Nós precisamos aprender a viver pela graça de Deus. E para isso, é necessário entender a graça. É necessário trazer um entendimento correto, e esse é o tema da nossa primeira aula: entendimentos corretos.
Nós precisamos entender e conseguir definir tanto o que é, como o que não é a graça de Deus. Precisamos entender o que é para que possamos revelar de forma correta, entender o que não é. Hoje em dia, ensinos errados e enganosos não estão sendo propagados apenas nos nossos dias, mas já desde muito tempo, desde o início da era Cristã.
Nós temos, então, distorções a respeito da graça, e conseguir separar o que é a graça do que ela não é é importantíssimo para essa nossa construção. Há uma declaração de Dallas Willard que eu gosto muito de repetir: "Hoje em dia, não somos apenas salvos pela graça, mas também paralisados por ela. " Muitos, por um entendimento errado, em vez de frutificar na vida cristã, estão sendo paralisados.
E a começar destacando a importância do entendimento da graça, faremos isso a partir de uma declaração do apóstolo Paulo em Colossenses, no capítulo 1. Eu vou ler os versos 5 até 8, onde ele diz assim: "Por causa da esperança que está guardada para vocês nos céus, dessa esperança vocês ouviram falar anteriormente por meio da palavra da verdade, o evangelho que chegou até vocês. Esse evangelho está produzindo fruto e crescendo em todo o mundo, assim como acontece entre vocês, desde o dia em que ouviram e entenderam a graça de Deus.
Na verdade, isso vocês aprenderam de Epafras, nosso amado conservo em relação a vocês, fiel ministro de Cristo, o qual também nos contou do amor que vocês têm no Espírito. " O apóstolo Paulo não apenas fala de um evangelho que cresce no mundo, mas que cresce dentro do indivíduo. Por exemplo, quando ele diz no versículo 6, ele fala da palavra da verdade: o evangelho que chegou até eles.
Ele diz que o evangelho está crescendo em todo o mundo, como acontece entre vocês. Então, ele menciona o crescimento global em termos de números, mas fala também de um crescimento na vida de cada indivíduo que tem recebido a palavra de Deus, o anúncio dessa verdade. Em segundo lugar, Paulo destacou que essa frutificação provém de um entendimento.
Vocês ouviram e entenderam a graça de Deus. Então, esse é o resultado de um ponto de partida: é ouvir e entender. É justo que eu e você possamos afirmar que a compreensão das estruturas é o fundamento para todo e qualquer desenvolvimento da nossa fé.
Em terceiro lugar, nós encontramos uma relação entre entendimento, frutificação e a instrução que os irmãos haviam recebido. Ele não apenas diz que eles ouviram para entender, mas destaca que isso é fruto de aprendizado. Por exemplo, no versículo 7 de Colossenses 1, Paulo diz: "Isso vocês aprenderam de Epafras, nosso amado conservo em relação a vocês, o ministro de Cristo.
" Então, havia alguém comunicando que eles ouviram; havia alguém explicando com tamanha clareza a ponto de ser chamado de um ministro fiel. O que, infelizmente, desde o início da igreja, desde o primeiro século, existiam pessoas que eram acusadas de serem falsos mestres, de distorcer os princípios. Porém, eles receberam o ensino puro, limpo e cristalino, direto da fonte e da revelação bíblica.
Então, isso nos leva a uma compreensão de que nós precisamos ouvir para compreender, e ouvir uma exposição que seja fiel às Escrituras. O apóstolo Paulo, por exemplo, quando trata do assunto com os Coríntios, diz em 2 Coríntios, no capítulo 8 e no versículo 9, que aqueles irmãos de Corinto conheciam a graça de Deus. Ele afirma no verso 9 de 2 Coríntios 8: "Pois vocês conhecem a graça do nosso Senhor Jesus Cristo, que, sendo rico, se fez pobre por amor de vocês, para que, por meio da pobreza dele, vocês se tornassem ricos.
" Ele, obviamente, está falando da troca estabelecida por Deus no Calvário, mas ele diz: "Vocês conhecem a graça. " A graça precisa ser entendida, a graça precisa ser compreendida e conhecida. Então, vamos começar adiantando alguns pontos que são fundamentais para a compreensão do que é a graça.
Um dos significados da palavra "cáris" no grego, que é traduzida como "graça", significa "favor imerecido". Eu creio que esse é um dos melhores significados que nós podemos e devemos ter em mente logo quando se fala da aplicação desse entendimento, desse conceito. Nós entendemos que a graça não tem a ver com obras, não tem a ver com merecimento.
Normalmente, as obras têm como consequência a questão do merecimento. Quando se pensa: "Bom, eu faço para receber a recompensa daquilo", em Romanos, no capítulo 11, no versículo 6, o apóstolo Paulo traz uma definição muito clara a respeito disso com as seguintes palavras: "Se é pela graça, já não é pelas obras; do contrário, a graça já não é graça. " A partir do momento em que se envolve o conceito de que algo deve ser experimentado ou vivido por causa do que nós fizemos, então estamos falando de merecimento e não de favor imerecido.
Muitos textos do Novo Testamento estão relacionados com o conceito de que não é por obras. Quase sempre a frase que se segue é "para que ninguém se glorie". Por exemplo, em Efésios, no capítulo 2, versículos 8 e 9, a Bíblia diz: "Pela graça sois salvos mediante a fé, e isto não vem de vós; é dom de Deus, não vem das obras, para que ninguém se glorie.
" Quando olhamos para as declarações que o Novo Testamento faz sobre a salvação, essa lógica de "para que ninguém se glorie" se repete. Em Romanos, capítulo 4, verso 2, ele diz: "Porque, se Abraão foi justificado por obras, tem do que se orgulhar, porém não diante de Deus. " Então, afirmações como essas nos remetem a.
. . Um entendimento muito claro de que é necessário que a gente compreenda que a graça não está atrelada a obras e, consequentemente, ao merecimento.
Em Gálatas, no capítulo 6, o apóstolo Paulo diz assim: "Mas longe de mim gloriar-me" (Gálatas 6:14); "longe de mim gloriar-me, senão na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu estou crucificado para o mundo". E em Lucas 18, dos versículos 9 a 14, Jesus fala a respeito de dois homens que foram ao templo para orar. Um deles, a Bíblia diz que era um fariseu, parte da seita mais severa dentro do judaísmo, que ficava se orgulhando da sua obediência; o outro, um publicano, da pior categoria, o pecador que alguém poderia receber nos rótulos daquela época e daquela ocasião.
E o Senhor Jesus mostra que aquele que se orgulhava das suas obras, ele não foi justificado, mas o outro, que se arrependeu, sim. Porque, no final das contas, como o apóstolo Paulo diz em 1 Coríntios, no capítulo 1, versículo 29, não é? Quando diz: "olha, não são muitos entre vocês os de nobre nascimento, os sábios, os poderosos".
Ele, de fato, deixa claro que o propósito de Deus é que, no final das contas, ninguém se glorie na presença de Deus. Então, eu quero já adiantar esse fundamento; é lógico que nós vamos trabalhar essa verdade de uma maneira um pouquinho mais detalhada enquanto vamos fazendo a nossa construção mais adiante, mas até que chegamos lá, né? Eu gostaria de citar uma frase aqui de J.
D. Greear: "De fato, as maiores necessidades da teologia se dão ao fato de não entendermos". Eu não quero destacar agora, em segundo lugar, começando pela importância do entendimento da graça.
Em segundo lugar, né, o perigo de não entender a graça. Quando Judas escreve a sua epístola, ele demonstra uma grande preocupação com uma fé que já vinha sofrendo muitos ataques. Esse ataque, nós não podemos dizer que se limitava à perseguição que a igreja vivia, mas principalmente a uma tentativa de distorção da verdade que era pregada.
Então, em Judas, no capítulo 1, verso 3, ele diz: "Amados, enquanto eu me empenhava para escrever-lhes a respeito da salvação que temos em comum, senti que era necessário corresponder-me com vocês para exortar os a lutar pela fé que uma vez por todas foi entregue aos santos". O que significa lutar pela fé que uma vez por todas foi entregue aos santos? Não era apenas a preocupação de que a gente mantivesse a chama da fé acesa a ponto de que a perseguição não a extinguisse, e ele diz o seguinte: "Pois certos indivíduos, cuja sentença de condenação foi promulgada há muito tempo, se infiltraram no meio de vocês sem serem notados.
São pessoas ímpias e transformam em libertinagem a graça do nosso Deus e negam nosso único e soberano Senhor Jesus Cristo". Então, ao dizer que transformam em libertinagem a graça do nosso Deus, o que Judas estava externando quando dizia que temos que lutar pela fé? É o entendimento correto da graça de Deus, o entendimento que não permite que a graça venha a ser apresentada de forma diferente daquilo que ela é.
Porque, dessa forma, ela vai produzir dano. E veio de dentro, o Sr. Chad, grande teólogo que abençoou a igreja brasileira, já com o Senhor, diz que "graça sem compromisso não representa a realidade bíblica".
Mas, para frente, nós vamos detalhar esses processos ligados ao mais evidente, que é o evangelho que pode ser apresentado de forma distorcida. Em Gálatas, no capítulo 1, dos versículos 6 até 9, observe o que o apóstolo Paulo fala a respeito do assunto e diz assim: "Estou muito surpreso em ver que vocês estão passando depressa daquele que os chamou na graça de Cristo para outro evangelho". Então, quando ele usa "outro evangelho", um evangelho que os tiraria do entendimento que a graça de Cristo, para outro evangelho, o qual na verdade não é outro, quando ele diz "outro" está dizendo que não existe um outro evangelho.
Mas, quando ele usa a expressão "outro", está dizendo que vocês se desviaram do original, não que haja uma segunda opção. E diz: "Porém, alguns que estão perturbando vocês querem perverter o evangelho de Cristo. Mas, ainda que nós ou mesmo um anjo vindo do céu pregue a vocês um evangelho diferente daquele que já lhes temos pregado, que seja anátema".
Aonde o apóstolo Paulo está tentando conduzir esse irmão a uma compreensão de que sempre há pessoas tentando distorcer, perverter, comprometer o evangelho de Cristo. Isso é parte da realidade da igreja desde o início. Tanto o nosso Senhor quanto os apóstolos falaram não só sobre falsos profetas, mas também sobre falsos mestres.
Agora, eu acho incrível que, apesar dessa enorme quantidade de advertências, muitas vezes a gente imagina que isso pode acontecer em qualquer outro período da era cristã, mas não conosco, no nosso tempo. O apóstolo Paulo, em 1 Timóteo, no capítulo 1, versículos 5 até 8, diz assim: "O objetivo desta demonstração é o amor que procede de um coração puro, de uma boa consciência e de uma fé sem hipocrisia. Algumas pessoas se desviaram dessas coisas e se perderam em discussões inúteis, pretendendo ser mestres da lei, não compreendendo, porém, nem o que dizem, nem os assuntos sobre os quais falam com tanta ousadia".
E eu percebo o quanto isso continua sendo real no nosso tempo: gente tentando se passar por mestres da lei, no entanto, trazendo a perspectiva distorcida. O que ele diz no verso 8? "Sabemos que a lei é boa se alguém se utiliza".
Dela, de modo legítimo, né? Ele fica a utilizar de modo legítimo ou não. Não é a posição do Satanás quando estava tentando Jesus no deserto.
Ele começa a citar as Escrituras. Ele estava tentando usar de modo legítimo. É lógico que não está tentando trazer distorções; ele tenta usar uma aplicação forçada da Escritura para tentar comprovar um ponto que, na verdade, não está alicerçado na própria Escritura.
E essa era a preocupação do apóstolo: que aqueles irmãos de fato pudessem entender a graça de Deus e não se deixar enredar por nenhum tipo de distorção que a promovida já é e, naquele tempo, continua sendo promovido nos nossos dias. Eu vou falar melhor a respeito disso na nossa última aula, quando chegarmos lá na aula de número 20, mas eu quero adiantar, desde já, que há dois extremos, né, que podem acontecer como resultado da falta de compreensão do que é a graça. Um é o que nós podemos chamar de legalismo ou religiosidade; o outro é o que nós podemos chamar de liberalismo ou libertinagem.
De um lado, até as pessoas que não entendem o favor imerecido e parecem que o tempo todo tentam viver de uma forma, né, onde acreditam que a sua dedicação as leve a merecer algo. Um erro, um extremo. Outras, então, se não temos que merecer coisa nenhuma, né, de alguma forma cruzam a linha de um compromisso e da santificação que a graça deveriam gerar.
Acreditam, tentam defender em nome da graça que elas podem viver de qualquer forma, inclusive brincando com o pecado. E a verdade é que, se não encontramos o equilíbrio correto, nós vamos nos inclinar a um extremo ou a outro. Muitas vezes, a igreja, durante um período, inclinou-se ao legalismo; daqui a pouco, alguns tentando se defender disso, passaram do ponto e foram para o liberalismo, né?
A verdade é que a mesma Escritura nos protege no lugar onde existe uma pressão do que é a graça, onde a gente não precisa viver nem em um extremo nem em outro. Eu quero encerrar essa primeira aula falando a respeito da importância de que a gente tenha a macrovisão, né? Eu lembro que, desde garoto, via meu pai falar o que ele, olhando a mente, aprendeu estudando Teologia: que a Bíblia explica a própria Bíblia.
E para que você tenha uma compreensão clara da Bíblia, você precisa conhecer toda ela. Não adianta simplesmente alguém pegar uma chave bíblica e procurar alguns versículos sobre a graça, olhar para dois ou três e dizer "agora eu entendo". A questão não é uma expressão de uma macrovisão, da visão completa do assunto.
Um dos versículos que falam clara, direta e explicitamente sobre o assunto, mas até aquilo, né, que nós podemos incluir como uma exposição implícita, indireta, uma abordagem a ser simbólica ou tipológica, tem que haver concordância do todo. Eu gosto das traduções mais antigas de Almeida, em relação ao Salmo 119:160, especialmente a versão revisada de Almeida, que diz: "A soma da tua palavra é a verdade; cada um dos seus justos juízos dura para sempre. " Então, quando diz "cada um dos seus justos juízos", ele está apresentando-os de forma separada, individual, mas ele disse que a soma deles é a verdade.
Ou seja, nós precisamos da compreensão completa. Falei agora pouco do ponto em que Satanás tentou, né, promover um engano na tentação do deserto em relação a Jesus. E nós lemos que ele cita para Jesus: "Olha, pula do pináculo do templo, que está escrito.
. . " E aí vem uma situação em que "91 aos seus anjos dará ordem a teu respeito para que te guardem", né?
É lógico que ele está tentando trazer uma distorção da Escritura, né? Naquele momento, ele queria muito mais que Jesus se matasse sob o pretexto de que estava andando numa revelação. O que, espiritualmente, eu tenho visto: muita gente, né, sendo enganada, vivendo de uma forma onde acreditam que estão provocando uma outra reação e uma promessa ou declaração bíblica, quando não percebem que, na verdade, estão na contramão de várias outras declarações, porque um texto foi tirado do contexto integral.
Na Bíblia, o que é que Jesus responde? Mateus 4:7. A resposta do Senhor Jesus, por dia, também está escrito.
O que significa esse "também está escrito"? Ele não estava dizendo que a Bíblia contradiz a Bíblia; ele está dizendo que a Bíblia explica e complementa a Bíblia. Então, também está escrito: "Não tentarás ao Senhor teu Deus.
" Ou seja, você não cria uma situação como a do pináculo do templo para ver o anjo de socorro. O que a mesma Bíblia que fala de uma promessa de Deus de trazer proteção também apresenta claramente a responsabilidade humana de não brincar e não ser negligente. E Deuteronômio 22:8, por exemplo, Deus diz que, quando alguém construir um terraço, tem que construir também um parapeito para que ninguém saia de lá, né, de maneira que o dono da casa não fosse culpado pelo sangue.
Ele não empurra ninguém, mas seria culpado de omissão, seria culpado de negligência. Então, nós precisamos entender que, nesse trade entre visão evangélica, onde é só responsabilidade humana, a gente se cuida, mas não acredita na proteção de Deus, nem é uma distorção do Fábio. Se Deus protege, nós não temos que fazer coisa nenhuma.
E, Jesus disse: "também está escrito". O que está dizendo é que, se você apresentar esse texto que choca com outra Escritura, obviamente não está nos levando no caminho da verdade, porque a verdade está na soma, na harmonia. Portanto, diante de aparente contradição bíblica, eu boto "aparente" aqui entre aspas, porque a Bíblia não se contradiz.
Diante de qualquer aparente contradição que nós temos, temos o desafio de interpretação. Não é, na verdade, um chamado a olhar por uma perspectiva maior e mais abrangente. E, como ad-libs, diz: a verdade, Deus sempre concorda consigo mesmo, né?
É por isso que nós não podemos viver o que brinquei há pouco dessa teologia. De uma página só da Bíblia ou de um versículo só para que a gente consiga, então, construir essa visão correta, né? Essa macrovisão, algumas coisas que nós precisamos entender, né, é olhar por perspectivas que vão complementando e vão ampliando nosso entendimento ou mesmo explicando declarações que foram feitas.
Um exemplo que a gente pode dar quando fala a respeito de macrovisão está lá em Mateus 22, a partir do versículo 41. Eu vou ler até o 46, o final do capítulo: "Então, estão reunidos os fariseus. Jesus disse: 'Perguntou: O que vocês pensam do Cristo?
De quem é filho? ' Eles responderam: 'De Davi. ' Jesus perguntou: 'Então, como é que Davi, pelo Espírito, chama o Cristo de Senhor, dizendo: 'Disse o Senhor ao meu Senhor: Senta-te à minha direita, até que eu ponha os seus inimigos debaixo dos seus pés?
' Portanto, se Davi o chama de Senhor, como ele pode ser filho de Davi? ' Ninguém podia lhe responder uma palavra, e a partir daquele dia, ninguém mais ousou lhe fazer perguntas. " Aqui, Jesus está citando o Salmo 110, e ele pega uma declaração.
Todo mundo sabia que o Cristo teria um filho, descendente de Davi, por uma promessa que Deus fez a Davi: "Não faltará um descendente seu que se assente no trono, né? O seu governo será um governo perfeito. " Isso significava o quê?
Que alguém da linhagem de Davi um dia assumiria o reinado, e que esse alguém, por fim, traria um reino. Ninguém teve dificuldade em entender que Deus estava fazendo um compromisso com Davi, dizendo que o Messias virá da sua linhagem, né? E quando você lê a genealogia de Jesus no início dos Evangelhos, é evidente o cumprimento dessa promessa.
Agora, pode Jesus estar perguntando: se Davi o chama de Senhor, como ele pode ser filho? Jesus não está negando o fato de que ele é filho de Davi. Jesus, na verdade, está dando um choque neles para mostrar algo que eles não pensaram.
Na cabeça da maioria dos judeus, o Messias seria apenas um homem usado por Deus para ser um grande conquistador, libertador, que libertaria a nação de Israel da opressão dos seus inimigos, mas seria apenas um líder humano e natural. O que se assusta tentando fazer não é negar que o Messias é da linhagem de Davi, mas é mostrar que a conclusão sobre quem é essa pessoa, a conclusão dos judeus, em seus dias, está errada. Ele está dizendo: 'Peraí, se Davi está se dirigindo a um filho, a bandeira de Senhor, qual é a explicação, né?
' Porque normalmente eles sempre olhavam para alguém que estava na linhagem, na ascendência, né? Os pais, os patriarcas, como pessoas de maior importância. Ele está dizendo: 'Como este está anunciando a vinda de um futuro que ele chama de Senhor?
' E, obviamente, vou repetir o que já sustentei: Jesus não está negando que ele seja filho de Davi. Ele está chamando os judeus a um nível de questionamento que os faça perceber que a Bíblia fala mais a respeito do Messias do que aquilo que eles tinham enxergado. O que é que nós percebemos nesse padrão de questionamento e de ensino de Jesus?
O próprio Senhor tratava as Escrituras dessa forma, não só quando diz: 'O diabo também está escrito', mas sim: toda e qualquer discussão. Nós percebemos que a macrovisão sempre é chamada para discussão. Quando os fariseus, né, que negam a ressurreição, vêm questionar Jesus, ele já começa a trazer aplicações, né?
Ele disse que, quando a Bíblia fala de Isaque e Jacó, que Deus não é Deus de mortos, e sim de vivos. Tipo: 'Olha, se vocês não acreditam na ressurreição, não faz o menor sentido uma declaração como essa. ' O tempo todo, o nosso Senhor trabalhava essa visão e nessa perspectiva da macrovisão, e esse precisa ser necessariamente o nosso ponto de partida: reconhecer tanto a necessidade de entendimento correto para que haja frutificação, como perceber que a única forma de ter o entendimento correto da construção da macrovisão.
Então, o que faremos ao longo desse posto, né? Vamos construir e montar juntos mais perto um quebra-cabeça, um quebra-cabeça doutrinário, né? E para isso nós vamos começar a falar na próxima aula a respeito do período antes da Lei.
Depois, vamos dedicar algumas aulas falando a respeito da mente, para só depois de estabelecer toda essa pavimentação, começarmos então a discutir lá na frente, explanar com mais detalhes o que é a graça, essa graça bendita de Deus, o transformador.