Olá, olá. O tema do vídeo de hoje é: por que que debate de um contra 30 na internet isso aqui foi feito para falhar? Então vamos lá, gente.
Quando tu entrou na internet a primeira vez, eu não sei se vocês lembram quando vocês entraram, mas a primeira vez que eu entrei foi nesse site aqui da NBA. com e foi mais ou menos ali no fim de 95 ou 96. E aí, cara, a internet tinha uma promessa muito bacana que era dar acesso à informação para todo mundo, era permitir um debate mais aberto, mais democrático, tinha ali uma promessa de evolução da sociedade, né?
Aquela ideia ali de que pessoas diferentes poderiam trocar ideias de forma livre e com isso eles iam melhorar o entendimento coletivo da realidade. E aí eu tava vendo o debate com meu amigo Humberto Matos contra 13 capitalistas. Na verdade, eu não sei se o Humberto Matos é meu amigo, mas eu sou amigo dele.
Fica aqui minha declaração de amor. E aí ele vai discutir com os cara cheio de testosterona aqui. E isso mostra, né, cara, o oposto desse negócio que eu tô falando.
Porque o que a gente vê hoje é uma falha estrutural no nosso debate público, porque esse modelo dominante de discussão na internet, ele não produz conhecimento. Na minha opinião, ele faz o contrário. Ele destrói a capacidade da gente entender a realidade.
Fica uma coisa ali rim contra 35 homens, uma coisa ali meio two girls and one cup e não vai ganhar quem tem o melhor argumento, vai ganhar quem faz mais barulho, quem humilha mais, quem chama mais atenção. O cara ali mais machão e que grita mais alto, geralmente vai ter vantagem. E aí, cara, os debates tem interrupção constante da galera, tem uma falta de profundidade, né?
tem aquele conflito todo desorganizado, fica aquela falta de continuidade de ideia, tu fica querendo ouvir a ideia da pessoa, mas ela não tem conclusão de outro cara fala, não tem conclusão também, a gente fica nessa loucura. E aí no lugar de uma argumentação lógica, entra uma espécie de performance agressiva ali, né? No lugar de dados, no lugar de análise, vai entrar a narrativa emocional, né?
no lugar ali de uma discussão, de um diálogo, entra ali uma disputa por atenção. Só que isso, cara, não é um erro, não é um desvio, porque a gente não pode olhar as pessoas só como mal educadas. A gente precisa entender um pouco sobre essa estrutura econômica por trás disso tudo, né?
Porque o que mudou, cara, foi o modelo de negócio de comunicação. A gente tá vivendo hoje no que a gente chama de capitalismo, de plataforma. E nesse modelo aqui, cara, a atenção humana ela virou mercadoria.
Assim como tu tá assistindo esse vídeo aqui, tu tá curioso para saber onde eu vou chegar com esse treco que eu tô falando aqui para vocês, né? E ainda por cima, as grandes plataformas, elas funcionam como monopólios, né? Elas não foram criadas para melhorar o debate, elas foram criadas com uma forma de extração.
E o que que essas plataformas estão extraindo, sugando assim, ó, o tempo todo? Bem gostoso. Elas estão extraindo a atenção e não apenas a atenção, né?
A tensão em grande escala. Essa aqui é a parada. E quanto mais tempo tu fica assistindo, tu fica comentando, fica reagindo, mais valor tu tá gerando.
E posso falar a real, por mais que vários de vocês curtam meu conteúdo aqui, a real é que isso, né, independe, cara, da qualidade da informação que é passada pelas redes, independe também, cara, do impacto social, né? Porque se dependesse de impacto social, a gente não teria aí gente tomando banho de Nutella. Banha de Nutella já saiu de moda aí faz um tempo, né?
Mas enfim, independe também, cara, da verdade do conteúdo. Claro que se tu for uma máquina de fake news, talvez um dia ali teu canal caia, mas isso não é uma regra. Então o sistema ele só quer saber aqui de uma coisa de retenção.
E esse cenário vai se conectar de forma direta ali com a sociedade do espetáculo, que foi ali, né, formulada pelo nosso amigo Guide Bor, que inclusive tem aula no meu canal ali na área de membros. E o conceito do Gu debor é muito simples. Falei inclusive no vídeo lá sobre o Mr Beast.
Pensa, antigamente a gente vivia a realidade entre pessoas. Tava eu e você aqui trocando uma ideia, só que isso aqui deixou de acontecer, meu amigo, e agora a realidade passa a ser vivida aqui por uma representação. Tá aqui o Felipe na tela falando as coisas dele, um gato passando lá atrás e mostrando uns trecos lá na tela.
Então é isso que tu tá vendo nesse momento aí, né? Só que no caso da internet e dos debates, né? Os dois carinhas ali debatendo, isso aqui não é feito para gerar, né, um entendimento.
Se a gente dissesse isso, seria falso, né? Então, não é isso aqui. Isso, na verdade é feito para parecer um debate.
É o famoso sabor debate aí que todo mundo tá falando agora na internet. Então nós podemos resumir isso como entretenimento baseado em conflito. E o conflito já começa no título.
O nosso maneazão aqui, macho alfa versus 30 feministas, comunista versus capitalista, cristão versus macumbeiro. E daqui a pouco tá faltando aí um sem teto versus ali 30 investidores imobiliários. Daqui a pouco vai ter aí um cara que mija levantando a tampa da privada versus 30 que não levanta.
Daqui a pouco vai ter um porteiro do prédio versus os moradores do próprio prédio. Então é uma loucura, né? Porque fica uma espécie de simulacro aqui de debate intelectual.
Esse cara tá sendo colocado num patamar aqui de um intelectual debatendo alguma coisa. Isso é uma loucura e nem preciso dizer que não funciona como debate intelectual. Então isso é desenhado para o espetáculo, quase como uma arena ali, vai vencer quem gera mais impacto, quem fala mais alto, quem humilha mais o coleguinha.
E não vai importar tanto se o argumento faz sentido. O que importa ali é o momento, é gerar uma reação, é prender a atenção da galera, é produzir ali um corte viral. E o resultado é direto, né?
O debate deixa de ser um espaço de construção de conhecimento. É um produto otimizado para engajamento só. E é sobre essa loucura que a gente vai discutir aqui nesse vídeo.
Mas tem um lugar, cara, que tu pode debater com alegria e tranquilidade. Ninguém vai gritar contigo lá, que é a nossa área de membros do canal. Muito obrigado, capirotos, corotes azuis, malafaias.
O apoio de vocês, como vocês sabem, é fundamental para que eu continue esse trabalho aqui, para que eu continue mergulhando aí nos mares mais insalubres dessa internet. E se você quer receber os vídeos do canal com antecedência, até uma semana de antecedência, poder sugerir também próximos vídeos. E ainda, cara, receber vídeos exclusivos, inclusive minicursos aí com as bases filosóficas do canal, tem um botãozinho abaixo do vídeo, começa com cincão por mês.
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E vamos tocar a ficha aqui. Então vamos lá, gente. Para que a gente entenda melhor o que diabos está acontecendo, a gente precisa olhar pra base econômica das plataformas.
Porque o Dallas Smith aqui, ele já apontava isso lá nos anos 70. E ele falava assim, ó, imagina o cineminha aqui e a pessoinha assistindo o filmezinho. E ele vai falar o seguinte, vou deixar dentro da tela aqui, o produto real da mídia não é o conteúdo.
Não é o conteúdo desse produto aqui. O produto, na verdade, é a audiência. Ou seja, quando você tá assistindo algo aqui, você não é só consumidor.
Na verdade, você é o que está sendo vendido, porque o seu tempo, a sua atenção e o seu comportamento, isso vira mercadoria. Só que hoje isso tá muito mais avançado, né? Nosso amigo aqui morreu em 92.
Ele não viu a doideira que acontecer, porque naquela época lá eles vendiam para um público geral, né? o cara ia botar o treco lá pra galera ver na TV, pessoal ia assistir e aí de formas indiretas eles iam medir ali os impactos, se deu bom na venda de um produto ou não, né? Tinha o famoso Ibope ali para saber o alcance de um programa, mas era uma análise muito mais indireta.
Mas hoje a gente tá vendendo, né, para perfis aqui individuais. E aí ele sabe o que que tu gosta, quanto tempo que você assiste, o que que vai te irritar, o que vai te prender. Por exemplo, você assistindo o meu conteúdo aqui e assistindo ele inteirinho, o YouTube vai saber.
YouTube vai falar assim, ó: "Esse cara que tá assistindo aí, ele tá assistindo o Felipe o vídeo inteiro, pô, esse outro cara fala uns paranauê parecido aí, vamos mandar esse cara para ele também, ele tem uma chance maior de ficar preso aqui no YouTube. E aí cada clique que tu faz, cada comentário que tu faz, cada segunda aso dados e esses dados vão ser usados para prever teu comportamento e manter você aqui engajado. E é daqui que sai a lógica da extração de valor da atenção.
Porque não se enganhe, meu amigo, você me assistindo aqui, você não tá só consumindo conteúdo, tu tá trabalhando de graça também. Então tem uma troca, tu tá consumindo ao mesmo tempo trabalhandinho, porque o seu tempo ele gera valor econômico aqui na plataforma. E para esse sistema funcionar, tem uma exigência central, como eu falei antes, é necessário reter atenção o máximo de tempo possível.
E é justamente, cara, nesse ponto que a tecnologia aqui ela vai encontrar a magia, né? Tô brincando, não é magia, é psicologia. E tem pesquisas como essa aqui que vão mostrar aí que conteúdos que geram emoções fortes, isso tem mais engajamento, principalmente aí medo, raiva, indignação também, ainda conflito entre grupos.
E essas emoções vão fazer você comentar mais, vão fazer você compartilhar mais, vão fazer você assistir por mais tempo. E eu também, tá? Eu sou consumidor do YouTube, tô vendo coisa direto aí.
e pensa assim, a polarização, então você concorda comigo que isso é um efeito colateral? Na verdade não, né, cara? A polarização ela é um combustível, porque quanto mais hostilidade entre os grupos, mais engajamento o sistema vai gerar.
E os algoritmos não têm compromisso com verdade ou qualidade. Os algoritmos não tão pensando no conteúdo, pelo menos não ainda. Eu acho que tecnologicamente está próximo de chegar aí, mas se eles vão ter interesse, vai ser outra história.
Mas os algoritmos estão interessados em otimizar números. Eles vão analisar aí as bilhões de interações que a gente tá fazendo e eles vão aprender. E aí do aprendizado eles vão ver o que prende mais atenção é priorizado e o que não prende vai ser descartado, obviamente.
Então o que eu quero dizer na prática é que isso significa que o sistema ele aprende sozinho, né? Ele vai aprender sozinho mesmo, cara, que o conflito ele funciona melhor que uma explicação. Ele vai entender que um ataque funciona melhor que um argumento, por exemplo.
Ele vai entender que simplificações elas funcionam melhor que análises. E eu, com a minha experiência aqui no canal, eu vejo isso claramente, cara. As pessoas que reclamam e xingam nos comentários são aquelas que não necessariamente assistiram o vídeo e muitas vezes elas não entenderam o vídeo, porque muitas vezes eu entro aqui em conceitos mais complexos, né?
Então a gente cria esse ambiente onde o debate racional ele perde espaço e aí o comportamento impulsivo vai dominar. E a psicologia, a gente pode explicar isso aqui com dois modos de pensamento, vai, que seria uma espécie ali, né, de sistema um, que é mais rápido, mais emocional, mais automático também, né? E a gente vai ter um sistema dois que vai ser aquele mais lento, aquele analítico ali, aquele mais racional.
Só que o problema, cara, é que o modelo das plataformas, ela depende do sistema um. E ela depende do sistema um, porque isso aqui gera uma reação imediata, né? E o sistema dois aqui, ele vai existir esforço, ele vai demorar mais, ele vai consumir mais energia da galera e por isso ele vai performar pior dentro dessa lógica do algoritmo.
Então o resultado final ele é muito simples, né, que o sistema ele é otimizado para reduzir a capacidade de reflexão. E não porque alguém decidiu isso de forma explícita, mas porque isso tá gerando mais lucro. Então a gente vê esse debate aqui, cara, ele não tá falhando, ele tá funcionando exatamente como o modelo econômico exige.
E esse modelo que eu tô falando aparece de forma cabal aqui, porque esse é o formato que tá vingando mais, porque ele não vai ter um custo gigantesco para se fazer, tipo os vídeos lá do Mr Beish, por exemplo, mas vai gerar um resultado excelente, 2. 8 milhões de visualizações, esse aqui, por exemplo, né? Isso mostra que o debate foi transformado em espetáculo.
E o primeiro ponto é a própria estrutura disso aqui, né? Porque o formato ele já nasce desigual, né? Uma pessoa precisa responder várias pessoas ao mesmo tempo e ninguém tem tempo suficiente ali para desenvolver um raciocínio.
Então isso impede ali um aprofundamento, uma continuidade, uma construção lógica das coisas. E o objetivo, obviamente, que não é chegar numa conclusão, é gerar momento de tensão. Ó o nosso amigo aí que participou de 820 debates e é assim que as coisas vão andar.
E aí esses momentos de tensão eles vão ser usados depois aí como cortes, né? Corte curto ali para YouTube Shots, para TikTok, para ReS. Bom, um formato longo desse aqui de 1 hora 23, tu consegue gerar uma porrada de corte aí.
Então, resumindo, né, o debate ele é pensado como uma matéria prima para viralização. Só que quando a gente analisa conteúdo dos debates, a gente vai ver alguns elementos acontecendo sempre. Primeiro elemento, cara, e esse me irrita demais, mano, é uma substituição de análise estrutural por histórias pessoais.
Tipo isso aqui, ó. >> Cara, eu tenho uma uma notícia no meu celular que eu postei no Twitter, dos caras de 1970, eles falando: "Daqui 10 anos o nível do mar vai estar 2 m acima, a cidade de Nova York já não vai estar". Isso foi publicado no jornal para todo mundo ou ver há 30, 40 anos atrás e o o mar não subiu.
Pô, >> outra aqui, ó. >> Eu tenho uma primaçar ela, minha tia não deu a vacina e ela tem hoje problema da parálisia infantil, foi a única que não tomou da família. Mas eu acho não.
Inclusive eu conheço um amigo meu que a filha que a filha dele tomou a vacina e teve um problema grave, sequela grave e hoje em dia ainda não recuperou. Aqui tá quente. >> Aqui tá quente, mas aqui quando o rio sobe, a água sobe, a larga todos que é lugar de quando chove muito sobe a água mesmo.
Verdade. >> Isso. Então é isso, né?
Muito argumento que o cara viu ali pessoalmente no celular aí no caso do Monarque e ele vai transformar isso em argumento geral, né? A filha de não sei quem que tomou vacina e ficou com problema. Então assim, muitas vezes quando alguém tenta ali explicar um problema de forma estrutural, né, usando dado análise econômica, a resposta vai vir ali em forma de experiência individual.
E aí a gente vai ter esse argumento, por exemplo, do Humberto aqui. >> Como é que você explica então que hoje a gente tem mais casas vazias no mundo do que gente? Como é que você explica hoje 9 milhões de pessoas morrerem de fome por ano, sendo que a gente produz muito mais comida do que a humanidade inteira consegue e precisaria?
Issos são dados históricos. >> Perfeito. Eu explico da seguinte forma.
A gente vai ver que o ser humano em si, ele é egoísta e isso aí vai independer do socialismo ou do capitalismo. >> E aí vem esse dado do nada. Ah, o ser humano é egoísta por natureza.
E na verdade o ser humano ele tem as duas coisas. Ele tem o egoísmo e tem a capacidade de cooperação. Só que isso depende do contexto.
Inclusive, a gente tem livros chamados A evolução da cooperação do Robert Exrood, que vai falar que a cooperação ela surge normalmente entre pessoas egoístas e estratégias cooperativas venceram a longo prazo, ou seja, era quase impossível sobreviver sozinho. Então, resumindo a pesquisa dele, é que cooperar é vantajoso evolutivamente. Tem outras fontes que vão entrar nisso também.
O Better Angels for Nature do Stephen Pinker também tem também o Humankind do Hotgare Bragman. Vai desmontar também essa ideia de que o ser humano é naturalmente egoísta. E tem até estudos aí do Michael Tomacello, que vão ser estudos ali em cognição social com bebês, que vão mostrar que os bebês se ajudam espontaneamente e eles ajudam sem recompensa e sem aprender nada antes.
Então, como que o ser humano é egoísta por natureza, [ __ ] Só que aí nessa rinha de galo não dá tempo de mostrar os livros que eu tô mostrando aqui, né? Então o cara manda uma afirmação forte: "O ser humano é egoísta por natureza. As pessoas vão lembrar ali das vezes da vida que foram egoísta e isso se transforma num argumento.
Vai ter outro que vai usar esse argumento aqui também. >> Eu vendi bala no farol. O que mudou a minha vida foi o estudo, >> né?
A história pessoal dele. Vendi bala no farol e consegui. Maravilha!
Parabéns para ele. Mas isso é uma história pessoal, não é uma análise estrutural. Então são respostas que não falam com a estrutura dos problemas, elas mudam o foco pras pessoas.
Isso fica tudo no mesmo patamar de hierarquia ali de importância. E aí pensa uma coisa, cara, as histórias pessoais elas são mais rápidas de entender, né? Elas são mais emocionais, né?
Pô, tu fica feliz pelo cara aqui e isso fica mais fácil de engajar também. E aí quando surgem termos mais técnicos, tipo classe trabalhadora ou burguesia, por exemplo, vai surgir ali uma rejeição imediata, porque o cara não sabe o que que é burguesia direito, ele acha que é burguês também. E aí o Humberto tem que falar para todo mundo ali, tu é trabalhador, tu é trabalhador, para todo mundo que senta na cadeira ali, né?
E a definição estrutural de trabalhador é quem não possui os meios de produção e quem precisa vender o seu tempo para sobreviver. E isso vai incluir assalariado, isso vai incluir autônomo, isso vai incluir pequenos empreendedores. E isso é, cara, mais ou menos 90% da população brasileira.
E a reação comum das pessoas é muito emocional, né? Eu não sou trabalhador, eu sou empreendedor. Eu, por exemplo, sou um burguês empreendendo no YouTube, não, né, [ __ ] Eu sou trabalhador também.
E aí eles vão falar assim: "Todo mundo que trabalha é capitalista". Então isso mostra, né, um efeito muito importante que os termos eles deixam de ter significado técnico no debate e eles passam a ser usados como identidade. O debate poderia ser legal, mas o Monarque não sabe que é propriedade privada.
Aí os caras vão ficar ali 40 minutos discutindo isso e o Monark não vai aceitar ele receber ali um aprendizado porque ele aceitou o aprendizado no ambiente público, isso significa uma derrota para ele. Então isso é muito ruim, né? Então resumindo isso que eu falei agora, é uma confusão sobre conceitos básicos, né?
Nem todo mundo vai entender todos os conceitos. Então o ideal seria que todo mundo entendesse ali para falar. E vão ter alguns casos, cara que necessita de psicotécnico mesmo, tá?
Não vou apontar deles, mas tinha que pedir para uns caras ali desenhar uma árvore, por exemplo, desenha a arrvorezinha lá, né? Se o cara desenhar a árvore, por exemplo, sem chão, tu já sabe que o cara ali pode ser meio biroleab das ideias. Outra questão que a gente vai ver que é muito importante, cara, que a agressividade como estratégia, né?
Como o sistema que a gente viu, ele favorece uma emoção forte, a agressividade ela vira uma ferramenta bem eficiente, >> exemamente ruim, não trabalha. O dono do mesmo é uma gritar. E outra coisa é a queda do nível do debate, porque ao invés de discutir ideia vai aparecer frase tipo essa aqui, ó.
>> H, porque eu estaria sendo desonesto com você. Porque países que colocaram o comunismo ou o socialismo ou qualquer espécie dessa doutrina espura e satânica, é, também já ficou a mesma porcaria. >> O cara já meteu ali um satangos no argumento, né?
Ao invés de discutir, deve aparecer frase ali, tipo, comunista vagabundo, isso é coisa de fraco. Falta testosterona também, tipo isso aqui, ó. >> Ô, você é mal educado, hein, mano?
Por favor, cara. Aqui ninguém foi mal educado não, cara. Entendeu?
Tô tratando todo mundo com respeito. Que que é isso, cara? Te assustou?
>> [ __ ] Rumberto, vamos botar o Humberto aí para falar com o Cariane. Mas enfim, né? Uma fala que não tem valor argumentativo nenhum, mas na lógica da plataforma isso funciona, porque ativa ali uma identificação de grupo.
Pô, né? Se eu tô com a testosterona alta, eu vou achar a massa. O argumento do cara gera uma identificação com aquele grupo ali, ativa também o conflito, [ __ ] dentro testosterona baixa, então não curto o cara, né?
Gera uma reação emocional. Outra coisa que é [ __ ] também, normalização de posições extremas. E o ponto mais grave aparece quando ideias ali extremamente problemáticas elas entram no debate como se fosse só mais uma opinião, tipo defesa de regime autoritário como aqui.
>> E acho que o herói nacional que a gente tem que exaltar aqui é o coronel Brilhante Ustra. Sabe por quê? Porque ele tirou a gente da ditadura do proprietariado e realmente >> cara.
E só para deixar claro quem foi o Ustra, ele chefiou o Doicódia de São Paulo entre 70 e 74, órgão responsável por repressão, por prisão, por interrogatório, acusado ali de tortura, violência física, psicológica também. E ele era basicamente o símbolo de tortura. E esse cara não foi preso, tá?
Ele se safou por causa da lei da anestia de 79, que protegia ali aquela galera ligada à ditadura. Então, quando um cara desse elogia uma figura ligada à violência estatal, o debate tinha que acabar aqui, tá? Não tem mais discussão.
Mas na lógica da plataforma vai acontecer o contrário, né? Porque esse tipo de fala gera um impacto ali, choca, gera uma indignação, aumenta o engajamento no fim das contas. Tá o nosso amiguinho cheio de testosterona dando risadinha aqui, ó.
Então, quanto mais extremo, mais alcance. Então o debate ele é construído para impedir aprofundamento, para favorecer emoção, para gerar conflito constante. E o resultado é um ambiente que o conhecimento não consegue se desenvolver, cara.
O espetáculo vai dominar tudo. Só que tem uma outra questão sobre algoritmo do YouTube que ele tá sempre mudando, né? Ele tá sempre se atualizando.
E antigamente ele priorizava algumas coisas, né? Priorizava antigamente, por exemplo, o CTR ali, né? A quantidade de clique por visualização ali da TAMB, né?
por exemplo, ele priorizava também o tempo total assistido, só que hoje o foco principal é diferente. Hoje é mais sobre satisfação do usuário e retenção ao longo do vídeo. Então isso significa que YouTube analisa não só o que tu clicou, o algoritmo também vai olhar o quanto que você ficou ali no conteúdo, se você saiu rápido, se você continua assistindo ali outros vídeos depois.
Então vai ter ali, né, a duração média de visualização, né, o algoritmo vai observar o quanto do vídeo a pessoa tá assistindo e se muita gente sai nos primeiros segundos, o vídeo vai perder força. E aí se a galera fica até o fim, o vídeo vai ganhar a distribuição. Só que não basta ter uma visualização alta, o importante é manter também a tensão de forma constante, né?
Porque se muita gente tá assistindo e o treco cai rápido aqui, dá ruim. Então, tu tem que tentar manter algo mais plano aqui, algo nessa linha aqui. E tem uma outra coisa chamada também de contribuição de sessão.
E o que que significa isso, cara? Essa é uma das métricas mais importantes hoje. E a pergunta é muito simples.
Depois de eu assistir o vídeo desse cara, a pessoa continua no YouTube ou ela sai? Porque se o vídeo ele leva as pessoas a assistir mais conteúdo, isso significa que esse conteúdo vai ser valorizado. Diferente dos meus vídeos aqui, cara assiste e fica puto, não quer ver mais nada e é por isso que eu considero que eu não tenho tanto view.
Mas tem uma outra questão que eu acho que é importante que o meu canal, por exemplo, vai bem, que é a qualidade do engajamento. Porque pensa uma coisa, cara, nem todo comentário ele vale igual. No passado, sim, mas hoje o algoritmo aqui ele tá observando um monte de coisa mais, né?
Comuná hoje tem muita possibilidade aí de análise. Então ele tá olhando, por exemplo, ali comentários longos, né? Tá vendo também respostas entre os usuários, tá vendo ali os compartilhamentos também e tá vendo quem tá salvando, né, os salvamentos.
Então isso indica envolvimento real, não só uma reação ali impulsiva. E esse formato funciona bem por alguns motivos específicos, porque a gente tem primeira coisa CTR alto, né? Aqui a gente olha a TAMB, por exemplo, a gente já vê que vai ser um campo de batalha o bagulho.
Então isso já gera muito clique, chama atenção de forma muito rápida ali, chama também grupos diferentes de pessoas, né? É o Humberto chamando a galera dele, é os cara aqui chamando a própria galera também. Então isso já traz, né, grupos ali para assistir o conteúdo e as pessoas vão continuar assistindo ali, esperando uma briga, uma humilhação, um momento tenso e isso cria ali um pico constante de atenção.
Como eu falei também, né, vai gerar muito corte curto. Esses cortes vão viralizar, vão trazer novas pessoas, vão alimentar ali aquele ciclo de audiência. Só que apesar disso funcionar no curto prazo, isso tem limitação.
Assim como o podcast a gente já vê aí, né, problemas no modelo, porque um dos problemas vai ser assim, ó, uma atração de audiência de baixa qualidade, né? Porque esse tipo de conteúdo, ele vai chamar a gente ali que quer conflito, que não vai buscar ali aprofundamento, que não quer vínculo com o canal ali. Vai ter uma vai ter ali uma baixa fidelização, porque a pessoa assiste pelo momento, não pelo conteúdo, não é pelo criador de conteúdo.
Então o cara não necessariamente vai voltar ali para aprender mais e também não tem uma construção de comunidade. Isso aqui não gera uma discussão real, né? É uma reação rápida e superficial também.
Então assim, esse formato funciona bem porque ele tá do lado mais imediato do algoritmo, mais ligado ao comportamento impulsível da galera, mas ele não vai sustentar aprendizado, não vai sustentar aprofundamento, não vai sustentar construção de público sólido, diferente do que eu venho fazendo aqui, né? Eu tô aqui na minha tosqueira, mas sou eu, tu vai vir aqui, vai est sempre eu aqui. A gente vai trocando essas ideias, essas resenhas aí e vai construindo nessa comunidade massa que tem aqui no canal, que eu arrisco dizer que é a melhor da internet, tá?
E quem não curtiu, vem pro pau. Mas beleza, eu reclamei para [ __ ] aqui, vocês sabem. Mas como que a gente consegue construir um formato que realmente gere conhecimento e ainda funcione no algoritmo?
Porque uma coisa é gerar conhecimento, outra coisa é funcionar no algoritmo, né? E aí eu vou dar umas ideias aí, ó, para vocês montar o de vocês. Aí se vocês quiserem montar um formato novo no YouTube, vocês testam aí.
se der errado, não vem me encher o saco. Mas uma ideia massa seria assim, ó, sair do confronto e entrar na investigação, porque o modelo de hoje em dia funciona como debate, né? Um lado tentando derrotar o outro o tempo todo.
E isso ativa ali, né? Aquela reação emocional da galera imediata, vai bloquear uma reflexão e tá eu lá torcendo pros meus amigos, outros caras torcendo pros amigos dele lá. Então, se mudasse o formato para uma espécie de investigação, ao invés de começar atacando, o conteúdo, poderia ali começar explicando bem o argumento oposto do cara e de forma clara ali, sem distorcer, o que seria difícil.
Mas a ideia seria reduzir aquela rejeição inicial, né? A pessoa não vai se sentir ali atacada logo no começo, ela vai continuar assistindo. Aí vamos dizer que o vídeo depois avança para uma análise mais profunda, vai mostrar ali os limites, as contradições, os dados.
Então, na prática seria assim, ao invés da galera cair na porrada aqui direto, como tá acontecendo, a ideia seria analisar um dado ali antes e aí tu vai construir o argumento para refutar e refutar com uma base estrutural. Então isso ia melhorar a retenção, a compreensão da galera, uma abertura ali para novas ideias. Talvez uma ideia interessante também seria usar ali pontos de convergência, porque penso, o debate já começa ali na pancada, né?
E obviamente que vai afastar quem pensa diferente. Então uma alternativa seria aí começar pelo que as pessoas já concordam, por exemplo, né? Vamos imaginar pontos comuns aí que todo mundo concorda.
Pô, o custo de vida tá alto e aí poderia ter uma investigação dos dois lados sobre essa questão, uma espécie de si saia ali. E aí eles vão pensar, por que que o custo de vida tá alto, né? Ou por exemplo, sei lá, por que que tá todo mundo vivendo uma insegurança econômica?
Por que que todo mundo tá com dificuldade de acesso à moradia, né? Esses são pontos ali que a maioria das pessoas vai concordar. E aí o conteúdo vai poder avançar ali para explicar, por exemplo, uma causa estrutural, para mostrar ali como esse problema é produzido e talvez isso mantenha bastante gente assistindo e talvez aí permita introduzir ideias mais complexas, ideias mais complexas sem uma rejeição ali imediata.
Outro ponto aí, transformar o público em participante, né? Porque hoje a audiência é passiva, ela assiste, tá reagindo ali só. Mas talvez seria interessante ali forçar uma participação ativa da galera, né?
Por exemplo, durante o vídeo, tu cria momentos ali para pergunta pra moçada. É uma perguntinha bacana aí, sei lá, se toda a riqueza fosse distribuída conforme o trabalho delas, o que sobraria para formar as grandes fortunas? Uma perguntinha dessa aqui faria a galera dar uma parada, dar uma pensada e ela deixa de só consumir.
E aí isso pode gerar ali comentário mais longo, gerar discussões reais ali nos comentários. A galera vai ficar mais tempo dentro do vídeo ali lendo comentário, discutindo. Outra possibilidade também, conteúdo curto como porta de entrada e não como fim, né?
Vou colocar entre parênteses aqui e não como fim, porque hoje os cortes curtos funcionam como produto final, mas talvez eles funcionem bem como porta de entrada. também, porque o conteúdo curto pode mostrar ali uma contradição clara, né? Gerar uma pergunta forte, deixar algo em aberto e aí direciona lá pro vídeo mais longo.
Então o corte pode mostrar ali o aumento na produção de alimento e aí mostra ali o aumento da fome também e isso termina ali com uma pergunta e aí a resposta completa tá no vídeo principal. E aí isso vai aumentar a retenção, vai melhorar ali a qualidade dos comentários também e vai aumentar o tempo de sessão. Então, ao invés da gente depender só de choque de conflito, o conteúdo passa a gerar ali um envolvimento real e que engrandeça mais a sociedade aí.
E ao meu ver, o problema não tá só no formato do debate, tá na forma como ele foi adaptado ao sistema, né? Porque a solução não vai ser sair da plataforma, mas é usar a plataforma de forma mais inteligente, o menos combate direto e mais construção, mais participação, mais continuidade. Mas uma coisa que eu quero tirar da frente é que a queda na qualidade do debate público, isso não aconteceu por acaso.
Isso não é falta de inteligência da galera, é só comportamento individual de todo mundo, né? resultado de um modelo econômico, porque a plataforma tá lucrando com reação rápida, com conflito, com estabilidade emocional da galera e tudo isso aumenta a retenção. E aí agressividade, simplificação extrema das coisas, ataque pessoal, distorção de ideia, isso não é erro do sistema, isso é o que faz o sistema funcionar.
E esse formato aqui não existe para produzir conhecimento. E não tô querendo atacar ninguém que participa, tá? Curto aí o Santinelli, curto aí o Humberto, curto toda essa galera.
E cara, no fim o que tá em jogo não é só o conteúdo, tá? é a forma como as pessoas estão entendendo a realidade. E, cara, o entendimento tá ruim, tá?
E aí, se o debate continuar sendo só espetáculo, o conhecimento vai continuar se perdendo. E agora quero saber o que que você pensa sobre isso. Tu curte aí um debate?
Tu não curte debate? Tu curtia mais um começo, agora não aguenta mais ver. Eu fui um que assisti vários, cara, e hoje não aguento mais.
assistiu do Humberto ali, porque como eu falei, eu amo Humberto, aí tem outras razões, mas fora isso não rola não. Mas disso, opinião, vamos formar aí opiniões massa nos comentários, estimular bons debates e se curtiu o vídeo, pô, deixa o joinha. Isso ajuda o algoritmo a me favorecer aqui, porque eu não iria num debate desses nem [ __ ] tá?
Porque além de todos esses motivos que eu falei, eu sou meio lerdão também e eu também não consigo olhar muito as pessoas nos olhos. Eu tenho problema com contato visual e aí num conflito assim não ficaria bonito, sabe? eu não ficaria performático.
Mas enfim, é isso. Se curtiu também se inscreve no canal, assim tu não perde os próximos vídeos. E todo dia meio-dia, um vídeo novo no canal.
E é isso, um grande abraço.