Que a graça e a paz de Jesus Cristo seja com sua vida, com sua casa e com os seus. Que tempo especial de celebração, de adoração ao nosso Deus. O louvor.
Não apenas estamos reunidos aqui em nome ou em torno do nome de Cristo, mas estamos aqui certamente reunidos na própria presença do Cristo. E eu quero convidar você a abrir a sua Bíblia na primeira carta do apóstolo João, primeira epístola de João, capítulo de número três essa noite, dando continuidade à nossa série de mensagens que temos intitulado Clareza no caos. Pedimos perdão pelo pequeno atraso no início do nosso culto.
Nós somos britânicos, rigorosos no que diz respeito aos horários, mas como essa noite é uma noite muito especial, o primeiro culto se estendeu e a gente teve que correr muito para poder, enfim, dar início e talvez você tenha notado, ou talvez não, talvez você só tenha chegado atrasado e nem sabia e nem saberia disso caso eu não lhe não lhe dissesse assim sendo, tá tudo certo. Primeira João, capítulo 3. Eu convido você à leitura do texto sagrado comigo, dos versículos 11 a 18.
Primeira João 3, versículos 11 a 18, nós leremos o texto. Então eu quero convidá-los a orar uma vez mais. A palavra de Deus diz assim: "Esta é a mensagem que vocês ouviram desde o princípio, que nos amemos uns aos outros.
Não sejamos como Caim, que pertencia ao maligno e matou o seu irmão. " E por que o matou? Porque suas obras eram más e as de seu irmão eram justas.
Meus irmãos, não se admirem se o mundo os odeia. Sabemos que já passamos da morte para a vida, porque amamos nossos irmãos. Quem não ama permanece na morte.
Quem odeia seu irmão é assassino. E vocês sabem que nenhum assassino tem a vida eterna em si mesmo. Nisto conhecemos o que é o amor.
Jesus Cristo deu a sua vida por nós e devemos dar a nossa vida por nossos irmãos. Se alguém tiver recursos materiais e vendo seu irmão em necessidade não se compadecer dele, como pode permanecer nele o amor de Deus? Filhinhos, não amemos de palavra, nem de boca, mas em ação e em verdade.
Vamos orar mais uma vez. Senhor Deus, nós nos colocamos diante de ti, não apenas fisicamente, mas debruçamos diante de ti, rendemos diante de ti o todo da nossa vida. o nosso coração como centro controlador de tudo que sentimos, tudo aquilo que percebemos, tudo aquilo que discernimos, mas colocamos cativas a ti diante de ti também as nossas mentes tudo quanto pensamos, processamos, ah, de modo que a tua palavra nesse momento fale conosco de modo especial, de modo ímparo, de modo poderoso.
Somos o teu povo, queremos ouvir a tua voz. Assim nós oramos no nome santo de Jesus. Amém.
Amém. Meus irmãos, esse texto nos fala sobretudo sobre o que significa fazer parte da família de Deus. No início do capítulo que nós vimos, inclusive domingo passado, se você estava aqui, você vai se lembrar, no início do capítulo 3, o apóstolo João, ele nos fala do privilégio de termos sido adotados na família de Deus.
Ele fala com um certo entusiasmo, ele fala com um certo assombro e ele manifesta essa percepção de um modo a olhar pro escândalo da graça divina. E quando é que ele faz isso? Primeira João 3, versículo 1, quando ele diz: "Vejam como é grande o amor que o Pai nos concedeu".
Qual é a manifestação desse amor? Que fôssemos chamados filhos de Deus, o que de fato somos. Aquilo que o apóstolo Paulo sistematiza de modo um pouco mais com elaboração teológica, João faz aqui de modo bastante explícito.
Estamos diante de uma das doutrinas mais belas do Novo Testamento, a doutrina da adoção. E você sabe o que é isso? Não precisa ser teologicamente sofisticado para compreender o que é a realidade da adoção.
Se você perceber, se você entender o que que ela significa nos nossos contextos e relações humanas. Afinal, adotar nada mais é do que uma ação exclusivamente graciosa. Por quê?
Porque o filho ou a filha adotado ou adotada não fez nada para merecer ser filho. Tal como um filho de sangue não faz nada se não nascer, aquele que é adotado também não fez absolutamente nada, a não ser vir ao mundo. E agora, a partir da graça de outro, do favor de outro, da misericórdia de outro, da percepção de outro, do acolhimento de outro, ele passa então a fazer parte de uma nova família.
A marca da sua existência já não é mais a rejeição. A marca da sua existência não é a alienação. Não se trata mais de uma criança, de um bebê, de um adolescente que foi lançado à margem.
pelo contrário, sua história muda. Agora, a marca é do acolhimento, a marca agora é do amor. E há uma perspectiva também eh legal quanto a isso, porque uma vez assinados os papéis, aquela criança, mesmo não tendo o mesmo DNA, mesmo não sendo de uma família consanguínea, ela recebe os mesmos direitos que qualquer outro filho.
Ela recebe o nome, põe lá o sobrenome, põe o nome no cartório. Agora, o filho legitimamente produzido, biologicamente gerado, tem o mesmo direito e as mesmas responsabilidades desse filho adotado. Então, João, quando ele fala dessa realidade da adoção, ele está falando desse amor de Deus que se manifesta ao nos tornar família da fé.
Porque você sabe, nós não éramos família, na verdade nós não éramos povo, na verdade é pior do que isso. Nós éramos inimigos de Deus, inimigos da cruz. É o que diz Paulo aos Romanos.
E aí é interessante que a primeira consequência natural dessa adoção apontada pelo apóstolo João, como vimos na semana passada, é uma vida que eu vou chamar de moralmente adequada. E quando alguém ouve sobre isso, pode ser tentado a pensar, inclusive cristãos, inclusive possivelmente alguns de nós de uma audiência como essa. Pera aí, Diego, como assim a consequência ou subproduto natural daquilo que é o evangelho aplicado nas nossas vidas tem a ver com moralidade?
Porque eu aprendi que o evangelho não é moralidade, é verdade. Mas a frase não termina aí. Porque muito, embora seja verdade que o evangelho é muito mais do que mera moralidade e não se fundamenta na moral humana, é igualmente verdade que um cristão verdadeiro vive uma vida moralmente saudável.
Essa é a beleza do evangelho. Porque quando somos chamados por Deus a fazer parte da família da fé, somos igualmente chamados a uma vida santa. E aí João, então, após falar sobre isso, ele faz aqui nesse nosso texto um grande apelo aos cristãos como um outro subproduto da nossa posição como filho de Deus.
Porque se, primeiramente, em sendo filhos de Deus, devemos viver uma vida santa, agora se somos filhos de Deus, e o versículo um afirma categoricamente o que de fato somos, cabe a nós vivermos uma vida amável, uma vida amorosa, uma vida que ama. Então, João, se eu pudesse sintetizar inicialmente o que ele vai dizer, e depois eu explico o que ele tá dizendo e quais as implicações disso, ele tá dizendo que não basta afirmarmos que somos filhos de Deus, verbalmente falando, não basta afirmarmos a nossa fé como realidade meramente conceitual. Nós precisamos, preste atenção nisso, não apenas dizer, mas nós precisamos mostrar que somos filhos de Deus, porque o mundo está olhando.
E como é que nós fazemos isso, João? A resposta é simples. Amando uns aos outros.
Não é apenas dizer que amamos a Deus. Não é apenas dizer que amamos a igreja, não é apenas dizer que amamos o mundo. É mostrar.
Porque o amor cristão, ele não é conceitual, ele não é subjetivo, ele não é apenas um sentimento, ele é uma escolha, é uma decisão, mas ele tem materialidade, ele é palpável, ele é perceptível. E é interessante, meus irmãos, João falar de caminharmos em amor logo após ele ter falado sobre caminharmos em santidade. E pense aqui comigo, você já reparou que as pessoas, embora bem intencionadas, mais zelosas, mais aparentemente piedosas e mais, ou algumas das pessoas, melhor dizendo, mais preocupadas com retidão e inclusive moralidade e santidade, podem cair na tentação e no equívoco de terem a doutrina correta com a atitude equivocada.
Traduzindo, você já percebeu que aqueles que t o rigor teológico, e eu sou teólogo, eu posso falar com muita tranquilidade sobre isso. Alguns que possuem rigor teológico pecam em demonstrar isso através do amor. De nada vale ter a doutrina adequada, a sistematização teológica perfeita, ter decorado as cinco solas, a tulipa, os cânones de dor, os catecismos múltiplos, os concílios infinitos.
Não adianta saber aquilo que é certo se isso não for traduzido, percebido através do amor aos irmãos. Por quê? Porque o evangelho nos coloca no centro.
Ou seja, não é nem, como diria o Keller, religião e nem irreligião. Porque moralidade sem amor é mera crueldade. Mas amor sem transformação, com evidência moral, é com descendência.
Isso é pura libertinagem. Então há inclusive nos dias de hoje, inclusive nos púlpitos e fora deles nas nossas comunidades de fé, pessoas que zelam pela verdade e falham em amar. E pessoas que zelam pelo amor dizendo: "Olha, venha como está e assim permaneça".
E falham, portanto, com a verdade. O que é um evangelho saudavelmente e fielmente pregado? Aqui falando como alguém que ocupa essa função de ensinar a palavra de Deus.
Sabe quando eu sei que eu preguei fielmente o evangelho? Quando eu aborreço ambos os extremos, quando eu aborreço o legalista e o libertino, aí sai todo mundo aborrecido comigo, eu fico feliz. Preguei o evangelho de Jesus Cristo, que não é um evangelho nem da condescendência e nem do rigor da lei como fundamento paraa salvação, porque graça é dádiva.
Então é isso que João vai dizer. Como é que ele vai dizer? Olhe comigo, versículo 11.
Essa é a mensagem que vocês ouviram desde o princípio, que nos amemos uns aos outros. Eu amo a simplicidade de João, ao menos em alguns momentos. Que que João tá dizendo, meus irmãos?
Me permita aqui a sinceridade. Ele está dizendo, eu não estou trazendo novidade alguma para vocês. Não tem nada de pulo de gato, não tem coelho da cartola, não tem nada que vocês não saibam.
Eu quero reafirmar aquilo que eu sei que vocês já conhecem. Vocês quem? Bom, a depender de quem lia esse texto, porque você sabe, a epístola de João é uma epístola daquelas que nós chamamos de epístolas gerais ou cartas circulares.
O que que é uma carta circular? Uma epístola geral. Não é para os cristãos em Corinto, não é para os cristãos em Éfeso, não é para os cristãos na Galia, não é para os cristãos em Tessalônica, não.
É uma carta que rodava. E ao rodar, valendo como doutrina, como verdade da palavra de Deus, ali como aplicabilidade neotestamentária nos diferentes contextos por onde passava, ela poderia chegar nas mãos de uma comunidade de ascendência hebraica. E para estes, com um passado hebreu, agora seguindo a Cristo, João poderia dizer: "Vocês conhecem essa verdade desde o princípio como?
" Através do decálogo mosaico dos 10 mandamentos. Mas Diego, como assim através dos 10 mandamentos? Muito simples.
O que é o primeiro mandamento? O que que tá listado ali logo de cara? Amar a Deus acima de todas as coisas.
Não, não construir imagens, objetos, não reduzir Deus, porque ele não pode ser compreendido pelo imaginário humano. Ter a compreensão de que minha vida ela gira e passa pelo trabalho. Mas há também um Shabat.
Há um descanso físico e espiritual em Deus. Há um dia do Senhor, não porque um dia é mais sagrado do que outro, mas porque há uma compreensão que me agenda a despeito de tudo quanto faça, ela gira primeiramente a partir da revelação do próprio Deus. Então, os quatro primeiros mandamentos, resumidamente, amar a Deus.
E o resto, bom, você vai se lembrar dos mandamentos. É um rapaz e mãe, é não roubar, é não matar, não mentir, não cobiçar. O que é isso?
Senão a demonstração explícita de amor ao próximo. Eu não roubo, eu não mato, eu não minto, eu não difamo, eu não acabo com a vida dos outros, eu não fico cobiçando, invejando aquilo que não é meu. Por quê?
Porque eu não estou mais com os olhos voltados apenas para mim. Eu estou em um movimento crescente de amor. É por isso que eu não faço isso com o meu próximo.
Mas alguém vai dizer: "Tá bom, mas eu não tenho passado judaico, não sei nada de 10 mandamentos. OK? Ouça Jesus Cristo.
Porque quando Jesus nos Evangelhos, mais especificamente em Mateus 22, foi interpelado por um perito na lei que perguntou a ele: "Mestre, qual é o maior de todos os mandamentos? " Talvez você se lembre, ele vai dizer exatamente isso. Mateus 22, versículo 37.
Ame o Senhor, o seu Deus, de todo o seu coração, de toda a sua alma e de todo o seu entendimento. Esse é o primeiro e maior mandamento. Resposta dada, certo?
Mas Jesus não para por aí. E o segundo é semelhante a esse. Mas que segundo?
Pergunta do maior. Semelhante por quê? Porque há uma correlação inseparável.
O que Jesus tá dizendo é o primeiro e maior é amar a Deus. Mas perceba, não há como amar a Deus se não houver um subproduto aplicável, prático, mensurável, palpável desse amor. Porque dizer que ama a Deus sem que haja essa substância próxima segunda não faz sentido.
E o que é isso que Jesus tá dizendo? Ame o seu próximo como a si mesmo. E aí ele diz algo ainda mais escandaloso.
Disso dependem a lei e os profetas. O que é a lei e os profetas no tempo de Jesus? É o Antigo Testamento inteiro.
É a Bíblia que aqueles irmãos tinham, uma vez que o Novo Testamento, obviamente, estava acontecendo e sendo escrito. Então, o que Deus tá dizendo na pessoa de Jesus é: "Você quer saber qual é a mensagem divina de Gênesis a Malaquias? " Antigo Testamento, eu vou resumir para vocês, amar a Deus e amar ao próximo.
Mas veja, nossa sociedade é tão, eu usei essa expressão no primeiro culto, acho que não foi chocante não, até porque é um termo teológico. A nossa sociedade é tão desgraçada, e essa é a palavra, acho que a que melhor cabe, desgraçada, fora da graça mesmo. Então, a nossa sociedade é tão desgraçada que ela consegue transformar algo belíssimo que Jesus nos traz, que é amar o seu próximo como a si mesmo, em uma deturpação egocêntrica daquilo que Deus nunca diz.
Por exemplo, amar o seu próximo como a si mesmo. Sabe o que que a turma tá falando hoje em dia? Ai, olha só, para amar o próximo, primeiro eu tenho que me amar.
Autocuidado, pelo amor de Deus, não é nada do que Jesus tá dizendo. Jesus tá dizendo exatamente o contrário. E não, não sou contra autocuidado.
Durma bem, coma bem, se cu, tá tudo certo. Mas não é o que Jesus tá dizendo aqui com aplicação do evangelho. O que que Jesus tá dizendo?
Você já se ama demais, camarada. Você só pensa em você mesmo. Você só olha para você.
Você só pensa no seu futuro. Só pensa na sua grana. Só pensa na sua vida, só pensa nas suas conquistas.
Então assim, pense um pouco menos em si, ou melhor, tal como você pensa em si, passe também a pensar no outro. Mude a direção, o vetor da sua vida, para que ela não seja uma vida em si mesesmada. É o que Jesus tá dizendo.
O Martin Ly Jones, ele diz que o Novo Testamento nunca nos chama a fazer algo sem antes nos lembrar de quem nós somos. Isso é maravilhoso. E por que João tá falando sobre isso?
Não apenas porque ele é o apóstolo do amor, mas meus irmãos, o amor cristão como testemunho público foi uma das grandes revoluções do mundo antigo. Porque em culturas antigas dominadas por cultura e honra ou por vergonha e honra, perdão, culturas antigas dominadas pelo conceito de força e conquista, domínio em positivo, onde o mais forte sobrevive. Essa era aatônica das sociedades não apenas bárbaras, mas as sociedades tidas como sofisticadas, como o império grego, império romano.
O que era o conceito de pax romana? A paz romana era a paz através da força. Você quer ter paz?
Então seja subjulgado por mim. Vou te dar o privilégio de ser escravizado. Aí você vai ter paz.
É, é isso que é uma boa notícia? Não. Então, surge o quê?
surgem os seguidores de um tal de Jesus de Nazaré. E aí eles começam a fazer o que ninguém no mundo antigo fazia. Eles não começam a dominar pela imposição e pela força, mas eles começam a conquistar pelo serviço e pela humildade.
De que forma? Cuidemos primeiramente dos mais fracos. Quando é que eles fazem isso?
quando eles cuidam do pobre, da viúva, do órfão e do estrangeiro. Aquilo que alguns teólogos vão chamar de o quadrilátero da vulnerabilidade. Você acha que isso era comum?
2026, a gente tá acostumado a ouvir, isso não existia. O mais forte sobrevive, quem não tem competência não se estabelece. Essa era a tônica do mundo e em certa medida.
Esse é o espírito do mundo ainda de um jeito um pouco mais sofisticado. Não apenas isso. Os cristãos da igreja primitiva, eles exerciam uma hospitalidade ímpar.
Meus irmãos, você se lembra do livro de Atos? Não sei se você já pensou nesses termos. Quem é o primeiro mártir da igreja primitiva?
Alguém se lembra de cabeça? Estevão. Glória a Deus.
É uma igreja bíblica. É uma coisa maravilhosa. Ainda mais que eu lê tá aqui.
Vocês me matariam de vergonha. Mas que bom que vocês mataram de orgulho. Quem é Estevão, meus irmãos?
Não é um apóstolo, é um diácono. Olha que interessante. Quem primeiro morre na igreja primitiva não é quem tá pregando publicamente, é quem tá servindo mesa e cesta básica para viúva pobre.
Sabe por quê? Porque quem estava na rua era o rosto da igreja. Então esse aqui é que tá indo por todos os cantos, levando essa mensagem aí desse Galileu, desse Jesus de Nazaré.
Matam Estev. Somente depois, Tiago vai ser também martirizado. Olha que interessante.
O imperador Juliano, conhecido como Juliano, o apóstata, ele manda uma carta ao alto sacerdote da Galáia, o Arsácio, em 361, depois de Cristo. Ele aqui vai falar dos cristãos. Presta atenção no que que ele diz.
Esses ímpios galileus, ímpios galileus, uma palavra, uma duas expressões. Então, uma expressão duplamente pejorativa, ímpio por quê? Porque não partilhavam da fé de Roma.
Então, eram tidos como ímpios. E Galileus, que é assim, é gentinha, entendeu? Não é Roma, é Galileia do do Oriente próximo de Israel, desse povo barulhento.
E o que era a Galileia? o povo iletrado, não era nem Jerusalém, não era nem Judeia. Então, esses ímpios galileus, isso o imperador romano dizendo, não apenas alimentam seus próprios pobres, mas também os nossos, enquanto os nossos carecem da nossa ajuda.
Esse é o escândalo do evangelho de Jesus Cristo. um povo que não se preocupa apenas consigo, ao ponto do homem mais poderoso da época dizer: "Eu não entendo o que eles fazem. Acho que eles estão completamente equivocados, mas há algo neles que nos gera uma certa dificuldade e constrangimento.
Antes até de Juliano, para ser mais específico, um século antes, o bispo Cipriano de Cartago, ele escreve o seguinte: "Durante uma peste que assolou o Império Romano, uma pandemia, uma peste. Ele diz que enquanto pagãos ricos fugiam e abandonavam os doentes e até parentes para não serem contaminados, os cristãos permaneciam na cidade para cuidar dos doentes, assumindo o risco do contágio. Quando João fala de amor, ele tá falando disso aqui.
É isso aqui que mudou o mundo. É essa atitude que é muito maior do que filantropia por alívio de consciência. essa atitude de abnegação, de doação generosa, hospitaleira.
Ou seja, essa é a verdade que o evangelho nos traz, que o amor cristão é imperativo, mas mais do que isso, me parece, se eu leio corretamente as páginas da Bíblia e a sua aplicabilidade na história, me parece ser também a única linguagem que o mundo é capaz de ouvir. Sabe por quê? O mundo pode discordar do que a gente diz, pode ter dificuldade com aquilo que cremos, mas eles não podem negar a força de um testemunho.
E qual é uma das máculas do evangelho no nosso tempo? É pessoas, dizendo-se cristãos viverem de modo incoerente ao chamado do próprio Cristo. Então, quando é que a igreja impacta, influencia, molda, transforma o mundo e a sociedade quando ela é exatamente aquilo que Jesus a chamou para ser?
amorosa, hospitaleira, generosa, rica em misericórdia. A única maneira ou certamente a melhor maneira pela qual a igreja de Cristo há de impactar o mundo. Porque mesmo com todo o caos da sociedade, não é interessante que a sociedade ainda espera de nós algo diferente?
Veja, por exemplo, as notícias no Brasil. Eu sei que temos visitantes aqui, eu quero fazer uso de uma expressão que não é pejorativa, nem depreciativa, é apenas diagnóstica. Você não viu e não vai ver em um país, por exemplo, catequizado e colonizado pela teologia católica romana, você não vai ver na página dos jornais empresário católico suspeito de subor.
Você não leu isso e você não vai ler nunca. Mas se você trocar a expressão e estabelecer um recorte bastante específico do protestantismo, evangelicalismo, isso você vai ver. Tá acompanhando a onda do Banco Master?
Tá acompanhando, né? Viu o camarada que foi preso, que a turma tá com medo dele delatar? Você sabe quem é o cunhado dele?
É um pastor. Aí a turma fala: "Pastor evangélico envolvido". Aí me quebra, né?
Quebra você, quebra eu, que mais a mim do que a você. Por quê? Porque você vai ter que falar: "Não é que ele, ele não é cristão do jeito que a gente é, eu vou ter que dar um passo maior.
Não, ele, eu não sou pastor do jeito que ele é". Então, é mais complicado ainda explicar que o meu exercício vocacional não diz respeito ao exercício daquele sujeito que usou, sabe lá do quê? Da influência ou enfim, né?
Tá gravando, cabe processo. É suposto. A gente tem que dizer que é suposto.
É suspeito, né, Itacir? Essa é a expressão adequada. Eu não tô acusando ninguém.
Eu tô dizendo que há uma suspeita sobre o irmão. Tô bem, Itacir, obrigados. E aí João avança no seu argumento.
Ele diz no versículo 12: "Não sejamos como Caim, que pertencia ao maligno e matou o seu irmão. E por que o matou? Porque suas obras eram más e a de seu e as de seu irmão eram justas.
Caim é um arquétipo bíblico de um homem ímpio. É uma imagem, é um tipo de um homem ímpio, de um homem iníquo. Maioria de vocês conhecem a história de Caim e Abel.
Dois irmãos, os dois primeiros irmãos relatados nas páginas da Bíblia. Gênesis capítulo 4, logo após a queda, filhos de Adão e Eva. E o que que acontece entre Caim e Abel?
De modo bastante resumido, um oferece uma oferta a Deus, o outro oferece outra oferta a Deus. Um é aceito, o outro é rejeitado. Não é a oferta que é aceita e nem rejeitada.
O texto diz que um é aceito, seu coração é aceito e o outro é rejeitado. E aí o que foi rejeitado, o nome dele é Caim. Que que ele faz?
Aborrecido mata seu irmão, seu próprio irmão de sangue. Sabe o que que é pior? Se a gente forçar um pouco o argumento, Caim.
mata seu irmão por inveja e competitividade, sabe? Depois do quê? De um culto.
Tá bom para você? Que é culto, né? Tem contornos de culto, não a partir da lógica como nós operamos hoje, mas o que que eles estão fazendo?
Cada um faz um altar, oferece a Deus em ato de adoração, um adoração verdadeira e outro falsa adoração. E ao saírem do culto, cada um vai por um caminho. E aquele que teve a sua oferta rejeitada por Deus, sentindo-se, portanto, diminuído, vai lidar com o problema.
E qual é o problema? Tratar com o irmão. Qual é o problema?
Pedir perdão a Deus. Não, para ele o problema tem nome, tem pessoalidade. O problema é Abel.
Então o que que ele faz? Acaba com o problema. Ele mata Abel.
E você ficaria surpreso o quanto somos capazes, ao viver fora do Espírito de Deus, de exercer não a literalidade do ato de Caim, mas carregar em certa medida o mesmo espírito e disposição de Caim. Sabe como? nas nos melindres e besteiras da vida, ir para um culto e sair aborrecido porque o irmão não me cumprimentou.
Não, pelo amor de Deus, é saído um culto chateado porque a irmã não me viu. Temos psicólogos aqui na audiência? Sim, aqui no Pode levantar a sua mão.
Se você é psicólogo, não vou te constranger, não. OK. Alguns passa o cartão, depois tem gente precisando de terapia.
Não, as pessoas estão precisando se tratar, não é normal um negócio desse. Às vezes o o coitado lá não tá nem enxergando direito. Ah, não me olhou na cara.
E não é recado para nós. Primeiro porque eu não dou recado a partir da palavra. Tô, eu tô pintando um quadro daquilo que é a sociedade e parte da sociedade cristã e que pode acontecer conosco nas nossas questões mal resolvidas do coração.
Agora, tendo sido completamente tomado pela inveja, ele faz o que faz. E aí, pros nossos irmãos psicólogos, Caim é um prato cheio. Dá para analisar rejeição, necessidade de afirmação, validação pessoal, competição, ódio.
É um case maravilhoso. E como se não bastasse isso ser ruim o suficiente, a história piora. E eu sempre fico assim assombrado com essa história.
Porque Deus chega para Caim depois dele ter matado Abel e pergunta: "Onde está Abel, o seu irmão? " Então, pausa aqui, tá? Você é Caim.
Só um exercício, uma abstração. Você é Caim, você matou teu irmão. Deus chega e fala assim: "Vem cá, onde é que tá Abel?
Eu não sei você. Eu me derretia todo. Eu confessava até o que eu não fiz, meu amigo.
Fala: "Deus, esa aí, vamos conversar. Sabe o que que o abusado do Caim diz para Deus? Acaso sou eu responsável pelo meu irmão?
" É em momentos assim que você vê que Deus é gracioso, porque se eu sou Deus, eu pá, infarto, fulminante, sem remorço. Ah, já não merecia mesmo. Não merece viver.
Deus não responde essa afronta de Caim a Deus e a vida do seu irmão. Mas se Deus respondesse, ele diria: "Sim". E não só para Caim.
Ele diria hoje sim, cada um de nós somos corresponsáveis uns pelos outros. Cada um de nós, como corpo de Cristo, somos responsáveis pelo todo do corpo de Cristo, responsáveis pelos nossos irmãos. E aí João vai dizer no versículo 13: "Meus irmãos, não se admirem se o mundo os odeia".
Ou seja, outra prova de que fazemos parte da família de Deus é que o mundo nos odeia. E eu leio o versículo 13, depois do versículo 12, eu falo: "Que tipo de pensamento é esse de João? Parece que ele quebra o fluxo, mas não.
Exatamente o fluxo natural do texto quando ele fala de Caim, de Abel, de ódio e de amor e depois fala que o mundo nos odeia. Por quê? Porque João tá trazendo uma mensagem clara, a imagem de Caim e a imagem de Abel para nos ensinar uma lição.
Caim é o espírito desse mundo. Abel é o espírito dos filhos de Deus. A pergunta óbvia: o que Abel fez?
para Caim odiáo. A resposta óbvia, nada. O que um cristão faz, um cristão verdadeiro aqui, o que cristãos fazem, digamos, em alguns países do Oriente Médio, onde a fé cristã é proibida, cerciada, o que faz com que cristãos sejam perseguidos, torturados, aprisionados e martirizados?
Sabe qual é a resposta? Nada. a não ser afirmar que pertencem e amam a Cristo Jesus.
Sabe o que que você precisa fazer pro mundo te odiar? Apenas seguir a Cristo, apenas viver uma vida coerente com o evangelho. E eu sei, alguns entre nós dirão: "Não, mas calma lá, pastor, será que você não tá forçando a barra?
" Eu acho que, pô, pastor, o mundo odeia os cristãos hoje, porque os crentes estão complicados, povo meio chato, né? Povo, povo difícil, povo crítico às vezes. É, pode ser alguns, mas não é isso que a gente tá falando aqui, não.
Porque se nós afirmarmos, não, se nós formos assim legais, se nós formos amorosos, compassivos, misericordiosos, bonzinhos, tudo aqui que o evangelho manda a gente ser. Se nós fizermos tudo isso, pastor, as pessoas vão gostar da gente. É mesmo?
Deixa eu te contar uma história. Pena que eu não tenho tempo para contar a história toda. Então, vou contar o início e vou contar o fim.
Eu quero te contar uma história de um sujeito conhecido como Jesus de Nazaré. Já ouviu falar dele? Vou pro fim.
Pessoa mais amável que já pisou nesse mundo. Santo, puro, perfeito, perdoador, compassivo, misericordioso, generoso, acolhedor, não judicioso. Quer que eu te conte o final da história?
A gente vai entrar numa semana que fala exatamente sobre isso. Mataram. Qual parte a gente não entendeu?
Se nós vivermos como Cristo, o mundo vai nos odiar. Se nós caminharmos como Cristo, algo em nós incomodará o mundo. E eles lançarão sobre nós múltiplos rótulos por uma simples razão.
Como o mesmo João vai dizer no capítulo 3, versículo 19: "Esse é o julgamento sobre o mundo. " Que julgamento é esse? A luz veio ao mundo, mas os homens amaram as trevas e não a luz, porque suas obras eram más.
Viva uma vida santa, uma vida casta, uma vida ética, uma vida generosa, uma vida cristã. E a simples coerência de vida há de trazer exposição sobre as má obras dos homens. E isso não falamos aqui a partir de um pedestal ou de um aspecto judicioso de modo algum.
É apenas aquilo que o texto bíblico está nos dizendo. Mais um teste. Versículos 14 e 15.
Sabemos que já passamos da morte pra vida porque amamos nossos irmãos. Quem não ama permanece na morte. Quem odeia seu irmão é assassino.
E vocês sabem que nenhum assassino tem vida eterna em si mesmo. Sabe o que que João tá dizendo? De modo bem simples de que o ser humano não foi feito paraa morte.
Você não foi feito para morrer. Você não foi feito para carregar as marcas da morte. Ou você acha normal pessoas morrerem?
Perceba que eu perguntei se você acha normal, não se você acha comum. Porque nem tudo aquilo que é comum é necessariamente normal. A morte é comum porque tem gente que morre o tempo todo.
Mas a morte não é normal, porque o ser humano foi criado para a vida. O que é que traz a morte? O que é que convida a morte para a humanidade?
O pecado. O salário do pecado é a morte. Em Adão, todos passamos a carregar um DNA mortal, corruptível.
É comum, mas não é normal. Não é normal que nos afeiçoemos a pessoas e tenhamos que experimentar a dor da despedida. Não é normal, por exemplo, me permita aqui a a confissão profundamente pessoal, perceber no calendário que eu tô me aproximando do mês de abril e me lembrar que o dia primeiro de abril, que para todo mundo essa brincadeira de dia da mentira, para mim esse dia tem uma conotação profundamente diferente, porque era o aniversário da minha querida avó.
Primeiro de abril, daqui uns dias, vai ser o primeiro aniversário dela em que ela não está aqui. Não é normal. Eu não posso reputar como normal, Diego.
É porque você tem alguma dificuldade de aceitação, frustração com Deus, porque sua avó morreu? Não, ela viveu o que ela tinha que viver. O Senhor me concedeu a docidade da despedida.
Eu cheguei lá há tempo, ela tava em coma, ela acordou, nós conversamos, eu ministrei a palavra de Deus, nós oramos juntos, demos risada, choramos juntos, tal como com o meu avô há 10 anos atrás, Deus é muito bom comigo, mas eu não posso gostar da morte. Eu odeio a morte. Essa é a expressão que eu quero usar mesmo.
Eu odeio a morte, mas quando eu passo a odiar a morte e odiarei até o fim dos meus dias, eu sou consolado. Porque no evangelho eu não lido com a morte apenas, mas eu olho paraa morte e vejo o poder da ressurreição. Aqueles que se foram em Cristo não serão tomados pela morte.
Aliás, minha avó não tá morta. Ela tá muito mais viva que eu. Muito mais viva que eu.
Ela tá viva do jeito que eu quero viver um dia. Porque essa essa chaga, essa dor da morte que é física, mais do que isso, quando João diz que sabemos que já passamos da morte pra vida, ele tá falando de uma morte e uma vida espiritual. Ou seja, para além da morte física, por conta da queda, o ser humano experimenta a morte espiritual, que é uma total separação de Deus.
Essa nós conhecemos, mas é um total desconhecimento de Deus. O que que é a morte espiritual? É ignorância, é penumbra, é obscuridade, não é apenas alienação, não é apenas afastamento, é desconhecimento.
E quem diz isso também é João quando ele diz: "Essa é a vida eterna". João 17 versículo 3, que te conheçam, apontando para Jesus, o único Deus verdadeiro e a Jesus Cristo, a quem enviaste. O que é vida eterna?
É conhecer a Jesus Cristo. A vida eterna não é um lugar. Ser salvo não é ir para o céu.
A salvação é uma pessoa. Então o que João está fazendo aqui, nos trazendo boas notícias, essa era a realidade física e espiritual de vocês. Mas não é mais assim.
Vocês não precisam mais encarar a vida sem sentido, sem propósito e sem destino, porque perceba, deve ser profundamente depressivo, achar que a vida é um intervalo entre o berço e o túmulo. É para viver a base de remédio mesmo, o resto da vida não tem condições. Aliás, o apóstolo Paulo vai dizer em Primeira Coríntios, capítulo 15, que se nós temos esperança apenas para esta vida, nós somos dentre todos os homens os mais dignos de pena.
Eu sinto pena de quem acha que a vida é um amontoado de células e uma mera existência, um intervalo entre o berço e o túmulo. Porque o evangelho nos promete que há uma vida não apenas pós morte, mas há uma verdadeira vida em vida. Ou seja, a gente não precisa esperar morrer para viver de fato e depois nós temos hoje o poder da vida que pairava sobre Cristo também em nós.
E qual é, meus irmãos, ao menos para João, uma das marcas inequívocas de que, de fato, passamos da morte pra vida? De modo simples, que não vivamos mais vidas vazias, cujos olhos estão voltados apenas para nós mesmos. Você quer ver uma vida miserável?
É uma vida egocentrada. É uma vida que só pensa em si, naquilo que vai comer, naquilo que vai beber, naquilo que vai vestir, naquilo que é o seu trabalho, naquilo que é o seu dinheiro, naquilo que é o seu rendimento, naquilo que é sua carreira. É muito triste.
Sabe a imagem do tio Patinhas agarrado, morrendo ali nas moedas? Um cofre inviolável que os seus sobrinhos amariam participar de alguma maneira. Mas o que é riqueza verdadeira senão aquela que é primeiramente compartilhada?
O que adianta ter riquezas múltiplas, tá? financeira, saúde, o que você quiser, se não tiver com quem compartilhar. Não vale de nada, absolutamente nada.
Riqueza é mesa cheia, mesa farta do quê? De família ao redor, de amigos, de gente que a gente ama. E aí João vai encerrar dizendo no versículos 16 a 18: "Nisso conhecemos o que é o amor.
Jesus Cristo deu a sua vida por nós e devemos dar a nossa vida por nossos irmãos. Se alguém tiver recursos materiais e vendo seu irmão em necessidade não se compadecer dele, como pode permanecer nele o amor de Deus? Filhinhos, não amemos de palavra, nem de boca, mas em ação e em verdade.
A hora já é avançada, eu preciso terminar. Então, que que João tá dizendo? Que amar custa.
Não sei se já parou para pensar sobre isso. Amar custa. Você quer se relacionar com alguém por interesse, custa pouco.
Custa um pouco do teu tempo, um pouco da tua paciência. Mas você quer amar de verdade, custa tudo. Custa tempo, custa energia, custa paciência, custa perdão, custa segundas chances.
Acho interessantíssimo esse povo que comigo é uma vez só, hein? Pronto, lascou. Então vai morrer sozinho, depressivo.
Você acha que ninguém vai pisar na bola com alecrm dourado que você é? Ai segunda, ó, como é que é? Tem até uma expressão no inglês que é: "Me faça de tolo uma vez é uma vergonha para você.
Me faça de tolo uma segunda vez é uma vergonha para mim. " Como quem diz, "Ó, comigo é uma vez só". O amor cristão não é um conceito, não é uma abstração.
O amor cristão é palpável e ele custa. Tiago fala sobre isso no capítulo dois, quando ele diz o seguinte: "Se um irmão ou irmã estiver necessitado de roupas e de alimento de cada dia e um de vocês lhe disser: "Vaiá em paz, aqueça, se alimente-se até satisfazer-se, sem porém lhe dar nada", de que adianta isso? Assim também a fé, por si só, se não for acompanhada de obras, está morta.
Mas alguém dirá: "Você tem fé? Eu tenho obras. Mostre-me sua fé sem obras, fé morta, e eu lhe mostrarei a minha fé pelas obras.
Tiago tá dizendo exatamente a mesma coisa que João tá dizendo. Quando a minha possibilidade se encontra com a necessidade do outro, não basta dizer: "Deus te abençoe, vai em paz". E talvez a gente vai pensar, mas caramba, meio difícil isso, né?
Ainda mais no mundo que a gente vive, a gente não sabe o que que é real, o que que é uma necessidade legítima, que que são aproveitadores. Por isso que a gente tá de discernimento mesmo. Mas aqui ele tá falando de um irmão em necessidade, necessidade, sobrevivência.
E se nós pensarmos é difícil, aí João tem o argumento perfeito, porque ele nos perguntaria: "OK, será que ninguém consegue? " A gente diria: "Ah, acho difícil". João diz: "Então, deixa eu te mostrar quem conseguiu.
Quem é o nosso exemplo maior de amor? é Jesus Cristo. E Jesus Cristo, ele vai vivendo de uma maneira que ele entrega tanta coisa, mas tanta coisa, mas tanta coisa, que quando ele chega na cruz, você pode perceber, o texto aponta para isso.
Um dos textos do Evangelho, ele brada em alta voz e ele diz: "Pai, em tuas mãos entrego meu espírito, meu fôlego, meu sopro". Sabe por quê? Porque a única coisa que restou, ele já tinha entregue tudo.
Ele já tinha entregue seu tempo, sua energia, seus dons, suas dádivas, sua graça, sua misericórdia, seu perdão, sua compaixão. Ele tinha entregado absolutamente tudo. Uma vida de entrega.
E quando não sobra absolutamente mais nada, senão o seu folo, ele diz: "Pai, eu tô te entregando o que sobrou, porque o resto já entreguei tudo pros teus, pros teus filhos, pros meus irmãos. O amor de Cristo custou sua vida. E João vai estabelecer uma simetria curiosa entre o amor de Cristo e o amor daqueles que dizem ser do próprio Cristo.
De modo que se nós queremos demonstrar que somos cristãos, meus irmãos, nós devemos ao menos estar dispostos a nos entregarmos do mesmo jeito que Jesus se entregou por nós. Na literalidade das suas ações. Claro que não.
Minha morte, por mais heróica e sacrificial que possa ser, não tem a mínima capacidade de perdoar absolutamente ninguém, transformar tampouco. Contudo, essa disposição de uma vida generosa, essa disposição de uma vida que ama, de uma vida que perdoa porque foi perdoado, que dá segundas chances porque já teve terceiras, quartas, quintas, décimas e viés de Deus. Essa vida que vai se despindo, que vai se abandonando e que vai permitindo se alinhar com o fluxo do Espírito de Deus e vai sendo formado a partir de uma identidade de Cristo que parece cada vez mais com Abel e cada vez menos com Caim.
Cada vez mais oferta e entrega, cada vez menos ódio e competitividade, cada vez mais vida em adoração, cada vez menos morte, homicídio e insatisfação. Porque não pode ser banal para nós aquilo que para Jesus custou absolutamente tudo. Por isso, o mundo saberá que vocês são os meus discípulos.
Cristo diz: "Pelo amor que vocês tiverem uns pelos outros, vamos orar. Senhor Deus, te louvamos pelo teu amor, pela tua graça, pela tua boa mão que nos sustenta, nos edifica, nos transforma, nos molda, nos exorta, nos consola, nos anima, nos enriquece. Essa tua mão que coloca para cima quem tá meio desanimado e põe um pouquinho os pés no solo de quem tá inflado demais.
O Senhor faz conosco exatamente aquilo que somente o Senhor pode fazer. Nos molda segundo a imagem do seu filho Jesus. Nos ajude.
Nos ajude a vivermos vidas marcadas. Não apenas pela santidade, mas vidas marcadas pelo amor, para que o mundo saiba. Assim oramos no nome santo de Jesus.
Amém. Amém. Que Deus te abençoe.