076 de 2025, que institui a semana de valorização da cultura PRI no município de Rezende. Senhoras e senhores, autoridades presentes e a todos que nos assistem pela TV Câmara, tenham um ótimo dia. A Câmara Municipal de Rezende tem a honra de recebê-los para esta audiência pública que vai discutir o projeto de lei número 076 de 2025. A Câmara Municipal de Rezende informa que em atendimento à Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais referentes à privacidade e ao Direito de Imagem, adverte ao público que as imagens capturadas na presente sessão poderão ser utilizadas para divulgação através
de nossos canais oficiais. Senhoras e senhores, sendo assim, convidamos para compor a mesa as seguintes autoridades: o senhor vice-presidente da Câmara e membro da Comissão Permanente de Cultura, vereador Zé Antônio. Representando o senhor prefeito de Rezende, Tand Vieira, o senhor procurador geral do município de Rezende, Dr. Bruno Romar, a senhora excelentíssima procuradora pública federal de Rezende, Dra. Isabela Brant, os senhores vereadores Rose Nicolino e vereador Noel de Carvalho. O senhor vereador licenciado e secretário municipal de cultura, professor Wilson. Convidamos também a senhora secretária municipal de turismo, Roberta Dias, A senora Joaciana Pessanha, superintendente pedagógica da
Secretaria Municipal de Educação. Convidamos também para compor esta mesa o senhor superintendente municipal de patrimônio histórico, Artístico e Cultural Calebe Afonso, o senhor diretor do Arquivo Histórico do Município de Rezende, professor Ângelo de Paula. Senhoras e senhores, registramos ainda e agradecemos as presenças do Instituto Pamana, Patiam e Inan o Show Coletivo Puri da Mantiqueira, o Senr. Tiquito Puri, da comunidade da Vila da Fumaça, o senhor subprocurador do município de Rezende, Dr. Vanderlei Moraes, o senhor coordenador de igualdade Racial, Luís Cláudio Emórgenes, a senhora coordenadora do UNIAN, Marilene Bussard, do coletivo de políticas públicas de Visconde
de Moá, o Senr. Bocaiva, o senor Iuri, assessor do deputado Jari da Alerge. Senhoras e senhores, ressaltamos que essa audiência pública tem como intuito discutir o projeto de lei número 076 de 2025, que tem como objetivo a implementação da semana da valorização da cultura PRII no município de Rezende, a preservação da história, resgate dos saberes e hábitos tradicionais da população puri. Sendo assim, passamos a palavra ao senhor vice-presidente da Câmara, vereador Zé Antônio, para presidir a presente sessão. Bom dia a todos. Um prazer enorme estar por uma audiência tão importante para os povos indígenas. E
essa casa, a casa do povo, que põe total transparência para toda a população, para todos os povos, que sejam aqui discutidos, decisões no qual vai influenciar eem muito na vida de todos vocês. Então essa casa está aberta e o nosso objetivo é reconhecer e reforçar essa presença histórica desse povo no território da nossa cidade, especialmente considerando que foi erroneamente considerado extinto no século XIX. Além disso, busca-se divulgar sua rica história e cultura e promover a valorização do seu legado e apoiar atores, associações, organizações, coletivos que atuam na preservação e a difusão dessa herança cultural. Então,
nesse momento, convidamos a todos para que em posição de respeito cantemos o hino nacional. Ouviram do pirangas mais báscidas de um povo herói com brado retomando ti. E o sol da liberdade em raios rógos brilhou no céu da pátria. Nesse instante se o senhor dessa igualdade conseguem o somar com braço forte em teu seio. Ó liberdade desafio o nosso feito à própria morte. Ó pário, graça, salve, salve. Brasil com sono intenso raio veto de amor e de esperança. A terra desce sem o formoso céu lêo. A imagem do cruzeiro resplandece gigante pela própria natureza. e
o tempo do espelho a grandeza terra e que outras vilas com pátria amada filhos são minhas mã Patriada Brasil. Deitado eternamente nesse esplêndido ao som do mar e a luz do céu profundo. Ouras, ó Brasil florando da América, Iluminando o som do novo mundo do que a terra mais. Teus dos campos tem mais flores. Nossos bosques tem mais vida. Nossa vida no teu senho, mais amores. Ó pá, graças alguém salve. Brasil de amor eterno seja símbolo. Lá barulos estelados e vende loo desta fómula no futuro e glória no passado. Serves a justiça clama forte. Verás
que o filho teu não podear ninguém ninguém de agora a própria morte terra adorada entre outras vidas do Brasil. A pátria amada dos filhos só minhas mã gentil. Pátria amada Brasil. os convido a todos a sentarem e nesse momento eu passo a palavra à senora Joaciane Pessanha Barbosa da Silva, superintendente pedagógica da Secretaria Municipal de Educação. Obrigada, vereador. Obrigada, vereador. Todos estão me ouvindo? Sim, né? Eh, primeiramente quero dar bom dia aos vereadores da casa, me di me dirigir também à Dra. Isabela, eh, ao povo Puri, que aqui está representado, e também aos demais que
estão aqui presentes. Eh, destacar a satisfação da Secretaria Municipal de Educação estar participando desse momento tão importante para a história da nossa cidade, né? A gente sabe de todo o processo de apagamento que houve, né? um apagamento histórico do povo PRI. E sabemos que não há canal mais importante para esse resgate histórico do que por meio da educação. Então nós temos professores que pesquisam o povo PRI. Estamos fazendo um grupo de trabalho também em relação à formação de professores e produção de material didático para a valorização do povo do povo PRI. Eh, porque também precisamos
pensar na questão da identidade, né? Quando a gente fala desse apagamento, hoje a gente precisa pensar nesse resgate cultural, mas também identitário, para que os nossos alunos também possam se reconhecer, né? Então, a gente revalida e reafirma o nosso compromisso, Né, com a questão da cultura indígena. principalmente por ir, até mesmo pela força da lei. Nós temos uma lei que rege a educação brasileira, que é a LDB, e também a Lei 11.645, 1645, que trata de uma questão mais específica da valorização da cultura indígena como um todo, que já faz parte do nosso currículo escolar
da rede municipal de ensino. E agora, com certeza, né, já de um tempo, mas agora ainda mais a gente vai é fortalecer a identidade e a valorização da cultura PRI, porque é o resgate da nossa história das pessoas que estavam aqui antes de nós, tá? Então, contem com a Secretaria Municipal de Educação e espero que essa manhã seja bastante proveitosa para que a gente possa dar passos, né, mais assertivos em rumo a esse objetivo tão caro a todos nós. Muito obrigada. Eh, primeiramente, né, eu quero ah, ressaltar aqui a ausência do nosso presidente da casa,
o vereador Sandro Riton, que é o autor dessa lei, que devido a compromissos em Brasília não poôde estar presente, mas é um entusiasta dessa causa indígena. Então, todo o respeito ao meu amigo e presidente Dessa casa, vereador Sandro Riton, por tamanho empenho para fazer com que esse projeto, esse requerimento, eh, se torne um projeto de lei lá na frente, que vocês possam ser reconhecido da forma que devem e merecem. E acabou que eu fui pego de surpresa que o presidente não pôde estar por estar em Brasília. O Nelsin estaria presidindo aqui essa audiência pública e
ele teve um problema particular agora com a sua mãe, não pôde estar. Então eu fui pego um pouco de surpresa. Então se eu me embaralhar um pouco aqui vocês me perdoem, mas é porque eu não estava totalmente preparado para essa audiência pública. Ah, tá. Executivo. Ah, show. Perfeito. O projeto de lei proposto pelo executivo é o projeto de lei número 076 de 9 de dezembro de 2025 e ele já foi aprovado, né, doutor? Já foi aprovado. Já é o projeto de lei. Como eu falei, vocês me perdoem, né? Eh, eu fui pego um pouco de
surpresa. Quem estava mais a par de todos esses acontecimentos era o vereador Sandro Riton e o vereador Nelsinho. Mas vamos dar prosseguimento então e vamos passar a palavra à vereadora Rose Nicolino. Uma boa noite. Desculpa, um bom dia. Desculpa, eu tô acostumada com as sessões, né? Me perdoe. Um bom dia a todos vocês presentes, a todos aqueles que estão compondo a mesa. Dra. Isabela, Dr. Bruno, Wilson, Zé Antônio, Jociana, Calebe, eh Ângelo, Noel. Então, eh, eu fico muito contente, né, porque a Joaciana falou a respeito da educação, ela aqui representando a Secretaria de Educação em
nome da Rosa, professor Wilson. Então, acho que tem que realmente a educação abraçar essa causa, tá? que os professores, que a educação tenha esse conhecimento para que possa estar passando pros alunos, porque as crianças de hoje são os adultos de amanhã, para que eles possam estar levando essa cultura. Então, também, como participo aí desta casa como vereadora, para mim é uma grande honra estar aqui, tá? Eh, me colocando também à disposição, quero também registrar aí a presença de alguns algumas pessoas da região aí dos nativos puris, como acho que a maioria das pessoas talvez saibam.
Eu sou de Visconde de Mauá, nascida e criada em Visconde de Mauá. E lá também existem os nativos puris. Então, sejam bem-vindos. e aqueles demais também que têm também eh a descendência dos puris, que os puris não estão só em Visconde de Mauá, mas estão em todo o estado do Rio. Então, para mim vai ser uma grande alegria conhecer os puris de toda a região. Eu quero até já falei com Ângelo, né, que eu quero estar aí junto conhecendo os puris de toda a região, porque eu acho que é muito importante a gente estar fazendo
esse trabalho coletivo para que a gente possa reconhecer aquelas pessoas que eh iniciaram aqui em toda a nossa região. Muito obrigada e um grande abraço a todos. Só fazendo uma correção aqui, né? Conforme eu falei, eu não estava totalmente a par. Esse projeto de lei, na verdade, ele está tramitando aqui na casa, né? Eh, e na verdade ele foi parado justamente para ouvir vocês, essa audiência pública pra gente ver no que que nós podemos acrescentar, melhorar aqui nesse projeto. Então, é só uma uma correção, conforme eu falei. Novamente, Eu peço desculpa por não estar a
par dessa pauta de hoje, mas vou aqui me corrigindo conforme o erro. Nós temos aqui eh uma equipe fantástica, né? Temos o Patrick, temos temos o Rocha, temos a Gace, temos uma equipe fantástica nessa casa que sempre vai nos dando o repauso. Temos aí o Dr. Salviano, nosso procurador geral. Então, sempre vai dando essas pausas. Vocês só me perdoem novamente. Algumas garfs que eu vou cometer aqui é não estar devidamente preparado como deveria para esse evento, mas eu não estava escalado para est colocando ele. Tá bom? Eh, agora eu chamo o vereador Noel de Carvalho.
Eu quero dizer, presidente e todos os presentes, é um dia muito emocionante para mim, porque eu conheço essa história desde que eu era criancinha. Meu pai era prefeito, eu ia muito com ele à fumaça, a Vagem Grande, e ninguém chamava lá de desse nome do distrito, todo mundo chamava de Ardeia. Inclusive a vereadora de lá, a comadre Helena, ela também dizia: "Eu moro na Ardeia". Ela não falava eu moro e me lembro também de uma luta que começou a ser travada pelo meu pai. Depois eu como prefeito também enfrentei isso, que uma empresa muito rica
queria fazer uma hidrelétrica lá na Cachoeira da Fumaça. E nós travamos essa luta porque ia apagar uma marca, né, linda que a gente tem por lá. Então o respeito, né, aos puris e aos seus descendentes é um respeito muito grande, até uma emoção, tá certo? Portanto, eu fico muito feliz em que vocês estejam aqui, como disse o vice-presidente, aliás, presidente hoje, né, José Antônio, ele tá certíssimo, quer dizer, tem um projeto preparado, etc., mas ninguém melhor para aperfeiçoar esse projeto do que vocês, tá certo? Então ele fez muito bem e adiar o encaminhamento do projeto
para antes ouvir vocês descrever os detalhes do projeto e atender as sugestões e demandas de vocês que conhecem essa história muito mais do que a gente. Obrigado, presidente. Obrigado, Noel. Agora eu passo a palavra à secretária de turismo, Roberta Dias. Bom dia a todos. Bom dia, presidente em exercício, vereador Zé Antônio, eh, presidindo essa sessão, Dr. Bruno, Representando o prefeito, colegas secretários, funcionários da prefeitura, os demais vereadores, a comunidade presente aqui, os representantes da do povo PRI. Eh, motivo de muito orgulho fazer parte desse momento. gostaria de colocar a Secretaria de Turismo da Prefeitura à
disposição para ajudar nesse trabalho, valorizar em respeito à memória e a contribuição eh dos representantes do povo PRI aqui no nosso município, em todo o território e no que depender da nossa parte, da nossa pasta, nós estamos à disposição para contribuir e construir juntos e hoje, nesse momento, de ouvi-los em respeito a esse conhecimento de vocês para aperfeiçoar a questão do projeto de lei que vai tramitar nessa casa, a gente quer se colocar à disposição e parabenizar a todos vocês por essa conquista e parabenizar a casa legislativa na presença dos vereadores aqui que vão conduzir
esse processo e os nossos colegas aqui, secretários e funcionários da prefeitura à disposição para que a gente tenha o melhor resultado possível. Eh, muito obrigada pela oportunidade de estar aqui com vocês. Obrigado, Roberta. Agora eu convido para fazer uso da palavra o secretário de cultura, vereador licenciado, professor Wilson. Bom dia, presidente. Bom dia a todos os meus amigos aqui da mesa. Um bom dia especial a quem veio presencialmente, né, fazer parte dessa audiência. Mais um bom dia ainda mais caloroso ao povo PRI, a quem de fato é de interesse, né, por quem estamos aqui. E
eu queria deixar aqui meus agradecimentos e um parabéns especial à Dra. Isabela, por essa sensibilidade, né, em poder reconhecer a importância à Câmara Municipal por ter aberto as portas pra gente discutir com o povo na casa do povo. Então, acho que essa construção em conjunto, a gente tá falando aqui de poder executivo, judiciário, legislativos, todo mundo junto em prol da população, em prol do povo originário da nossa cidade, que são os verdadeiros resendenses, né, os povos da mantiqueira. Então é um motivo de muito orgulho a gente fazer essa essa audiência, essa casa que já fez
algumas reparações históricas, né? Né, Ângelo? Então a gente poder fazer essa reparação, porque a gente tá falando aqui de um apagamento, né, de anos e séculos e a gente poder fazer essa reparação agora dentro da casa do povo, trazendo o povo para dentro de sua casa. Então eu deixo aqui os parabéns a todos os envolvidos que se juntaram para que possa fazer essa lei construída a várias mãos da melhor maneira possível. Muito obrigado. Obrigado, secretário. Agora convidamos para suas palavras a senhora excelentíssima procuradora federal do município de Resende, Dra. Isabela Brante. Bom dia a todos.
Bom dia a todos. Bom, eu escrevi hoje o que eu pretendia falar para não esquecer nada de importante. Eh, eu cumprimento, primeiramente, os representantes do povo Puria aqui presentes, as lideranças, os anciãos, os jovens, os representantes, os vereadores presentes por nos receberem, os representantes do poder executivo municipal e todos os cidadãos que participam dessa audiência pública. Bom, eu vou iniciar com uma breve explicação da presença do Ministério Público nessa audiência pública. O Ministério Público é uma instituição permanente do Estado brasileiro, com a função constitucional de defesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos direitos
sociais e individuais indisponíveis. Isso tá na Constituição. Em termos mais simples, isso significa que o Ministério Público atua para garantir os direitos fundamentais de cada cidadão, para que eles, esses direitos sejam respeitados, especialmente quando envolvem grupos historicamente vulnerabilizados e invisibilizados, como nesse caso. É nesse contexto que se insere a atuação do Ministério Público hoje. e tramita na Procuradoria da República de Rezende desde o final de 2023 um procedimento administrativo que surge a partir de duas demandas que coincidentemente chegaram praticamente ao mesmo tempo no Ministério Público. De um lado, o Instituto Patiamama, por meio Da Aline,
buscava o apoio institucional do Ministério Público para dialogar com o município de Rezende, com o objetivo de viabilizar um espaço de memória do povo Puri na região de Visconde de Mauá. De outro lado, um documento chegou ao Ministério Público relativo ao encontro indígena realizado em Minas Gerais, no qual constavam vários registros relevantes de levantamentos realizados pelo Chiquito Puri acerca da presença de descendentes PURI na região de Fumaça. A partir dessas duas portas de entrada, o Ministério Público de Rezende passou a ter contato com diversas pessoas, trajetórias e pesquisas que somadas relevaram uma base, revelaram uma
base consistente, significativa sobre a presença PUI no território de Rezende. É muito importante fazer uma pausa nesse momento. Quando a gente fala do reconhecimento da identidade indígena, não estamos tratando de um ato formal isolado, nem de uma concessão do Estado. Estamos falando de um direito fundamental que envolve a possibilidade de indivíduos e coletividades se reconhecerem como pertencentes a um povo, com uma base histórica, memória e sua suas práticas culturais e seus vínculos com a comunidade. A Constituição reconhece a organização social, os costumes, as línguas, as crenças e as tradições dos povos indígenas. E normas internacionais
como a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho reforçam que a autoidentificação é um critério central nesse processo. Mas nesse reconhecimento precisa ser analisado também o contexto histórico. O povo PRI, que viveu nesse território, Como tantos outros povos indígenas no Brasil, foi submetido a um longo processo de violência, deslocamento, dispersão e apagamento. Em muitos casos, a sobrevivência exigiu o silêncio, a adaptação e a invisibilidade. No processo de colonização, expressões, modos de vida e até mesmo a identidade precisaram ser ocultados como uma forma de proteção. Quando hoje falamos em reparação histórica, estamos nos referindo em parte
a isso, a necessidade de reconhecer que houve um processo de apagamento e que diante dele o Estado brasileiro e a sociedade tem o dever de criar condições para que essas histórias possam ser retomadas, ser construídas e valorizadas. Não se trata de voltar ao passado, mas de permitir que ele seja conhecido por todos, compreendido e integrado ao presente. No âmbito do Ministério Público, esse processo tem se desdobrado em algumas frentes de atuação na área de educação da educação, como a representante da secretaria já mencionou, estamos em contato com a secretaria de Rezende e sabemos que está
sendo constituído esse grupo de trabalho que é voltado ao cumprimento das diretrizes da legislação brasileira. que prevê a inclusão da história e da cultura indígena no ensino. E aqui é um ponto essencial que foi destacado. Essa história não pode ser contada apenas sobre os povos Indígenas, mas ela tem que ser contada com a participação efetiva daqueles que vivenciam. Ou seja, trata-se de garantir o protagonismo dos próprios representantes PRIURI na construção e na transmissão desse conhecimento. Em outra frente, pretende-se iniciar um diálogo com as áreas de assistência social e saúde do município, com o objetivo de
criar espaços institucionais que permitam a autodeclaração da da identidade indígena nas bases de dados públicas do município. Isso é extremamente relevante para entendermos onde estão essas pessoas, porque as políticas públicas elas dependem dessa informação. E por muito tempo essas pessoas não apareceram nas estatísticas, não porque não existiam, mas porque não havia espaço para que elas se identificassem. Outro aspecto que merece destaque é a própria complexidade desse processo. As pessoas com quem o Ministério Público teve contato trilharam caminhos diversos na busca dessas origens. Chiquito Puri, por exemplo, desenvolveu um trabalho de escuta e entrevistas, especialmente com
pessoas da região da fumaça, resgatando memórias, identificando marcas culturais que sobreviveram ao longo do tempo. Por meio dessa escuta que identificou o uso de códigos secretos como o termo cordicuia, adotado para identificar os descendentes por de forma velada, permitindo que se reconhecessem, Despistando o apagamento cultural e evitando as perseguições históricas. A Aline, por sua vez, constrói esse percurso também no ambiente acadêmico, reunindo relatos, registrando narrativas, sistematizando informações, como o trabalho desenvolvido no livro Boace Ou esse livrinho aqui. A Aline é autora de vários livros, todos publicados pela editora Patiam, uma editora de de Rezende, exclusivamente
indígena e hoje busca com o coletivo do Instituto Patiam, que inclui entre outros Avanusa, Terezinha, Lisane, João Felipe, na região de Visconde de Mauá trabalhar a identidade PRI integrada à natureza, cuidando dessa história como cuidam dos cios e das araucárias. O Ângelo leva essa investigação pro campo da pesquisa histórica, aprofundando o estudo sobre a exploração da mão de obra indígena na nossa região. Sua pesquisa de mestrado foi fundamental porque afastou a falsa narrativa da extinção do povo Puri no século XIX, demonstrando que houve, na verdade, um processo proposital de invisibilização. É, eles foram reclassificados nos
documentos oficiais da época, como cabôlos, pardos ou matutos, com o único fim de legitimar a usurpação de terras coletivas e submetê-los ao trabalho escravo. Esse foi o tema da sua dissertação de mestrado, que originou esse livro, o livro Escravidão Indígena nos Sertões da Paraíba Nova. Nesse período, a gente teve contato também com Diogo. Diogo é uma liderança jovem, representante PRI, morador do bairro Surubi, que parte do reconhecimento da sua própria identidade para estabelecer conexões com outros grupos PRI, como os da Aldeia Maracanã, no Rio de Janeiro, fortalecendo vínculos contemporâneos dessa população. Esses são apenas alguns
exemplos. Hoje conheci outros puris aqui com outras histórias também extremamente relevantes. E essa é a teia que nos permite afirmar que não estamos diante de histórias isoladas, mas de um movimento coletivo de fortalecimento de identidade. Esse movimento, no entanto, ainda está em construção e talvez o ponto mais importante seja justamente esse, criar espaços para que essa identidade possa ser exercida de forma coletiva e reconhecida socialmente e respeitada pelas instituições. Nesse contexto que insere o projeto de lei que a gente está discutindo hoje. E aprovado, teremos uma lei formal que busca reconhecer e valorizar a presença,
a memória, a cultura e a contribuição do povo PRI pra história e pra identidade do município de Rezende. Mais do que instituir uma data e promover eventos culturais, esse projeto representa a abertura de um Espaço institucional de reconhecimento e diálogo. E isso é muito importante porque durante muito tempo a presença indígena na região foi tratada apenas como algo do passado, quando na verdade existem pessoas, famílias, memórias e trajetórias que estão vivos, presentes hoje. O reconhecimento formal pelo poder público municipal é extremamente importante porque permite que essa realidade passe a ser considerada na construção das políticas
públicas do município. Quando o poder público reconhece essa presença, ele cria condições para ouvir essas pessoas, compreender suas demandas e desenvolver ações nas áreas da educação, da cultura, da assistência social e da preservação da memória. O reconhecimento, ele não tem um valor simbólico, ele tem também efeitos concretos na forma como o município passa a enxergar e valorizar essa população. A valorização da cultura PRI contribui também para que essa história possa ser conhecida pelas novas gerações, debatida nas escolas, registrada nos espaços públicos e integrada à identidade cultural do município. E é nessa medida que é e
esse ato também representa uma reparação cultural e histórica. E e aí eu acho que vale também destacar a importância do momento que a gente tá vivendo hoje, dessa audiência pública. A Convenção 69, ela estabelece que os processos que afetem povos indígenas devem ser conduzidos com a participação efetiva, com escuta qualificada e com respeito ao protagonismo dessas populações. Portanto, esse momento não é um momento formal, ele é essencial para que essa, né, esse ato normativo seja construído legitimamente como uma política pública. Por fim, eu gostaria de fazer três breves reconhecimentos. primeiro a cada um dos representantes
do povo PUI aqui presente, porque se hoje estamos aqui discutindo esse tema de forma aberta e institucional, isso se deve ao trabalho persistente, muitas vezes silenciosos, que cada um de vocês vem desenvolvendo ao longo de anos, um trabalho de memória, de resistência e de reconstrução. Segundo, o reconhecimento ao município de Rezende, que desde o início demonstrou abertura pro diálogo e para o encaminhamento de cada uma das demandas apresentadas. e terceiro, a Câmara de Vereadores pela realização dessa audiência pública, pela oportunidade de debater esse tema abertamente e criar esse espaço democrático de escuta e participação. Por
fim, eu gostaria de registrar uma reflexão. A valorização da cultura PRI não é apenas uma pauta de interesse desse grupo específico. Ela diz respeito a todos nós, porque a identidade brasileira é por natureza plural. O Brasil foi formado por diferentes povos, diferentes memórias, diferentes formas de viver e compreender o mundo. E quanto mais reconhecemos e valorizamos essa diversidade, mais compreendemos também quem nós somos como sociedade. Há um ganho coletivo nisso. Ganha quem se Reconhece, ganha quem passa a conhecer essa história, ganha o município e ganha o país. Porque uma sociedade que reconhece sua própria diversidade
é uma sociedade mais rica. culturalmente, mas preparada para construir o futuro com respeito e inclusão. Talvez exatamente tenha sido isso que Aon Krenak quis dizer quando afirmou que o futuro é ancestral. Não há a construção do futuro sem uma reconexão com a memória do passado. Que a experiência que hoje está sendo construída em Rezende possa servir de referência e inspiração para outros municípios e que esse seja apenas um passo importante, mas inicial, de um processo amplo de reconhecimento, respeito, valorização da memória e construção conjunta. Era isso. Acho que eu não esqueci nada. Obrigada. Obrigado, Dr.
Isabele. Excelente pronunciamento e o povo Puri pode contar sempre com essa casa. Essa casa sempre estará de portas abertas para vocês e para que a gente possa lutar por tudo aquilo que é de direito de vocês. Podem contar sempre com essa casa. Eu, para encerrar os pronunciamentos, eu convido agora o senhor procurador do município, Dr. Bruno, representando o nosso prefeito Tand Vieira. Bom dia. Bom dia a todos os representantes da do povo PRI, todos os presentes. Vereador José Antônio, que cumprimento na pessoa dos demais vereadores, eh, representante do Ministério Público, Dra. Isabela, os meus colegas
de prefeitura, secretários e demais presentes. eh dizer que esse projeto de lei nada mais representa realmente do que a vontade do do da administração pública municipal em fazer esse reconhecimento, oficializar, vamos dizer assim, por meio de um projeto de lei, esse reconhecimento da da cultura e do povo purir no município de Rezende, em toda a nossa região também, e que juridicamente falando que ele sirva, né, como um balizador eh para pro início e o desenvolvimento de várias atividades de valorização da cultura PRI, de reconhecimento dessa cultura e de transmissão desses valores, dessa cultura aos, né,
na as futuras gerações. Eh, o prefeito Tand desde o início sempre se mostrou favorável e sempre se mostrou um adepto fervoroso à continuidade desse trabalho, solicitando sempre que todos os as providências e necessárias para realização e execução desse projeto de lei fossem tomadas para para que essa lei fosse adiante. E obviamente depois da promulgação dessa lei, com certeza todas as atividades aqui presentes, né, e previstas serão eh obviamente adotadas pelas secretarias municipais competentes. Tanto eh, Juridicamente falando, eu acho, acredito que esse reconhecimento é de suma importância, não só para inclusão oficial e efetiva, né, da
cultura por da transmissão das suas ideias, dos seus valores na nossa educação, pra geração futura, com atividades educacionais e culturais também representados aqui também pelo pelo nosso secretário e também, mas também para pro fomento a atividade de de turismo numa identificação perfeita e agora sim oficialmente reconhecida, vamos dizer assim, ainda que tardiamente, pelo pelo poder executivo municipal, pela sociedade resendência. Eh, então, e além disso, esse reconhecimento, obviamente, sendo feito oficial e através de uma lei municipal promulgada, vai facilitar e abrir portas, né, paraa transmissão dessa cultura e a valorização do povo PRI por meio de
inúmeras ações, convênios, contratos administrativos, busca por recursos, não só municipais, como federais, estaduais. Existe a Secretaria de Proteção, né, do Povo Indígena, existe o Ministério da Defesa dos Povos Indígenas. Então, todos esses recursos, obviamente, com a promulgação dessa lei, vão ficar à disposição, né, obviamente atendendo sempre os requisitos da legalidade, da razoabilidade, para que esse trabalho de valorização e disseminação dessa cultura por isso seja sempre levado adiante para as outras gerações e para nós mesmos, né, para que a gente conheça. Gostaria de parabenizar eh todos os representantes da cultura por isso. Sei que é uma
luta árdua, eh, Ouvi alguns depoimentos, ouvi algumas histórias, gostei muito do que eu ouvi e parabenizo e me solidarizo com vocês e dizer que o município tem o maior interesse e vai atuar e em conjunto com o Ministério Público e com essa casa legislativa, mas o município vai atuar também por si só, com as suas secretarias, para que essa valorização, esse reconhecimento não paregação dessa lei, que existam atividades concretas executadas para essa divulgação, né, e para essa transmissão cultural. Eh, gostaria de agradecer imensamente a Dra. Isabela pela presença, pela orientação de sempre. Eu sou, eu
tô como procurador geral e o Dr. Vanderlei, né, que é meu subprocurador e um irmão que município de Rezende me deu. Mas nós valorizamos sempre nosso trabalho, nossa atuação na procuradoria sempre em conjunto com o Ministério Público. E tem representantes eh do parquê, como a Dra. Isabela nos fazer sempre acreditar que o trabalho em conjunto é a melhor solução pro desenvolvimento de atividades como essa. E eu agradeço muito sempre a atenção e a disponibilidade que ela dispensa, não só ao município, mas principalmente a mim e ao Dr. Vanderlei como procuradores. É, sempre é muito importante
e a mesma mesmo agradecimento e a mesma distinção. Gostaria de fazer essa casa legislativa que me recebe, me acolhe em vários momentos desde o início da minha atuação como procurador geral e até antes como procurador de carreira, na pessoa hoje do do vereador José Antônio. Tinho tem outros vereadores aqui e principalmente Do Dr. Sandro Riton, que é uma pessoa que reconhece e sempre apoia esses projetos também municipais aqui. Então, gostaria de agradecer a todos, colocar também a a prefeitura, né, através do gabinete do nosso prefeito Tand, mas também da procuradoria, o meu gabinete à disposição
de todos vocês. As portas estão sempre abertas para todos os cidadãos. O povo PRI também é um cidadão resens. Não nos esqueçamos disso jamais. Muito obrigado a todos e um bom dia. Obrigado, Dr. Bruno. Quero aqui agradecer a presença de todos, em especial a Dra. Isabela, que é a nossa representante do Ministério Público Federal. Dr. Bruno, nosso procurador geral, Dr. Vanderlei. Isso é para que vocês possam entender, vocês povo, povo puri, o quanto que vocês representam para nós. Todos nós estamos aqui para esse reconhecimento mais do que merecido e chamar atenção aqui para o nosso
prefeito T de Vieira, que não pôde estar presente, A importância que ele tem dado à cultura, ao turismo, que representa entam vocês. Nós hoje nós temos o nosso vereador licenciado, secretário, professor Wilson, quem vem fazendo um trabalho brilhante frente à Secretaria de Cultura, resgatando vários vários valores que muit das vezes estavam esquecidos. Então, parabéns pelo brilhante trabalho, professor Wilson, e a nossa secretária Roberta, por excelente trabalho também que vem fazendo à frente da Secretaria de Turismo, essa unificação entre Rezende e Tatiaia, que beneficia por demais o povo Puri, onde lá vocês vão poder sempre estar
comercializando os artefatos de vocês, tendo essa essa visibilidade que eles é merecida. E não tem como não falar do Chiquinho, que foi meu amigo de colégio no Noi de Carvalho, né? E hoje tá aí à frente. Essa briga não é de agora, né? né? O Chiquinho já teve por diversas vezes no meu gabinete nessa nessa busca incessante para esse reconhecimento. Volto sempre a frisar, mais do que merecido. Quero agradecer a presença do meu amigo que há muitos anos eu não via, o Cláudio lá de Mauá. Já foi meu meu gerente na Michelan. Isso bem anos
atrás, né, Cláud? É bom a gente não falar muito para não revelar a idade e agradecer a todos aqui presente nessa audiência pública e eu vou solicitar ao cerimonialista que faça a leitura do projeto de lei número 076/2025 que institui a semana de valorização da cultura PRI no município de Rezende. Logo após abriremos a discussão com os povos originários. Senhoras e senhores, projeto de lei número 76 de 9 de dezembro de 2025. Ementa: institui a Semana Municipal de Valorização da Cultura PRI no município de Rezende e dá outras providências. O prefeito municipal de Rezende faz
saber que a Câmara Municipal de Rezende, no estado do Rio de Janeiro, aprovou e no uso de suas atribuições legais e constitucionais. Artigo primeirº. Fica instituída a Semana Municipal de Valorização da Cultura PRI, a ser realizada anualmente na semana que coincidir com a primeira lua nova próxima ao equinócio de outono, período que marca o início do ano por. Artigo 2º. A data e o evento estabelecidos por essa lei passam a integrar o calendário oficial do município de Rezende. Artigo terceiro, São objetivos desta lei, entre outros. Parágrafo primeiro, reconhecer a presença dos puris como povo originário
do território de Rezende. Divulgar a história e cultura dos puris. Valorizar o legado cultural do povo pur, seu conjunto de crenças, saberes e cultura material e imaterial. Valorizar a atuação de atores, associações, organizações e coletivos que atuam na divulgação e preservação da cultura PRI em Rezende e região. Artigo 4º. Caberá o poder executivo, no gozo de suas atribuições, designar os órgãos responsáveis por, parágrafo primeiro, promover ou apoiar eventos, festivais, palestras e rodas de conversa sobre o tema. Parágrafo segundo, desenvolver materiais informativos e educativos sobre a cultura PRI no âmbito escolar, em espaços públicos e nas
redes sociais. Parágrafo terceiro, viabilizar financiamento de ações realizadas por atores, associações, organizações e coletivos que atuem na divulgação e preservação da cultura por garantindo o protagonismo indígena nas atividades. Artigo 5º. Para o desenvolvimento e implementação das atividades da Semana Municipal de Valorização da Cultura PRII, o Poder Executivo poderá firmar convênios e parcerias com entidades governamentais, sociais, culturais e instituições privadas. Artigo sexº. Esta lei entra em vigor na data de sua publicação. Artigo séo. Revam-se as disposições em contrário. Alexandre Sérgio Alves Vieira, prefeito municipal. Passo a palavra ao senhor vice-presidente da Câmara, vereador Zé Antônio. Eh,
o olho não tá muito bom. É o Olímpico que tá sentado aí. Bem-vindo a essa casa, Olímpio. Olímpio é um ex-vereador dessa casa e também estudou comigo no colégio Noel de Carvalho. Seja muito bem-vindo novamente essa casa. Agora vamos abrir a participação dos povos originários. Instituto Pastamama Uchou coletivo Puri. Por favor, tem a palavra. Vou pedir licença pra gente iniciar no formato originário. Pode ser. Tá faltando calor aqui, não é? É. Eu vou pedir licença à mesa se a gente puder fazer. Vamos ficar de forma que ninguém fique de porta pra gente. A gente pudesse
fazer uma abertura. Não, a gente vai ficar de para vocês. Essa aqui é a Manaqueira, é a nossa anciã. É a serra que nos acolhe, que acolheu a todas e todos nós. A mana tiqu é nossa casa, é nosso corpo, território, espírito. Aqui estão as onças, o maru, os rios, o rio preto, seu Jorge. Todas as nossas relações com a terra. ara altário, toda a beleza que dessa serra que acolheu o povo originário e que acolhe também a cada pessoa aqui. Я Assim aprenderam. Por favor, gente, estamos aqui. Vocês estão aqui agora. Todo mundo tá,
ó, com a energia furia. De poder, o te poder. sao ter você terê poder. se você se fazer. Nós estamos aqui na coletividade com várias gerações de vários lugares daquira e agradecendo muito fortemente Dr. Isabel, por ter acompanhado hoje, por ter nos acolhido, da mesma forma que nós acolhemos todas as pessoas que chegaram aqui, certamente, porque as histórias eram das pessoas também iam para essa região buscando cura e cura indígena. Nós atimos todas as pessoas, as pessoas pretas, as pessoas que chegaram todos os oceanos. E nesse momento nosso país precisa acolher esse povo que se
cuidou de todos, todas. O nosso pedido de adequação, vou pedir também a Dra. Isabela para ler, se faz principalmente para que a cultura só seja valorizada. A cultura pode ser uma valorização póstuma, mas reconhecer a nossa existência. E essa existência que tem essa cultura. Importante também a gente pensar em um momento de um mês de preparo pra gente poder celebrar essa culminância que é o ano novo poria a partir de um processo porque tudo nosso na questão indígena são processos e esses processos são aprendizados. A gente vê o aprendizado de toda a serra da Monqueira.
Passa. É uma grande alegria e gratidão estarmos num lugar que nos ensina todo dia. Se uma libéula vai pro lado, a gente já. Então esse processo que a gente quer transmitir se fala hoje em relação à questão ambiental climática sem pediu. Eu gostaria que a Tia também falasse, Você precisa não ter no microfone por causa tá transmitindo. Vocês vão ter que traduzir tudo que eu disse até agora. Eu vou passar aqui paraa TT. O mais importante foi dizer que nós estamos num coletivo de várias gerações, de vários grupos que fazem parte da Serra Mantiqueira, que
a questão territorial para nós é diferenciada. O Rio Preto ele nos une e não separa um estado do outro. Então, se o Puri tá do lado de Minas, se o Puri tá subindo eh a Serra Negra, ele faz parte do coletivo, porque para nós, nós estamos nesse seio da mãe terra. E esse dia, dia 6 de maio, que é o dia da coragem, agora também pode ser o dia do reconhecimento por ir. Eu quero que vocês saibam também que povos do Brasil todo estão vibrando por nós neste momento, que eu não seria até justa se
eu não citasse o nome de todos. aqui em nome de todos. Eu quero agradecer o povo guarani. Subiu várias vezes em vários momentos na serra, na nossa região e cantou com a gente e deu força e falou pra gente não Desistir, porque uma vez invisibilizado fica um processo muito duro você dizer que não está extinto e dizer que não é nenhum fóssil. Então, importante a reparação, reconhecimento do povo por e valorização da sua cultura. E importante a nossa participação, porque tudo que se fala de povo originário, nós fazemos no coletivo, o que é um aprendizado
que a sociedade de hoje se perdeu. É muito mais fácil ser individualista, porque o coletivo traz conflito também, mas nós estamos aqui para mostrar que é possível e gostaríamos de ouvir as nossas parentas e depois que a Dra. Isabela lesse as nossas solicitações. E foi bom a gente ter feito essa forma. Primeira no modelo que agradasse a nossa ancestralidade, as nossas avós, bisavós, tataravóz, os nossos avós, pais, bisavós, tataravós, que já sofreram muito mais do que nós até e que nós estamos aqui porque eles resistiram. Eu sou Terezinha Puri e tô aqui nesse momento. Agradeço
a todos pela oportunidade de est representando os nossos ancestrais, O povo Pir da Mantiqueira, de toda essa área da serra, Rezende, Mauá, Fumaça, toda região, né? e agradeço cada um de vocês pela oportunidade de estar na nessa luta, nessa caminhada, né, com a gente, que não foi fácil chegar até aqui. Foi um passo muito importante, né, hoje para nós é um passo muito importante e agradeço mesmo de coração. Não vou estender muito não, que todo mundo aqui já falou, né, bonito e é muita, muito orgulho poder tá aqui resgatando a nossa história, né, e a
gente sentir que realmente hoje a gente pode, a gente existe, a gente tá aqui e a gente tá continuando, né? e tudo de bom, tudo que a gente pôde também e pode passar pros que tão os novos jovens, né, da do nosso povo, que é nossos artesanatos, eh, sobre, né, nossa, nosso pinhão, nossa farinha, né, resgatar isso tudo que tava, né, lá parado, não esquecido, mas parado. e Agradecer, né, Aline, por ter dado essa oportunidade de nos convidar, de puxar esse esse carro, né, e a gente poder tá aqui hoje mesmo representando. Para mim é
muito orgulho representar, né, nosso povo. E assim, não tem mais palavra, vocês já falaram tudo que que a gente podia ouvir, eu acho. Então, que eu posso dizer? Eh, ai meu Deus, eu fico emocionada, né, de tá aqui. É muito, né, chutê potê para todo mundo. Eh, como todos já dissem, né, eh, chutepotê, eh, sou Vanusa Puri. Eh, Dra. Isabela, gratidão por essa luta que ela abraçou essa causa. E como a Jose já tinha dito, eu que acompanho há muito tempo as escolas, eh hoje eu fico muito feliz de ver a dedicação dos professores em
passar o conhecimento verdadeiro, em ir até nós, o povo originário que habita na mantiqueira. Eu, desde quando eu nasci, eu habito nas montanhas e aqui eu conheço muitas pessoas aqui que me acompanharam e me acompanham desde criança. Então, eh, passamos uma semana muito linda, as crianças vibrando dentro da da sala de aula, os professores se dedicando em passar o correto e acabar com aquela falácia, né, aquele disse, me disse, eh, e não um só falar por nós e entender que nós estamos aqui vivos. Nós trazemos muito conhecimento em nossos corações. Eu trago muito conhecimento dentro
de mim. O meu avô pur aqui, minhas tias puris. Trago muito conhecimento dentro de mim. Desde criança habito às matas. Tenho conhecimento das ervas medicinais. Sou muito feliz e grata porque hoje essa data que nós encontramos aqui é uma é cada pedrinha que se foi colocado. São anos e anos de luta. E todos vocês aqui na mesa presente olhar por todos nós é muito importante e entender que e agora ser concebido mesmo que estamos vivos. O povo Puri está vivo, vive na mantiqueira, cada um com sua essência, nossos irmãos, cada um com o seu aprendizado,
o seu ensinamento e acabar com aquela aquela sentimento de nos esconder como nos escondemos a vida toda. Então hoje, essa data de hoje é muito importante para nós, o povo Originário da Mantiqueira. O meu coração está muito grato. Agradeço a todos. Potê falar seu Jorge. Vai falar, seu Jorge. Tirar a foto aqui, seu Jorge. A foto que eu vou mostrar pro pessoal. Então, gente, eu sou o Jorge Brito lá de Visconde de Mauá. Sou atesão, sou artista, sou poeta, sou tudo na vida. Tô aqui safando até com o pai daquele grande homem ali. Então o
negócio é o seguinte, eu eh sou uma pessoa bastante famosa, mas sou pé no chão. E e outra coisa que eu vou dizer para vocês, eu sou representante do estado do Rio duas vezes, escolhido para representar o estado do Rio lá na Chapada dos Viadeiros lá em São Jorge em Goiás. Então, duas vezes eu já fui escolhido para representar o o estado do Rio lá. E lá no estado do Rio eu fiquei oito dias. Toda vez que eu fui lá fiquei oito dias lá. E então eu tive capacidade de duas tribua duas tribos de índio
lá em Goiás. E nessas duas tribos de índio que eu fui, tirei foto com os índios, dancei com os índios. Eu sou dançador de catira, faço qualquer coisa. Então eu eu queria pedir aqui a a o nosso pessoal aqui que trouxesse uma tribo de índio para Viscon Mauá. Nós somos indígenas, seu Jorge, porque é tão bonito, é tão bonito os índios brincar, dançar, benzer o povo. É legal demais. Eu tive oito dias lá na Farra, nem fui representar o cadinada. Eu fui pra Farra. Então o negócio é o seguinte, o pessoal muito legal, o pessoal
querido que tem lá, essas duas tribos que eu fui, eu comia lá junto com eles. Eu comi a comida que eles estava fazendo sentada no chão lá, que a a tribo do índio é muito grande, uma uma área muito grande, mas não tem uma colher, não tem um garfo, não tem nada. comi tudo na mão. E eu pedi um pedacinho daquela daquelaquelas papas que ele estava fazendo ali, que eu não aguentava ver o cheiro daquilo, sabe? Peixe com erva de mandioca. Então eu queria pedir, a única coisa que eu queria pedir para vocês que aqui
todo mundo, eu acho que já me conhece, né? Jorge Brito e Mauá é é mais conhecido que é o dinheiro. Então eu queria que vocês aqui a nossa a a nossa organização aqui trouesse uma tribo de índio para escol de malá. Obrigado. Chut potência Jorge, Muito importante, didático. Como que a gente às vezes não se identifica por conta do processo todo da colonização que o tempo todo nos olha e diz que você não é, que você não tem o jeito. É um resultado não só nossas anciãs, como de anciã de outros povos. Não se vê.
Por isso que a gente não pede o resgate, a gente pede o reconhecimento, porque o cuidado e a cura que nós que temos que fazer entre os nossos, são os nossos úteros que vão nos curar juntas e juntos. E eu vou passar então pra Dra. Isabela poder fazer a leitura, não sei se agora. E Miguara, convida. Então, gente, vamos fazer dança lá em Visconde de Mauá, tá? que eu chamo de amaneira, eu acho mais bonito. A gente faz em frente ao Rio Preto, tá bom? E a Matusa, Tenhor. Mas só vai poder sair, seu Jorge,
quando a fogueira acabar, hein? Senão não vai poder. Gratidão. Bom, então vou fazer a leitura. Eh, o Instituto Patiam, o coletivo de Mauá, enviou pro Ministério Público as sugestões de ajustes no projeto de lei. Eh, esse documento ele foi encaminhado pro município de Rezende, paraa Câmara de Vereadores. E aí, eh, as alterações seriam na ementa, institui o mês municipal da valorização da cultura PRI, Reconhece a presença do povo PRI no município de Rezende e dá outras providências. A outra alteração proposta é no artigo primeiro, que ficaria da seguinte forma: fica instituído o mês de março
como mês municipal de valorização da cultura PRI no município de Rezende, reconhecido como o período do início do ano puri. Aí há um pequeno ajuste no artigo 2º para que ao invés de constatar, né, a semana conste, o período estabelecido por essa lei passa a integrar o calendário oficial do município de Rezende. E a última alteração proposta é no artigo qto, quando eh fala das atribuições e órgãos responsáveis pelas políticas públicas por ir. Eh, eles propõem a inclusão de um parágrafo único no seguinte sentido: Na implementação das ações previstas nesse artigo, o poder executivo deverá
assegurar o protagonismo do povo PRI, apoiando iniciativas conduzidas por seus representantes e priorizando a utilização e divulgação de materiais produzidos por pessoas por da região. Então, são essas as alterações que foram propostas pelo coletivo de Visconde de Mauá. Convidamos o senor Chiquito Puri, representando a comunidade da Vila da Fumaça. Eh, bom dia. respeito aí, meus respeitos a todas as autoridades presentes, ao meu povo visível e ao meu povo que está invisível, mas está aqui, que são os nossos ancestrais. Eu, quando eu vou falar em qualquer lugar que eu esteja, a primeira coisa que eu faço
é saudar os ancestrais. Não fossem essas pessoas que viveram, nós não estaríamos aqui. Então, garra tamapuaié, eu saúdo com honra os nossos ancestrais, os meus e os de vocês também, tá bom? Eh, o seu Jorge falou do pé no chão, seu Jorge, eu tirei meu calçado e tô com pé no carpete, tá? Só para valorizar sua fala que foi importante. A gente precisa ter pé no chão, sim, seu Jorge, com certeza. Eh, eu agradeço demais esse momento. Tô muito emocionado, muito, porque não é fácil a luta. Agradeço a Dra. Isabela, que já falou um pouquinho
do meu trabalho. É um trabalho de longa data. Mas isso começou lá pelo ano 2000, mais ou menos 2004. Eh, eu também não me via como indígena, Tá, doutora? Eu não me via. Sabe por quê? A minha mãe foi criada sem saber que ela tinha ascendência indígena. Porque tem uma questão pra gente que é primordial a gente entender. Eh, houve um tempo no Brasil, né, que as pessoas eram puras, né? Tinha essa coisa da pureza. O branco falava que o indígena que casou com o negro não era mais puro. O negro que casou com branco
não era mais puro. O negro casou com o indígena é mais puro. E tinha uma coisa de pureza que até hoje eu nunca entendi, né? Era chamado de eugenia, né? Isangelo que estudou história, oo era a tal da eugenia. Então tinha as pessoas puras, né? E aí o o colonizador europeu vindo de Portugal e daquela região também que abriga Espanha hoje em dia, ele veio essa história da pureza, né? Ele mesmo era um povo que foi colonizado por muito tempo pelos mouros, os mouros árabes, né? Que deixaram a sua herança, então, na Península Ibérica, que
é Portugal e a Espanha. Como é que essa pessoa toda misturada com vários povos chega no Brasil agora o indígena não é puro porque ele casou com branco. Como assim? Por que que o indígena só era considerado indígena se ele era casado indígena com indígena? E aí, nessa nessa brincadeira de muito mau gosto, perseguiram, violentaram, fizeram todo tipo de maldade com esses povos que aqui estavam antes de do português chegar com as caravelas, né? A terra brasileira já era ocupada, plenamente ocupada. tinha mais de 5.000 povos aqui na região. A região não, no Brasil, um
território que depois veio a ser Brasil, conhecido como Brasil. E Rezende não era diferenente disso. Aqui também não era só por né, aqui tinha outros povos também, sendo que a predominância na região, no nosso território, que era muito maior do que é hoje, era do povo pur. E e a gente sabendo de tudo isso e sabendo e sendo criado sem saber que tinha ascendência indígena no meu caso, e nem a minha mãe sabia e eu só soube porque eu fui pesquisar os outros idosos. Eu comprei um um gravadorzinho de fita cassete. Na época eu tenho
essas fitas cassete ainda gravadas com vários testemunhos de idosos que sempre apontavam os outros como sendo indígenas. Nunca eles era um tal de um empurrar para o outro. É o que a doutora falou ali do cor de cuia que teve um acadêmico que contestou doutora. Ele falou que eu inventei o termo. Eu falei: "Que pena que é assim, Né? Que pena que a academia que tem legitimar os nossos saberes. É uma pena isso. É um saco isso, né? Na verdade, desculpe nome da palavra, mas é muito chato pra gente isso. A gente tem sabedoria, o
povo indígena tem muita sabedoria para dar e para vender. Acadêmicos vão nas aldeias, acadêmicos vão aos povos indígenas, pegam o conhecimento indígena, põe livro, vendem livro e o indígena não ganha absolutamente nada com os seus próprios conhecimentos. A indústria farmacêutica vai lá, pega todas as receitas que os indígenas fazem de medicamentos, produzem seus medicamentos que mais adoecem do que curam, né, sejamos claros, e ganham dinheiro em cima da sabedoria do indígena. É o chocolate que já nem já foi, se eu não tô enganado, eh, colocado como japonês, uma coisa que é brasileira, foi lá para
o acho que é o de cupo açu, se eu não tô enganado, foi, foi feito patente lá em Japão, que nem produz isso lá. Então, gente, tá na hora desses reconhecimentos de que o povo indígena ele tem muito conhecimento e a academia tem sim que começar a legitimar os conhecimentos dos povos indígenas pra gente começar a conversar direitinho, de igual para igual, sem essa coisa de que só o conhecimento do europeu elitizado e estudado em academia nas universidades Seja eh válido, tá? Eh, eu não estudei muito, mas eu fiz o curso de história até o
oitavo período e fica aqui também uma crítica, né? Já que a gente tá falando em reparação, Zé Antônio, é muito chato também, né? Eu, por desemprego, eu não pude concluir minha faculdade de história. Eu fui atrás da prefeitura, pedi para eles, quase implorei mesmo, para me darem um um a gente tem que dar aula pras crianças. Como é que chama? Oi. Não, não. Eu como aluno estágio, eu fui pedi a prefeitura para me dar um estágio remunerado. Fui na Câmara e fui abri o protocolo, pedi lá na Secretaria de Educação para me darem um estágio
remunerado para eu ter, para eu ter comida na minha casa, para eu alimentar a minha e meu filho, porque eu tava desempregado e tava vencendo o meu prazo. Sabe o que aconteceu? Até hoje eu não tive resposta da Secretaria Municipal de Educação. Tem um processo de 7 anos arrastando na prefeitura que eu abri protocolo para fazer o museu lá em Fumaça. Não necessariamente um museu grande, é um lugar de memória do nosso povo. Até hoje continua do mesmo jeito. Nada aconteceu. Vive acontecendo, mas não acontece. Por que que Por que que é assim? Por que
que tem que ser assim? Por que que a gente tem que esperar? Ah, vocês tem que aguardar. Vocês tem que esperar. Até quando esperar, né? Como dizia a pleb Rod, uma música que eu gostava muito. Até quando esperar, até que eu não esteja mais aqui, até que eu morra, até que o conhecimento que eu juntei de todos aqueles idosos se deteriorem nas fitas cassetes que até hoje eu não consegui passar paraa linguagem digital. Aí vai servir para quem esse esse memorial aí? Vamos me fazer uma escultura na praça pública. Eu não quero. Eu não quero.
Vamos tirar uma bonita foto minha p na praça pública. Esse era o chiquito. Defendia mil coisas. Não quero. Eu tô vivo. É agora que eu quero. Eu tenho pressa. Eu tenho pressa porque meus antepassados, os ancestrais, eles nem tiveram tempo de ter pressa. Eles foram esquecidos, foram largados, né, ao Léo. Perderam suas terras, a sua dignidade. Foram proibidos de falar a sua língua. E quando você quer tirar a dignidade de alguém, corta a língua dela, que era uma das coisas que era feita com povo bonita. Gente, quando pensou: "Ah, minha voz foi pegar laço, isso
é uma falácia horrorosa". Porque isso dá impressão que o colonizador chegou, botou uns lacinhos lindos na cabeça da vovó e a vovó foi pegar laço. Não foi nada disso, gente. Houve uma violência tremenda. Os homens eram assassinados, tá? As mulheres ficavam vulneráveis, filhas, tias, até a mãe ficavam vulneráveis. E assim aqueles, aquelas mulheres mais vulneráveis eram capturadas, muitas laçadas, sim, porque elas fugiam. Fugiam, eram laçadas, eram amarradas. Amarradas e colocadas. Eu tenho um testemunho de uma idosa que eram colocadas em gaiolas. Essas gaiolas ficavam presas em cima de rios, né? Ficava flutuando. Vamos pensar assim.
Enquanto essa mulher não acalmasse, ela não gava comida, não gava água. Eu tenho um relato desse super interessante. Então, existiam maneiras de fustigar tanta pessoa que a pessoa acabava, tá? Ai, eu caso quer filho? Te dou, né? Quer a cozinheira? você e é por aí. Então, gente, eu quero sim hoje no presente, eu tô muito feliz, doutora, muito com a senhora e também com as outras pessoas que estão nos apoiando, porque primeiro nós estamos aqui discutindo, nem é uma semana mais, né, Aline? É um mês. Antes a gente tava discutindo uma semana, agora nós estamos
discutindo um mês de valorização da cultura. Só que eu dei uma lida no documento da Aline, né? Eu fiz uma leitura crítica. É, eu entendo assim que a gente eh precisa do mês para valorizar a cultura, mas se não fica muito claro, se não fica explícito que antes de qualquer coisa e para comemorar qualquer coisa, o pur tá vivo, não precisa fazer o restante. Então, no primeiro artigo, essa é a minha sugestão da Lí para isso que a gente tá aqui conversando, né? Então, na minha sugestão, a primeira coisa que deve vir no primeiro artigo
é o reconhecimento da existência permanente e continuada do povo purir. Certo? Depois disso, sim, vem essa outra questão, eh, que seria fazer a semana ou o mês de de reparação. Eu agradeço de coração os nossos ancestrais que vocês não estão vendo, estão ocupando as outras cadeiras e estão muito felizes. Amém. Muito obrigado, Tenui. Obrigado. Nosso, nossos agradecimentos ao Chiquito Puri. Tivemos também o Instituto Pachamama e Inan o Show Coletivo Puri. Obrigado pela participação. Eh, convidamos o Diogo Puri do Coletivo Puri, por favor. Chute P para todo mundo. Eh, meu nome é Diogo Puril e eu
venho daqui, sou nativo da beira do rio Paraíba do Sul. Eh, venho lá do Surubi. Todos aqui conhecem o bairro, né? Sou nativo ali. Quero agradecer a a desembargadora que propôs estar aqui, né? Tô um pouco nervoso, um pouco emocionado. É muita, muita emoção mesmo assim tá aqui vendo os mais velhos, né? A gente que por muito tempo foi declarado extinto, né? Sem saber o que é, né? E eu fui saber da comunidade por no Rio de Janeiro, né? participando com outros jovens e e falei: "Pô, eu sou". E fui começamos a investigar, investigar e
a gente sempre teve aqui, né? A gente sempre esteve aqui, a gente nunca foi extinto. E e dá esse passo importante na semana, na valorização da cultura PRI. É é muito assim promissor, né? né? Eu faço parte de um coletivo que conecta jovens de diferentes territórios, porque a nossa história foi que ela não começa em Rezende, ela passa por Rezende E se estende até o Espírito Santo. Nosso território se estendia até o Espírito Santo. Então, há remanescentes do povo Puri em todo o território, até em quatro estados, a gente e Rezende é a primeira cidade
com esse tipo de lei de valorização. Então eu quero agradecer a iniciativa, né, daqui, que a gente possa levar esse projeto de lei para outros lugares, né, porque tem outros outras tem as comunidades tradicionais do nosso povo, né, conforme a gente foi sendo expulso do nosso território, a gente foi também se estabelecendo em outros territórios, né, como o rio Doce, né, que tem a presença dos crena fortes lá, mas por também tá lá. E eu representando essa esse coletivo que conecta ter essa essa lei e com esse incentivo, posso trazer os nossos nossos achados, os
nossos estudos feito pelo nosso povo, dando protagonismo pro nosso povo. Então eu queria agradecer todas as minhas sugestões. Gente, eu conversei com o Ângelo antes, né, na escrita, durante a escrita da lei. Então, eu fui contemplado assim como juventude, Como liderança do povo pur, né? A gente tem essa, tendo essa lei, a gente pode tá trazendo mais do nosso povo pra população de Rezende apreciar o que a gente tá fazendo e se identificar com o que a gente tá fazendo, né? Porque a partir do momento que a gente deixa de sair da clandestinidade e ter
uma lei municipal que avalide a nossa decisão, a nossa, muitos outros jovens irão vir na esteira e muito eh todo em todo lugar que eu vou de Rezende e falo que eu sou puria, um resendense vira e fala: "Ah, minha avó era ai minha, Eu tenho algum, então assim, por a gente ser considerado extinto, a gente acaba perdeu esse elo, né? E agora com essa com essa valorização, com esse reconhecimento do município de Rezende, a gente tem mais força para valorização cultural, né? E o município ganha com capital cultural, com isso, ganha muito, né? Destrava
projeto, traz um um movimento bonito, né? Então é isso, eu só tenho agradecer esse movimento que tá surgindo, né? Aqui nós somos três coletivos, né? Estão em determinado ponto do nosso território, né? A Line Pachamama, ela tá lá em cima fazendo a divisa na no na parte alta. O Chiquito já tá mais um pouco embaixo na fumaça. Eu e o Ângelo estamos aqui no no Vale do Paraíba aqui em Rezende. E todo tudo é o nosso território assim. E a gente tem que que valorizar esse conhecimento ancestral, porque isso é que vai fazer nosso município
forte. É isso aí. Senhoras e senhores, estamos caminhando para o momento final desta audiência pública e convidamos o senor Ângelo de Paula, historiador do município de Rezende, também para participar. Eh, bom dia as autoridades. Eh, agradecimento a toda a prefeitura, a Câmara, a institucionalidade, a municipalidade por ter acolhido as nossas demandas, né? Especial D. Isabela, com a sua sensibilidade, fez essa articulação, Fez essa escuta generosa na chamada eh no pleito da Line, no pleito do Chiquito. É, é um dia muito especial, na verdade é um dia histórico mesmo que a gente tá vivendo aqui, um
momento histórico pra gente virar a página ou na verdade escrever novas páginas da nossa história. Mas é só dizer que hoje eu, inclusive a todo momento, nós estamos nos descobrindo, nós estamos fazendo um caminho de volta. Muitas vezes eu sempre soube que a minha avó, Maria Benedita, era indígena, porém nunca soube qual povo. E aí quando eu venho pra prefeitura em 98, que eu sou servidor de carreira, né, há 27 anos nessa instituição, e encontro um mestre eh muito valioso que passou por aqui chamado Cláudio Rosa, que eu tenho a dura, que eu tenho a
dura missão de estar à frente da instituição que ele tocou há muito tempo, eu descubro o povo pur, né? E aí a gente vai fazendo esse caminho de volta. Eh, minha avó Benedita morava numa localidade que hoje no café aqui descobri que é a mesma território do Dr. do mestre Jorge Brito, que é o Campo das Éguas ou o pasto das Éguas, uma comunidade pobre, majoritariamente preta e com presença indígena, que estava ao lado da Escola Militar em 1944. E para a construção da cidade militar, essa comunidade foi acolhida pelos vicentinos e grande parte transferida
para o bairro que dá origem à Vicentina. Minha avó, Maria Benedita, não era cristã, era de terreiro. Não acompanhou os vicentinos, obviamente. Uma questão religiosa, se estabeleceu no bairro que a gente conhece hoje como Jardim Manchete, ali na região do Marechal Jardim. Meu pai era conhecido como Chico Marechal, mas a patente dele não era essa do exército, era outra patente. E eu a gente foi reconectando. Então durante a minha pesquisa e desenvolver uma pesquisa acadêmica onde atravessa a nossa identidade, não é muito fácil. Porque a epistemologia da academia faz com que a gente distancie da
nossa objeto, mas a gente Não é objeto de pesquisa, né? E foi um percurso difícil e que a gente enfrenta, lógico que a gente não enfrenta nem a metade do que os nossos ancestrais enfrentaram, né? muito distante, mas ainda enfrentamos violência, ainda somos questionados. Agora virou índio, índio de iPhone. Diogo deve ter ouvido um bocado, até porque a juventude Puri é uma juventude conectada e sabe usar muito bem a conexão para se reunir, né, Diogo? Eh, acredito que quantas violências que Chiquito sofreu, quantas que a Aline e as meninas da farinha sofrem, né? Violências que
produzem o silenciamento, né? Então, a todo momento nós estamos eh tendo que provar que existimos, que estamos aqui, nunca saímos daqui. O povo pur, é lógico que é muito importante a gente conhecer aquele território que fez parte do aldeamento de São Luís Beltrão lá no século XVI, é onde tem a presença. Mas o povo puri, como disse muito bem Diogo, tá em todo lugar. Tá em Itatia, tá no Quilombo de Santana, tá em Quatiss Porto Real e muitas vezes em Penedo. E essa história foi apagada e contemplada a história de quem? O povo finlandês é
um povo lindo. Mas cadê a história dos pretos e os indígenas de Penedo? O povo italiano é um povo lindo, mas cadê a história dos pretos e indígenas de Porto Real, né? Os muitos povos brancos que habitaram na nossa Rezende são histórias lindas, mas cadê a nossa história? E a gente tá tendo a oportunidade de recontar essa história por conta de política pública. Vereador que preside essa sessão. Política é importante porque hoje, por conta de política pública, a nossa universidade é colorida, não é branca. Tem um ditado, tem um ditado africano, vou pegar emprestado essa
sabedoria africana, que diz: "Enquanto os leões não contarem as suas histórias, serão contadas pelos caçadores." E chegou a hora da gente contar a nossa história. É agora, né? E acredito que essa lei vai ajudar a gente, vai subsidiar a gente, inclusive ajudar o município que tá eh demonstrando toda essa boa vontade de fazer essa reparação histórica, porque não é comum e a gente precisa valorizar isso a todas as autoridades aqui presentes. Não é comum no nosso País esse acolhimento dentro das casas públicas. Então, parabenizo toda a sensibilidade da casa, do Ministério Público Federal, do prefeito
Tand aqui, né, representado pelo pelo procurador e e gostaria de dar alguns créditos. É uma construção coletiva, nada se faz sozinho, não vivemos sozinhos, né? Eh, essa audiência pública é uma correção de rota, uma correção de rota, né, dentro do procedimento instalado no Ministério Público, aonde o o procurador Vanderlei propôs essa PL e a gente, e aí eu vou fazer uma meia culpa, né, ou na verdade assumir a responsabilidade, acelerei o processo e já enviei a minuto. E aí o meu parente Satê que chegou aqui, né, mas junto da gente, Diogo, na hora da gente
trocar essa ideia falou: "Pô, Satê!" E aí escuta, né, Diogo? E eu falei: "Cara, Diogo, tá certo, a gente não escutou". E aí a gente na última na reunião do Ministério Público, for são muitas reuniões, né? A gente propôs, né? E a presidência da Câmara ouviu com muito carinho parar o processo para fazer a escuta sem prejuízo, porque senão a gente teria que zerar tudo, né? E aí conversei com os nossos parentes, com Diogo, com com eh Chiquito e Aline, todo mundo conversando. Pra gente chegar num consenso. Eh, o povo Puri é muito diverso, assim
como o povo brasileiro, porque como disse Diogo, tá espalhadão aí, teve um monte de experiências diferentes, contato com outros povos diferentes, valores diferentes, como disse muito bem a Isabela. Então nós não somos homogêneos, nós não somos uma massa igual, né? A retomada linguística é muito diversa. A juventude tem uma um caminho que seguiu e um caminho exitoso, né? O movimento ressurgência tem um caminho, Aline tem, segue outro caminho e ninguém tá errado. A gente quer a mesma coisa, a gente quer existir, quer valorizar. Então fico muito grato dados os créditos de todo mundo, né, que
esse esse dia hoje é um passo, um passo, mas resultado de uma caminhada, como a promotora já falou, né, tem sido dado para outras pessoas. Eu cheguei agora praticamente nessa caminhada a partir eh da minha aproximação com Chiquito. Uma vez como instituição fui atender a demanda da Aline lá na na PEPS, né? mas um e um um diálogo muito complicado, porque é muito difícil se serir e agente público ao mesmo tempo, porque a gente acaba eh tendo que lidar com essa administração. Mas muito obrigado a todos. Eh, e que bom que a gente vai poder
sair daqui, né, com com uma lei Que vai nos ajudar a avançar nas nossas pautas. Muito obrigado. Bom dia. Tom uma pergunta. Mais alguém que gostaria de falar do eh gostaria também de agradecer aí a presença da Dorinha Puri, da Carminha Puri, que também aceitou esse nosso convite, né? Então, obrigada aí também a vocês, tá? Então, sendo assim, senhoras e senhores, passamos a palavra ao senhor vice-presidente da Câmara, vereador Zé Antônio, para o encerramento da presente audiência pública. Quero agradecer a todos a secretária Roberta, a vereadora Rose Nicolino, Dr. Bruno, meu amigo, Dr. Isabela, por
tá aí prestigiando mais uma vez essa casa, Jociane, que sempre presente com a educação Calebre e a todos que aqui estiveram e atenderam esse nosso chamado. E eu tenho certeza que com audiências públicas como essa sempre trará um trará um retorno muito bom para a população. E como já havia dito em nome do nosso presidente Sandro Riton, essa casa sempre vai estar de portas abertas porque o nome dessa casa É Casa do Povo. Então, sempre estará aberta para todo, para todos os povos, independente de etnias, independente de qualquer outra situação, como disse o o Ângelo,
né? Aqui é uma casa multicoloridas. Aqui pode vir pretos, brancos, amarelos, vermelhos, todas as religiões, porque é a casa do povo. E a casa do povo não distingue ninguém. Então, sempre serão muito bem-vindos aqui. Eh, não tendo mais nada a se tratar, eu dou por encerrada a presente sessão de audiência pública. Obrigado a todos.