Opa, suave por aí? Olha só, eu assisto BBB e assisto muito mais do que eu gostaria e nem vejo muito para pensar em nada, não. É entretenimento ruim, esvazia a cabeça, é alienante e tudo mais.
Eu não vou fazer uma defesa ao programa como algo ótimo, profundo, nem pagar de iluminado. Mas mas dá para ver coisas interessantes para muito além do BBB e olhar pra nossa sociedade do espetáculo a partir do programa. Esse então é um episódio para geral, para quem não assiste ou odeia o programa, porque você já tá dentro da lógica do BBB sem nem perceber.
E para quem vê, eu convido você a olhar criticamente pro nosso próprio gosto. Se curtir o nosso conteúdo, apoie o nosso CTIS. A gente teve uma queda nos últimos tempos e o apoio da comunidade é fundamental para manter esse conteúdo existindo.
Se não, pelo menos dê o like, o sininho, a inscrição e comenta aqui embaixo que é uma métrica importantíssima pro algoritmo e é gratuito para você. confia e vem com a gente expor de vez a estrutura do Big Brother Brasil. Capítulo um, o início antes do início.
Se você acha que reality show é algo dos anos 2000, você tá sendo inocente. O embrião do reality show apareceu em 1940, ainda na época do rádio. Chamava-se Candid Microphone.
Um programa com uma premissa simples, gravar pessoas comuns em situações reais sem que elas soubessem. E as reações inesperadas que geram constrangimento público viraram um programa. Quando chegou a TV, isso virou Candid Camera, o pai das primeiras pegadinhas televisionadas.
Ali nasce um pilar da televisão mundial até hoje, a ideia de que o privado poderia se tornar público para gerar graça, produto. E esse desconforto de ser observado atravessa toda a história da TV. Em 73 nasce o primeiro reality show moderno, An American Family.
10 milhões de pessoas assistiam o que prometia ser uma rotina comum de uma família de bem. Mas estamos falando de televisão e em 12 episódios essa família completamente comum desmoronou. Sem nenhum combinado o roteiro prévio teve traição, divórcio.
O filho mais velho fugiu para Nova York durante as gravações e as pessoas começaram a se perguntar: será que eles fariam isso sem as câmeras? A linha entre o documentário familiar e o entretenimento estava ficando borrado. Será que foi o programa que causou a ruína na família ou foi só uma coincidência?
Essas perguntas explicam muito a minha maior dúvida em reality shows. Como uma câmera e o olhar da vigilância alteram o comportamento dos filmados. Guarda essa informação, a gente vai falar disso logo mais à frente.
A origem científica do Big Brother. Dando um salto pros anos 90, a gente tem um experimento científico que deu muito errado. Chamava-se Biosfera 2.
Lá no deserto do Arizona, a proposta era reunir oito cientistas de excelência numa espécie de casa de vidro no deserto para simular a vida em outro planeta. Criava-se um sistema perfeito tecnologicamente, mas deu ruim. Por quê?
Problema de tecnologia, não. Convivência. Todas as vezes que eles tentaram o experimento biosfera, a política externa e uma disputa interna pela direção do projeto acabou gerando briga entre e cientistas e o experimento nunca deu certo.
Só que a notícia do biosfera vazou pra grande mídia e acabou chegando num cara chamado John de Mall, empresário holandês que teve a ideia de fazer uma casa com um grupo de pessoas trancadas, isoladas, filmar aquilo e vender isso por aí. Surgia aí a produtora em The Mall, que criou o modelo Big Brother, que estreou em 1999 paraa Holanda e redefiniu o gênero reality show para sempre. A proposta era ter não os personagens como foco, mas a casa como dispositivo.
Ou seja, a casa é fixa, mudam os cenários e os personagens e mistura o documental com o ficcional. Pessoas reais em situações artificialmente organizadas. Não tem roteiro escrito com falas decoradas, mas tem uma arquitetura pensada, emoções calculadas.
É uma espécie de ornitor rinco da TV. Parece documentário, mas funciona como novela. Parece jogo, mas tem emoção de filme.
Parece real, mas é mais do que isso. É o que é chamado na filosofia de fenômeno hiper realista. A gente já vai falar sobre isso também.
Aqui no Brasil o formato vai chegar em 20012, depois de brigas intensas entre a Globo e o SBT, entre o BBB e a casa dos artistas. E o impacto do programa foi imediato no nosso país. Todo mundo só falava disso no início dos anos 2000.
E se você viveu, você lembra, era a nossa primeira engenharia do conflito televisionada. Sabe o que é engenharia do conflito? Vem comigo que eu te explico.
É o seguinte, ó. Só para eu tô criei, né, um uma parceira aqui, né, aqui dentro. Me ajuda muito aqui dentro.
Eu me sinto bem quando eu passo ali, vejo ela ali. Por engano, a produção retirou da casa aquele talismã dele, a boneca que ele fez e a qual ele acabou se afeiçoando para valer. Eu quero, eu quero sair com ela aqui.
Eu quero ficar com ela ali na sala até o fim. Quando eu sair da casa, eu quero levar ela. Eu gostaria que ela ficasse muito ali comigo.
Agora vocês que fazem a regra aqui, né? Mas ol como eu fico. Capítulo TR.
Engenharia do conflito. Uma coisa que eu nunca entendi é como é que as pessoas ficam tão malucas lá dentro. Como é que elas ficam tão emocionadas de ver a família que elas não vêm há uma semana?
Ou como que elas brigam tanto? Eu tô indignado. Eu tô indignado.
A resposta mais fácil seria dizer: "Bom, é tudo manipulado, tudo roteirizado, estão fazendo personagem". Eu te digo que não é preciso nada de manipulação direta. O conflito e a manipulação não são feitos assim como as pessoas pensam, dando roteiros, mudando provas para produzir brigas.
Isso não é necessário. Basta fazer uma seleção correta. Veja, um reality show não é um recorte aleatório da sociedade e muito menos uma disposição justa da média do povo brasileiro.
O roteiro é escrito antes do jogo começar, é a engenharia do conflito. É assim que alguns pesquisadores dos artigos que a gente utilizou para fazer esse roteiro, que a fonte tá na descrição aqui embaixo, chamam essa construção de ambiente onde as condições de convivência tornam o atrito praticamente inevitável. Vamos ver como é isso na prática.
Bom, os participantes são escolhidos para produzir contraste, classe, temperamento, valores. Então, aplicam um filtro estético, depois um filtro de classe e isso vai gerar uma maioria numérica que vai representar um padrão, e uma minoria que vai tensionar esse padrão. Por exemplo, um corpo que encaixa no consumo e um outro que não encaixa.
Uma história que inspira e uma história que gera resistência. Pensa, por exemplo, nos rodrigões. Sabe os rodrigões do Big Brother?
Homens sarados, brancos, mandíbula harmonizada, sorriso de mentex e cérebro de arvilha. Dá vantagem. Eu gosto de dançar e talvez atra, sei lá.
Eu vou usar também queimar para chegar. Eles estão ali quase como carregando o pacote da beleza televisiva. Quase sempre saem cedo quando o público percebe que ele não vai entregar muito além de imagem e estão ali para jogar junto com as rodrigonas também, o equivalente feminino do mesmo arquétipo.
Eu sou uma pessoa muito inteligente, porque eu que eu quero que que você tá com vontade de rir, Mariana, você me respeita. E o papel dessas pessoas lá dentro é fundamental, morar junto com os anti-rodrigões, pessoas de outras trajetórias, outros padrões de corpo, outras cores que muitas vezes carregam a memória de ter sofrido bullying justamente desses Rodrigões na época da escola. E eles competem todos juntos 24 horas por dia, com jogos simulados para eles brigarem mais e mais.
Você não precisa fazer mais nenhuma manipulação além de ligar as câmeras e observar. É a primeira vez na minha vida que eu fico tão perto de uma pessoa que é padrão. Por isso, no programa produzido pela Globo, as coisas sempre se repetem.
Sempre há um expansivo que ocupa espaço, um estratégico que fala pouco e observa muito. Tem um carismático espontâneo, tem um racional que tenta aparecer acima do jogo. Tem o que entra dizendo que vai jogar limpo e depois a gente descobre que ele joga sujo.
Tem as pessoas que entram para poder ganhar seguidores, sair fazendo publicidade. É tudo calculado para um modelo tensionar com o outro. É Brasil chegarto comprar óculos.
Ai que da hora Brasil. E isso também acontece na escolha da arquitetura da casa, uma arquitetura de tensão. Vamos olhar isso um pouquinho.
A casa do Big Brother é milimetricamente calculada pro conflito. Em 2026, por exemplo, o tema é sonhos e desejos. E isso tá exageradamente colocado nas decorações quase bregas que encenam essa pedagogia do desejo.
Veja a cozinha. Você acha que a produção não ia conseguir colocar um fogão com mais de 10 bocas numa casa que vive 20 pessoas? Mas para quê?
Com uma bancada pequena, por exemplo, e poucas bocas de fogão, você vai gerar pessoas disputando espaço e brigando pela comida ou pelo fogão, o que é ótimo pro entretenimento. As panel aqui, só tinha as panelas aqui. Se por isso pois não, mas tava cozinhando, mano.
Mas continuou cozinhando, velho. Não, continuou cozinhando, Jonas. O corredor pro quarto do líder, por exemplo, é encenado com um tapete vermelho com flashes e câmeras feito especificamente para poder subir a cabeça dessa pessoa que ganha liderança e aí produzir brigas.
Há também a divisão entre VIP e Shepa, transformando a alimentação num marcador de hierarquia, de classe interna lá dentro, enquanto a mesa é compartilhada justamente para que convivam os que tm privilégio com os que não t, não tem para onde correr. Quarto secreto e quarto do líder, por exemplo, deixa áudio, câmera, tudo aberto justamente para aumentar a paranoia. O que será que estão dizendo de mim?
Aha. Vai colher madura, fofoqueira, velho. Parece uma casa comum, mas quem já viu, por exemplo, no pay-perview percebe que aquilo é um estúdio cuidadosamente desenhado para produzir instabilidade emocional na galera que vive lá dentro.
Mas olha aqui de cima como que é o teto. É um teto que é retrátil. E tem mais, quem já viu outras edições sabe que determinados comportamentos viralizam.
A casa é o foco e ela já tem a sua própria história. Os personagens é que mudam. Vivendo sob a mesma regra, o Big Brother passa a ser então uma simulação de si mesmo.
Uma edição imita a outra. O ambiente está construído para facilitar a versão pior de você mesmo sobre o stress máximo. É você possuído por você mesmo sobre os olhos da audiência.
Diante disso, eu te pergunto, alguém ali realmente consegue ser si mesmo ou todos se tornam personagens aumentados das suas próprias personalidades? E para ajudar nisso, cada vez mais os próprios participantes levam uma simulação pronta de si mesmo, exibindo clichês, fórmulas, achando que a coisa vai se repetir e ela acaba se repetindo. Pode observar, toda a edição do Big Brother nos últimos se anos segue um padrão.
Nas primeiras semanas acontece um evento, seja uma briga, um isolamento, uma porcaria banal ou algo bem sério. E isso define a estrutura ética da temporada. É assim, dessa briga vai surgir um herói que vai passar por uma jornada.
Alguém vai virar a minoria numérica perseguida e alguém vai virar a maioria perseguidora. A narrativa principal tá posta. A forma como essa minoria age determina por oposição as regras morais do grupo maior.
Se é uma pessoa violenta, o grupo reclamará da violência. Se for alguém pacífico demais, as pessoas se incomodarão com a passividade do oponente. E perceba que aqui eu não tô falando de minoria social, das coisas que valem aqui fora.
É a minoria dentro do universo do jogo, onde as regras são outras. É uma estrutura que se repete com nomes diferentes. Juliete, Artur Aguiar, Davi Brito, Renato, grupo da Ana Paula esse ano e assim vai.
É a mesma estrutura. Ah, então é um jogo injusto. Você pode pensar: "Sim, é um jogo injusto.
Onde é que a Globo disse em algum momento que era um jogo justo? Onde é que a sociedade é justa em algum momento? " O jogo precisa continuar produzindo tensão, porque é um programa de TV e assim precisa criar essa desigualdade interna paralela.
Então, por exemplo, o líder toda semana tá produzindo desigualdades com o seu poder de vigilância. A estaleca, o dinheiro interno, produz desigualdades porque há provas que dependem dele. Quem tá no topo sabe que pode cair.
E como o jogo não é justo, não adianta um jogador tentar imprimir alguma lógica à parte, um jogo interno. Quando o atrito começar a esfriar, a regra do programa pode mudar. Uma aliança tá confortável demais?
Alguma intervenção maluca da Globo vai reorganizar o tabuleiro. Porque se eu fosse, é um programa de TV, afinal de contas, o jogo não pode ficar parado. E veja, não é que a Globo tá torcendo para algum participante específico, a Globo tá torcendo pra Globo, pro lucro, logo pra manutenção da audiência e por isso busca o equilíbrio do jogo.
Então cai aqui um dos mitos do programa. Ninguém ali dentro é um personagem e não há manipulação direta, mas todos são personagens ao mesmo tempo. Gente, vocês são atores, será?
Meu Deus, como assim? Eu explico, não tem ninguém que aguenta ficar fazendo um personagem 24 horas lá dentro, mas estar filmado 24 horas por dia impõe automaticamente uma performance constante. É impossível ser espontâneo, sabendo que cada gesto seu pode virar meme ou julgamento público.
A câmera vai alterar sua postura, o tom de voz, o tempo de fala. Mesmo aqui no YouTube, por exemplo, eu sou um eu com um tom a mais. Imagina se eu ficasse com os meus amigos falando sempre assim, pausado, bem explicadinho, com tom professoral.
Eu seria insuportável. Agora você imagina se eu tivesse falando sem nenhuma impostação de voz e cheio de piada interna, igual eu faço com os meus amigos. Eu tô fazendo um personagem?
Não. É uma performance mediada pela câmera. Todos nós fazemos um pouquinho disso.
O jeito que você fala com o seu chefe é diferente do jeito que você fala com a sua mãe ou com uma criança. Eu realmente espero que seja diferente, né? Mas para para pensar na nossa sociedade, como nós nos comportamos com o mundo diante de câmeras, onde tudo pode ser filmado.
Isso vai alterar nosso comportamento. E lá dentro isso é ainda mais forte. Lá dentro a ética é paralela.
O jogo não é sobre a vitória de um, é sobre a eliminação sucessiva de todos os outros. Por isso, o paredão vira uma lei universal lá de dentro. É um ritual de morte simbólica que organiza tudo em volta daquele mundo.
Fora da casa, a pessoa pode até ser ética. E lá dentro, sob esse estress, sobre esse limite e sem a visão de todas as câmeras que a gente tem aqui fora, tomar decisões completamente moldadas pela sobrevivência. Isso é uma escrota.
E essa é uma parada sensível de entender. Aquilo ali é um jogo de regras paralelas. Portanto, o comportamento e a decisão de todos lá dentro é paralelo.
E é a isso que se chama de jogo da hiper realidade. Eu fico pensando que esse programa deve dar um trabalho pra edição, mas como será que é separado isso em pastas? Hiper real.
O Big Brother não é mentira, é uma realidade dramatizada. É mais real do que o real, porque já vem com trilha sonora, close, corte estratégico. E se fosse apenas realidade nu e crua, seria muito chato.
E imagina se o Big Brother fosse igual à nossa rotina, assim? Assim ou assim? Não se esqueça, estamos falando sempre de um programa de TV por Ibope que é feito pela lógica do lucro e para dar visibilidade a patrocinadores.
Ponto. E claro, também pro público. Claro, eles pensam muito no público, extremamente preocupados, não porque gostam, mas porque são parte do mecanismo para dar o lucro.
O programa então é um exemplo vivo do que Jean Baldar vai descrever como simulacros e simulações em seu livro com o mesmo título. Vivemos cercados por representações que não são falsas, mas que não são mais simplesmente reais. Boldrear vai chamar esse processo de simulação.
Quando algo não é exatamente uma mentira, nem exatamente uma verdade. É um processo em que as representações da realidade passam a funcionar emulando a realidade. Mas há algo ainda mais estranho, a cópia da cópia.
Algo que está buscando copiar a simulação. É o simulacro. A simulação da simulação.
No simulacro não tem mais distinção entre verdadeiro e falso, entre verdade e pós-verdade. É uma reprodução da ideia de realidade, uma encenação que aos poucos vai dissolvendo a fronteira entre o que é representação, atuação real. E é onde funcionam exatamente os programas de TV.
O reality show é a vida acontecendo e depois reorganizada para se tornar uma narrativa intensificadora de sentimentos. E como os participantes ocupam duas posições ao mesmo tempo, são pessoas reais e personagens de uma dramaturgia, nós ficamos presos nessa novela que é muito mais emocionante do que a nossa rotina pacata. O BBB oferece a possibilidade do sonho de uma pessoa comum acender, tornando-se um produto cultural tão poderoso quanto perigoso.
E é por isso que o fascínio dá tanto ibope. Precisamos assim então falar do Big Brother enquanto impacto social e de mercado. Vamos ao próximo capítulo.
É interessante como fenômenos repetidos acontecem ao longo dos anos. Por exemplo, é muito normal chorar no gramado, deitar no gramado, deitar e chorar no gramado enquanto agradece a Deus no gramado ou enquanto manda recado paraos seus pais no gramado. E agora nesse vídeo, um assunto muito importante.
Dá uma olhada nisso aqui. Se você tá acompanhando o programa, você deve est percebendo como a calvice masculina pode começar cedo. Você sabia disso?
Tem que começar a cuidar o quanto antes. E aí, sabe quem voltou para dar uma força pro Normose? a manual, porque o Bom Filho, a casa torna.
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Clica no link e participa para bom entendedor meia palavra b. Dito isso, recupere sua calvice e vamos voltar ao Big Brother. Nos últimos anos, o Big Brother passou a ocupar um lugar curioso no debate público brasileiro.
Ao mesmo tempo que ele funciona como entretenimento de massa, ele também acabou se transformando em um espaço onde as questões sociais aparecem para uma audiência gigantesca e que muitas vezes nunca tomaram contato com esses assuntos. Por exemplo, em 2021, o professor João Luiz virou questão nacional quando o seu cabelo Black Power foi comparado a uma fantasia de homem das cavernas por um outro participante e ele rebateu com maestria. O que é raro no BBB, ele é um professor e nos jornais e nas conversas esse assunto explodiu.
O alcance do programa faz com que situações como essa provoquem discussões nacionais sobre racismo estrutural e representação, por exemplo. Isso faz as pessoas se dividirem e discutirem. E aí vem o perigo disso.
Eu acabei de dizer que nada ali dentro existe igual as regras daqui de fora. E tudo é atravessado pela lógica da sobrevivência lá dentro do programa. Assim, lá dentro, cada posicionamento ou falta de posicionamento pode virar estratégia.
E quando isso acontece, surge um fenômeno curioso. Essa militância, que inclusive essa palavra é horrível aqui, foi esvaziada, mas eu não vou entrar nessa seara nesse vídeo. Quando a militância deixa de ser apenas um posicionamento político e passa a funcionar como recurso de jogo, aí ferra tudo.
Sobretudo nas torcidas. Pautas como saúde mental, machismo entra no caos da rede e denunciar alguém vira estratégia para enfraquecer o adversário ou fortalecer uma torcida. Uma pessoa que nunca falou de racismo, nunca falou de desigualdade, passa a se preocupar com essa questão.
Por isso, por exemplo, muitas vezes a militância vira caricatura lá dentro. Lembra do que eu falei da seleção? A seleção de personagens não tá escolhendo ativistas com comunicação clara, acostumados com a comunicação política, com a didática.
Ele escolhe pessoas comuns que têm suas posições ideológicas no mundo, mas pessoas caóticas, teimosas, colocadas para gerar novelas. E o resultado disso é uma situação paradoxal. Temas profundamente sérios entrando no circuito do entretenimento competitiva que são completamente esvaziadas pela lógica do espetáculo.
Isso não é um defeito do programa. Isso na verdade tá mostrando sobre o funcionamento da mídia contemporânea. Toda vez que um debate político sério passa a circular dentro de formatos de entretenimento de massa, eles até ganham visibilidade, mas isso tem um teto que é o lucro.
e também passam a disputar espaço com audiência, com narrativa, com estratégia e inevitavelmente podem se tornar completamente caricaturizados, arquétipos. E a luta séria, além de virar piada, faz com que essas pessoas que nunca tiveram contato com esses temas, imaginem que a luta política e a militância são desse jeito aqui, ó. Não use coisas de fora ou ou bandeiras ou pautas aqui dentro, porque eu acho que isso atrapalha todo mundo, inclusive a pauta.
E só porque eu sou negra, eu fico falando de mim de mim, não é só porque você é magra, loura e branca, porque o resto, toda vez você da burguesia, eu sou do geteto organizado. E ainda tem mais camadas para colocar ainda. Quando a gente pensa no programa, a gente imagina que tem um jogo acontecendo dentro da casa, mas na prática existem vários Big Brothers, cada um com suas regras paralelas e percepções diferentes.
Eu diria que há pelo menos cinco. Existe o jogo do pay-per-view, onde a promessa é que você vai ter acesso a todas as câmeras e vai ver a realidade sem filtros. Existe a edição da televisão, onde a direção vai transformar horas de um dia numa novela.
Existe ainda o jogo que acontece pelos cortes nas redes sociais, onde pequenos trechos isolados constróem narrativas muitas vezes desconectadas e manipuladas para algum certo tipo de interesse. Há também um jogo mediado pelos comentadores de reality, influenciadores e analistas que se tornaram profissionais de analisar esse programa, criando as interpretações mais diversas da percepção e do interesse deles. E claro, existe o jogo lá dentro entre os participantes.
Por isso que vemos aqui fora é tão diferente do que eles enxergam lá dentro. A edição, selecionando esses conflitos de novela, vai transformando indivíduos complexos em personagens reconhecíveis. A edição é, nesse sentido, a verdadeira alma do programa, porque é ela quem decide quais fragmentos da realidade serão transformados em história, sobretudo quando o público é colocado no centro dessas discussões.
A esse fenômeno do público no meio tomando tantas decisões, é que pesquisadores de reality show chamam os realities de arena da gladiatura moderna, que esses participantes são gladiadores do nosso tempo, onde o único jogador possível, na verdade é o público. Embora seja mito a ideia de que havia o polegar para cima e para baixo para decidir a morte dos gladiadores, que isso é meio impreciso, é muito caro matar um gladiador toda hora. A metáfora da força do espetáculo sobrevive.
O paredão é uma gladiatura pós-moderna, um ritual em que o conflito se torna entretenimento e a decisão sobre quem vive ou quem morre é feita pela plateia. O erro mais comum nas análises sobre BBB é tratar o jogo como se ele fosse algo mais interno, decidida pelas alianças dentro da casa, por desempenho prova, etc. e tal.
Na prática, o programa acontece em dois tabuleiros, o interno, Convivência e votos, e o externo, a narrativa na nossa cabeça, o público. E ao longo das décadas, o peso desses dois tabuleiros foi mudando muito. Conforme as redes sociais passam a interferir cada vez mais, esse equilíbrio começa a se inverter.
Hoje o que acontece fora da casa pesa mais do que acontece dentro dela. Um personagem pode ser odiado dentro da casa o programa inteiro. Se o público aqui fora comprou, já era.
Essa participação produz pro público uma sensação de poder confortável. O espectador sente que ele não é só uma audiência e por isso acabam criando comunidades de pertencimento, torcidas que defendem seus favoritos como se fossem familiares, porque eles estão identificados numa comunidade de sentido. Nesse ponto, o espectador deixa de ser audiência e passa a ocupar o lugar de juiz.
E esse julgamento raramente se foca nos fatos do jogo. Ele tá focando nas personalidades e nos arquétipos. Usando o modelo de Margaret Mark e Carol Pearon, o pesquisador Jurandir Freire Costa, que tem um artigo bem interessante sobre realits, vai defender que nós, o público, tendemos a olhar os participantes cada vez menos como indivíduos complexos para se tornarem apenas arquétipos.
Segundo o modelo dos arquétipos, existem 12 recorrentes na história humana. O herói, o fora da lei, o mago, o inocente, o explorador, o sábio, o prestativo, o governante, o criador, o amante, o cara comum e o bobo da corte. Cada um deles responde a impulsos humanos fundamentais: o desejo de pertencimento, a busca por autonomia, a necessidade de segurança ou o impulso de enfrentar riscos e transformar o mundo.
Os participantes de um programa como Big Brother são percebidos como complexos apenas no início do programa. Conforme a narrativa vai se adentrando, eles passam a ser reconhecidos cada vez mais como personagens. O público então começa a votar não em pessoas, mas em arquétipos.
que por sua vez geram as comunidades de pertencimento, os fãs, os haters e os jogadores externos. O fãom, a cultura do fã é o que expande o Big Brother para ter esse sucesso todo. O fascínio do Big Brother reside no fato de que, por aquelas pessoas serem reais, vivendo riscos emocionais reais, o espectador se projeta naquele espaço, passa a se perguntar: "Nossa, como é que eu me sairia ali?
" Isso cria uma ilusão de poder. E essas comunidades podem inclusive ter reorganização, cisão, quando os participantes, por exemplo, passam a ser polêmicos ou passam a fazer alianças que eles discordam, etc. e tal.
É muito doido de ver alguém que dedica a sua vida a um participante de TV. É muito sintomo do nosso tempo, não é? Em um mundo caótico, difícil de controlar, sem nenhum poder de ação diante do mundo.
Votar e debater o destino de um participante de TV. Como resumiu essa @ que segue a gente no Twitter, na atual conjuntura, o BBB deveria sair da Globo e ir pro SUS. O programa funciona desse modo como uma catarse coletiva, porque a casa é um microcosmo que tá acelerando a nossa vida social.
O que fascina é justamente o espetáculo da mediocridade cotidiana transformado num drama épico. Tanta gente é fascinada pelo reality. Não porque o Big Brother é um retrato fiel da sociedade, é porque ele é um suco concentrado da sociedade.
E para te provar isso, eu vou explicar no próximo capítulo como olhar pra mudança do programa ao longo das décadas é olhar pras mudanças sociais que estavam acontecendo ao longo das décadas. Sente só que louco. Quando o Big Brother surgiu lá em 2002, o país ainda estava descobrindo que era um reality show.
A televisão aberta dominava completamente o consumo de mídia. As redes sociais praticamente não existiam, talvez um workut ali. E o público estava diante de um formato que não conheciam.
Logo, a lógica é comparar com aquilo que eles conheciam, a novela. Essa primeira fase do programa que vai ali do BBB1 ao BBB7 pode ser entendida como a fase do personagem. Era a novela.
O participante que ganhava não era necessariamente o mais estratégico ou mais admirado moralmente. Era aquele que chamava atenção, produzia cenas, transformava a casa num palco, às vezes vivia um romance. E a graça tava justamente observar comportamentos exagerados e às vezes até um pouco escrotos para ver os conflitos humanos se desenrolando sem roteiro.
Por isso os vencedores dessa fase tenham sido gente como o Bamban, o Cowboy, o Domini, o Diego alemão e que não estavam nem aí para ser escrotos. Isso era bem aceito socialmente. Ou ainda personagens como a Sida ou Jean Willes que fizeram justamente da simplicidade e da autoafirmação da identidade deles uma história que rendeu novela.
Vivíamos ainda o último respiro da ressaca dos anos 90, a primeira década pós censura, que queria ver o nu e o cru. O público odiava jogo, odiava personagem estrategista que estavam ali para lembrar que aquilo ali não era uma novela, era o tempo da televisão. Vencia a turma do sofá que ligava para votar por telefone.
Isso vai durar até 2008, quando começa a segunda fase, até 2014, quando reality entra nessa fase da emergência, do nascimento das redes sociais e da entrada do Twitter no ecossistema de comentários em tempo real. E essa nova camada de participação alterou o tipo de julgamento que começou a ser feito. Se antes o público buscava entretenimento, agora ele começa a buscar identificação emocional.
É a fase da empatia. Os vencedores desse período não são os mais barulhentos, os mais briguentos, os dominantes, não. Pelo contrário, personagens como Fael, Rafinha são participantes que conseguiram produzir identificação emocional com o público, transmitindo vulnerabilidade.
O povo começou a gostar de ver o jogo estratégico, comunicação emocional, maior capacidade de demonstrar fragilidade. E aí pensa a nossa sociedade nesses anos. Como tava o Brasil em alta nesse momento?
Como a ascensão das redes sociais era uma esperança, um outro tipo de olhar, na década de 2010, o país passa a atravessar uma crise econômica, o nascimento da tal polarização, uma intensificação do discurso meritocrático. E isso vai mudar a análise do Big Brother dali por diante. Sobretudo entre 2015 e 2020, é a época da narrativa da superação.
Agora estamos numa época que não há mais personagens, nem muita emoção, mas quem aguenta o tranco? O público começa a premiar aqueles que mais aguentam a rejeição interna e externa e conseguem construir uma narrativa de resistência dentro do programa. É um período de muito julgamento nas redes sociais e quem aguenta passar por estes paredões de julgamento moral é quem vence o jogo.
Mas a transformação mais profunda vai acontecer mesmo depois disso, entre o BBB 21 e o 24, numa nova fase marcada agora pela presença total das redes sociais e a entrada de famosos. No Twitter e no Instagram há um domínio de criadores de conteúdos dedicados ao programa e que começam a ficar mais forte. Tudo vira corte.
Os participantes já entram sabendo que estão sendo observados pelo tribunal da internet e que não precisa mais sobreviver só dentro da casa. Eles precisam sobreviver fora dela mais do que nunca. Nesse contexto, os vencedores muitas vezes passam a ser não mais estratégico, aliás, muito pelo contrário, é o mais defendido por gerar maior comunidade.
Figuras como Juliet, Arthur Aguer, Davi Brito são completamente diferentes entre si e venceram porque conseguiram mobilizar comunidades inteiras que passaram a lutar por eles fora da casa. é o domínio total das torcidas. E essa é, por exemplo, a força da jogadora Ana Paula nesse ano.
Nem eu tô acreditando que eu topei isso de novo. Sério, olha ela. Ela tá jogando dois jogos ao mesmo tempo.
Primeiro, um jogo dentro da casa. Ela sabe que entrou carregando uma memória coletiva pesada, uma Ana Paula explosiva, polêmica, difícil, que foi expulsa do Big Brother. Então o que ela faz?
Ela aceita essa caricatura, provoca. Podre essa mulher, desumana, cutuca. insuportável deixa os adversários se irritarem.
Ah, chata. E quando eles se irritam, ela começa a reagir exatamente como eles esperam. Ataques, antipatia, rejeição.
Só que enquanto isso acontece lá dentro, existe um segundo jogo, o jogo daqui de fora. Pro público, ela parece como alguém leal ao próprio grupo, coerente, direta e curiosamente mais controlada do que a caricatura que os adversários tentam colar nela. venenosa.
E então surge um contraste poderoso. Dentro da casa ela é vilã. Fora da casa ela é uma jogadora estratégica.
O resultado disso, muito apoio e muito ódio, muito rate que acaba a impulsionando. Quanto mais os adversários demonizam ela, mais os fãs se fecham em defesa e a comunidade vai ficando mais forte e mais os haters fecham com os adversários, deixando também ela em mais evidência. Funciona igualzinho na política.
Você já percebeu, né? É por isso que, por exemplo, Ana Paula repete tantas vezes uma frase aparentemente estranha para esse programa. Nossa, maior vantagem é que eles não conhecem a gente de verdade.
Porque eu acho que a nossa vantagem perante os nossos inimigos é porque eles não nos conhecem. Ela joga com o desconhecido porque tá jogando com o público. É um jogo kamikazi, não tem meio termo.
Ou explode tudo contra ela ou vira motor de popularidade. Isso porque ela tá capturando exatamente o movimento da rede social e como ela se coloca diante dos conflitos no nosso tempo. realities, por serem um produto cultural de uma época, acabam refletindo e ajudando a criar um compacto que consegue evidenciar como a lógica de mundo tá mudando a partir daquilo que é gostado ou desgostado dentro do Big Brother.
A sociedade sempre teve medo de mulheres que voam, sejam elas bruxas, sejam elas livres, doido, né? É uma espécie de espelho das sensibilidades da época que tá sendo exibido e isso pode acontecer com qualquer produto cultural. Por isso estética é um assunto tão poderoso.
Cada edição tá registrando quase como uma cápsula cultural aquilo que o público de um certo momento considera admirável, injusto. O BBB, então é o creme dela creme da indústria cultural. Qual programa hoje em dia num mundo tão fragmentado e inado, consegue pegar todos os tipos de público.
Assim, grandes marcas disputam o espaço ali dentro do programa porque sabem que ali existe algo cada vez mais raro no cenário contemporânea, a atenção do coletivo de modo concentrado. Não a nas últimas edições, as cotas principais de patrocínio do programa chegaram a ultrapassar 100 milhões por anunciante, enquanto as cotas secundárias gira em torno de dezenas de milhões de reais. Somando os patrocínios, ações comerciais, integrações de marca, o faturamento total do programa passou de 1.
4 bilhão por temporada. É o maior programa da Rede Globo de televisão e isso não é pouca coisa. E aí, como Relis precisa se sustentar nessa promessa falsa de espontaneidade, mas precisa acomodar uma estrutura publicitária gigantesca.
E aí, quem domina a publicidade, é claro, ela não aparece apenas nos intervalos. Tem publicidade na casa, tem publicidade na prova, tem publicidade nas festas, tem publicidade nos produtos, tem publicidade, publicidade, publicidade, publicidade. E o público tem cansado disso, mas não tem jeito.
Quanto maior o fenômeno cultural se torna na indústria cultural, maior se torna a pressão comercial ao redor dele. E quanto mais dinheiro circula dentro de um reality, mais difícil se torna a sensação de reality de ser gerada. Mas vamos ser sincero, como achar ruim que um programa de TV da Rede Globo seja um programa de TV que busca lucro?
A real, real, real mesmo é que o BBB, na verdade, tirando todas essas capas e místicas que a gente falou ao longo do vídeo, é apenas um programa de competição para você virar garoto propaganda e faturar com mais publicidade. Então, a publicidade é a única coisa que importa para esse jogo. E aí, se você tá esperando que esse jogo seja justo, coerente, profundo, bom, aí você que tá esperando uma coisa errada de um negócio que nunca prometeu isso, né?
Eu sinto muito. E aí vem a virada. Então, por que as pessoas participam, apesar disso tudo?
Porque isso é o resumo do nosso tempo. A socióloga Silvia Viana, que eu citei bastante no outro vídeo de Big Brother que a gente fez, tem um livro muito interessante que chama atenção justamente para esse ponto. Para ela, programas como Big Brother funcionam como aquilo que ela chama de ritual de sofrimento.
Pequenas alegorias da organização contemporânea do nosso tempo e da nossa vida social. Pense um pouco. Vivemos cercados por processos seletivos.
É vestibular, entrevista de emprego, avaliação de desempenho, ranking, popularidade, algoritmo, competição. Mesmo quando alguém já tá empregado, continua sendo avaliado, comparado, medido, promovido, descartado em ciclos que lembram constantemente pequenos processos seletivos internos semana a semana. E aí precisamos ser fortes, superar desafios, aceitar as dificuldades da vida.
No limite, estamos todos confinados. Vivemos em um tempo que caiu a barreira entre ator e espectador. Somos todos um pouco atores, um pouco personagens, um pouco personas.
Somos menos racionais do que pensamos. O BBB, na verdade, é o simulacro do mundo simulado aqui fora. Estamos todos em encenação constante diante de olhares e julgamentos.
Como disse Silvia Viana, todos estamos correndo atrás de algo e fugindo da eliminação eliminatória de um sistema cuja respiração sentimos na nuca dia após dia. Por isso, talvez seja tão fácil pro público se envolver emocionalmente com o programa. Não porque a casa seja parecida com a vida cotidiana em termos concretos, mas porque a lógica que organiza o jogo, competição, vigilância, avaliação, é cada dia mais familiar.
Porque alguém participa rituais de sofrimento. Qual outro lugar tem uma promessa de acender socialmente tão rápido, sem fazer nada, só sendo vocês se expondo? Por isso as pessoas entram, por isso as pessoas topam promessas de guru, porque acreditamos no jogo de ritual e de sofrimento.
Então, depois de passar sei lá quantos minutos metendo pau em Big Brother, você pode estar se perguntando: "Então, você ainda assiste essa merda? " Sim. Depois de tudo isso, eu digo que sim.
Eu assisto porque eu vejo ali esses temas todos e eu sou fascinado por ver a dinâmica do público se replicando anualmente como um teatro. Mas eu não consigo levar isso tão a sério. Eu não consigo torcer de verdade.
Eu tô ali pelo caos. Mas é mais do que isso. É interessante ver todas essas camadas mais profundas, mas ao mesmo tempo tá tudo bem ter um lugar que você não precisa pensar, tá tudo bem desligar o botão, tá tudo bem às vezes se alienar.
Tá tudo bem buscar entretenimento meio merda, às vezes o problema tá em buscar ali uma verdade absoluta ou só consumir isso. Sim, são produtos planejados, frutos de hiperrealidade, de lucro, mas também podem ser espaços para debate. Se alienar ou se anestesiar faz parte do consumo de massa.
Se a gente tratar o programa só com esse elitismo de degeneração cultural, entretenimento vazio, a gente perde a chance de entender o que ele revela sobre essas coisas da contemporaneidade, sobre a vigilância, sobre não sei quê. E desdenhar, fingindo ser culte, diz mais da arrogância de quem desdenha do que do programa em si. Entender a complexidade dos fenômenos de massa é no fim das contas recuperar a nossa própria realidade.
E que o programa é uma merda. Ninguém tem dúvidas disso. Eu te convenci de que vale a pena ver um reality merda.
Eu te convenci de fazer uma autocrítica pro nosso gosto? O vídeo ficou uma merda? Eu não sei, comenta aqui embaixo.
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Eu vou ficando por aqui, é nós. Eu te encontro semana que vem nas lives por aí. Vamos conversar.
Fica suave, fica tranquilo e falous.