Olá a todos! Hoje eu vou falar pra vocês sobre os gases medicinais. Em verdade vocês vão ver aqui que eu vou separar gases medicinais e gases hospitalares.
Então o primeiro ponto é que no Brasil a gente usa a NBR 12188 da Associação Brasileira de Normas Técnicas para projetar cuidar e manter as redes de gases medicinais, mas já saliento que é bastante incompleta e a gente acaba tendo que lançar mão de documentos internacionais que eu vou deixar mencionado no final do vídeo e na descrição. Um outro ponto importante que a gente pode trabalhar nesse sentido é como que a gente pode separar o gás medicinal do gás hospitalar. Eu, por exemplo, sempre penso que quando a função do gás é interagir com o corpo humano e produzir um efeito dentro do corpo humano, um resultado médico, a gente sempre diz que ele é medicinal.
Por exemplo, o óxido nitroso que é utilizado em anestesia; o óxido nítrico que é utilizado em ventilação pulmonar de recém-nascido; o próprio oxigênio e o ar comprimido medicinal que tem uma função no caso do ar comprimido ou levar uma droga até o pulmão para ser absorvida já no pulmão ou no caso do oxigênio para a gente, por exemplo, aumentar a saturação de oxigênio em um paciente que não está saturando adequadamente. Os gases hospitalares gente pode citar, por exemplo, o nitrogênio que é pra propulsão de ferramenta pneumática; o gás carbônico que serve para distender a cavidade abdominal; o hélio que é usado como medida de segurança no balão intra-aórtico ou para tornar o supercondutor do aparelho de ressonância magnética, super condutor, no caso o hélio líquido; o ar comprimido que a gente usa, o ar comprimido industrial, por exemplo, algumas autoclaves usam para abrir e fechar a porta, alguns equipamentos lavanderia utilizam o ar comprimido como instrumento para produzir força, produzir trabalho, produzir deslocamento, certo? O vácuo que é utilizado para aspirar secreção, para fazer dreno de tórax, você lava a cirurgia com soro fisiológico e aspira a secreção; e tem outros gases como óxido de etileno, formaldeído, plasma de peróxido, o gás combustível que estão presentes no hospital.
Então pra mim, no meu ponto de vista, é importante a gente separar esses dois, certo? Outra coisa é a redes de gases. A gente tem as redes de gás e vocês vão ver que a NBR 12188 dá orientações para isso e a gente tem que tomar muito cuidado em obra, aquela contaminação, ligação cruzada.
O norte-americano chama de cross-contamination. Você liga um gás numa rede que deveria estar ligado na outra e isso é um cuidado muito importante que a gente deve ter. É importante lembrar que no Brasil as conexões, não só no Brasil como no mundo inteiro, as conexões do equipamento na rede de gás são feitas com roscas diferentes.
Você não consegue rosquear uma tomada de oxigênio com uma de ar comprimido e vice-versa. Eu vou comentar também que nos Estados Unidos existe o Pin Index Safety que é um sistema de conexão através de pinos que impossibilita a ligação cruzada, a contaminação cruzada. Outra coisa importante: os projetos têm que garantir não só pressão como também vazão.
É como uma rede elétrica. Quando você vai projetar uma rede elétrica, você não analisa só a capacidade dela de suportar uma determinada tensão, mas também a quantidade de corrente elétrica que vai circular nessa rede. Então nós temos dois pontos importantes: primeiro, a rede suporta uma determinada pressão?
; segundo, a rede vai entregar a vazão de ar requerida quando eu precisar? Então esse é um ponto importante que a gente tem que separar. Outra coisa: vamos dizer aqui, uma prática boa: uma empresa projeta, a outra empresa executa e a outra empresa recebe e confere se está tudo certo.
Se houver algum problema a gente consegue identificar em que etapa do processo produtivo da rede que o problema aconteceu. Uma boa prática que é recomendada, por exemplo, na NBR 7256 para ar condicionado que é uma questão bastante semelhante. Ar condicionado tem que garantir uma pressão, tem que garantir uma vazão, então são sistemas semelhantes.
Outro ponto importante: identificação das redes. No Brasil nós usamos cores para identificar as redes e também uma seta para indicar o sentido do fluxo do gás, ou seja, se ele está indo para um lado ou para o outro. Então, por exemplo, oxigênio no Brasil é verde.
Isso confunde um pouco com água para consumo humano, mas como a água não é levada em tubulação de cobre a gente consegue identificar e separar uma da outra. O amarelo para ar comprimido medicinal, que confunde com os gases combustíveis. É um conflito.
Se você olhar a portaria 3214, ela recomenda amarelo para gases inflamáveis e no hospital a gente usa amarelo (no Brasil inteiro) pra comprimido medicinal. O cinza que é utilizado para redes de vácuo e o azul que é utilizado para óxido nitroso. Vocês vão observar no hospital de vocês, procura identificar, por exemplo, o cilindro de CO2 que tem uma cor prateada.
Então é importante você também praticar o sistema de cores e utilizar o sistema de cores para aumentar a segurança no caso da gestão, do gerenciamento dos gases medicinais. Os testes, o que você pode testar? Você pode verificar o layout; se a rede está funcionando como deveria funcionar; você pode testar a estanqueidade da rede; a facilidade de ela receber manutenção, tem rede que é difícil parar e fazer manutenção num ponto, porque tem que parar um andar inteiro e isso é muito importante já desde o projeto fazer uma rede que seja manobrável.
É importante praticar o comissionamento, fazer um conjunto de testes para garantir que aquela rede esteja funcionando e que vai operar de maneira segura. Outra coisa, quando a gente faz ampliação de rede, é um cuidado importante. De novo eu volto na elétrica.
Quando você coloca uma carga nova em uma instalação elétrica, você tem que ver se a rede suporta. Nas instalações de gases medicinais a mesma coisa: uma ampliação, um novo centro de custo, uma nova área, você tem que garantir que essa rede vai suportar essa nova carga, está dimensionada para essa nova carga para evitarmos problemas operacionais. Outra coisa que a gente pode comentar aqui que é muito importante e eu até lanço um desafio aqui para quem tiver esse sistema dentro do hospital, me avisa que eu gostaria muito de saber, conhecer e até, quem sabe, fazer um vídeo sobre como deve funcionar.
A NBR 12188 diz que nós devemos ter dois tipos de alarmes, um chamado de alarme de emergência e outro chamado de alarme operacional. Pra que serve o alarme operacional? O alarme operacional serve para informar o pessoal da engenharia que tem um problema na rede.
Então o primeiro local que deve soar o alarme é na engenharia, na manutenção porque o pessoal pode começar a procurar por um problema. Acontece que, vamos dizer, pressão da rede caiu, soou o alarme da engenharia, a engenharia corre atrás, já liga para a enfermagem, para o posto da enfermagem ou para as pessoas responsáveis pelo plano de gerenciamento de falta de gases medicinais. Liga e já avisa: "temos um problema, estamos correndo atrás e vamos ver o que está acontecendo".
E o pessoal da assistência tem um tempo para trabalhar nisso, trabalhar enquanto isso ocorre. Quando soa o alarme de emergência, aí é o alarme que deve tocar na unidade para o pessoal que está na operação e aí é bom que se tenha um bom plano de emergência para operar nessas condições, porque se tocou operacional e tocou de emergência é porque a solução não foi endereçada adequadamente e é um bom sinal de que nós vamos ter problemas. Testes quantitativos: a rede suporta a pressão que ela foi projetada?
A vazão quando eu impor um determinado consumo na rede, essa rede é capaz de me atender? Aliás, eu nunca vi esse teste ser feito aqui no Brasil. As pessoas que constroem hospital normalmente não aplicam esse teste, trabalham simplesmente com teste de estanqueidade e aí é uma oportunidade para aqueles que querem oferecer para os hospitais uma nova forma de desafiar uma rede, ver se a rede vai cumprir com os requisitos para a qual ela foi projetada é fazer um desafio também em relação à vazão.
Pureza, contaminante, material particulado, é importante também que se tenha um procedimento para teste. Aliás, quem fornece PSA, ou seja, a usina de oxigênio medicinal, o hospital passa a ser um produtor de gás, tem que fazer o teste da pureza, garantir a pureza, e lembrar que quando eu instalo uma rede de gás, uma PSA, isto é, uma usina para produzir o meu próprio gás, eu deixo de ser um consumidor e passo a ser um produtor e, portanto, eu devo atender todos os requisitos de qualidade que são exigidos por lei e pela norma, e isso já está bem regulado no Brasil. E a gente tem um universo de outros gases que eu cito aqui o óxido de etileno, já não é mais usado no Brasil há muito tempo.
Aliás, ele é usado mas não dentro do hospital. Eu já tive a oportunidade de trabalhar por mais de três anos com autoclave por óxido de etileno, que é para esterilizar materiais que termossensíveis, que não suporta a temperatura, mas a portaria interministerial nº 1, quando foi lançada, os hospitais preferiram não atender essa legislação que deu margem para as várias empresas que esterilizam a baixa temperatura e o hospital passou a comprar esse serviço. Um outro gás aqui, que na verdade não é um gás propriamente dito, mas você forma vapor de gases, que seria o glutaraldeído, o próprio plasma de peróxido de hidrogênio, o CO2 que é asfixiante, o hélio que é asfixiante, os gases combustíveis que são usados no serviço de nutrição ou em laboratório de análises clínicas no aparelho de sódio potássio ou no bico de Bunsen e aí é um conjunto de gases que são hospitalares, no meu ponto de vista, mas eles são cuidados, a segurança ocupacional entra em ação.
De novo, eu sempre tenho falado nisso, a importância de a gente conviver melhor com os profissionais do SESMT e lembrando aqui eu vou falar também, vou deixar aqui na descrição é a NFPA (National Fire Protection Agency), também nos Estados Unidos nos dá informação para gerenciamento dos gases medicinais e hospitalares. A CGA (Compressed Gas Association) e também tem um documento muito bacana que foi produzido na Inglaterra pelo sistema nacional de saúde que eu vou deixar também na descrição que trata ali, esse documento pega de ponta a ponta essa questão dos gases medicinais desde o projeto até o comissionamento. Então é isso, tem muito mais sobre esse tema, muito mais para estudar, mas a ideia foi passar um panorama sobre gases medicinais e gases hospitalares de modo que vocês possam estudar mais um pouco mais sobre esse tema.
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