a China de fato dominou o mercado global de carros no mundo. >> Tá, essa resposta é bem complexa, mas a China não vai dominar o mercado de carro no mundo, não vai. E eu vou explicar porquê.
Primeira coisa que a gente tem que entender é como é que nasceu esse negócio de carro elétrico na China. Em 2008, um engenheiro chinês que trabalhava na Audi, eu esqueci o nome dele, é um nome chinês complicado, ele foi trabalhar no Ministério de Indústria e Comércio lá na China, que na China é um ministério, é o ministério mais importante da China, depois economia, eh, e talvez da defesa. Esse esse engenheiro que trabalhava na Audi, ele pediu uma audiência com um, na época eram nove pessoas no standing com o standing comit na China é quem controla o país.
Eram nove, hoje são sete pessoas. Ele pediu uma reunião com um dos nove e ele falou o seguinte: "Nós temos um atraso na tecnologia de carro térmico que nós não vamos recuperar porque conforme a gente progride, os outros também progridem. Como é que a gente vê tecnologia no carro térmico?
Tecnologia, você vê o seguinte, o que é complicado de fazer é caixa de câmbio automático e motor. Então vamos lá. Fórmula 1 dos anos 70.
O do Emerson Fitipold, eu vi o Emerson Fitpold ganhando corrida. Ele tinha motor de 3 L e 500 cavalos. Hoje tem carro de passeio com motor de 3,500 cavalos.
Era um Fórmula 1 na época. Então é potência por litro. Num o Fiat 147 no Brasil quando saiu tinha motor 1.
3 e 50 cavalos. Hoje com motor 1. 3 você retira 150 cavalos.
Isso é tecnologia. O Passat TS 1. 6 tinha 85 cavalos.
Hoje com 1. 6 você tira 200 cavalos ou 250 cavalos. Então isso é tecnologia.
Então esse engenheiro falou: "Nós não vamos recuperar o atraso que nós temos nos carros térmicos. Nós não vamos". Que que eu proponho?
Vamos começar a fazer carro elétrico, porque no carro elétrico nós estamos numa tecnologia nova, disruptiva, que os outros não vão eh eles eles não vão investir como a gente vai investir. Então, tem três razões pelos quais a China começou a desenvolver carro elétrico. Primeiro é poluição.
Não é a mais importante, mas é importante. Mas não é a mais importante. Essa é a menos importante.
Segundo é diminuir a dependência de gasolina de petróleo da China. A China é o maior importador mundial de petróleo. A China produz 5 milhões de barris, importa 15, consome 15 e importa 10.
Então, a China importa 10 milhões de barris por dia. Todo o petróleo que a China importa passa pelo estreito de Malaca, que é o estreito de Singapura, que tem 50 km e que tem um porta-avião americano de cada lado. E se você não passa pelo estreito de marca, você tem que ir por baixo, passa por baixo das Filipinas, volta, passa não muito longe de Guan, a maior base naval americana no Pacífico, e você chega no mar da China e lá tem sete portaaviões americanos.
Então, na prática, quer dizer o seguinte, é muito fácil o o os Estados Unidos cortarem fornecimento de petróleo da China. Não quer dizer que eles vão fazer isso, mas é um risco estratégico pra China. Essa é uma razão importante paraa China desenvolver carro elétrico.
Mas a terceira, a verdadeira razão é em 2008, a vantagem da China é que a China é uma autocracia. Então, durante 10 anos, você tem a mesma coisa, o mesmo poder político, a mesma linha política, etc. Nos Estados Unidos, cada 4 anos muda tudo.
No Brasil também a gente tinha Bolsonaro, teve Lula, muda tudo. Então essa essa característica da China de ser uma autocracia permite planejamento de longo prazo, coisa que as democracias ocidentais não conseguem fazer. Agora, o problema da autocracia é o seguinte: quando o cara lá em cima é muito bom e na China eles são muito bons, é fantástico.
Quando o cara lá em cima é ruim, você tem uma Venezuela. que tem uma reserva de petróleo maior que a Arábia Saudita e todo mundo pobre fugindo da da do país, o país completamente falido. Então, a democracia não tem esse problema, porque quando o cara lá é ruim, ele perde um emprego depois de 4 anos ou cinco.
>> Mas então a China começou a desenvolver carro elétrico antes de todo mundo. Então não é que o carro chinês elétrico é melhor ou pior que o carro ocidental. Eles começaram antes.
Então eles têm eh eh eles eu andei em carro elétrico da Jaque em 2010. O carro tinha 30 km de autonomia, andava 50 porh, era muito ruim. Então, eh, eles foram melhorando de geração em geração em geração em geração.
E hoje a tecnologia de carro elétrico chinês, na minha opinião, é melhor que a tecnologia das marcas ocidentais, tirando a Tesla, porque a Tesla também começou antes. >> A Tesla também começou em 2010 a fazer carro elétrico. Então, a Tesla tem 15 anos de melhora de tecnologia que nem a China, enquanto que, por exemplo, uma Mercedes lançou o primeiro carro elétrico em 2015/26 e eles têm 8 anos, então é normal que eles estejam atrasados.
Então essa é a razão pela qual os carros elétricos na China nasceram antes. Três razões: dominar uma tecnologia, dependência de petróleo, diminuir poluição, que é o menos importante. Então essa a primeira coisa.
Segunda coisa que a gente tem que entender é o seguinte. Os carros, o carro ele é um bem que todo mundo sabe a marca que você tem. Ele não é uma commodity, ele não é como uma televisão.
Se você tem uma televisão na sua casa que é uma LG ou que é uma uma Mitsub que é uma Sony que já parou de fazer TV ou que é uma Samsung, ninguém sabe a marca de TV que você tem em casa. E eu vou te falar, se eu perguntar para 10 pessoas, oito nem sabem a marca de TV que eles têm em casa, porque a marca é pequenininha lá. Todo mundo sabe o carro que você anda.
Então você quando você faz um produto tipo televisão, você pode ter 50% do mercado mundial, porque aquilo lá é uma commodity praticamente uma televisão de que nem essa televisão aqui de 80 polegadas, mas uma aliás não tem nem a marca dessa televisão, ninguém sabe o que é ninguém precisa saber o que é. Eh, computador aí já muda um pouquinho, mas ainda assim é uma commodity. e eh fotocélula, célula solar para receber energia.
Ó, que interessante. Na década de 90, a os fabricantes chineses de célula solar decidiram invadir a Europa. Eles baixaram o preço.
Os europeus com 10% de imposto de importação não conseguiam competir com um volume eh que tinha na China de placa solar. E eles foram fechando um a um. Depois disso, eles foram paraos Estados Unidos, fizeram a mesma coisa nos Estados Unidos e hoje a China tem 90% do da produção mundial de placa solar.
É tudo feito lá. Então, mas a placa solar quando ela tá ninguém sabe a marca da placa solar. Carro é completamente diferente porque você tem um Toyota, que é o maior fabricante do mundo, tem fabrica 10,8 milhões de carros.
Você tem um Volkswagen, eh, que tem várias marcas ou um que fabrica e 8 milhões, 9 milhões de carro o ano passado. Então, você tem Audi, eh, você tem Skoda, você tem Volkswagen, ou seja, eu tenho um Volkswagen na minha casa, por exemplo, todo mundo sabe que eu tenho um Volks, eu tenho um Toyota, todo mundo sabe que eu tenho um Toyota. Então você chegar a a pessoa chegar e achar que tem poucas marcas que podem dominar o mercado mundial de automóvel, como eu costumo falar, not gonna happen, porque não é commodity.
Você pode dominar o mercado de café, você pode dominar o mercado de televisão ou de placa solar, você não vai dominar o mercado de carro, porque carro é uma coisa muito pessoal, tem o estilo próprio, tem a mensagem que você tem quando, por exemplo, o cara que anda de BMW, ele passa uma mensagem. O cara que anda de Mercedes, que também tem dinheiro, passa outra mensagem. O cara que anda num Renault, ele passa outra mensagem.
se ele tem dinheiro, é, para mim carro não é uma coisa importante, mas ele passa uma mensagem. Então, eh, por essa razão já básica, a China não vai dominar o mercado de carro no mundo. Essa é a razão mais básica.
Carro não é uma commodity. Eh, carro, por exemplo, eh eh sei lá, um transporte de navio. Dá para se dominar transporte de navio.
Ninguém sabe qual é o dono da do navio que tá transportando. Carro é diferente. Então, primeira coisa.
Segunda coisa, o mercado mundial de automóvel, ele é dividido em blocos. Então, você tem um bloco que é o maior do mundo, que é a China. A China vende todo ano 27 milhões de carro de passageiro, 31 milhões de veículos.
Então, a China 31. Depois você tem o bloco América, Canadá e México. América, Canadá e México é mais ou menos 20, 21 milhões.
É o segundo grande bloco. Bom, nesse segundo grande bloco, Estados Unidos, o governo Biden não foi o Trump, hein? O governo Biden proibiu por lei carro com software chinês circular nos Estados Unidos a partir de 2028.
Proibido National Security, porque o carro elétrico, ele filma tudo que acontece ao redor dele, separa um carro elétrico do lado de uma base naval nos Estados Unidos. Você sabe tudo que acontece na base naval, só estacionar lá. Você sabe os navios que chegam, os navios que vão embora, que horas os marinheiros chega, que horas vão embora, quanto tempo o submarino nuclear ficou lá, porque ele filma tudo que acontece ao redor dele.
E eles filmam com tecnologia que passa através de neblina, passa através de tudo. Então, os americanos proibiram. Então, quer dizer o seguinte, naquele mercado de 21 milhões, o Canadá vai, ainda não, mas vai provavelmente seguir os Estados Unidos e o México, quer queira, quer não, vai receber uma pressão gigantesca para seguir os Estados Unidos.
Mas o fato é o seguinte, nesse mercado de 21, hoje 16, que é Estados Unidos, proibido entrar carro chinês lá. Não é nem a líquida de importação, é proibido. Aí você tem o terceiro grande, o grande bloco que é a Europa.
Mercado europeu com a Inglaterra, mais ou menos 13 milhões de carros. Esse mercado, por enquanto, não tem nenhuma lei contra carro chinês. Não sei por quanto tempo.
Pode ser que a Europa daqui alguns 1 ano, 2 anos, 3 anos, 4 anos também decida que o carro chinês pode ter um problema de segurança nacional nos países europeus. ou pode ser que não. Então esse terceiro bloco é 13 milhões.
Então China 30 com veículos comerciais. Estados Unidos, Canadá, México 21, Europa 13. Então na Europa 13 todo mundo tá falando agora da invasão chinesa na Europa tales têm 7% do mercado.
A China, os todas as marcas chinesas tem 7% do mercado europeu. A Toyota tem 7,5. As marcas japonesas têm 12, 13.
Então, eh, pode ser que as marcas chinesas vão crescer na Europa, mas vai ser muito duro elas passarem de 12 13%. Por exemplo, a Volkswagen na Europa tem 26% do mercado europeu. Aquilo é uma fortaleza a Volkswagen.
Eles têm um quatro marcas, eh, Skoda, Audi, Seat e Volkswagen. Muito difícil eles perderem muito share lá. Toyota tem 7,5.
O Toyota não vai perder che para marca chinesa. O o consumidor que compra um Toyota e o consumidor que compra um carro chinês são dois seres humanos completamente diferentes. Um, ele aceita novidade, ele aceita algum risco, etc.
E o da Toyota é aquele cara conservador, etc. Então, na Europa vai ser muito difícil as marcas chinesas crescerem muito acima de 12, 13, 14, mas muito difícil por questões culturais. Aí você tem o Japão.
Japão é 4 milhões de carros. O mercado total de carro importado no Japão é 10%. O Japão é um dos pés mais fechados do mundo.
Japonês compra carro japonês. Period. Carro elétrico no Japão é 1,5% do mercado.
Então aquele mercado os chineses podem tentar, não vão vender. O Japão é um mercado, todas as marcas importadas no Japão é menos de 10% do mercado japonês. Tem uma coisa interessante do mercado japonês.
Por que que o mercado japonês é tão conservador? Olha que interessante isso daí. No Japão, quando você é vendedor de carro, você vende mais ou menos 100 carros por ano e você tem 400 clientes.
Cada 4 anos eles trocam de carro mais ou menos. E você, quando o cliente teu que você vendeu o carro precisa fazer revisão, ele liga para você, você vai buscar o carro dele, você deixa um carro reserva e você leva o carro dele para consertar e ele devolve o carro na sua casa. full service.
Quando o vendedor se aposenta, ele coloca um anúncio e ele fala: "Vendedor de Nissan, que tem 25% do mercado no Japão, vai se aposentar, procura os jovens candidatos". Aí o candidato vai lá, paga para ele tipo 200. 000, 000, trabalha com ele 4 anos e durante 4 anos, esse japonês que tá se aposentando, ele visita os clientes dele, fala: "Ó, esse é meu sucessor, seria uma honra para mim você continuar a comprar dele e ele vai me substituir porque eu já tenho 65 anos, eu vou me aposentar e esse cara, depois de trabalhar 4 anos com o mestre que trabalhou vendendo o carro a vida inteira, pega a marca".
Então você se chama uma marca ocidental qualquer Volkswagen, que tem 2,5% do mercado lá. Como é que a Volkswagen faz para vender carro? Ela abre um showroom e ela convida vendedores da Toyota, da Nissan, etc.
E fala: "Essa é a gama de produto que eu quero vender". Aí o o vendedor da Toyota, que tem 40% no mercado, ele olha e fala: "Meus clientes não compram esse carro. Muito obrigado.
O cara da Nissan vai lá, faz test drive, fala: "Meus clientes não vão comprar esse carro. Muito obrigado. E na prática você não consegue pegar vendedor bom, porque eles já têm a clientela dela e a aposentadoria deles é quando eles vendem a carteira deles.
" Então, os market shares na no Japão são assim: a Toyota tem 40%, faz 40 anos. A Nissan tem 25%, faz 40 anos. A Honda tem 20%, faz 40 anos.
A Subaro tem 8% faz 40 anos. É muito duro você ter mudança de market share porque esses vendedores eles garantem seu marketer. >> Tem algum outro lugar no mundo que existe esse plano de carreira de vendedor de carro?
E nossa, e espetáculo. O Japão tem muitas suas peculiaridades. Você falou de japonês, compra carro japonês.
Japonês compra tudo japonês, né? As grandes marcas eh quando chegam no Japão, elas são no máximo a segunda colocada, né? O Japão ele tem muito disso, né?
Mas não imaginava que o o vendedor de carro era uma uma profissão. >> É, você vende a tua carteira, mas não é que você vende a carteira, a pessoa te acompanha durante 4 anos >> e você vai visitar os teus clientes, fala: "Seria uma honra para mim você continuar comprando o carro de desse jov. " >> É quase uma faculdade.
O cara paga 200. 000 para fazer 400, >> 200, 300, 400, depende quanto o cara vende, >> tamanho da carteira. Aham.
Então você achar que carro chinês vai entrar no mercado japonês, not gonna happen. Bom, então você tem 31, 21 no bloco América, 13 na Europa. Dificilmente vão fazer mais que Mas muito dificilmente vão fazer mais que 15.
Eu acho impossível. Aí depois você pega o grande mercado que vai crescer muito, Índia. Bom, a Índia e a China, como duas nações muito populosas, uma não gosta da outra.
Vira e mexe, eles têm problema na fronteira lá perto do Tibé. Um invade o outro, o outro invade um, quase entra em guerra e tudo. Até dois anos atrás não tinha voo direto de Shangai para pra a cidade do Sul, pra capital da Índia.
Eh, nossa. E eu fui, >> não, e eu dei um e você para perder. >> Não, e eu fui pra Índia um monte de vezes.
Eu adoro Mumbai. >> Mumbai é >> É. Não tinha.
A Mumbai é onde tem todas as montadoras. É numa cidade que chama Puni, que é a 100 km de de Mumbai. Não tinha voo direto.
>> É que a capital é Nova Deli, né? Mas >> Sim, mas não tinha voo de Shangai para Mumbai. Eu sei porque eu uma vez, eu tava na China, quis ir pra Índia, tive que passar por Hong Kong porque não tem voo.
Então eles se odeiam. Então carro chinês na Índia nunca, nunca não vai acontecer. A Índia é um mercado de 45 milhões de carro que vai crescer muito para 6, 8, 10, 12, 15, 20 nos próximos 30, 40 anos.
carro chinês lá não vai vender. Então, que que sobra para para o chinêses? Ah, depois você tem o sudeste asiático.
Sudeste asiático é Filipinas, Malásia, Tailândia, etc. No sudeste asiático, a Toyota tem 40 a 50% de sher em todos esses países. Gente, a gente achar que chinês vai invadir o Sudeste asiático e e conseguir pegar muito market da da Toyota, gente, não vai, não vai, não vai.
>> Qual o tamanho do mercado do sudeste asiático? Todo sudeste asiático dá uns 4, 5 milhões. >> Aí você tem América Latina, América e Latina sem o México, que é um mercado de 4 milhões.
E eu vou chegar porque o grande mercado aí é o brasileiro com 2,5 e eu vou chegar nas marcas chinesas no Brasil. E depois você tem a África, 3, 4 milhões de carros por ano. Então, na prática, as marcas chinesas vão vender, raso, vão vender muito bem na África, que lá é uma questão de preço, mas para vender na África tem outro problema.
A África, como o Brasil, não tem infraestrutura de carro elétrico e chinês, eles não estão mais investindo em motor a combustão. Então, o produto que eles têm não é um produto que o africano pode comprar. que é o problema da Badin no Brasil que nós vamos chegar lá.
>> Então é assim, eles são grandes, sim, eles têm capacidade de produção a mais. Capacidade de produção da China hoje é 50 milhões, mercado deles é 30, ou seja, com certeza eles têm capacidade da produção a mais. Onde é que eles vão pôr esses carros?
Na América do Norte não. Na Europa vai ser duro eles passarem de 15% de share, que dá 2 15 milhão 2 milhões de carro. Eh, na América Latina são países pequenos.
Por exemplo, no Chile eles têm 40% de mercado, mas num país como o Brasil e Argentina vai ser difícil eles crescerem, que é o maior e o segundo maior mercado da América do Sul, vamos dizer. Eh, sudeste asiático vai ser duro eles crescerem. Então eu acho o seguinte, eles são uma presença, eles são uma potência, mas achar que eles vão dominar, mas não vão nunca.
Impossível eles dominarem. Impossível. Se você gostou desse corte, certamente vai gostar do episódio completo.
Então, ó, clica aqui que você pode assistir ele na íntegra. Ou então você pode clicar nesse vídeo e ver mais um corte desse episódio.