[Música] Bem-vindo ao 51 Agora. O podcast feito pra gente conversar sobre essa fase cheia de transformações, desafios e descoberto. Eu sou Patrícia Garbone e hoje o nosso papo é com a doutora Tati.
>> Olá, >> querida. Adoro falar contigo. >> Sempre bom, né?
>> É sempre muito bom. E hoje nós vamos falar sobre a saúde mental na idade da cinquentona, né? Eu acho que eu aprendi tanto com você nesse meu processo aí de 50, já indo pro 60, né?
Ai, tad, pelo amor de Deus, gente, como passa rápido. Eu me lembro do nossa nossa primeira conversa sobre esse universo, né, da saúde mental. Você sabe, né, que eu adoro estudar e eu fiquei apaixonada pelo cérebro da mulher na menopausa.
E a gente conversa muito sobre isso, né? E ultimamente eu tenho percebido muito que esse assunto, né, a saúde mental, ele tá muito em voga e acho que as as próprias mulheres não se dão conta dessa mudança hormonal, desse impacto no nosso cérebro, né? Então, eu queria muito eh falar com você sobre esse assunto, né, sobre o que que é importante pra mulher quando ela chega nessa fase dequentar.
Quais são as, sabe o que que ela pode fazer para melhorar essa toda essa parte eh mental mesmo? Que a gente é tão sobrecarregada, né? A nossa mochila quando a gente chega, eu acho que a nossa mochila quando a gente chega nessa meiaade, ela é tão pesada, porque a gente tem que dar conta dos nossos filhos, dos nossos pais, da gente própria, né?
ou uma carreira que tá ali que a gente não sabe, a gente tá fazendo balanço, às vezes de um casamento longo, às vezes de um divórcio, né, dos pais e envelhecendo, dos filhos saindo de casa, é tanta coisa que acontece na nessa idade, né, nessa meia idade. E eu queria aproveitar você, neurologista maravilhosa, que eu tanto admiro, que eu tô, que eu sou tanto fã, que você conversasse um pouco aí sobre essa, >> essa nossa fase, né? >> É, eu acho que é importante a gente voltar um pouquinho antes, Patrícia, porque a gente fala, eu sei que aqui nós estamos no cinquente, mas na verdade isso começa no quarentena, né?
Isso começa um pouquinho antes. E o que eu falo sempre para pras minhas pacientes é que essa fase de vida da mulher tem sempre tem duas coisas, são dois turbilhões, porque tem sim esse turbilhão externo que tá acontecendo na vida de toda mulher acima dos 45, porque ela tem filho adolescente ou as que priorizaram a a carreira estão resolvendo engravidar ou estão revendo o relacionamento, então os pais já estão mais dependentes. Então tem um milhão de coisas acontecendo externamente.
E às vezes a gente atribui aquilo que ela tá sentindo, aquela angústia, aquela tristeza, aquele déficil de memória. A gente atribui só isso. Ah, você tá esquecida porque você tá ansiosa, porque você tá preocupada com muita coisa.
Isso sim, de fato, é verdade. Mas tem também um turbilhão interno acontecendo na vida da mulher que ninguém fala, né? E para isso a gente é importante a gente entender uma coisa.
E por que que eu falo muito isso? Porque é uma coisa que é muito nova, não foi falado, eu não aprendi isso na faculdade, nem na minha residência de neurologia não se falava da diferença do cérebro masculino e feminino em termos de desenvolvimento. Então acho que antes da gente falar no de 50, é importante a gente entender as fases do cérebro da mulher, né?
Porque o que eu o que eu gosto de explicar é a gente tem três fases, né, do do desenvolvimento do cérebro. Então, na falo que quando a menina, quando a gente menstruou a primeira vez, né, a na puberdade, quando a gente não começa a ficar chata ou você fica chatinha, eu lembro, eu era suportável, >> aborrecente, então a gente fala, a menina começa a mudar de humor, às vezes ela nem se aguenta, a menina fica mais chata, irritada, é normal do adolescente, a gente sabe que isso é normal, mas o que que tá acontecendo? são é ação dos hormônios no cérebro e isso acontece ao longo aí de pelo menos 10 anos.
Então vamos contar aí que mais ou menos com 11 10 11 anos a menina já começa a ter algumas alterações. Então começa a aparecer o brotinho mamário, ela começa a ter algumas mudanças no corpo. É muito sutil, mas começa até que ela menstrua.
E ela não virou uma mulher porque ela menstruou. Ninguém vira mulher assim: "Menstruei hoje", vira a mulher no dia seguinte. Não, essa fase, essas transformações, elas seguem ao longo aí de mais ou menos 8 a 10 anos, até por volta de 18, 20 anos.
Dos 20 aos 40, a gente fica mais estável. Eu digo mais estável, entre aspas, porque toda mulher sabe a ação direta que o hormônio tem no cérebro. É só pensar em cada ciclo menstrual.
>> Uhum. >> Né? O que que a gente tem?
Chaque menstrual. A gente tem mulheres que têm dor de cabeça no período do ciclo, a gente tem TPM. Isso mostra a ligação eh neuroendócrina, a ligação do cérebro com os ovários.
A gente sente isso todos os meses. Ou sentia, né? Porque a gente já não sente mais, né?
>> É verdade. >> A gente já não sente mais. Mas assim, aquela questão de TPM, alteração de humor, as dores de cabeça mostram de forma muito clara a ligação neuroendócrina, a ligação do cérebro no com os o útero e os ovários.
Depois eu costumo dizer, né, na verdade não sou eu, tô falando isso baseado no trabalho da do Dr. Lisa Moscone, do cérebro da menopausa, que ela fala dos três ps da mulher, né? Então, a puberdade, depois a gravidez, que é o pregnancy do inglês.
>> Então, o que que acontece? A gente não fala, eu falei, todo mundo, mesmo quem não tem filho, já ouviu falar, ai na minha cabeça virou uma chave. A gente não fala isso.
Fala, >> virou uma chave quando eu virei mãe. Virou uma chave. Como é?
E aí o dia que eu ouvi isso a primeira vez, eu falei, eu me emocionei. E eu me emociono porque eu penso, como a natureza é incrível, como é sábia, porque a gente chama isso de intuição, >> mas na verdade o nosso cérebro prioriza a empatia quando você tem um bebê, porque você tem que saber o que aquela criança precisa sem ela falar por pelo menos 2 anos, >> né? Até essa criança aprendeu que ela, como é que a mãe sabe?
Como é que a gente sabe se esse choro é de frio, de fome, de sono? A gente simplesmente sabe. A gente chamava isso de intuição, né?
Mas hoje com advêncio de com o advento de ressonância nuclear magnética, de ressonância funcional, a gente consegue saber que tem uma mudança na configuração cerebral da mãe. >> E isso, OK, quando a gente cuida dos filhos, vai aí mais ou menos até os 40 anos. Então, dos 20 aos 40, vamos dizer aí uma segunda fase, a partir dos 40 começa a declinar, começa a ter uma perda hormonal.
Então, da mesma forma que a mulher não virou mulher da noite pro dia, >> a menopausa também não vai ser desligar um botão. E eu acho que é nessa fase que a gente tá, porque até então, eu inclusive a gente estudava que assim, ah, menopausa, ok, a última menstruação, 12 meses sem menstruar, igual menopausa, ponto. Não se falava em climatério, não se falava em perimenopausa, não se falava que essas alterações, que a menopausa em si, que é a última menstruação, pode ter alterações que antecedem até 8 a 10 anos.
E o pior, ninguém nunca falou que isso podia afetar o cérebro. Então, para mim foi muito chocante porque eu sempre atendi as mulheres, eu sempre atendi mais mulheres o dia a dia do consultório, eu atendia muito em xaque, então sempre teve mais mulheres no consultório. E era uma coisa muito interessante.
A partir dos 40 eu ouvia, então a minha vida inteira eu ouvia essas queixas, mas eu nunca liguei. Não é, não é que eu não liguei pra queixa, eu nunca liguei. Isso tinha a ver, porque ela está intuitivamente a gente sabe.
Então assim, ah, mas olha só, veja bem, tem muita coisa acontecendo e as mulheres vem, ai, minha dor de cabeça piorou, eu tô mais irritada, é, a minha memória não é mais a mesma. Ah, mas é porque você tá muito ocupada, é porque você trabalha muito, isso tudo de fato é verdade, mas tem sim uma ação biológica. Então, a falta é como se você, a natureza, falasse assim: "Olha, você não precisa mais se preocupar com tanta coisa".
Então, é como se o cérebro desligasse, né? Vamos usar um termo mais simples, mas é como se o cérebro desligasse. Olha, a natureza fala: "Olha, você não precisa mais, teu filho já anda, já fala, já tá por conta".
Você pode relaxar. E nesse relaxar a gente quer continuar vivendo como a gente sempre viveu. E o cérebro não dá conta.
E não dá conta mesmo. E aí que começa aquilo que a gente começa, então tem alteração de humor, é uma TPM constante para muitas mulheres, uma sensação constante do TPM. às vezes uma tristeza inexplicável, uma ansiedade, um déficit de memória que que às vezes não se justifica e tudo isso tá muito relacionado a essa fase.
Então, às vezes o 50 é o auge, isso pode começar antes. E o que é pior, Pat, que eu acho que que ainda a gente tem um longo caminho pela frente, é que a mulher às vezes com 45, 46, ela escuta dos médicos: "Ah, você tá longe da menopausa, você tá longe, mas você tá no caminho, não >> é verdade, >> né? " Então, acho que esse é um ponto que a gente tem que tem que lembrar e e levar em consideração.
>> É, e a você tava falando, eu tava vivendo aí uns 8 anos atrás, né, quando eu parei de menstruar, mas na real na realidade não são só 8 anos atrás, porque hoje eu sei que tudo meu mudou e eu dava nome a outras coisas. >> Exatamente. >> Mas foi lá perto dos 44, 45.
E a gente, então eu demorei um tempo sentindo aquilo tudo, sem me reconhecer, sem entender o que que tava acontecendo comigo, né? Até que eu parei de menstruar de uma hora para outra. E o o meu estrogênio, ele não foi aos pouquinhos, né?
Ele despencou. E isso deu uma embaralhada no meu cérebro total, porque eram coisas assim surreais que acontecia comigo. Eu não conseguia assim, era, não era aquela coisa, ah, esqueci, não era assim simplesmente um esquecimento.
A sensação que eu t que eu tinha é que eu tava enlouquecendo. Era uma coisa louca e assim, uma tristeza. Eu me lembro, talvez, pelo fato de eu não ter o controle sobre a minha pessoa.
E eu sempre vi uma pessoa que sempre controlei muito, me controlei. Então, o fato de eu ver minha vida era a sensação que eu tinha que a minha vida tava escorrendo pelos meus dedos e eu não conseguia segurar. Então, é enlouquecedor porque você busca médico, você e os médicos não hoje, eu acho que hoje talvez é melhor, né?
Porque hoje todo mundo, né, já menopausa, climatéria já virou, né, >> tá menos pior. Acho que tá tá menos de quando você começou a falar que você foi muito pioneira para falar nesse assunto, hoje tem mais gente falando e como talvez a gente esteja inserida nesse meio, a gente acha que tá todo mundo falando, mas se a gente colocar ainda em termos populacionais, ainda tem, ó, um longo caminho pela frente, >> temos ainda um longo caminho pela frente sobre esse assunto. E é, eu, por exemplo, uma coisa que eu descobri, né, depois da minha menopausa Forbes, é que a gente produz hormônio no cérebro.
Eu não sabia disso. Para mim, a mulher ela produzia, né, a gente produzia o hormônio na tireoide e no ovário. Eu não tinha essa noção desse eixo, né, cérebro.
Eu acho que eu e eu acho que médico também não tinha, né? Não, a gente sempre soube, né, que tem o eixo neuroendócrino. A gente sempre soube.
O que a gente sabia menos, talvez era dos receptores hormonais no cérebro. Então assim, o que eu aprendi na faculdade, eu sou formada há quase 30 anos, era então assim, o estradiol, o estrogênio, progesterona, são hormônios femininos, então eles agem no útero e no ovário. Era assim mais simplista, né, a explicação.
A gente não sabia, não tinha ainda comprovado que existiam hormônios de receptores, hormônios eh eh receptores receptores hormonais do estradiol no cérebro. Então, e o que que é o receptor? É aquele modelo chave fechadura.
Então para tudo funcionar, né? Serotonina, adrenalina, todos os hormônios, tudo, tudo que funciona na gente, ele tem que ligar em alguma coisa, >> né? Então o receptor é aquele mecanismo chave fechadura.
>> Então a gente tem as fechaduras pro estradiol no nosso cérebro. Quando o estradiol para de ser produzido ou diminui a produção, o corpo entende que ah, então fica sobrando a fechadura, acho que não precisa. E ele desequilibra esse eixo.
>> E sabe o que é mais interessante, Pati? Eu acho que e e foi isso que que me pegou e eu falo, eu tenho as eu tenho amigas, né? Amigas de turma, amigas da da minha médicas da minha geração, a gente se sente meio traída pela medicina, sabe?
>> A gente se sente porque eu falo: "Meu Deus, ninguém contou isso pra gente". Então, quando eu própria passei por tudo isso aos 42 anos, no meu caso, começou até mais cedo, eu não, eu não sabia, eu não sabia que isso já era perimenopausa. Então, eu fiz um tratamento para engravidar depois dos 40 anos, fiz uma FIV para ter meu filho e o médico falava para mim assim: "Você está em insuficiência ovariana, né?
" Então eu me sentia insuficiente falar: "Poxa, Vitá vendo, mas ninguém falou para mim: "Olha, nessa fase é normal, isso pode acontecer, é a perimenopausa. " Nunca foi dita essa palavra para mim. >> Nossa, isso também é um alento.
>> Eu sou mérdica, sabe? Acalma. Olha, eu vou eu vou te dizer, isso é uma coisa que acalma até o coração de nós mortais, né?
Porque se você médica passou por isso com essa, exato. >> Com essa sensação, imagina a gente, né, que entra e sai de consultório sem conseguir uma resposta. Exato.
E na verdade eu acho que o principal é a resposta, eu acho que o principal é a é a questão seguinte, não é só porque não tem tratamento, porque não é doença. >> Sim. >> Tá?
Se a gente se menopausa, se climatério, se tudo isso é uma questão fisiológica, não é uma doença. Só que você precisa de um cuidado especial. Você precisa entender, né?
Quando o adolescente tem ali uma reação inesperada ou ele faz uma besteira que eles fazem, né? A gente já fez também quando ele tem uma reação abrupta, alguma coisa, você sabe que é o cérebro dele que tá ali e que às vezes age dessa forma intempestuosa, né? intempestiva sem pensa muito.
Ah, não, mas é porque ele é adolescente, é assim mesmo. Então, ah, a gente sabe que é o cérebro dele que tem esse funcionamento. Quando a gente tá grávida, a gente não tá doente, mas a gente sabe que o nosso corpo funciona de uma forma diferente.
Então acho que o clima que a gente tem que olhar para isso é não é olhar como uma doença, mas olhar sim, ok, as coisas estão mudando, o meu corpo está funcionando de uma forma diferente, o meu cérebro está funcionando de uma forma diferente, mas hoje o que eu mais escuto nos meus atendimentos é são as mulheres que chegam assim: "Eu não me reconheço mais". >> Eu não me reconheço mais. é doído.
E a gente já sabe, tem um estudo de Harvard, se eu não me engano, que mostra que a para piorar a situação, né, tem algumas questões. Então, por exemplo, a gente sabe que o envelhecimento ele não é gradual, ele tem degraus mais importantes de envelhecimento. Então, o primeiro é os 45, né?
Então, assim, 40 e poucos anos é quando a gente p aquela aquela tentação já leva uma já leva uma rasteira, né? já leva aquela rasteira de novo. Aquilo que a gente falou também tem aquela curva em U que de felicidade que mostra que essa fase de 45 a 50 anos é a fase mais infeliz do ser humano.
Infeliz por quê? Quando você é criança, que você não tem boleto, quanto mais boleto para pagar você vai tendo, mais é inversamente proporcional, vamos dizer assim, né? Quanto mais responsabilidade você vai tendo, você vai ficando menos feliz, entre aspas, né?
Mas vamos dizer, é inversamente proporcional. Os 450 é aqui, ó, a parte de baixo da curva >> é a parte de baixo do U. É a parte que a gente tá com muita coisa, como a gente falou no começo, né?
Você já tá, os seus filhos, muitos filhos, né? Muitas mulheres têm filhos adolescentes que já não dependem para alimentar, né? Não depende para trocar fralda, mas ainda depende financeiramente, né?
Ainda tá ali com faculdade, ainda tem algumas questões, os pais já começam a ficar dependentes. Então tem muita coisa. O que eu falo para minhas pacientes com 45, quando ela chega, eu falo: "É o seguinte, pior não vai ficar, você já tá na fase pior e elas, ah, isso já é um alívio.
" >> Ah, é verdade. >> Então, pior não vai ficar, daqui pra frente vai subir. É.
É. Então, eu acho que o mais importante, que eu gosto de passar com essa questão do cérebro dessa fase, é: olha só, você tomou um bac, você tomou um susto. De fato, é um golpe, mas vai melhorar.
Aceita que dói menos e vamos ver o que que dá para fazer para melhorar. Olha, eu vou te falar, os meus 45 foram bac porque eu não tava entendendo muito bem o que tava acontecendo comigo. Não tinha resposta, mas eu tenho que te dizer que os meus piores anos, eu, olha, dos 49 até os 52, foram os meus piores.
>> Porque aí você bate cabeça, você não sabe o que que é, você tem eh eu lembro dos nossos almoços conversando e você falando e aquela coisa. Então é complicado assim, eh, você não sabe o que tá acontecendo, né? E aí até que você pegue alguém que te olhe e fala: "Olha, e mesmo que você tenha que tratar com cada um de um especialista diferente, né?
Porque às vezes vai ser o caso, você vai precisar um um dermatologista ou ginecologista, você vai precisar, mas no fundo é importante que todos os especialistas entendam que o climatério, que a menopausa, tem esse pano de fundo. mesmo pro psiquiatra, vamos voltar aqui pra questão da saúde mental, pode ser que ela precise sim de uma medicação antidepressiva, de uma medicação ansiolítica, mas entendendo que o climatério faz isso com a mulher, porque senão a gente também cai no outro lado. Tem gente hojeando, achando que reposição hormonal trata depressão, trata ansiedade.
Não é assim. a gente tem que ter o equilíbrio. Por isso é importante passar pro por um profissional que esteja capacitado a entender e reconhecer essa fase.
>> É verdade. E aquilo que você falou, né? A gente tem que começar, eu sempre falo paraas paraas mulheres, eu até gosto quando eu vejo mulheres mais novas assim, entrando nos 40, nos 40, me perguntando: "Ai, qual é a dica que você me dá?
" Eu até gosto disso porque eu acho que é nesse momento a mulher entrando nos 40 que ela tem que olhar para ela. >> É isso. >> E se ela não olhou para ela na década dos 40 até os 50, 50 é o último minuto do segundo tempo.
>> É isso. É isso, >> né? Ela tem que pegar mesmo a vida dela, ela ser a prioridade, porque senão é muito sofrimento, é muito desgaste, né?
emocional, físico, mental, porque não é fácil, né, a gente lidar com essa com essa loucura hormonal junto com a loucura que é a vida, né? Então, eu sempre falo isso e quando você foi uma das pessoas, né, foi uma das primeiras pessoas que conversou comigo sobre medicina de estilo de vida, a gente trocava muito, né? Hoje a gente já sabe, né, desse dessa medicina do estilo de vida de Harvard, né, do dos seis pilares que eles são muito importantes e que eu vejo que e esse eu acho que essas mulheres aí na fase dos 40 elas estão tendo muitas informações, sim, mas a sensação que eu tenho que elas têm as informações, mas elas não pegam aquelas informações e não viram e fala assim: "Ah, não, isso aqui não é para mim, eu ainda tenho tempo.
" É isso, >> né? Com alimentação, com exercício, essas coisas todas. E às vezes eu fico assim com pena porque eu vejo, pô, se ela soubesse o tanto que ela vai ganhar de qualidade de vida, né?
Se eu, eu até fico até às vezes eu fico até me controlando para não ser chata. Não, sério, porque eu fico assim, gente, pelo amor de Deus, eu não sou mãe da pessoa, vou me meter aqui que ela tá falando, ela não tá me perguntando a opinião, mas eh a mulher ainda não percebeu que essa fase dos 40 é a fase que ela vai est semeando o que ela vai passar lá pra frente, né? >> É isso.
Eu falo, sempre é tempo de começar, né? Sempre é tempo. Então eu costumo dizer, eu uso o mesmo termo do futebol.
45 é fim de primeiro tempo, vamos começar o segundo. 46 começou o segundo tempo. Sempre é tempo de começar, sempre.
Mas quanto antes a gente tiver consciência disso, é muito melhor. É igual a gravidez. Se você se, ah, às vezes tem gravidez inesperada, tem e pode correr bem, pode.
Mas se você puder se preparar para uma gravidez, não é muito melhor, né? Muitas vezes as mulheres vão pra consulta, olha, eu quanto tempo eu preciso parar para de tomar um anticoncepcional para engravidar, eu preciso tomar vitamina, que que eu preciso estar fazendo? a gente se prepara.
É, então eu acho que quanto mais informação a gente tiver e se preparar é melhor, porque hoje também eu acho que não só com a menopausa, mas com tudo, a gente tem a era da informação. O duro é fazer a curadoria dessa informação, né? Porque a gente tá sobrecarregado de informação.
Eu falo que é igual montar Lego sem, sabe aqueles castelos de Lego sem o manual de instrução, não sai nada. você tá ali com aquele monte de informação e não sabe o que fazer com aquilo. Hoje o o que eu mais vejo em consulta são pessoas que tem já informação, ninguém mais, quer dizer, ninguém mais nem tanto que passa comigo, mas por exemplo, as as pessoas que vem me procurar em consulta já não é pessoa que tá comendo batata frita, assistindo Netflix, já são pessoas que minimamente se cuidam, mas às vezes tem tanta informação e não sabe como colocar aquilo em prática, né?
O que que eu posso fazer? Como é que eu coloco isso? O que que de fato é importante?
Então eu acho que o importante é olhar para si, porque a gente como mulher, né, e a sociedade que a gente vive, a gente coloca tanta coisa na frente, né? A maioria das mulheres tá lá em última da fila, né? É o são os filhos, o marido, o trabalho.
Então assim, ah, no tempo que sobra eu vou fazer alguma coisa para mim. >> Que é nunca, >> que é nunca porque não sobra. Então a a gente não se coloca na agenda.
>> A gente não se coloca. É verdade. E esse essa esses seis pilares, né, da medicina do estilo de vida, ela devia ser colocada nas escolas, né?
Porque a gente já devia crescer entendendo sobre esses pilares, porque na realidade é tudo, né? >> É porque a gente ainda tem, por exemplo, questão de alimentação, né? Então a gente vive a era do terrorismo nutricional.
Isso pode, isso não pode, isso é bom, isso é mau. Vamos aprender a comer, ensinar as crianças a comer sem terrorismo, sabe? Mas com cuidado, entendendo que aquilo que você come tá nutrindo o seu corpo, né?
Aquilo que você come é o combustível do seu corpo. A gente tem uma Ferrari, a gente não vai lá colocar a gasolina adulterada no nosso, né? Alguém larga, você tem um carro, uma Ferrari zerinho, você vai lá colocar qualquer gasolina.
>> Gente, isso faz toda a diferença que você tá falando, Tati. Ontem eu fiquei com vontade de comer pipoca e eu cheguei em casa, é, do fim de semana e tava louca com vontade de comer pipoca. Só que a minha pipoca tinha acabado e eu tinha uma pipoca de microondas.
Eu falei: "Eu não vou comer essa pipoca". Eu peguei a pipoca de microondas e joguei no lixo, porque a gente quando conhece tem essa noção do que você tá falando, >> que tudo que a gente coloca na nossa boca vira um combustível para a nossa saúde, você começa a fazer isso. >> Exatamente, >> né?
Eu sei que a pipoca é ótima, mas a pipoca que eu vou lá, compro o milho, faço na minha panela, boto meu azeitinho, a pipoca de microondas é um veneno, né? E quando eu achei a pipoca, eu não comi a pipoca por escolha, porque eu sei exatamente o que que a pipoca fazer comigo. >> Exatamente, >> né?
Então isso é tão importante, né? Se a gente começar ter o conhecimento e, né, e pensar nessa coisa de eh como as nossas avós faziam, vamos descascar mais e e, né, e desembrulhar menos, né? Se a gente for olhar assim, não precisa ir muito para trás, né?
Se a gente for só dar uma uma organizada, >> uma organizada, eu acho que no pilar alimentação pra mulher, na na verdade para todo mundo, mas principalmente pra mulher da menopausa, a gente >> organização é a palavra, >> né? Porque organização, se você tiver ali minimamente as coisas que porque na hora da fome você vai comer o que tá. Você provavelmente não tava com tanta fome.
Se você tivesse desesperada, não tivesse o conhecimento. Sei. Não, eu acho que não.
Não, porque eu tava mesmo desesperada. >> Eu tava cheia de fome. Mas eu peguei o aí eu olhei e falei assim: "O que que eu vou comer?
" "Eu vou comer o pistacho. " >> Como é que você pois é. >> Aí eu falei: "Não, vai ficar lá, vou até o pistache porque vou, né?
Vou comer menos". >> É isso. É, é ter o conhecimento, ter organização, ter alguma coisa.
Então, assim, eu falo muito para pras minhas pacientes, falo muito no Instagram, né? na nas redes sociais. A alimentação é uma questão de organização.
>> É organização também. Acho. >> Você tem que se organizar, você tem que saber o que tem às vezes no domingo deixar fruta.
Não adianta para última hora sair lá fazer, não vai. Aí vai fazer o que tem. Eh, então assim, sem grandes terrorismos, é o se você tiver em mente o descascar mais e desembalar menos, isso já já é meio caminho andado.
Já é meio caminho andado. >> É, outra coisa que eu queria eh entrar mais profundo com você é sobre o sono, sobre o que que a gente não dormir, porque a mulher ela tá muito sobrecarregada e ela também vai se colocando no último lugar, ela vai deixando, ela até mexe na quantidade de sono que ela tem de horas. Ela fala: "Não, eu vou fazer mais isso aqui, vou dormir uma hora menos".
E a gente sabe hoje em dia, né, do mal que isso é pro nosso cérebro com doenças, com, enfim, com até nessa fase, né, que a gente que eu me encontro, né, que é a fase dessa de 50, da gente eh saber que o impacto da falta do do de dormir bem, o que acontece com a minha vida, mesmo eu já com 57 anos, já fazendo reposição hormonal, né? é um, é assim, é uma matériapra tão importante para a minha qualidade de até de produtividade, né? Se eu não durmo bem, nada tá bem, né?
E a gente às vezes deixa esse requisito. Escuto muita gente falando assim para mim, vou deixar para eh dormir quando eu morrer. >> Eu acho que eu escuto isso direto.
Você também escuta isso? >> Escuto. Escuto.
Ah, dormia perda de tempo, dormia pros fracos. Ou então tem a turma das 5 da manhã, mas vai dormir meia-noite, que acordar 5 da manhã podia ser mais produtivo e não conta as horas de sono. Então as horas de sono elas são muito importantes.
7 a 8 horas é uma média, tá? Tem pessoas que até dormem um pouco menos, mas vamos colocar na curva de gás, tá? É um pouquinho de gente, bem pouquinho.
O que o que que eu mais escuto? Ah, eu durmo 6 horas, eu tô ótima. Então, será mesmo?
Porque o que acontece é que a gente, o corpo ele é muito inteligente. Então o que acontece é que a gente se habitua a funcionar com modo a quem? Com aquilo que tem.
Exatamente. Mas >> se qualquer pessoa que já ficou uma noite sem dormir sabe o efeito do dia seguinte, né? Um dia que a gente fica sem dormir bem, a gente todo dia tá estragado e aí come mais porque a gente quer energia de algum lugar.
Então o dia, uma noite sem dormir já é suficiente. Agora você imagina uma pessoa que cronicamente rouba uma horinha de sono. Eu falo que é que nem uma infiltração de parede, sabe?
Às vezes assim, se tiver uma chuva grande, a parede cai naquele dia, mas se você tem uma infiltração, aquela goteirinha, aquilo vai te corroendo. Então, uma hora de sono que você deixe de dormir, porque você ficou no telefone mais um pouco, resolveu assistir mais uma série, foi fazer mais um trabalho, ah, não dá tempo, isso a longo prazo tem um efeito. Por quê?
O o sono ele não é só um desligar, né? A gente acha que dormir é desligar e não tá acontecendo nada. O sono é um processo ativo.
O sono limpa o cérebro. É tudo aquilo que acontece com a gente durante o dia, o cérebro vai processar tudo isso que aconteceu, guardar aquilo que é mais importante, descartar aquilo que não que não tem, que não é necessário. E todo esse processo acontece durante o sono.
Eu tinha um professor de neurociência que ele fala que durante o sono é como se tudo que acontecesse no teu dia tivesse no pen drive e durante o sono ele vai passar pro hardware. Se você não dorme, você nem esvazia o pen drive pro dia seguinte e nem tem essa informação consolidada ali no seu hardware. Então você vai ficando cronicamente com problema de memória, né, com problema de humor e a mulher na menopausa não tá podendo se dar o luxo de ter tudo isso, né?
É verdade, né? Ainda tem as doenças, né? E ainda tem, hoje em dia, a gente já sabe que tem uma predisposição maior pro Alzheimer, maior pra depressão.
Então não deixa assim, acho que as questões da da higiene do sono, o cuidado do sono fundamentais. E se fosse, se ele não fosse tão importante, talvez ao longo de 250. 000 anos de evolução humana, a gente teria deixado de dormir, né?
Dormir, né? >> Não deixamos até hoje deve ter algum porquê, né? Por isso que é exatamente, eu falo que um arroz feijão bem feitinho ajuda muito.
Então, o que que a gente pode fazer na mulher? Olha, faz o básico bem feito. Se você dormir bem, se você cuidar bem da sua alimentação, procurando alimentos mais naturais, ah, eu posso isso?
Não pensa, pensa o que que a tua avó comeria, que que a tua avó reconhece como alimento, sabe? Então, se a gente fizer um básico bem feito, e outra coisa, né, Patrícia, que a gente não pode deixar de falar é sobre a movimentação. A gente tem que se movimentar.
O exercício, então, alimentação, sono e exercício são três pilares que a mulher dos 50 anos, ela tem que olhar com atenção. Ah, mas eu não tenho tempo. Tem que arrumar tempo, >> tem que arrumar, >> tem que arrumar, tem que se priorizar.
Isso é fundamental. E as coisas estão totalmente interligadas. Porque, por exemplo, a pessoa que não dorme bem, ela não vai ter disposição no dia seguinte.
Se ela não tiver disposição, ela vai buscar energia de alguma coisa. Ela vai fazer o quê? ela vai comer pior, ela vai comer pior, ela vai ganhar peso, né?
E aí ela não vai ter disposição para treinar e tudo vai saindo do eixo. Agora, se a pessoa começa se alimentar melhor, prestar atenção nas horas de sono, fazer um esforço para começar a se movimentar, ir para pra academia, fazer o exercício físico, vai melhorar o sono, vai melhorar as escolhas que ela tem. Então eu falo, o nosso corpo, Deus é maravilhoso, o nosso corpo é uma engrenagem perfeita.
Quando a gente encaixa um ponto, as outras vão se encaixando também. Então isso é é muito importante. Eu acho que a gente tem que olhar pro nosso corpo como uma engrenagem e pensar aqui, olha onde onde eu começo.
Então na medicina do estilo de vida a gente tem muito isso. Por onde eu começo, né? Às vezes fala: "Ai, minha vida tem uma bagunça, não durmo direito, não como direito, não me exercito, tô fazendo nada".
Escolhe um, deixa eu começar por aqui, deixa eu olhar isso aqui. Que que eu posso fazer para melhorar a minha vida hoje? E começa devagarinho, as coisas vão entrando no eixo de novo.
>> Então aqui a gente tem um quadro que é uma dica. da cinquentona. Então, aproveitando esse teu gancho aí dessas tuas eh dessas desses teus três pilares, né, que você foi falando da medicina do estilo de vida, qual a dica pra cinquentona ter uma saúde mental assim em dia?
>> Pra saúde mental em dia, vou falar uma coisa polêmica. As pessoas estão achando que o que faz a saúde mental fazer palavras cruzadas, né, que dá a memória, se não é assim, a gente ouv, >> a minha mãe até hoje é palavra cruzada. Ah, eu tô fazendo palavras cruzadas, não que não seja bom, mas o mais importante que as palavras cruzadas é fazer exercício físico.
Então, atividade física. Então, eu falo que assim, eu graças a Deus, não tenho grandes arrependimentos na minha vida, mas se eu pudesse ter dado uma dica pra Tati de 20 anos atrás, eu teria dito: "Faça musculação". Então, pra saúde mental, assim, não importa a idade que você tenha, faça musculação, comece, comece a se movimentar, coloca na agenda, né?
O exercício físico tem que tá na agenda. O exercício físico não é no tempo que sobra, porque o tempo não sobra para ninguém. >> É, >> é prescrição médico, não é prescrição médica.
Exercício físico tem que est na agenda. Então, se eu puder dar uma dica, é se coloque na agenda. Se coloque na agenda.
Faça exercício, olha para você porque ninguém vai olhar. >> Ai, muito bom. >> Muito obrigada.
É sempre tão gostoso falar com você. A gente devia fazer uma série, né? >> Saúde mental aos 50 anos.
>> Quem quer? Ô, acho bom. Acho bom.
Vamos, vamos. É tanta coisa para falar, né? A gente fala, fala, fala, fala.
Eu sempre fico com a sensação >> de que a gente podia falar mais, >> já fazemos uns quatro episódios, >> bora lá, se você não se importar, eu adoro. >> Bora lá. >> Saúde mental, saúde física, tempo, tudo conectado.
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A gente se encontra no próximo episódio. >> É isso. Vamos fazer mais.
Vamos fazer mais. Vamos. Deixa eles aí.
Vamos gravar mais. Vamos gravar mais três.