Do bem viver, que busca discutir e visibilizar os tensionamentos contemporâneos entre o modelo de desenvolvimento hegemônico e a filosofia do bem viver. Eh, e discutindo com a ecologia política decolonial e as epistemologias ancestrais oferecem bases para assegurar o direito à vida dos povos indígenas das comunidades com identidades próprias nos territórios ancestrais. Então, e para Essa partilha de conhecimentos ancestrais, temos hoje a Massivana Sateré, coordenadora da COPIM, o Manuel Cunha, atual gestor do Resex do Mé Juruá e o conhecimento acadêmico com professor Felipe Milanês do Instituto de Humanidades, Artes e Ciências, frisando aqui Milton Santos, que
para nós, e eu que sou geógrafa, Milton Santos é muito importante, né? E esse ano a gente comemora o centenário dele, então da Universidade Federal da Bahia. Eh, eu vou fazer, gente, eu vou iniciar aqui falando um pouco da vida de vocês. Depois eu vou fazer algumas perguntas e vocês ficam livres. Não sei se Felipe ah preparou alguma apresentação, também pode fazer, mas eu vou iniciar com uma pergunta e depois cada um pode ir fazendo de acordo com as suas considerações e as suas falas. Então a Macivana, como eu já disse, é liderança indígena, coordenadora,
né, da COPIM, sendo a primeira mulher a assumir uma coordenação da organização da COPIM. nascida no território ancestral do povo Sateremaué, na região do baixo na zonas, na terra indígena de Ráal, que eu também conheço. Mudou-se ainda na infância para Manaus, junto com a sua família. é em busca de melhores condições de educação e saúde. Sua trajetória é marcada pela defesa dos direitos indígenas, pela valorização das tradições de seu povo e pelo fortalecimento Da memória e da cultura indígenas nas cidades, nos territórios ancorais. Então, em roró Marcânia é bom dia em Saterima. Depois ela fala
o Manuel Cunha, importante liderança extrativista da Amazônia, ex-presidente do Conselho Nacional dos Seringueiros, onde atuou por duas gestões consecutivas entre 2005 e 2012. Descendente de seringueiros do rio Juruá no Amazonas, constituiu sua trajetória de luta por justiça social, pelos Direitos das comunidades extrativistas e pela preservação da floresta amazônica. participou da articulação para a criação das unidades de conservação do médio juruá e teve papel fundamental na criação das reservas extrativistas do médio jurá consolidada em 1997 e depois também a RDS de Acari, né, que é uma reserva eh desenvolvimento sustentável estadual. também presidiu a Associação dos
Produtores Rurais de Caruari, ASPROC E desde 2016 atua na gestão da reserva extrativista, a Rex do Mériá, conhecida como uma das áreas mais preservadas da Amazônia brasileira. Sua trajetória tornou-se referencial nacional [limpando a garganta] das lutas socioambientais e na devesa dos povos das comunidades amazônicas. e o professor Felipe Milans, eh, professor, como eu já disse, do Instituto de Humanidades, Artes e Ciências, Professor Milton Santos, e do Programa de Pós-Graduação em Economia da Universidade Federal da Bahia, doutora em sociologia pelo CES, Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, em trajetória com trajetória acadêmica internacional, com
pós-doutorados, ó, como professor visitante em várias universidades. do mundo. Coordena o grupo de trabalho Ecologias Políticas desde o Sul, Abiaala, da CLAX, e desenvolve pesquisas Interdisciplinares em ecologia políticas e humanidades ambientais, com foco em discussões epistemológicas e o pensamento decolonial de comuns do nexo, genocídio, eccídio, ecofeminismo e cartografias de conflitos ambientais. Bom, eu penso que falei um pouco da trajetória bem sinteticamente, né? Porque falar da vida de cada um de vocês, eu ia falar aqui às 2 horas seguidas, né? todo o trabalho, a trajetória de luta, de movimento que Todos nós temos, seja aqui a
Marcivana, seja o Manuel, seja o professor ou Felipe. Então, para começar essa roda, eu vou fazer uma pergunta para todos e depois também a gente pode ir interagindo. Então a primeira pergunta vai: Como cada um de vocês, a partir das suas formas e lugares de atuação, seja o movimento indígena urbana, no caso da Marcivana, gestão da unidade de conservação, no caso do Manuel e academia, como Professor Felipe define a vivência e o conceito de bem viver no dia a dia e nas lutas sociais. Como é que vocês definem essa concepção? Como é que vocês traduzem
isso na vida, no movimento, essa ideia do bem viver? Ah, pela lógica, vamos começar. Mivana, quer começar por você? >> Pode ser, professora, pode ser por mim. Eh, acho que eu me lembro, eh, quando nós iniciamos no movimento eh estávamos visitando uma aldeia aqui próxima de Manaus, uma aldeia dos parentes Cambeba, né? E e quando nós chegávamos lá a que há uns uns 20 anos atrás, eh você tinha eh muito verde, você tinha o rio, né? Você tinha a aquela comunidade eh vivendo, eh vivendo ali da da pesca, da caça, né? com seus artesanatos, com
seus cantos. Eh, e aí aquilo nos chamava atenção, porque a gente isso aqui é é o bem viver, né? Porque tinha todo o ambiente, Eu acho que importante para nós indígenas, né? Isso há algum tempo atrás. >> E o bem viver na na minha concepção é isso, né? que vai para além da da da das questões sociais, mas vai para para as questões ambientais também aqui na nossa região, né? Então, bem viver é o que aglomera tudo isso, né? essa vida com abundância, com muita caça, com muita pesca, com muito verde, com rios limpos, Com
direitos eh que não são violados, né, com respeito, com fortalecimento, o fortalecimento das culturas, com autonomia das nossas populações, com protagonismo, né, a gente não pode falar com a incidência política que hoje a a gente tem aqui na cidade de Manaus, né, com visibilidade, né, da da dos povos indígenas aqui, com respeito principalmente, né, eh sem racismo. Então, eh, o bem viver, ele é bem amplo, né? Isso que nós lutamos aqui na aqui em Manaus, né? Para que as nossas comunidades, para que as nossas mulheres, as nossas crianças, os nossos jovens, eh eles possam desfrutar
desse bem viver que a gente fala muito, né? e que, infelizmente, eh, tá muito presente na na nossa criação, nas nossos eh nas nossas memórias ancestrais, mas que hoje assim tem que ser luta para que ele se concretize nos dias atuais. >> OK, Manuel, Felipe, quem quiser pode Falar. Deixa eu falar um pouquinho e aí o professor faz o remate, né? >> Muito, muito boa pergunta. Muito obrigado, professora, pela pergunta tão tão importante para o momento, né, para nós, comunidades tradicionais que vivemos no ambiente do ambiente, eh, porque faz uma diferença. Por exemplo, professor, o
senhor mora na minha comunidade, na comunidade de São Raimundo, mas o senhor é o professor da comunidade. O senhor vive no ambiente, mas o senhor não sobrevive do ambiente. O senhor tem um salário que cai na sua conta todo mês. Quando eu digo viver no ambiente do ambiente, porque você tira todos seus meio de vida social, cultural, econômico e social desse meio ambiente, né? Então, só explicando o sentido da palavra viver no ambiente e do ambiente, né? Então, para nós que vivemos no ambiente do ambiente, o a Gente luta todo santo dia pensando nesse bem
viver, né? Quando o Chico Mendes começou lá nos anos 70, ali, bem no início dos anos 70, esse enfrentamento pela preservação ambiental, pelo respeitos direitos das comunidades tradicionais que vive debaixo das camadas de floresta. Isso já era uma luta pelo bem viver. Ainda não tinha esse nome. Esse nome bem viver ainda não existia. Era a luta pela conservação da biodiversidade E a luta pelo reconhecimento dos direitos. Mas na verdade traduzindo isso é o bem viver, né? Então, desde quando a gente começou essa luta, era pensando nisso, porque a gente sentia muita falta do bem viver.
Por exemplo, a gente vivia nessas calhas de rio sobre as tutelas dos patrões no sistema de semiescravidão branca, aonde, por exemplo, não existia eh direitos reconhecidos. Por exemplo, depois de muita luta no Médio de Juruá, ali no quarto, quinto ano de luta de integração das famílias de seringueiro, formando comunidade, lutando pelos seus direitos, a gente conseguiu uma escola pra comunidade Gumo do Facão e o patrão não deixou que a aula funcionasse. Ele derrubou as paredes da escola e transformou numa maromba de gado. Então, por que que ele fez isso? Porque era muito difícil para ele
ver filho de seringueiro, filho de agricultor Estudando, porque a educação é o caminho mais curto que tem para o reconhecimento dos seus direitos. Como os direitos eram para ser negado, o bem viver era para ser negado para as populações indígenas, para as populações tradicionais, para os seringueiros e extrativistas de um modo geral. Então, a educação fazia muito mal, porque tava se colocando ali de pé o caminho para abrir os olhos daquela daqueles semescravos que estavam ali eh, em busca dos seus direitos, né? Então, Quando a gente não se curvou com a escola virada marombo maromba
de gado e lutamos por outras escolas que pudesse ter, era exatamente a luta pelo bem viver. O bem viver para nós é isso, é viver, nosso companheiro indígena descreveu muito bem, viver em harmonia com tudo que está ao nosso redor, com a cultura, com o meio ambiente, com social e com a economia. Tá com o teco não se põe de pé. Tudo preservado, é lindo e é maravilhoso, mas as pessoas também Precisam estar preservados seus direitos, seus conhecimentos, suas sabedoria e isso gerando riqueza para que eles possa ter também o seu desenvolvimento econômico equilibrado com
social e com ambiental. Isso nós é bem viver. Então, a gente lutou desde o início da luta, eh, para por esses dias melhores que hoje são chamado de bem viver, né? Ainda não tinha o nome bem viver e a gente continua lutando, apesar de que a gente Tem alguns pedaços no meio da Amazônia, como médio Juruá e entre outros locais aonde os direitos estão sendo reconhecidos aos poucos, né? As comunidades estão melhorando a qualidade de vida, a cultura tá se valorizando, os conhecimentos tradicionais estão sendo valorizado, mas isso ainda não é uma transversalidade na Amazônia
brasileira. Apenas me resumindo, Amazônia tem muito povo ainda vivendo situação de bastante desprezo das políticas públicas, de ação De governo e ainda sobr mão pesada de proprietário ou de jagunço ou de grileiro de área de terra e trazendo grande dificuldade para essas famílias que ainda estão muito longe do bem viver. E tudo que nós queremos é botar de pé o bem viver na transversalidade que a Amazônia precisa, aonde todas as pessoas possa estar nas cidades, debaixo das camadas de floresta, fazendo o que gosta, vivendo como gosta, com o seu bem viver Instalado no seu dia
a dia, levando da educação à economia, que isso tudo para nós é o conviver, principalmente com seus direitos e seus valores. des reconhecido. Obrigado, >> professor Felipe, por favor. >> Bom dia. Eu queria agradecer muito a professora Ivani por esse convite. É um prazer tá com a Marcana e com Manuel. Eh, uma pena que a gente não tá juntos presencialmente. Eu acho que nesse momento eu gostaria de estar na RDS Acaria aí nessa água escura. [risadas] poderia ter tomado um banho, ter comido um biju antes da nossa conversa. Isso é bem viver também. Eh, eu
fico eu fiquei escutando vocês e pensando, né, quando a Marcivana destaca essa a presença indígena em Manaus, eh, e a que Salvador é a segunda capital com a maior população indígena no Brasil e é a maior cidade negra fora do continente africano. Eh, eu acho que cidades como Salvador, Manaus, Belém, elas representam a derrota do projeto colonialista também, né? Porque essas cidades elas não são as cidades europeias, não deram certo essas cidades europeias, elas podem se transformar em outro em outro tipo de encontros de cidade assim, né? São cidades que eu vejo com um potencial
eh global desses encontros, né? Evidentemente são cidades muito desiguais, a marca da colonialidade tá presente nela, né? Mas é a luta Justamente de construir outros espaços a partir dessas diferenças, né? E o fato da da universidade onde eu trabalho tá nessa cidade me inspirou também a a a construir esse caminho de pensar uma academia nos diálogos e saberes, né? Eh, h a 15 anos atrás, 16 anos atrás, eu tive com o Manuel Cunha num encontro Manaus, que era o TED X Amazônia. Eh, foi quando eu conheci pessoalmente o Manuel, fiquei encantado com eh com ele
e a gente tinha um amigo em comum que Era o Zé Cláudio Ribeiro da Silva, eh, que é uma pessoa que ele foi assassinado poucos meses depois, mas é uma pessoa que pro resto da minha vida me acompanha com ensinamentos, né? pouco do tempo que a gente teve junto, a eu sempre sigo refletindo e e o que o Manuel tava colocando me chamou atenção em diálogo com o Zé Cláudio e Maria de muito que eles falavam também que ele traz a o tema do BMV para categorias que são fundamentais pra vida, que é trabalho e
Educação. Parece que tá aí uma chave, né? E eu achei interessante também que ele fala viver no ambiente do ambiente. A Maria falava com a natureza também, né? Então é é uma forma de vida que ela eh não separa a natureza, não vê a natureza como meio de exploração pro enriquecimento, que seria o extrativismo, não nessa forma que é feita na Amazônia, né? Mas essa o extrativismo como indúria, como a a indústria, né, que não repõe e que não Eh respeita os tempos de regeneração da da floresta. E a educação é a transmissão dessa forma
de viver, né, onde a gente aprende a viver no do e com. Eh, e a luta pelo BVV como uma luta antiga me lembra também faz uma referência a uma definição clássica que tem do Copena na queda do céu, que é sobre ecologia, onde ele fala que a palavra ecologia é uma palavra antiga Entusiasmo, só que ela não era chamada dessa forma e ela não era escrita, mas é a ecologia é aquilo que está dentro da floresta. é a floresta, é o que tá longe da cerca, ele ele ele define, né? Então, vê uma continuidade
longa desses processos de luta e e de convívio eh nos chama atenção para um pensamento eh que foi apagado, mas que ele permaneceu, tentou ser apagado, né? Ele não foi completamente Apagado, mas ele anima as lutas de resistência pra gente imaginar eh futuros em comum. Eh, eu queria fazer uma uma homenagem, uma lembrança também, que hoje é um dia muito triste paraa Amazônia. Eh, ontem faleceu o CCI a Fukaká do povo cuikuro. Eu tive eu tive o privilégio de conviver com ele alguns momentos e e um deles foi para escrever as memórias dele para um
livro que chama Memórias Sertanistas. Ele era uma pessoa fantástica, foi um dos grandes caciques do Alto Xingu, que lutou num período, se formou e lutou num período muito difícil da ditadura militar e da transição, né, com as lutas pela constituinte e conseguiu segurar esses anos 90, 2000 com o avanço do agronegócio, deixando uma formação para as futuras gerações. É, eu cito essas essas referências porque eu eu imagino que eh o lugar aonde eu tô hoje na na universidade é um Lugar aonde essas essa essa diversidade pode se encontrar, as diferenças podem se encontrar e construir
um pensamento em comum. A minha entrada na universidade, ela se dá num momento histórico, que é após o reúne, após as cotas, no processo de descolonização da universidade. Eu passei muito tempo afastado da universidade, mais focado em em em trabalhos de campo como jornalista junto com os movimentos sociais. Eh, posteriormente que eu vou Encontrar um espaço numa universidade, numa academia com uma proposta de descolonização, né, onde onde teorias no já aqui no Brasil, né, a partir de Milton Santos, Paulo Freire, mas mais recente como José Jorge de Carvalho e e tantos outros colegas já vinham
disputando uma universidade que não fosse uma universidade eurocêntrica, que não fosse uma universidade branca, eh, uma forma de romper o confin inamento racial da universidade brasileira. E a Partir dessa, ou seja, há uma possibilidade de entrar numa universidade para fazer algo diferente. É isso que eu tenho tentado eh hoje. E eu eu vejo com muita com muito potencial essa relação entre Amazônia e Nordeste, que eu acho que são dois dois dos lugares mais criativos no Brasil. Eu posso afirmar isso vindo do Sul e do Sudeste, mas esse esses encontros de mundo é é o que
pode nos animar a construir Outros mundos dentro dessa desse desse momento de tragédia eh ecológica e civilizatória que a gente vive. Isso. O o bem viver é um horizonte. Como o Manuel Cuenta tava falando, já existem diversas formas de estabelecer uma relação de convívio com o planeta no Brasil. E essas diversas formas foram sistematicamente aniquiladas pelo colonialismo. Eu acho que o momento que a gente vive é não é só de sair do colonialismo e do capitalismo, mas é da Gente conseguir construir nessas nesses encontros, né, de com as memórias desses que já partiram lutando, como
Zé Cláudio Maria, como a Fukaká, a gente pensar uma um um uma forma de de convívio eh com as diferenças e com a e com a natureza que nos compõe aqui no Brasil. Tá bem isso. Então, gente, eh quando a gente pergunta, né, o que é o bem viver, é claro que esse conceito, vamos dizer, muito mais que um conceito, é uma forma de vida, né? é uma forma de pensar o Mundo e como a gente tá nesse mundo. Assim, na fala da Marcvana, do Manuel deixou muito claro isso. Claro que em termos acadêmicos, esse
conceito ele vem de Sumar causai, né, dos nossos parentes aqui da América Latina, né, principalmente do povo kuna, né, que é uma na língua két também tem a a palavra sumakusai, somanha e várias outras, mas cada povo tem o seu própria definição do que é bem viver. Não é uma coisa única para todos os Povos e para todas as pessoas, não. Que cada cultura é diferente, cada modo de vida, cada território é diferente, né? Então, muito mais de que conceito é uma forma de viver, né? De estar no mundo e com o mundo, assim como
Noel falou muito bem também na sua fala. E assim, eu vivo a universidade bem antes, viu, Felipe, nos anos 90, tava no processo ainda de democratização do Brasil e do mundo e os nossos embates ainda foram maiores, né? Lembrando pouco o nosso ex-presidente e Colega eh Fernando Henrique Cardoso, com quem a gente teve um embate maior ainda em nível de universidade, as nossas greves, comando de greve. Eu fui paraa Brasília porque eu já era comanda de greve. exatamente nessa luta, né? E vocês não sabem, mas a gente foi bombardeado lá na esplanada na época do
Fernando Henrique. Ele mandou bombardear a gente lá na esplanada dos ministérios. Aquilo assim são memórias, né, que ficam nesse processo também de democratização, Não só da universidade, mas também do próprio Brasil. E falando um pouco nisso, eu vou fazer uma pergunta agora mais específica paraa Marcivana que o professor Felipe falou sobre Manaus, né? Então, no último censo eh de 2022 revelou um crescimento expressivo da população vivenda em Manaus, que abriga uma das maiores populações indígenas urbanas do país. 71.000 pessoas indígenas hoje vivem na cidade de Manaus. Não, e apesar disso, as Cidades amazônicas, como a
gente sabe, a gente fala que tanto Manaus, ela vive de costa pro Rio, né? É uma coisa muito comum nós da geografia falarmos isso, mas as cidades amazônicas foram historicamente planejadas, ignorando a presença e a cultura dos povos indígenas. Você vai em Manaus, com 71.000 pessoas indígenas, o que se vê da identidade indígena na cidade, né? É uma questão. Então, Maciivana, o que significa na prática reivindicar o Direito indígena à cidade a partir da experiência da COPIN? Isso eu já sei, né? Porque eu conheço a COPM e você, a gente tá no movimento, mas eu
quero que você fale isso para pessoal aqui, pessoal que tá assistindo e pro Brasil inteiro, como é que a COPIM, né, que o movimento, como reivindicar esse direito à cidade, né? E na mesma sequência tem aqui uma outra pergunta que a CUPIM ela cumpre o papel fundamental na articulação política e que tem quais têm Sido os maiores desafios para fazer depois você pode falar é uma pergunta depois é outra. as secretarias, porque eu sei que tá no movimento do direito à cidade, as secretarias municipais, estaduais de saúde, educação, habitação e de assistências sociais social, desculpa,
compreendo a necessidade de políticas públicas específicas e diferenciadas para os povos indígenas que vivem na cidade. Então, a pergunta é: o que significa na Prática reivindicar o direito indígena e como que a COPIM vem tratando essas políticas específicas de educação, saúde, habitação na cidade? Então, prof, esse é um, acho que é um dos grande questionamentos que falam, né, professor, assim, até em relação indígenas em contexto urbano. Eh, e a gente demorou um, por conta dessas eh desses conceitos, eu acho até que ele eh eh também não reconhece muito essa presença indígena na cidade. Se você
for Ver historicamente, Manaus é uma cidade indígena, né? Aí os relatos aí do início da criação da cidade de Manaus já apontam a a presença dos indígenas aqui na cidade de Manaus, né? Eh, e sempre como um local um local de encontro da das diversos povos que eh vivem na Amazônia brasileira aqui ou não dos países aqui. Era sempre foi um ponto de encontro a cidade de Manaus aqui paraa troca das das eh dos seus produtos, né? Não é como Se nós estivéssemos aqui na cidade de Manaus a partir da criação da cidade de Manaus.
Não, nós sempre estivemos aqui na cidade de Manaus. Agora, é lógico que o processo de urbanização, de criação da cidade de Manaus, ela invisibilizou essa presença dos dos parentes que sempre estiveram aqui, né? Então, a gente fala, Manaus é território indígena. Manosa é território dos dos quase eh mais de 188 povos que vivem aqui na cidade de Manaus. Aí eh de acordo consenso de de 2022, Manaus é a cidade bilíngue, né, com mais de com quase 90 línguas maternas faladas aqui na cidade de Manaus, né? E quando a Popim surgiu lá a em 2000, eh,
quando começou esse processo de organização do movimento indígena aqui na cidade de Manaus, eh a gente vai percebendo a necessidade da criação de uma organização, uma organização mãe, eh, que trouxesse essas pautas dos povos indígenas. Lembro que no no censo de 2010 havia uma invisibilidade total das populações indígenas aqui na cidade, né? Mas nós sabíamos quanto movimento indígena que nós não éramos aqueles números apresentados que não chegava nem a 5.000 indígenas aqui na cidade de Manaus, né? Naquele tempo a gente já apontava mais de 30.000 indígenas vivendo aqui na cidade de Manaus, né? e toda
essa invisibilidade dos povos indígenas eh foi sempre a desculpa da dos governos para para não Criação de políticas públicas eh específica para nós indígenas aqui na cidade, né? Então, hoje, eh, reconhecer a cidade de Manaus como território, né, como território nosso, dos nossos ancestrais, é garantir que os nossos filhos, nossas filhas, eles cresçam no seu território, né? Porque grande parte de nós, a gente vende um território originários, nós que somos os mais velhos do movimento. Mas os nossos filhos que estão nascendo aqui na Cidade, nós temos que assegurar eles o direito de dizer que a
cidade também são territórios indígenas. Manaus é um território indígena e a gente tem que garantir isso a a aos nossos jovens. que eh se é um território indígena, é precisa ter políticas públicas específicas para as populações indígenas aqui na cidade de Manaus. Então, eh a COPIM, coordenação dos povos indias de Manaus em torno é uma regional da APIAN, que é a articulação eh dos povos e Organizações indígenas da cidade de Manaus. eh é também eh uma dasnos regiões da Coiab, COPIN faz parte também, e também por eh da própria PIB, né, para esse esse essa
forma de organização como nós estamos aqui organizados no Brasil, movimento indígena está organizado no Brasil e a COPIN é a primeira organização indígena criada no Brasil que trata da situação dos indígenas em em em cidade, né? E é justamente aqui em Manaus, onde a gente Consegue ainda eh a partir desse entendimento, né? Quando nós saímos desse processo de invisibilidade e a construção de políticas públicas diferenciadas para nós, eu acho que tem feito Manaus eh um grande exemplo eh pro pro Brasil e pro mundo que os indígenas eles estão aqui na cidade e que preciso dessas
políticas públicas. E uma das estratégias criadas pela COPIM foi justamente essa, professora, estar dentro dos espaços de direito onde se Discute as políticas públicas. Então, hoje a gente tem acento nos diversos conselhos aqui na cidade de Manaus, né, eh, na saúde, eh, aonde a gente tá falando também que eh a a não garantia do do acesso à saúde também é um dos fatores que obriga um deslocamento forçado pra cidade de Manaus. Aí a gente tem que ter esse entendimento, a cidade como território dos que estão aqui, mas a cidade também eh que obriga muitos parentes
a saírem das da da das suas Terras para vir para tratamento de saúde ou para estudar aqui na cidade, né, que a gente tem chamado isso de deslocamento forçado e e agora muito mais agravado com a crise climática que a gente tá sentindo aqui no estado eh do Amazonas. Eh, e aqui então a COPI me adotou como estratégia a presença nesses espaços de direito. me lembro que um dos principais eh espaço foi o espaço da saúde, né, por conta até da que a gente já falava muito antes da da COVID-19, Nós já falávamos das subnotificações,
da necessidade na naquela época da gente entender eh quais eram as principais doenças que afetam as populações indígenas aqui na cidade de Manaus, porque a gente não tem um registro oficial de quais são as principais doenças que atingem. O que você tem eh dados baseados na na nas informações da CESAI, né? Mas aí você tá falando de uma de uma de uma política que abrange apenas os indígenas eh aldeados, né? Então a gente fala assim, é um número que não representa a realidade quando você fala da saúde indígena daqui no estado do Amazonas. Então essa
foi uma das primeiras brigas que nós começamos a nos organizar, né? Porque a gente queria saber quantas das nossas mulheres morrem eh vítimas de câncer, quantas nossas crianças têm partido prematuramente por conta de doenças que poderiam ser evitadas, né? E a gente não tinha, não tem esses dados na cidade. Então a aqui A gente começou, criou na COPIM a comissão de saúde, né? É onde a gente tá discutindo com esses entes federativos, porque também não posso falar eh sobre saúde apenas eh no âmbito da CESAI. Eu preciso discutir com a Secretaria de Estado, com a
Secretaria Municipal, eh, para porque na verdade todos nós indígenas, independente de estarmos na cidade ou estarmos em terra demarcada, nós acessamos a alta complexidade, eh, onde 100% dela está aqui na cidade de Manaus, né? E aí quando entra quando a gente entra nesse sistema da da alta complexidade, aí todo mundo fica invisibilizado, tanto quem tá na aldeia quanto quem tá na cidade. Então esse tem sido uma das um uma dos grandes desafios da COPIM, né? Eh, discutir essas políticas diferenciadas aqui pra cidade de Manaus. Tivemos alguns avanços, tivemos no âmbito da saúde, como por exemplo,
a contratação dos primeiros AIS aqui na cidade de Manaus, né? Hoje a Nossa briga eh tem sido pelo reconhecimento, pela criação da função. A gente indígena, eh, de saúde eh no âmbito do SUS, né? Porque o que a gente tem hoje é o reconhecimento da categoria de agente indígena de saúde apenas no âmbito da CESAI, né? E a gente tá falando, não, essa política ela tem que ser abrangente, ela tem que estar presente dentro do SUS, né? porque muitos eh também na cidade há necessidade de contratação a contratação De agentes indígenas de saúde, por exemplo.
Essa é uma das pautas que nós estamos brigando aqui na cidade de Manaus. estivemos na eh participamos das pré-conferências locais aqui de saúde, eh participamos na semana passada da conferência municipal, estamos indo paraa conferência estadual com as nossas pautas específicas aqui paraa cidade eh de Manaus, sem relação à questão da da saúde, mas também tem a educação numa cidade onde você tem [roncando] eh 99 Línguas maternas faladas. Apenas sete delas estão sendo revitalizadas aqui na cidade de Manaus, né, onde a gente tem 23 espaços de estudo da língua materna e conhecimentos tradicionais onde essas línguas
estão estão sendo revitalizadas. E aí agradecer [roncando] a professora Ivani, que está conosco eh nessa luta, no processo de criação da do projeto político pedagógico das escolas do da escola indígena aqui da cidade de Manaus, né, que nós estamos lutando Paraa construção de uma escola indígena aqui na cidade de Manaus, né? Eu acho que será a primeira a nível de Brasil, porque grande parte das escolas indígenas elas estão dentro eh eh das aldeias eh aqui na cidade de Manaus e a gente tá lutando. E eu acho que esse é um dos maiores exemplos, eu acho,
de decolonidade, professora. Por quê? Eh, porque quando nos fala eh eh quando a gente tava eh pleiteando a criação da da escola eh e aí o município queria nos Dar uma escola nesse modelo municipal que a gente tem. E aí nós temos, não queremos, esse modelo não nos serve, esse modelo embranquecido não nos serve, né? Nós queremos um uma escola eh com uma pedagogia ancestral, queremos com projeto político pedagógico próprio. Mas como é que você pode ter isso numa metrópole como Emanóus? Porque Manaus é uma metrópole, né? Eh, Manaus é cheia de de asfalto, cheios
de prédio. Como é que Você vai trabalhar eh a educação escolar, uma escola aqui na cidade de Manaus? a a a escola. E aí nós pensamos, não, nós queremos que a nossa escola ela seja construída dentro de uma reserva que tem aqui na cidade de Manaus. Por quê? Porque as reservas também t suas funções, sua função social, né? E lá tem todo o ambiente necessário paraa nossa escola, né? Você tem muito verde, você tem eh um rio limpo, você tem sementes Onde as nossas mulheres podem trabalhar ou ou fazer o artesanato, onde tem muito eh
para fazer também matériapra pra gente fazer eh os nossos cestas, as cestarias, né? Então, eh é como a na cidade a gente tem eh trabalhado, tem feito a diferença aqui, né, para que não caia nesse modelo que já tem aí, que não nos serve, ele tem que ser o modelo próprio para nós, né? E isso se tratando da parte agora a gente tá brigando pela coficialização dessa sete línguas Maternas aqui na cidade de Manaus, né? É possível. A gente tem que inverter, né? A nossa primeira língua não pode ser o português, né, professora? A nossa
primeira língua tem que ser as nossas línguas maternas. A nossa primeira língua tem que ser satéria, maué para pus sateremoé, apurinã apurina. Depois vem o português, né? É assim como no caso, por exemplo, do Zuaral, que aí já é primeira língua aral, segunda língua espanhol, terceira língua português. Eu Acho que é dessa forma que a gente vai desconstruindo eh esse modelo colonial que foi implantado eh no Brasil. É, Marcana, eu fico muito feliz de estar colaborando nesse projeto e a Unifal tá nele, mas depois a gente vai falar especificamente dessa história, né, que semana que
vem, no dia 23, já vou lá estar em Manaus, pra gente discutir a quarta oficina, né, de criação eh dessa escola indígena, a primeira do Brasil. Então a gente não tá fazendo qualquer coisa, não é a criação de uma escola indígena dentro de uma terra indígena demarcada, que isso já existe. Está pensando numa cidade e numa cidade, numa metrópole, como ela falou, Manaus. Semana que vem a gente vai discutir exatamente isso, a política linguística. Para mim é um dos maiores desafios como é que a gente vai chegar a essa questão da política linguística e também
definir também já começar a definir o currículo Que são os conteúdos que aes serão trabalhados, né? E como a Marcivana fala, essa reserva é a reserva do Fuduc, que é no centro de Manaus, que é na na região periférica, na verdade no centro, não, na periferia de Manaus, cuja gestão é feito pelo IMPA, que é o Instituto Nacional de Pesquisas Amazônicas. E já tem uma conversa, né, né, Massivana, lá com Henrique, que é o presidente, atual coordenador presidente do IMPA, para que isso seja feito. E claro, como tudo Depende de gestão, o Henrique é do
nosso lado, né? Claro, sempre foi. E o Henrique também é professor da Universidade Federal do Amazonas. Eh, então o Acuess Marcivana, agora eu vou fazer uma pergunta. Olha, se os colegas tiverem também alguma observação sobre isso que a Macivana falou, se quiser colaborar também, fica à vontade. Senão eu já passo uma pergunta pro Manuel. Querem colaborar alguma coisa em relação à fala da Macivana? Felipe Manuel? Eu quero, eu quero, professor, me permit >> o >> Passivana, é tão difícil essa situação que você trouxe, né, de mudar, de fazer diferença. Eu tive dois anos atrás na
cidade de Letice, eh, do lado de Tabatinga, né? Você anda a cidade de Tabatinga inteira, a cidade inclusive com bastante população indígena e cercada ali de terra indígena, você não vê um monumento, Uma representação das populações indígenas, né? Você não vê um prédio construído nos modelos indígenas, você não vê uma estátua, você não vê nada, aí você travessa aquela rua ali, que é só apenas uma rua e entra na na cidade de Letícia ali, né, na cidade colombiana ali. E aí você já vai vendo totalmente um um uns traço diferente na cidade. Você vê de
vez em quando um desenho que representa a a presença indígena, uma Estalta de uma liderança indígena, você entendeu? A pintura de um prédio, eh lojas com bastante eh referência das populações indígenas, né, artesanato, essas coisas. Você vê, tô trazendo essa fala para dizer o quanto que o Brasil levou a sério esse modelo que trouxe da Europa para cá, sabe? Aonde o índio é tem que ser desvalorizado, não pode aparecer em lugar nenhum, porque senão nós vamos dar vida a esse povo. Lamentavelmente, que plena o século XX a Gente ainda esteja vivendo esses modelos, né, eh,
que foram pensados. E Manaus. Manaus é uma cidade completamente indígena. Foi criado no meio da das populações indígenas, inclusive matando muito índio para poder dar espaço à aquela cidade. O nome do rio Urubu que corta de trás de Manauso foi de tanto índio morto jogado naquele rio para dar lugar para as empresas, para as pesquisas, essas coisas, que ele é chamado de rio urubu, né? Entendeu? Então, mesmo assim não valoriza, não. É, é muito incrível, é muito difícil. Você tava falando aqui, eu também no meu tempo de liderança, trabalhei muito com as populações indígenas, com
liderança indígena, inclusive a companheira Soninha Guajara, que tá no ministério do meio das populações indígena hoje, né? Fui em várias conferências com ela e a gente vive aqui aqui na em Carolari. Tem o povo Deni, eh lá do Xiruan, da terra indígena Deni, tem o povo aqui do eh de Um outro riozinho aqui. Ai meu Deus, já me fugiu agora do rio eh aqui pertinho, Carol. Inclusive estão tentando criar uma terra indígena e a gente convive com esse povo aqui. Inclusive nós produzimos junto, fazemos manejo de pesca junto aqui com o povo denir, coletamos semente
junto, cortamos seringa juntos, estamos nos espaços de discussões políticas junto. Quando a gente faz formação política pra liderança das unidades de conservação, a Gente também convida as populações indígenas para participar, também para ir se aperfeiçoando nesse modelo de liderança, mas ainda é muito difícil. Os espaços ainda são muito pequenos e muito sufocado por esse modelo que o Brasil instalou. Eh, e mesmo a questão da escola aí também é complicado, por mais que vocês tenham tido, você tá lá em Bauana, né, onde tem aquela proposta de uma escola, né, modelo lá pela face, mesmo com o
Curso, né, de educação do campo, a gente sabe que esse curso ainda não é totalmente, né, decolonial, porque ainda ele tá impregnado muito ainda, né, das ideologias coloniais, que a educação do campo às vezes não é real, é mais uma educação rural, né? do que realmente do campo, né, Manuel? E as aldeias está falando é Ataquara Matos Canam Maria Culina e quando desce um pouquinho baixo juruá é os madraculina, né, que já tá lá perto da cidade de Juruá mesmo, que tem Os mar de raccolina e os DNI aí mais para cima. Então, é uma
questão muito complicada mesmo para os povos indígenas e para as comunidades, né? Eh, reivindicar essa educação realmente própria. De um lado, a educação indígena, do outro lado, essa educação do campo que ela fosse verdadeira e não apenas uma adaptação da escola da cidade, que às vezes acontece, a gente sabe disso. Felipe, você quer comentar alguma coisa? Eu passo pro Manuel fazer Uma pergunta, fica à vontade. >> Só só eh dizer que que lindas essas iniciativas. Eu fico pensando que a escola indígena ela não é só para os indígenas, né? É uma escola a partir dos
indígenas. Tem um caso aqui na Bahia que eu acho incrível do povo patachó, >> que a escola lá na Coroa Vermelha não é frequentada só sobre os indígenas. Tem uma professora de artes que é Ariana Patachoca, é uma artista maravilhosa. Ela tava comentando comigo como o Entorno na indígena frequenta a escola. Então tem tensionamento racial, mas a escola se torna um lugar de luta antirracista mesmo na cidade. Tem uma geração que cresce tendo aula com os indígenas, né? E eu fico imaginando essas inovações, como elas podem eh melhorar as escolas em geral no Brasil a
partir da escola indígena. E aqui na UFOBA a gente teve uma uma tivemos uma iniciativa inicialmente no programa de pós-graduação que eu trabalhava de Reconhecer outras línguas eh não europeias como primeira língua, inicialmente as línguas indígenas, isso veio com a Arissana e com a Anari. Só que no contexto da Bahia, essa língua indígena, ela não era essa língua que é falada fluentemente como várias, né, no Amazonas, mas língua também de >> língua de memória, língua de processo de retomada e as línguas de matriz africana também. Então, em alguns programas aqui na UFBA, Eh, o português
é a língua, é a segunda língua. Eh, eu tô tentando fazer essa proposta paraa universidade aqui. Seria muito interessante que a gente conseguisse ampliar, né? Porque esse esse racismo linguístico ele ele traz junto uma série de de problemas decorrentes, né, do não reconhecimento de uma outra forma de de se expressar. E seria incrível que Manaus pudesse ser a primeira capital plurilinguística do do Brasil. Tô torcendo. Daí depois a gente Traz para Salvador. Aqui vai ser também de matriz africana. Tem pelo menos línguas de três três eh famílias diferentes, muito faladas, né? Eh, de África. >>
É. E só pegando um gancho um pouquinho, como o povo diz, é uma curiosidade, não sei se vocês sabem, que as primeiras línguas indígenas serem oficializadas no Brasil são umas línguas Tucano, Banila e Engatu no Alto Rio Negro. Isso aconteceu em 2002. E civil de jurisprudência para cficialização não só de outras línguas indígenas em redor do Brasil, mas também das chamadas línguas de imigração, como é o Talan Pomerano e algumas outras línguas de migração. Então, a jurisprudência ela é fundamental isso para quebrar um pouco também isso que a gente fala desse, ah, vamos dizer, dessa
colonialidade inclusive da nossa legislação, né? Que a nossa legislação também ela é muito colonial, primando Pela língua portuguesa como língua um, como a língua oficial do Brasil. Então essas línguas também elas foram coofoficializadas, assim como o Saterê lá em Maués, né, Marcivana? Saterê também já foi coficializado lá em Maués, a língua Tucano, desculpa, Ticuna, lá em Tabatinga, onde o Manuel falou e lá em São Gabriel, depois das três línguas também, o Ianomami já foi coficializado. Então, São Gabriel tem quatro línguas coficiais, né? Então isso é é importante a gente citar também que pouco a pouco,
né, a gente vai conseguindo quebrar essas barreiras. Não é fácil não. Mas assim, agora eu vou fazer uma pergunta aqui pro Manuel. Manuel, um médio juruá é amplamente reconhecido por ter um dos arranjos de governança territorial mais consolidados da Amazônia, com forte atuação do Fórum do Médio Juruá, de associações locais como as MAN, as PROC, AMAR e de parcerias com o terceiro setor e a Iniciativa privada. Para mim, gente, quando eu fui em Carauari 2018, quando eu fui fazer o trabalho, na hora que eu vi a governança do território do meu médio rural, fiquei o
quê? Isso existe é no Brasil, é aqui? Eu não acredito. É maravilhoso, vocês não têm ideia, né? Então por isso que o Manuel, vou perguntar aqui, Manuel primeiro, né? Eh, então você nessas lideranças do terceiro setor como gestor doibi e também liderança nascida na Região, como que você avalia essa proposta de governança no caso do fórum do território do médio Juruá? E a governança do território, ela envolve diretamente a gestão de cadeias de valor da sóciobiodiversidade comuns, como manejo do Pirarucu, do LCE, da oleoginosas e outras, que a Milena já teve aqui com a gente,
falou um pouco sobre essas cadeias, né? Então, como a governança de vocês, eh, como a governana que vocês aplicam No médio juruá quebra essa lógica da economia capitalista da nossa cidade? Então conta pra gente aí um pouco sobre o fórum e o território do médio deuá, como ele foi criado, como é que a gente consegue quebrar com essa governança um pouco essa lógica capitalista, inclusive da economia. >> Seu microfone tá fechado aí, Manuel. Aí, >> obrigado, professora. A minha primeira fala, eu trouxe rapidamente assim um Histórico de vivência de patrões com seringueiro, com freguês, como
era chamado aqui no Méjuruá. A pergunta agora me obriga a aprofundar um pouco mais, né? E por que se deu esse modelo de governança debaixo de tantas mãos ou em cima de tantas mão eh no médio juruá e como que isso se consolida e e fortalece essa governança local, né? Então, quando a gente se mobilizou no início dos anos 80 ali com base no que o padre João Deric Da Igreja Católica de Carauari eh nos falava, né? Primeiro a gente imaginava que a vida que a gente vivia no médio de Uruá, professora, era uma vida
normal pro resto do mundo, né? até a chegada de um padre que ele se espanta com aquela com aquele sistema de semiravidão ali que ele encontra eh ali nos anos no início dos anos 80, os anos final dos anos 70 e início dos anos 80 ali, né? que ele imaginou que isso não era mais para existir, já era eh a Escravidão já era para estar abolida em toda a situação brasileira e essa coisa toda. Mas nós assim achava que aquilo viver daquele jeito era normal. E aí o padre começa a falar pra gente que isso
não era normal. a gente tava sendo negado direitos nossos e toda aquela situação e começa a trabalhar eh essa transformação. E a gente começa também sentir gosto por aquele pensamento que o MEB, a Igreja Católica, trouxe e em seguida mais Coordenado pelo MEB. MEB é movimento de educação de base, também uma instituição ligada à Igreja Católica, né, que fazia essa mobilização. Então a gente foi sentindo gosto por aquilo e foi vendo que era possível a gente se organizar em comunidade, depois se organizar nas nossas organizações de base, criar nossas organizações de base e se fortalecer
nela em busca dessa liberdade, podemos dizer assim, em busca do bem viver que Nós falamos na primeira pergunta, ainda nem não era com nome de bom viver. Se a gente pegar o primeiro estatuto da SPROC, um dos primeiros objetivos dela era assim, resgatar seus associados das garras dos patrões, porque o sistema dos patrões era muito danoso, inclusive era um modelo que eles colocavam pra gente viver numa enfiado numa numa pobreza com muito débito, porque isso lhe cativava a produzir cada Vez mais e isso levava cada vez maior a riqueza deles, né? Então era um não
era uma coisa por acaso, era uma coisa pensada e articulada entre os patrões da região das calhas do rio. E aqui não era diferente. diferença aqui foi a chegada do padre João Derck, que compreende isso como uma semiravidão, escreve o rio, o livro Juruá, o rio que chora, e o mundo inteiro e ou o Brasil inteiro começa a conhecer essa situação no médio de juruá, tanto pelas histórias como pelo Que tava escrito no livro do padre João. Então, era a única coisa que tinha diferente. Aqui no Médio Juruá era o padre João, mas em Jutaí
era a mesma coisa. em Tamarati e Airunepé, nos outros municípios da mesma coisa. Então a gente segue essa orientação da Igreja Católica e primeira coisa, sair daquelas moradia individuais que nós vivíamos nas colocações, organizar pequenas comunidades para poder a gente ter direito de reivindicar a saúde, a Educação de forma mais diferenciada, né? E aí a gente começa também nesse meio fortalecer a nossa luta produtiva para tirar ela da garra dos patrões, tirar essa, se afastar aqui, tirar toda essa esse sistema de produção nosso das garras dos patrões para ver se ela gerava algum tipo de
riqueza para nós, porque até então a produção não gerava riqueza. Por exemplo, eu passei um tempo da minha vida tem duas blusas para ter uma ideia. E não é porque meu pai não trabalhasse, que a minha família não trabalhasse, que sistema de semi escravidão era isso, era para se ver extremamente pobre, inclusive para não ter tempo de pensar em nada se não fosse produzir. E as PROC, ela nasce ali primeiro, nasce a necessidade da gente se organizar em comunidade e nasce em seguida as PROC ali em no nos anos 80, só foi oficializada nos anos
90, mas ela nasceu nos anos 80 ali do meado pro fim dos Anos 80 com esse objetivo de nos organizar eh socialmente que nem papel das própria associação, mas com um diferencial, né? também organizar o nosso sistema de produção, tirando ele da garra dos patrões e fazendo a nossa produção chegar em outros lugar aonde pudesse gerar mais riqueza para nós. E a primeira as primeiras iniciativas que a gente fez foi exatamente no barco do MEB. A gente putava tudo que nós tinha de produção no barco do MEB e a e uma Liderança ou duas lideranças
levava pra cidade, vendia aquilo, comprava tudo de produto industrializado que nós precisava e trazia de volta também no barco do MB. Então era muito legal aquilo, muito interessante. Todo mundo analfabeto, não sabia registrar nada. O M fazia isso pra gente com muita com muita com muito carinho, com muita dedicação, né? E isso começa a melhorar a qualidade de vida daquela meia dúzia de pessoa que tinham se envolvido Naquela luta popular. Ali o Méjuruá não nasce do começo fim explodiu e fez uma revolução. Começa com poucas comunidades, com poucas lideranças e o resultado que isso traz
pra família começa a mobilizar. Aí sim, aí começa a mobilizar em massa a outras comunidades e e formar novas comunidades. Para você ter uma ideia, o primeiro projeto do MEB trabalhou com três comunidades, Gumo do Facão, Pupo aí e Rock. O segundo projeto do MEB trabalhou com cinco comunidades, Né? Então, continuou trabalhando com rumo do facão pro POI Rock, aumentou o Bauano e o tabuleiro. E aí foi aí foi crescendo isso com esse resultado. Mas esse sistema de produção organizada pela nossa própria organização, levando para vender em outros lugares que gerassem mais riquezas, gerou uma
insatisfação estrondosa dos patrões. Aí foi quando veio as ameaças de morte, foi quando o Elso foi preso, nossa liderança principal, inclusive que era diretor, Presidente da associação na época, né? Então tudo isso, as ameaças de morte nasce aí porque enfraquece essa ganança deles pela riqueza. E aí a gente e aí eles fizeram um negócio que tinha assim muito vinculado a a à a escola, né? Se um aluno faz um grande acontecimento ruim na escola, ele recebe uma suspensão. Os patrões somente o modelo de suspender os seringueiros e era impedir que os seringueiros fossem paraa floresta
Extrair borracha. E os seringueiros faz uma os patrões, desculpa, faz uma suspensão em massa nos seringueiros no médio de Juruá para impedindo que eles fossem tirar a borracha. eh porque a borracha já não tava sendo mais vendida para eles. E aí o a que a gente começa a pensar que só organizar a comunidade, organizar a criar nossas organizações de representação política e e vender a nossa produção via elas não bastava. nós precisava garantir o território. E aí Vem o primeiro pensamento de criar a reserva estativista do médio de Uruá, que nem nome de reserva extrativista
ainda não tinha naquela época. O pensamento do Chico ainda tava muito embrionário sobre a garantia dos territórios para as comunidades tradicionais. A alguém chamava de reforma agrária ecológica porque já existia a política pública de reforma agrária no Brasil, só que nos modelos do INCLRA, né, que era uma reforma agrária Para usar a terra e não a riqueza que está sobre a terra, né? Então era muito baseado no sul-sudeste do país. Por isso esse nome reforma agrária é ecológica, porque não era uma reforma agrária para derrubar a floresta, era para valorizar o que estava ali. Então
ainda nem tinha nome de reserva extrativista, mas tinha a iniciativa de garantir os territórios para as populações tradicionais, assim como já tinha o modelo das populações indígenas. Então isso a gente não Esconde, não nega e se orgulha de falar isso, que o nosso modelo de reserva extrativista já foi se espelhando ali no modelo dos companheiros indígenas, discutindo pelas suas terras indígenas, né? foi muito espelhada ali o Chico naquele tempo com o Canaque, com outras lideranças, cria o movimento eh dos povo da floresta, aonde lutava junto seringueiro, castanheiro, eh pescador e populações indígenas juntas. Então veja
que o médio juruá nasce nesse contexto e Aí quando foi em 90 a as PROC se cria o seu CNPJ para poder permitir a pedir a unidade de conservação do governo federal e em 97 foi decretada a reserva estativista do médio juruará. Mas já nesse modelo de governança, de organizar as comunidades, de ter sua representação política, eh, de instituição de eh social, local, muito fortalecida, adquirir parceiros para enfrentar essa luta que a gente via que a gente sozinho não dava conta, com esse viés de vender Os seus produtos aonde ele valia mais recurso. E aí
nós se tornamos referência, por exemplo, os óleos vegetais, as oleaginosas, saía da torneira no roque da usina de beneficiamento e ia pra Natura em São Paulo. Nossa borracha saía daqui, ia para cena madureira no Acre, não é? Então a nossa agricultura familiar saía da casa dos agricultor e iam pro nosso comérciozinho de venda em Carauari. Então, as PROC foi se fortalecendo e o Médio de Juruá também foi se fortalecendo nesse mecanismo de se organizar, criar fortes instituições de representações sociais, mas para não cuidando só do social, também do produtivo, do econômico, porque a gente compreende
que o bem viver, tão falado hoje, ele precisa ter esse tripé ou quad pé, não sei quantos pé nós vamos juntar, que é o cultural, o social e o econômico e o ambiental tem que tá posto ali, tem que tá seguro. Então o médio juruá se For nasce do nada essa luta mobilizado pelo padre João Deb, movimento educação de base, a gente começa a sentir a melhoria e o bem viver chegando para aquele povo. Isso mobilizou mais povo, isso mobilizou mais gente e essa governança se fortaleceu cada vez mais. E hoje todos os produtos produzidos
pelas duas unidades de conservação e pelo entorno dessas unidades de conservação estão dentro dessa governança Produtiva, cultural, social econômica que o médio juruá trabalha, né? aonde valoriza as pessoas que produzem, aonde valoriza as pessoas que se envolvem, como as mulheres, o jovem, entre outros, e gera essa riqueza social, ambiental e econômica que tem transformado a melhoria da qualidade de vida do médio juruá. E para fechar um certo dia, a gente cresce tanto assim, tanta organização envolvida que a gente sentiu a necessidade de ter um sistema de Governança que pudesse unir todas aquelas organizações sociais eh
e também governamentais que estavam ali, né? Semibi já estava o próprio Demuc na época também faz gestão da unidade estadual, já estava, já tinha vários outros parceiros e as nossas organizações da existi as PROC, a Maru, as Mand, a Anne ali tava começando, a Mexara também, a na não existia a MAB da área de baixo, mas já existia essas grandes organização, já existia a Organização dos companheiros indígenas. lá do Xiruan. E aí se cria o fórum território méduruá, que é um fórum que não tem personalidade jurídica, é de personalidade política, não tem CNPJ, mas é
uma instituição que une todas essas organizações no bojo dela, discute o planejamento estratégico conjuntamente ali já ajustando, sabendo que que as PROC tá planejando para aquele ano que é com CMB. que que o Instituto Juruá, o que que a Universidade Estadual do Estado do Amazonas tá pensando para esse território naquele ano? O que que as PRO, a Maru, a Anne, as Band tá pensando e faz esse grande planejamento estratégico eh horizontal, aonde todo mundo olha para todo mundo botando o mesmo peso, mesma medida. Isso é super legal porque gera uma economia de recurso muito grande,
né? Porque ninguém vai repetir aquela ação que o outro já está fazendo. A gente se une para fazer aquela ação ser mais forte, atingir mais Comunidade, atingir mais pessoas. E dessa forma se criou essa governança tão sólida que tem feito tão bem para as populações do médio jurá e para a garantia dos territórios. A gente costuma dizer que aqui no médio de Juruá o bem viver tá posto. Temos problema, temos, mas nós temos também passos importantes que tem que temos dados que t melhorado muito a qualidade de vida social, cultural, ambiental e econômica desse povo.
Obrigado. Gente, eu costumo dizer, Manuel, eu acho fantástico essa governança do território do médio jular. É isso que ele falou. Todo mundo conversa sobre tudo. Não é separado não. Não é as m, não é as PROC, não é as associações indígenas, é todo mundo junto decidindo o que é melhor para o território. Vocês não t ideia de como é isso. Por isso que eu fiquei maravilhada quando eu cheguei lá. Falei: "Gente, eu não acredito que isso tá acontecendo aqui". É uma coisa Fantástica. Vocês não têm ideia. De um lado a gente tem a COPIM tentando
fazer tudo isso lá em Manaus, né? Do outro lado a gente tem esse essa ideia de governança do território do Méuá que é fantástica. Sabe como é que eu costumo falar de vocês, Manuel? Falar assim: "Olha lá, o pessoal não fica com pires na mão pedindo favor para ninguém, não, porque eles assumiram o controle de toda a cadeia de valor da sócio biodiversidade com que eles trabalham, Como ele bem mostrou. antes ia tudo para fora, eram outros que faziam, hoje não são eles, né? Essa forma de assumir, né? Eh, o controle da da dessas cadeias
de valor da sócio biodiversidade é fantástica, tá? Tem muita coisa ainda para ser feita que depois o Manuel vai poder falar também, mas isso é muito interessante. Agora eu não sei se vocês entenderam que o Manuel falou o patrão. O patrão. Ele sempre falou o patrão, porque tem gente que não sabe qual foi a Realidade, né, desse que a gente chama de aviamento na região amazônica, né? Não era só a borracha, o láces, mas era a Sorva, a balata, a piaçava, todas que sofreram esse processo que lá a gente chama dos dos coronéis de barranco.
Os coronéis de barranco eram os patrões que tinha eram dono dos seringais, né? Eles eram seringalistas. Seringueira é uma coisa, seringalista é outro. eram os donos dos seringais, né, que usavam esse sistema de aviamento para tipo Ficar com dependência das pessoas. Chegava a ponto era aquela famosa troca, né? Eles tinham que produzir não sei quantas, vou falar toneladas aqui de látex, de piaçava, de tudo. Em troca de quê? De arroz, de açúcar, de um chinelo havaiana. Vocês não têm ideia do que que era aquilo. Era um serviço, era uma um tipo de trabalho de semicervidão,
era uma escravidão, porque nunca eles se liberavam da dependência do patrão. Era eternamente prisioneiros, vamos chamar Assim, dessa relação econômica. Porque vocês não têm ideia como é que é chegar, né? Lá no rio Xiruan, não tem ideia como é que é chegar lá no Rio de Vai ver aqui, no Rio Negro, mesmo próximo a Barcelos, onde a gente viu muito isso com a Piaçava, os coronéis de barranco, né? Então essa relação de dependência e de sem de servidão era dura, como Manuel falou, precisava se libertar disso primeiro, que foi a primeira, vamos dizer, meta, vou
chamar de meta das pró Livrá-los dessa servidão, dessa dependência dos patrões que é muito comum na Amazônia. E não é só da seringa, é de todos outros, né, elementos naturais de extrativismo vegetal também. Isso era, gente, é realmente só quem viu aí a gente sabe, né? Marcilvana também já presenciou muito essas coisas, né? Não é só em relação às comunidades, né? Com identidades próprias, mas os povos indígenas também tentaram fazer isso, só Que não funcionou bem porque os indígenas fugiam, iam lá para cima e não aceitavam esse sistema de semisservidão, semiesiravidão, né? Eh, Felipe quer
comentar alguma coisa sobre isso e depois eu já vou fazer uma pergunta para você. >> Pode fazer aí eu comento junto, >> tá? Então, é o seguinte, eh, a gente tá falando aqui de de ecologia política decolonial, como você também disse. Eu entrei na universidade um pouco para Isso. E só lembrando também que quando eu entro na universidade, que nos anos 90, o Manoel frisou bem, a gente não falava esse negócio de bem viver, a gente não falava em decolonialidade, nem colonialidade. Eram outros nomes, era outra vida, né? Então, esses nomes são um pouco mais
recentes, já do século XX, mas a gente já fazia tudo isso, mas não tinha esses nomes, né? Eh, então, nesse sentido que a gente tá falando hoje de uma ecologia política decolonial, então Como que essa ecologia política ela se diferencia das outras correntes tradicionais ou eurocêntricas do ambientalismo? e de que forma ela coloca o direito à vida no centro do debate contra o modelo de desenvolvimento atual. E eu não sei se eu posso fazer o gancho de mais uma, Felipe, acho que dá que a gente assim na academia historicamente ela opera sobre uma lógica colonial
da produção do conhecimento. Isso que a gente chama da Colonialidade do saber, né? Então, muitas vezes a ciência ocidental tratou os conhecimentos indígenas e ancestrais como mitos ou saberes menores tradicionais. Então, diante do colapso climático, como os conhecimentos ancestrais deixam de ser apenas cultura e passam a ser reconhecidos como tecnologias emergentes de sobrevivência de um manejo ambiental. Então, atrelando essa concepção de uma ecologia política decolonial no centro do direito à vida e Também fazendo a circulação com esses conhecimentos, né, ancestrais, como a gente trabalha isso. >> Eh, obrigado pelas perguntas, eu fico pensando assim, só
é possível trabalhar de uma forma livre na universidade hoje no Brasil, porque ela ainda é pública e é autônoma. Se essa autonomia não tivesse sido garantida por essa luta histórica, principalmente contra esse ataque nos anos 90, eh a Gente não teria a liberdade que tem hoje de tá eh de ter essa universidade tão diversa e com uma liberdade total de cátedra, né? Eh, hoje hoje à tarde aqui na UFBA a gente vai ter um minicurso com o grande líder, o Casscique Naítlton Patachó, sobre formação de lideranças. ele tá como professor visitante por notório saber aqui
na UFBA. Eh, eu acho muito interessante a gente ver esse avanço histórico eh e essa consolidação da universidade como um espaço público e Comum eh a despeito de de momentos eh turbulentos e de retrocessos numa política maior assim, né? a importância da gente ter esse cuidado com a universidade. Eu eu imagino a ecologia política decolonial em diálogo com essa colocação que o Manuel Cunha falou agora, porque a política ela ela é uma um ambiente transdisciplinar de estudo dos conflitos ambientais. O que ele tava relatando era justamente Esses casos de conflitos ambientais no no médio Juruá
com a questão do patrão, controle de terras. Aí agora já tem toda essa pressão da mineração. Então tem uma forma eh de insurgência, de defesa, de controle do território e que reflete numa perspectiva não só local, mas local e global, de como que essas lutas se dão, né? Com a perfeito conhecimento de que a borracha num sistema global, não era local. A borracha era extraída na Amazônia para alimentar a indústria do Norte global, né? Então tem uma perspectiva crítica antiga e a e a ecologia política [limpando a garganta] desde os territórios que a gente trabalha
num num grupo que eu coordeno hoje que é que é uma sucessão da ecologia política latino-americana, a gente eh tenta aprender não só com uma história do pensamento crítico latino-americano, aonde já se colocava a indissociabilidade da relação com a natureza na América Latina dentro da do Da construção do sistema mundo do capitalismo, ou seja, uma a crítica ecológica da economia que posicionava eh como vem da teoria da dependência, mas a América Latina nesse sistema mundo como fornecedora do de mão de obra em matéria, né? A ecologia política, a gente tá tentando perceber além dessa crítica,
as críticas que surgem desde essas lutas nos territórios, mas que são também dentro dessa perspectiva do sistema Global e aprender como é que elas são traduzidas, encaradas e e e os pensamentos que surgem desde essas fronteiras, eh, que que são teorias sobre essas relações mais amplas do capitalismo. Então, é eh é esse caso, esses casos, né, no Amazonas, no sertão também, onde aqui na na Bahia há uma crítica muito grande sobre a transição energética que tá desalojando também com populações tradicionais de fundo e fecho de paz, Populações indígenas, eh aonde a crítica e a luta
contra a instalação dessas eólicas, por exemplo, não é só uma crítica burguesa de pensar Ah, não, não faça isso no meu quintal. É uma crítica contra o modelo, é uma insurgência, na verdade, contra esse modelo de transição que prevê que pressupõe uma continuidade da acumulação do capital e não de uma transformação da relação da sociedade com o planeta que é necessária, né? Então, a a ecologia política na na de Colonial, ela tenta eh se insurgir contra talvez a própria raiz do colonialismo, que é a separação com a natureza, eh, desse modelo de vida europeu, eh,
eurocêntrico, aliás, né, que é que estabelece a natureza como uma forma submissa e que deve servir a acumulação humana. Eh, isso gerou na na no na na teoria na América Latina, né, eh, formulada pelo um ecologista político que nos deixou há Quase 10 anos, o Héctor Animonda, que é a colonialidade da natureza, tipo, a natureza sendo objeto de colonização em conjunto com as populações aqui na América Latina. se a natureza era objeto de dominação, exploração europeu ou assim como das populações indígenas e afrodescendentes, eh a gente vê como é que essa relação se estabelece de
de comunhão e a meu ver eh de relação de reciprocidade da luta também, porque A floresta contribui paraa luta, né? O Manuel Cunha, no que ele tá relatando, não teria como ele os povos eh extrativistas terem uma autonomia do trabalho se não fosse numa relação de cuidado e reciprocidade com a floresta. Se fosse uma relação de permanente exploração, eles iriam ser submetidos também à dominação, né? Então, eh essas diferentes formas de convívio, de relação que entendem que a Descolonização não é só social, ela é social em relação com o ambiente. O processo de descolonização global,
né, de desmontar essa engenharia de dominação que surge na Europa, ela necessariamente vai levar para uma outra forma de relação com o lugar, com o território, com a natureza. Eh, isso eh não surge em outro lugar, a não ser nessas fronteiras de expansão do capitalismo, do colonialismo, eh, aqui na América Latina, em outros em Outros continentes também, né? A gente também vê eh coisas simuladas aí no sudeste asiático, na África. Ou seja, a ecologia política ela vê, ela tenta ver panoramas eh de diálogos globais da dessas lutas, que se chama de pode chamar de justiça
ambiental, né? Movimentos por justiça ambiental. Então, essas lutas não são lutas isoladas, elas se organizam de uma forma talvez mais anarquista, né? Elas não são determinadas de cima para baixo por um Partido, mas elas aparecem a partir dos modos de vida e das lutas por manter essa relação com o território, que são lutas eh pela vida, a vida num sentido amplo. Tem um um grande ecologista político latino-americano, mexicano, que é o o Henrique Lef. ele vai discutir a sustentabilidade da vida, não é a sustentabilidade da economia, é da vida. E essa sustentabilidade da vida tá
relacionada com o que ele vai chamar de pensamento ambiental. Esse pensamento Ambiental é exatamente como o Manuel tava nos colocando, é o pensamento que ele ele sup ele pressupõe uma relação com a natureza de reciprocidade, de interdependência e não uma de dominação, né? Tanto que eh parece fluído na narrativa que ele faz extrair eh borracha, depois pirar o cu ou castanha e borracha que poderiam se intercalar pelas a a sazonalidade na Amazônia também, mas dentro de uma relação eh de metabolismo com a Floresta, né, que fosse a que permitisse a regeneração. Então, eu tô compartilhando
com vocês alguns conceitos e formas assim de traduzir essa experiência que são eh que tem surgido desde da ecologia política latino-americana, ou seja, uma forma crítica de olhar a a de apontar eh a o sistema da de dominação ou ou como é que a a economia política ou a sociologia iriam explicar esses conflitos. Mas olhando de baixo para cima com com um Panorama antissistêmico também, né? A gente não não é um um uma forma de de explicação de mundo que tá localizado eh somente em casos, mas ele pressupõe também um um compartilhamento teórico que vem
desde a experiência. Isso é um pouco, né, que eu tenho eh aprendido e e e tem, eu acho que tem produzido uma grande inspiração e influência além da regional, né, de que a o estudo dos conflitos ambientais desde a perspectiva daqueles que estão daqueles daqueles Coletivos que estão liderando essas lutas contra a exploração da natureza, né, que que trazem conceitos novos e que podem ajudar a explicar outras outras outras outros lugares de conflitos também. Eh, e o horizonte da ecologia política é a crise da ecologia política latino-americana ou decolonial é uma superação da crise civilizatória.
Eh, isso eh, é, digamos assim, uma perspectiva de Avanço do que seria um pensamento crítico nas ciências sociais numa superação do capitalismo, né, que seria a construção de outras formas de relação econômica, de trabalho e de de distribuição da da riqueza. Eh, a gente tá numa situação muito mais difícil de seguir habitando esse planeta. E isso não é só uma crise das relações econômicas ou sociais, ela é uma crise de de de modo de está no planeta mesmo, né? Das relações que se estabelece com Um planeta que a gente tá descuidando, né? Eu acho que
esse é um horizonte que a ecologia política latino-americana coloca da dessa perspectiva da sustentabilidade da vida, da onde vão surgir diferentes perspectivas, como você trouxe no início, né, do bem viver. dessa origem andina ou os outros modos de vida que a gente tem cada vez mais aprendido aqui no Brasil, eh, como o Tecoporã, Guarani, a gente vai Encontrando várias outras explicações de modos indígenas e mundo, assim, aonde o ambiente é parte da construção da da existência, né? Eu eu tenho tido uma um encantamento, uma fascinação com o povo Arara que vive na no rio Iriri,
que é um povo que eu tenho uma relação de amizade há muitos anos, mas eu pude participar o ano passado do ritual IE, que é o ritual mais sagrado para esse povo, que é um ritual aonde eles agradecem para um um amigo espiritual eh deles que é um uma Árvore, né? E aí toda a celebração é em torno da proteção da floresta. Ou seja, a floresta não é algo a ser preservado para servir para nós. A floresta é a nossa parte constitutiva de existência. Eu acho que eh isso surge dentro de um a partir de
um de um povo eh com uma população super pequena, né, no aí no na Amazônia Central, mas o que eles estão dizendo é algo global. Não há como a gente existir sem floresta no mundo. E floresta não é só Amazônia, é floresta Em todo lugar. Floresta que permite a a o esfriamento do planeta, a captura de carbono, a produção de oxigênio, mas sobretudo, né, a produção do ciclo hídrico da água, poder ir pra atmosfera e voltar e regula a nossa existência. São florestas, né? no sentido não biológico, no sentido mais talvez ontológico assim da gente
coexistir com o mundo vegetal. Então, eh, a tem tem caminhos a abertos da ecologia política, das ecologias Políticas, né? quando a gente eh eh e começa a imaginar de toda essa diversidade de resistências ecológicas que tem no Brasil desde abaixo, né, desde as populações, a gente aprender eh como é que eh essas insurgências não são questões individuais, mas elas são eh fundamentalmente filosofia pra gente existir no mundo, né? Eu acho que essa autonomia, essa essa essa esse ensinamento da governança do médio Juruá, ele é uma forma eh a partir do Juruá, um exemplo que ele
pode ser expandido para diversas outras maneiras da gente poder se relacionar entre si e com o ambiente. Isso tem a ver com uma gestão do Pampa, por exemplo, que tá sofrendo com com enchentes terríveis e se transformando em soja, em em outro em outros territórios, em outros biomas também, mas é aprender a compartilhar e construir uma outra forma eh civilizatória de convívio das Diferenças. >> Não, isso é fantástico. Exatamente isso que nós estamos fazendo agora aqui, né? já é uma forma de descolonizar a universidade. Quando a gente traz os conhecimentos da Marcivana, do Manuel, que
vocês já ouviram, quanto conhecimentos é que existe essa ideia da colonialidade do saber? Parece que tudo que a gente, vocês têm que estudar aqui tem que ser dos autores eurocêntricos ou brancos. Então, onde fica os outros Conhecimentos? Por que que a gente não trabalha os outros conhecimentos aqui dentro? Por que que nos livros didáticos não aparece uma coisa que a gente vem trabalhando agora com dos meus orientandos? Porque que a concepção de território das comunidades do Juruá, dos povos indígenas, dos quilombola, não tão nos livros didáticos. Com todo respeito aos nossos colegas da geografia, como
Rogério Hasbert, Rafestan, tudo aparece nos livros Milton Santos, a gente adora O Milton Santos, mas eles aparecem ainda, menos mal, né? Que isso que a gente chama até do anticolonial. Mas cadê a concepção de território dos povos indígenas? Cadê das comunidades? Cadê dos quilombola? Não tem no livro didático. Então ainda é uma forma colonial de pensar. Também se a gente começa a descolonizar até nesse tipo. E assim, eh, eu vendo aqui, Marcilvana, agora quando o professor falava, vê um monte de coisa na minha cabeça que Conhecendo o povo sateré, né, como eu costumo dizer, povo
sateré terrível. [risadas] são terríveis. Eu já disse que eu sou do clã da onça, né? Embora o pessoal da Não é assim não, professora, que a gente define clã falh, mas eu escolhi ser do clã da onça, né? Mas assim, quando eu penso no Noken, quando eu penso no Porantin, quando eu penso no Ará, eu vejo que isso tudo é bem viver. Eu não tinha parado para pensar não. Agora Que eu comecei a pensar em toda esta lógica de que é viver, como que cada um desses elementos que eu chamo dos princípios do Saterê Maué,
que é o não sei quem, que é o Porantim, eh eh depois ela pode explicar isso para vocês, tá? >> [risadas] >> Falei, a gente que conhece sabe, ou também o próprio da Bucuri no Alto Rio Negro também poderia ser essa ideia do bem viver, como o professor bem falou. Gente, bem viver não é um conceito Parado, estático, um só. Cada povo, cada cultura tem a sua concepção de bem viver, que é a relação com o mundo e estar no mundo, é de viver nesse mundo de uma maneira diferente. Então não significa que só é
uma concepção. Então, quando eu penso no povo Sateremoé, no Porentino, não sei o quen, né, eh, no Ará, a gente fazia o ará todo dia no início do curso da licenciatura indígena para alguns professores, perdendo tempo, uma hora fazendo ará no Começo do curso, eu falei que tempo perdido isso é educação sateré a forma como o Sateré compartilha o conhecimento, estabelece a ordem das coisas, né, ou não sei o quê. Eu falei que eu não ia dizer, eu deixar para Massivana, mas fala a Massivana, se você também quer comentar um pouco professor Felipe disse um
pouco disso que eu tô falando, né? Eh, pode. Depois tem pergunta para você também. Vamos lá. Do público agora. Vamos passar pro público. Chega de eu fazer pergunta. Vamos lá. pode falar sobre essa história do não sei o quê, um aral porantim para eles entenderem o que que é tudo isso. E depois tem uma pergunta aí para você que deixa eu ler aqui. Eh, bom dia, Macivana, parabéns pela fala e pelo excelente trabalho que vem desenvolvendo. Qual o papel das mulheres indígenas na construção do bem viver na cidade? E também tinha uma outra aqui, né?
Cadê a da Beatriz? podia fazer as Duas logo. Ah, ah, e muitas vezes o olhar decolonial tenta ditar o que o indígena eh perde sua essência de migrar para os centros urbanos. Mas se olharmos para o outro prisma, como mudar essa perspectiva? Quando ela tá falando migrar, aquela história de, ah, você tá na cidade, você não é mais indígena, não tem direito muita coisa. aquilo que você já falou um pouco lá sobre as políticas não reconhecerem o indígena que vive na Cidade, a história do direito à cidade. Então, um pouco isso. >> Seu microfone tá
desligado, Márcio. >> Não, o nosso OK é o paraíso dos dos Sateremauer, né? eh aquele local bem na no centro da da Amazônia, do território do Sateremaué, onde não há divisão entre os seres. Isso é muito muito bacana porque tudo convive em plena harmonia, né? A a os rios, as matas, os animais, as pessoas, né? Não há essa divisão criada pelo homem, né? De que natureza de um lado, pessoas de outro, mas ali todos os seres interagem de si. Então é é lá o nosso quem do Sateré, de onde nós viemos, né, desse nosso quem.
Eh, ontem nós estávamos numa numa reunião eh com o movimento indígena aqui da aqui em Manaus. estávamos campeã com Foreia, com Meian, com Maquiraeta, eh, que em março nós realizamos a quarta marcha das mulheres indígenas aqui de Manaus. E o nosso tema era basta de Feminicídio, né, contra as mulheres, as mulheres e especificamente indígenas. E aí, desse desse desse encontro que depois aconteceu a marcha das mulheres, esse ano foi uma marcha grande, né? Tínhamos, eu acho que tínhamos em torno de mais ou menos 500 mulheres indígenas aqui no marchando no centro histórico de Manaus, né,
trazendo as suas pautas, principalmente eh, no enfrentamento às essa violência. Eh, e e desse momento nasceu então uma a Construção de uma minuta de uma proposta de lei pro estado do Amazonas eh contra a violência das mulheres indígenas aqui, né? Então, a gente tá távamos ontem eh tratando, né, n eh finalizando a minuta de lei construída eh por nós mulheres indígenas aqui na cidade de Manaus, né, com o apoio da assessoria jurídica do movimento indígena, das nossas organizações indígenas que temos aqui. Eh, e aí tá tá saindo uma minuta de lei, é, eu acho que
É primeira também, eh, no Amazonas, né, que trata dessa da eh no âmbito da da violência contra as mulheres indígenas, que é muito grande, não só contra as mulheres, mas contra as meninas também, né, que hoje tem sido eh eh é muito muito muito grande essa violência que atinge a todas, né, né? Eh, e e essa tem sido uma das pautas assim, uma vez que a cidade que o estado do Amazonas, a cidade de de Manaus, é um Estado eh onde a maioria somos nós mulheres, né? Mulheres que estão à frente de organizações, mulheres que
estão à frente de comunidades indígenas. Então, o primeiro caminho é cuidar das nossas mulheres, né, das nossas defensoras, né? é que muitas delas só seguem eh eh até mesmo sofrendo as diversas ameaças também e a gente tem trabalhado muito então nesse âmbito, mas também eh outras questões também que um dos projetos que a COPIM também tem Desenvolvido eh no âmbito da agricultura familiar e da criação de abelhas sem ferrãos, né? E a gente percebe e como essa a o trabalho das nossas mulheres no cuidado das abelhas, na agricultura familiar também tem fortalecido o protagonismo e
a autonomia das nossas mulheres aqui na na em Manaus, né? Então, a gente vê eh a dedicação das do das mulheres cuidando da abelha, né? Aí a gente fica olhando eh como as abelhas têm cuidado do Ambiente local lá. E isso é isso é muito legal, porque ver aquelas mulheres, né, que a gente começa com uma mulher e hoje já são que já são quatro, cinco mulheres, não lembro eh bem, eh que começaram esse trabalho, então tão falando mais, tão participando mais, já não é mais a mulher apenas na cozinha preparando a alimentação pros homens
falarem sobre sobre as nossas questões políticas, mas é a própria mulher hoje encabeçando essa luta, né, falando, isso É muito interessante no trabalho que a gente tem desenvolvido, né, como a gente tem trabalhado a agricultura familiar, as abelhas que estão ajudando no processo de polinização também lá das da da agricultura, né, e como isso tem mudado. a Amazônia, né? Eu acho que isso é é uma forma de da gente fortalecer esses conhecimentos tradicionais também das nossas mulheres, né? Me lembro que durante a seca do ano passado a gente vivenciou aqui em Manaus assim momentos Assim
angustiantes, né? Porque a água sumiu, os peixes morreram, né? E as comunidades afetadas, né? Aí vem a questão da insegurança alimentar. Então eu acho que é pensar aí, a gente tá vendo aí pelos jornais eh que esse ano também não será muito diferente, né? Então eu acho que essas iniciativas pelas comunidades indí feita pelas comunidades indígenas tem garantido eh o alimento paraas nossas populações que estão na na zona rural de Manaus. Mas Assim, né, eh, essas iniciativas elas elas não existem se não for a partir do nosso próprio fortalecimento espiritual, né? E aí a gente
tem um ará, né, passater maué, a nossa bebida sagrada, né, aquela que nos fortalece espiritualmente, né, [roncando] presente ainda hoje nas nossas presente muito forte nas nossas assembleias, nos nossos encontros, nos eh onde Sateremauetá, tá lá o o ar lá passando, tomando fortalecimento, né, eh mas também Presente nos espaços de estudo da língua materna, presente nos nos projetos que os artistas indígenas têm acessado da da desses editais lançados, né, projetos que têm eh fortalecido [limpando a garganta] a cultura também aqui na cidade de Manaus. Mas assim, o Manaus eu acho que é um exemplo eh
pro Brasil, né? é uma presença eh muito forte das populações indígenas aqui, mantendo a sua cultura viva, né? Nós estamos espalhados por toda a cidade de Manaus, né? Por pela zona nas zonas periféricas aqui da cidade, né? Nas eh e continuamos mantendo a nossa cultura viva, os apuriná, os cocama, os ticuna, né? com os cantos, com as nossas danças, com as nossas bebidas tradicionais na presente, na nossa luta, né? Nós vamos para dentro das conferências aqui municipais, eh, aqui em Manaus, nós vamos como com os nossos maracáis, nós vamos com os nossos cocar, nós vamos
com as nossas vestimentas, com as nossas Bebidas. Então, não existe uma divisão, né? Eu acho que a a a cultura tá muito presente na luta, a cultura tá tá muito presente nas nossas reivindicações, a nossa cultura tá muito viva e presente naquilo que nós estamos pleiteando. Por isso ela é diferente, né? Ela não pode ser eh reivindicações eh iguais às a dos a a as dos não indígenas, né? Se a gente tá pleiteando, por exemplo, a contratação de AIS, nós estamos falando no fortalecimento da Língua materna, dos nossos conhecimentos tradicionais. Nós estamos falando da nossa
medicina também, da interlocução do fortale eh dessa dessa ligação mútua que tem os parentes e o Isa tá tá falando dessa diversidade, né? Eh, mas é lógico que eu acho que aqui em Manaus a gente já venceu, acho que avançamos algumas barreiras, faltou muitas ainda, né? Mas eh eh precisamos ainda garantir que de fato eh essas políticas elas sejam de fato eh leis que garantam Direito às populações indígenas aqui em Mana, né? E e uma coisa interessante que a gente tem vivenciado a partir da construção da minuta do projeto de lei para as nossas mulheres
e meninas indígenas aqui na cidade de Manaus, é que ela é feita por nós, né? Ela foi construída por nossas lideranças mulheres, né? Ela foi, ela ela e é a partir de um processo de diálogo e de ouvir as nossas mulheres, as nossas meninas aqui no território do Amazonas, Né? Eu acho que é esse diferencial, porque ela não é uma política que tá sendo pensada de cima para baixo, mas a partir da nossa própria realidade no chão onde nós estamos. >> Ah, é bom. Eh, e sobre essa história do preconceito maciivana ainda quant os povos
na cidade? >> Ah, muito muito forte, né, professora? Eh, principalmente atingir eh principalmente a os nossos jovens, as nossas crianças, né, em salas de aula. E Aí hoje a gente fala assim, nós temos uma constituição que garante direitos diferenciados das populações indígenas, essa política ela tem que tá presente dentro das salas de aula, né? Em 2022 a COPIM eh fez um diagnóstico e que vai apontar que eh 70% dos nossos jovens, das nossas crianças sofrem racismo, preconceito dentro das salas de aula, né? que eh eh que não deveria ser esse o ambiente, né? E e
mas hoje a gente também tem feito o processo de Sensibilização eh nas nas escolas também falando da da importância da da identificação das nossas crianças, dos nossos dos nossos jovens que estão em salas de aula, tanto do ensino fundamental quanto do ensino médio também, que eh que ainda é uma é uma invisibilidade muito grande eh dentro das salas. de aula. Acho até dentro da universidade também eh a gente precisa dar mais visibilidade a isso, né? Porque A gente, eu acho que a gente só pode eh construir eh ações de enfrentamento a essas a isso que
nós sofremos quando isso se torna visível, né? Quando ele ele ele tá invisibilizado, ele só é bom para o estado, não é bom para os povos indígenas, né? para [roncando] as populações e diz, mas o racismo é muito grande, né? Acho que eh nos diversos ambientes, né, na na saúde, também é muito grande a o racismo cometido contra as mulheres. Por Exemplo, quando você vai falar da questão da da do nascimento das nossas crianças, né, a o a própria forma de de atendimento dos povos indígenas, tá falando de uma cidade que é bilíngue, né, e
que muitas vezes há negação de atendimento eh da para essas populações, porque o profissional não entende muitas vezes o que o aquelas os indígenas estão falando. Então, eh, a necessidade da gente criar, por exemplo, uma política de que tenênia, pelo menos, eh, os Nossos tradutores presente nesses espaços, nas escolas, nos eh nas unidades de saúde também, né? Eh, aqui em Manaus a gente tem uma uma questão muito interessante que o até pouco tempo as pessoas falam assim indígenas em contexto urbano, mas hoje a gente já começa a mudar isso porque não é apenas eh Manaus
não é apenas a cidade dos que estão aqui na cidade de Manaus, né, que já nasceram aqui na cidade de mas ela também é a cidade dos aldeados, né, Porque é uma metrópole que concentra eh 100% dos atendimentos, por exemplo, da alta eh da alta complexidade, eh também da questão das universidades aqui na cidade de Manaus, né? Então a gente hoje fala também a cidade Manaus é a cidade dos aldeados que vem para cá, né? E que os direitos deles devem ser garantidos aqui em qualquer espaço, né? Mas a gente se depara ainda com muitas
violações de direitos, né? Eh, ano passado, em setembro do ano passado, foi Aprovada uma portaria, né, que eh que modifica o público alvo eh da política nacional de saúde eh para os povos indígenas, né? E essa política nacional de saúde para as populações indígenas, ela restringe apenas para a os povos indígenas que estão em terras homologadas ou em processo de homologação. Aí você imagina o desafio grande de do impacto dessa portaria na vida das populações Indígenas, uma vez que nós temos muitas terras indígenas que ainda nem começaram o processo de homologação, os indígenas que estão
eh nos grandes centros urbanos, que estão nas estradas, que estão eh as margens dos rios, que não estão e como essa política ela vai afetar as nossas populações. Esse é um racismo institucional eh muito grande, né, contra as populações indígenas aqui. E a política do SUS é para todos, né? Eu Acho até que ela viola eh a própria a própria Constituição Cidadã nossa. Então, a gente tá falando sobre o esse racismo, esse preconceito, eh onde eh os mais afetados, sem dúvida nenhuma, são as mulheres, são as crianças, são os jovens. E aí esse grande índice
também de suicídio aqui na cidade de Manaus, né, de eh a às vezes essa questão da identidade, né, de de você tá na cidade, você não é mais indígena, você tá usando celular, você não tá mais, não é mais Indígena. Como isso afeta, tem afetado a saúde mental da dos nossos jovens indígenas aqui na cidade, né? essa essa identidade muitas vezes que não é compreendida por uma cidade, por uma sociedade eh que tem raiz e eh tem raiz e identidade indígena, mas não é não valoriza, né, essa essa sua essa sua ancestralidade, né, porque a
cidade de Manaus ela nasce a partir dessa ancestralidade daqueles que estão já estavam Muito antes da criação da cidade de Manaus. E é uma cidade que prefere se reconhecer, né, quanto os portugueses que invadiram aqui, né, com essa identidade eh espanhol, que estavam aqui. Eh, e isso é muito muito ruim, né, para pros povos indígenas, pras paraas nossas juventudes conviver na cidade assim, né? Eu me lembro que não faz muito tempo aqui, acho que tem umas três semanas, eu estava numa numa lotação aqui em Manaus, né? E aí o uma pessoa Fez uma uma uma
mudança lá de eh tentando entrar. E aí o motorista onde eu estava, ele gritou assim, eh, falou um palavrão muito feio, né? xingou a cidade, essa cidade de índios. Esses caras só sabem manobrar a canoa, tem que voltar pro, tem que voltar para casa e e saiu xingando o Manaus e os povos indígenas, né? E e isso é muito presente, né? Eu acho que eh a questão da da religião também é outra coisa que que contribui Muito para isso, né? Eh, quando você, por exemplo, ataca os nossos conhecimentos, a nossa cultura, dizendo que você tem
que esquecer isso, né? Porque o bem viver para alguns é um outro bem viver, né? que não é o bem viver nosso. Eh, e aí você tem que abandonar sua cultura para você ter o outro bem viver, aquele da vida, da do paraíso, né, da eh e e isso, infelizmente eh está muito presente também na Então, São sérios de fatores, né, que hoje eh na cidade a gente tem enfrentado muito grande assim. E como fica, né, a a saúde mental das nossas populações, né, populações que ainda estão lutando pela pelo regularização, pelo reconhecimento dos seus
territórios, das nossas mulheres que estão à frente das grandes organizações indígenas, né, que que recai sobre ela toda essa referência do da das problemáticas que é o movimento [limpando a garganta] Que são, né, os desafios que nós temos eh enfrentados na cidade. né? Então, acho que o jovem que muitas vezes é cobrado, né, da dentro da de sala de aula, dentro e que muitas vezes é visto eh de forma errada, porque tem a a sua cultura que que não se trabalha dentro das escolas, né? Eu penso que o caminho seja a identificação das nossas crianças
em sala de aula para que elas convivam, né, falem da sua da sua cultura com outras crianças, né? Acho que a gente Tem que trabalhar as nossas crianças para criar adultos eh sem esse racismo, né? Sem esse preconceito, né? Acho que eu acho que começa em sala de aula essas mudanças, né? tem que deixar nossas crianças eh falarem nas suas línguas maternas com as outras crianças, né? Mas elas estão lá eh estão no num fundamental um, fundamental dois, estão lá presentes. Acho que é valorizar, acho que é isso que o Brasil precisa, né? Conviver com
Essa diversidade cultural que tem, né? Então por isso é que não se pode ter, só não se pode mais hoje ter esse modelo de educação que nós temos. É isso, é um conceito equivocado que as pessoas têm, né, gente, de que a cultura é engessada, né, como diz que para ser indígena ou como eles dizem índio, né, tem que tá pelado no meio do mato pro resto do da vida, né, Macibana, como se a os povos indígenas não tivessem direito à cidade. Que que vocês estão Fazendo aqui na cidade? Não é isso? Como eu também
já cansei de escutar, viu, Manuel? e está achando que a rua é um rio, que o carro é uma canoa, que é uma outra forma de preconceito também quanto as comunidades, né? Ah, então a cidade não pertence aos povos indígenas, não é direito à cidade também das comunidades pera aí, né? Então esse conceito equivocado e a Marcivana fala de vários tipos de racismo, não só institucional, mas também esse ambiental, né, que Sempre acontece aqui. Eh, o Rafael quer fazer uma pergunta aqui, quer Rafael ou já foi? E depois tem uma pergunta também pro Manuel. Você
tem que vir aqui e falar lá, olha lá, ó lá. Vem mais para trás. >> Boa tarde, pessoal. Boa tarde, professores. Obrigado pela presença. Eh, é uma honra estar aqui. Eh, é uma pergunta a todos, né, direcionado, né, é mais filosófica, talvez essa questão, né, da da decolonialidade, né, eh, né, Que visa questionar as estruturas históricas de poder, de territorialismo, de, e de conhecimento colonial. você, ao ponto de vista de vocês, eh, é mais uma questão, vocês que lutam pela causa, é uma questão de empatia individual, onde vai surgindo em nossos na em nossa sociedade
ou nós conseguimos mudar essa estrutura, né, de forma bem bem árdua, né, mas mudando a a forma de ensino ou fazer uma pergunta melhor aqui que eu tinha até escrito né, para Complementar eh treinando. Eh, eh, a decolonialidade pode ser efetivamente construída a partir da consciência, empatia, empatia individual ou enquanto persistirem as estruturas que reproduzem hierarquias coloniais? Essas exposições pessoais tendem a ser absorvidas pelo próprio sistema que pretendem transformar. Ou seja, como é que a gente consegue derrubar essas estruturas decoloniais, né? Eh, acho que tem uma pergunta pro Manuel, a gente vai fazer a pergunta
pro Manuel, aí vocês já vão respondendo essa. Vamos começar pelo Manuel e depois Felipe, depois Macivana. Aqui, Manuel, dentro dessa perspectiva também é que você que transita entre dois mundos, o de liderança que lutou pela criação da RESEX e do agente de estado que fiscaliza e aplica as leis ambientais, Como equilibrar a rigidez burocrática e legalista do órgão que é o CMB, né, com a flexibilidade necessária para respeitar o tempo, os saberes, os costumes no território. Como é que você faz essa? Você vive em dois mundos, né, Manuel? Por um lado, você é o gestor
que tem essa questão burocrática legalista e do outro lado você é da comunidade, você é filho da região, né? Como é que você lida com isso? E na mesma perspectiva aqui do Rafael, como a gente consegue quebrar também essa lógica decolonial dessas estruturas? Eh, vamos lá, Manuel. Depois eu passo pro Felipe, tá? Depois tem pergunta pro Felipe. >> Vamos lá. Vamos lá. Primeiro eu quero voltar um rapidinho no que o professor tava falando dessa questão da nossa relação com a floresta e com a biodiversidade. Professor, uma das nossas lutas para Garantir os territórios, ela nasce
exatamente disso. Quando começa a ganança financeira dos patrões em em começar a abusar dos recursos naturais, a gente viu que ali nossa vida, como nós vivemos no ambiente e do ambiente temos essa relação de vida. A floresta para nós é vida. um extrativista sem floresta, populações indígenas, eh, que vive também nas unidades, nas nos terrenos deles, nas terras indígenas, sem a floresta, é como um peixe fora D'água, dura pouco, né? Porque nossa relação cultural, eh eh espiritual, econômica, é com as florestas medicinais, de onde vem nossas medicinas? Vem da floresta. Então, quando a gente começa
a ver essa ganança se colocando nos patrões e querendo explorar de qualquer jeito toda a riqueza, foi que nós começamos fazer esse enfrentamento paraa criação das Unidades de conservação, as populações indígenas pelos territórios indígenas dele, porque ali nós vimos passando por entre os nossos dedos a nosso nossos modos de vida, nossa cultura. todo o nosso jeito de viver, né? Então, os extrativistas, eles têm essa relação, uma relação de vida, de pertencimento nossa com a floresta, não é? Então, ela não é uma relação de uso. Aí dentro está também o uso de dos recursos naturais, mas
ela é muito mais de pertencimento de Vida. Eu preciso dela para sobreviver e ela precisa dos meus cuidados para continuar ali. Então essa esse pertencimento, né, é super interessante que a gente compreenda isso e e o enfrentamento das populações tradicionais para garantir seus territórios foi para salvar essas culturas, esse modo de vida, esse jeito de olhar para para os recursos naturais, não só com o olhar da economia. Não sei se o senhor ainda lembra, mas eu findei Minhas falas no TED Amazonas e dizendo, mostrando uma uma nota de R$ 2 e dizendo que que adianta
eu ter dinheiro no bolso no futuro e não ter água para beber, não é? Por que que adianta eu ter dinheiro no bolso e não ter para respirar? Vai adiantar o quê, né? Então a nossa relação com a floresta e com a biodiversidade, essa relação de vida. Agora a pergunta eh não é fácil porque como que eu equilibro essa questão de ser comunitário, ser gestor, ser fiscal, Como que eu equilíbrio? Porque as lei brasileira elas são muito dura e cruas do ponto de vista eh da lei. Por exemplo, você chega numa numa comunidade, a pessoa
o pessoal tem uma cultura, por exemplo, de se alimentar de quelônimo muito forte, aqui não é de juruá, não é? Então aí você olha a lei, a lei diz que o quelônio ele é um animal de lista de extinção, portanto é proibido sua captura só quando tiver eh a necessidade extrema colocada. Quando é A necessidade extrema? Eu chego na casa do de uma pessoa, ele a, por exemplo, sua esposa tá tratando um quelônio. Se eu for seguir a lei ao pé da letra, eu tenho que olhar se ele não tem peixe salgado, se ele não
cria galinha no terreiro, pato, porco ou coisa dessa natureza. Porque se ele criar qualquer coisa dessa e eu for levar a lei ao pé da letra, ele tem que ser mutado, porque ele não tinha necessidade de abater aquele que é lô. Mas aí quando você olha também a Constituição Federal, isso é a lei de crimes ambientais, eu estou falando, mas quando você olha a Constituição Federal, ela garante a necessidade extrema, mas garante também os modos de vida, não é? Então eu aqui eu acabo fazendo essa associação, levando em conta a cultura do povo, o modo
de vida do povo, eh o jeito de uso do povo, olhando com o ligando isso aos abusos, aonde está sendo apenas levado Em conta o modo de vida e a cultura do povo, lá vai continuar como está, porque o povo sempre viveu daquele jeito, sempre morou naquele mesmo lugar, fez uso daquele recurso e nunca acabou aquele recurso natural que estava ali. E aí eu começo me preocupar apenas aonde tá havendo abuso, o começo, por exemplo, usando o kelônio como exemplo, né? Aonde tá acontecendo o comércio do quelônio, aonde tá comecendo eh começando a acontecer tráfico
desse animal. E aí a Gente vai lá com a mão da lei e tenta barrar aquela situação, mas respeitando as culturas e os modos de vida das pessoas. Inclusive aqui há muitos fertejo. E os fertejo da comunidade, ele sempre oferece para os seus vizinhos o que eles têm de melhor. E o kelônio aqui no médio Juruá, quando você chega na casa de uma pessoa que ele mata um kelônio para você comer, é porque você é muito importante pra vida daquela comunidade ou daquela Pessoa. Eles estão lhe oferecendo o que você, o que eles têm de
melhor, porque você é uma pessoa importante, né? Então isso é uma cultura, é o modo de vida do povo. Inclusive a gente faz as autorizações para as comunidades pescar os quelôn limitado pela quantidade, o tamanho certo, para que eles possam fazer seus fertejos, que são suas culturas, seus modos de vida. Porque essa mesma comunidade, ela é preservadora de Quelônio. Ela coloca mais de 300.000 filhote todos os anos na natureza. Aí imagina o cara cuida a custo zero, gastando o gás da cozinha que cozinha o a comida dele para fazer o monitoramento daquela praia, muitas vezes,
porque o apoio que recebe não dá para cobrir todas as despesas. Bota mais de 300.000 e o filhote de uma espécie natureza todos os anos e você vai impedir a comunidade fazer o fertepejo dela, que é a cultura dela. Então, eh esse eu acho Que eu acabei desenvolvendo esse esse jeito de fazer a proteção, valorizando a cultura, os modos de vida e combatendo apenas os abusos, aonde tá havendo comércio ou tráfico ou coisa dessa natureza. E eu considero que isso tem resultado muito palalpáveis no médio de uruá, como inclusive com a diminuição da captura ilegal
desses animais ou o o ou o comércio do pirarucu. Tudo isso são coisas que a gente tá num processo de Diminuição dentro da unidade de conservação. Desde quando eu cheguei com esse jeito de administrar, olhando para todo esse viés, é que a palavra não, ela é muito fácil de falar, mas ela é muito dura para ouvir, não é? Às vezes a comunidade, por exemplo, quer fazer uma uma atividade que do ponto de vista da lei nua e crua como ela é, não pode. Aí é muito fácil dizer não, mas é muito difícil de ouvir. É
mais fácil ouvir e dizer: "Ó, desse jeito não dá, mas desse Desse jeito dá para nós fazer. E eu quero te ajudar como órgão gestor, eu quero te ajudar como estado brasileiro fazer do jeito certo de fazer. Então você você acaba tendo aquela pessoa convencida de fazer as coisas do jeito mais certo e do jeito mais eh amigável com a lei brasileira. Eu acho que eu também desenvolvi isso para trabalhar aqui, que também eu analiso como coisa que tá dando muito certo, trazendo, trazendo bastante resultados. Porque Quando você olha do ponto de vista da lei,
das questões ambientais, o objetivo central da lei não é a proteção daquelas espécies ameaçada de extinção, não é? Ou então você, quando você olha, o ponto é esse. Se você do seu jeito, do jeito que você organizou, você tá atingindo aqueles objetivos, que é ter a maior proteção daquela espécie, você não tá cumprindo a lei. Então é por esse olhado que eu caminho. >> Eh, muito nessa perspectiva mesmo. Agora Tem uma pergunta aqui para o Felipe, né? A gente já tá fechando, viu? Porque é conversa rede, né, gente? Se deixar, a gente fica aqui até
umas 2 horas. Então, Felipe, eh, tem uma pergunta aqui, olha, como podemos promover um diálogo simétrico dentro daquelas percep como romper, né, com essas regras do do da colonialidade? Então, como podemos promover um diálogo simétrico, respeitoso entre conhecimento produzido nas universidades e os saberes que vêm Dos territórios, das lideranças indígenas, quilombolas e comunidades? E eu completo isso perguntando assim, Felipe, eh, no campo da própria ecologia, né, política, né, como que a própria ecologia política decolonial de fato descolonizar mais uma vez integrando os conhecimentos de lideranças como a Marcivana e o Manuel, mas não como objetos
de estudo, mas como intelectuais e produtores de ciência legítima. aquela velha concepção, o que Que é ciência para academia, como é que os nossos conhecimentos, os outros conhecimentos entra. Então, como é que se é possível fazer esse diálogo aí, né, simétrico e respeitoso entre conhecimentos da Marcana, do Manuel? Como a gente pode incorporar isso na academia? Quais são os paradigmas que a gente tem que romper, afinal de contas, né? Quais são as epistemes que a gente tem, as epistemologias que a gente tem que romper? Essa é uma bomba, né, [risadas] que eu te coloquei. >>
São ótimas perguntas. Eu agradeço muito as perguntas que me faz refletir bastante aqui, eh, para compartilhar algumas experiências em curso desse processo longo, né, de construção de uma nova universidade no Brasil. O primeiro, eu queria expressar minha fascinação com a fala da Marcvana em Manaus nessa luta para construir uma florestania. Eu acho outro conceito de Chico Mendes e e Crenc pra gente Recuperar dentro dessa cidade que é um resultado hoje de um projeto de colonialismo interno dos militares, né? Manaus é uma cidade feita para combater a floresta a partir dos anos 70 e os povos
indígenas e e a descrição da Marcilvana é fantástica sobre como essa luta é uma luta longa, mas e não é feita só de humanos, não é só com plano de urbanismo que vai ser feita junto com as abelhas, é no na superação ao racismo e com educação assim, né? Eu acho que que É grandiosa essa tarefa da florestania. eh, em Manaus. E essa e o e o o que o Manuel tava trazendo também, eu vejo como eh o esse embate do racismo dentro dos órgãos do da do estado que lidam com a ecologia. alguns anos
atrás, mais ou menos nessa época que a gente se encontrou no TED, eh eu me lembro que tava muito forte, eu espero que isso tenha sido superado, um plano de expulsar as comunidades quilombolas do Parque Nacional do Jaú. Aqui na Bahia Queriam expulsar os povos indígenas do Parque do Descobrimento, que era uma loucura, né? Essa formulação de ecologia eurocêntrica, ela não nos serve. Ela é uma formulação de pensar a natureza como recurso. Então ele tem que ser preservado para nos servir. Esse desafio que o Manuel tá trazendo também dessa prática é de construir eh aprender
uma outra ecologia que tem que transformar o Estado no Brasil para ensinar o a os europeus como é que a gente se relaciona Com a natureza, que não é numa forma preservacionista de afastar certos humanos. Não são todos, né? Eles querem afastar aqueles humanos que convivem com a natureza, porque eles vão privilegiar esse usufruto de resortes, essas coisas racistas que se instalam aí no princialmente no Rio Negro com mineração. Eh, aí entra toda uma lógica que é hegemônica hoje da bioeconomia também, dos serviços da natureza, toda uma Lógica capitalista que vê ainda a natureza servindo,
eh, e tenta de e tenta, eh, colocar como para baixo essas como menor, menos importante, essas outras relações que são colocadas. Isso, isso foi terrível o ano passado na COP 30 em Belém, né? Eh, eh, toda essa discussão que a gente tem sobre o decolonial e a decolonialidade, a gente tem que eh pensar que o racismo ele surge do colonialismo. O racismo hoje ele é produto do colonialismo. Então, não tem como superar falar em decolonial se não superar o racismo em todas as dimensões. E o capitalismo, ele é o que impulsiona e vem junto com
o colonialismo. Não há decolonial dentro do, não existe capitalismo decolonial. Não tem condições de imaginar um sistema econômico que pressupõe a exploração da força do trabalho e outra contradição que a exploração da natureza visando o Lucro. seja, outras economias devem ser eh construídas fora do capitalismo. Eu acho que esse esses exemplos que o Manuel traz também da governança no Juruá e vários outros que a gente tem visto no Amazonas, eles são eh economias anticapitalistas. E essa foi a grande sacada do Chico Mendes também, né? e e é de imaginar uma floresta que vai ter renda,
vai ter prosperidade, mas não é dentro de uma forma de exploração. Eh, o tem um um um eu vou citar de novo o Henrique Leffe ele tem um um livro que ele lançou o ano passado e tem um outro que ele tá lançando agora, que é justamente experiências desse filósofo mexicano que tava no TED com a gente em Manaus sobre diálogos e saberes. E ele traz, eu acho que uma preocupação que me ajudou a visualizar aqui bem em relação com esses questionamentos que vocês fazem. Ele vê três tendências de diálogos, de saberes. Uma é que
a a primeira é uma etnocêntrica e colonizadora, que é o diálogo que visa a exploração. a gente vê muitas organizações que chegam suavemente com mais com uma visão de dominação a natureza, que vai se aproximar dos territórios, né, na Amazônia, Mana Catinga também, vários biomas, supostamente com diálogo, mas com uma ideia de bioprospecção, de biopirataria. A a a um a um há um convite para Participar da do capitalismo, mas uma partilha real. Isso também é um diálogo de saber que é absolutamente desigual e exploratório. Tem um outro que é integracionista, que também marcou por muito
tempo a academia, que é a gente fazer um uso eh do conhecimento tradicional pros interesses do questionamento acadêmico. Eh, isso marcou muito algumas tradições científicas, principalmente as ciências sociais. também me chama muita atenção. É por isso que tem tanto debate sobre uma desconstrução da antropologia da forma como ela vem sendo implementada. E a UFAN hoje é um dos um dos grandes centros, eu acho, desse debate no mundo, com a presença de de antropólogos indígenas, entre eles o gênio João Paulo Tucano, uma pessoa que eu tenho uma admiração enorme, que é mostrar que aquela antropologia, a
história da antropologia, ela ela ela ela ela também produzia mais uma integração do Conhecimento sem uma uma um um um diálogo horizontal. e a intercultural colaborativa e descolonizadora que o Leff traz, que é um um diálogo de saberes que ele pressupõe uma horizontalidade e também problemas em comum para serem enfrentados. Eu acho que eh são muito inspiradoras as falas do Manuel Cunha e da Marcivana, porque são problemas em comum que que eles estão colocando, né? A Marcilvana tá discutindo não uma uma Manaus para os indígenas, é uma outra forma de habitar uma cidade. É maior,
é é uma é é é refazer uma ideia de urbanismo, porque o urbanismo militar construído em Manaus é um caos, é uma cidade caótica, é uma cidade sem árvore, é uma cidade quente, é uma cidade de consumo, uma cidade com terrível transporte e tal. A cidade da Florestania é um, eu fico imaginando um futuro a partir dessa, desse pensamento indígena, sabe? Ou essas outras Economias da floresta que estão longe de querer ficar abrindo mineração eh em tudo quanto é canto do Amazonas. É mostrar que a região aí de de tefé, da do Amazona, do centro
aí do estado, não precisa ter mineração, não. Ela precisa ter mais convívio com a regeneração da floresta. Eh, e a experiência que eu tenho tido aqui em Salvador, eu queria compartilhar com vocês esse diálogo respeitoso e o papel da universidade tá relacionado à Universidade pública no Brasil, a desconstrução de uma universidade eurocêntrica, a gente construiu uma nova universidade. Eh, e essa universidade, a gente tem tido uma experiência aqui de de reconhecimento de notório saber. eh os outros saberes de fora da universidade com outras tradições e matrizes epistêmicas. Eu acho que esse nosso diálogo eh mostra
eh isso, né, que que o que a gente constrói um memorial De vida, apresenta num programa eh dos saberes, né, descritivo, apresenta em programa de pós-graduação, essa pessoa passa a ter um título eh equivalente ao de doutor e ser contratada como professora visitante na UFBA. Isso aconteceu, isso acontece não nessa forma da contratação, mas tem processos similares na UFMG. E eu sei que em Manaus teve um encontro esse ano também super inspirador, eh nesse sentido Do reconhecimento, né, dos encontros de saberes e diálogos de saberes e com a perspectiva de de ingresso por notório saber.
Eu acho que isso é importante da de que não sejam reconhecidos somente indígenas, extrativistas, quilombolas, eh o povo negro, eh que tenha feito uma formação eurocêntrica ou que tenha seguido uma tradição eurocurocêntrica de formação, mas que possa ter tido outras formas de formação e que a universidade aprenda a acolher da espaço e se e Transformar os espaços da universidade também, né? Hoje, hoje à tarde aqui na UFBA, a gente vai ter um curso de formação de lideranças conduzido pelo Ccique eh Nailton Patachó, que tá contratado como professor aqui. Eh, e o título de doutor dele
vem pela UFMG. É, é, é fascinante. Semana passada a gente teve com a capitã Pedrina, ou seja, é constru, eh, que é, que que é uma liderança negra de Minas, capitã de reinado e que também teve o notário Saber reconhecido pela UFMG. Então eu acho que a gente tem que que ampliar muito essas experiências no Brasil, mudar os diplomas, também ampliar a interdisciplinaridade, a transdisciplinaridade, construir a universidade pública no Brasil como um espaço de acolhimento das diferenças e que tente responder aos nossos problemas em comum no Brasil, né? Um problema de superação do racismo. Não,
o racismo não é um problema do povo Negro, do povo indígena. O racismo é um problema civilizatório que precisa ser superado, né? Outras formas, outras economias pós capitalistas, eh, outras relações com a natureza são grandes problemas que a universidade deve ser eh o espaço desses debates. Isso é uma coisa que eu que eu que eu acredito muito e a gente tem começado a abrir algumas portas e precisamos trocar essas experiências. Achei esse um horizonte eh fascinante de diálogos e de Formações. Eu fico imaginando a a a beleza de estudantes hoje já poderem ter aula com
professores indígenas, com professores quilombolas, com professoras que são mães de santo. Eh, no no meu tempo não existia esse horizonte. Eu acho que o Brasil que a gente imagina pro futuro, deve ser o um um um Brasil que tem uma universidade que que promova a esse espaço, porque não nos cabe tentar fumar pensamentos mais eurocêntricos aqui que vão ampliar a Dominação do país, mas como é que a gente aprende a conviver com as diferenças e com com e e reposicionar a nossa nossa as nossas formas de habitar? o o Brasil, né? Então, eu vejo a
universidade, de novo, eu tô falando universidade pública no Brasil, eu não tô tentando defender uma ciência global eurocêntrica, ao contrário, a superação dessa dessa forma de ciência, mas a gente tem dentro de uma luta histórica da construção da universidade eh pública No Brasil, novos desafios hoje, né? assim, nos anos 90 foi conseguir impedir que essa universidade fosse privatizada eh e fosse ainda mais elitizada. Hoje a gente tem que ampliar muito mais eh diversidade epistêmica da universidade para se tornar efetivamente uma pluriversidade, não só para boas formações, para que os estudantes saiam com cabeça aberta, mas
para que a universidade também aja nos territórios em conjunto. Eu acho que isso é muito Importante também, porque figuras como Manuel, se ele vai entrar na universidade, ele não vai só para UFAN para ficar dando aula, ele vai mexer na extensão da UFAN no território também. na relação de pesquisa colaborativa, eh, de de reformular a educação indígena, né? Eu acho que essa experiência que tá sendo construída dessa escola indígena em Manaus, né, que que eu já visualizei que que a UFAN tá em conjunto, né, nesse Nesse construção desse processo, a universidade pode ajudar a traduzir
isso de formas escritas que a gente que que elas são universais. que vão ajudar outras universidades a construir outras escolas, né? A gente tem que ter escola indígena em Salvador também. Eh, aqui já tem experiências de escolas eh afrocentradas, né? Mas tem que ser a indígena afrocentradas descentralizadas eficamente, Né? E mais uma vez agradecer por esse encontro tão tão bonito. Muito obrigado, Venim. Espero um dia ser feito eh pessoalmente, né? A gente pode visitar a escola indígena em Manaus. >> Podemos tomar um banho de rio depois com Manuel. >> É, >> obrigado pelo canite, viu?
>> Pois é, isso como Felipe falou, se de um lado a gente tem essas concepções, né, coloniais, tipo o racismo, o Antropocentrismo, eternocentrismo, próprio epistemicídio, né? E eu eu falei assim hoje mais cedo, eu falei com o pessoal aqui da turma, o próprio machismo, né? Se a gente tem hoje a colonialidade do gênero, existe a colonialidade do gênero, do saber, do ser, da natureza, né? a colonialidade do poder que perpassa todo esse sistema capitalista de uma ciência ocidental hegemônica, né, que a gente tem que Quebrar aqui dentro da universidade. Assim como também eh essas concepções
decoloniais, contracoloniais, a gente tem o bem viver, a alteridade, né, a a interculturalidade e enquanto também anticoloniais, a própria ideia do ecocentrismo e do biocentrismo. Eu distingo o anticolonial do decolonial, do contracolonial, que são diferentes. Quando a gente pensa no ecentrismo, no biocentrismo, eu Identifico como sendo anticoloniais, decoloniais mesmo, só é a ideia do bem viver, né? Essa ideia da alteridade e da interculturalidade, que é o respeito às diferenças, sejam elas sociais, culturais, epistêmicas, que a gente tem que ter nessa universidade, né? E por falar nisso, eu vou deixar só agora uma fala geral para
todos vocês, que a gente já tá daqui a pouco vai dar meio-dia aqui, 11 horas aí, né, Marcilvana, você pro Manuel. É assim que a Macivana ela fala aí de um projeto nosso e o Felipe também falou da importância, eu disse que eu ia falar, né, Macilvana, no final, eh, da importância desse nosso projeto que a gente tá desenvolvendo aí com a COPIM, que é desde o ano passado. Nesse exato momento, eu tô sendo impedida de fazer esse trabalho, né, por questões burocráticas de uma universidade colonizadora, né, infelizmente. Mas eu vou, eu disse que eu
vou. Eu tô falando Aqui, tá no público, né? Não me importa. Eu vou porque eu tenho compromisso. E como o professor Antônio Horis que teve aqui conosco, ele falou do que significa ética. Ética não é apenas preencher formulário do comitê de ética dentro das universidades, não. Ética também passa pelo compromisso que a gente tem com as comunidades e compromisso que a gente tem, eu no meu caso, comigo mesma. os princípios que eu sigo. Se eu falo de decolonialidade, de contracolonialidade, Seria um contracenso eu abaixar a cabeça para burocracia do Estado e não terminar um trabalho
que eu comecei, né? Então, trata-se também de uma questão de compromisso, de ética profissional, de ética pessoal, né, dos princípios que eu acredito. Então, independente do resultado aqui do nosso processo, né, com a UNIFA, eu vou estar aí semana que vem, com certeza, porque é todo o investimento de um projeto que a gente tem, tá discutindo. Não foi à toa também Que a marcibana, sempre falo, agradeço a Cop, aos povos indígenas, aos movimentos, quando me chamam para fazer esse tipo de trabalho, porque é uma forma de reconhecimento nosso. E eu entendo que isso é a
nossa função enquanto como universidade, enquanto professores de universidade, que a gente luta pel esse processo de descolonizar a universidade. Então, que prática seria a minha, né, só no discurso? Então, o discurso tem que tá associado à Prática, né? Então, eh, eu deixo agora as últimas palavras para vocês, quiserem fazer considerações, agradecendo demais o Manuel, Macivana, Felipe, que isso de verdade é essa ecologia de saberes, né, que o professor eh Boaventura fala, esse diálogo de saberes que o professor Lefala. E o professor Lef vai estar aqui com a gente, viu Felipe, no dia 19 de agosto.
Ele já aceitou esse convite, né? Vai ter uma fala aqui conosco numa aula Magistral, né? Da abertura do semestre aqui das ciências ambientais aqui da UNIFA. Então eu deixo aqui com vocês, agradecendo desde já essa oportunidade de descolonizar um pouco as nossas universidades e vocês quiserem finalizar >> podem falar. >> Obrigado, professora. Deixa, me permito, companheiros de palestra, que eu eh comece, porque eu vou receber um pessoal aqui no barco agora e aí não tem mais como eu ficar eh conversando com vocês, Né? Mas primeiro agradecer a professora por ter trazido esse tema tão importante,
viu, professora, para o debate. Nós não estamos conversando só entre nós quatro, né? Nós temos um grupo de aluno que tá nos ouvindo e um grupo de alunos que estão se preparando inclusive para fazer esse enfrentamento com muito mais qualidade do que o que tem sido feito até hoje. Por exemplo, quando eu fui obrigado me tornar liderança no médio juruá, foi por uma Questão de necessidade. Analfabeto nunca tinha pisado no banco da escola. Mas ou eu me empoderava como uma liderança comunitária para enfrentar todo aquele sistema que estava colocado ali ou eu ia continuar sobrevivendo
eh naqueles modos de vida tão agoniante, tão desgastante, tão destruidor, não é? E, e eu agora fico feliz quando a universidade e os cursos superior ou os mestrados, os doutorados permite a gente fazer uma discussão dessa natureza, Porque nós vamos preparando muito melhor esses cidadãos que hoje estão eh no processo de aprendizado para ser nossas grandes lideranças do futuro, nossos grandes políticos, nossos grandes professor das universidades e e entre outros cargos que eles poderão ocupar, né? E e eu agradeço exatamente por a senhora ter lembrado de trazer esse tema tão importante na nossas vidas, que
faz tanto eles assim for compreendido, né, por Todos, né? E nesse momento que o mundo inteiro passa pelas mudanças climáticas mais absurdas possível, aonde cada dia quem vive no ambiente do ambiente tem sofrido mais com isso. E quanto mais nós tiver pessoas sensibilizadas, eh universidade eh superior de ensino, entre outros campos, possa est trabalhando isso, divulgando isso, fortalecendo isso, né? Então, aquilo que os olhos não vê, dificilmente o coração sente. Então, Fazer esse debate é olhar para esse problema, eh, que ainda está enraizado dentro do país, que precisa ser tirado na força para dar espaço
para novos, novas discussões, novos pensamentos de governança, novas formas de reconhecer os povos e suas culturas para que a gente possa avançar e fortalecer cada vez mais esse mundo, que ninguém concorda com ele do ponto que tá aí. esse modelo eh de colonização que houve, que ainda tá sendo colocado, um setor Outro começando fazer pressão, começando a dizer que isso não tá certo, precisa ser mudado, precisa ser reconhecido as populações indígenas, as comunidades tradicionais que inclusive vive debaixo da camada de floresta, fazendo um trabalho social, ambiental, econômico, cultural, que serve para o mundo todo. Isso
precisa ser reconhecido. A maior alegria que eu tive na minha vida foi quando eu ouvi dois anos atrás a primeira palestra de um palestrante Dizer assim: "As comunidades tradicionais com seus saberes são fundamental para a preservação da Amazônia, porque eu sempre ouvia o contrário de que as populações tradicionais atrapalhava o processo de preservação, de proteção da Amazônia. Por isso nasceu o conceito das unidades de conservação que não permite a presença humana, né? Aí você pega o médio juruá hoje com eh a unidade seu entorno, mais de 1000 famílias vivendo Em harmonia com o meio ambiente,
preservando, cuidando, protegendo para presentes, paraas futuras gerações. Então a gente compreende que esse esse pensamento que muitas pessoas tinha e que nos traz muita felicidade saber que ele tá sendo distorcido hoje pro que é correto, que o conhecimento tradicional ele é muito importante para a preservação da Amazônia e é muito importante quando ele se junta com um conhecimento técnico, científico, Acadêmico, que forma um outro conhecimento. Nenhum de nós que entramos nessa conversa hoje, professor, estamos saindo mesmo. Nós estamos saindo muito mais enriquecido de conhecimento. E é isso que faz a transferência e eh desse modelo
eh doente eh danoso que o Brasil tem de reconhecer as pessoas, seu povo e suas culturas para o modelo novo, aonde tudo pode ser muito mais valorizado e muito mais eh reconhecido. Muito obrigado. Fico aqui à disposição, viu, Professora? Qualquer hora que a senhora quiser chamar pra gente colaborar, vamos estar aí à disposição. >> É, não é a primeira vez, né, Manuel? Não sei quantas vezes às vezes eu te chamo, né? Mas sim, eu também gostaria de dizer aqui que a nossa eh alegria, privilégio de ter o pessoal do MBU e de todo do território
do Médio Juruá ter solicitado o nosso curso de mestrado da UFAN em geografia aí em Carauari. Então, na hora que chegou a proposta pra gente, na Mesma hora eu fui a primeira a defender. Não, tem que ir, tem que ir. A gente tem que ir, né? Porque a comunidade tá pedindo, o pessoal tá pedindo. Então, a gente vai e hoje a gente tem uma turma, né, do mestrado de geografia em Carauari. Eu tenho dois, como eu digo, desorientados, dois desorientados aí, que é o Raimundo e aqui o Vilene, que por sinal são sobrinhos do Manuel,
viu, gente? mera coincidência. Os meus dois orientandos são sobrinhos do Manuel, que estão trabalhando exatamente com essa ideia de gestão territorial, né, nas áreas protegidas e empoderamento inclusive das mulheres. Então passo a palavra agora, Massivana Felipe, para quem quiser finalizar também. Agradeço, Manuel. Abraço pro pessoal aí das comunidades. >> Bom, eh, agradeço, professor, o convite para est aqui participando, falando dessa, Dessas nossas ações, do nosso trabalho aqui em Manaus, transformando, né? Queremos ver essa cara indígena que Manaus tem, eh, essa identidade indígena que ela tem, eh, respeitada, né, que as políticas públicas eh sejam de
fato construídos, sejam inclusivas, né, para as populações indígenas aqui na cidade. A gente tem aprendido muito, eh, ocupando os espaços de direito, né? Há algum tempo atrás, a gente nem sabia o que era eh a importância dos conselhos, Né? Hoje nós falamos sobre o orçamento, queremos orçamento específico para os povos indígenas aqui na cidade, né? Eh, aprendemos que não basta você entregar um documento em mão, você precisa eh ter embasamento, ter eh para pleitear as nossas políticas, né? As nossas políticas. Eu me lembro que quando a gente começou a participar das conferências, a gente tinha
uma grande dificuldade, era, Nós sabemos o que nós queremos. Nós não sabíamos era formular as propostas de forma técnica para que elas pudessem ser aprovada na plenária, né? E aí nós pensamos, mas a gente precisa criar uma estratégia para isso, né? Então a gente convidou a a universidade, né, Rot? Esteja conosco, né? Nós pensamos isso, como é que transforma isso de forma técnica? E assim nós fomos construindo as nossas propostas eh para as Populações indígenas aqui na cidade de Manaus. a asidades, ela tem elas têm um papel muito importante, então, eh nesse processo, né, de
construção de uma de uma nova sociedade, né, de uma pra gente eh de enfrentamento a esse processo colonial implantado, que é muito difícil da gente eh superar, né, porque todo dia a gente vai eh o bem viver na perspectiva cultural, ele está presente. Eh, mas o bem viver nessa perspectiva de de cidade, de social mesmo na cidade não Está. É preciso construir. Eu acho que a gente só constrói nesse trabalho em rede, né, professora? movimento indígena, universidades, outras organizações da sociedade civil, movimento organizado. Então, acho que o caminho é esse. Então, agradecer professora por estar
sempre junta conosco, né? Vamos estar elaborando aí, vão estar na na quarta oficina de construção do projeto político pedagógico indígena nosso. Não é um Projeto puxado pelas instâncias públicas, puxado por nós indígenas, por uma organização indígena, né? Eh, corremos atrás de de financiamento para ter a as nossas oficinas para que não houvesse outras interferências. Estamos nós é nós que estamos à frente, né? construindo o nosso projeto político pedagógico. Agradecer professor Ivan, fico feliz, né, eh, que vai estar conosco, né? A gente nem pensa numa outra possibilidade que não esteja eh Conosco, né? Se for eh
é importante a sua presença, a sua participação, né? A gente a gente também tem desconstruído muitas coisas a partir das nossas oficinas, né, professora? Então, só gratidão mesmo. Acho que naquele momento das primeiras oficinas do entendimento, né, de fala muito sobre educação, eh, mas às vezes a gente talvez não tenha um entendimento certo, né? E a gente também na construção do projeto político pedagógico nosso, a gente tem Eh também superado essa questão de eh decolonial que impetrada na educação principalmente, né? Então, gratidão a todo professor Felipe. Eh, gratidão prazer em conhecê-la, né? Sim. Quando você,
eh, vier a Manaus, estamos aqui. Vamos conhecer essas experiência dos povos indígenas aqui. Marcos César. O Acô. Eh, Mailvana, você tá na COPIM ou em casa? [limpando a garganta] >> Então, eu estou aqui na COPIME, né? Aí é outra coisa. É, eu estou na COPIME. Eh, os meninos estão aqui na sala, né? Tá. >> Cadê os meninos? Deixa as meninas aparecerem aí. Jéssica Márcia, quem tá aí? Felipe. >> Jéssica. Jéssica >> J. Cadê o povo aí da Copia em mim? >> Tá aqui. >> Apareça aí, meninas. Professora. >> Cadê Felipe? Tá aí também. >> Jessica
Purin. >> Ah, Jéssica Purin. Daniel. >> Ah, o Daniel também tá aí. >> A Fran. Renata Tucano. Ah, Renata, né, Fran, eu tô confundindo as bolas já. Ah, Fran. >> Bom dia, professora. >> Oi. Daqui a uns dias eu tô aí com vocês, com certeza. Francien Cocama. >> Uhum. >> Então, tá. Obrigada, Macivana. Obrigada As meninas aí. >> Daniel. >> Daniel. >> Oi, Daniel. Aí tem mais que quem mais que tá por aí? Não tem mais ninguém não. >> Não, aqui na sala não. Estão na outra sala. >> Ah, tá. Os meninos tá na outra
sala. Então tá. Dá um abraço para todo mundo e obrigada, Marcivana. E semana que vem eu já tô aí. Segunda-feira já tô chegando aí em Manaus. Felipe. Então ficou você Por último também te agradecendo suas últimas considerações. >> Obrigado pelo convite, professora Ivani. Foi ótimo encontro. Eu adoro a prática do das ecologias dos saberes, né? Foi muito >> Sim. >> Eh, bacana. O que, e que, e que legal que vocês vão receber o Lef rec agora em breve. Ele com 80 anos tá lançando um livro agora de um diálogo com o filósofo Zapoteca, né? Eu
acho que isso é tão tão Inspirador. O Left tem me levado ali Heidegger e outros europeus. Agora estamos relendo Heráclito Heidegger desde um ponto de vista de diálogo com o pensamento indígeno. Acho isso muito, muito inspirador. Eh, parabéns pela luta, Macivana. Adorei também te escutar e uma boa semana. Espero que a gente se encontre Manaus, em Salvador, em Alfenas, em qualquer uma dessas Dessas cidades que possibilite o encontro nosso presencial. Obrigada. Obrigada, Felipe. Obrigada, Macivana por esse momento. Eu acho que foi muito importante aqui pros estudantes, principalmente aqui de Alfenas, que é uma realidade completamente
diferente do que a gente vive aí no Amazonas ou na região norte ou na Amazônia, até mesmo em Salvador, né? Porque são contextos completamente diferentes, culturais, Sociais. >> Então, agradeço muito a vocês, tá? E com certeza estarei por aí. Eu também vou estar lá em Salvador em julho, com certeza. E em Manaus na semana que vem. >> Então, tchau, gente. Obrigado a todos. Pessoal que ficou até agora, >> pessoal que tava nos assistindo pelo canal do YouTube. >> Tchau, tchau. Obrigada, pessoal.