Olá, terráquos, como é que vocês estão? Eu sou Rogério Vila, tá começando mais um Inteligência Limitado, o programa onde a limitação da inteligência acontece somente por parte do apresentador que vos fala. Sempre troco pessoas mais inteligentes, mais interessantes e com a vida muito mais observadora do que a mim e do que a sua. Você é um observador? >> Ah, eu gosto de observar as pessoas. Tá Diferente hoje em mim. >> Olha, o seu cabelo tá diferente. >> Tá bagunçado, né? Boa, boa. >> Olha, até que ele tá um pouquinho mais arrumado do que ontem. >>
Ontem a galera no chat falando que >> cara tava uma loucura, >> cara. Os caras só falando do meu cabelo. >> Ah, eles gostam de falar do seu cabelo, né? >> Exatamente. >> O seu acaju Silvio Santos, né? >> Não, não fala isso. O pessoal não sabe que eu pinto cabelo, cara. Agora acabaram de descobrir que eu pinto cabelo. Tem muita gente que tá entrando. >> Ah, eu tava com cabelo grisalho e agora tô com cabelo pintado. Olha também o meu estado, né, cara? uro, né? >> É. Vamos lá, então. Eh, por favor, como o
pessoal vai participar dessa live maravilhosa? >> Hoje a gente tem aquela live supimpa. Então, já deixa seu like, se inscreva no canal, torne-se membro e envia aí também a sua pergunta via super chat, né? >> Exatamente. Presta atenção nos assuntos que a gente tá falando, porque o pessoal às vezes pergunta coisa que a gente já respondeu. >> É. Ou pergunta coisa nada a ver também. Então, manda um salve para Osasco. >> É carapicuíba, cara. >> Pode, não pode mandar um salve, mas faz a pergunta. >> Pois é, não é? É verdade. >> Deixa eu falar
com o pessoal que tá em casa, então. Posso? >> Pode. >> Então vamos lá. Você sabia que as pilhas alcalinas Energizer Max duram até 300% mais? Você sabia? Ô, ô, querido Romer? >> Rapaz, eu fiquei sabendo, hein. >> Então, é isso mesmo. A Energizer é líder mundial em inovação e a número um em fabricação de pilhas. Sim, número um no mundo. Sabe aquelas pilhas que duram Pouco, fazem seus aparelhos funcionarem pela metade e acabam te deixando na mão? Então essa não, esse não é o caso da Energizer Max, porque ela é diferente. Eu vou, mostra
aqui, ó, na câmera de cima aqui, ó. Deixa aqui. Olha que bacana. A Energizer Max é uma pilha premium de alta performance feita para você que busca confiabilidade, durabilidade e segurança. Ela não vaza, está sempre pronta quando você precisa. Disponível em diversos tamanhos, que a Pessoal já sabe, né, que aquele a >> Esse aqui é o >> Esse é o Esse é o a. Esse é o a a. É o famoso palitinho, né? Exatamente. E a de 9 V. Ah, tem a C que eu nem sei qual a C é um pouquinho mais grossa. >>
É, ela usada pra lanterna. Tem a D que é mais grossa ainda também. Tem a 9 Volks aí também. >> Ó lá ele aí. >> Ela é perfeita para câmeras, flashes, dispositivos, gamer, brinquedos e todos Os aparelhos que exigem energia de verdade. Acesse agora energizer.com.br do br descubra com como esses produtos podem transformar o desempenho dos seus dispositivos com muito mais eficiência e durabilidade. Deus dê a Deus aquelas pilhas sem performance que você tem que ficar trocando toda hora com exatamente com Energizer Max que dura até 300% mais com Energizer Max nossa conversa aqui no
Inteligência Limitada ganha energia de sobra para ainda para ir ainda mais Longe. Aqui é famoso, não sei se o nosso convidado sabe que é a conversa que dura um pouquinho mais aqui. Tem que tá com a pilha cheia, hein? >> Tem. É o o o Marcelo Taz, ele veio aqui, ele ficou 5 horas, ele tomou um susto quando olhou o horário. >> Pois é. É. Então, >> a gente já teve também o caso do da nossa live, né, da do Pirula. >> É, o Pirula é um é um ele já é um módulo de tempo,
né? >> Live com ele é sempre longa. Você você tem uma ideia, o pessoal faz troca de de pessoal que quando tem live, é que agora ele tá se recuperando, né? Então, mas quando ele vim aqui, eh, sabia que era o Pirula. Eram um pessoal até meia-noite e da meia-noite até quando >> até acabar >> eles já sabiam que ia durar muito. Então gente, o cara que vinha depois da meia-noite não sabia se era bom negócio ou mau negócio, né? Podia durar até às 6 Da manhã, né? >> Então é isso. Tem Q code na
tela e link é na descrição. Certo? >> Certo. >> Vamos também falar o seguinte. No turmilhão da vida moderna, onde cada segundo conta e o movimento é constante, surge uma necessidade clara que é a da pausa inteligente, revigorante e estratégica. É exatamente isso que a Shell Select oferece. A gente entende que a sua jornada não para e é por isso Que eles criaram um ambiente perfeito para você recarregar as energias. Imagina um local que une conveniência, qualidade e bem-estar. Um café que te espera, um lanche que nutre, um espaço que acalma. Tudo isso pensado para
que sua experiência seja mais do que uma simples parada, seja um impulsionador do seu dia. Olha que bacana, hein? >> É legal, hein? Na Shell Select, a gente celebra a vida em movimento. Estamos aqui para garantir que não importa onde Você esteja, onde ou para onde você está indo, você sempre terá um ponto de apoio, um oasis de conforto e praticidade, porque tem c celchelete para tudo quanto é lado, né? >> Tem, tem vários lugares, viu? por porque todo onde tem vida e movimento tem Shell Select, a sua parada estratégica para continuar avançando com o
máximo de energia e satisfação. Clique no link na descrição ou KCG na tela. >> Já tem, >> já tem. >> Fechou então. E ache a Shell Select mais pr mais próxima de você. Tem uma aqui na Morumbi. >> Tem. É, já parei lá várias vezes para tomar aquele cafezinho lá maroto. >> Exatamente. E hoje também a gente tá aqui com a G4, a maior plataforma de educação e soluções para o pequeno e médio empresário do Brasil. Fundado por Tales Gomes, Alfredo Soares e Bruno Nardon, o G4 se tornou um ecossistema Que ensina, apoia e entrega
soluções reais para quem move esse país. São mais de 77.000 alunos aplicando estratégias validadas e mais de 70 756 >> 756.000 1 empregos >> gerados, números que traduzem a essência do G4. Construir um Brasil melhor a partir do empreendedorismo. Para fazer parte dessa jornada e transformar o seu negócio com G4, escanei o Qcode que tá na tela. >> Já está na tela e também o link na Descrição. >> Exatamente. Você vê que até públa é longa, né, daqui. >> Pois é, >> a gente fala demais. Agora vamos deixar o convidado falar também. Seja bem-vindo. Queria
muito esse papo. Estou com hiper foco nas suas entrevistas. >> Ô, Vilela, muito obrigado com pelo convite, hein? Eu fiquei feliz demais de estar aqui, >> ó. Eh, o o lado bom é que a gente vai Conversar, o lado ruim é que eu em vez de dar presente, eu peço presente pro pessoal. Você >> trouxe, qual é o presente? Vai ter que deixar aqui, hein? >> Eu trouxe dois presentes para você, tá? >> Um presente útil que é o livro. >> Primeiro, o primeiro é o livro. >> Ainda bem que me roubaram meu livro. O
o eu eu doei uns livros aí pro pro Homer e ele levou o o a coluna de livro que não era para levar. >> Eu levei de baciada. >> Ele falou: "É para levar tudo que tá aqui na sala". A mulher falou: "É, é". Aí foi esse livro aqui que tava lá também, mas eu ganhei um novo aqui. Esse livro é bestseller. Ele ainda tá na na primeira colocação. >> Ol, sim. Desde que saiu a gente tá entre os três mais vendidos da Veja. Uma semana no primeiro, outra semana no segundo. Mas você sabe que
lá eu tenho que brigar com a Girafa Bigail, né? >> Bob Good. Girafa Bigail. >> É um livro pra criança. É terrível. Vende água. Bobs e Café com Deus Pai. São os três maiores aqui também tá brigando com o café. Ele tá o café. A gente no Spotify só perdeu pro café com com Deus pai de podcast, >> mas a gente falou assim, perder para Deus tudo bem, né? Aí não tem como vencer, né? >> A Girafa Bigaiu não tem Spotify ainda >> agora girafa é ainda bem. >> É sorte a sua, hein? Sortea. >>
Gira. Mas o esses canais de tipo, qual é o cara? Qual é o canal mais visto aqui? É um infantil. Como que é o da Galinha Pintadinha? >> Galinha Pintadinha. >> É, cara, são milhões, bilhões e bilhões de views. >> E você sabe que essa capa fez um barulho danado? Porque quando a gente lançou, eu mandei fazer uma um que eles chamaram que era uma alegória, que era uma Escultura desse o porta ovo que rico é metido, né? >> É rico não come ovo igual a gente vai no boteco, bate assim na beira do balcão.
>> Aquele ovo colorido. >> É isso. Colorido e descasca e come. Joga um salzinho. Não. >> Ovo rosa. >> É, cara. >> Rico tem uma loucura danada que eles ficam com essa coisa de que a gema tem que tá meio mole, meio dura. Tem todo um Processo do tempo certo. E aí não dá para comer abrindo na mão, né? Porque tem que comer quente ainda que eles enfiam o pãozinho dentro assim. >> Aí tem esse aparato >> aí eles têm esse aparato e como eu sei que você tá ficando rico. >> Exatamente. Eu tenho que
entrar nesse mundo. >> Eu eu vi um vídeo. Eu vi um vídeo. Eh, o pessoal te chama mais de alcoforado ou ouado. Porque para mim Rogério é só minha mãe que chama. Então é Vilela. Então alcoforado. E e eu vi um vídeo no Instagram que era assim e o cara ganha dinheiro, mas não deixa de ser pobre. Cara, eu eu gabaritei, sabe? Guardar saco de saco do supermercado e e servir como lixo. >> Geralmente dentro de outro saco. >> Exatamente. >> Cara, fazia tudo que o pessoal faz lá. >> Po de sorvete que você coloca
como Tapué. >> Exatamente. >> Fica de bate da pia. >> Isso. Então é para colocar o ovinho. Eu já fui em uns lugar que aí você bate aqui em cima e >> Isso. Exatamente. Aí eu trouxe para você que aí você tá ficando rico agora. >> É. Agora >> você vai já tá, ó. >> Ó, já tá aqui. >> Prep. >> Aí você vai lembrar lembrar de mim aí. Exatamente. E cara, são tantas perguntas, vamos começar primeiro pelo interesse, né? Você como antropólogo, eh, da onde vem esse interesse pela vida dos ricos? >> Você sabe
que na antropologia não é muito comum pesquisadores preocupados com a vida dos ricos, não. >> Não é porque a antropologia brasileira, ela surge ali pelos anos 30. >> E ali nos anos 30, qual era o grande Debate? Os intelectuais olham pra realidade brasileira e falam o seguinte: "Cara, se a gente não falar de pobre, não falar dos marginalizados, não falar das periferias e aí dos indígenas, dos quilombolas e colocar isso na agenda nacional, ninguém vai lembrar deles." >> Então, a antropologia brasileira, nesse momento, ela vai ter uma embocadura maior para pensar quem tá nas periferias
da agenda nacional. Então, deixaram Jicos em paz. Eh, e >> a gente vê isso depois, né? >> Isso. Ao longo desses 100 anos, a gente deixou o Jicos em paz. E aí eu falei: "Não, a gente, a realidade social, esse mundo que a gente vive é inventado por quem tem dinheiro e quem não tem." >> Isso aqui é maravilhoso, hein? Isso é maravilhoso. Olha aqui, acho que não dá para pegar aqui, né? Deixa eu ler aqui, ó. >> Os fatos são reais, os nomes são falsos, com exceção dos verdadeiros. >> É maravilhoso, sensacional. >> Desculpa.
>> E aí? E aí eu falo: "Cara, então vamos fazer uma pesquisa sobre o pessoal que tá pouco pesquisado". E eu começo a fazer essa pesquisa com ricos brasileiros, sobretudo no momento que o Brasil estava com muita euforia. Lembra ali nos anos de 2010 que o dólar valia 1,80, 1,60. Pessoal se metia para Miami para tu comprar camisa da Tomy, calça da Tom. >> Era a época do do Ike Batista ainda, do do super rico, tava na lista dos mais ricos. É, exatamente. Então era esse momento e eu falo, não, olha, tem um jeito brasileiro
de ser rico que é muito diferente >> de outros lugares. E aí eu começo a fazer a pesquisa >> e eh era tão importante essa pesquisa e era uma lacuna que existia, você vê pela procura e pelo interesse de todo mundo sobre esse assunto, né? Fiquei bastante Surpreso, bastante surpreso, porque eu imaginava depois que White Lotos deu certo, que outras séries sobre o mundo dos ricos mundo afora deu certo, eu falei: "Cara, eu acho que vai gerar algum isso, vai gerar algum barulho >> agora não que ia virar um bestseller, né?" Porque tinha duas coisas
lutando contra mim, né? Era um livro e o Brasil cada vez ler menos. Mas além disso tudo era um livro de antropólogo, ninguém sabia direito o que que era Antropologia, n? Vamos falar sobre o sobre o trabalho do antropólogo, que qual é o trabalho do antropólogo? antropólogo tá preocupado em entender porque que a gente se comporta como se comporta. Essa é >> como indivíduo e como sociedade. >> Como indivíduo e como sociedade. Só que a gente entende que todo indivíduo ele de algum modo é moldado pela cultura ou pela sociedade no qual ele tá imerso.
Então sei lá, vocês estavam falando aí Sobre pinta cabelo, não pinta cabelo, tem cabelo, não tem cabelo. Obviamente está no campo dos gostos. >> O cabelo pro homem virou o suti o sutiano o o o implante de silicone da mulher, né? Exatamente. Os caras agora tão viajam, né, na Turquia. Não sei se >> era, era na Turquia agora agora tem para tudo quanto é lado agora. >> Primeira vez que eu fui em financiamento >> primeira vez que eu fui em Istambul, fiquei chocado porque eu andava pela rua Todo mundo com uma faixa aqui, né? >>
Aí eu falei que que é isso aí? joguei no Google, era esse troço, galera que o pessoal ia para lá para botar implante e a Europa continua indo para lá para colocar implante. >> Mas é, os antropólogos estão preocupados em entender, olha, se você pinta cabelo, não pinta, decide ser careca ou faz implante, isso parece ser culpa do teu gosto individual, mas não é não, porque o nosso o nosso gosto individual, ele é Construído pela cultura. A sociedade faz com que a gente goste do que a gente gosta. E na medida que a gente gosta
de determinada coisa, a gente vai ganhando um lugar no mundo. Então os antropólogos, eles estão preocupados com isso, assim, como é que a cultura e a sociedade te ajudam ou te dão um empurrãozinho para você se comportar como você se comporta. E a gente tá preocupado em fazer isso. >> E me parece que o seu o seu trabalho é Um pouco parecido com o meu, porque ele se baseia em fazer perguntas, né? Você começa com uma pergunta >> eh por que que eh as pessoas se comportam assim? Por que que os ricos fazem isso e
não isso? E aí, a partir dessa pergunta você vai a campo entender eh isso daí, não é? >> Muito legal o ponto que você tá colocando, porque eh essa pergunta parte da tua vivência interna. Então, a mesma coisa quando a gente vem aqui, por isso Que nenhuma entrevista é igual a outra entrevista, porque cada um quando ouve falar do livro ou lê o livro, é algum ponto que lhe toca, que é isso que vai ser o grande motivador dessa desse papo. Eh, e a mesma coisa dos antropólogos, a gente é em chega na pesquisa por
algo que você vive, que você fala: "Isso aí não é muito normal não, hein? Eu não tô eu não tô entendendo não." E aí você começa a fazer a primeira pergunta. E a pergunta que eu faço aqui é a seguinte, Que é básica, que é, cara, que que faz um rico rico no Brasil? Porque eu descubro logo no começo que não é dinheiro, não. >> Não, inclusive, inclusive há uma há uma confusão, eh, pessoas que são ricas e que dizem que não são ricas e que pessoas que provavelmente não são ricas e acham que são
ricas ou vivem como rico. Onde tá essa marca aí? >> Então, em geral, o rico brasileiro não se acha rico, né? >> É, é isso. É uma grande loucura no Brasil. Quem tá de fora fala: "É óbvio que ele é rico". E o cara não, não sou rico. Ó aquele cara lá, ele tem muito mais do que eu. Ele é rico, né? >> Inclusive a gente mesmo, né? Quando você olha pra tua própria vida, você obviamente é rico ou mais rico do que alguém, mas você nunca acha que isso é suficiente para te colocar como
parte do mundo dos ricos. >> É, eu adorei o exemplo que você deu, Que, por exemplo, você não tem carro, mas você anda de táxi. >> É, >> para quem não tem, não consegue andar de táxi, você é rico. Cara, o cara anda, o cara anda só de táxi. Como assim? Não pega condução normal. E aí para quem pr para outra pessoa falar assim: "Você não tem carro? Como assim?" >> Exatamente. Eu conto carro blindado. >> Eu conto essa história porque meus amigos todos tem carro e todos tm carro E carro blindado. E eles moram
aqui pro lado do Morumbi. Aí eles olham para mim e falam: "Ô, Michel, como eu vou passar na Giovan Gron Gronk?" Não é? >> É, tem uns pontos aqui que é de assalto, cara. >> É, eu não posso passar ali sem meu carro blindado. E eu falo: "Caraca, o cara gastou R$ 500.000 no carro, mas blindar, cara. gastou, ele saiu da concessionária, perdeu 30% de valor e PVA. >> E PVA, seguro, gasolina. Eu falou que loucura esse negócio, sendo que ele não pode nem andar pelo corredor, né? Ele tem que ficar preso no engarrafamento. Aí
eu não tenho, minha CNH venceu, nunca mais renovei, não tenho nem carro. E eu, por conta da agenda doida só ando de táxi >> para chegar mais rápido >> e gasto uma fortuna de táxi. Eu não sei o preço do transporte público. E aí, obviamente, quando eu olho esse meu Amigo que tem esse carro anda com R$ 700.000 de um canto para outro, eu falo: "Esse cara é rico". A moça que trabalha lá em casa, olha para mim que só ando de táxi e fala: "Eu sou rico". Mas a moça que mora próximo, a moça
que trabalha lá em casa, que ela precisa fazer parte do trajeto a pé para economizar na passagem, olha pra moça que trabalha lá em casa, que pega duas condições e fala: "Essa aí é rica, não precisa andar uma quadra, porque ela paga a passagem do Bolso dela." >> Pois é. E como fazer então como fazer uma linha divisória então? Ou não existe? >> A linha divisória, segundo os estatísticos, tá dada. Eh, se você faz parte do 1% mais rico de uma determinada sociedade, você pode ser considerado rico. É assim na França, é assim nos Estados
Unidos, na Índia, na Suécia, no Brasil não, porque você só precisa ganhar mais do que R$ 28.000 de renda Básica, né, média, familiar. >> O Lula que falou que quem ganha 8 ou 9.000 é é pobre, né, que ele falou. >> É, mas não é, né? Se você ganha 8 9.000, você tá entre os 10% mais ricos do país, né? Porque metade do país vive com pouco mais de R$ 600 eh por mês. Então, o Brasil é um lugar doido. Se você ganha mais de R$ 15.000 por mês, você faz parte do 1.6 mais rico
do país. >> 1% só por fazer, só por ganhar >> mais de R$ 15.000, 1.6% do país. Então É, são 3 milhões de pessoas, assim, é um negócio absurdo. País é muito desigual. E aí eu falei: "Cara, vamos começar então do começo. Se aqui no Brasil fazer parte do 1% não é suficiente, então vamos pro 0,01%. >> Aí eu falei: "Porra, 100.000 eu acho que é um salário que faz alguém rico." >> E aí quando eu cheguei lá e conversar com esse cara que ganhava 100.000 por mês, ele disse: "Olha, eu tenho uma vida boa,
com muito privilégio, eu vivo super Bem, mas rico mesmo é o meu vizinho que ganha 200". E eu chegava no dia 200, ele dizia: "Rico é o meu que ganha 1 milhão". Pois é, >> eu chegava no de 1 milhão, os caras continuavam dizendo: "Eão o que que é rico no Brasil?" Eh, a linha fundamental é que a gente gosta de acreditar no Brasil, que rico é aquele que vive com mais do que precisa, >> com mais coisas do que precisa. Então, eu que moro no apartamento, chego na tua Casa, eu falo: "Caramba, Vilela, eh,
tua casa é legal, hein? bem maior do que a minha, bem mais confortável que a minha, num lugar melhor do que o meu. Vilela é rico. Só que o Vilela na entrada do condomínio, olha pro vizinho que tem mais, que tem duas casas porque achou que o terreno, um terreno só era pequeno. Aí ele olha para você, você olha para ele e fala: "Cara, >> é que nem uma vizinha aqui, comprou a casa do lado, demoliu para fazer um Piscina e jardim e tal". >> Então aí você olha para ela e fala: "Para que isso,
né?" Só que ela quando olha pra própria vida, ela pensa: "Como é que eu viveria sem a minha piscina e o meu jardim?" Óbvio que eu tinha que comprar a casa do lado e demolir. >> E aí, e aí a gente vai achando sempre que o rico é outro. >> Então, o ponto aqui que eu acho que é a grande sacada desse livro é que ao contrário do que os economistas acham, Eh, no Brasil a riqueza ela não é uma condição, não é a partir de um determinado acúmulo de patrimônio dinheiro que o fulano, do
ponto de vista dele, acha que faz parte do mundo dos ricos. Riqueza aqui é sempre uma relação. A gente sempre olha para alguém, não importa quanto dinheiro você tem e acha que essa pessoa é teu rico preferido, que eu chamo de rico de estimação. Só que você também é o rico de estimação de alguém sempre. >> É que eu sou mais velho que você. Na minha época o o IBGE chegava na porta da sua casa e queria saber quantas televisões tinha, eletrodomésticos e esse era o medidor, né, >> carro e tal. E não pode ser
mais isso, né? >> É. Então, mas faz sentido no Brasil, porque >> o que eu falo no trabalho é que no Brasil a ideia de classe ela orientada a renda, ela não faz nenhum sentido, tá? >> Porque a gente não tem clareza muito bem de quanto precisa para fazer parte de um determinado lugar. >> Como é que a gente localiza as pessoas na estrutura social brasileira? A gente localiza as pessoas na estrutura social brasileira através do padrão de vida delas. Que que é o padrão de vida? é a mistura de dinheiro das coisas. Então eu
olho quanto você ganha, mas eu preciso imaginar ou saber também que casa é essa que você tem, se você tem carro, se você Não tem. Então isso que eles vão chamar aí da quantidade de coisa que você tem na casa para medir quem você é no Brasil, fazia algum sentido. Não à toa, isso se chamava padrão Brasil. >> Era anos 80, >> isso que era para medir que coisa que você tinha para dizer: "Olha, você tá mais ou menos nesse pedaço da sociedade". Então, dinheiro aqui não é suficiente não. A gente precisa de mais do
que dinheiro. E as coisas fazem Sentido para localizar uns aos outros, né, na estrutura social brasileira. >> E como que você entrou nesse mundo dos ricos? Como porque você precisa fazer uma uma pesquisa de dentro para fora também? Não dava não dava para você olhar de fora como a gente olha esses ricos que tem já vem de famílias tradicionais. Como você faz para entrar nesse nesse meio? >> Na antropologia a gente precisa fazer um negócio que que se chama observação Participante, >> tá? Observação participante é você precisa estar tão dentro, tão dentro, tão dentro para
observar quem quem você tá querendo pesquisar, que você acaba de algum modo participando. Então precisa entrar no mundo dos gicos para fazer uma pesquisa antropológica sobre os gicos. E aí o mais legal é que eu só consegui porque eu tomei todo o não que eles me disseram como ainda não, >> tá? >> Então eu tentei de tudo. Eu tentei mandar e-mail para Rico e eles não me respondiam. Eu tentei, via amigo dos amigos dos ricos e eles também eh diziam que não podiam porque não tinha agenda. Eu tentei virar empregado de rico e também não
consegui. Então eh tudo aquilo que eu fui fazendo como tentativa de entrada e que foi se apresentando como negativa para mim foi importante, porque ele foi me dando pistas de como é que os ricos pensavam. até uma hora que Uma eh moça que trabalhava pro Gicos, ela era eh formadora de gente quer trabalhar na casa do Gicos. >> Sei, sei. >> Ela me diz assim: "Cara, vai estudar." E eu já tinha estudado para [ __ ] Eu tinha doutorado, tava no doutorado, né? Falava língua, tinha morado fora. E aí eu falei: "Que que ela quer
dizer com isso?" Aí ela falou: "Eles sabem que você não sabe nada". >> Como assim? >> Aí eu falei: "É verdade, eu não sei nada". Eu não sabia que que era a diferença de uma Hermou Viton. >> Ah, tá. Um conhecimento muito específico. >> Eu não sabia que qual eram as principais famílias de São Paulo, do Rio de Janeiro. Eu não sabia qual era o destino de viagem que os gicos estavam querendo. Aí eu falei, vou estudar. E aí eu comecei a ler revista de moda, sabe? Casa Vog e essas coisas. L Marriclé, não Sei
que lá para entender de marca. >> Eu fui pros arquivos buscar o nome das famílias. Então, sei lá, quem eram os Marink Vega, de onde saiu os Gingle e por aí vai. E eu vou fazer um curso em Londres de gerenciamento de marcas de luxo. E esse curso me dá um status de que eu era um especialista, >> tá? O especialista é um negócio que os ricos gostam, porque como eles são muito inseguros em relação à posição deles, se eles são ou não são ricos eficientes, >> também culturalmente, se eles estão a a a >>
conectados com aquilo que é o tema do momento, eles sempre contratam alguém que ajuda eles a parecer rico ou eles sempre contratam alguém que dá o carimbo. Exatamente. >> E aí eu viro esse negócio com a ajuda dos jornais. Os jornais começam a dizer que eu era antropólogo do luxo. Os ricos começam a me aceitar. compram essa ideia. >> Compram essa ideia. Então eles me eles compram essa ideia de dois modos. O primeiro para eu dizer para eles o que era luxo, >> tá? >> E me compra uma ideia engraçado também que eu virei bolsa
de rico, sabe? Eu fui objetificado também, porque você imagina, você tá num vários grupos de WhatsApp aí >> e aí você tem no grupo de WhatsApp de pessoas famosas ou ricas de São Paulo, Um cara que você quer encontrar, só que você tem o número dele, mas não tem nenhuma desculpa para chamar ele para um café e você quer encontrar com ele. Mas quando você tem um antropólogo, você pode dizer: "Fulano, eu preciso te apresentar o antropólogo". >> Ah, entendi. >> E aí eu ia na casa deles, nos almoços, nos jantar. absurdo. Então, >> e
eles me levavam, eles me levavam de bolsa, então eu ficava sentadinho, eles Conversavam entre eles e eu observava, tomava nota. E assim eu fui entrando, assim eu fui entrando no mundo dos gicos. Isso me cobrou obviamente uma transformação, né? Tive que começar a botar outra roupa, outro sapato para poder vestir a carapuça do antropólogo do luxo, né? Tive que começar, emagreci, né? Fiz uma batalhada de coisas para conseguir entrar. >> O pessoal fala muito de relógio, né? que o o relógio ele diz muito sobre qual Classe e onde você tá até no mundo dos ricos.
Inclusive eu que participo também de algumas reuniões assim com com esse povo aí, o pessoal veio com esse papo de relógio. E aí eu não sei se você nesse estudo se você percebeu uma coisa que a classe artística, eu me incluo nessa classe, parece que tem uma um aval de poder usar coisas que não são de rico, mas ser aceito no nesses círculos, né? Ah, você não precisa não. Não, você pode usar esse relógio. Não, você pode usar Essa esse tênis. Parece que, tipo, ah, você é artista mesmo, parece que é aceito. Algumas pessoas são
aceitas mesmo não tendo aqueles marcadores, né? >> Sim. Mas o teu nome já é coisa de rico, né? >> Então você não precisa de mais coisa de rico. >> Mas ele falou assim: "Pô, eu eu esse cara, eu eu não posso ir numa reunião se eu não for com ex-relógio, pelo menos. Eu achei isso tão estranho. >> Então, mas é porque certamente ele não tem o reconhecimento para >> Não, não era. O cara é só rico e empresário. É, >> ex. Então, exatamente. É por isso. Como ele não tem o reconhecimento que você tem público,
né, de como alguém bem-sucedido, >> ele precisa se valer dessas coisas que eu chamo de coisa de rico, que são essas coisas que permitem a ele o acesso a determinados ambientes, que sem essas Coisas eles não entrariam. >> E não tá isso em nenhum, não tem nenhum conjunto de regras. É, todo mundo sabe, >> todo mundo sabe porque sabe. A cultura tem dessas coisas, né? Isso que é legal. Como que você como que o cara descobre isso? >> Ué, porque observando assim, >> porque alguém que nasce numa família rica é ensinada sobre esses sinais desde
pequeno, sem a mãe precisar sentar, pegar um quadro negro e dizer: "Vou te Dar uma aula de como ser rico". Olha o negócio, cara. Já é rico, >> ele já é rico. Então ele vai aprendendo no detalhe, é natural para ele. Olha o negócio engraçado, quando o novo rico compra um produto de luxo e aí depois eles vão comprando vários. Em geral esse cara vai querer usar tudo ao mesmo tempo. >> Então, né? Fica >> o cara vai querer, o cara vai querer botar bolsa de marca, sapato de marca, Relógio de marca, camisa de marca,
tudo de marca. Quando você nasce numa família, e eu vi isso de perto, quando você nasce numa família rica, a garota, sei lá, quer começar a usar, usar as joias da família assim na adolescência. >> Já esse negócio de joias da família, coisas da família, já é uma coisa de rico, né? >> É. Aí ela vai lá e pega um anel, ela fala: "Mãe, quero usar esse anel aqui de diamante grande". A mãe chega para ela e Fala: "Minha filha, esse anel ainda não tá na não tá na sua idade. Usa esse aqui, >> tem
uma hora certa". E aí ela entende, ó, tem anel que é para determinado contexto, tem anel que eu só posso usar depois que casar, tem anel que eu só posso usar depois que eu tiver uma determinada idade. Ela vai aprendendo sobre contexto, sem precisar ter aula. O mesmo se dá com os relógios. Você vê grandes famílias tradicionais de São Paulo que tem coleções de relógio. O garoto obviamente com 15 anos não sai só com com reloginho barato. O pai já deixa ele usar um relógio e outro, mas ele vai dizendo: "Olha, para começar você usa
esse tag, se quando você melhorar um pouquinho eu deixo você usar esse Rolex mais barato. >> Vai fechar o negócio, leva. >> Vai fechar o negócio, leva um patec, né?" E aí você vai entendendo esse processo >> sem precisar ter aula. Agora você imagina o novo rico, >> então deve ser desesperador, né? >> Desesperador. Eu falo que o Brasil eu tenho que ser aceito e o cara vai descobrir que eu acabei de ficar rico. E aí >> o Brasil tem pouca pouca empatia com o Novo Rico. A gente fala mal demais de Novo Rico, só
que você imagina que que é o sofrimento você ficar rico e da noite pro dia você ter que entrar. >> Mas sofrimento duríssimo. >> Você entra num outro mundo, tudo que você aprendeu sobre comida >> já não serve mais. Sobre viagem já não serve mais. Sobre moda já não serve mais. >> Eiqueta, né? >> Tudo que você tava outro dia num churrascão na laje e agora? Como que eu vou num restaurante? Chic. >> Imagina você ficar rico agora. Você ficou uma pá de ano sendo treinado. Tua Mãe, a escola, o bairro dizendo: "A vida é
isso". Aí você ficou rico, mudou de bairro. Eles dizem: "Olha, tudo que você fez até aqui já não presta mais. Esquece. Agora você tem que aprender da noite pro dia um outro comportamento. É difícil para caramba. >> A novela e ela ela mostrava muito isso antes. Não sei agora, né? Começa essa coisa do a vida do rico e do pobre, é negócio dos talheres. Eu vi muita coisa na televisão quando era moleque assim, Ah, cara, tem mesa de rico que tem vários talheres assim. Ah, é assim, ah, o aquele café da manhã do rico, né?
>> A televisão foi central na organização da percepção do que que é rico no Brasil. >> Eh, a novela teve um papel decisivo. Sabe o que que eu me lembro nos anos 80 e 90 que era maravilhoso? É quando chegava a qualquer pessoa na casa de um rico, ele perguntava: "O que você quer beber?" É. >> E eu disse: "Ué, na minha casa ninguém pergunta pra visita que que quer beber". Ele disse: "Quer um drink, quer um refrigerante?" >> Não, e era anunciado. >> Isso era anunciado. >> Tal pessoa cheg esse negócio de ser anunciado
é muito legal, né? Novela assim na casa de rico, né? Tinha alguém para anunciar que você chegou. >> Anunciado. Ele oferecia, eu achava doido que ele oferecia >> refrigerante dia de semana. Minha mãe só deixava beber refrigerante domingo. >> Isso eu falo, mas o galera não acredita. Eu pensei que era porque eu era velho. Não tinha esse negócio. Chocolate era também uma coisa ex. Quando oferecia um drink, aí tinha aquele balde de gelo que tinha gelo sempre, né? O gelo não derretia, não era não. Aí eu dizia, fulano é rico mesmo. Veja aí, enche a
enche a a forminha de gelo. Ela de levar aquele gelo pra casa, porque derrete. Aquele gelo bonito, né? >> Transparente. >> Mas o outro negócio que eu acho que foi muito importante foram as professoras de etiqueta. Assim, lembra da Glorinha Calil no Fantástico, muito famosa, né? E aí ela dizia: "Isso aqui é chique, isso não é chique, fale de tal modo isso". É isso aí. Isso aí foi fundamental para ir organizando essas fronteiras. Mas eu acho, hoje é rede social, né? >> Hoje é rede social. Não à toa que a Gente continua tendo as glorinhas
Calius. Agora tem uma moda de eh pessoas da alta sociedade de São Paulo e do Rio que abem Instagram para poder ensinar as camadas populares e as camadas médias. Que que é se comportar como rico? >> Então, tem uma moça que ensina como é que rico ri, tem outra que fala eh como é que eh as palavras que a gente pode falar chiquérmo, não pode falar chiquérme. A outra aqui ensina como é que você come sorvete, como você chupa a Manga, como é a mesa, que que você pode falar, que que você não pode, porque
esse é um país que tá desesperado em performar a riqueza, mesmo quando você não foi ensinado isso em casa. >> E aí vem o sucesso dos coaches também, né? Sucesso dos coachs também >> e das igrejas da da agora tá meio baixa mais da da prosperidade, né? Teologia da prosperidade da prosperidade. E tanto os coaches quanto a teologia da prosperidade, eu acho que eles ensinam De forma clara que para você ser você precisa aparecer o que você é antes, >> senão você não vira. Senão >> aquela coisa de mentalizar, de colocar objetivo e de cara
>> parcelo esse carro, você não pode pagar, mas tendo esse carro vai vir mais dinheiro, né? aquela coisa do >> É, e eu acho que isso é é muito muito doido. E quando você olha os coaches é maravilhoso, porque para além do que eles ensinam de forma prática, né? Ah, Venda um curso e e fature não sei quanto ou faça tal coisa para você ficar rico, >> boa parte da comunicação deles se dá em torno da vida do rico deles, né? Então o cara fica mostrando o carro que ele tem, o cara fica mostrando a
casa que ele tem, a rotina de esporte, o cara faz uma live, mas aí é um fundo de quintal, né, que parece uma né, ele mostra a família, ele mostra e que emagreceu com tratamento X, ele faz >> qualquer coisa que ele fale parece que Tá em segundo plano, né? Qualquer coisa que ele fale como te ensinar como é que você fica rico de forma prática, que que você vende para ficar rico, fica em segundo plano. Mas na real que o cara tá vendendo é o hábito de vida ou um conhecimento que ele tem sobre
o que que os ricos fazem para você fazer e teoricamente tentar ficar rico também. >> Parecer, né? >> Parecer rico é uma loucura. Vamos dividir então os ricos, eh, os ricos de De que vem, que já são ricos pela família deles. Como que a gente também, eh, sabe? Eh, são quantas gerações para você ser rico antigo? O >> o rico de berço. >> É, o rico de berço. Eh, no Brasil duas. >> Duas. >> Duas. Por quê? Porque você precisa esquecer quem ganhou o dinheiro. >> Você nem sabe mais para você desde sempre. >> É.
E olha que que é a loucura. nos Estados Unidos, na mais na França, na Europa, eh, o os caras lembram quatro, cinco gerações, né? E na em Portugal também. Uma vez eu tava num jantar na casa de uma de uma moça lá em Portugal e foi interessante que ela tava lá e ela me falou assim: "Você conhece o Marquês de Pombau, né? Você estudou?" Eu falei: "Claro, a gente estudou na escola essa merda do Marquês de Pombau". E ela disse: "Então eu odeio o Marquês Pombal". Eu falei: "Deve ser gosto, né? Não gosto da história
do Marquês Pombal, porque é isso, né? Eu sei quem foi Marquês de Pombal do livro. Ela disse: "Não, não. No século XVI Marquês de Pombal matou minha família inteira, >> cara. Ela sabia." E aí ela lembrava tudo isso. E no Brasil a gente só lembra a vovô, né? Vovô. Você lembra dos quatro avós >> que você tem? Vovô e vovó, vovô e vovó de cada lado. >> Para aí, né? >> E bisavô, tu não lembra mais. Então, se o cara que inventou o dinheiro eh já morreu e ele tá mais do que duas gerações na
tua frente, tu vira rico tradicional, fácil, porque tu esquece a origem desse dinheiro. >> Agora, se o cara que inventou esse dinheiro é você ou o teu pai, aí é novo rico. Novo rico. É só o tempo para esquecer quem inventou esse dinheiro. É só o tempo. Isso é engraçado, porque o comportamento muda de geração em Geração. Uma vez o Titilo Matarazo, que era é esse cara que inventou, né, o Matarazo que inventou do grande industrial Paulo Stano, o cara que fez uma fortuna grande, né, eh, ele tinha um filho que ele tinha um hábito
bem espartano para consumo, >> se eu não me engano, ele fazia um ou dois ternos por ano e ele ia trocando e não precisava mais do que aquilo. E o filho dele, eh, tinha hábitos mais consumistas, assim, comprava muito Terno, muita roupa, carro, essas coisas. E aí perguntaram para ele assim: "Pô, é muito diferente o seu comportamento do comportamento do seu filho. Que que tem aí de diferente?" Ele falou que meu filho tem pai rico, eu não. >> É exatamente. >> Quanto mais a geração vai passando, mais acomodado nessa ideia de uma performance ou mais
à vontade na performance do jeito brasileiro de ser rico, os caras vão ficando >> ou o o medo de perder tudo não existe, né? Quando o cara acha que aquilo tem desde sempre, né? >> É. E mas vai perder, né? >> É. vai perder. >> Quem que é esse? >> Esse daí é o Matarazo. >> É o Matarazo. Então esse aí era o que tinha só poucos ternos e o filho dele eh gostava mais, gostava mais de gastar do que ele. E aí ele dizia: "Não, não é porque meu pai não foi rico, o pai
dele É". >> Pois é. Então, e é engraçado que na medida que novas gerações vão aparecendo, duas coisas eh são muito interessantes. O primeiro é um certo fastio para esse trabalho produtivo conectado ao negócio, a fazer dinheiro, né? >> Então eu brinco que na terceira, na segunda na terceira geração aparece primeiro artista. >> O cara falou: "Não, eu vou, vou, não vou >> não, não quero assumir o negócio da empresa não. Não quero assumir esse negócio da empresa não". Aí ele vira artista. Aí ele começa a queimar o dinheiro. E tem um bagulho doido da
herança que quanto mais filhos você tem, mais o dinheiro vai sendo dividido, né? Então se o titilo, sei lá, tivesse dois filhos, eh, ou quatro filhos, a fortuna dividiu por quatro. os caras tiveram mais, a fortuna divide de novo e vai Dividindo. E aí é engraçado que determinados lugares aqui de São Paulo, quando você vai num bairro de classe média mais tradicional, tipo Genópolis, assim, >> todo mundo lá no Genópolis tem um bisavô que perdeu tudo, um pai que perdeu tudo. É >> verdade. Eu namorei uma uma garota que a mãe dela tinha perdido tudo,
assim, >> é, perdeu tudo. Isso assim, eh, alguém começou a achar que não precisava Trabalhar e na fábrica da família ou não precisava entender muito daquilamento, não sei o >> É. E aí e aí começa a inventar o primeiro artista, o fulano que acha que não precisa trabalhar, desanda, desanda o dinheiro da família. >> E existe um preconceito entre esse dinheiro velho pro dinheiro novo, assim, >> muito, né? >> Muito. Eu chamo isso de rinha de rico. >> É, >> tem. Mas isso é a disputa. Por que que tem esse preconceito? É uma baita disputa
para saber quem é o cara que vai definir o que é ser rico. Então os ricos tradicionais estão dizendo: "Olha, eu sei o que é ser rico porque eu sou rico há muito tempo. >> Eu tenho bom gosto, >> eu tenho bom gosto, eu sou sofisticado, eu sou civilizado. Isso aí que >> E os novos ricos estão dizendo: "Eu sei o que é rico porque eu tenho dinheiro, Né? Vocês aí não t mais tanto dinheiro assim, não, né? Eu sei o que é." E aí eles ficam nessa disputa. E o mais doido é quando essa
disputa acontece dentro do mesmo bairro, né, que às vezes acontece agora lá no Genópolis, né, tá subindo um prédio. >> É. >> E aí tá a confusão que eu não sei em termos jurídicos se pode ou não pode, mas me interessa do ponto de vista antropol. >> Tem confusão até pr pra metrô, né? Não, não vai colocar metrô aqui que vai popularizar muito. >> Eu brinco sempre essa confusão desse prédio aí que tá dando é porque o prédio que tá subindo cara de Genópolis, né? >> Ah, tá. Se tivesse tudo bem. Porque imagina eh quando
você tem um perfil arquitetônico num bairro como Genópolis, que é um bairro tradicional, >> eh de prédios antigos, modernistas, não sei se mora ainda, mas Fernando Henrique, né? >> É, mora lá >> no século, eh, do começo do século, dos anos 50 do século passado, né? Da segunda metade do século passado. Então, o pessoal que gosta de prédio com brinquedoteca, ticoteca, aqueles playground, sei lá o quê, fala: "Eu não vou morar nesse bairro porque lá não tem conoc". É, pé direito alto, prédio antigo, né? Aquela coisa é o mesmo porteiro há 40 anos, não vai
ter piscina Para você mergulhar de biquíni, né? Então é outra história. Aí você breca. Quando eu subo um prédio novo desse, eh, num bairro eh com outro gosto estético, eu acesso, né? Eu permito que novo tipo de gente venha morar aqui. Sim. >> Um novo tipo de gente com grana, porque o prédio não deve ser barato, não sei quanto custa, mas o apartamento deve ser caro. >> Com certeza não. >> Mas aí aparece um outro tipo de rico lá. E aí da rinha de rico, né? O Jico, se encontram e ficam chateados. Então essa disputa
é sempre dura entre esses dois grupos, porque eles estão sempre disputando eh quem é o rico do negócio. É, >> a gente sempre escuta isso, né? Essa confusão. Pô, Favil era bom, agora tá vindo muito funqueiro, tá vindo sei quem, esses novos ricos, o cara ganha muito dinheiro, invade um lugar onde não ele não convivia e essas pessoas ficam Incomodadas, né? Era bom, sei lá, Morumbi em algum momento foi bom e agora ninguém mais quer vir para vir para cá, né? E e tem essa essa essa mudança, né? Os os os ricos mais antigos estão
sempre procurando os lugares mais eh reservados ou não? Eh, isso acontece ainda? >> Então, há uma sempre fuga assim, olha que doido. >> Foiópolis também, né? >> Olha que doido. Eh, a elite, quando você olha paraa cidade de São Paulo, a elite Paulistana, quando ela sai dessa coisa da terra e ela muda para São Paulo, ela vai assumir os casarões da Avenida Paulista. >> É. Aí a Paulista começa a se transformar no começo do século XX e o centro de São Paulo eh começa a inventar que o chique, o moderno e o cosmopolita é morar
em prédio. Então começam a levantar os grandes prédios enormes, né? eh, de apartamentos muito grandes na Avenida São Luís, ali. Então, você na esquina da São Luís com a Ipiranga, você tem prédio estilo neoclássico, você tem na Avenida São Luís, prédio Moleira Salares, Ouro Preto, você tem >> em algum momento aquilo foi chique para caramba. >> Aquilo foi chique para caramba. Aí a classe média chega, porque a classe média tá sempre preocupada em copiar ou tá próximo dos ricos. Quando a classe média chega, os ricos fala: "Isso aqui não tá bom não. Vamos mudar daqui
de Novo". E aí eles vão pros Genópolis ou pros jardins. É, >> então toda vez que a classe média chega ou que um tipo de gente que a gente acha que não tá altura da gente aparece, >> há uma há uma >> há uma migração. >> Há uma migração. No Rio aconteceu a mesma coisa. No Rio a cidade ela era voltada é pra Bahia de Guanabara, >> tá? >> Então até o torno era >> até os anos 30, a Copacabana era um lixão, né? Assim, era um negócio Sim. Até os anos 30 não era bom
morar perto da praia. O bom era morar no entorno da Bahia. Então, a cidade foi migrando pouco a pouco, assim, os livros do Lima Barreto, eh, os livros do Machado de Assis falam do centro, mas os livros do Lima Barreto falam muito de Botafogo como bairro mais chique, porque tinha um paredão, eh, que Separava Botafogo de Copacabana, então era uma cidade voltada pra Bahia. >> Aí a classe média vai chegando, quando a classe média chega, os gicos falam: "Não, não, chique agora é morar em Copacabana". Então, vem os anos 40, os anos 50, o período
áureo, Copacabana se estrutura como grande centro. Aí a classe média chega de novo com prédio, estúdio, sei lá o quê. Aí os ricos inventam Ipanema. Então a garota de Panema 58, sei lá o quê. Aí a classe Média chega, aí os ricos vão pro Leblon, né? Eh, e hoje estão lá desesperados com medo da classe média chegar no Leblom. >> A barra depois. >> Ah, e a barra vem pro pelo outro movimento, né? Há um movimento eh da Barra eh eles vão até o Joá, né? Funda-se uma elite mais diferente ali próximo de São Conrado,
do Joá, mas eles vão até o Leblon porque o Leblon é hábil na coisa de eh não permitir que outros cheguem, né? >> É. Agora agora também o Leblon tá em risco também. Se você anda pelas ruas do Leblon, tem várias placas dos caras dizendo, é salve o Leblon. É, Leblon tá em risco >> mesmo. >> Porque tem uma construtora lá que decidiu fazer retrofit de apartamento grande, fazer pequenos estúdios. Ah, >> e kitnetes, né, que agora chama para ganhar mais. >> E aí o povo do Lebron tá dizendo se eles Chegarem aqui, a gente
vai para onde agora? >> Cara, que maravilhoso. E esse Novo Rico, então, quais são as características do Novo Rico? O novo rico tá preocupado, eh, em primeiro ponto em marcar para você que ele ficou rico, porque como ele não tem no corpo, né, ou na fala >> ou no sobrenome, >> ou no sobrenome, ou na nos gostos estético, um retrato muito claro dessa Sofisticação que a gente gosta de acreditar que os ricos têm, os caras vão eh dizer para você a todo momento que eles ficaram ricos com toda a clareza. E ele fala como fala
dizendo, fala dizendo o preço das coisas, né? Aí você vai na casa do novo rico, ele fala: "Esse camarão aí, ó, camarão VG veio do Guarujá", né? >> Esse quadro aí, esse carro aqui é uma poche, uma ferraria, sei lá o quê. A minha filha estuda em tal colégio, eu já Vi o meu jatinho, né? Olha o tamanho da minha porta, da minha casa, né? Veja a mansão que eu tô vivendo. >> Cara, que obsessão essa com tamanho de porta, hein? >> É, é tamanho de porta, pé direito, lustre, né? esse jogo >> e aí
os caras vão gritando para você a todo movimento. E é umas obsessões interessantes. É, o primeiro ponto Também é que Novo Rico adora condomínio, né? O cara não consegue morar num prédio. Então você pergunta para um Novo Rico onde ele mora, ele vai dizer: "Alfavil 1, 2, 3, 4, tamboré 4, 25, 32, sei lá qual é os números". >> Eh, então por quê? Porque quando ele compra uma casa num condomínio, pouco importa a rua, ele tá comprando a chancela que o condomínio dá para ele. >> Ao contrário de um rico tradicional, que pode facilmente dizer
o nome da rua, né? É, >> é porque ele não precisa que você saiba qual é o prédio, se ele mora no melhor prédio da rua, no pior. Ele é tão visto, bem visto, como sofisticado, que isso já é suficiente. >> E essa obsessão pela pela riqueza, pelo luxo, que eu acho que é uma coisa é só do Brasil ou não. A gente vê, você não entende porque porque alguns influenciadores ou ou pessoas que falam, mostram essa vida de rico tem tantos Seguidores, as pessoas querem ver aquilo, querem eh eh ter um dia. Por que
que tem esse interesse pela vida de rico que é absurdo que você tá vendo pelo interesse do seu livro e também nas redes sociais? Virgínia pessoal, a galera quer ver a vida dessas pessoas. Por que essa obsessão é coisa de brasileiro? >> Elas querem, elas querem saber para poder saber como é que elas se comportam para serem confundidas também com ICO. Então, >> mesmo que esteja muito distante, >> mesmo que esteja muito distante. Então, eh, o interesse é isso. Eu diria que esse interesse, eh, pela vida dos GOS, ele é comum. é em outros lugares,
só que aqui no Brasil mais um dato que me choca sempre é que o mercado de luxo no mundo ele vem enfrentando dificuldades eh mesmo na China ou em países eh com uma elite nova assim, >> se o mercado de luz já não vende mais Tanto como vendia, não no Brasil, né? No Brasil as expectativas são, é de um crescimento até 2030 de 6 a 8%, assim, não para de abrir shopping de luxo. Aí você agora vem, eles estão com essa mania do da piscina de ondas, né? >> Aqui perto, né? >> Piscina de Mas
não é só piscina de onda. Você você já viu que tem em volta dela? É todo um esquema de luxo assim em volta. >> Então é todo o esquema de luxo. Então os Caras eh são obsecados mesmo por eh cudo que é exclusivo, né? A, o grupo, esses grupos que estão responsáveis pela invenção desses novos espaços, né, sejam condomínios de luxo, hotel de luxo, esses clubes, né, o Fazano fez o Fazano Tênis Clube aqui, vendeu 800 títulos, se eu não me engano, >> vendeu rapidamente, acho que cada título custava mais de 1 milhão. Nessas piscinas
de onda, eh, que agora tão na moda, cada título custa mais de R$ 800.000 >> e vai vender fácil. Vai vendendo, tá vendendo tudo rápido. É no interior de São Paulo, essas piscinas de onda também nesses condomínios que eles estão fazendo a 1 hora de São Paulo. É, >> é interessantíssimo que os apartamentos no entorno da piscina com vista pra piscina vale o mesmo preço de um apartamento na Vieira Sotto no Rio. >> Olha que doideira. >> E o cara prefere ter uma vista para uma Piscina e artificial do que uma vista pro mar real.
>> É. Então, >> qual a explicação então que esse mercado de luxo aqui e vende tanto? As pessoas preferem comprar um celular que ela não poderia comprar, mas pagar em em 300 vezes ou um carro que ele não poderia comprar e se endivida. Por que isso? É para mostrar mesmo. >> É porque a gente é obsecado pelas coisas de rico, né? >> Então, mas o brasileiro é mais >> mais mais por quê? Eh, >> tem a ver com o passado ou >> tem tudo a ver. Tem tudo a ver. A gente não sabe o valor
do dinheiro. Eh, >> o que que significa isso? O grande ponto é o seguinte, toda vez que você abre a tua conta, >> você entende muito bem é se ela tá no vermelho ou se ela tá no azul. >> Agora, se tem R$ 10.000 ou se tem R$ 11.000, Esse 1000, tu não sabe muito bem a diferença. Você vê lá o número diferente, mas você fala assim: "Tô bem, >> né?" >> É. E se você tem menos 10.000 ou menos 11.000, você também não entende esse R$ 1.000 de diferença. Você diz: "Tô mal". Eh, a
gente não entendeu muito o valor do dinheiro aqui ainda. E do meu ponto de vista, isso tá muito atrelado ao tempo que o dinheiro entrou na nossa vida. Na Europa, nos Estados Unidos, os Caras demoraram 300 anos para descobrir que o dinheiro era dinheiro ou entender que equivalia a dinheiro em si. Eh, e no Brasil isso foi feito a toque de caixa, né? A gente sai de uma sociedade muito eh quase agrária, né? até a segunda metade do século XX, né? O processo de urbanização do Brasil do começo do século XX pro final do século
XX. >> O processo do fim da escravidão também foi super problemático. Esse pessoal todo não não foi não teve Um um pensamento de não teve eh terra para esse pessoal, não teve emprego e todo esse problema. >> Então, exatamente. Olha aí. Então, no século XIX, a gente acaba com a escravidão. >> É, >> acabar com a escravidão fez o Brasil flertar com que era o capitalismo, porque o capitalismo precisa da burguesia e de uma classe trabalhadora. >> Pois é. >> E aí que você tem escravo, não tem classe trabalhadora. Então a gente não era capitalista
direito, consumir porque não tem o >> a gente não era capitalista século XIX, o mundo já era, né? Então, o mundo tinha feito a Revolução Industrial, tinha feito todo o processo de eh saída do feudalismo, passagem pelo mercantilismo, entrada no capitalismo. Demorou 400 anos esse negócio. A gente até 1888 nem capitalista era direito. Aí vem o século XX, que que tem de muito chocante no Brasil. No começo do século XX, 80% do Brasil era agrário, 20% era urbano. Quando a gente chega em 1980, era o contrário, cara. 20% do Brasil era agrário, 80% era urbano.
>> E a vida agrária é uma vida diferente, porque o cara que é dono da terra é a terra. >> É, >> né? Eu, quem nunca viu assim, ah, estamos na terra do fulano. >> Exato. >> O cara é a terra. E quando você tá aqui em São Paulo, você alugou essa casa, você pode nem saber quem é o dono da casa. Você pagou, você deu dinheiro para alguém que é um banco, que recebeu dinheiro e o fulano disse: "Ó, pode morar lá, você pouco importa". Para isso você tem que estar acostumado com dinheiro. E
no Brasil a gente não se acostumou ainda com dinheiro. Então o que que acontece? Para eu saber quanto Dinheiro você tem, eu vou olhar as coisas que você tem. Então a gente para conseguir entender quem é o outro e o outro conseguir entender quem é a gente, a gente fica de olho nas coisas sempre. Sempre. Eu nos Estados Unidos é comum que no primeiro encontro o fulano pergunte para você assim: "E aí quanto você ganha? >> Isso é tão estranho, né? Você pode perguntar uma tu pode me perguntar qualquer coisa, menos quanto eu ganho. >>
Isso aí tu não vai me perguntar nunca. E >> por que que lá era tão natural? Eu já vi isso daí mesmo. Quanto você faz por ano, né? Ou sei lá. >> Isso porque o vocabulário do dinheiro entrou dentro da sociedade americana com uma velocidade tão eh com uma com uma força tão grande que eles não têm problema de falar com de falar de dinheiro. Agora menos porque o banco ficou digital também nos Estados Unidos. Mas antes nos Estados Unidos, para você Abrir uma conta num banco, você precisava quase fazer um curso, porque eu era
tanta opção, o gerente ia te perguntar tanta coisa, >> que você tinha que discutir em casa sobre qual era a melhor opção, pensar dinheiro e por aí vai. E isso entrou dentro do vocabulário da sociedade americana. Eh, nos Estados Unidos eu falo sempre isso. Primeiro que aquela coisa, né, de que não tem almoço grátis, né, there is no freeland. >> Ah, então toda vez você senta com alguém, você tá pensando que alguém tá pagando alguém. É, então o vocabulário monetário tá posto quando você vai fazer uma visita a alguém, os americanos falam: "I'm gonna pay
a visit", né? Eu vou pagar uma visita. Eh, eu não vou visitar o vil >> de graça. >> É, quando eu pego, eu peço para você prestar atenção no que eu tô dizendo, eu falo: "Pay attention". Então, o Vocabulário do pagamento tá dado. Quando eu vou pedir para contribuir com as tuas ideias, eu pergunto: "May I add to sense?", Ou seja, eu posso adicionar centavos na tua ideia. Então, a ideia de dinheiro, >> de negociação, >> de negociação, de que tempo vale dinheiro, tá dado na sociedade americana. >> Aqui não. Aqui a gente começou a
brincar disso agora. >> Os caras começam a a a pagar, a guardar dinheiro pra faculdade do filho muito tempo antes. Tem todo o planejamento. >> É, ainda teve no século XX no Brasil a loucura da inflação, né? >> A hiperinflação. Eu vivi isso, né? Remarca, os caras remarcando o preço no supermercado. >> Quando você vive em ciclo de hiperinflação, dois elementos são importantes aí. Primeiro que você perde noção de valor, né? >> Porque todo dia que eu chego num lugar, o preço é outro. E se o preço é outro, eu não faço ideia de quanto
custaram as coisas. E o segundo ponto importantíssimo é que quando eu vivo o ciclo de hiperinflação também é melhor você materializar as coisas, melhor se transformar em consumo rápido. >> Recebi o salário, já vai e faz a conta do mês. É >> por quando eu vejo a coisa, eu sei quanto custa uma jujuba. Agora a jujuba No mercado, eu não sei quanto custa. >> É. E aí, eh, isso gerou, né, uma sociedade que é apaixonado pelas coisas e bagunçado, bagunçado. Eu tive agora na Argentina e a Argentina também vive um ciclo doido de inflação, né?
Melhorou agora e cont das últimas mudanças, ninguém sabe se é artificial ou não, mas a inflação tá mais baixa. Mas eu vou muitos anos na Argentina e lá o ciclo inflacionário é igual a gente vivia eh ou na Venezuela, essas coisas absurdas, Né? E lá eles desenvolveram um bagulho que chama doing spending. Que que é isso? É um tipo de gasto que as pessoas gastam só porque é melhor gastar do que guardar. Então é um tipo de dinheiro que o fulano gasta sem saber com que tá gastando, porque é melhor ele transformar em gasto. Então
o que que é isso? O jovem que sabe que não vai comprar casa e que o salário dele não vai dar para guardar, ele torra dinheiro Com qualquer coisa, >> cara. >> É. Então ele vai todo dia jantar fora, ele pede comida no aplicativo todo dia, vive o dia, >> ele vive o dia. >> Isso faz com que a gente invente um modelo de sociedade, que é um modelo onde a gente não sabe quanto custa R$ 100, sabe? Quem tá ouvindo a gente aí sabe bem isso, assim, começou a trabalhar, o teu chefe te chama,
aí teu Chefe te chama e fala assim: "Ô, Vilela, eu vou te dar 10% de aumento, tá bom? Tá bom, 10% de aumento. Aí você fica puto que tu falar assim, [ __ ] me deram aumento de merda, 10% de aumento. Que que é 10% de aumento? Aí tu fala para economista que tu ganha 10% de aumento, o economista fala: "Comemora?" Ele fala: "Caralho, 10% de aumento é coisa para cacete." E você diz: "Não, por quê? 10% de aumento na boa parte das vezes não te permite mudar o teu padrão De vida. Tu continua voltando
pra casa de transporte público, >> comendo no mesmo lugar. mesmo no mesmo lugar, viajando pro mesmo lugar, morando na mesma casa. Teu filho não muda de escola, >> cara. Isso é maravilhoso. É só quando você sente uma mudança >> de padrão de vida, >> de padrão de vida que você fala, >> se te derem um aumento que tu pode começar a viajar de executivo e tu Viajava só de econômica, aí eu acho do [ __ ] né? Aí tu fala: "Não, assim, agora a vida tá andando, >> se te derem um aumento que tu troca
de carro, >> é, >> aí tu fala: "Ah, agora vai". Se te derem o aumento, isso é muito doido, porque essa loucura do dinheiro faz com que a gente comece a >> E e e pelo que você tá falando, o americano não, 10% ele comemora. Pô, Olha, >> ele entende, um alemão também ele entende. >> É tão doido porque a gente acha que dinheiro é só número, mas a gente fica todo o tempo dando valor para dinheiro. >> Verdade. Que que eu compro com isso? O que que eu faço com isso? >> Compr. E de
onde você recebe, né? Por exemplo, tu ganha X mais benefícios, >> tá? Aí teoricamente um alemão, um americano contaria o benefício como Dinheiro. >> Então ele fala: "Eu vou economizar tanto de plano de saúde, eu tenho tanto de vale refeição, >> eu ganho um carro da empresa". >> Então eu ganhava 10 e eu tenho 3.000 de benefícios, na real ganho 13. No Brasil não. No Brasil a gente toma o salário como coisa, esquece os benefícios, que os benefícios a gente acredita que é dinheiro da Disney. Assim, o teu vale refeição, no primeiro dia que Chega
na tua conta, tu fala: "Eu vou torrar esse dinheiro hoje". Aí tu vai no japonês, né? >> E tu fala: "Gasta tudo, traga o que tem de melhor aí no japonês, né? Aí tu acredita de verdade que aquele dinheiro ele é não é teu, né? Não é teu". Eh, quando você ganha um bônus, né, o cara te deu, eh, um salário a mais porque você se comportou bem, sei lá, fez o teu trabalho bem, aí tu fala: "Esse dinheiro não é dinheiro". Aí tu Fala: "Eu vou viajar agora". Tu não toma esse dinheiro como dinheiro
mesmo. O dinheiro vira outra coisa. A gente não entende muito bem essas coisas aqui. >> Pois é, mas você tava falando sobre eh esse essa quando tem essa mudança, né? Você sente só quando tem essa mudança real. Pro pro brasileiro, essa mudança é é participar de um novo grupo. Assim, eu mudei de emprego ou eu ganhei uma grana ou eu acendi quando quando eu começo a conviver em outros lugares. É isso? >> Quando você começa a fazer parte de um outro mundo. E aí alguns atributos são importantes nessa coisa. >> Casa é um negócio muito
importante. Então mudou de casa. Mudou de casa. Se a minha vida eu vou entendendo que eu faço parte de outro mundo quando eu mudo de casa. Se eu no mundo de casa, por mais que eu tô ganhando mais dinheiro, possa ganhar 50% a mais ainda, [ __ ] >> Se você ganhar 50% a mais no Brasil, você vai mudar de casa. >> Ah, mesmo que eu não pudesse, eu eu vou forçar B. a gente eh muda mais de casa aqui do que em outros lugares. Me lembro que quando eu contava >> pros ricos do livro
que o Buffet, né, que foi um cara mais rico do mundo durante um tempo, agora tá velhinho, aposentou, né, mas ele muito dinheiro, ele morava na mesma casa, há 70 anos, 60 anos, sei lá, eles me dizam: "Mãe, mas que que ele fez com tudo que ele comprou depois que ele ficou rico?" Aqui a gente Tá sempre mudando de casa. eh, mudando de casa ou mudando a decoração da casa, porque aí é um ciclo claro onde você ganha consciência de que a tua vida melhorou. >> Verdade. >> Segundo ponto que é muito importante, >> isso
em novela também a gente via, né? >> Novela também. >> Ah, ganhei, ganhamos dinheiro. Vou redecorar a casa. Tinha esse negócio rico. Vou redecorar a casa. Agora mesmo, Agora mesmo, a, né, vale tudo. A Odet ficava discutindo com Celina, eh, dizendo que, eh, Celina, olha, eh, você tem que parar com essa mania tua de mudar de boblia a cada dois anos, porque a Celina mudava de mobília a cada dois anos, gator para ter essa sensação de que a vida tava avançando. Então, a gente adora mudar de mobília, assim, é. E muda de mobília de acordo
com o decorador da moda, assim, abre a revista, fala assim: "Agora é tudo branco, aí a casa ficar toda branca". >> Já vi aquelas comparações de de >> Isso não tem muito na internet, >> né? De coisas dos anos 80 para agora era cheio de rococó, agora as coisas são lisas, cinza. Antes era muito colorido, era na casa de uma família burguesa na França, a casa é igual, né? Ela se mantém. É, >> exatamente aqui não, né? Agora é só vidrão, porta enorme, coisa >> pouco móvel, desconfortáveis, mas coisa tudo branco, né? >> Senão o
cara não entende que >> a casa da da Ana Rica quando abriu, cara, era tudo branco, branco o chão, a parede, os móveis. >> Isso. Parecia um consultório al dentista, né? >> É, exatamente. Eu falei: "Meu, não tem criança nessa casa? Meu filho na primeira já meteu o pé no >> E tinha coisa do pé direito na casa da Ana Rica. >> Era muito alto, né? Tudo bem que ela é alta também. >> Um comentário aqui que vocês estão falando de pé direito, lustre e tal, e o Bigor tá aqui, pô. E o pé esquerdo
>> é explicar o que é o pé direito, né? >> É a altura da da parede, né? >> É a altura do teto e chão. >> É porque ele, que geração que ele é? Eu nem sei. Nasceu em 2005. Que geração que é? >> Geração Z. >> Geração Z. >> Ah, não sabia. >> Não, porque pé direito é um baito atributo de extinção. >> Porque gastaram, imagina, gastaram mais tijolo. >> Eh, tem menos >> para construir uma distância entre o chão e o teto, que é o tal do pé direito. É. E você pagou por
aquilo, porque se você tem um gabarito, né, que É a altura do prédio permitido no teu bairro, e você tem um pé direito mais alto, menos andares. >> Menos andares. Então a construtora disse que você era tão bom e valia tanto a pena que você tinha direito a ter, ao invés de um em cima da cabeça do outro, menos gente, um em cima da cabeça do outro. >> Ainda tem um lugar que é o pé direito duplo, né, que são dois andares, eles tiram o chão e aí você fica o que que Valorizadíssimo, sabe? Absurdo,
né? >> Casa da Ana Rima tinha isso. >> Tinha. a da Jimene também, né, que era no topo que agora vendeu, que é no topo do shopping. É, no topo do shopping aí. É, e era exatamente isso. Quanto maior o pé direito, é valorizadíssimo. Isso é um traço de distinção, sobretudo em relação aos mais pobres, porque quando você olha pra casa de periferia, né, eh, das grandes favelas brasileiras, eh, tinha muito essa coisa do que o fulano que, Eh, mora na casa, ele participou do processo de construção da casa, né? Era comum isso e é
comum isso. Então, a definição do tamanho do pé direito na casa é a família paraa família, né? É, >> eu olho para você, você olha para mim, a gente fala: "É, nós temos esse tamanho aqui, daqui para cá, tá bom?" Então, suficiente. >> Não tinha essa coisa, ô, ah, eu desojo 2,20, né? Que é um padrão de classe média. Então, pé direito é um negócio Importantísima distinção. >> Falou, falou de coisas e perceptíveis, mudar de casa. >> Segundo ponto é viagem. Carro também é importante, mas hoje >> ainda é porque antigamente era. É, voltou a
ser porque o nosso colega da geração Z ali sabe que carro e casa voltou a ser importante. Ó o pé direito da Nike. >> Casa essa casa aí é não deu sorte não, né? >> Não, não, não. Que que você tava falando? Ah, viagem, viagem >> é carro. Eh, era muito importante. Eh, naquilo que a gente vai chamar de geração X, que é o cara que é 60 até 1980. perde a relevância. O cara troca de carro todo ano. Todo ano. Na minha época era isso. Nossa, aquele cara é rico, ele troca de carro todo
ano. Era um símbolo de >> Porque a tua geração vai inventar uma Conexão muito forte entre consumo e identidade, que é o carro que eu tenho, a casa que eu tenho, a roupa que eu tô usando, define claramente quem eu sou. Então, a disputa da tua geração era uma disputa por status. Eh, o que é diferente da geração que vem depois, que são os milênios, que é uma disputa por propósito, assim, quem tem uma vida. Só que aí a geração dele que é a Z, que é de 95 a 2010, >> qual que é a
deles? >> A dele olha pro mundo e fala assim: "Meu irmão que apostou no propósito deu errado. Tá morando aqui na casa do meu pai, não pega ninguém, não tem casa, não tem carro, não tem nada". Então volta com uma força muito grande a valorização de casa e carro. Entendi. >> Então eles voltam a querer casa e carro de novo, mas carro ainda >> eu sou da geração que meu pai assim, a primeira grana tiver, compra sua casa, porque >> mesmo você perder tudo, você tem onde morar. Era essa ideia. >> E depois veio uma
geração para que para que gastar uma casa, aluga e aí você mora aqui, depois mora ali. >> Mas isso é fruto, essa geração que começa a apstar que, ah, eu moro em qualquer lugar, é fruto da estabilização econômica do país, né? >> Você tinha já uma previsibilidade, você sabia quanto ia custar aluguel, não era aquela loucura. É. garante, >> se garante aí onde você vai morar. Mas é depois de casa e carro. Aí o segundo aspecto é viagem, né? >> Viagem, >> cara. Porque só a gente valoriza tanto viagem assim ou é uma coisa universal?
>> No Brasil é muito importante. >> Se é, né? Onde você foi passar as férias? >> Eu brinco que o fulano que tira férias e não viaja para lugar nenhum é obrigado a inventar, né? É, inventa. E não tinha, Na geração dos nossos pais não tinha isso, né? >> O cara tirava férias e ficava em casa. >> Eu quero descansar, né? >> Eu quero descansar. Eu só não quero ir lá no trabalho fazer o hora bunda. Eu, o cara olhava as férias como momento de liberdade, eh, não ter horários, né? >> Não terário e não
como essa coisa de que eu vou ter que viajar para um canto. >> Por quando e por que surge isso? >> Isso muda muito eh a partir dos anos 90 E dos anos 2000 no Brasil. Eh, viagem vira o principal território de distinção. Você vai ali no terminal trê, que é o terminal internacional de Guarulhos, >> quantidade de sala VIP parece até batalha de war, né? Verdade. Essa dá kit, dá isso, isso, isso. Essa >> todo mundo, isso não tem. Você vai em Nova York, é uma sala, duas salas VIPs assim, né? Ou você vai,
sei lá, eh, em Amsterdam, tem uma sala VIP, que é a Sala VIP da companhia aérea, que é a dona do aeroporto, que é a principal do aeroporto. E quem quiser brincar de sala VIP, vai ter que sentar com a sala VIP do aeroporto e entrar. A, Estados Unidos é mais ou menos parecida assim. que parece que uma quer mostrar que é mais exclusiva que a outra. >> Cada cada um quer ter a tua. E aí o banco aí inventou sua própria sala VIP, né, que é um terminal. >> É só para si. Então, viagem
é um Território muito importante aqui, muito importante de distinção. Isso tá eh muito conectado com os anos 90, porque o Brasil era muito fechado, né, até até os anos 90, os anos 2000, né, >> quando começa a abrir, né, >> abrir. E aí a loucura é que o fulano que viajava para fora, ele voltava sabendo de coisas que ninguém sabia >> e voltava com coisas que ninguém tinha. Era muito comum antigamente, o nosso colega da geração Z não vai saber, mas o Fulano tinha que viajar, ele tinha que trazer um monte de bujinganga pra família.
>> Nossa cara, era um saco, né? Tipo, >> o cara vai lá, ô traz não sei o que para mim. >> Tem que trazer o suvenir pra galera. >> Tem trer, tem que trazer, tem que trazer porque esse que tinha que esse que ia e eu brinco que é uma brincadeira perversa para [ __ ] né? Porque aquele que foi a Buenos Aires traz uma camisa para você. Estive em Buenos Aires Aires, lembrei de você. Eu não sei se ele gosta de você ou filha da [ __ ] né? Pior que é como assim? Lembrei,
ele lembrou de você, óbvio. Mas quem foi a banda Is? Ele fala só camisa para você. Is era muito clássico. E ainda hoje, óbvio, que a coisa do souvenir diminuiu, porque a quantidade de viagem dos brasileiros aumentou, mas eh continua ainda como um traço de distinção. Quando você vê alguém com alguma coisa que você Acha muito diferente, tu pergunta: "E comprou essa [ __ ] onde?" >> É. Aí eu falar, fala: "Ah, comprei fora." Não há nada que deixa um brasileiro mais satisfeito do que o negócio do comprei fora. Comprei fora. >> É que antigamente
hoje é mais difícil ter alguma coisa lá que você não consiga aqui. >> Mas antigamente era isso mesmo. Você não conseguia. Tinha os caras traz um disco lá de fora. Eu lembro, né, quando a Gente tinha uma festa assim, os caras trazam uns LPs, cara, que não tinha aqui, >> não. Trouxe lá de Londres. Então era era um era um status, cara. >> Um baita status do caramba. Então, a viagem ganha uma importância enorme, cara, gigantesca nesse momento, porque quem viaja eh viu coisa, eu mas era era tinha um aspecto cultural aí. Hoje em dia
eu não vejo mais isso. >> Aham. >> Antigamente tinha essa coisa, não. Eu fui para Paris, fui no Luvre, fui não sei o quê. Hoje em dia parece que não tá mais atrelado. A viagem não tá atrelada. O cara pode ir para para Dubai, pode ir para não sei o quê. Você não pergunta onde você foi lá. Você foi em tal lugar. Eles só o destino já vale. >> É meu brinco que até mesmo quem é no Luvre usava Luvre como coisa assim fulano ia no L dava. Não era igual o sei lá o fulano
que vai no luv fica lá Admirei o quadro renascentista do sei lá quem e voltei com profundamente comovido e transformado. Era um cheque Lubre Torrefel não sei o quê. >> Ué, no ator que a gente inventou essa viagem brasileira que é maravilhosa, né? Que é aquela que você faz 10 países da Europa em 15 dias, né? Eu chamo, eu chamo de Miranda, né? Porque você mira e anda, né? >> Tira foto, tira foto, tira foto, tira foto. >> Não é à toa que também tinha um negócio que era comum, eh, que era quando o fulano
voltava de viagens, no dia que ele ia distribuir o Vanis, ele fazia uma sessão de fotos, >> de slide, torturadora, cara. Que saco. Porque não era só passar slide, tinha que ficar explicando o que era cada coisa, né? Ele tinha que era momento ostentação, você pagava de novo. Era uma filha da putagem. Era >> você tinha que para ganhar o teu Souvenir, tu tinha que aturar alguém se vando. >> Gan um chaveirinho de Nova York, você tinha que ficar vendo a viagem do cara inteira. >> Tu tinha que ganhar, passar horas vendo que que o
fulano melhor magico que você viveu. >> Olha que louco. E agora esse slide é no Instagram, né? >> É o Instagram. >> O cara que já coloca lá, descarrega a Parada. E e esse tudo combinado, o cara vai para Cancum, já tá com roteiro clássico, né? Tem que ter foto no mar, foto com golfinho, beija golfinho, mergulha golfinho, foto no hotel, foto no café da manhã e tudo isso vira clique. E >> e parece que assim, a a galera que vai pros lugares porque viu um outro famoso ou influenciador fazendo, ele quer exatamente naquele local
com aquela iluminação e fica putz, hoje não tá o Mesmo eh clima, tá tá chuvoso, né? É, deve ser um, deve ser torturante a pessoa vai lá para mostrar pros outros, né? >> É objetificação total da experiência. Não tem experiência, não tem? Tipo, fui ao Luvre para andar pelos corredores daquele prédio do século, sei lá o quê. É, não, né? Eu fui no L para dar cheque, né? >> É, tem cidades aí que o pessoal tá reclamando. Veneza, Barcelona, que >> alguns lugares que são icônicos, cara, você não consegue. Tá sempre gente lá lotado para
ficar tirando selfie. Foto, foto, foto, >> foto, foto, foto, foto. >> Sendo que antigamente você tinha essa experiência de andar pela cidade, tirar uma foto aqui, tirar uma foto ali e tal. É outra coisa hoje. >> Mas isso que é maravilhoso, porque a gente acha, eu gosto de acreditar que a gente faz as coisas pela gente, né? >> A gente faz as coisas pelos outros. >> Pois é, né? É, você tem show, né? Show tá acontecendo na sua frente. Você tá com o celular filmando para colocar no no Nunca mais você vai ver esse vídeo
daquele show que você tá filmando, né? Mas o negócio da viagem é que é interessante, abessa, é que a viagem ela eh tá muito doida porque ela tá no território >> ainda é vi viagem ainda é muito importante. Viagem dá uma percepção de Inteligência pra pessoa. >> Eu brinco porque quando você viaja você conquista três coisas que são importantes na percepção de que você é bem-sucedido. Eh, o primeiro ponto é que você acumula repertório. >> Sim. >> É aquele cara chato que é o viajado da mesa, que tudo ele tem uma história para contar. Lá
em Dubai eu fui num restaurante que era parecido assim, né? >> Isso é um porre, né? >> É um saco. >> Mas aí todo mundo fala assim: "No Tinder, né? O fulano diz que é viajado, aí põe aquele no Instagram aquele monte de bandeirinha de países." >> É incrível, né? Tem país, tudo quanto é país lá. É. >> Tu acha que ele é rico e inteligente porque ele acumulou experiência que você não tem? >> Pois é. >> Segundo ponto que viagem dá para você uma percepção de que você viu coisas de lugares que os outros
não viram. Então, alguém que nunca saiu de São Paulo deixou de ver coisa. É, >> então se ele deixou de ver coisa, eh, ele é menos inteligente que alguém que viu muito mais coisa. Mas há um terceiro ponto que eu acho mais doido, que é muito conectado com o mundo que a gente vive, que é a ideia de que alguém que tá muito em movimento é mais bem-sucedido Ou é mais inteligente do que alguém eh que tá parado. Então, a gente gosta de gente que vive vida corrida, é, >> a gente gosta de gente que
entra no avião todo dia, >> que não tem tempo para nada. Eu tava eh vindo para cá, né, que eu vim do Rio, eu fui lançar livro e aí a companhia aérea tem essa coisa da fila, né, da fila dos especiais lá, né, >> quando a mulher grita fila, sei lá, gol x t, sei lá o que, sei que lá, quando o Cara grita o o fulano, que é o top da de fidelidade da companhia, o fulano parece que é encarnado, né, de uma percepção de que ele super poderoso, >> espal é especial >> porqueido
por Deus >> na cabeça dele. É isso assim, né? Eu vivo sempre em movimento que eu sou muito ocupado, eu corro de um canto a outro. Então, viagem é um baita território. Agora, um outro território que tem crescido muito é corpo, né? >> É incrível >> exercício físico, né? >> Eu brinco que quem tá nessa coisa de correr cinco, sabe essas maratonas de 5 km, essas coisas de 5 km que tem na cidade de São Paulo aí, >> isso é coisa de classe média, média baixa, saiu de moda, né? O rico agora tá na maratona
e aí ele vai pra maratona porque não é só a maratona. A maratona é o ápice do evento, tem todo o custo para você correr a maratona. Então esse Preparo para correr a maratona, ele é o grande movimento assim, né? A grande coisa que é importante. E aí todo quem é o teu nutrólogo, quem é tua assessoria atlética, quem é sei lá o que, blá blá blá, >> qual é seu pace? >> É, qual é seu pace? Qual o relógio que você tem para poder saber o teu movimento, tênis? E aí partiu das maratonas é
Iron Man e esses triatlon, né? Que aí não, não só corro muito, eu n Muito, eu ando muito de bicicleta e a minha bicicleta é de tal marca, ela é mais leve, é mais cara, é mais sei lá o quê. Isso é >> não. Bicicleta, cara. Bicicleta mais cara que carro, né? >> Tem umas bicicletas. >> É. E a gente já foi na casa de um de um pessoal que a gente faz matéria, faz entrevista na casa e a sen vai perguntar o valor da bicicleta é 40 pau, 50 pau, uma bike, né? >> E
eles estão disputando isso, disputar quem tem o corpo mais em dia, quem mais. >> Por que que o corpo agora virou a obsessão? Porque o resto já não não diferencia tanto. Se você tem tempo para para cuidar do corpo desse jeito, é porque você tá bem-sucedido. Então, >> corpo é porque o tempo para cuidar do corpo e o tempo para investir no corpo, né? E o corpo é um sinal claro, visível. Por quê? Alguém que tem um corpo sarado, como esse povo do Iron Man tem aí, que não é o corpo do forte, né? É
o corpo, o corpo do forte daquele cara que é o marombado gigantesco da academia, ele é um corpo de alguém que controlou uma dieta assim, se não é to que você vê que a dieta do marumbeiro não é muito sofisticada, é não sei quanto de proteína, não sei quanto de batata doce, não sei quanto sei lá do quê. Cumpriu isso, tu vai lá e vai ficar forte daquele jeito. Ou 40 Ovos, como a Graciane, né? Exato. >> É o corpo do marombado é um corpo de alguém que abdica de alguns prazeres da vida, mas é
um corpo simples. O corpo do Iron Man não é o corpo do milimetricamente pensado. Então é quantidade de água, o que você dormiu e que treino você vai fazer pelo que você dormiu. Quem são esses profissionais? Então isso primeiro mostra uma racionalização eh muito minuciosa do dia a dia e quanto Mais racionalizado o dia a dia, mais importante você é. >> Sim. né? Então >> tem muito, muitas pessoas cuidando de você para atingir um objetivo, né? >> É. E o segundo ponto muito importante aí é que esse corpo racionalizado é um corpo que controla os
prazeres ou as pulsões da vida. >> Então alguém que faz o Iron Man tem vontade de beber e não bebe. Isso aí é é poder, né? Distição. >> Isso. Tem vontade de comer chocolate, não come. Tem vontade de não dormir, mas dorme. Tem vontade de transar e não transa porque tem prova. tem vontades e controla isso. Isso é um traço importante de civilização, que a civilização é a castração mesmo. >> E agora as canetas, né, >> e as >> que são caras ou >> 300.000 canetas só nos primeiros se meses de 2025. >> Então, então
assim, tá sendo, essa marca vai ficar cada vez mais visível se não se não cair o preço, porque se cair o preço aí todo mundo vai ter acesso, aí vai buscar outra coisa. Ah, todo mundo é magro agora. Putz, >> então eu vou ser magro trincado ou vou fazer sei lá o que. Então, >> e por que que os ricos gostam de ganhar coisa? Ele tem dinheiro, mas ele quer ser convidado, ele quer ter a área VIP, ele quer receber um convite, ele ele Quer que as marcas enviem as coisas para ele. Ele poderia comprar,
mas por que que ele gosta tanto de ganhar as coisas também? >> Tá, um ponto que é importante nessa Sim, claro, claro, pô. Todo mundo quer tudo de graça, quer tudo com desconto e se possível, se me der ainda um acesso a alguém por essas coisas que eu ganhei, melhor ainda. >> Eu falo isso porque eu vejo assim pessoas revoltadas porque poderiam ter Comprado o acesso à aquele lugar. Pô, tal pessoa, eu conheço há tanto tempo e não me chamou, não mandou o convite para mim, assim, tipo, ele podia ter comprado, mas ele se sente
traído, né, por por >> isso. Eu fico chocado quando eu vejo grande celebridante fazendo eh puble de comida japonesa assim ou de corte de cabelo, >> tipo, sei lá, que seja um restaurante caro e seria R$ 1.000 a conta. >> Mas ele pode pagar quantas vezes ele quiser. >> Ele faz, né, se sujeita. >> É, às vezes japonês, comida japonesa ruim. >> Eu eu me sujeito, eu eu sou baratinho, tá? Eu vou em qualquer lugar e já faço a lá. E por quê? >> Primeiro é que toda coisa que a gente tem no Brasil, como
eu tava dizendo, ela tem um negócio que eu vou chamar que é a capacidade imaginativa. >> Que que é a capacidade imaginativa? Eu olho pro que você tá usando e eu penso: "Caramba, o relógio do Vilela, quanto deve ter custado esse relógio?" E aí eu falo: "Ó, o Vilela deve ganhar mais ou menos, porque se ele gastou esse relógio, você imagina quem ele é". É, >> quando você compra na promoção, sei lá, outlet ou quando você ganha, essa coisa continua dando paraas pessoas a mesma percepção de que você pode, sendo que você não gastou. Então
você se sente Duplamente melhor, >> dinheiro para você gastar em outras coisas para >> Isso. Você se sente muito melhor. Você se sente muito melhor. Eh, muito melhor mesmo. Então, o processo aí é interessante por conta disso. Eh, você mantém a força e o impacto, só que você não gastou por isso. Então, eh, por isso que a gente é doido pelo outlet, por isso que a gente é doido por essas questões todas. >> Cara, você vai em Orlando, o outlet só tem brasileiro e desesperado. Eu falo como se eu não fizesse parte desse pessoal. também,
né? Mas eu eu sei porque eu tô lá também, >> sabe? O negócio que o povo ama é viajar com Milha, né? >> É. É >> que quando viaja com Milha tá >> ou fazer aquele aquele upgrade pra executiva, né? É, >> quando você tá lá, fez um upgrade com Milia, não pagou por aquilo, tá todo mundo achando que tu gastou $5.000 para poder chegar em Paris, é, deitado, eh, na executiva, você não pagou nada, tá todo mundo achando, então tu se sente melhor. Agora, a gente é apaixonado por VIP, mesmo. Nunca vi em nenhum
outro lugar do mundo com tanta paixão por VIP, >> porque a gente é doido aqui eh pelas distâncias, assim, por se aproximar de quem a gente acha que é melhor do que a gente e se afastar o máximo possível. de Quem a gente acha que é pior do que a gente. >> Não sei se lá fora tem tanta área VIP em tudo quanto é coisa. >> Restaurante e balada, toda balada. >> Não tem nem fila preferencial para velho lá fora. >> Verdade, verdade, né? É verdade. Ontem, ontem mesmo eu tava na fila do avião, uma
senhora tava me dizendo que ela quando fez 80 anos chegou eh acho que foi em Paris na fila disse, porque Aqui no Brasil eh acho que tinha uma fila para 80 anos e menos, né? E ela fez 80 anos e no dia ela tava em Paris. Ela chegou na fila da companhia aérea e disse: "Eu tenho 80 anos". A pessoa falou: "Legal, >> parabéns, boa. Bom para você, tipo, não faz a menor difer." >> E ela respondeu aí, é maravilhoso que ela falou: "A senhora tem 80 anos, mas qual é a sua categoria eh de
cliente, né, de fidelidade, de fidelidade da Companhia?" Ela disse: "Ah, n zero, não tenho". Ela disse: "Então, a senhora, por favor, vai lá pro fim, vai na fila". A gente aqui ama um VIP, né? O fulano. É isso de novo. Tem um festival aí, o festival de música. Se você não é convidado para um VIP, você pode comprar o camarote que for. Eh, você acha que você é menor, né? >> Tem o mesmo valor, né? >> E aí quando você chega no camarote VIP, você descobre que tem um vipão, né? >> É. Que tem um
lugar mais reservado. É. >> Brasil. O Brasil é doido. Eu adoro quando eu vou no terminal 3 e apesar daquela quantidade absurda de sala VIP, eh, a, é, tem mais VIP no Brasil do que sala VIP em Guarulhos, né? >> É. Então tem fila, >> a pessoa tem grana para sentar em qualquer restaurante daqueles confortavelmente, >> mas faz a fila para tá lá, >> mas faz a fila, fica esperando na fila De espera da sala VIP, só para entrar, >> é, >> e achar que é melhor. Então essa loucura, né, desse país, né, >> vem
um pouco do do desse passado, dessa coisa da gente se achar menos que o que que que o estrangeiro, que >> não, eu acho, Vilela, que tem uma coisa da escravidão muito forte aí de novo, >> que tem da escravidão e também não sei se você concorda também o quanto a gente trata gringo bem e quanto lá fora é só Normal. Aqui quando tem alguém todo mundo >> ah tá >> e chama amigo, leva para não sei o a gente tem essa coisa do falou outra língua, a gente tem uma coisa de querer agradar essa
pessoa. >> Falou outra língua, humora, se falar fulano mora fora, né? As elites agora têm isso, né? Eh, como a política de cotas botou eh gente eh, de outras classes sociais e de outros perfis Étnicora raciais dentro da universidade, >> as elites que mandavam seus filhos pra USP, sei lá, já não acham que a USP tá boa, não. Vem o ranking e diz: "A USP é a melhor faculdade da América Latina". Sei lá, disputa com a chilena, né? Com a faculdade chilena. Mas é ano sim, ano não. E aí o fulano olha e falou assim:
"Hum, mas será?" Aí ele manda o filho dele para estudar na universidade pior da Flórida. Mas ele fica dizendo aqui a cada ponto de contato, meu filho mora Fora, meu filho mora fora, meu filho mora fora, meu filho mora fora. >> Eh, morar fora é um baita um baita tributo, né? Muito importante, né? Mas você ia começar a falar da escravidão e o >> É, o que a escravidão fez é que a gente nos Estados Unidos ou no na Europa, o fulano que tem menos dinheiro, o fulano que é pobre, ele nada mais é do
que uma pessoa com menos dinheiro e o rico nada mais é do que uma pessoa com mais Dinheiro. No Brasil, por conta do passado escravocrata, a gente acha que tem dois tipos de gente diferente aqui, né? E tem um tipo de gente que você quer ser ou tipo de gente que você tá quer perto, que você acha que se você ficar perto deles você vai virar alguma coisa. E tem um tipo de gente que você se manter distante, né? Então, a gente acha que tem eh dois tipos de gente diferente. Eu, anos atrás eu recebi
um pesquisador holandês que estava fazendo Uma pesquisa sobre planos de saúde no mundo. E quando a gente foi nas primeiras eh ajudei ele a conversar com médicos e aí no final de um dia ele me chamou e falou: "Michel, me explica um negócio, cara. Eh, que que é isso de médico de plano?" que as pessoas viram para mim e falam assim toda hora: "Ah, eu sou médico de plano, eu não sou médico de plano, o fulano é médico de plano, não sei que é médico de plano". Aí eu falei: "Você Conseguiu, olhando pra pessoa identificar
a diferença que que era o médico de plano?" Não. Ele falou: "Sim, o consultório do médico de plano é diferente do médico não de plano". Eu falei: "Então, deixa eu te explicar que que é o Brasil. Assim, a gente é uma sociedade tão fascinada por hierarquias e com a ideia de manter muros e distâncias grandes, que a gente acha que tem médicos que prestam mais ou menos, não pela qualificação, Mas pelo tipo de gente que ele atende, como ele atende. >> Nossa. >> Então tem o fulano que é do SUS. >> É >> esse a
gente acha que vai tratar mal, né? Ah, fulano é do pra gente, porque ele atende gente sem plano de saúde. É um tipo outro tipo de gente. Aí a gente é, o cara batalha a vida inteira para ter um plano de saúde. Quando ele tem um plano de saúde, A gente acha, olha, esse cara do plano de saúde é melhor do que aquele que não tem plano de saúde, mas ele vai ser atendido por um médico que atende gente de plano. E médico que atende gente de plano não é muito bom não, porque o tempo
dele vale menos. E aí o bom mesmo é o fulano que tem plano de saúde e diz: "Eu não uso plano". é que vai em médico que não aceita plano, >> que não aceita plano, >> que a consulta é caríssima. >> E aí o plano de saúde começa a ser medido eh não só por aqueles que eh pelo tipo de médico que tem, pela qualificação, mas pelo reembolso que ele te dá, porque ele sabe que você não vai em médico de plano. >> É uma loucura isso, né? Uma loucura. sai da, sei lá, e atende
no plano, você acha que ele é menos que ele não é tão bom igual o outro que decide não atender plano de saúde. >> E a gente acha normal isso. A gente acha Normal isso. >> Pois é. Mas ainda dentro desse tema da escravidão que você colocou, como você vê o racismo eh dentro do universo do dos ricos, sendo que eh quando o preto, quando um jogador, quando um cara que estuda, um cara que ganha muito dinheiro com startup, ele acende e chega nesse universo, ele é aceito só porque tem dinheiro ou no Brasil isso
é diferente? >> Não, não, não. >> E você consegue depois comparar também com isso lá fora se é diferente? >> É como que é aqui no Brasil? Aqui no Brasil, eh, o racismo se mantém independente de você >> da ter ganho ou não. Dinheiro ou não se a diferença quando você tem dinheiro? >> Ué, quando você tem dinheiro, e aí vou falar e eu não sou um grande especialista nesse assunto, mas falo como causa, né? no sentido de que >> é de observar e >> vamos colocar é colocar jogador vai um cara que ganha muito
dinheiro e e e parece que é aceito, mas não é não é a real >> não, não, porque talvez e aí vou falar eh o cara que quando você é pobre eh e o racismo, ele se impõe muito como uma negativa clara, assim, né? O fulano não deixa você entrar no lugar, né? É, é, é, é, é, é, é fácil de, de saber porque simplesmente você não tem acesso. >> É, mas ele, vou te falar da minha Experiência própria, tá? E, eh, eh, o racismo para mim hoje ele se mantém, apesar de todo, de ser
o autor mais vendido do país e de todo sucesso financeiro e de, e de transitar pelos ambientes de elite, ele se impõe como dúvida. Eu entro na classe, na fila da classe executiva, o moço sai lá de onde ele tá e me pergunta se eu tô na fila certa, né? >> E não perguntaria, >> não perguntaria você. Não perguntaria a Você se você tá na mesa. >> Eu vi um exemplo também que você colocou assim, você pode tá, enquanto você tá na mesa com os ricos, o garçom vai te tratar de um jeito. Se você
vai até o banheiro, >> é >> e tá longe da da desse desse de dessa mesa, o tratamento pode ser diferente porque eh você tá você tá aqui no restaurante, tá? >> É isso, exatamente, né? Um caso que Aconteceu foi uma vez que eu fui num casamento e eh um casamento de uma pessoa importante e aí eu eh a pesquisa já dava já tava bem desenvolvida, eu dava consultoria já e me e eu tinha descoberto naquele momento que o terno chique do Gicos naquela hora ali era Ricardo Almeida, assim de Marcerto. Ricardo Almeida tava com
uma visibilidade muito grande naquele momento. Se eu não me engano ele fazia os ternos do Lula >> e aí os ricos falavam muito, tá? terno Ricardo Almeida, o presidente usa Ricardo Almeida, sei lá o quê. E aí o >> que é a única marca que eu já ouvi falar de marca chique de terno é Ricardo Almeida, não sei se ainda é, né? >> E aí o eu fui lá e comprei um terno Ricardo Almeida. Então, sentado com a mesma coisa é a mesma roupa do pessoal, >> porque todo mundo que tava na mesa, né? Eu
podia performar teoricamente a mesma coisa. Na hora que eu levantei para o Banheiro, me perguntaram que hora servi o bolo, eh, se o DJ podia escolher tal música. Então, dinheiro não apaga, não apaga o preconceito racial eh no Brasil de forma muito clara. >> Você acha que é diferente? >> É, eu eu eu diria que é, eu diria, eu acho que é um traço claro assim, eh, eu na minha pesquisa eu encontrei ricos americanos negros, mas eu na minha pesquisa eu não encontrei ricos eh brasileiros negros. Certamente eles Existem e e muito atrado a jogador
de futebol ou sei lá, carreira artística, outras coisas. Mas o meu trabalho foi feito mais com gente de empresa, né? >> Tem uma piada do Chris Rock, não sei se já viu, aquela do dentista, né? >> É >> que ele fala assim: "Cara, eu eu sou eu sou negro e eu moro sei lá, você lembra? É um lugar lá em Bver Hills, talvez." >> Isso não, um condomínio do de altíssimo padrão. >> É assim, na minha rua de negro tem eu e sei lá, o cara que é de basquete e outro >> e a Opra
ele faz. Ele faz >> a OPR. E o meu vizinho é um dentista branco. Ele não é o melhor dentista. É, >> ele não é não sei assim, por um por um preto ser dentista tá morar, ele tinha que ter inventado dente. >> É hiperrealização, >> tinha que ser uma coisa muito absurda. Eu acho que isso demonstra no Brasil, isso no Brasil é igual, né? É, >> eu acho que isso demonstra bem essa essa diferença. >> É porque é uma to achar que eh dinheiro >> dinheiro apaga o preconceito racial, porque ele não apaga, né?
Eh, o preconceito racial eles se impõe, >> mas mas em relação ao branco, a paga, por exemplo, o cara era muito pobre e ganhou muito dinheiro pelo fato dele ser branco, ele chega a pagar ou sempre ele vai ser tratado como um cara que você percebeu isso? >> Eu vou te eu vou te dizer uma coisa relacionado ao livro, assim, é, eu digo, a tese central do livro é a ideia de que no Brasil a gente precisa das coisas para convencer os outros que a gente é rico. >> Não é o dinheiro, é o que
é a coisa que >> é a coisa. Se você é branco, facilmente você pode usar uma coisa de rico, você vai ser mais facilmente reconhecível como parte. No caso de ser uma pessoa negra, muito mais comumente o que vai Acontecer é as pessoas duvidarem se você eh eh fez isso mesmo, se a sua bolsa é verdadeira mesmo, se você é quem você diz ser, se há um >> uma suspeição muito grande sobre você. E você tá dá um exemplo também do da da coisa de rico. Depende da onde que ambiente você tá, se você tá
numa, >> é com quem você tá usando, quem é você? Você tá com uma bolsa original numa num numa condução pública, no no num ônibus, vai vão achar que é que é falsificado. E Se um cara que de muito dinheiro tá usando uma bolsa eh uma mulher tava usando uma bolsa eh que é de verdade e é falsificada num ambiente de rico, ninguém vai imaginar que aquilo é falsificado. É isso mesmo. >> Exatamente. Porque essa que é a grande perversidade do uso das coisas. Porque primeiro, quando você ganha dinheiro, você acha que eh você precisa
eh gastar dinheiro eh pegar o dinheiro que você tem para comprar as coisas, tá? >> Só que não basta, porque se você pega o seu dinheiro e compra uma bolsa, um relógio e não usa de um modo adequado, as pessoas, as pessoas vão achar que essa [ __ ] é falsa. >> A bolsa pode valer e 50 R$ 100.000. >> Sim. E e qual é o uso inadequado, por exemplo, >> então, uso inadequado primeiro é você tá à altura da bolsa, porque não é eh você não pode chegar com teu dinheiro na loja e comprar
o melhor relógio que tem em São Paulo. As pessoas vão achar que é falso. Tem que comprar um relógio que as pessoas acham que tá a sua altura. >> Ah, tá. É, senão não pode. Não pode porque ou a loja não vai deixar tu comprar esse negócio >> ou você vai ser logo visto como falso. Então tem que saber quem é você e o que que você tá comprando. O segundo ponto que você tem que saber é quando é que você usa, porque você não pode comprar, Sei lá, um relógio caríssimo e usar para ir
na padaria. >> Sim, >> porque não é que você vai ser assaltado, é que as pessoas vão rir da sua cara. Eh, um outro ponto importante é você saber com quem você usa. Tem que ter uma intencionalidade com quem você tá usando. Eh, e como você usa esse negócio. Então, por exemplo, o exemplo mais claro que eu uso é a ideia da bolsa. Se uma bolsa Chanel, né, que é Uma marca cara, caríssima, um modelo pode chegar a R$ 70, R$ 80.000, R$ 100.000, e uma bolsa no braço de uma madame e no Jardim Europa
passa tranquilamente. Agora, se tiver no braço de uma empregada doméstica às 5 horas da manhã na Estação da Luz, mesmo que ela tenha nota fiscal e ela tenha vendido tudo >> para comprar >> para comprar essa bolsa, essa bolsa é falsa. >> Entendi. >> É porque o contexto é que vai dizer o que é. Ela não funciona. E se ela não funciona, as pessoas vão continuar achando você, qualquer um. Então, o cara que acende, ele tem mais dificuldade para comprovar pros outros que aquilo tudo que ele tá usando é verdade. Eh, >> o celular, você
chegou a a a pensar sobre o celular nessa nessa relação? Porque hoje em dia, eh, você vê que a Mesmo as pessoas eh mais pobres, elas gastam muito dinheiro para ter um celular bom. É também uma ou então a a a empregada doméstica rala para comprar um, ela às vezes não tem, mas compra pro filho porque o filho quer quer ter um celular bom, porque ó, todo mundo lá tem tal celular e meu filho não tem. Por que que o celular também virou esse esse marcador assim de status? >> É porque ele é um visível,
né? Ele é o marcador mais visível que tem. E olha Que loucura, isso tá muito atrelado. Na >> época da minha, quando eu era criança era tênis. >> Uhum. >> Pessoal roubava tênis. Era era coisa de tênis. Era >> tênis ainda continua como um marcador importante. >> Ainda continua como marcador. Por que que tênis virou um marcador importante? >> Eh, de novo, cultura tá misturado com história, tá? >> Primeiro ponto importante, se a gente olha pro processo eh de formação histórica do Brasil, os escravos andavam descalços, né? Então, eh, isso já era um marcador de
mundo muito diferente o fato de você tá calçado. Mas quando a gente olha pro século XX, uma cidade como São Paulo, o fato de você ter um tênis impecável, >> que permanecia impecável ao longo do dia, >> era um fato que tava diretamente Relacionado ao grau de urbanização do teu bairro. >> Verdade. >> Então, o cara que morava na periferia, a rua dele não era calçada, então o tênis dele ia tá sujo, né? Então, quando ele chegava no centro de São Paulo, o tênis dele tava zoado. Você olhava pro pé e falava: "Vi, mora mal
para cacete", né? >> Então, o que que as periferias faziam? O cara tinha dois tênis ou dois sapatos, dois calçados para ir trabalhar. Ele Tinha um que ia da porta da casa dele até o ponto de ônibus, que podia ser um chinelo ou um sapato mais baratinho, que ou ele deixava escondido no ponto de ônibus para voltar de noite, ou ele botava na mala. >> Quando ele chegava dentro do ônibus, ele tirava aquele, botava o impecável e aí ele ia transitar. Então isso estava atrelado ao ciclo de urbanização da cidade. Então eh o fascínio das
periferias por tênis branco, sabe? Todo MC tem um tênis branco >> impecável. Traz relacionado a isso, assim, o lugar que eu moro não suja meu sapato. Eh, porque eu tô aqui num lugar, eu venho de um lugar urbanizado. Então, tênis tá diretamente atrelado a essa ideia de inclusão na sociedade. >> E agora? E agora o celular faz a mesma coisa, porque o celular no Brasil ele é um baita distintivo de classe. Nos Estados Unidos eu posso estar errado pouquinho No número assim porque já não sei mais é o certo, mas eu acho que nos Estados
Unidos 95 da 95% da sociedade americana que tem celular tem iPhone. Eh, e os outros 5% tem qualquer coisa, >> eu acho que é isso. Você pode até ver aí também, homem, mas é é é is quase a maioria. E no Brasil é o contrário. No Brasil, eh, os números que a gente tem é atrelado a a aplicativo, né? >> Sei. Sei. >> E a companhia de telefone. Eh, o iPhone Tem uma penetração de 4 a 5% dentro do Brasil. Então, quem tem iPhone no Brasil é a nata mesmo. É, é a nata mesmo. Então,
o fulano quando compra, mesmo sem ser parte da nata, sendo sem ser fazer parte da nata, ele compra um iPhone, ele minimamente performa que ele não é qualquer um. >> Entendi. >> Então, o desafio de marcas como, por mais que a Samsung, a Xiaomi, sei lá o quê, faça um desafio enorme de tentar Popularizar seus telefones, o cara compra esse, né? É, >> é louco. Isso. É muito louco. >> Preocupado em como é que o telefone dele vai performar. E aí é maravilhoso porque aí você começa a inventar coisas brasileiras, né? Que a capa de
telefone que mesmo que ela seja falsa, ela mantém o a maçã da Apple, né? É aquela coisa. >> É. Ou capas que simule o modelo novo, né? Ó lá. >> Esse é nos Estados Unidos 58%. >> É, nos Estados Unidos é o azul. 58. >> Ah, não, mas isso é por região, né? É, tinha que entender. É por região, mas olhando pro pro mundo todo, né? Então a penetração >> não, mas é maior, é maior. Eu já vi isso daí mesmo. >> Não. Então, mas a penetração do iPhone eh no mundo, né? A maior parte
dele tá na América do Norte. É isso que o gráfico tá dizendo, né? E os outros 26% tá na Europa ocidental e eh ocidental. Eh, então é isso. Mas o que eu tava dizendo é que nos Estados Unidos, dentro dos Estados Unidos, >> 100% de celulares 90 ou 95 blau iPhone. Então ele não gera distinção nos Estados Unidos. >> Aqui não, aqui é 4%. E lá até carro também não é uma coisa que porque todo mundo tem carro, né? >> É igual nossa, igual e quando a gente olha para inglês, né, que é um elemento
importantísimo. Nós somos aficcionados Por essa coisa do fulano falha inglês sem sutaque. >> O que não tem em outro lugar? Não. >> Não tem, né? >> Até até visto como lá na França. Ah, tá. >> O fulano francês que fala inglês, você nem entende o que que ele tá falando. Eu tenho amigos que falam inglês, são franceses. Eu digo: "Olha, eu entendo o que você fala porque eu falo francês. Se eu não entendesse, se eu não falasse francês, não entendia o que você falava. Não, >> que sotaque >> é no Brasil fulan, Anita tem um
inglês sem sotaque, como ela conseguir fazer isso, que são sobre isso, analisar o inglês de gente famosa. >> É, então isso é uma loucura, porque em qualquer lugar do mundo parte do pressuposto que alguém que aprendeu uma segunda língua, >> é, ele é fluente pelo que ele falou, né, pela capacidade que ele tem de se Comunicar, não é se ele fala uma outra língua perfeito ou sem sutaque. Aqui a distinção tá nisso, o quanto sem sotaque fulano é. Por quê? Porque se ele é sem sutaque com 40 anos, é um sinal de que ou ele
morou fora quando pequeno, ou ele estudou em escola internacional. E aí a baita distinção. Aí dá no quê? dá nessa fixação da sociedade brasileira, de uma classe média para cima, de botar filho em escola bilíngue. >> Eu tive, >> eu tive alunos eh que vão fazer, foram fazer faculdade no Brasil, né, comigo, eh, e não sabiam português direito, porque a mãe colocou o filho numa escola internacional, é só >> sabendo que ela não teria dinheiro para mandar ele para estudar fora. Então, assim, por que que o fulano coloca o filho numa escola internacional? Ele coloca,
porque eu sou expatriado, eu vou andar o mundo. Então, o fato de eu eh Ter um diploma internacional tá atrelado que a minha vida internacional, então o inglês vira tua língua mãe. No Brasil a gente coloca filho em escola internacional pro garoto aprender inglês desde pequeno. >> É. >> Aí ele não aprende português, >> relacionamento também, né? >> E relacionamento, né? Que é um outro ponto importantíssimo. >> É, o garoto aqui começa a fazer Networking com dois anos, né? >> Pois é. E o pai fica feliz com isso, né? Pai fica feliz >> essa preocupação
de com quem que ele tá convivendo para depois essa relação se transformar em alguma coisa, né? >> Transformar em alguma coisa que é uma loucura, né? >> É, você que eu não sei se foi uma entrevista também que que você falou sobre rico não ter amigos. É isso. É por é uma relação sempre de o quanto eu vou Ganhar com isso. >> É, eu brinco. É um exagero, né? Óbvio que se você a gente chamar o rico aqui e falar: "E aí, você tem amigo?" Ele vai dizer que tem, né? Mas eu falo isso em
comparação com eh quando a gente compara o tipo de amizade das camadas médias a um tipo de amizade das classes populares. Que nas camadas médias, nas classes populares, a amizade é e o dia a dia é permeado por uma certa espontaneidade que é importante pra Construção daquilo que a gente gosta de chamar de amizade, tá? >> Por que que é amizade no Brasil, né? Amizade é aquele cara que você primeiro pode mostrar pro outro sua vulnerabilidade e segundo ponto, você pode ser você mesmo. A gente gosta de acreditar essa coisa de que amigo é aquele
que a gente pode ser a gente mesmo, sem ter máscaras sociais muito claras, né? >> Eh, e nas elites a vida é tão Ritualizada, a vida é tão pensada nos mínimos detalhes que essa espontaneidade comum àilo que a gente gosta de imaginar como uma amizade não existe, né? Então não tem igual eu aqui que eu passo na porta da tua casa. [ __ ] vila, tu é meu amigo de eu passei, tô aí, vou bater aí. Pode aí agora chega aí. >> Não existe. >> Aí tu chega aqui, a casa tá fora do lugar, não
tem nada para te oferecer, a Gente vai abrir o celular para pedir um iFood. >> Não, isso não tem, né? >> É, isso não tem. >> Tem que ter uma preparação. >> Tem que ter uma preparação para receber os amigos. Então, para receber o amigo, eu tenho que selecionar que tipo de amigos eu vou chamar nesse evento. Eu tenho que pensar que tipo de relação eu acho que vai ser possível entre eles, né? amigo que combina com amigo. Eu vou Pensar qual vai ser o cardápio que vai ser oferecido. Eu vou pensar que que eu
vou levar, que que eu vou oferecer de de entrada, de almoço, sobremesa, onde cada um sentar na mesa, tudo fica muito roteirizado. Então essa amizade que é a amizade das 150 horas, que é o tempo que você tem, é só do conversa sem saber onde vai dar, >> sei >> pra gente criar esse vínculo forte, >> não, não aparece desse modo. Então é um Tipo de amizade que não é, eu digo que não é amizade porque não é o tipo de amizade que a gente tem nas camadas médias e nas classes populares. E sempre tem
um interesse, você acha o que que ou de negócio ou de coisas mais >> sempre tem interesse ser injusto, mas sempre tem um cálculo intencional desse encontro. Nenhum encontro é espontâneo, porque a Beatrix Levitá, que é uma socióloga francesa, ela vai dizer que o que define as elites é uma preocupação Com os detalhes. Então, os caras estão a todo momento que pode ser o guardanapo que eu vou colocar na mesa, pode ser os talheres que eu vou, como eles vão estar dispostos, pode ser como a gente vai estar vestido, mas pode ser que tipo de
lógica de conversa é esse que a gente vai dar. Então isso faz com que a espontaneidade não seja eh o principal ponto. Então tudo fica muito intencional, sabe? Eu convido as pessoas de forma intencional, eu ligo para elas De forma intencional. Pode ser interesses financeiros ou intenção de negócio, mas pode ser outras intenções também, né? Mas tudo é pensado antes. >> É, eu fiz essa pergunta pelo seguinte, por um por uma por uma coisa que às vezes me incomoda e quando você falou que às vezes se sentia como bolsa de rico, às vezes eu tenho
uma sensação igual assim de ser convidado >> porque é interessante eu tá lá ou porque o cara quer ser entrevistado ou ele quer Apresentar alguém que ser entrevistado, fala: "Porra, cara, aí você tem todo uma preparação, toda uma conversa para chegar a um ponto que você descobre porque você estava lá." É, então o cara você fala: "Ah, tá, era para isso, tá?" Então a noite inteira podia ter mandado um WhatsApp já entendeu? >> É isso aí, tá tudo organizado para isso. Então, exatamente, você agora deve passar conta do teu sucesso, deve passar muito por isso.
>> É tanto político quanto rico, assim de eu quero ter foto com ele porque é importante para mostrar pros outros que >> Então é o cara é legal contigo, certamente eles nunca foram mal educados. É, são, é agradáveis, você até se diverte, mas assim, você não é chamado só porque eu quero saber que que o Vilela tem a me contar. Não, não. Vamos chamar o Vilela, porque é bom pra gente chamar o Vilela. É bom Vilela, os outros convidados verem que a gente Chamou o Vilela. É bom a gente no cantinho chamar o Vilel. Lembra
ele que esse que ele tem acesso a mim, ele eu posso tá me impressando esse acesso para outros, né? Esse vinho que tá sendo dado, essa comida que foi oferecida, essa tarde maravilhosa, não foi assim tão de graça, só porque o Vilel é legal, né? E eu vou mesmo, né? Comida de graça, não sei o que. Eu vou mesmo assim mesmo, que também tem interesses, né? Entende? É, então é bom a gente e aí a amizade Não fica igual a amizade, sei lá, do dos teus colegas de infância antes da fama. Sabe que é diferente.
É, você sabe que é diferente. É >> porque tá todo mundo ali quase parecendo uma amizade de negócio. Um dia desses, uma amiga minha que trabalha numa grande empresa, eh, e boa parte das empresas no Brasil são familiares, né? eh alguma parte delas e ela trabalha numa empresa familiar que tava fazendo aniversário. E aí a família num determinado momento Para comemorar o aniversário de chamou todos os funcionários, sei lá quantos mil funcionários e fez um comunicado dizendo: "Olha que isso aqui é um grupo familiar, a família pensa muito, bá bá, não sei quê". E os
irmãos se encontram, as primos se encontram, todo mundo se encontra, a gente tem uma frequência de contato, a gente é uma família, eles querendo vender isso. Aí a minha amiga MK disse: "Caramba, eu dava tudo para fazer um documentário de como É que deve ser um encontro dessa família. E eu disse: "Tu tá achando o quê? Que é igual da tua que o irmão bate na porta do aí, tô subindo aí, >> né? Eh, ô, >> que alguém bebe demais. >> Alguém bebe demais, deita na rede, você escreve na cara do tio. Você tá passando
a tua tia, né? você empurra el lá na piscina, a outra prima diz: "Ah, você vai trazer o frango, você vai trazer macarronese, você vai trazer sei lá o Quê?" Não, óbvio que não, né? Assim, a roupa de todo mundo tá pensada, o encontro é pensado. Eh, e é engraçado que isso transforma até as relações entre famílias. Eu não tô dizendo que as famílias não se amem, é, >> mas >> os afetos familiares e as relações de negócio estão tão embrincadas que viagem de família é uma viagem de negócio também. Então, o cara eh que
eh viaja, sei lá, ele viaja, é muito comum isso, São Paulo, né? Os family offices organizam viagens de família que tem agenda, né? Então vai a família toda viajar pro Japão. Então é 10 dias no Japão. Então a família sai daqui, contrata um grupo eh para fazer de turismo e para fazer a viagem. E aí depois desse grupo de turismo tem dia um, tem o roteiro. Então vai ter aula sobre o Japão, não é gente? No dia a gente decide, aí sai aquela briga na Disney, >> tudo programado, tudo conversa milimetricamente pensada, então parece viagem
da firma. >> Verdade. >> Então nessa medida não tem uma relação de amizade e família como a gente tá acostumado. Parece até que não são amigos. >> Nesse teu estudo nessa época, eu não sei se eu eu fui a primeira vez que eu fui num leilão, velho. Sabe? É, >> não vou falar qual, mas tem vários Leilões, mas leilão é uma coisa que eu eu tava meio como antropólogo lá, cara, porque é uma coisa que você fica observando, é, cara, é outro mundo. >> E o sucesso do leilão é a disputa entre eles, né? >>
E e é um leilão e pr para alguma causa eles adoram agora. >> Exatamente. Mas, cara, é a posição das mesas, >> tipo, você chegar e e vê na fila, né? Aí você percebe que a minha mesa, por Exemplo, era perto do palco e o cara de trás, pô, a minha mesa é longe e tal. A a a disposição das mesas, a montagem das mesas. Eu fiquei numa mesa com algumas pessoas. Tudo é, cara, tudo é muito pensado. >> E o sucesso do leilão tá quem tá no palco ficar disputando ou marcando as disputas que
ele conhece. >> É, tipo, você não vai aqui, ó, que tá o cara, eles brincam com isso, né? É, então, tipo assim, ah, vamos supor que Tem duas, sei lá, dois donos de companhias aéreas, tá? Aí ele liga para mim e fala: "Ô fulano, o fulano da companhia deu tanto X, você não vai dar nada?" Então eles ficam disputando, ó, do banco, fulano deu tal coisa, não sei o qu. >> Olha, eu fiquei lá umas duas, tr horas, deu para, cara, deu para para perceber muita coisa que eu nunca tinha tinha visto na minha vida.
É um universo absurdo. >> E porque é sobre disputa e por que que precisa ser público? Porque eu preciso saber o quanto o fulano tá disposto a doar de novo vir. >> O cara do 400 pau, imagina quanto dinheiro comprou uma coisa, né? É muito louco, cara. Muito louco. E o lance de de eh aras ou essas coisas ainda existem assim? Ah, eu tenho aras, eu tenho fazendas ou essa é a coisa só do do da galera mais mais antigas aras continua Fazendo sucesso. É, o fulano faz epismo, né? >> Cabeça de boi também, né?
Isso continua. Tudo que é coisa aqui funciona. A gente não consegue direito é dinheiro no banco. Coisa, né? >> Eh, os bancos têm eh esses programas, né, de diferenciação de clientes, igual a companhia aérea tem, né? Você sabe, você ganha um pouquinho mais, você muda, sei lá, de uma faixa para outra. E um dos dilemas é que quando vai Chegando nas faixas mais altas, eh, você precisa ter uma quantidade de dinheiro dentro do banco. Às vezes o fulano tem um baita patrimônio, ele tem uma casa de 10 milhões, mas ele tem 2 milhões na conta.
>> 2 milhões não faz ele avançar pro top do banco. Se ele vendesse essa casa e transformasse aquilo em dinheiro, ele ia est no top do banco. Mas ele tem patrimônio no imposto de renda dele. >> Mas dinheiro em si, pouco. Pouco. Aham. Porque a gente precisa imobilizar tudo. Então o cara tem cabeça de gado, >> coisa, né? Coisa. Então os cartões de crédito agora que vem lançando essas coisas >> novos patamares >> sempre é black platinum, um platino e um não sei o quê. Só >> é só aparecer um pobre usando usando uma uma
faixa que não era para >> [ __ ] Agora precisamos colocar outro acima. >> Qual que é o Eu nem sei mais qual que é o topic. >> Eu acho que agora o Visa tem o privilege e o Master também lançou um aí. É, >> tinha um quadro do do do porte dos fundos que era assim, né? Clientes não sei o quê. O último era platinum multira Bangog, não sei o qu black. >> É tudo aí. Sim. >> E você, que que você quer saber? Que que o pessoal quer saber aí? >> Bom, a gente
tem aqui bastante pergunta E tem um comentário aqui do correndo para cachorro que ele colocou no no chat. Ele colocou o seguinte, ó: "O Vilela é super rico e tá doido por um jatinho branco." >> Jat? Ah, depois eu quero saber também sobre jatos. >> É. Ah, não, não, não é, desculpa. É quinta féri já tinho branco. Ele tá falando de outra. É outra. É outra piada. Piada. Tá. Ah, entendi. >> Nossa, eu levando a sério a parada Falando. Tá. >> O Signe Canela, ele tá perguntando aqui, ó, como as tradições se renovam em suas
linguagens. Existe alguma métrica? >> Tradições. Inclusive, >> a tradição é um ponto importante, né? A métrica que eu digo é a capacidade que essa família tem de apagar quem inventou o dinheiro. Então o movimento, que é o movimento fundamental no Brasil, para você ficar bem na fita e todo mundo achar que você é sofisticado, que você é Um grande formador de opinião no campo do gasto e que a gente tem que seguir o que você faz, é a lógica do desde sempre. Sei. >> É quando a família começa a achar muito que os amigos são
desde sempre, que eles moram no mesmo prédio desde sempre, eh que os móveis estão ali desde sempre, que eles viajam para tal lugar desde sempre, é um sinal de que essa família tá apegada à tradição. Então, tradição é ponto importante. Mas olha aqui, a gente Não pode esquecer que toda a tradição é inventada. Eh, a gente, as elites se esforçam muito para criar uma ideia de que o mundo dele sempre foi assim. >> Sei, >> só que não, né? Tem um dois autores ingleses chamado Eric Robs Bundown e o Ther Sturn. Eles tm um livro
que chama A invenção das tradições. Eles vão dizer que mesmo a família real britânica, que parece que tá lá desde que chegaram aí antes do Homo Sapiens, né, estão desde Sempre fazendo a mesma coisa. Aquilo tudo é um teatro encenado e repetido mil vezes pra gente acreditar que eles são assim desde sempre. Só que não. Então as elites brasileiras fazem a mesma coisa. Eles vão se esforçar pesadamente para inventar essa áurea de que eles são únicos e ninguém é igual a eles e não sei quê. Então ela se renova, mas ela se renova aos pouquinhos,
porque se ela se renovar demais, você perde o teu principal valor, que é a ideia de que Você tá ali desde sempre. >> Pois é. Ah, você chegou a a a pensar sobre religião e riqueza >> aqui no Brasil? Eu não sei se é uma impressão, a gente vendo de fora parece que agora a a fé ela tá ela tá sendo trazida também como marcador de riqueza. Assim, os ricos tão tão eh mostrando esse lado de fé ou de seguir uma religião. Eu não sei se no passado isso ficava mais eh em particular, mas você
sente isso? Dinheiro religião, >> eu tenho que mostrar a minha fé, eu tenho que mostrar que eu acredito em alguma coisa. >> Dinheiro e religião sempre tiveram misturados. É, >> eh, o capitalismo não existiria sem religião. >> Mas o rico antes tinha vergonha de demonstrar fé e hoje não tem mais ou não? Não tem isso? >> Não, não, não. Eh, não, não. Desde sempre capitalismo e religião tiveram Misturados. >> O Weber, que é o cara que vai tentar entender direito a história do capitalismo, ele faz uma pergunta que era genial ali no começo do século
XX, na virada do 19:20. Ele é um sociólogo e ele vai falar o seguinte: "Cara, tem alguma coisa estranha, porque nos países de tradição católica, o capitalismo não foi muito bem, não >> é? >> Mas nos países de tradição protestante, Calvinista deu muito certo." >> E aí ele vai falar: "Putz, como é que isso aí? Vamos entender por quê". Ele diz que os protestantes tinham algumas coisas que faziam que o capitalismo bombasse. Primeiro ponto é a ideia de que o que você faz ou teu trabalho é um chamado. >> É >> todo coach que senta
aqui >> fala para você: "Ah, isso aqui é o meu chamado. Treinar pessoas é o meu Chamado. >> Porque a ideia da vocação de que você tá fazendo não um trabalho pelo trabalho, é um trabalho do chamado. >> É algo maior. É, e como é um algo maior, é quase uma missão que Deus te deu, um propósito que Deus te deu, você trabalha a de infinito, porque quanto você mais você trabalha, mais você tá fazendo a vontade de Deus, né? Então >> é uma coisa clássica ainda hoje nesse vocabulário do capitalismo. A gente Trabalha por
propósito, né? Pelo trabalho em si. Eu adoro quando senta alguém aqui e fala assim: "Eu no dinheiro nunca foi meu foco, né? Eu tava fazendo algo que eu fiz bem, aí ganhei dinheiro." >> É um cara rico que fala isso. Claro, >> é claro, sempre. Isso aí é clássico do pensamento religioso calvinista. E tem um segundo ponto também que os caras achavam eh que era importante na construção da religião com o Capitalismo, que era a ideia de que a vida na Terra não era uma vida de prazeres. Isso mudou. É, mudou. >> Então eles acumulavam
muito, né? Isso foi fundamental paraa formação do capitalismo nesses países. Então, religião, eh, e capitalismo sempre tiveram misturado. O que que acontece agora? O que acontece é um crescimento no Brasil de um número de evangélicos, né? Os dados do BGE vem mostrando isso com uma velocidade gigantesca, >> pentecostais e e neopentecostais, >> é, e de uma teologia da prosperidade, né, que eh surge nos Estados Unidos, mas chega por aqui mais a partir se difunde aqui com mais força a partir dos anos de 1970. É por aí, >> né? Com o bispo de Macedo, né? eh,
na Igreja Universal, com uma ideia revolucionária em termos de teologia, que é a ideia de que o paraíso não é depois que você morre, o paraíso tá na terra. Isso >> Deus quer que você prospere aqui. >> É, o paraíso tá na terra. E como é que eu sei que o paraíso tá na terra? É vivendo uma vida boa. E que que é uma vida boa no sistema capitalista? gastando, >> é, gastando e tendo casa, carro, você tendo uma vida próspera. >> Eh, então, nesse movimento, eh, se antes, né, no calvinismo, na origem do capitalismo,
eh, era trabalho excessivo >> que dizia e acumulação >> e segurar no consumo, que te dava essa diferença da que Deus estava operando na tua vida, >> agora é consumo, né? E no Brasil cai como uma luva, >> pô. >> Cai como uma luva, porque se aqui a gente cria a diferença pelas coisas que você tem, quando eu começo a ostentar muita coisa, é um sinal muito forte que Deus tá operando na minha vida. Então não é por acaso essa mistura do povo das Finanças >> com o povo da religião, né? Todo coach financeiro agora
foi batizado, né? Em algum momento, né? >> É. Então por isso que eu tô falando, tá muito entelaçado agora. É, não é por acaso essa coisa da Bíblia, >> não. E os milionários, cara de muita grana é viagem para pr Israel ser batizado e tal. >> Isso. Eh, os caras estão muito >> que eu acho que antigamente ia ser até Visto meio que como chacota, né? Hoje em dia não. >> É porque como o Brasil era um país de tradição católica, é mais forte e boa parte desses milionários eram católicos, o discurso não combinava muito,
né? >> Por causa da culpa. >> É, por conta da culpa, né? >> Porque o catolicismo tem essa coisa. É, é >> um outro acabamento teológico, né? Então agora como boa parte deles se Converteram, eh, aí cabe, né? Aí cabe. >> Não, mas esse lance da culpa é uma coisa que eu queria saber também de você. Eh, existe uma culpa interna do rico por ser muito rico? Ele ele você sentiu isso? >> Não, >> não. Culpa. >> Eu achei que tinha no fundo tinha uma uma culpa, uma dívida. Eu devo será que não existe essa
culpa por ter muito dinheiro? Não, culpa não >> culpa não. Eh, olha que louco, porque a Gente gosta de acreditar que o fulano não diz que é rico porque ele fez vergonha ou é culpado. >> Exato. >> Se isso fosse verdade, eles estavam fazendo alguma coisa para mudar a realidade dos outros. >> É. Eh, não tão a filantropia no Brasil melhorou muito nos últimos tempos para ser justo com Gicos, mas a gente doa muito pouco e em relação à quantidade de dinheiro que tem aqui em relação aos Problemas que o Brasil atravessa. >> A gente
doa muito pouco, então não é muito culpa não. >> O que que eu vi assim, o que que eu vi era primeiro ponto para ser justo também com Gicos, eh eles estavam, eles estão em plena consciência do tamanho do problema brasileiro. Eles têm plena consciência do tamanho da desigualdade social no Brasil. >> Ah, não é um mundo à parte onde eles não faz a mesma. É tipo, ah, não, o mundo Inteiro está bom. E >> é, não, não são abobalhados não. Eles sabem o que é a dificuldade. O cara passa aqui na cracolândia de São
Paulo, ele não olha pro chão não, ele vê a realidade doida que a gente vive nesse país. >> Então isso é um, há uma consciência clara do problema da desigualdade. Não à toa que todo mundo que abre aí um Instagram para falar qualquer coisa, agora fala assim: "Eu tenho noção dos Meus privilégios. Eu tenho noção dos meus privilégios". Os ricos têm noção dos privilégios que vivem. Agora, o que que eles têm de diferente? Que eles têm de diferente é que eles acham que isso não é um problema deles. E isso não é tão claro assim
na Europa. Eh, o cara acha, é um problema do governo, né? E aí num país desigual como o Brasil, se é um problema do governo e num país desigual e democrático, eh, a maioria é pobre e são os pobres que elegem os governantes Porque eles são a maioria, a gente cai nessa fórmula barata fácil aí, quer dizer que pobre não sabe votar porque o cara tá, é o problema do governo sempre, né? Então >> isso é diferente assim, isso é diferente de outros lugares, sobretudo da Europa. >> Eles se sentem parte do problema e querem
resolver >> lá na Europa, eles se sentem parte de problema. que o fulano lave as mãos, né? Porque ele acredita que >> ele deu certo apesar do Brasil, né? >> É, >> então o Brasil joga contra mim, >> é o lugar mais difíil, difícil de empreender e mesmo assim eu consegui. >> Emprender, cara, joga contra mim e mesmo assim eu consegui. Então não devo nada ao Brasil porque mesmo assim eu consegui. Eh, quem que a quem que eu devo? O rico brasileiro acha que deve a família. >> Ah, tá. >> Então, as camadas médias também,
né? Quem tem filho aí pode ter a idade que for. Você olha para aquela criança e pensa assim: "Já na hora que ela sai da maternidade, que que eu vou deixar para essa criança?" Aí a classe médic se defende dizendo: "Eu não tenho nada para deixar para você. Vou deixar educação, vou deixar educação". Todo mundo aqui tem uma preocupação grande deixar a família bem, porque você acha que você chegou lá por conta do Esforço da tua família, >> é? >> Não por conta da sociedade, do estado, do programa de política pública, o que for. >>
Isso é. Então, a culpa quando ela aparece, a culpa em relação à família. >> Entendi. >> Ah, você se sente mal assim, você que enriqueceu. Você quando fal assim, pô, não fos na minha casa, não posso ficar falando de Tudo que eu faço sempre. Não é que você acha que a tua família vai ficar com inveja de você, é para não gerar um mal-estar. Eh, então a relação de culpa, de vergonha pelo sucesso, eh, vem da família, assim, mais do que com a sociedade. >> Vai. Entendi. Manda, Romer. >> Vamos lá. Tem uma pergunta aqui
do Thiago Mendes, ele tá perguntando: "Qual a aquisição dos ricos mais inusitada que você já presenciou?" >> Eh, perfume, né? Né? Tem uma moça que eu conto no livro que >> ela e a família dela usava um perfume eh há muito tempo e o perfume foi desin descontinuado. Que que faria em qualquer caso? Muda por >> mud perfume. É óbvio. >> Ela não, ela Isso é bem comum entre os ricos brasileiros. Eles têm uma preocupação com personalização de cheiro. >> Sei. >> Então eles mandam fazer um perfume só deles. E ela pagou 15.000 €. >>
O quê? >> Para ter um perfume, para ter a fórmula desse perfume que tinha desaparecido pra família continuar com o mesmo cheiro. Mas eu vi loucuras, né? Eu vi elevador de iate, né? >> Elevador no iate. >> Não, não é. Hum. >> Elevador de iate. >> É porque o fulano tinha tantos iates. >> Ah, >> que ele não conseguia. >> Olha a preocupação. >> É. E também o IAT em contato com a água, eh, ele vai, >> vai, vai deteriorando. >> Então, ele mantinha os iates suspensos, então >> parecia uma plataforma, sabe, essas de petróleo.
Sei. >> Eu fiquei que louco isso. É, então eu vi essas coisas assim, isso me surpreendia Muito, a quantidade de empregados, né? Eu já sentei, sei lá, com cinco pessoas numa mesa e tinha 20 no entorno, né, disposto a servir. >> Isso é doido demais, né? Não, isso é muito maluco, né? >> É. É essa coisa e de muito empregado ao ponto de você, >> mas é uma muito coisa do Brasil, né? >> Muito do Brasil. >> Porque lá tem gente que tem muita grana e às vezes não tem uma pessoa para Limpar a casa
dela. >> Não, aqui aqui empregado demais, né? >> Eu conheço gente que >> eh nunca fez o seu próprio ovo mexido de manhã ou nunca cozinhou porque tem turno de empregado em casa, >> cara. Então o cara vai na cozinha dele, tem sempre alguém na cozinha. >> É muito estranho. Já pensou? Tá fazendo aqui? Não, eu trabalho aqui. Você quer? Ah, tá bom. Tô aqui. >> Tinha uma moça que eh ela separou do marido e ela não era em São Paulo, foi no interior do Brasil. E ela quando separou do marido, o marido era macioso
desse staff. Sei. >> E ela também era, só que ela decidiu que, como tinham muitos jantares, eh, quando ela era casada, ela tinha sempre turnos de empregados. Quando ela separou, eu falei: "Não vou precisar eu mais fazer esse monte de jantar, porque agora jantar, sei lá, né? Eu vou jantar Com os meus amigos no restaurante. >> Sei. >> E aí ela dispensa, ela decide não ter empregados no final de semana e ela comemora me dizendo que tava aliviada, porque no final de semana ela ia poder usar a piscina da casa dela. >> Ué, >> porque
era tanto empregado dentro de casa, >> ah, não tinha privacidade, >> que ela não tinha privacidade de botar Um biquíni e se sentir à vontade com o corpo dela de mergulhar na piscina da própria casa. >> Madeira. Então, sabe, você, >> mas você fala umas coisas que me que me lembra uma umas conversas muito engraçadas assim, porque calhou de eu comprar um carro >> caro assim que até vendi porque ele gastava muito combustível, era V8. >> Uhum. >> E aí eu fui comentar com um cara que tem Muito dinheiro assim, falei: "Cara, que absurdo, comprei
um carro aqui igual o seu e, cara, eu gasto muito de combustível". Ele falou: "Cara, eu nem sei quanto eu gas de combustível porque não sou eu que abasteço." Eu falei: "Cara, como é você não abastecer o seu?" Imagina, você não sabe quando você gasta de combustível, por tem alguém que pega o seu carro, vai lá e abastece e te entrega sempre com o tanque cheio. É uma coisa tão louca isso. Os caras não sabem Quanto gasta, >> não sabe quanto gasta. >> Eu falo você sabia que esse carro gasta para caramba. Eu acabei de
encher o tanque essa semana e já tenho que encher de novo. Falou: "Não, cara, tem um cara que faz isso para mim". >> Então não é você que Olha que loucura. Não é você que enche, >> não é você. Não é você que paga o cartão de crédito, o dinheiro é teu, mas você tem >> não, você não sabe lá daqueles gastos quanto, >> não é você que abre a fatura para conferir se tá certo. >> E não é você que gerencia esse pagamento, é alguém que paga para você. Então você vive uma vida onde
você não tem controle dessas coisas, né? >> Que doideira. >> Isso é uma loucura. Isso é uma loucura. >> É. E essa coisa de como eu vou fazer sem babá, não sei o qu fal. >> É. E essa enfermeira que >> nunca tive babá assim. Eu falei qu >> essa enfermeira que é a enfermeira da noite, né? Que é disputadíssima. Quando tem gente mais velha em casa. É isso? >> Não, não, não. O bebê hoje da classe média alta e das elites, ele não sai eh do da maternidade sem ter uma babagem contratada da noite,
que em geral é enfermeira. >> Ah, que também é enfermeira. >> Ela custa R$ 15.000, cara. E elas já Saem com ciclo. Assim, você quando tá grávido, >> não, mas ela tá lá para se alguma coisa acontecer só. Não, não. Ela tá lá para você dormir. É. E a sua mulher dormir. >> E aí ela cuida da do >> ela cuida da criança de noite, mas ela a gente eles acreditam que essa não pode ser só uma babá, ela tem que ser uma babá enfermeira. Então quando você ficar grábuca babá enfermeira que ganha R$ 15.000,
>> cara. >> E a babá enfermeira, ela faz um compromisso contigo quando você tá grávido, há seis meses, sei lá. Não se preocupe, não ache que a se a criança teu filho, não dormir, não aprender a dormir nesses seis meses, você vai poder contratar ela por mais um. Não, não, porque ela já vai sair dali, vai est bucada em outra casa. >> Ah, entendi. É por 6 meses. >> R$ 15.000 Por mês >> para um turno. >> Para um turno de noite para você poder dormir. Aí você não paga o preço, >> cara. >> É.
E essa coisa de filho como um projeto, né? Muito comum. Ninguém >> que sentido? Não tô preparando. Eu tenho filho para ser um >> pouco. É, também, mas é antes mesmo, porque o o aquela coisa Adão e Eva, né, que para Para engravidar >> tá saindo de moda, né, Zelite? Porque o fato o filho antes de vir ao mundo é tão planejado que até a relação sexual ou a fecundação também é. é escolhido o melhor. >> É, é isso, porque a fulana começa a ir no ginecalogista como se fosse engravidar, fosse um tratamento. Então ela
não é reproduzir porque o espermatozoide controla o óvulo. Aí a fulana começa no ginecologista antes, aí Ela começa a tomar ácido fólico. Se ela não sei se é ácido fólico, acho que é, tá? um bagulho para aumentar a ovulação. Aí tem o dia da transa que é minimamente pensado, aí tem a temperatura interna do corpo que aumenta no momento da fecundação. Aí transa naquele momento, você imagina uma transa dessa, hein? >> É uma transa burocrática. Se a transa num casamento já de longo prazo já é burocrático, você imagina uma transa desse negócio aí. Eh, você
tem uma Transa burocrática para fecundação, aí fecunda já começa a o aplicativo dizer a médico sei lá do que da semana um, semana dois, semana três, quando a criança nasce, a criança que dá certo. >> É. >> E e boa parte deles já não estão nem mais transando, né? E tá marcado o dia de nascer, não é aquela coisa é quando estourar, >> aí é na maternidade X, aí já tem o a videom maker do parto, aí já tem como é Que isso vai pras redes sociais, aí já tem um combine o combinado com a
pub, né, que vai ser o anúncio para dizer, veja aquela >> todo mundo de chinelinho já patrocinado. E a e a e o Fale Homer, você sabe como faz filho? Você sabe, né? >> Eu sei, cara. Mas eu vou te falar que há pouco tempo atrás a minha mulher ficou quase um mês, né? Sem isso porque eu chamei ela, >> ninguém tá te vendo. Ele sem ele final, >> porque eu eu falei para ela, vamos comer fora? Ela falou, vamos. Coloquei a mesa do lado da da do quintal. Ela falou: >> "Esse é o jeito,
né? Pede umas esfirra e tá certo". >> Complicado, viu? O JVB tá perguntando aqui, ó, se eh o Michel, ele acredita que os futuros bairros de risco de ricos eles serão nos interiores com casas de luxo, ao invés de ser grandes centros urbanos como nos jardins. >> Hum. Já meio que tá acontecendo já, né? >> Tá, tá acontecendo isso, mas isso é comum, são ciclos, né? >> Por exemplo, >> já fugiram pro Daatuba já, já é um destino de casa de luxo. Tem tem casa com >> Porto Feliz também, né? >> Como chama aquele esporte
que é com cavalo e e >> Polo, né? >> E é Polo, já tem casa com campo de polo Lá. >> Porto Feliz, São Roque aqui que é pertinho de São Paulo também, né? Não a toa. >> Por que tu movimento? Porque os caras tem helicóptero, né? >> Não, refúgio sempre é um caminho de ciclos assim. É, se São Paulo é interessante. Você teve um primeiro, uma primeira fuga nos anos 70 pro Morumbi >> que era afastado na época, >> que era afastadíssimo na época. E aí ele Diz: "Veja, não dá mais para viver nessa
loucura que São Paulo virou. Vamos fugir para as montanhas." Aí eles vieram pro Morumbi. Aí Morumbi cai, né? Nua que você tem essa coleção de casas maravilhosas que não vende baratíssima e no cara não vende, >> barat >> não cai porque ele entende que não. Talvez seja bom. Aí quando muda assim, refúgio não resolve, eles voltam pro centro de novo. Aí volta pros jardins, Pro Jardim Europa de novo. Aí daqui a pouco tem um outro ciclo que acontece nos anos 90, nos 2000, que são os alfaviles, né? >> E aí eles voltam de novo, né?
Porque aí fica difícil. Aí agora são esses condomínios, né? Mas o ciclo é importantíssimo. Você olha esses empreendimentos como Fazenda da Grama, o negócio da Fazenda da Grama é importante, o melhor investimento >> é esse que é esse do da piscina com Ondas. É o cara antes da pandemia, acho que se eu não me engano um terreno custava 700.000. >> É, um amigo meu comprou lá, falou que, cara, valorizou absurdo lá >> 10 vezes. 10 vezes em pouquíssimo tempo. Eh, por conta desse ciclo das elites, né? Mas elas vão e voltam, né? Daqui a pouco
elas vão dizer que não serve mais. >> E o lance do helicóptero e e jato ainda é um >> São Paulo é a cidade do mundo com maior Número de helicópteros. Se eu não me engano, são 440 helicópteros, cara. >> Nenhum lugar. Acho que em Nova York tem metade disso. Eh, e São Paulo é o único lugar do mundo que tem um serviço de gestão de tráfego aéreo só para helicóptero, dada a quantidade de helicóptero, >> que em qualquer lugar o cara que tá lá em Congonhas ajuda a organizar avião e ajuda a organizar helicóptero.
Aqui em São Paulo tinha um número, não sei se é Verdade ainda, tá, mas em 2010, que é o último número que eu tenho acesso, na Vila Olímpia tinha mais ele ponto do que ponto de ônibus. >> O quê? na Vila Olímpia ali pelos anos de 2010 tinha mais ele ponto do que ponto de ônibus. Eh, então, >> e tem uma competição entre os ricos de que tipo de eh helicóptero e que tipo de aeronave tem tipo de jato >> tem a competição de que tipo que helicóptero tem isso aí >> é de que tipo
de jato tem eh se você tem, >> pode ter um jato e ainda ser zoado pelos amigos ricos porque seu jato. >> Isso se você divide ou não, se você conta com serviço terceirizado, se você tem uma equipe toda para te atender que é sua, contratar, >> só quando você voa, ela vai trabalhar. Tem gente em São Paulo que e pras frota de helicóptero e jatinho chega a ter 80 funcionários, >> cara. >> É só para fazer essa gestão, porque imagina, é o mecânico, é o cara que limpa, é o piloto, é turno de piloto,
é aeromoço, é cozinheiro. >> Guarda, eu não sei onde guarda o helicóptero, por exemplo. >> Ah, eu é, >> acho que é campo de Marte, talvez >> tem, tem uns angares do Campo de Marte. >> Tem, tem. E tem também aqui em São Roque, eh, que parece ser >> Santa Catarina, que é o maior fluxo, né, de >> É, é que eu pergunto que ele manja de helicóptero, né? Você já pilotou e tal, mas por exemplo, eu tenho um, eu tenho um helicóptero, eu não guardo, mesmo que eu tiver uma casa grande, eu não guardo
na minha casa. >> Se você tiver um angar, você pode guardar na tua casa. É chamado de ponto zulu. Fora isso, é, tem que ser dentro de aeródromos, tem que ser dentro de Angares específicos para isso. >> Doide. E o Santa Catarina já é o, se eu não me engano, um dos maiores aqui de São Paulo, eh, em gestão, segundo maior. >> O segundo maior e 80% dele é de gente que vem do interior do Brasil e para cá, eh, e já usa o Santa Catarina e deixa o avião lá. >> Inclusive o Neymar, quando
ele vem para cá, para São Paulo, ele deixa o jato dele, o helicóptero dele, ou ele deixa o jato dele, pega o helicóptero e vai para Santos, depois ele volta. >> Ah, então tipo, o cara chega de jato, >> já tem o helicóptero lá, Santos, vai até Santos e depois ele retorna. Olha, mas a vida do rico é diferente nisso, hein? Faz, a gente acha que é besteira, mas faz diferença. >> A dor de cabeça dele é diferente, né? Pô, meu iate lá eu não vou poder pegar agora porque eu >> vou eu vou te
contar uma história. No outro dia. Aí, >> eu queria saber os problemas do que que é diferente. Eles reclamam de alguma coisa? >> Não, reclama, vou te contar. reclama. Eu tava, eu vim, eu tava em Fortaleza e aí lancei livre em Fortaleza, peguei aquele voo horroroso de 3 da manhã que você chega aqui 6 da manhã e eu tinha que dar uma palestra em Ibiúa. >> E aí me botaram o motorista vai me pegar em Congonhas. Eu tava exausto, sabe quando tu deita no banco de trás, vai Com as pernas pro alto assim para ir
dormindo até Biúa? 3 horas até chegar em Biúa. Cheguei em Biúa tem que parecer inteligente, bem vestidinho e aí com a roupa meio amassada, deitei lá, fiquei lá, dei minha palestra, na volta me perguntaram: "Tu quer ir de helicóptero?" >> Ui? >> Aí eu disse: "Ué, como assim?" Eu falei, não dá para eu ir porque eu tenho, eu vou ficar aqui até 7 da noite porque eu Tinha que entrar na rádio, que eu falo lá na CBN, tinha que entrar na rádio, tinha duas reuniões, eu só ia conseguir voltar para São Paulo 7 da noite.
E aí eles viraram para mim: "Não, não, não, vai com a gente de helicóptero". Aí eu falei: "Mas não vai dar tempo, eu tenho rádio agora". Eles falou: Eu falei: "Quanto tempo demora?" Eu tinha demorado 3 horas para chegar em Biúna. 14 minutos >> quê? >> De biúna aqui >> no helicóptero. >> É por isso que os caras t, cara. Olha o tempo que eles economizam. >> 14 minutos. Eu entrei no helicóptero, sem brincadeira. Eu saí de lá, era 2 horas da tarde, eu demorei 14 minutos até o campo de Marte. Eu entrei no meu
carro e fiz a rádio de casa, >> cara >> do meu escritório, porque eu demorei 14 minutos. >> É bem como você, você tá roubando no jogo, né? Mora numa cidade que disse, aí falou: "É perigoso". Eu falei: "Mas querido, olha aqui, é 3 horas num carro à marcha >> é >> ou é com a perna para cima? A chance de alguém bater é muito maior. Alguém fo >> é 14 minutos no helicóptero. 14 minutos. E aí eu cheguei e falei: "A vida do Rico é diferente". Mas eles estavam reclamando. Aí ia num helicóptero desses
Grandes com oito lugares. Aí tinham outros ricos dentro >> e eles dizendo que uma vez foi muito ruim porque eles desceram do jatinho em Guarulhos e por conta de uma dificuldade lá do tráfego aéreo, eh, eles tiveram que ficar esperando dentro do jato porque o helicóptero não conseguia pousar para trazê-los para São Paulo. >> Porque Guarulhos e Faria Lima são 10 minutos, se eu não me engano, de helicóptero >> só. >> Sim. 10 minutos de helicópter. Ideia que era tão rápido assim. >> Muito rápido. >> É. É isso, é 10 minutos, não dá nem tempo
de você sentir medo, >> pá. Eles vão numa linha retona, né? Vai em linha reta. Faz o circuito lá dentro do >> Mas você pode agora, né? Para e oferece serviço de e helicóptero compartilhado, Né? >> Tipo Uber assim. >> É tipo um Uber de helicóptero. Então você pode não faço nem >> 2750 >> para ir da onde? Até onde? >> Do Faria Lima Quarulhos. É 2750. E não tem vaga não, tá? >> Ah, e mesmo assim é competitiv. É isso aí. Oito. E aí você não pode botar suas malas, né? Aí o cara o
cara faz um vida do rico não é tão difícil assim. >> O cara faz é com marca contigo antes, vem um carro, pega as malas na sua casa e as malas vão antes direto lá pro terminal. >> Tem isso, né? Tem um lance do peso. >> E aí você vai depois >> 10 minutos que 10 minutos. >> Maravilha. >> É, então não tem 3 horas preso na marginal para chegar em Guarulhos. >> Os tipos de reclama reclamação então são Essas são esses transtornos. Tive que ficar numa >> é reclama da comida, né? É. >> Pois
é. Fale a última pergunta aí. >> Escolha com sabedoria. >> O Diego ele tá perguntando por a pobreza é associada a barulho. >> Hum, boa. >> Tem a ver, >> [ __ ] Cada vez mais. Cada vez mais. Agora >> de rico é, né? Uma coisa mais Baixo, a moda entre os ricos é o que eles chamam de turismo do silêncio. Eh, você vai para lugar para não ter barulho. E aí eles têm falado muito, eles estão colonizando a Patagônia, sabe? Patagônia chilena aqui. >> Fiz de carro, fui daqui até o a Terra do Fogo.
>> Então tem um lugar que se queira chiquérmo agora que é caríssimo, que eles estão migrando fortemente, chama pata, >> que é um condomínio, >> é que eles vão, que é proibido qualquer tipo de, os terrenos são grandes, então você vai ficar isolado no meio. >> Eh, e é proibido qualquer barulho. Nem bolinha de tênis pode fazer barulho, sabe? >> Nossa, cara. Eh, porque a contemplação no mundo que faz muito barulho, com muita notificação de celular, com muito bagulho, >> consegue >> eh a ideia de eu tenho tempo para contemplar pro silêncio entra como ponto
importante na distinção. E por que que barulho é cor de pobre? Porque a vida do rico é uma vida da da castração, né? É, >> então, rico no enterro não chora, eh, >> não come o que quer. >> O rico não come o que quer. Rico dorme mesmo sem sono, acorda sem vontade às 4 da manhã, porque 5 da manhã é o horário especial, não tem esse golden golden Hour. Rico no enterro não chora, >> não pode chorar >> não, porque não chora. Pobre faz o quê, né? Pobre diz, chora, diz que quer ir junto,
vai me jogar na cova junto. >> Rico não chora. Não chora por quê? Não chora porque é um controle. O que vai marcar a diferença é um controle forte >> das emoções, né? Então aquele óculos escuro, uma cara meio triste, um silêncio, eh porque a a castração mesmo de qualquer coisa que seja desse me Deixei me levar pelo humano, né, pelo natural, é mal visto. Então é por isso que é mais >> você tem que estar num lugar silencioso e achar bom, né? Eh, não pode estar tocando o safadão eh na altura, sabe? praia eh
popular, que é cada um com a sua caixa de som e eles disputando quem faz maior barulho. >> Isso não, né? Você tem que ir pra praia para ficar só ouvindo o barulho do mar. É porque isso é que é chique. >> E a cultura para pro rico é uma coisa também ou o porque você consegue comprar um carro, você consegue comprar um helicóptero, como você compra cultura, como você compra alguma coisa que as pessoas te valorizou para eles, eles não estão preocupados em serem em parecerem cultos também, >> não? as elites brasileiras é eh
usam cultura de um jeito muito diferente dos franceses. Os franceses usam cultura como forma de sofisticação. Então, Fulano que sabe quando ouve uma música, se é bar na ter sei lá qual gravação, pá pá pá, isso é um ponto importante. No Brasil, cara, os caras tratam eh arte e cultura como coisa. Então, esse exemplo que a gente viu aí nas redes sociais, eh, que ficaram criticando a pobre da atriz que comprava livro metro >> 15.000 15.000 É R 15.000 em livro, sei lá. Isso aí tantos metros de livro. >> É isso aí. >> Eh, criticaram
ela por por besteira, porque é normal isso, tá? É normal que o escritório de arquitetura eh famoso desses grandes arquitetos, eh, vá ao Shopping Guatemi ou Jquar, naquelas livrarias mais sofisticadas, >> e compre eh R$ 40.000 R$ 1.000 em livro. Eh, são os livros que vão ficar em cima da mesa. Fala, o livro da mesa é pensado. >> Isso. O table book assim total. Aquilo é tratar o quê? Comprar livro sem abrir. Aquelas pessoas, aqueles livros que estão na mesa, ninguém nunca abriu, ninguém sabe o que que tá escrito ali dentro. Pode estar xx xx
que as pessoas vão continuar comprando. A mesma coisa com os quadros, né? Então assim, o fulano, ele compra a arte como coisa, assim, eh, escolhe o artista pelo tamanho da parede, se combina. Então, eh, com raras exceções, eh, essa sofisticação, esse cultivo do eu que a gente vê nas elites europeias no Brasil Não é igual. Não >> entendi. Vamos então agradecer demais o papo. Vamos para as perguntas finais aqui, porque eu sempre termino com as três perguntas. Agradecer o pessoal aí que que mandou mais perguntas, né? para uma próxima porque eh eh eu desejo muito
que volte porque tem muito mais assunto que ficou de fora. E a primeira pergunta é mais pessoal. Queria saber qual foi o momento Mais difícil da tua vida ou da tua carreira. >> Ah, eu acho que quando eu decidi que eu não queria ser um acadêmico, um antropólogo acadêmico. >> É, quando foi isso? >> Porque isso foi quando eu terminei o mestrado. Porque eu, você imagina quando você começa ali com 17 anos, sei lá, já focado, eu vou ser isso. Sabe quando você tem uma primeira grande desilusão? E que desilusão é essa? Pode ser des
Qualquer tipo. Quando você imagina muito você virar uma coisa e a vida fala assim: "Vem cá, eu acho que você devia fazer outra coisa". >> Tem um amigo meu que que >> a vida não tá nem aí com o teu planejamento, não é isso? >> É isso. Então quando você tem esses momentos, para mim profissionalmente foi isso, assim, nessa hora que eu achei que ia virar, sabe? professor da USP que escreve livro que ninguém entende. >> Sei. >> Eh, eu achei que isso aí era meu destino e chega um momento que eu falo: "Olha, >>
talvez a forma como eu falo, a forma como eu penso serve para mais gente e um outro caminho vai ser dado." Aí então esse foi um momento difícil de eu entender. Caramba, eu não sirvo para isso que eu achei que eu servia. É para que eu s porque você encaminha toda a tua vida para uma coisa e de repente você fala: "Não, não é aí que eu quero Estar." >> É para que que eu sirvo? Para que que eu sirvo? Esse eu acho que é um ponto importante. >> Mas hoje você vê que aquele momento
foi crucial, né, >> cara? Foi crucial. E isso eu digo para todo mundo quando eu vou dar eh mentoria, eu falo: "Cara, eh a vida é um misto daquilo que você quer do que ela quer de você. Ela não é só aquilo que você quer dela, não. >> Se você ficar cego eh em relação à aquilo que ela quer de você, >> eh você não vai dar em nada >> e pode perder oportunidades absurdas. E aquilo que ela quer de você é naquilo que os outros acham que você é bom. >> Pois é. >> Não
é só o que você acha que você é bom, não. Que às vezes o que você acha que você é bom, você os outros não acham. Isso não vai dar em nada. Você pode ter pensado isso na tua carreira. Essa Virada que você dá na tua carreira é isso. Você inventa um podcast e o povo começa a achar que o podcast é maravilhoso. A tua vida é engolida por aquilo, né? >> Pois é. Eu sou desenhista também. Ah, não, não. A gente quer você como é louco. Isso. Eu faço o desenho, eu escrevo o livro
também. É isso. >> E aí ter essa sagacidade às vezes é difícil você entender, né? queria tanto negócio, o quanto de hora que você ficou Lá desenhando, eh, ou fazendo quadrinho para poder ficar tão bom naquilo e o fulano diz: "Ó, eu acho que você é bom para ter um podcast". >> É, >> é isso. É, acho que foi um momento difícil para mim. >> Segunda pergunta tem a ver com uma coisa que eu vou te falar e tem gente que toma susto quando eu falo. Eu espero que você já saiba disso, mas a gente
vai morrer um dia. >> Você já sabia disso, >> tá ligado? Tô >> sabendo. >> Ah, então tudo bem. É mais fácil agora eu te falar, esse programa vai ficar além da gente aqui. Vamos ficar, vamos mandar uma mensagem pro futuro. 200 anos no futuro. Fale com esse pessoal que tá assistindo agora, 200 anos no futuro, quais seriam suas últimas palavras, teu epitáfio? Eu vivi uma vida mais interessante do que eu achei que ia Viver. >> É mesmo? Você não tinha grandes ambições? Eu tive, mas eu tenho uma preocupação minha sempre, eh, de que no
pacote no geral, toda vez que eu olho para trás, eu tenho que achar que tô vivendo uma vida mais interessante do que eu achei que ia ter. >> Pera, me explica isso. >> É isso. Assim, >> por exemplo, eu tô agora, você tá agora aqui, olha para trás e você tem você, Você tem que se forçar a achar isso ou naturalmente >> eu tenho que ter uma análise, uma percepção de que a vida que eu vivo hoje é melhor do que eu achei. Isso não tá relacionado a dinheiro, tá? Não, claro que não. Eu não
entendi. >> Por exemplo, eu conheci eh gente que eu achei que eu não, eu fui a lugares que eu primeiro eu conheço 60 países. >> Eu não eu não achei que ia conhecer 60 países. >> Você não buscou isso? >> Não achei que ia conhecer 60 países. Eu achei que eu ia viajar. Eu eh escrevi o livro mais vendo, achei que ia escrever o livro mais vendido do 2025. Eu eh falo na rádio, eu tô aqui contigo, sabe? Eh, eu participo, eu sempre tenho que achar que eu faço coisas ou eu tô vivendo uma vida
muito além, assim, se crise dos 30, crise dos 40, não tive isso >> não. >> Não, porque eu achei que eu ia ser Menos. E não é menos de novo de dinheiro, é menos de Achei que ia ter uma vida menos interessante. Eh, eu acho que a vida que eu levo, isso aprendi com a minha avó. Minha avó tem 97 anos e aí com 97 anos, a morte ela é um tema mais central, né? não vira uma pergunta assim, ai mande aí no seu YouTube como a gente acha quando responde isso, né? 97 anos essa
questão tá dada. >> É. >> E aí eu falei: "Vó, tem medo de morrer?" Ela falou: "Não". Aí eu falei: "Por qu?" Ela falou: "Eu vivi uma vida mais interessante do que eu achei que ia viver". >> Olha que doideira. >> Então, eh, eu tento buscar isso. Eu sou, eu sou, eu sou, >> eu sou, eu fiz mais coisas do que eu achei que eu fosse fazer. Eu, senão. >> Sim, total. Mas não, mas o lance que que você falou que eu que aí eu eu falei, eu tô acompanhando, concordo com o que tu Tá
falando, que minha vida é assim também, ela tomou uns rumos que eu nunca imaginei, mas o lance da da crise, eu tive as crises, >> eu não, >> mas mais relacionados a, por exemplo, eu tô tendo uma crise agora olhando o meu pai mais velho com 80 anos e vendo como ele tá definhando e falando: "Cara, daqui 30 anos eu tô com a idade dele, cara. E aí, que que eu vou fazer em relação a isso?" Sabe essas crises? ou Quando eu fiz 40 e fala: "Cara, eh, tipo, o tempo tá passando e e aí,
que que eu tô fazendo com a minha vida?" Sabe? Mas não deixando de ser grato, mas é uma coisa tipo que é querer fazer muita coisa, muita coisa e e não e não ter o tempo suficiente, mas sendo grato com o que tá acontecendo. Claro, você não tem uma às vezes uma coisa dessa, >> não. Quando eu >> tá com quantos anos agora? >> Eu 40, >> tá? Quando eu eh tinha, sei lá, quando eu defendi a tese, eu tive um estresse, um pico de estresse e eu tive uma doença autoimune, assim, eh comecei a
ter uma doença autoimune daquelas do do intestino, negócio horroroso. >> Sei. >> E aí eu falei, não sabiam o que que era, né? Quando você tem, sei lá, sangramento assim, pode ser qualquer coisa. E aí o o eu falei, posso morrer agora, pode descobrir uma doença dessa horrorosa. E Aí eu tinha uma pena do sentido de dizer assim: "Cara, eu tenho coisa para caramba para fazer". >> É isso. É isso. >> É. Então, mas com 80 acho que você não tem isso mais não. >> Não, com 80 não. Eu falo: "Meu pai é esse papo
também, não, já vivi muito, não sei o que". Falou: "Cara, >> mas então, mas a gente, que bom que a gente, tomara que a gente viva até a cidade, porque a vida é gênia assim, Você vai se despedindo dela em vida. O ruim de morrer é porque sa loucura que o vale do silício fica aí de que a quero viver para todo sempre vamos viver 120. Tá maluco? >> Mas 200 anos eu toparia bem. >> Tu tá doido. Eu >> bem não. Viver bem de saúde. >> Isso aqui vira isso aqui vira sessão da tarde.
Imagina a minha avó lá. Aí nasceu mais um. Ela não aguento mais ver a gente nascer. Batizado. Não aguento mais Ver um batizado. Casamento vai separar daqui a pouco. Mais um. Não aguento, mas vê gente separando. Morreu. Ai, mais um. Você não >> nem um filme, mas já viu todos os filme? Já vi. >> Sabe por quê? A gente e gosta de achar que a gente viveu em 2025, mas tu vive num mundo que te formou. E esse mundo que te formou é o mundo da tua infância e adolescência. >> É esse mundo que tu
vai levar até o Último dia. A minha avó tá levando esse mundo com ela. Ela tá com 97. Não tem mais ninguém com 97 que ela conhece. Morreu todo mundo. Então o mundo que ela viveu, ela vive sozinha. Porque o mundo das pessoas que ela vive é de pessoas que t no mínimo 15 anos menos que ela. Tu suportaria conviver 24 horas com gente que tem 30 anos menos que você? >> É, então >> é com esse mundo de aqui do teu lado. >> Imagina viver com ele 24 acordar com ele. Ele falando de WhatsApp,
de Tinder, sei lá do que com a a partir do ponto de vista dele, você achando que porre isso, né? Pois é, >> é óbvio que uma coisa você aprender com ele, coisa que ele pode te ensinar e você ensinar, ele não suportaria também viver contigo 24 horas. >> Eu não sei quem disse. Eu vi você falando sobre sobre essa diferença geracional que é mais um lance de Sotaque, né? Cada geração tem um sotaque, né? Um jeito. Isso achei muito legal. A gente leva até o último minuto. >> É, >> é assim, tá todo mundo
no WhatsApp, tá todo mundo eh eh dividindo a mesma tecnologia, mas a tua mãe >> mandando figurinha de boa tarde. Boa tarde. E ela quando era e-mail mandava aqueles PPTs que abriam com o anjo corria, sabe? >> E e a e meu filho usando o celular de Uma maneira totalmente >> totalmente. E tu vai levar isso para sempre. A conexão com o meu filho, eu já tô vendo um gap absurdo, cara. E ele tem 8 anos só. Eu eu eu tô com medo desse negócio virar porque eu eu tô tentando entrar no universo dele. Você
não tem filho? >> Não, >> cara. É, você tem, é, é um, é muito, é um universo e eu, eu sou desse universo, eu não sou do, não sou do digital, mas Cara, é outro universo para, para, >> eu acho que filha gênio, tem que ter filho. Eu, eu, eu, eu não quero ter porque não >> Mas eu acho que eh filha é gênio, porque filho te dá percepção de passagem do tempade. Eu vivo uma vida. É, >> então é é uma, uma das crises veio quando ele nasceu, tipo, >> é >> meu, >> é,
o mundo já é dele, não é mais o meu Assim, tipo, >> é, tem uma, eu não tenho noção de passagem de tempo, porque você fica, >> teus projetos são tão importantes para você, eles são tão centrais para você, que você vive preso num presente eterno. >> Quando você tem filho, você vai, é isso, daqui a pouco ele vai ter a primeira namorada, daqui a pouco ele vai entrar na faculdade, você vai, daqui a pouco ele casa, daqui a pouco ele vai morar fora, você vai vendo tudo isso, você vai Lembrando de você. de passagem
de tempo, filho. É um negócio é muito louco >> que se puder tem. >> É terceira e última é: Qual a tua dúvida atual? Você é um cara que faz perguntas. Qual pergunta você se faz antes de dormir? Fica pensando, perde um tempinho? >> É que que eu vou inventar daqui pra frente? >> É, essa é a minha dúvida. Sabe por quê? >> É, não vai dar pra gente inventar uma coisa só e escrever um livro que deu certo, fez um videocast que é o mais visto do país. >> Por que que a gente tem
essa essa coceira? Da onde vem isso? É porque você vai ficar para trás. >> É, >> imagina o teu pai com 80 anos, ele pode ter feito um grande acerto na carreira >> e aquele grande acerto levou ele até o final da carreira dele, até a hora de Aposentar. >> Ele não entende mesmo essa >> o mundo tá tão acelerado que tu vai ter que ter um acerto quase por ano, né? >> Eu eu tenho feito um cálculo que é de dois em dois anos. >> Então, tipo, não é porque tu inventou esse videocast aqui
que >> é não. Não, você não tem garantia nenhuma que daqui dois anos louco, daqui um ano. É >> nenhuma. E olha que inferno que é isso. >> E a a geração do meu pai não tinha esse estresse. Ele sabia, não, tô na minha empresa, tô garantido aqui 20 anos, ficou 30 anos em lugar. Isso. Meu pai também ficou lá 40 anos no mesmo lugar. E isso dava paz, né? >> Verdade. Verdade. >> Então eu tô sempre preocupado qual é a próxima coisa que eu vou ter que inventar para continuar aí. >> Inteligência artificial, não
sei, né? Obrigado demais, hein? Que papo legal, Cara. Eu tenho certeza que quem quem quem tá assistindo e quem assistir no futuro vai, cara, vai mergulhar nisso, não é? É verdade. >> E aí, que que você tem que falar agora, cara? >> Bom, agradecer demais, né, você que chegou ao final desse vídeo. Se você ainda não deu o seu like, você tá panguando, cara. Então, já deixa aí seu like, se inscreva no canal, torna esse membro. Agradecer também os nossos Patrocinadores, né, >> Energizer, >> Energizer, a a Shell Select e também a G4 Edu. >>
Exato. Tem tudo o link na descrição que reconhe na tela. Agora é o momento que você brilha, Romer. O que que o pessoal escreve nos comentários para para provar que chegou até o final desse papo? Para provar que chegou até o final, coloca aí, ó. Transa burocrática. >> Transaburocrática. O cara foi buscar lá Atrás o papo. Escrevam transa burocrática no papo aí. E redes sociais, então, Michel, onde o pessoal te acha? Onde compra o livro? Eh, >> o livro tá em todo lugar. Eh, toda a livraria aí tem Amazon livraria. Na Amazon rola um desconto
aí se você for Prime, né? Então, o preço tá bem baratinho. Eh, e nas redes sociais é @michelcoforado. Eh, no Instagram principalmente, mas no LinkedIn e eu tenho podcast e agenda, Ah, desculpa, mas antes de falar do podcast, agenda, tipo, eh, lançamento, palestra ou evento, tudo >> tudo lá no Instagram. No Instagram eu acho que é o principal. E tem um podcast que é o É tudo culpa da cultura, que quem gostou do papinho sobre antropologia, eu recebo antropólogos e deixo essa conversa de um jeito fácil. >> Pô, tudo é culpa, >> é tudo culpa
da cultura. >> E é, >> é. Pois é. É. É, >> vou descobrir por lá no E onde tá isso? No no >> no as plataformas de streaming aí todas. Spotify da >> tem áudio e vídeo. >> Tem áudio e vídeo. >> Beleza. Vou atrás vou assistir. Obrigado demais. Recomendo demais esse livro aqui que roubaram o meu agora eu tenho ele de volta aqui. >> Mas se quiser trazer o outro também que >> fiquem com Deus. Beijo no Cutovil. Tchau. Que bom que vocês vieram. Valeu. Fui. >> As opiniões e declarações feitas pelos entrevistados do
Inteligência Limitada são de exclusiva responsabilidade deles e não refletem necessariamente a posição do apresentador, da produção ou do canal. O conteúdo aqui exibido tem caráter informativo e opinativo, não sendo vinculado a qualquer compromisso com a veracidade ou exatidão das falas Dos participantes. Caso você se sinta ofendido ou tenha qualquer questionamento sobre as declarações feitas neste vídeo, por favor, entre em contato conosco para esclarecimentos. Estamos abertos a avaliar e, se necessário, editar o conteúdo para garantir a precisão e o respeito a