo no lugar dele o que é justiça e o que é vingança compartilhe essa história com alguém que precisa ouvir e se quiser mais relatos tão intensos quanto este siga a nossa página para
não perder nenhuma Nova História porque algumas histórias não podem ser esquecidas elas precisam ser contadas i