[Música] o personalismo Cristão também nos oferece uma resposta paraa pergunta o que é o ser humano ou quem sou eu nesses slides vou procurar apresentar para vocês a posição de um Pensador Cristão brasileiro Jesuíta que viveu muito próximo de nós Padre Henrique Cláudio de mavas ele por longos anos foi professor da faculdade Jesuíta aqui em Belo Horizonte vamos lá ao pensar o ser humano Padre Vaz Pensa a partir de uma proposta metodológica bastante própria então ele usa aquilo que ele chama de método dialético o método dialético ele não é um conjunto de regras pré-determinadas que
eu aplico à realidade mas o padre Vas compreende dialética ou método é o método dialético como um caminho de busca e investigação que nasce das dificuldades das aporias do contexto concreto então diante da perplexidade né que o contexto gera no sujeito então a gente começa a fazer um esforço especulativo um esforço de interrogação para encontrar uma resposta capaz de elucidar aquela perplexidade Inicial Não há uma um conjunto de regras pré-estabelecido que eu aplico mas há um caminho a ser traçado um caminho dialógico nesse sentido um caminho dialético né que tornará possível encontrar lançar luz sobre
a questão que tá na origem do caminho e qual que é a questão fundamental que nos interessa aqui a questão fundamental é quem sou eu o que é o ser humano então diante da necessidade de colocar a pergunta porque nós não somos transparentes para nós mesmos como nós já vimos em outras anteriormente então nós temos que colocar a pergunta Quem sou eu quem somos ou quem é o ser humano diante dessa perplexidade diante da experiência do homem a inteligência Então se coloca em movimento se coloca em caminho para tentar encontrar uma resposta para problema então
o método não é predeterminado pretende encontrar caminho para os problemas né caminho que me conduz a algo que ajuda a elucidar o problema que ajuda a esclarecer o problema que ajuda a compreender aquela realidade que tá na origem do c nesse sentido se a gente parte de uma situação problemática onde há vários fatores que influenciam nessa situação então a gente e a gente quer estabelecer um caminho Um percurso investigativo para encontrar aquilo que torna possível elci dar o caminho a gente diz que método dialético é um caminho que pretende reconduzir o múltiplo a uma unidade
a uma unidade de sentido nesse sentido Padre Vaz entende dialética como sendo ontologia e quais são Então os estágios da reflexão dialética de acordo com padre Vas primeiro momento eu olho pra realidade mas eu não posso discutir a realidade como um todo eu tenho que determinar o objeto de reflexão né O que que eu vou investigar Qual que é o meu tema qual que é o meu objeto aqui no nosso caso que a gente pretende investigar o nosso objeto de investigação que como eu disse lá nas primeiras aulas é também sujeito é o ser humano
então Qual que é o objeto de investigação o ser humano pois como é que a gente vai pensar esse ser humano a gente tem que elaborar as categorias a partir das quais nós vamos dizer e exprimir esse ser do homem né então nós vamos ver que pro padre Vas categorias chaves para dizer o ser do homem são categorias tais como corpo psiquismo espírito relação de objetividade relação de intersubjetividade relação de transcendência então primeiro a gente define o objeto de investigação depois a gente elabora as categorias pensa as categorias que vão ser usadas para definir para
pensar para discutir esse objeto e finalmente no terceiro estágio torna-se fundamental articular essas categorias no discurso mostrando a relação entre elas pra gente conseguir exprimir de uma forma cada vez mais unitária englobante essa realidade que tá sendo investigada quando a gente precisa Artic particular essas categorias no discurso a articulação ela deve seguir três princípios que o padre V chama de princípios da dialética o princípio da limitação eidética o princípio da ilim tética e o princípio da totalização o que que isso significa a limitação aidética ela tá relacionada à nossa necessidade de exprimir a realidade de
um ponto de vista determinado então quando eu digo algo eu digo algo a partir daquilo que de alguma forma permanece naquela realidade não é então eu digo algo a partir de um leidos né o exprima a realidade de um ponto de vista OB objetivo a palavra não é tão boa não é mas de um ponto de vista determinado quando eu exprimo Essa realidade de um ponto de vista determinado essa esse dizer a realidade não esgota a totalidade daquilo que a realidade é então o princípio de Il imitação tética me mostra o quê me mostra que
toda a afirmação da realidade A partir de um eidos a partir de uma perspectiva determinada não esgota a totalidade do Real porque a realidade ela é emato ela transborda essa minha determinação da realidade então isso faz com que haja uma certa incompatibilidade entre aquilo que eu digo da realidade e aquilo que a realidade efetivamente é por quê Porque eu nunca consigo completamente dizer a realidade na sua totalidade e qual que é o esforço o esforço é aproximar né o meu discurso as minhas categorias cada vez mais da realidade tal como ela é em ato então
princípio de totalização ele aponta na direção dessa necessidade coincidência entre aquilo que eu digo da realidade e aquilo que a realidade efetivamente é princípio totalização não é um princípio totalitário significa o quê significa que essa necessidade de encontrar um discurso capaz de dizer a realidade de modo pleno é uma necessidade que se apresenta como uma espécie de Horizonte nãoé que me orienta nessa busca Mas nenhum discurso particular é capaz efetivamente de dizer a totalidade por isso que o padre V o sistema filosófico dele é um sistema aberto né Por quê Porque como os sistemas vivos
eles vão sofrendo alterações né próprias inerentes ao ao próprio desenvolvimento dos seres vivos também nesse caso né o sistema filosófico do padr Vas ele também vai sofrendo variações na medida em que a gente vai conseguindo dizer de forma mais apropriada a realidade Hum então de um lado a gente tem o princípio da limitação eidética de outro lado a compreensão de que nenhuma categoria é capaz de esgotar plenamente a inteligibilidade daquela realidade e a necessidade de ultrapassar aquela categoria limitada para tentar dizer de uma forma mais perfeita e mais acabada a realidade então diante do do
objeto de investigação que é o ser humano quais seriam as categorias né que seriam usadas pelo padre Vas para dizer o ser humano que a gente pode dizer que o padre Vas adota uma estrutura Trial lá no início do curso eu falei com vocês que haviam antropologias duais que pensavam o corpo a partir de duas dimensões corpo e alma por exemplo né alguns pensavam essa união entre corpo e alma de modo mais frágil outros de modo mais intrínseca nãoé mas havia uma estrutura Dual mas há também aqueles que pensam a antropologia de um ponto de
vista Trial que é pensar o ser humano como corpo psiquismo espírito nesse sentido a gente pode dizer que a antropologia do padre vá segue essa estrutura Trial mas como é que ele responde então eu pergunta o que é o ser humano ele diz assim olha quando nós fazemos a pergunta não é para nós mesmos Afinal quem eu sou né eu eu olho para mim e falo quem eu sou eu me descubro antes de tudo como um corpo eu sou uma realidade exterior eu tô num relação com o mundo eu me situo num lugar eu tenho
sou marcado por uma finitude mas ao mesmo tempo como eu digo eu sou corpo quem diz eu sou corpo é uma interioridade não corpórea então então ao dizer eu sou corpo eu tô dizendo de um modo determinado então a limitação aidética me leva a afirmar o meu ser a partir da categoria de corporeidade Hum Eu determino eu digo aquilo que eu sou de um modo determinado sou o corpo mas ao mesmo tempo a própria afirmação eu sou corpo faz com que eu reconheça que o meu ser não se esgota ou a corporeidade não é a
totalidade do meu ser e eu descubro então que eu sou também uma interioridade que torna possível afirmar a minha experiência no mundo né então a segunda categoria que o padre Vas usa para pensar essa experiência que o homem faz de si mesmo é a categoria de psiquismo então eu sou corpo eu não sou corpo eu sou psiquismo eu sou mundo interior eu então eu reconstruo as minhas experiências a partir da minha memória a partir da minha imaginação a partir dos meus afetos não é do meu desejo eu tenho uma interioridade Eu sou um ser psíquico
mas esse ser psíquico é um ser situado no mundo então eu não sou plenamente interioridade eu sou uma interioridade situada uma interioridade finita nesse sentido eu sou psiquismo mas eu não sou psiquismo porque a minha interioridade esse meu mundo interior não esgota a totalidade do meu ser porque eu também sou exterioridade a categoria que supr assume nãoé que assume no nível superior tanto corpo como psiquismo é a categoria de espírito porque o psiquismo ainda tá muito fechado numa dimensão da da egd né do Ego e o espírito é a dimensão do homem que é marcada
por uma interioridade mas ao mesmo tempo por uma abertura constitutiva então o homem é Espírito O que que isso quer dizer que nós somos ao mesmo tempo seres Racionais e livres e portanto seres que têm uma interioridade constitutiva mas que só podem ser afirmar nessa interioridade na sua abertura com o mundo com os outros com transcendente essas três categorias corpo próprio psiquismo espírito definem a estrutura do do daquilo que nós somos né então nós somos um ser que tem uma estrutura constitutiva e essa estrutura constitutiva é constituída por corpo psiquismo e espírito Mas nós somos
também seres de relação Então as nossas relações elas não são eh é algo que a gente pode escolher ou não elas são constitutivas do nosso ser nós nos relacionamos com o mundo nos relacionamos com os outros nos relacionamos com transcendente Então essas relações definem o nosso ser nós somos ao mesmo tempo seres de estrutura e seres de relação e estrutura e relação definem a nossa essência aquilo que a gente pode dizer que é a nossa essência mas o padre Vas Então vai mostrar que a nossa essência ela é marcada por uma espécie de tensão né
então se nós somos estrutura enquanto estrutura nós somos ser em si Mas nós somos também por Essência seres relacionais enquanto seres relacionais nós somos seres para né para o mundo para o outro para a transcendência existe aqui então uma tensão entre ser para si né que caracteriza uma certa ipseidade afirmação de uma identidade e o ser para que implica numa abertura A algo que eu não sou a algo diferente a um um outro a uma alteridade então na própria definição de pessoa de ser humano existe um paradoxo ou uma tensão entre identidade e alteridade como
é que a gente supera essa tensão aí o padre Vas vai dizer que aquilo que unifica o lugar de unificação dessa tensão né é a existência então o homem é o ser humano é estrutura e relação mas onde é que ele unifica estrutura e relação na medida em que ele existe concretamente na medida em que ele se realiza como pessoa então a realização nada mais é do que a atualização existencial daquilo que eu sou por Essência O que que me define enquanto Essência ser de estrutura e relação mas ser de estrutura e relação como Essência
não basta por quê Porque eu preciso ser estrutura e relação eu preciso unificar essas dimensões do ponto de vista concreto e é quando eu consigo unificar essas dimensões do ponto de vista concreto do ponto de vista existencial é que eu me realizo então a realização categoria de realização exprime Justamente esse ato existencial pelo qual o homem concretiza né do ponto de vista existencial aquilo que ele é né ele unifica na sua própria existência concreto esse paradoxo que o define e a categoria de pessoa a categoria de pessoa é categoria de unidade que vai dizer o
homem na sua totalidade então o homem é um ser que possui uma essência ele é estrutura e relações mas é um ser também existencial então ele é essência e existência e a categoria que exprime a totalidade a integralidade a unidade daquilo que nós somos é a categoria de pessoa importanto perceber que Padre F faz uma distinção entre a inteligibilidade para si e a inteligibilidade para nós então do ponto de vista da inteligibilidade para Nós seres humanos humanos quando a gente coloca pergunta o exercício é a gente colocou a pergunta definiu o objeto investigação pensou as
categorias vamos articular as categorias no discurso para encontrar a categoria que melhor exprime a realidade que nós estamos investigando então do ponto de vista da inteligibilidade para nós a categoria de pessoa é a categoria última categoria que diz de alguma forma que tenta exprimir a realidade do ser pessoa de modo mais pleno ponto de vista da inteligibilidade para si no entanto a pessoa ela tem inteligibilidade em si mesma cada um de nós na sua singularidade tem na sua existência um sentido uma razão de ser uma inteligibilidade radical e é justamente a pessoa enquanto singular enquanto
ser humano concreto é que coloca a pergunta então é a pessoa é o princípio A Origem o fundamento a possibilidade de qualquer investigação sobre o homem aqui eu trouxe para vocês uma citação da antropologia filos do padre Vaz né sobre a autorrealização Padre Vaz diz a autorrealização do homem não é senão a efetivação existencial do paradoxo segundo o qual o homem se torna ele mesmo na sua abertura constitutiva ao outro a abertura atravessada pelo apelo profundo a uma generosidade no dom de si mesmo então olha só eh autorrealização é a efetivação existencial do paradoxo que
eu falei com vocês Qual o paradoxo o paradoxo de se tornar si mesmo na abertura com os outros paradoxo constitutivo não é que define o ser humano né enquanto ser em si e ser de alteridade ou ser para um outro né então o homem na medida em que é do ponto de vista ontológico marcado por esse paradoxo e a autorrealização consiste na efetivação existencial desse paradoxo e como é que a gente efetiva esse paradoxo através da abertura né ao outro a realidade do mundo a realidade do transcendente e isso depende de uma abertura generosa do
dom de si mesmo muito bonita a citação do padre V vale a pena meditar um pouco sobre ela depois o conceito de a categoria de pessoa como eu já disse para vocês a expressão da unidade final do ser humano então se nós temos uma essência essa Essência precisa se realizar na existência nós nós somos tudo isso nós somos essência e existência né O que nos define são as duas coisas nós não podemos ser definidos apenas pela Essência por quê Porque a nossa existência é ela que confere né um sentido Radical para aquilo que nós somos
então nós somos essência e existência mas quem é que então é qual categoria capaz de afirmar a unidade de essência e existência a categoria de pessoa né então a categoria de pessoa é a expressão da unidade final do ser humano é ela que exprime a identidade de ser e manifestação aí nós voltamos Naquele esquema da antropologia filosófica né experiência do existir pessoal torna possível então a passagem da forma nãoé nós enquanto seres humanos temos uma forma temos uma natureza né e a gente precisa passar para dar forma natural paraa forma propriamente humana que é a
forma natural recriada pelo próprio homem como expressão do seu ser e o que torna possível essa passagem da forma natural paraa forma propriamente humana é justamente a o sujeito é a subjetividade humana sendo exercida na realidade concreta então nós temos uma essência mas nós precisamos efetivar essa essência para nos tornarmos efetivamente humanos nós precisamos efetivar essa essa Essência ponto de vista existencial concreto então a essência e a existência devem ser conjugados para que a gente possa afirmar o sujeito humano a partir da expressão do seu próprio ser se a gente precisa então Eh realizar do
ponto de vista existencial aquilo que nós somos Quais são os atos né tornam possível a realização do homem Quais são os atos que são atos pessoais por Excelência e o padri Vas aponta alguns atos que tornam possível a experiência do existir pessoal do existir como pessoa ele fala que toda visão de unidade todo conhecimento da Verdade e todo consentimento ao bem são atos que tornam possível a experiência do existir pessoal E aí sobre esses atos ele comenta que são atos impen ativos que operam no ser humano a síntese da essência e da existência do que
ele é e do que deve ser portanto são atos que exigem empenho que exigem capacidade de assumir responsabilidade né são atos de essencialmente atos de liberdade mas são atos belíssimos mas que envolvem a totalidade do nosso ser então o homem possui uma essência mas essa Essência precisa ser realizada concretamente E para isso depende do empenho não é do engajamento de cada ser humano na própria no próprio exercício de Constituição da própria vida da própria humanidade Padre Vá então aponta né alguma alguns elementos dessa concreta experiência do existir pessoal né Essa concreta experiência do existir pessoal
se apresenta como presença à coisas através da atividade poética e aí a gente tem a dimensão do trabalho ela se apresenta também como presença aos outros através da atividade prática e aí a gente tem o agir e a vida éticos e ela se apresenta também como presença ao absoluto através da atividade teórica através da contemp ação e do amor é claro que essas três presenças estão intimamente articuladas essas três dimensões do trabalho do agir e da vida éticos da contemplação do amor tão intimamente articuladas não podem ser lidas de modo separado de todo modo eh
aqui eu apresento para vocês essa visão panorâmica geral da proposta antropológica do padre Vas que deságua necessariamente numa investigação sobre a ética sobre o agir e sobre a existência humana n Desejo a todos bons estudos e boa [Música] leitura