Olá eu sou a professora Estela Rocha coordeno os cursos da área de educação aqui da Gran faculdade e hoje estou aqui na série escola essa série que você pediu o tema de hoje é quem deve brincar quando a gente fala de brincar todo mundo pensa que é só criança será bom eu trouxe aqui para bater um super papo com vocês o nosso o meu o nosso amigo brincante Jonathan Agar J venha PR minha bancada seja bemvindo não é meu meu amigo brincante porque o brincar faz parte do seu processo de pesquisa né o seu ofício
enquanto pesquisador perpassa pelo brincar não é Jonathan Quem deve brincar Jonathan Ah esse brincar Estela faz parte da nossa vida humana Quem deve brincar sabe uma pergunta bastante propositiva no sentido de parar para pensar o que é a própria brincadeira sabe e esse ato né de brincar e quem deve se brincar são crianças jovens adultos idosos não há restrição sabe a brincadeira é inerente ao sujeito humano então todos nós a partir desse ato desse movimento né da relação com o outro e consigo mesmo podemos nos constituir enquanto jeitos humanos brincar na sala de aula dentro
da brinquedoteca no hospital na rua na favela sabe no interior de uma cidade então esse brincar é que nos invade e ao mesmo tempo eh nos provoca sabe é ser esse ser brincante ao longo da nossa trajetória Bom vamos lá e gente olha Live ao vivo é assim tem cachorro latino tem barulho Isso faz parte não é n a gente trouxe isso pós pandemia e ela veio para ficar isso mostra o quanto que a gente nós somos gente de verdade né Isso faz parte do nosso do nosso ser brincante né Jonathan Jonathan e eu sei
que você vai falar um pouco mais sobre quem deve brincar e você já começou a falar aí mas Da onde surgiu a ideia de dialogar sobre o brincar na sua trajetória profissional por que eu brincar e não outro tema é um tema que marcou a minha trajetória primeiramente enquanto estudante vivenciando todo esse processo dentro da Universidade Federal do Rio de Janeiro e aí recordo as vivências as experiências sabe no decorrer das disciplinas ao mesmo tempo na aproximação de um laboratório de pesquisa que é o próprio lupia que me que fez parte da minha trajetório e
dali começou a trazer alguns fios de pensar esse jogo essa brincadeira esse lúdico que acontece dentro da Universidade no espaço de educação infantil então foi a partir daí que me moveu de alguma maneira eh resultando eh a participação em eventos acadêmicos científicos e dali foi redesenhando também a minha trajetória acadêmica no sentido de ampliar essa visão de jogo brinquedo brincadeira lúdico tanto no mestrado quanto no doutorado e também no processo de finalização de um pós-doutoramento que foi dentro da própria werd então assim falar sobre o brincar paralelo também a todas essas questões invade também a
minha prática enquanto professor que sou aqui no município de Bom Jardim e atuando dentro dessa sala de aula com as crianças sabe de pensar esse brincar no processo de ensino aprendizagem Jonathan quando você fala do brincar e eu tenho os livros que você publicou porque você é um estudioso da área do brincar você eu acho que tem Ah esse daí já ia falar dele agora mesmo porque eu acho que esse é o livro que faz não vou dizer que é uma ruptura porque não é isso nem uma mudança de paradigma Mas você vem falando do
brincar na favela e aí Quem brinca na favela não é só a criança certo então vamos lá me adultos adultos brincam sabe eu enquanto morador sabe de uma favela brinquei ao longo da minha trajetória e sobretudo diante de uma escrita sabe o quanto que esse brincar tá tá ligado também a esses processos de simbolização de invenção de criação e resulta também desse livro Educação lúdico e favela quantos tiros são necessários para aprendizagem eh pensar esse lugar do brincar aliado a esse lugar do direito à educação do direito a essa educação que às vezes acabam ficando
meio que a parte né Eh de sujeitos que moram dentro da favela e não se sentem eh envolvido diante desse processo e esse livro traz também um pouco dessa possibilidade de como como envolver crianças jovens adultos professores sabe eh donas de casa diante desse processo quantos tiros são necessários para aprender né nenhum nenhum tiro mas ao mesmo no tempo esse tirar brincando com a própria palavra retoma também os sentidos e os significados dessa epistemologia sabe esse tirar é reconhecer o outro é reconhecer também a falta de eh saneamento básico de saúde mas ao mesmo tempo
ampliando essas vozes essas narrativas e potencializando a partir dessas narrativas também que a partir do brincar a gente pode criar vínculo sabe criar um espaço onde crianças que possuem dificuldade de aprendizagem ou até se sentiram eh excluídas no meio desse processo venham eh ao mesmo tempo consolidar esse e aproximar com esse lugar de interza eu posso fazer parte diante desse percurso eu sou aquele que escreve a minha história na primeira pessoa quando eu digo eu sou aquele Não só eu J mas aquele que fala sabe ou aquele que sente a partir das minhas palavras pode
interligar ao meio desse discurso e pensar Opa eu também posso brincar uma coisa que eu acho muito legal Jonathan na na tua escrita na tua fala e a gente se aproximou muito nos últimos anos e isso me marcou bastante quando você uma vez falou assim parece que quando a gente fica adulto eu tenho que marcar o dia de brincar e a gente fala assim vamos marcar uma brincadeira que lá para quem é carioca é o churrasco de domingo tem um futebol na televisão a super resenha né a resenha que não é a do seu livro
mas a resenha e É como se eu tivesse que pedir eh autorização para outros adultos para que a gente demarque um espaço do brincar e aí eu queria que você discorre um pouco sobre isso porque a ideia do brincar é a ideia não só da criança que vai aprender a partir de mas para o adulto como é que funciona essa brincadeira esse essa restrição melhor dizendo essa demarcação né de um dia específico para que este brincar aconteça E aí eu começo a pensar também até nos próprios teóricos sabe eu não tô aqui com propósito de
trazer aquele MOV mento do academ se Mas a partir da minha fala tem como base né trazer essas percepções essas teorizações eu lembro muito do in zinga né sabe que todos nós somos seres homol ludes enquanto que esse espaço esse lugar do ludo habita o nosso ser logo esse lugar do brincar também e quando a gente demarca ou eh afirma o único dia ou Dias específicos para e brincar significa que a gente não tá colocando esse sujeito num movimento de interza de participação de colaboração sabe e E isso tem me provocado Estela não só eh
quando atuava enquanto professor dentro de uma favela mas também eh nesse movimento de se aproximar dentro das secretarias municipais de Educação na nos cursos de Formação com professor né formações continuadas e a gente vem percebendo que mesmo eh diante de tanto eh de tanta literatura científica falando sobre esse lugar da potência do próprio brincar ainda na atualidade a gente se depara com espaços que restringem esse lugar né do retirar o recreio de uma criança do do não inseri-lo no processo ludo e Mas ainda é um direito que já tá sendo que já que Foi estabelecido
dentro do próprio Estatuto da Criança do Adolescente então quando a gente olha para todas essas dimensões a gente vai pensando nessas ações e nessas percepções embora a sua pergunta é bastante provocativa sabe e que e que faz a gente entender esse lugar também do adulto brincante que somos é importante a partir da minha fala trazer também esse percurso porque aquele que que promove que que faz o processo de mediação também dessa brincadeira ele Precisa ter eh noções né teóricas políticas culturais do quanto que esse espaço é fundamental e quando eu digo aqui o espaço eu
não tô dizendo só o espaço físico mas esse espaço também psicológico interno sabe do próprio sujeito e aí remete a esse lugar do ser brincante adultos que que promove esse lugar da da brincadeira são adultos que estão mais atentos a essas questões e sobretudo legitimando um direito infantil e resgata no meio disso tudo esse lugar nosso né De não ver o tempo passar de você tá ali brincando com as próprias crianças e as coisas vão acontecendo rompendo o próprio espaço e o tempo a partir de uma escrita do ouvir uma música sabe do escrever um
próprio poema do sentir o processo de fluição sabe diante daquilo que que nos move que pode ser uma imagem pode ser uma obra de arte pode ser até mesmo uma uma palavra sabe o quanto que esse esse lugar precisa ser eh revivido né e diante disso a gente vai construindo e possibilitando como eu disse o direito da própria brincadeira o direito do próprio brincar o direito de ser lúdico e criativo bom você você falando já é um encantamento mas ainda Calma que eu ainda ten mais algumas coisinhas para dialogar com você uma coisa interessante que
você trouxe aqui eu quero que você já deixe isso guardado que é a questão de tirar o recreio das Crianças quero trocar nesse assunto porque eu acho que eh ele é polêmico no sentido de Ah mas é um ato de correção de comportamento é um ato de moldura de comportamento e eu tenho questões também sobre isso eu acredito que elas vão muito de encontro o que você também acredita e a outra questão é quando a gente fala do ser brincante porque se o professor não brinca ele não vai permitir que seus estudantes brinquem porque ele
não é esse sujeito brincante que é uma conversa também que eu sei que você já vem fazendo esse diálogo algum tempo e de modo geral quando eu tô saindo na rua eu tenho olhado como que as crianças T tido seu espaço de brincar limitados E aí vou dizer dar um exemplo fui no mercado no final de semana os pais vão com as crianças mas elas não podem ser crianças porque ali se ela tá brincando empilhar n latinhas dentro do carrinho tá atrapalhando o roteiro daquela família e aí por que que eu tô te fazendo essa
fala Jonathan porque ainda parece que mesmo com a ideia de Infância garantida pela constituição EA el DB todos as os documentos legais a infância ainda não é vivenciada na sua Plenitude quando a gente fala dos espaços infantis de brincadeira que é em qualquer lugar a criança brinca em qualquer lugar e é sobre isso que eu queria que você discorram minhando pro final da nossa Live olha ISO ao mesmo tempo essas restri eh do próprio brincar e aí você trouxe esse exemplo do próprio Supermercado eu relembrei aqui a minha infância Ô Estela enquanto criança eu ia
no supermercado com meu avô Aí lembrei aqui ó indo de Fusca no Rio de Janeiro sabe e chegando no supermercado eu me deparava com os carrinhos que não tinha só o carrinho para adulto tinha um carrinho também para criança Hum eu adorava aquilo sabe porque era realmente assim algo que movia e ao mesmo tempo quando no seio familiar dizia Ah vamos ao supermercado dizia Oba também quero ir e aí logo quando saía chegava ali no supermercado eu já pegava esse primeiro esse carrinho do meu tamanho sabe eu não sei as pessoas que estão assistindo relembram
também esse momento sabe hoje em dia eu chego no supermercado eu não me deparo né com essa com com com mobiliários ou até mesmo eh equipamentos sabe objetos que estão ali a a uso do da própria criança porque também a criança faz compras embora o seu pai e a sua mãe né ou o seu responsável que vai efetuar aí o pagamento mas paralelo a tudo isso ele que estaria no movimento do brincar sabe diariamente E essas restrições não são Bené é pro desenvolvimento humano sobretudo pro Desenvolvimento Infantil sabe o quanto que uma criança que brinca
Ela Tá experimentando Ela tá simbolizando no processo de imaginação que comina aí muitas situações que ao mesmo tempo jando a identidade moral a ética desse ser quando a gente olha para esse momento de adulto até preocupação de um educador família olha para Para de brincar sabe E aí o movimento do tolir né o espaço outro e Eu recordo recentemente até por falar do espaço e traz debate o direito à própria cidade o direito né do viver essa cidade em todas Así chama ter cidade a gente acaba também em todos os outros espaços né no supermercado
no cinema sabe ainda caminhar dentro do shopping essa semana mesmo eu tô Caminhando com os meus alunos e levando eles no shopping para poder a gente assistir uma sessão de cinema assim movimento vai gestando sabe aproximações também com a própria sociedade porque essa criança faz parte da vida social e dali criando regras né de convivên deura quando eu como que você chega até uma tendência de solicitar algum produto que não tá ali ao seu alcance e a criança ela tá vendo tudo sabe a partir desse também nesse lugar né então é importante que adultos gestores
professores famílias Sabe tem esse olhar atencioso para essas questões e aí ô ô Estela Eu acho que já posso pegar o gancho aqui aqui pra próxima que você não fez ou não po de que qual é próxima quando você vai falar sobre do Recreio ou tem uma Então fala do Recreio vamos lá Ótimo ótimo ótimo quando você traz essa indagação sabe Estela é algo que tem me movido também na atualidade de pensar esses lugares também de restrição e sobretudo no espaço educativo e quando eu tô chamando de espaço educativo a escola sabe que é representação
de uma sociedade como que as escolas né vê criando formas ou maneira de dizer Opa menino você não vai brincar menina acabou a sua brincadeira hoje sabe e eu vejo que tem todo o movimento assim da gente pensar esse lugar da Infância e aí é uma crítica que eu faço da infância como sinônimo de punição sabe se a infância esse lugar do direito ao brincado direito à brincadeira Por que eu preciso punir um indivíduo esse lugar do brincado interesse do Prazer retirando por conta de Tais e tais e tais e Tais comportamentos atitudes ações eu
não estou defendendo aqui que o professor ou o profissional do campo da educação eh não precisa eh de fato sentar conversar dialogar criar estratégias para de fato que essa criança não venha modificar o seu comportamento a sua atitude mas a gente precisa est seguro suficiente Quais as as as estratégias que estamos criando dentro desse espaço para não deixar a parte o que que é primordial pra vida humana e sobretudo pro Desenvolvimento Infantil entende e aí O o estelo que eu espero daqui algum tempo sabe que a gente volte sabe para essa a Live e pensa
que bom que conseguimos sabe eh avançar nesse sentido e nessas discussões hoje nós temos estudos eh dentro da sociologia da infância pensando essa infância como aspecto plural integral sabe onde esse sujeito ele dá encaminhamentos a partir da sua voz da sua narrativa então quando a gente começa a retirar tudo isso o que fica né O que fica PR as crianças eu Jonathan em contul eu adoro brincar você também Estela então assim imagina a gente tirar tudo que é bom né Mas como que a gente vai gestando esse lugar de Direito de potência sendo repetitivo na
minha fala sabe no sentido de provocar a cada pessoa que tá me assistindo nesse momento o quanto é importante que essa criança brinque né A é uma frase bastante emblemática tanto na Minha tese de doutorado quanto nas palestras e nas conversas realmente o lúdico Que Habita em Mim Saúda o lúdico que habita em ti então Jonathan com esse lúdico que habita em mim que habita em você eu vou fechando por aqui essa Live a gente vai se encontrar novamente tenho certeza disso e eu peço que esse lúdico habite os nossos estudantes também e vão ficando
por aqui agradeço a sua parceria de sempre tchau tchau