O centro do regime iraniano entrou em uma zona de choque e o que se vê agora é uma pressão aberta, dura e cada vez mais perigosa contra o novo líder do Irã. Nos primeiros momentos deste domingo, 19 de abril de 2026, a crise ganhou um tom ainda mais grave, porque a própria base, que sempre sustentou o regime, passou a reagir com fúria, ao que enxergou como rendição, confusão e fraqueza. O que tá em jogo não é só uma disputa política comum.
O que se desenha é uma ruptura interna no coração do poder iraniano. Quem tá no centro disso tudo? De um lado, o novo líder iraniano, que segue em silêncio e sem aparecer publicamente.
Do outro, a Guarda Revolucionária Islâmica, parlamentares, canais ligados ao regime e setores que passaram a atacar os nomes envolvidos nas negociações com os Estados Unidos, onde isso explode emerã dentro do próprio sistema de poder da República Islâmica, mas com reflexos diretos em Ormus, no controle militar das rotas marítimas e na guerra de narrativa que o regime tenta travar para não desabar por dentro. A crise disparou quando o chanceler iraniano afirmou que a passagem para navios comerciais pelo estreito de Ormus estava totalmente aberta durante o período do cessar fogo no Líbano. Esse gesto caiu como uma bomba dentro do regime.
A reação foi imediata. Lideranças parlamentares, comandantes ligados à Guarda Revolucionária Islâmica e canais alinhados à ala mais dura passaram a questionar o anúncio dizendo que aquilo parecia uma entrega da única alavanca real que o Irã ainda tinha diante dos Estados Unidos. Para muita gente dentro da própria máquina iraniana, abrir Ormus sem arrancar uma concessão concreta soou como capitulação.
É por isso que os tumultos ganham um peso mortal e simbólico. Não se trata nessa linha de protestos comuns da oposição. A leitura dominante é outra.
Parte dos que foram às ruas seria justamente a base que sempre apoiou o regime, agora revoltada porque acredita que o comando iraniano recuou, cedeu e perdeu a iniciativa. A fúria não estaria voltada contra um inimigo externo apenas. Ela estaria voltada contra a gente do próprio poder, contra quem falou em negociação, contra quem anunciou abertura, contra quem, na visão desses grupos, entregou posição estratégica sem receber nada em troca.
Como essa fratura aparece? Ela aparece no choque entre a narrativa diplomática e a realidade militar. Enquanto o Chanceller falava em passagem aberta, a mensagem que saía dos canais ligados à Guarda Revolucionária Islâmica dizia outra coisa.
Ormus continuava controlado, restrito e sob supervisão militar. Ao mesmo tempo, comunicados próximos da linha dura passaram a cobrar explicações, denunciar confusão e exigir que o silêncio no topo fosse quebrado. O recado era claro: alguém falou demais, alguém cedeu demais e agora o regime tenta correr atrás do prejuízo.
Essa atenção cresce ainda mais porque ninguém sabe de fato quem tá mandando. Essa é uma das especulações centrais que dominam a crise. O Irã já não parece agir como um governo com um comando único.
O que se vê é a disputa entre vários centros de poder. A ala que negocia, a ala militar, ao parlamento, aos canais ideológicos e todos parecem tentar garantir espaço no dia seguinte da guerra. Quem negociar com os Estados Unidos e sair com aparência de vencedor ganha força.
Quem parecer fraco pode ser empurrado para fora. É nesse ambiente que cresce a leitura de que o regime pode estar escorregando para algo próximo de uma guerra interna entre facções. E a ausência do novo líder só piora tudo.
já faz mais de um mês desde sua escolha, mas ele não apareceu em vídeo, não falou em áudio e não deu ao público um sinal direto de autoridade. Apenas textos foram divulgados. Isso abriu espaço para uma suspeita devastadora dentro dessa linha de análise.
Se ninguém vê o líder, se ninguém ouve o líder, então quem está realmente falando por ele? A especulação já não é pequena. Há quem levante de forma aberta a hipótese de que ele esteja incapacitado, isolado ou até morto.
É uma suspeita extrema, mas o próprio vazio no comando alimenta esse tipo de leitura. Ao mesmo tempo, a posição do chancelé ficou ainda mais fraca quando vieram declarações de Donald Trump e do Comando Central dos Estados Unidos, reforçando que o bloqueio naval americano continuava. O recado foi direto.
Não importa o que Teiran diga, os portos iranianos continuariam sob pressão. Esse ponto é decisivo porque, na visão de quem critica a negociação, o Irã entregou sua principal arma sem mudar a realidade no mar, sem encerrar o bloqueio e sem tirar a economia da crise. Foi aí que a irritação virou ataque político.
Um parlamentar ligado ao regime chegou a dizer que o chancelé enfrentaria processo de impeachment por sua fala nas redes sociais se não fosse o momento de guerra. Outro nome importante advertiu que o Irã está perdendo a guerra psicológica e a guerra de narrativas por não agir com rapidez e por não controlar a mensagem. Em outras palavras, dentro dessa leitura, o regime não perdeu apenas força militar, está perdendo também a capacidade de convencer sua própria base de que ainda sabe o que está fazendo.
A situação ficou mais grave quando a agência Tasnim, ligada ao ambiente do regime, tratou a fala do chanceler como ruim, incompleta e geradora de ambiguidade. que mais voltou a sustentar que qualquer navio que queira passar terá de coordenar a travessia com a Marinha da Guarda Revolucionária Islâmica. Depois disso, o presidente do parlamento entrou em cena para atacar Trump, negar a ideia de abertura total e afirmar que as regras de Orm seriam decididas no terreno e não nas redes sociais.
Isso mostra um regime que se contradiz em público, tenta pagar o que disse horas antes e revela ao mundo inteiro que sua cadeia de comando está rachada. Há ainda outra suspeita explosiva nessa história, a de que parte da comunicação digital do alto escalão iraniano estaria sendo conduzida a partir dos Estados Unidos por alguém profundamente familiarizado com a cultura americana. Isso amplia a sensação de hipocrisia e decadência.
Enquanto o regime fala em resistência e sacrifício, seus quadros e seus círculos mais próximos seriam protegidos longe do caos que ajudaram a produzir. Paraa população que vê inflação, medo, isolamento e sangue, isso pesa muito. No fim, o que essa crise mostra é simples e brutal.
O regime iraniano parece menos uma máquina coesa e mais um bloco rachado, nervoso e desconfiado de si mesmo. O que acontece é uma luta interna por poder. Quem trava essa luta são a Guarda Revolucionária Islâmica, o comando político e os negociadores.
Quando isso explode, é agora depois da fala sobre Ormus e do silêncio do novo líder. Onde isso se concentra é em Teeran e no eixo militar de Ormus. Como isso avança?
é pela contradição pública, pela raiva da base e pelo ataque entre facções. E por quê? Porque a sensação de rendição abriu uma ferida que o regime talvez já não consiga fechar.
No fim, o Irã entrou num estágio ainda mais sombrio. Não é mais só pressão externa, é colapso interno. E quando a Guarda Revolucionária Islâmica passa a agir como centro real da Autoridade, a cobrança pela saída do líder deixa de soar como rumor distante e passa a soar como sinal de que o topo do regime pode estar balançando de verdade.